O Querer e não Poder, vai debruçar-se hoje sobre um tema que Abril deu a Portugal e aos portugueses, a liberdade. Este direito humano tem duas fases distintas: A fase negativa e a fase positiva. Na fase negativa podemos ter como sinónimos de liberdade, a independência; a submissão e a servidão. Na fase positiva temos autonomia e espontaneidade. Em Portugal, a liberdade foi um direito sempre com muitas restrições. No tempo dos nossos reis, principalmente desde D. Fernando que o povo não era senhor de escolher a sua religião ou crença. Nos tempos conturbados da Monarquia da Europa, houve até condenações à morte de supostas bruxas, apenas por não seguirem a religião imposta pelo estado. A inquisição deu à igreja um poder absoluto, passando o poder político para segundo plano. Esta falta de liberdade, era realmente uma falta de independência, uma submissão à vontade daqueles que se julgavam senhores e donos absolutos da vontade do povo. Com a descoberta de novos mundos, principalmente da África, a falta de liberdade foi agravada ao ponto de pessoas sem escrúpulos, sem qualquer ponta de humanidade, à lei da força, arrancarem seres humanos das suas terras natais e transformarem-nos em escravos que depois de uma longa viagem em navios sem qualquer condições, os sobreviventes eram vendidos com se de animais se tratassem. Estes seres humanos, na escravatura, além de submissão também tinham de ter servidão total aos seus senhores. Eram considerados, com o apoio da Igreja e do Estado, seres sem alma, apenas por terem a cor da pele negra. O tempo foi avançando, os regimes político foram mudando e já na república, a liberdade continuou a ser manipulada ao belo prazer dos novos senhores. Não se podia escrever o que se queria e muito menos era permitido ler certos e determinados livros escritos por estrangeiros, uma vez que os nacionais não se atreviam a tal. Neste período, muitos livros eram queimados e aqueles que o possuíam eram considerados revolucionários. Muitos desses revolucionários foram presos e até deportados para as colónias existentes principalmente em África e América Latina. O livre-arbitrio, o poder de escolha das acções, não era um direito adquirido. A liberdade de expressão simplesmente não existia, tudo era controlado e manipulado. Com o 25 de Abril de 1974, a ditadura política teve o seu termo e deu vez à democracia. A liberdade de expressão, que é o direito de manifestar livremente opiniões, ideias e pensamentos foi considerada a pedra basilar da democracia. Se isto deu uma certa liberdade ao povo, também deu responsabilidades e, aqui é que tudo se confunde. A liberdade de um acaba aonde começa a do outro. Sendo a liberdade de expressão um direito não absoluto adquirido, não pode nem deve colidir ou ultrapassar outros direitos também adquiridos, como por exemplo: O direito à indignação; o direito ao bom-nome; o direito à liberdade de escolha; o direito à defesa da honra; etc. O povo tomou o poder e com ele veio as injustiças democráticas. A verdadeira liberdade apenas chegou para os políticos, pois o povo, com a excepção da liberdade e expressão, pouco mais ganhou. Já Descartes dizia: “age com mais liberdade quem melhor compreender as alternativas em escolha”. Para haver plena democracia é necessário haver compreensão da escolha de cada um e, compreensão é aquilo que os actuais senhores do poder, não têm quando assumem o cargo público. Em democracia, a oposição é sempre a favor do povo contra o governo, até ao dia em que sejam eles o governo. A democracia sem responsabilidade torna-se em anarquia. O democrata irresponsável, o anárquico, julga não ter obrigação para com o povo que o elegeu. O que se vê hoje na política, é o contraste do que se via no passado. Ao querer fazer esquecer os tempos difíceis da ditadura os nossos políticos fazem leis contra o povo e aproveitam a democracia em benefício próprio. Na ditadura, principalmente na de Portugal, ditadura conhecida como Salazarista, o povo era pobre, os políticos serviam o país e País estava rico. Não havia liberdade de expressão, mas havia riqueza nos cofres do Estado. O 25 de Abril fez voltar ao país os políticos que se encontravam no estrangeiro. Nessa altura vieram para Portugal de comboio, praticamente com a roupa que traziam no corpo. Hoje, viajam de avião e têm fortunas nos bancos e até fundações com os seus nomes. Na democracia, principalmente em Portugal, o povo continua pobre, os políticos servem-se do País e estão ricos ou para lá caminham, mas o país está pobre, com os cofres vazios, com uma dívida externa cada vez maior. Ninguém tem culpa, os políticos têm de ganhar para viverem segundo a sua condição e posição. Posição esta, arranjada e classificada pelos próprios. Ganhar ao nível da Europa, só eles. O povo, este, que continue a trabalhar se houver trabalho. Se não houver que se desenrasque. Da liberdade conseguida com os capitães de Abril, pouco resta, apenas a liberdade de expressão continua activa, até quando? Há quem já questione também este direito. Em democracia, a liberdade é o direito de fazer tudo com responsabilidade e assumir os seus actos, mas poucos são aqueles que a praticam na íntegra. O povo, este eterno sacrificado, já pensa que, fome por fome, não valia a pena haver mudanças. É certo que, se não houvesse mudanças, eu não estaria aqui a escrever este artigo. É um bem que ainda nos resta. As cadeias portuguesas estão superlotadas por que será? Não será que o povo pense que estando preso tem pelo menos uma cama onde dormir abrigada do sereno da noite, tem o que comer e isto talvez seja melhor do que a liberdade? Ter liberdade e ser um sem abrigo e morrer de fome!... A escolha está à vista. As cadeias estão cada vez mais cheias. No próximo tema, como se de um tema único se tratasse, falarei sobre o 25 de Abril.
Acerca de mim
- carlosacebolo
- Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...
segunda-feira, 19 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
CINZAS
Animado pelo perfume suave e agradável da Primavera, resolvi fazer um pequeno retiro pela floresta. Andei alguns quilómetros e de repente vislumbrei o lugar ideal, uma linda clareira no sopé de uma montanha, à beira de um riacho. Falei para mim mesmo, perfeito, é aqui mesmo que vou acampar. Arrumei o carro, retirei a tenda de campismo, montei-a e fui à procura de lenha para a fogueira. Limpei o centro da clareira, juntei umas quantas pedras e fiz a minha fogueirinha. A noite estava bela, o céu estrelado e a lua brilhava redonda no horizonte. Ali sentado à beira da fogueira, a ouvir os grilos a cantar, o coaxar das rãs e o crepitar da lenha, deixei fluir o pensamento, dando azo à imaginação. Passado algum tempo, depois de ter revisto alguns bons e maus momentos da minha vida, dei por mim a fazer uma comparação. – As oportunidades surgidas durante uma vida são como a lenha a queimar numa fogueira. Se não as aproveitarmos no momento certo, desaparecem e dificilmente voltam a surgir. Apenas sobram as cinzas. Normalmente as más escolhas na juventude, traz-nos amarguras no futuro e o tempo não volta a trás. Se não tivermos a coragem de avançar para o que nos parece desconhecido, nunca ficamos a saber o quão agradável poderia ter sido. A fantasia pode-nos levar à concretização de sonhos, se tivermos a coragem de a transformar em realidade. Aquilo que à primeira vista nos parece impossível é muitas vezes fácil de se conseguir. Basta, para isto, apenas ter a coragem de avançar. Assim como a lenha a queimar numa fogueira se transforma em cinza que desaparece com o tempo, também as oportunidades perdidas ficam definitivamente queimadas e desvanecem com o passar dos tempos. Por cima de mim, as estrelas vão brilhando, a lua vai subindo no firmamento, Na nossa vida, os anos vão passado e os nossos sonhos esvoaçam ao vento. Depois de uma certa idade apenas resta a saudade da juventude perdida, das oportunidades não aproveitadas, dos sonhos não sonhados e das vontades não realizadas. De repente, fez-se silêncio, uns breves segundos sem ouvir os grilos, sem ouvir as rãs! O que se terá passado? Que silêncio atroz é este que me atormenta? Nada de sobressaltos, é apenas a mãe Natureza a ouvir o meu pensar. Que alívio, os grilos cantam, as rãs coaxam e a água do ribeiro corre mais veloz que nunca. É a vida noctívaga a lembrar que também existe. Diante da fogueira veio-me outro pensamento. O passado tão próximo e tão distante. A juventude afinal não foi tão má! Os tempos eram outros, as ideias menos avançadas, mas também fazíamos as nossas traquinices. Entre o masculino e o feminino sempre houve atracção. Naquele tempo com mais respeito, é certo, mas não deixava de ser agradável. O sexo era menos frequente, mas também era uma realidade. Então qual a mágoa? Nenhuma! apenas uma bela saudade. Afinal o tempo passado não foi perdido, mas está acabado, não volta mais. Assim como a madeira queimada e transformada em cinzas, não mais se solidificará, não mais servirá de aquecimento aos amantes ciosos de calor. De repente, lembrei-me do presente. Este tempo que vivo com constantes sobressaltos, não que esteja a correr mal! Nada disso. Do presente também não me posso queixar. A máquina biológica com comanda o meu corpo, trabalha quase na perfeição. Digo quase na perfeição porque perfeito ninguém é. As traquinices da meninice transformaram-se em aventurazinhas saudáveis e gostosas, tudo rola com uma agradável sensação de bem-estar. Então e o futuro? Bem! esse é incerto. Vamos vivendo o melhor que podermos enquanto a mãe Natureza não nos chama. É preciso não perder a consciência de que mal nascemos, começamos logo a descontar os dias da nossa permanência neste Planeta. Ele não é nosso; apenas nos é permitido aqui viver. A lua, essa eterna enamorada, sempre brilhou e continuará a brilhara e a fazer lembrar à humanidade que o amor, ao contrário da vida, é infinito. A minha fogueira ficava cada vez mais fraca, o corpo mais cansado e a lua cada vez mais alta e brilhante. Uma mulher aparecendo do nada, pediu abrigo na minha tenda. Fomos dormir e sonhei que estava no paraíso. Acordei no aconchego do meu quarto, deitado na minha cama é reparei que tudo não tinha passado de um sonho. Um agradável sonho é verdade, mas não deixou de ser um sonho.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
ILUSÕES
O Mundo está cheio de ilusões e ilusionistas. Há quem ganhe fortunas com a ignorante fé de outros. Consultar os astros para prever o futuro é tão real hoje, como o foi no I século antes de Cristo. O homem sempre teve um fascínio enorme pelo desconhecido e, nada é mais desconhecido do que o infinito espaço sideral. Os astros que aparentemente estão por cima de nós, na realidade rolam num vazio enorme e mantêm a mesma relação de igualdade entre eles. Nenhum está por cima e nenhum está por baixo. Todos se encontram no mesmo Éter, cada um com as suas características próprias, a sua densidade e a sua força cósmica dentro de cada sistema. No entanto, a estrela preponderante em cada sistema, parece ser na realidade, a grande responsável pela existência ou não de vida num planeta que gira em seu redor. Sabemos, é verdade, que o Sol e a Lua, pela proximidade que se encontram, têm influências na vida da Terra, através das suas luzes e raios, próprios ou reflectidos, que chegam até nós e alteram o clima e as marés. Mas até à presente data, nada nos garanta que outros astros também possuam influências sobre a Terra, ou que haja uma relação directa ou indirecta na vida dos seres deste Planeta. Ainda hoje não se sabe ao certo de que matéria os outros astros são formados. Grandes cientistas, gastando verbas estrondosas, andam ainda à procura de respostas sobre este assunto. Então como se explica que haja pessoas que afirmam conhecer os astros ao ponto de traçarem mapas astrais respeitantes à vida e ao destino dos outros, conhecendo apenas o ano, dia e hora do nascimento? Julgo que apenas ilusões e oportunismo desonesto, levam a esperteza de uns, a explorarem a ignorância de outros. Segundo crenças antigas, sou do signo do Aquário. Tenho por isso, características próprias dos nativos deste signo. Então como se explica que outros nativos de aquário, não tenham as mesmas características que eu? Porque somos tão diferentes uns dos outros, dentro do mesmo signo, no amor, na saúde, na riqueza, no carácter, na inteligência, etc. etc? A estas perguntas, os pseudo-técnicos, mais uma vez, perante tais factos, argumentam que tudo é devido às influências dos astros predominantes sobre a pessoa de cada um. Uns sofrem a influência de Vénus, outros de Marte ou de Saturno, ou porque Plutão entrou na casa de Vénus, etc. etc. Pois, o que não compreendo é que pessoas do mesmo signo, nascidos no mesmo ano, no mesmo dia e à mesma hora, que deveriam ter a mesma influência num determinado momento, tenham comportamentos diferentes!? Os astros podem explicar muita coisa e a sua maior informação é na orientação ao nível dos paralelos terrestres. Determinar a longitude ou a latitude de um determinado ponto através dos astros é possível e é credível. Os astros também explicam onde fica o Norte, o Sul, o Oriente e o Ocidente, mas não explicam tudo. O carácter dos seres humanos, o seu comportamento, o amor e até mesmo a riqueza e a saúde, são adquiridos através da vivência com outros seres da mesma espécie, desenvolvendo-se as capacidades intelectuais de cada um. O intelecto, este sim, talha o comportamento do ser humano. Bruxas, videntes, adivinhos e tarólogos, sempre existiram e sempre vão existir. O passado ensina-nos muitas coisas, principalmente atitudes e comportamentos a ter ou a evitar no presente e no futuro, mas também nos ensina a não confiar em adivinhos. Admito, mesmo por causa do meu desconhecimento nesta matéria, que certos astros possam influenciar a vida na terra, mas ter influência no comportamento humano é querer fugir à realidade e culpar quem não se pode defender, os astros. O amor, a sorte, a saúde, o comportamento são cultivados por nós, pela nossa maneira de viver, de estar na vida e nada mais. Acreditar na astrologia, no tarot ou na leitura da sina é o mesmo que acreditar no conto do vigário. E aqui vigário não é padre!
sexta-feira, 9 de abril de 2010
RENASCER O perigo das armas nucleares
Na Linha do horizonte, a luz do Sol fazia a sua aparição timidamente, mostrando o renascer de um novo dia. As últimas estrelas desapareciam do firmamento como que envergonhadas perante a beleza do astro rei. O Sol, fonte de vida na Terra, é ao mesmo tempo a foice da morte noutros planetas que à sua volta rodopiam prestando-lhe homenagem. É na realidade o centro do nosso sistema planetário, no qual a Terra é a soberana rainha da Beleza. Nas quentes noites do verão, o renascer do dia visto de determinados locais deste maravilhoso planeta é na realidade um espectáculo de beleza sem par só equiparado aos belíssimos pôr-do-sol no horizonte de um país tropical. O renascer da esperança no Mundo é agora mais evidente com o acordo histórico assinado pelos governos dos Estados Unidos da América e da Rússia, para a redução em mais de 70% das armas nucleares. Um acordo óptimo, mas que não teria razão de existir, se os homens aprendessem a viver como irmãos, como iguais e não procurassem a qualquer custo, impor a sua soberania, as suas ideias, o seu domínio pela força das armas, a outros povos, pelo simples facto de serem mais poderosos militar e economicamente. A corrida ao armamento foi a pior coisa que aconteceu na vida do ser humano. Fazer armas capazes de defender o Planeta de uma invasão externa mesmo que teórica é uma coisa. Fazer armas para matar os habitantes deste planeta é outra totalmente diferente. A guerra-fria do século passado foi a principal causa da corrida louca ao armamento incluindo o Nuclear. Esta guerra apenas existiu na cabeça de homens ávidos de poder que não olhavam a meios para atingirem os seus fins. O poder absoluto sobre o planeta era uma cobiça tal que levou as grandes nações à loucura ao ponto de fazerem armas que podem simplesmente acabar com o planeta terra. Hoje os homens são outros, as mentes mais puras e sensatas. Esta redução é muito bem vinda, mas é insuficiente. O mundo necessita de uma paz duradoura e para tal é necessário ir mais além. Ter a coragem de acabar de uma vez por todas com tais armas. Esperemos que outros países sigam o exemplo dos EUA e da Rússia e façam o mesmo. Vamos todos dizer não ao armamento nuclear. Vamos fazer o Mundo renascer dia após dia com a sua beleza sem a ameaça de uma guerra que pode por tudo a perder. O Sol nasce todos os dias e quando nasce, nasce para todos em igualdade de condições. Há dias ouvi com espanto que os governos da União Europeia não tinham chegado a acordo num problema muito sério como a redução da pobreza no Mundo. Aqui, a ressurreição da esperança, o renascer de uma sociedade mais justa e mais igual, ainda é uma utopia nas cabeças pensantes dos líderes Mundiais. Se não têm coragem para tomar uma decisão tão importante para o bem da humanidade, será que o nome de líderes é bem aplicado? Só mesmo na política isto pode ser considerado certo, pois no social, no que é realmente importante para a Humanidade, estes homens com as suas indecisões, baseando-se apenas no interesse puramente económico, não passam de uns oportunistas pagos com o erário público, fruto de uma quota parte do nosso trabalho. O fosso económico entre ricos e pobres é cada vez maior, todos contribuem gratuitamente para o seu aumento e nada fazem para que a tendência seja ao contrário. A redução da pobreza ficará para mais tarde. Para Quando? O renascer da aurora ainda vem longe e o renascimento da nova Era tarda em surgir. O renascer da esperança, também demora em surgir para aquelas crianças que todos os dias morrem de fome, ou de doenças graves, e que vivem no mesmo Mundo que nós, sem por vezes, darmos por isso. O renascer da esperança é o verdadeiro milagre que o Mundo ansiosamente espera ano após ano. Em Março deste ano, os cientistas Mundiais fizeram um teste a grande profundidade na fronteira Suíça, com o propósito de criarem uma mini réplica do famoso Bing Bang. Os amantes da teoria do surgimento da vida através da grande explosão, procuram criar a essência da vida e assim provar que estão certos. Os outros, os crentes na religião acreditam que apenas gastam milhões para tentar provar que Deus não existe, sem qualquer sucesso. Quem tem razão? Ambos, pois nada ainda foi possível provarem. Este dinheiro não seria o suficiente para reduzir a pobreza no Mundo? Seria é certo, mas para isto o dinheiro era considerado mal aplicado. O renascer da consciência séria, também aqui tarda em aparecer.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
ESPÍRITO DA VIDA - ALMA
Ainda ontem tinha vinte anos, sonhos lindos, aventuras intensas, um Mundo para descobrir, com esperanças renovadas dia após dia. Hoje já sou avô e apenas os sonhos continuam, acompanhados por uma grande necessidade de compreender a Noética que comanda o Mundo. Essa ciência nova, mas tão antiga como o Universo e que controla todos os sistemas conhecidos. O pensamento humano ainda está por ser explorado na sua profundidade imensa. Apenas é conhecido uma ínfima parte dessa enorme força capaz de mover montanhas. Se tivermos a coragem de ler a Bíblia e procurár interpretá-la fora da religião que sempre nos foi ensinada, vamos ver e compreender muitas coisas que explicam os grandes mistérios que antigamente aconteceram e ainda hoje acontecem. Começamos pela frase do velho testamento, no Géneses, que diz “Deus criou o homem á sua imagem e semelhança”. Pensando friamente, sem temor da ira Divina, forçosamente teremos que admitir que somos semelhantes a Deus. Logo, também somos deuses, embora ainda não saibamos proceder como tal. Na frase”o Reino de Deus está entre nós”, também é fácil compreender que tudo se passa neste Mundo. Quando Jesus Cristo apelida aos apóstolos de “homens de pouca fé”, não está mais do que a incentivá-los a acreditar neles próprios, e quando diz “ se tiverdes fé, podeis dizer à montanha move-te e ela mover-se-á” também está a dizer que a mente do ser humano, bem cultivada, tem capacidades para mover objectos sólidos. Basta para isso, cultiva-la com intensidade. O estudo profunda da capacidade da mente humana, a dimensão não determinada mas determinante da identidade e consciência do ser humano, é o que normalmente apelidamos de Noética. O dobrar um objecto sólido, como por exemplo uma colher de metal (Exemplo mais conhecido) ou o deslocamento de pequenos objectos, praticados por pessoas que apelidamos de mágicos, não é mais do que o domínio de uma pequeníssima parte do cérebro humano. O curar doenças praticamente incuráveis à luz da ciência conhecida, com apenas a imposição das mãos, como já se viu documentado em televisão, embora não explicado, é também outro domínio do celebro humano, que já era utilizado por Jesus Cristo há dois mil anos atrás. Charles Darwin com o seu altíssimo estudo da evolução das espécies, numa perspectiva global e sintética, não só modificou o Mundo, como também pode ser chamado de pai da Noética moderna. Depois de Darwin, o Mundo conhecido de então, não mais foi o mesmo e, os seus seguidores procuraram e procuram a partir dos seus estudos, desenvolver e estudar mais a profundo a mente humana. Ainda hoje, em pleno século XXI, as capacidades da mente humana continua a ser desconhecida na sua totalidade e ainda hoje, fenómenos já acontecidos no Mundo, estão para ser explicados cientificamente. Isto só vem provar que a humanidade ainda tem muito para evoluir e que Jesus Cristo, há dois mil anos atrás, tinha a mente muito mais desenvolvida que o maior cérebro actualmente conhecido. A capacidade mental de Jesus Cristo, já naquele tempo era tão desenvolvida que aos olhos dos restantes humanos, as maravilhas por Ele feitas, eram e ainda são vistas como milagres. Só com o estudo da Noética, à lei da ciência, se explica tais fenómenos. Assim se explica que não é por acaso que Jesus Cristo é reconhecido por uma grande parte da humanidade, como filho de Deus. A ressurreição de Lázaro à luz da ciência moderna, só é explicada pela grande capacidade que Jesus tinha, para modificar um estado físico. Voegelin, austríaco e professor catedrático nos Estados Unidos, diz que “O elemento Noético aparece quando a consciência procura tornar-se explícita por si mesma e interpretar o seu próprio”. Por aqui se vê, que um enorme caminho nos espera pela frente e até o ser humano chegar ao ponto de dizer a uma montanha move-te! Ou de chegar ao pé de um morto e dizer “ Levanta-te e anda”, muito caminho ainda tem que percorrer estudando a fundo a mente humana, para a compreender na totalidade. Só então podemos dizer que somos filhos de Deus; que somos semelhantes a Deus, tal e qual como fomos criados. Até lá, limitamo-nos a adorar Aquele que adquiriu por completo o domínio da mente. Jesus Cristo, filho de Deus, feito homem e a acreditar na salvação da alma e na vida eterna. A propósito da alma! Será que ela tem peso? Tem forma? Tem cheiro? Tem energia? Se não! Como provar que ela existe?!...Há cientistas que afirmam já ter pesado a alma humana e que ela pesa cerca de 21 gramas . Não querendo duvidar, eu pergunto: - Esse peso será com ou sem pecados? Já agora o que é pecado? Será que amar sem compromisso é pecado? Será que matar é pecado? Tudo depende do ponto de vista. Se amar sem compromisso é pecado, então todos os seres vivos vivem em permanente pecado. Se matar é pecado, então o ser humano vive em permanente pecado, pois mata sem escrúpulos outros seres vivos e não só para se alimentar, mas também por belo prazer. A Bíblia define como pecado certos comportamentos incorretos do ser humano, mas deixa sempre uma porta aberta para a dúvida com o livre arbítrio. Será que a alma pesa sempre com ou sem pecados 21 gramas ? Espero que os cientistas e a Noética façam luz sobre este assunto.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
CONJUNTURA
Desde os tempos mais remotos que o ser humano procurou sempre justificar a situação por si criada, culpando a conjuntura do momento. Quando algo nos corre bem, o mérito é nosso e procuramos constantemente lembrar a nossa eficiência, o nosso empenho, o nosso esforço no objectivo conseguido. Mas quando algo nos corre mal, desculpamo-nos, enumerando uma grande quantidade de elementos, de factores que provocaram o problema. E isto normalmente é apelidado de conjuntura do momento. Em Portugal, já não nos surpreende que em termos políticos, a conjuntura seja sempre a culpada dos sucessivos falhanços nas governações após o 25 de Abril, seja o governo de que partido for. Para a oposição, o governo tem sempre a melhor conjuntura do momento para poder fazer uma boa governação. Para o governo, a conjuntura nunca é a mais favorável. E assim, devido à conjuntura, o país afunda-se cada vez mais. Na parte económica, se não forem criadas situações de estabilidade, se não houver um suporte de base forte e próprio, o país não cria os elementos necessários para solucionar o problema. Ainda está na memória de muita gente a frase dita por um ministro do Dr. Salazar “Sem uma siderurgia própria, o país não é um país, é uma horta”. E tinha razão. Hoje os tempos são outros, mas os métodos são sempre os mesmos. Sem uma indústria forte e própria que sustente a nossa economia, o país não passa de um cantinho à beira mar plantado, para os ricos da Europa virem passar férias. Mais do que procurar a diminuição das despesas, é urgente implementar o aumento das receitas. Na política o assunto é idêntico. Sem políticos competentes e honestos, não se cria uma base sólida e, sem uma base sólida, a conjuntura nunca será favorável. Portugal, antes do 25 de Abril era um país rico ao ponto de não ter sido afectado pela grande recessão económica que abalou o Mundo e, tudo se deveu ao grande património que então era possuidor e à política económica de rigor então adaptada. Embora os sépticos dizem que naquele tempo Portugal foi salvo porque vivia num regime fechado, com uma economia interna e pequena, isso não é em tudo verdade. Talvez estes sépticos pudessem ter razão, se a história não relatasse que outros países também pequenos e fechados, sentiram os efeitos maléficos da recessão e, que quando Salazar tomou conta do Ministério das finanças em 1928, O orçamento do Estado apresentava um saldo negativo de 388.667 contos e o primeiro Orçamento da gestão de Oliveira Salazar, em plena crise, fechava com 1.576 contos positivos. Além disto, Salazar, depois de II Grande Gu erra (1939/1945), integrou Portugal nas instituições de comércio livre na Europa e obteve mesmo as maiores taxas de crescimento económico da História portuguesa. Isto mostra que o País não era tão fechado como querem fazer crer à juventude actual. Para além disto, ainda industrializou o País, tomou medidas para que as crianças fossem escolarizadas e estruturou o Estado Social, que ainda hoje vive à custa dessa estruturação. Em termos militares, também foi Salazar quem inseriu Portugal na NATO e com umas Forças Armadas exército forte. Logo se vê que o problema é outro, pois Salazar apanhou logo de início, talvez a maior recessão económica conhecida no Mundo, com uma conjuntura muito desfavorável e mesmo assim, com grande rigor, disciplina e sacrifícios, associada à enorme competência e honestidade, este professor de economia, fez uma recuperação tal, que levou Portugal a ombrear-se com os países ricos da Europa. Quando este ilustre professor tomou conta das finanças, reduziu o seu programa em apenas quatro pontos: 1º - Que cada Ministério se comprometa a limitar e a organizar os seus serviços dentro da verba global que lhe seja atribuída pelo Ministério das Finanças; 2º - Que as medidas tomadas pelos vários Ministérios, com repercussão directa nas receitas ou despesas do Estado, serão previamente discutidas e ajustadas com o Ministério das Finanças; 3º - Que o Ministério das Finanças pode opor o seu “veto” a todos os aumentos de despesas corrente ou ordinária, e às despesas de fomento para que se não realizem as operações de crédito indispensáveis; 4º - Que o Ministério das Finança se compromete a colaborar com os diferentes Ministérios nas medidas relativas a reduções de despesas ou arrecadação de receitas, para que se possam organizar, tanto quanto possível, segundo critérios uniformes. É certo que não havia liberdade de expressão. Tudo era controlado pelo Estado, mas em casa onde não há controlo, Também não há pão, não há razão. Se derem a escolher aos portugueses ter pão e emprego ou ter liberdade de expressão, estou certo que escolherão ter pão e emprego, pois a liberdade de expressão não enche as barrigas, não mata a fome, não dá estabilidade económica. Sem alimento não penso e sem pensar não vivo. Lá diz a ditado popular “ em casa onde não há pão, ninguém tem razão”. Isto, não sei por quê, faz-me lembrar a nossa Assembleia da República actual. Os nossos políticos actuais, deveriam estudar mais a fundo os primeiros anos de Salazar. Talvez aqui esteja a chave milagrosa para as finanças actuais. O professor Oliveira Salazar não necessitava de assessores para resolverem os diversos problemas que surgissem, ele só, era mais que suficiente para os resolver com eficiência. Naquele tempo, os políticos com responsabilidades na governação, trabalhavam em prol do país e quando deixavam o governo, saíam com os mesmos bens que anteriormente tinham. Hoje, cada ministério tem vários assessores e gestores pagos a peso de ouro, a cujo vencimento ainda acrescem os prémios pela gestão, como se isso não fizesse parte das suas obrigações como profissionais e pelas quais já são bem pagos. Além disto, ainda ficam com direito a altíssimas reformas com apenas meia dúzia de anos de serviço “prestado ao Estado”. O grande património que o Estado detinha, foi literalmente lapidado, não só pelas inúmeras privatizações mal feitas, mas também pelos exorbitantes vencimentos que os políticos auferem, muito acima da realidade do País. E o país de rico passou rapidamente a pobre, ficando as empresas privatizadas, directa ou indirectamente, nas mãos daqueles que contribuíram para essa mesma privatização e os políticos a ganharem em igualdade aos mais ricos países da Europa. Hoje ser político é ser um funcionário público super remunerado e com regalias impensáveis para os demais funcionários públicos e povo em geral. Quando não houver mais nada para privatizar, será que vão recorrer novamente à ditadura? Ou desaparecerá Portugal com país soberano? Em trinta anos, o Estado Novo enriqueceu o País, em trinta anos, a Democracia empobreceu o País. Em nome da estabilidade, dá que pensar!...
sexta-feira, 2 de abril de 2010
MINHA TERRA MINHA GENTE -II-VILA ARRIAGA
.jpg)

A minha família praticamente sempre viveu em Vila Arriaga, Angola, uma vila simpática situada no sopé da serra da Chela e, embora pertencesse ao Distrito de Moçãmedes, hoje Namibe, fazia fronteira com o distrito da Huíla, hoje Lubango, de cuja cidade (Sá da Bandeira), ficava apenas a cinquenta quilómetros de distância. Minha avó materna era filha de colonos e meu avô foi militar com a patente de cabo, na grande guerra e foi para Angola, onde conheceu a minha avó, casaram e tornaram-se agricultores, fixando residência em Vila Arriaga. Meu avô paterno, nascido em Trás-os-Montes, era enfermeiro em Moçâmedes, donde era natural, minha avó paterna. Sou o terceiro filho do casal e embora tenha nascido no Lubango, sempre considerei minha terra a Vila onde vivi com meus pais. Vila Arriaga ou Bibala, como muitos a chamavam por ser o nome dado à região do concelho, era uma vila pequena, com apenas duas ruas e quatro transversais, mas muito interessante e com uma vida própria muito activa. Tinha uma administração por ser sede de concelho, com as respectivas casas do administrador, do secretário e dos demais funcionários. Como era uma zona de muita pecuária, tinha também um posto veterinário com a respectiva residência do médico veterinário. Para servir a população local e do concelho, havia também um hospital com as respectivas casas do Médico e do enfermeiro. No centro da Vila situava-se a escola primária, a estação dos caminhos-de-ferro e várias casas destinadas aos seus funcionários, assim como uma oficina para a reparação das máquinas locomotivas; um Clube recreativo e um parque infantil. A linha do caminho-de-ferro dividia praticamente a Vila em dois lados. De ambos os lados da Vila havia várias casas comerciais, quase todas direccionadas ao comércio com os indígenas, mas havia duas que além deste comércio, também estavam preparadas para o comércio Geral. Destas casas comerciais, a do Cardoso Dias e a do Lauro Gonçalves, talvez a mais importante fosse a casa Lauro Almeida Gonçalves, onde se podia encontrar um pouco de tudo. Tinha o sector agrícola, o sector de mercearia, a parte de roupas e tecidos, retrosaria, relojoaria e ourivesaria, papelaria, sapataria, louças, brinquedos e farmácia. Era na realidade um comércio multifacetado e único na região. Para além deste comércio, a Vila tinha ainda duas pensões e nos últimos tempos talho e peixaria. Todos os habitantes da Vila se conheciam e para além da amizade própria dos europeus e seus descendentes em África, havia também uma sã convivência com os naturais da terra, que fazia desta Vila uma comunidade familiar. O meu tempo de criança, de adolescente e de jovem adulto, foi passado nesse Vila, com excepção do tempo reservado aos estudos que foram passados ou em Moçâmedes (Preparatório) ou no Lubango (Secundário). Logo se vê que esta Vila marcou o meu tempo de juventude. Aos fins-de-semana havia baile no clube. As raparigas iam acompanhadas pelas mães ou a cargo de uma senhora casada que se responsabilizava por elas, era assim naquele tempo. Muito respeito, mas também muito divertimento. Não havia drogas, o álcool era controlado e não passava de umas cervejas; apenas e só o baile com música tocada a gira discos, animava as tardes e as noites. Eram tempos maravilhosos e os namoricos também existiam, mas tudo dentro do respeito da época. Durante as férias grandes, eram assim chamadas as férias de final de ano lectivo, os rapazes da Vila juntavam-se à noite para cumprir com um costume antigo, costume que já vinha dos nossos pais. Íamos ás capoeiras dos nossos próprios pais e “roubávamos” uma galinha para a patuscada nocturna. Juntávamo-nos todos no largo da pecuária e aí fazíamos a fogueira para assar os francos. Os pais no dia seguinte davam por falta das galinhas, mas ninguém levava a mal, pois era um costume antigo. Vila Arriaga era uma Vila pequena mas tão familiar que ainda hoje, passados trinta e poucos anos, posso mencionar os nomes das famílias mais antigas e que deram relevo à Vila. – A Família Adolfo de Oliveira; família António Duarte, família Rocha Pinto ; família Cardoso Dias; família Madeiros; Família Simões(Canime); família Bastos; família Lauro Gonçalves; família Gu ardado; família Basílio; família Zé da Glória, família Alves Primo; família Raimundo; família Morais, família Baptista; família Filipe Cebolo; família Freitas, família Robalo; família João de Sousa; Família Daniel; família Gil do Espírito Santo; família Zé Teixeira, família Aníbal; família Amado; a famosa viúva Alice, famosa por ser avançada de mais para a época, sempre com o espírito jovem, apesar da sua já avançada idade, não faltando a um baile junto da juventude. Para além desta gente, havia outras que embora não fossem residentes permanentes na Vila, por lá passaram e deixaram a sua influência, como a família Amadeu Gonçalves, os Administrativos Sousa Álvaro (Administrador); Fausto Ramos (secretário) Pimentel Teixeira (secretário) Nazaré Gomes (médico) João Simões (funcionário veterinário) Jorge Alves (Chefe de Estação C.F.); Sousa (Chefe de Estação dos C.F.); Sebastião (enfermeiro); Rodrigues (enfermeiro) Os padres Espanhóis (Fidel, Jesus e Zé), Olímpio capataz dos C.F. e o Santos (capataz Geral dos C.F). Enfim, e muitos outros que vieram depois destes, dos quais destaco a família João Rodrigues que veio da Lola, uma povoação vizinha e pertencente ao mesmo concelho, radicando-se em Vila Arriaga. Grande parte deste pessoal já faleceu, mas ainda hoje, os vivos e os descendentes dos falecidos, quando se encontram é como se encontrassem um familiar, tal era a amizade entre as famílias. No mês de Junho dava-se lugar às célebres festas da Vila, em honra dos Santos populares, Stº. António, S. João e S. Pedro, que para além das várias barracas que se montavam com diversas actividades e do indispensável baile diário, também havia as tradicionais fogueiras em honra dos Santos populares. As festas duravam o mês inteiro e todos os dias haviam movimento próprio das festas que aos fins-de-semana era abrilhantado com um conjunto musical contratado para o efeito e com torneios de tiro ao alvo; tiro aos pombos e tiro aos pratos, além do Basquetebol e do futebol é claro. Em minha terra minha gente, não podia deixar de fazer esta retrospectiva saudosista da minha juventude.
quarta-feira, 31 de março de 2010
ESPERANÇA
No Querer e não Poder, chegou a vez de falar um pouco de esperança. Esta palavra significa aquilo que muita gente suspira constantemente e anseia pela sua concretização. Há mesmo quem diga que a Esperança é a última a morrer. Não são vãs estas palavras, pois quando se perde a Esperança é porque tudo está consumado. Já assim falou Jesus quando viu o seu fim na cruz, “ tudo está consumado”. Também podia ter dito “acabou a esperança, chegou o fim”. O ser humano quando nasce trás consigo a esperança de uma vida plena e quando se aproxima a hora da sua morte, também fica com a esperança de ir para um Mundo melhor e de encontrar os seus familiares e amigos já falecidos. A criança tem esperança de, ao ir para a “escolinha”, encontrar amigos com quem brincar e encontrar no adulto a esperança de uma constante protecção. O adolescente encontra na esperança, uma certeza de uma vida de liberdade ao atingir a maioridade. O estudante tem sempre a esperança de com os seus estudos concluídos, encontrar um bom emprego que melhore substancialmente a sua situação económica. O adulto vê a esperança como uma salvação dos seus problemas e que mais tarde ou mais cedo eles se resolverão. A esperança de atingir sempre uma vida melhor, está constantemente no espírito do ser humano. O casal de namorados tem esperança de tudo correr como o desejado, fazer um casamento feliz e constituir a sua própria família sem grandes problemas. No casal, quando tudo corre bem, há sempre a esperança de chegarem juntos ao fim das suas vidas. Quando algo corre mal, existe sempre a esperança de se resolver a assunto sem uma separação e, quando isto não for possível, ficam com a esperança de arranjar um companheiro melhor e serem realmente felizes. No tocante ao idoso, a esperança é outra. É prolongar a sua vida neste planeta o mais possível, sem dores, sem sofrimento e ter uma morte “santa”, repentina, sem quase dar por ela. É a esperança do ser humano, não sofrer nem fazer sofrer. Também ao nível social, a esperança nunca morre. O pobre; o trabalhador necessitado; a classe baixa e média baixa, tem sempre a esperança de um dia ser contemplado com um grande prémio e se tornar rico. O rico vive na esperança de aumentar constantemente a sua fortuna. Enfim, a esperança é na realidade o grande elixir da vida. Sem a esperança, o Mundo não seria agradável e a humanidade não conseguiria sobreviver. Até os pessimistas que dizem “já não tenho esperanças de nada” no fundo do seu ser, do seu pensamento, existe sempre a esperança de haver uma mudança, o tal milagre salvador. O velho ditado que diz que “a esperança é a última a morrer”, pode muito bem ser substituído por a “esperança nunca morre”. Em certos países africanos, a esperança consiste em arranjar comida dia a dia para sobreviver. Aqui a esperança é mais dolorosa. È tão cruel que chega ao ponto desta palavra tão real, ter apenas presença no imaginário das crianças que todos os dias morrem de fome. O nosso caixote de lixo doméstico, seria uma mesa farta nestas paragens e seria a esperança de vida para muitos inocentes. A desgraça é tão grande que me leva a perguntar – Onde andas tu, Pai da esperança que deixas os teus filhos morrerem à fome?
segunda-feira, 29 de março de 2010
VALORES – NOME FAMILIAR
O dia dezanove de Março é dia dedicado a S. José, pai humano de Cristo e também por inerência, escolhido no Mundo ocidental, com dia do Pai. Eu, pessoalmente, discordo com estas datas, pois dia do pai ou da mãe são todos os dias do ano. Mas como assim é instituído, respeito-o como tal. Não me foi possível fazer um tema dedicado ao Pai nesse dia, mas aproveito o fim do mês de Março, também considerado como o mês do Pai, para no meu Blog “Querer e Não Poder”, fazer uma dedicação ao meu saudoso, querido e já falecido pai.
Ainda me lembro do tempo em que era menino, quase de colo e ouvia com muita atenção, os grandes ensinamentos que meu pai procurava à maneira dele, fazer com que eu entendesse. Não falava dos valores morais em geral, pois sabia que esses valores variam de país para país, de cultura para cultura. Falava dos valores que em qualquer país ou cultura são fundamentais para se adquirir o respeito, a dignidade. Dizia ele repetidamente, sempre que a ocasião era propícia: “ meu filho lembra-te sempre que o nome que usas depois do teu, não te pertence. Foi-te dado através dos tempos pelos nossos antepassados. Tens por isso, uma grande responsabilidade em mantê-lo limpo e respeitável. Não tens o direito de o conspurcar e de lhe diminuir o valor. Antes pelo contrario. Deves procurar com atitudes sérias, que esse valor seja cada vez maior. Usa-o sempre com dignidade e lembra-te que quem to deu, já não mora neste Mundo terreno.” São valores que procuro não esquecer e transmitir aos meus filhos e netos. O nome que nos é permitido usar e do qual somos os principais guardiões, deve ser sempre preservado com dignidade para que mantenha o seu real valor. Um nome caído na lama jamais se levantará e ninguém o respeitará. Hoje, já avô, ponho-me a pensar no que ouvia quando era criança e recordo com saudades, que esta foi, se não a maior, uma grande lição que o meu pai me deu. Nada é meu. A vida, a educação, a instrução, o carácter, o amor, todos os ensinamentos que adquiri e principalmente o nome, foram-me dados. Nada de relevante é meu. Na sociedade em que vivemos, um bom-nome familiar é meio caminho andado para o sucesso. Outros ensinamentos adquiri de meu pai, mas nenhum me marcou mais do que este. O meu “velhote”, como carinhosamente lhe chamava, também me fazia lembrar que a vida dos outros, para nós não tem qualquer interesse próprio. Por isso, tudo o que se ouvir fala sobre os outros, deve apenas servir como conhecimento para nós próprios. Esses conhecimentos, nunca os deveremos divulgar como verdadeiro ou falso, pois a nós não nos dizem respeito. Devemos procurar dar bem com toda a gente, pois até prova em contrário, todos são dignos da nossa confiança. Quando nos provarem o contrário, simplesmente devemos ignora-los sem rancor ou ódio. Apenas indiferença. Os nossos amigos verdadeiros, devem ser escolhidos a dedo, pois todos servem para ser conhecidos, mas nem todos servem para ser amigos. Meu pai não era um homem sábio, mas tinha a sabedoria suficiente para compreender e ensinar coisas simples mas importantes como estas. A honestidade é o grande valor que está à disposição do ser humano. É lamentável que nem todos a saibam utilizar. Em memória do meu pai, estes ensinamentos foram transmitidos aos meus filhos e a minha neta, com apenas dois anos, sempre que está comigo, ouve-me dizer que o nome dos avos é muito importante! Quando tiver mais compreensão, explicar-lhe-ei a importância do nome familiar. Até lá, apenas preocupar-me-ei em dar bons exemplos, procurar desenvolver brincando o seu intelecto e umas guloseimas de vez em quando. A ti pai, onde quer que estejas, um grande abraço e o meu muito obrigado.
sexta-feira, 26 de março de 2010
MITOS E LENDAS
O querer e não poder escolheu para hoje o tema Mitos e Lendas, por haver alguns desses Mitos e Lendas que ainda hoje, nos atraem, atormentam e, ou nos fascinam. Na mente humana, permanece as lembranças de deuses e de homens dum passado remoto, com proezas super humanas, com palavras mágicas, com histórias fabulosas que atravessaram gerações. Em todas as culturas do Mundo, a imaginação humana inventou contos de fadas, de duendes que encantaram e encantam principalmente as crianças, dando azo às mais criativas imaginações. Os magos, tanto os antigos como os actuais, aplicam palavras “mágicas” para darem ênfase aos seus truques. Começamos logo de pequeninos a ouvir histórias que vão crescendo connosco e que a certo tempo, confundem-se com a realidade ou permanecem na nossa mente como uma boa ou má recordação. Quem não conhece a agradável lenda do pai Natal, baseada na história de S. Nicolau, também conhecido como Santa Claus que, distribuía presentes às crianças pobres da sua época e que ainda hoje, principalmente na cultura ocidental, faz as delícias não só das crianças, mas também dos adultos que dão e recebem prendas, como que a comemorar o nascimento de Cristo ou, lembrar as prendas que segundo os livros sagrados, Cristo menino, recebeu dos reis Magos. A personagem do Pai Natal e as suas renas, está hoje de tal maneira enraizada na mente do ser humano ocidental, que já faz parte integrante da nossa cultura, ao ponto de não concebermos o Natal sem esta figura lendária. Do nosso tempo de criança, também nos lembramos e transmitimos os nossos filhos, o milagre da fada madrinha que coloca uma moeda por baixo da almofada, no lugar onde à noite, a criança coloca o dente de leite que lhe saiu. Essa mesma fada madrinha que a criança recorre a pedir protecção sempre que necessário e que é figura principal em muitas histórias infantis, é mais uma das lendas criadas pelo imaginário do ser humano e que ainda hoje aparece como seres sobrenaturais no folclore de muitos países europeus. Em tempos idos, o cristianismo chegou a pensar na verdadeira existência desses seres fabulosos e pensavam que as fadas, eram anjos caídos ou almas de crianças que haviam morrido sem o baptismo. Juntamente com as fadas, aparecem os duendes; seres de diversos tamanhos, temperamento e poderes mágicos, que ao abrigo de uma invisibilidade, ajudam ou incomodam os seres humanos. Na idade média dizia-se mesmo que os duendes atacavam durante a noite os berços e roubavam as crianças, deixando no seu lugar um boneco de madeira. O abominável homem das neves, também conhecido por iéti, criatura peluda que muitos afirmam existir nos Himalaias e houve mesmo algumas notícias sobre a descoberta de pegadas extraordinárias, é também conhecido no ocidente como Bigfoot (pé grande), havendo mesmo relatos de pessoas que dizem também ter visto essa criatura em vários locais da América, não passa, até prova ao contrário, de uma lenda criada pela prodigiosa mente humana. O Monstro do lago Nesse (Loch Ness), na Escócia, animal aquático muito grande que muitos dizem ter visto, mas do qual, ainda não se prova a sua existência, apesar dos vários estudos feitos ao referido lago, para todos os efeitos é visto como uma lenda local. Os Lobisomens, homens que de acordo com uma antiga superstição, assumem durante as noites de lua cheia, a forma de lobo e atacam aqueles que andarem durante essa noite pelas ruas escuras. Esta lenda ainda hoje é tida como verdadeira em muitos países, principalmente de África e América Latina. Continuando com as lendas e mitos mais conhecidos, não podia deixar de falar da célebre lenda das Amazonas. Um grupo de mulheres guerreiras, dotadas de uma força extraordinária e de uma agressividade extrema que fazia delas guerreiras excelentes e temidas na mitologia grega, muito pródiga em mitos e lendas. Desta mitologia também destaco a figura de Hércules, meio homem meio deus, filho do deus Zeus e considerado como o ser mais forte que existiu sobre a Terra. Também muito conhecido nos tempos actuais, ao ponto de terem a honra de serem objecto de filmes, séries e novelas, os vampiros, cuja história é baseada na maldade de um conde que existiu na idade média na Roménia, mais precisamente na Transilvânia, conhecido por Drácula e apelidado de Vlad, o Impalador, possuidor de uma maldade extrema, ávido de sangue, espetava as suas vítimas em estacas, para todo verem e temerem o seu poder. Mas o mito dos vampiros tal e qual como se conhece hoje, não passa de uma ficção muito bem conseguida para ilustrar a maldade. Estes mortos-vivos que deixam o seu caixão durante a noite para se alimentarem de sangue humano, não passam de um mito criado na idade média, numa altura em que os saqueadores de túmulos assaltavam os cemitérios para roubar o ouro enterrado com os mortos e deixavam as covas e caixões abertos. Nestas personagens inventadas, a imortalidade é apenas uma lenda enraizada em certas culturas. O Diabo, o ser supremo que personifica o mal, inimigo mortal de Deus, também conhecido por Belzebu, Lúcifer, Demónio, Satanás, Satã e Príncipe das trevas, também não passa de uma lenda inventada pelo grande imaginário humano e aproveitada pelas culturas antigas, principalmente as religiosas, para levar o povo a praticar o bem e ter medo de um terrível castigo depois da sua morte. É um mito que ainda hoje se encontra presente na mente humana e com uma força tal, que muitos acreditam ser verdadeiro. As célebres Sereias, criatura marítima muito bela, da cintura para baixo tinha a forma de peixe e da cintura para cima a forma de mulher, também conhecidas por Ninfas, eram temíveis pelos marinheiros até finais do século XIX, por serem consideradas muito sedutoras e personificarem a beleza e a traição do mar. Os marinheiros acreditavam que o seu doce canto os fazia adormecer e depois eram levados para o fundo do mar, justificando assim os inúmeros naufrágios existentes naquela época. Não podia acabar este tema sem falar no mito actual. Os ÓVNIS, para muitos são naves reais e indicam existir vida inteligente noutros planetas; outros, admitem serem objectos verdadeiros, mas que tudo não passa de experiências secretas do exército Norte-americano. Contudo, a maioria dos cientistas rejeitam os ÓVNIS, pois acreditam que tudo não passa de uma ilusão causada por fenómenos naturais. O certo é que enquanto nada se provar, também isto não passa de um mito criado pela mente humana. Mais uma lenda para aguçar a nossa imaginação.
quarta-feira, 24 de março de 2010
EUTANÁSIA
O Querer e não Poder, após vários temas diversos, escolheu para hoje um bastante controverso ou, talvez o termo mais indicado seja polémico. A Eutanásia. Esta prática de abreviar a vida de um enfermo incurável de uma maneira controlada e assistida, é vista por uns como um acto aceite socialmente e por outros como uma condenação. Este assunto tão controverso tem dois aspectos preponderantes: A prática Activa e a prática Passiva. Na eutanásia activa, o doente tem conhecimento do acto em si, aceita-o como definitivo e negoceia directamente com o médico responsável. Na eutanásia Passiva, a morte não é deliberada com consciência, nem por iniciativa própria do doente, antes por descuido motivado por várias circunstâncias, que o levam a um descorar os cuidados médicos que, com o passar dos tempos, lhe provoca a morte. Estes dois parâmetros da eutanásia, não pode ser confundido com um outro, em tudo muito semelhante, a que a justiça chama de Homicídio assistido. Na Eutanásia a morte é executada por uma terceira pessoa e no homicídio assistido a morte é causada pelo próprio doente, embora tenha a ajuda de uma terceira pessoa. Há sectores da população e certos doentes, que em caso de grande sofrimento, causado por uma doença em estado terminal, aceitam e defendem a eutanásia como solução humana para o problema, justificando-se com a dignidade que todo o ser humano deve ter em vida.. Outros sectores e outros doentes, mesmo em caso terminal, não aceitam a eutanásia e, argumentam que o doente deve morrer apenas quando chegar a sua hora e que a dignidade nada tem a ver com a eutanásia. Em termos religiosos apenas se admite a morte, quando for a vontade do Criador e não vê no homem, poder para tal decisão. No direito à vida, consagrado em lei e adoptado por vários países, também lá vem expresso que “o homem ao nascer trás consigo direitos que ele próprio os não pode prescindir”. E um destes direitos é precisamente o direito à vida. É certo que, muitas vezes o estado físico e psíquico do doente, causado pelo alto grau de sofrimento o leve a querer por termo à vida. Mas também é certo que mesmo estes doentes, têm momentos de alegria e de felicidade. Para a família do doente em estado terminal, também a eutanásia poderá surgir como um mal menor e uma maneira rápida e eficaz de acabar com o sofrimento, não só do próprio doente, mas também do seu agregado familiar. Para os médicos há que contar sempre com o juramento de Hipócrates “ A vida é um dom sagrado sobre o qual o médico não pode ser juiz”. Para a Lei geral em Portugal, a eutanásia é para todos os efeitos considerado um crime e como tal terá de ser objecto de punição. Mesmo nas doenças consideradas incuráveis pela medicina convencional, há sempre a hipótese de se recorrer à medicina tradicional, como uma alternativa válida. Há casos confirmados de que esta medicina, ainda pouco aceite pela parte médica, em certas doenças tem dado mostras de ser eficaz. Poderá ser sem sombras para dúvidas, uma boa alternativa à eutanásia. Pelo lado humano, respeito aqueles que a aceitam e apoiam e também pelo mesmo lado humano, condeno aqueles que se querem fazer passar por deuses. Deixemos pois a Natureza escolher a alternativa de vida ou morte e não precipitar as coisas. A eutanásia não é solução para o problema.
segunda-feira, 22 de março de 2010
PRIMAVERA
O Querer e não Poder vai hoje voltar-se novamente para a Natureza e o tema escolhido foi uma homenagem à estação que a Natureza escolheu para perpetuar o amor.
É Primavera, os cânticos dos pássaros fazem-se ouvir como que a saudar o Rei Sol. As Plantas, aproveitam o nascer do dia para desabrochar e mostrar as suas mais variadas cores. No reino animal, os insectos e os pequenos roedores, andam num corrupio constante, animados pela alegria do inverno ter chegado ao fim. Chegou a época da abundância, a altura para ganhar novamente o peso perdido durante o inverno, que obrigou muitos destes seres, a uma hibernação forçada. A Natureza dá o alerta e estes pequenos, mas importantes seres, reaparecem para homenagear, agradecer e contribuir para um novo ciclo de vida. Recomeçar a fertilização da mãe Natureza, satisfazer os caprichos da grande divindade Terra que constantemente reclama o seu devido tributo. A humanidade sempre considerou a Primavera como a rainha das Estações do ano. A época do amor, da alegria, da boa disposição, da esperança, da renovação. É a época em que a própria Natureza se veste de gala e apresenta a sua mais bela beleza. Não só os seres vegetais se manifestam, mas também no reino animal, este verdadeiro milagre aparece em todo o seu esplendor. Todos os elementos deste reino, procuram nesta época, dar início a procriação, à sobrevivência da sua espécie. Desde os mamíferos aos insectos, passando pelas aves, todos entram num frenesim infinito. Uns à procura da parceira ou parceiro certo, outros na construção dos seus ninhos, mas todos buscam amar com intensidade. A Primavera é também, símbolo de vida, de nascimento e de esperança. Não é por acaso que o ser humano conta a sua idade com referência à Primavera; tudo tem a ver com o seu simbolismo. Esta estação do ano, representa na realidade o início, a renovação, o verbo. Também o ser humano tem nesta estação o seu maior nível de testosterona. É nesta época que estão mais receptíveis ao sexo oposto. É essencialmente na Primavera que as oportunidades se apresentam em maior número. Também os insectos, seres considerados por muitos humanos como insignificantes, mas que são os verdadeiros obreiros da vida na Terra, sentem este frenesim intenso. As abelhas por exemplo, esvoaçam de flor em flor à cata do seu pólen, não só para seu alimento, mas também para criar o alimento por excelência. O mel. Segundo a Bíblia, Deus deu ao povo eleito, Leite e mel como alimento, na altura da grande travessia pelo deserto. Se o leite era dado pelos animais criados pelo homem, já o mel era uma verdadeira dádiva dos insectos. Esta dádiva, não seria possível se não fosse a Primavera e o seu manto colorido. No reino vegetal, entre as flores, a Rosa é a mais apreciada, não só pela beleza e odores que emana, mas também pelo grande significado que tem entre os humanos. A rosa vermelha por exemplo, é há muito conhecida como o símbolo do amor, este amor que é apanágio da Primavera. Mas, como tudo, também a rosa tem os seus espinhos. Tem os seus defeitos próprios, adquiridos durante a sua evolução, dentro da sua espécie. Para a colhermos, temos de ter cuidado com a retirada dos espinhos de modo a não ferir a flor, ou a quem ela é oferecida. A flor danificada, depressa murcha e perde a sua beleza. No reino animal, é o ser humano que mais se assemelha à rosa neste sentido. Também com o amor dos seres humanos se passa o mesmo. Se não for devidamente cuidado, murcha e acaba por desaparecer. A rosa, depois de murcha, deixa de ter beleza, deixa de ser perfumada e de nada serve. A esperança da Natureza é que o ciclo é contínuo e, uma nova Primavera surgirá mais tarde para renovar o amor, para fazer renascer a flor e assim dar início a uma nova vida. O encanto da Natureza, na Primavera mostra-se para nos fazer lembrar que a vida é bela e que a harmonia entre o ser humano e a natureza tem que coexistir para o bem do Planeta. Vamos pois, preservar o nosso querido Planeta.
sexta-feira, 19 de março de 2010
LAZER
O tema lazer visto fora de qualquer contexto, faz-nos pensar em descanso, sossego, diversão ou até mesmo em ócio. Sendo o lazer considerado um conjunto de ocupações estruturadas, às quais um indivíduo pode entregar-se de livre vontade, logo o sentido de descanso deveria ser descartado. Mas não é assim tão simples. Pois descanso também é lazer!... Tudo depende do contexto em que o titular beneficiado estiver inserido, uma vez que lazer também é fazer o que é permitido voluntariamente, com objectivos definidos, fora das obrigações profissionais, familiares e sociais. Nas horas de lazer, também podemos aprender algo novo ou não habitual, como aprender a conhecer e a pensar; aprender a viver em comunhão com outros, aprender a fazer algo de útil ou simplesmente aprender a ser. E este ser, engloba muitas coisas. Aprender a conhecer e a pensar, por contacto directo com outras culturas, pessoas e ambientes ou, de um modo mais simples e económico, através da cultura escrita, os livros. Não é que os bons livros sejam baratos, mas sempre podemos recorrer a uma biblioteca pública e escolher o que se pretende ou o que se necessita. De uma maneira ou de outra, o contacto directo ou a leitura, leva-nos a pensar e a imaginar coisas que podem e devem sempre serem aproveitadas como conhecimento. Como cultura. E aqui, o saber pensar, o saber contextuar uma sena dentro do seu todo, é uma forma de lazer muito divertida e útil. Dos mesmos modos, também podemos aprender a viver em comunhão com outros. Esta comunhão, não é restrito ao círculo familiar ou de amigos, mas também com todos os seres, habitantes do nosso querido Planeta, sejam eles do reino animal ou vegetal. Ao aprender a viver em comunhão com todos os seres vivos da Natureza, estamos não só a contribuir para a melhoria da nossa qualidade de vida, como também a preservar a Natureza e contribuir para o aumento das energias positivas. E isto, podemos aprender, associando as horas livres do trabalho quotidiano para o lazer. Associar o lazer a um estilo de vida activo, não só beneficia a saúde física, como também a psicológica, uma vez que estamos a combater o sedentarismo. O desporto controlado, também é uma forma de lazer bastante útil, como alternativa saudável ao ócio, causador de stress e depressões. Dentro de uma comunidade, se nos disponibilizarmos para as acções sociais de solidariedade, também podemos aproveitar este tempo, para sermos úteis, ajudando quem mais precisa ou, apenas levar companhia a quem se encontra só. Não há nada mais gratificante do que se sentir útil. A felicidade por vezes, é feita de pequenos nadas, e isto pode ser feito utilizando voluntariamente a nossa capacidade criadora nas nossas horas de lazer, uma vez que um dos principais objectivos do lazer é promover a socialização, o companheirismo, a amizade entre os seres humanos, como forma de combater a solidão. Aprender a ser feliz, aprender a ser solidário, aprender a ser humilde, aprender a ser amigo, é uma forma de amor que o ser humano tem dentro de si, embora muitas vezes, por falta de conhecimento ou por puro egoísmo, não é aplicado à sua forma de viver, arranjando sempre a desculpa da falta de tempo. Mas lazer também é estar deitado numa praia a apanhar sol e ar marítimo sem fazer mais nada, se assim for estruturado como benefício para a saúde. Também é estar simplesmente sentado numa poltrona, a ver televisão ou a ouvir rádio, aproveitando esse tempo para adquirir conhecimento. Também é estar a brincar com os pequeninos, aproveitando a diversão, para introduzir ensinamentos básicos; ou ir a uma discoteca e dançar, ao cinema, ao teatro, conviver com outros iguais, ou simplesmente estar a mimar um animal de companhia, ou a tratar de uma planta. Lazer é cultura, lazer é descanso, lazer é solidariedade. Lazer é principalmente saúde e bem-estar.
quarta-feira, 17 de março de 2010
SILÊNCIO
Uma palavra, um gesto, um hábito. Silêncio meninos vamos começar a aula, diz a professora ao entrar na sala de aulas. Psiu!... Faz a mãe quando está a adormecer o Bebé. “Silêncio você está num hospital”, chama a atenção o letreiro colocado na parede. Uma palavra, um gesto, um hábito tido como civilizado. Por vezes, estar no escuro, em perfeito silêncio, é útil à saúde, não digo que não! Não ouvir a TV, o rádio, as pessoas a falarem, é muito bom em determinado momento, mas quando esse momento se torne longo, é algo preocupante. Estar em casa, no nosso quarto e não ouvir qualquer ruído, no início é encantador, mas com o passar do tempo esse encanto transforma-se em medo, em pavor. Imaginem estarem sentados num banco de jardim, com todos os sons próprios do meio, as crianças a brincarem, os animais a correrem de um lado para o outro, os carros a circularem, os pássaros a cantarem, enfim, acompanhado por todos os sons da Natureza e, de um momento para o outro, deixa de os ouvir. Faz-se um silêncio total. Qual a sensação? Medo pela certa. Pavor por algo de mal ter acontecido ou estar para acontecer. E em vez de silêncio, gritamos urgentemente por barulho. Qualquer barulho, mesmo o mais desagradável que houver. O ser humano é assim mesmo. É de extremos. Há alturas em que o silêncio total é bem-vindo, outras vezes, apenas o barulho da natureza é solicitado e em certas situações, quanto mais barulho melhor. É tão agradável estar em casa a ler o bom livro e ouvir música, como estar à beira mar, durante a noite, a ouvir apenas o barulho das ondas, assim como estar numa floresta a ouvir o chilrear dos pássaros, ou estar num campo de futebol e ouvir o barulho ensurdecedor das claques. Tudo é necessário e agradável e, a necessidade do mais ou menos barulho, ou a ausência dele, depende do nosso estado de espírito, do momento e do local onde nos encontramos. A natureza está em constante mudança e não é nada silenciosa. O ser humano foi talhado com a Natureza e por isso necessita de ruídos à sua volta. Psiu!... Estou a pensar!...Silêncio é também não querer dar qualquer opinião ou, falar sobre determinado tema. Há um provérbio Japonês que ilustra muito bem isto.”As palavras que jamais foram pronunciadas são as flores do silêncio” E aqui faço também referência a outra frase que ficou célebre “ O silêncio é de ouro” O silêncio é mais do que necessário para se descansar e para não se comprometer, mas também é em certos casos prejudicial. No chamado silêncio dos inocentes, esse silêncio altamente prejudicial e que está a acontecer cada vez mais ou, pelo menos a ser cada vez mais conhecido. Falo do silêncio das vítimas. Vítimas de violência doméstica; vítimas de abusos sexuais; vítimas de Bullying; vítimas de descriminação racial, sexual ou religiosa; enfim, vítimas que na sociedade em que vivemos, ainda são consideradas de um mal menor, roçando mesmo à normalidade para alguns sectores responsáveis da sociedade. Aqui o silêncio, além de ser altamente prejudicial para a vítima, também o é para a comunidade em geral. Acabar com o péssimo hábito enraizado na mente popular de que “ entre marido e mulher não metas a colher” ou “são crianças, não ligues”,ou ainda “é preto não pensa”, é um passo urgente a ser dado por toda a população mundial. É chegada a altura de nos mentalizarmos de fazer deste silêncio, o grande grito de alerta que poderá contribuir para uma maior igualdade não só entre sexos, mas acima de tudo, entre todos os sectores sociais e humanitários. O crime de violência, seja de que natureza for, deverá ser sempre denunciado por quem sofre, por quem presencia e por quem tem dele conhecimento. Aqui, o silêncio não é de ouro, nem de prata. Aqui o silêncio é seguramente de lata. Vamos todos dizer não a este silêncio.
segunda-feira, 15 de março de 2010
MINHA TERRA, MINHA GENTE
Portugal foi o último país europeu a ter colónias em África. O Continente negro hoje talvez o mais atrasado no planeta, foi, segundo especialistas na matéria, o berço da raça humana. Foi dela que os primeiros homens saíram em direcção ao Norte para explorar, caçar e aí fixar residência, diversificando a raça humana, segundo o padrão que a própria Natureza impôs em cada território. A cor da pele, a fisionomia, as características raciais de cada povo, foi-se modificando e impondo-se consoante o local e o clima de cada região. Há quem justifique e afirme que foi realmente o clima quem formou as diversas características humanas. Daí as diferenças entre europeus, asiáticos africanos, indianos, nativos americanos (índios) e o povo do gelo, os esquimós. Nos anos sessenta do século vinte, Portugal tinha Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe como colónias em África. O território de Goa, Damão e Diu na Índia, Macau na China e Timor na Oceânia. Contudo, a maior de todas era Angola e, é deste território, da terra onde eu tive a felicidade de nascer, que o Querer e não Poder vai tentar fazer um resumo, lembrando o quão de bom aquela terra Tinha. Tentar mostrar as diferenças do que era e do que é actualmente. No início dos anos setenta do século passado, Lourenço Marques, a capital de Moçambique, era a maior cidade portuguesa e, logo a seguir vinha Luanda, capital de Angola e só depois é que aparecia Lisboa, capital de Portugal. Angola, principalmente depois de 1961 teve um aumento muito significativo no seu desenvolvimento, ao ponto de se tornar notada e cobiçada por todo o Mundo. Na década de sessenta, todas as cidades, e vilas de Angola tinham já nessa altura, estruturas de salubridade apropriadas ao ser humano civilizado. Desde o saneamento básico à electricidade, passando pela água potável, já era uma constante em toda Angola. A indústria estava em franco desenvolvimento; a exploração mineral, pecuária e agrícola eram uma realidade. Enfim, em todos os sectores a economia era um comboio em movimento e em alta velocidade. Só para terem uma ideia, já nessa altura Angola exportava através de Portugal, país administrante, 4 biliões de toneladas de cana-de-açúcar; 220 mil toneladas de café; 70 mil toneladas de sisal. Além destes produtos, ainda exportava também, milho, algodão em rama, trigo, minério de ferro, diamantes e petróleo. No turismo, as suas praias eram das melhores do Mundo, temperaturas tropicais, águas cristalinas e calmas eram um chamariz de turistas, nacionais e estrangeiros, ao ponto de haver um slogan que dizia:” Quem conhecer Angola não quererá viver em outro lugar”. A colheita agrícola alimentar, era feita duas vezes por ano, a pesca era abundante no ano inteiro, a pecuária estava já ao mais alto nível, onde se incluía as feiras internacionais de gado. No interior, o campo, a savana e as serras, com a sua variedade de caça, os safaris eram uma alternativa bastante emocionante. Quem nasceu ou quem viveu em Angola, não se esquecerá das suas frutas. As cultivadas e as de produto da própria natureza. Quem não se lembra dos deliciosos mirangolos dos quais se fazia um belo doce; das Goiabas com polpa cor-de-rosa aveludada e uma casca acre/doce com um pequeno travo, que fazia as delícias de quem as comia, principalmente quando colhidas logo a seguir a uma chuvada; das mangas de diversos sabores, feitios e tamanhos, umas de polpa amarela, outras avermelhadas, mas todas uma maravilha da natureza, com mais ou menos terebintina que lhes dava o sabor característico. Dos mutambotes madurinhos, com o seu sabor único; das mutambas ou nonambas, fruto pequenino do tamanho dos bagos da romã, que depois de maduro apresentava uma cor preta, com um sabor único no Mundo, indescritível para quem nunca provou e, dos quais se fazia um sumo delicioso a que se dava o nome de “bulunga de Mutamba”, para não se confundir com outra bebida típica de Angola “Bulunga”, feita à base de farinha de milho; do Gongo, um fruto muito parecido com a ameixa amarela, mas com um grau de álcool muito elevado, principalmente se fosse comido muito maduro; da Nocha que só havia na região da Huíla, tinha uma pele parecida com a do Kivi, mas uma polpa aveludada muito doce com cheiro a âmbar e a canela; do mamão; da papaia; da pitanga; dos mutundos que eram chamados de morangos silvestres; do caju fruto sumarento; do dendê ou dendem, fruto da palmeira de onde se extrai o óleo com o mesmo nome; tamarindos; Tabaibos; maboques, fruta pinha; do jindungo, pequeno e muito picante; da mácua ou múcua conforme a região, fruto do célebre imbondeiro, ou embondeiro, também chamado de Baobá, considerada a árvore sagrada de África. Enfim, tantas outras que, para as numerar todas, teria de fazer apenas um tema sobre elas e, não é o caso. Quem não se lembra das cidades iluminadas, com regra citadina, limpas, onde o povo circulava a qualquer hora do dia ou da noite sem receio. Quem não se lembra dos passeios à beira mar, acompanhado da luz do luar e do sossego da noite. Quem não se lembra dos bailes carnavalescos com brincadeiras sadias, alegres, sem qualquer maldade, que se fazia por todo o lado. O povo de Angola é composto por várias etnias com os seus dialectos próprios. No enclave de Cabinda, os Cabindas. A Norte a etnia dominante são os Bacongos ou Kikongos conforme o dialecto usado; a Nordeste os Quiocos; No Planalto Central os Ovimbumdos; A Sudeste os Ovambos onde se inclui o povo Cuanhama; no Litoral Centro, os Vangangela ou Guenguelas ou Guenguerelas; No planalto da Huíla, os Nihanecas dos quais os maiores grupos são os Mumuilas e os Muquilengues; No Quando Cubango, os Cuangares, A sul da serra da Chela, os Hereros mais conhecidos por Mucubais e no deserto da Namibe os Bosquimams também conhecidos por Mukuíces. Com todas estas etnias e dialectos, Angola foi unificada pelo português. Sem a língua portuguesa não era possível haver um entendimento entre todas as etnias. Um dos grandes lemas do Governo de Angola é “de Cabinda ao Cunene, um só Povo, uma só Nação”, mas há a tendência de esquecer que sem o português isto não seria possível. A luta tribal tão comum em África, seria também uma realidade em Angola, se não houvesse a unificação pelo língua e pelos costumes herdados dos portugueses. Hoje, Angola, com pouco mais de trinta anos de independência, está um caos. A Província outrora rica, desenvolvida e civilizada, construída ao estilo europeísta, é hoje um país tipicamente africano. As cidades, com um trânsito caótico, com a lei do salve-se quem puder, com segurança zero, com lixo espalhado pelas ruas, com gado bovino, caprino e até suíno pelas cidades ou em apartamentos de habitação, sem água potável, saneamento básico, ou electricidade constante, fazem deste país uma aventura perigosa e um dos países com maior índice de pobreza no Mundo. O governo, corrupto ao estilo de outros governos africanos, tenta justificar o caos com a guerra civil que assolou o país durante décadas. Desculpas não compreendidas para quem conhece Angola e para quem sabe que foi precisamente na época das lutas de libertação, no tempo colonial, que o país teve o seu maior desenvolvimento. É certo que a guerra civil que se seguiu à independência, destruiu quase na totalidade as infra-estruturas das cidades, mas por si só, não é justificação para Angola estar como está. A falta de zelo, a capacidade de fazer progredir uma terra com as óptimas condições como Angola, a ganância de enriquecer rapidamente por parte de quem tem o poder, são os factores principais do não desenvolvimento. Com a realização do CAN, houve a preocupação de lavar um pouco as cidades onde o evento teve lugar, mas foi só isto mesmo que foi feito. Uma lavagem de cara. 80% do território, continua a não ter as condições mínimas de habitabilidade. O campo continua a estar dentro das cidades e os hábitos do povo continuam com a tendência da idade média. O comércio é feito sem lei nem roque pelas ruas, os produtos alimentares, principalmente a carne e o peixe, são vendidos ao ar livre sem quaisquer cuidados de higiene. A colónia de moscas e outros insectos são em número cada vez maior e a saúde, com grande incidência nas doenças transmissíveis, são uma constante. A lepra, a tuberculose e a sida são hoje uma preocupação dos médicos sem fronteiras. A terra onde eu nasci, assim como milhares de portugueses nasceram, é hoje um país rico, com um governo rico e um povo miserável. Não se compreende como uma terra que tinha duas culturas agrícolas por ano, que tinha uma pecuária implantada; que tinha o sector de pescas desenvolvido, hoje não tenha uma sustentabilidade própria e dependa da ajuda mundial para o povo sobreviver. Para quem não conhece a realidade, quando vê o presidente da república de Angola viajar no seu avião particular igual ou muito parecido com o do presidente dos E.U.A; quando lê notícias que a esposa e filhos do presidente vão passar férias ao estrangeiro e esbanjam dinheiro como água, ao ponto de darem altas gorjetas a quem os serve; quando ouve notícias que Angola já é um dos maiores produtores de petróleo e de diamantes do Mundo, não pensa que o povo está a morrer de fome e que a pobreza no país é uma realidade gritante. Angola tem tudo para vir a ser um grande país, não só Africano, mas também Mundial. Faço votos para que a corrupção dos governantes, a falta de desenvolvimento sustentado e acima de tudo a grande diferença existente entre o povo e a chamada elite angolana, não faça levantar a revolta e dê início às tão terríveis e indesejadas lutas tribais, como acontece em muitos países Africanos. Minha terra, minha gente, ao que chegaste. Que futuro te espera!...
sábado, 13 de março de 2010
MULHER

Dia Da Mulher * Mensagens e imagens!
O Querer e Não Poder vai procurar pôr um pouco de justiça já há muito reclamada pelo sexo então chamado de fraco. O sexo feminino. Desde os primórdios da humanidade que a mulher é vista e apelidada de inferior, quando na verdade é o verdadeiro sexo forte da natureza. No reino vegetal, as flores sem o seu gineceu, órgão feminino da flor, sem esse cálice fabuloso, não dava fruto. É certo que tem de ser fecundado com o pólen proveniente do androceu, órgão masculino da flor, nas sem o cálice, o pólen perder-se-ia e a planta não gerava fruto. Também no reino animal, o feminino é a parte principal da procriação. Na criação do gado doméstico, bovino, caprino e suíno é muitas vezes feita a fecundação artificial. Colhe-se o sémen do macho e introduzem-no na vulva da fêmea. Logo, se não fosse o cálice, não seria possível a fecundação. No ser humano, o processo é idêntico e não só por isso, mas também, vê-se que o sexo feminino é o sexo forte por natureza. No Facebook, uma amiga pôs a seguinte frase: “Frases como esta perpetuam a desigualdade ao longo dos séculos....adopta um novo discurso para a tua vida...."A mulher que se negar ao dever conjugal deverá ser atirada ao rio" Constituição nacional Suméria, Séc. XX a.c” E tem toda a razão. Eu, a título puramente brincalhão comentei “ que frase linda e bastante actual”Pois é lógico que só podia estar a brincar e a tentar meter-me com a amiga. Pois nos tempos que correm, esta frase vai contra tudo o que a humanidade já conquistou e alterou para bem de ambos os sexos.Os sumerianos, um povo antigo que vivia na Mesopotâmia,hoje território dividido entre a Síria e o Iraque, criaram uma brilhante civilização e há quem diga, que foram eles os inventores da escrita. Contudo, como todos os povos da antiguidade, os sumérianos cultivavam o culto de masculino e consideravam o sexo feminino sem qualquer importância na sociedade.Ainda hoje, nessa parte do Mundo, a mulher pouco valor tem. è obrigada a usar vestidos compridos e um véu na cabeça que lhes tapa a cara, para não serem vistas pelo sexo oposto.No Mundo civilizado actual, a igualdade entre os sexos é tão importante como o direito à vida.Em qualquer parte do Mundo, a mulher é um ser belo por natureza, pois ter a capacidade de gerar dentro dela outro ser idêntico, de sofrer com as alterações do seu corpo e sentir-se feliz, é algo de mágico, de transcendente que faz do feminino, o sexo perfeito. Quando falo da beleza da mulher, não estou a ver o seu aspecto exterior, pois isso é apenas um invólucro, o papel de embrulho de uma prenda. Estou a falar de algo mais profundo, mais real, mais interior. Vejo o seu interior, o seu carácter, a sua humanidade, a sua compreensão a sua capacidade de amar, compreender, respeitar e perdoar que é única no ser humano. Não foi por acaso, que em termos religiosos, Deus escolheu a mulher para ser mãe do seu filho. Podia ter escolhido um homem para ser o pai do seu filho, uma vez que Deus não tem sexo. Ninguém sabe se é masculino ou feminino. Ainda em termos religiosos, Jesus Cristo é considerado Deus feito (homem) filho, logo não tem pai, mas tem mãe. E aqui é bem evidente a grandeza do feminino. O cálice da vida é forçosamente sinónimo de mãe; esposa; amante; é sem sombras para dúvidas o sexo feminino, o sexo forte da natureza. A mulher foi durante bastante tempo, demasiado até, posta em segundo plano na vida da humanidade. Houve tempos e ainda hoje, em certos países, que a mulher não tinham e não tem o direito de votar, o direito de se expor naturalmente a público, de usar as roupas que quer ou o penteado que pretende. Mas com grande força e perseverança, foi-se impondo e tomando o seu lugar no Mundo. Hoje, nos países civilizados, a mulher tem os mesmos direitos que o homem. Esta igualdade, é certo, apenas foi conseguida à muito pouco tempo, mas para o bem da humanidade, a longa caminhada das mulheres em países civilizados, ainda não chegou ao seu fim, mas pouco falta para tal. Infelizmente, ainda há povos que vivem na era dos sumerianos ou sumérios, não evoluíram, mas estou convencido de que para lá caminham. A ideia absurda que a Bíblia faz referência dizendo que a mulher foi feita de uma costela do homem, não tem cabimento e muito menos aceitação na era Moderna. Se quisermos ir por aí, por tudo o que se conhece, com a nova ciência desenvolvida e em desenvolvimento, teria mais lógica dizer que o homem foi feito da mulher e não a mulher do homem.No entanto, ainda hoje o Mundo é comandado por homens, mas cada vez mais, a qualidade aparece no feminino.
sexta-feira, 12 de março de 2010
DESTINO
~~~> Novas animações de Reflexão - Hi5Recados.com
O Querer e não Poder pretende agora falar um pouco sobre o destino. Há quem acredite que os seres humanos já nascem com o destino traçado. Outros acreditam que o destino é adquirido conforme a nossa vivencia no tempo e meio em que nos encontramos. Outros ainda dizem que o destino é feito por nós próprios e nada tem a ver com o nascimento, ambiente, tempo ou local em que vivemos ou nos encontramos. E há quem, simplesmente não acredite no destino. Também há aqueles que atribuem à conjuntura astral. Então quem é que está certo? Eu arrisco dizer que todos e ninguém. Todos, porque o destino pode até já nascer com a pessoa, como muita gente diz “ já nasceu com ele”; “o destino estava traçado”. Pode realmente ser causado pelo nosso modo de vida e relacionado com o tempo e local onde nos encontramos na altura do acontecimento, isto é: “Estar naquele local, na hora errada”. Pode também, ser provocado por nós como se diz “era o que ele queria”; “ele procurou este fim”. Muitas vezes culpamos os astros, quando procuramos justificar o sucedido com o signo astral, com a expressão “estava escrito nas estrelas” “ O signo dele dizia!...”.Se formos para o lado de que ninguém está certo, também podemos dizer que aquilo a que chamamos destino, pode a qualquer altura ou momento ser radicalmente modificado, segundo a nossa consciência e vontade. Não tem nada a ver com o destino, mas sim com a maneira como encaramos as situações. Pois! Seria tudo muito simples se a natureza, essa força ainda desconhecida não interviesse. Como se justifica o destino daqueles que tiveram a infelicidade de ser apanhados por terramotos, inundações e outros desastres da Natureza nos quais também se inclui a queda de aeronaves e objectos desconhecidos provenientes do Espaço? Será destino? Quando um doente está em estado terminal e os médicos preparam a família dizendo que ele tem poucas horas de vida e ele recupera! A justificação que dão é que se tratou de um milagre. Não será antes destino? Os ditos milagres não estão destinados a acontecer àquela determinada pessoa naquele determinado momento? Com certeza que o destino existe e não é controlado por nós. Pois vejamos: - Ninguém morre no dia e hora que quer, assim como ninguém escolhe como quer morrer, com a excepção da eutanásia. Então se a morte acontece e de maneiras diversas, qual é a causa? Se o amor acontece sem sabermos como, qual é a causa? Se a vida toma um certo rumo sem ser previamente traçado, qual é a causa. Destino certamente.
quinta-feira, 11 de março de 2010
AMOR

Chegou a vez do Querer e não Poder, falar um pouco da palavra amor, é talvez apalavra mais pronunciada em todo o Mundo. Este sentimento que é sentido pelos seres do reino animal, não é como muita gente pensa, apenas atribuído aos seres humanos. Os animais chamados irracionais, principalmente os de companhia, sentem amor pelos seus donos. E é por vezes um amor tão intenso, que chegam a dar a vida para salvar a dos seus donos. Há várias histórias verídicas de animais que arriscam a vida no salvamento dos seus donos, assim como há animais de companhia que perante a morte dos seus donos, negam-se a viver e acabam também por morrer. Se isto não é amor, o que será? Amar é querer bem em qualquer momento, é não ver defeitos no ser amado e é acima de tudo, arranjar sempre motivos para perdoar, quando na realidade algo está mal. É nas horas más que o amor é realmente chamado a intervir e a fazer jus há sua fama. Há muitas maneiras de amor: Amor entre amigos; Amor entre familiares; amor pelos animais; amor pela Natureza; amor pelo ego, etc. Mas o que na realidade dá um sentido verdadeiro a este sentimento, é o amor entre casais. Aqui, que tem maior significado. E com, casais não quero dizer casados, mas sim união entre dois seres humanos de sexos opostos ou do mesmo sexo. Aqui o amor é um sentimento muito forte, que depois de solidificado, leva a uma união entre dois seres de famílias diferentes para a formação de uma nova família. O amor, principalmente na juventude, é muitas vezes confundido com desejo. O desejo de estar permanentemente ao lado um do outro; o desejo sexual sentido entre ambos, o desejo de partilhar experiências, nem sempre é amor. O amor é algo mais profundo. Amor é aceitar o outro tal e qual como ele é, com as suas virtudes, com os seus defeitos, tanto na alegria como na tristeza, tanto na riqueza como na pobreza. O verdadeiro amor é ser unha e carne do mesmo dedo e isto é o símbolo do casamento. É sabido que a parte sexual também tem muita importância no amor. Pois se o amor é um símbolo de união, o sexo é um símbolo da família. Sem sexo não há descendência e sem descendência não há família completa. É certo que há casais que optam por não ter filhos, mas isto é mais uma situação levada pela economia do casal ou por puro egoísmo, nunca por amor. Já o poeta Camões no seu soneto sobre o Amor, entra em várias contradições que dão ênfase à palavra.
“ Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente,
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.”
Com a evolução dos tempos, e com a tendência cada vez maior pela liberdade sexual, os casamentos são cada vez menos, e entre os casais, o divórcio ou a separação é em número cada vez maior. As causas são diversas e o amor deixa de ter o mesmo sentido. Embora ainda hoje o soneto de Camões é muito utilizado entre os amantes, já não tem o mesmo sentido que outrora. Hoje em dia, o fogo que arde no amor, vê-se na maneira como é vivido entre famílias. A ferida aberta com a traição é sentida com dor. O contentamento provocado pelo amor, torna-se descontente no divórcio; a dor da separação é uma dor que desatina ao ponto de desunião. Hoje em dia, o amor compreensivo, tolerante, existe principalmente na relação pais e filhos. Já no casal activo, entre marido e mulher, o amor só sobrevive acompanhado pela sua componente sexual. O sexo sem amor é uma constante nos tempos actuais, é visto como uma aventura, como uma experiência, como uma satisfação, enquanto o amor sem sexo é visto como uma ilusão, uma desilusão, uma utopia. O filósofo espanhol Miguel de Unamuno disse: “ O amor é filho da ilusão e pai da desilusão”. Contudo, o amor ainda é o motor da vida, e espero que assim seja por muitos e muitos anos mais.
quarta-feira, 10 de março de 2010
ÁGUAS TURBULENTAS

O Querer e não Poder resolveu hoje, mais uma vez, chamar a atenção para um problema cada vez mais gritante no Mundo em que vivemos. A pobreza é o tema escolhido e, por muito que se fale, há sempre muito que fica por se dizer sobre este assunto preocupante. Os políticos do Mundo inteiro, procuram dar ênfase nos seus programas, à luta contra a pobreza, mas na realidade pouco ou nada fazem para contrariar este enorme problema social.
Este flagelo social mundial, não pode nem deve ser medido, utilizando-se conceitos pré estabelecidos por políticos que apenas conhecem o problema através de relatórios que muitas vezes não são acompanhados das verdadeiras causas que provocam determinados tipos de pobreza. Hoje em dia, este fenómeno não pode ser encarado como sinónimo de fome; de habitação deficiente; de analfabetismo; de falta de higiene. Estes factores são na realidade importantes na avaliação do estado de pobreza e, foi até há pouco tempo, os parâmetros suficientes para tal avaliação. Hoje, com o aparecimento de novos pobres, motivado pelo emprego precário; baixos vencimentos; Lei off e outras do género e principalmente o desemprego, estes novos pobres, cuja maioria está encoberta por vergonha já são um número muito maior que a pobreza conhecida e catalogada em países civilizados. Há pessoas, famílias inteiras que viviam do vencimento do agregado familiar e que bem orientado, era o necessário para a sua despesa mensal, de um momento para o outro, vêem-se no desemprego e sem qualquer meio de poder cumprir com as suas despesas. Estas famílias, não são analfabetas, não vivem em péssimas habitações, não andam sujas ou com o vestuário rasgado, (estigma do podre), mas para lá caminham por não ter como ganhar dinheiro com o seu trabalho honesto. Por se sentirem ainda válidos à sociedade, têm vergonha de pedir e, com a vergonha no rosto, vão durante a noite, às escondidas, aos contentores dos supermercados à procura de algo para comer e para levar para casa, para dar de comer os seus filhos. Aquilo que para a sociedade em geral já não serve, para eles é a diferença em ter o estômago vazio ou um pouco aconchegado. Entram na lei da sobrevivência. Procuram insistentemente trabalho, mas encontram pela frente dificuldades, devido à sua idade. Acima dos 40 anos, a idade e a experiencia, transformam-se em obstáculos em vez de serem uma mais valia. E assim, o trabalhador desempregado, que é velho para arranjar um novo emprego, mas que é novo para obter a reforma, de um momento para o outro, passa de remediado para pobre e vai mesmo caminhando em passos largos, para a pobreza extrema com o passar dos dias. Muitos por deixarem de pagar a sua casa, perdem-na e, como não têm emprego, ninguém os aluga outra residência, uma vez que não dão garantias e assim, nascem os novos pobres sem abrigo e a pobreza torna-se crónica sem que nada possam fazer. Em Portugal, não há actualmente qualquer freguesia, por mais rica que seja, que não tenha os seus pobres. No entanto, ainda há autarcas que negam haver pobreza na sua freguesia. A estes autarcas eu chamo bichos de gabinete, pois não conhecem a realidade do povo que vive na terra que têm obrigação de administrar. Não nos podemos admirar de haver em certas comunidades muito pobres, espalhadas por este Mundo fora, mães que procuram vender os seus filhos. Nem as podemos criticar sem saber ao certo qual o motivo que as levou a tal acto. O desespero, a ruína da família, leva à fome que é um problema muito sério e o amor de mãe embora enorme, não pode evitar o sofrimento. Assim, estas mães, com o coração despedaçado, preferem ver os seus filhos a serem criados por outros, e saber que os vão perder definitivamente, do que a vê-los morrer de fome. Isto é pobreza extrema, mas real e existe também em Portugal. As águas turbulentas que o país atravessa, dificilmente se tornarão calmas com políticas que prejudicam constantemente o trabalhador, sejam eles da função pública ou do sector privado. As grandes empresas e bancos, têm cada vez mais e maiores lucros e, o trabalhador que contribuiu para tais lucros, está cada vez mais pobre. Os políticos, depressa ficam ricos e o país cada vez mais pobre. Assim, o preço da democracia associada ao capitalismo, está a ser demasiado pesado para o povo trabalhador. O Querer e não Poder deseja que as águas turbulentas se tornem calmas rapidamente, para que o povo, já com os braços cansados do esforço feito para se manter à tona, possa respirar um pouco.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


.jpg)











