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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

USOS E COSTUMES - VÉU



Depois de um período de pausa por opção, o Querer e não poder volta novamente a escrever, tendo escolhido para reiniciar as suas publicações, um tema muito polémico que se encontra em voga, como se de uma moda se tratasse. O Uso do véu em certas culturas reconhecidas mundialmente.
Começo este polémico tema com uma citação do ilustre médico indioamericano o Dr. Deepak Chopra “ O que for a profundeza do teu ser, assim será teu desejo; O que for o teu desejo, assim será tua vontade; o que for tua vontade, assim serão teus actos; o que forem teus actos, assim será teu destino.”
Esta citação vem dizer precisamente que cada um é livre de escolher o que quer fazer da sua vida, independentemente de qualquer credo, religião ou política orientadas pelo homem.
Desde os tempos mais remotos da humanidade, que os usos e costumes teimosamente tendem em fazer leis consideradas válidas e seguidas religiosamente pelo povo que foi o seu criador. Analisando friamente os escritos considerados sagrados, verifica-se em todos eles, independentemente da religião a que dizem respeito, existir no seu conteúdo, uma grave e permanente submissão do feminino ao masculino, que é realçada nesses livros, com a teoria da criação. Dizem os velhos textos que “Deus do barro criou o homem à sua imagem e semelhança e de uma costela deste, fez a mulher sua companheira.” Logo aqui, verifica-se haver uma classificação menor do sexo feminino que foi feito de uma simples costela do homem, enquanto este, foi feito da terra e semelhante a Deus seu criador. Logo também ele considerado deus. Nada mais erróneo, mas que os usos e costumes têm mantido até aos dias de hoje, como regra a seguir.
A religião sempre impôs à mulher o uso do véu como sinal de respeito perante Deus e perante o homem “seu senhor”. Com o passar dos tempos, o uso do véu pela mulher foi sendo frequentemente substituído pelos cabelos e é a própria Bíblia, em Coríntios cap.11, vers.13 e seguintes que diz “julgai entre vós mesmo: é decente que a mulher ore a Deus descoberta? Ou não vos ensina a mesma natureza que é desonra para o homem ter cabelo crescido? Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar do véu.” Na religião católica, ainda muito recentemente, em meados do século XX, a mulher não entrava numa igreja sem o véu na cabeça, em sinal de respeito. Este uso e costume foi-se modificando e hoje, finalmente cumpre-se as escrituras em coríntios. O véu outrora usado, foi literalmente substituído pelo cabelo. Contudo, ainda hoje, em certas religiões e regiões do Mundo, o véu continua a ser imposto às mulheres, fazendo destas verdadeiras escravas de um costume que teima em não cair em desuso. Essas infelizes mulheres, ainda não atingiram a liberdade de com os seus actos, escolherem livremente o seu destino.
O mundo islâmico, felizmente não na sua totalidade, ainda condena e castiga a mulher com base neste costume ridículo do uso obrigatório do véu. O véu islâmico é mais do que um pano para cobrir o rosto, este faz parte de toda uma cultura baseada no sagrado e é visto como um sinal de respeito e recato apenas imposto à mulher já que o homem, como superior por ter sido feito à imagem de Deus, está acima de todos esses usos e costumes. Nessa cultura e religião, a mulher muçulmana usa o véu “HIJAB”, uma vez que Deus assim ordenou na passagem escrita no Alcorão. “ Dizei às fiéis, que recatem os seus olhares, conservem os seus pudores, e não mostrem os seus atractivos, além dos que normalmente aparecem; que cubram o colo com os seus véus e não mostrem os seus atractivos, a não ser os seus esposos…”
Sabendo como sabemos, que em grande parte do Mundo a religião está interligada ao sistema político, pergunta-se: No caso muçulmano, o uso do véu será devido à religião ou à tradição? Os interesses políticos e religiosos em certos países estão na mão dos homens e este continua a usar esses poderes, para subjugar e moldar a mulher a seu belo prazer, uma vez que esta não tem qualquer liberdade e força para mudar tais atitudes. Essas mulheres continuam a ser escravas dos milenares usos e costumes que as considera inferiores ao homem.
Num contexto mais largo dos usos e costumes, o véu islâmico é visto por uns, como coisa natural que faz parte de uma cultura própria e milenar, não vendo por isso qualquer estigma, domínio ou maldade para com a mulher. E é visto por outros, felizmente em número cada vez maior, como elemento usado para alienar e humilhar a mulher, roubando-lhe a própria identidade e vontade.
Se por um lado o véu dá à mulher uma certa liberdade porque as iguala, não havendo distinção de ricas e pobres, de feias e bonitas, nem alimenta uma competição aberta para procurar atrair sexualmente o sexo oposto, por outro, submete-as a uma escravatura tal, que perdem por completo não só a sua identidade como ser humano, mas principalmente como mulher, símbolo do belo, não permitindo expor a vontade própria de se sentir desejada como qualquer ser livre.
Nem todos os “HIJAB” (véu islâmico) são ofensivos e contrários aos direitos da mulher. Existem vários tipos de véus e a maioria pode mesmo ser denominado de traje regional aceite dentro do folclore próprio das diversas regiões do Globo. Contudo o véu islâmico denominado de BURCA (Burka) é uma espécie de manto que cobre todo o corpo da mulher, incluindo os olhos, tradicionalmente utilizado no Afeganistão e no Paquistão, este sim, é ofensivo à dignidade do ser humano e contrário à tão desejada liberdade da mulher no sentido de se alcançar rapidamente a igualdade entre os sexos que há muito o Mundo luta para conseguir.
Países muçulmanos moderados, como a Turquia e a Tunísia, já proibiram tal uso em locais públicos e no resto do Mundo livre, a França foi pioneira na proibição de tais costumes fundamentalistas. Estou convicto que o resto do Mundo, incluindo mais países muçulmanos acabem por considerar tal proibição como um bem para a humanidade que em muito vem dignificar a mulher, repondo assim, a justiça há muito reclamada.
Se por um lado eu admito aceitar o hijab na sua forma mais liberal que se confunde com os tradicionais trajes regionais, já tenho muita relutância em aceitar a burca fundamentalista uma vez que considero tal traje ofensivo à dignidade da mulher.
Não quero aqui no meu blog dizer quem tem ou não razão, pois não tenho competência nem autoridade para tal, mas quero finalizar este tema com a frase célebre de René Descartes “ Aquele que procura a verdade deve tanto quanto possível duvidar de tudo.” Neste contexto tenho o direito de duvidar das burcas e de todo o tipo de coisas que contribuam para o mal estar do ser humano, ou que possam servir para encobrir actos condenatórios, como infelizmente acontece com as chamadas mulheres bomba, utilizadas pelos fundamentalistas islâmicos contra outros povos ou governos. 

quinta-feira, 10 de junho de 2010

PORTUCALE

O Querer e não Poder vai desta vez pronunciar-se de uma forma muito aligeirada, sobre a História. Digo de uma forma muito aligeirada por não ser intenção, ensinar o que quer que seja a quem quer que seja. Portucale foi em tempos um reino Suevo situado a ocidente da Península Ibérica, onde mais tarde apareceu este pequeno mas maravilhoso país a que chamamos Portugal. A história que aprendemos nos nossos primeiros anos de estudo, diz-nos que tudo começou com uma batalha entre filho e mãe (Afonso Henriques e sua mãe Teresa), mas na verdade, o que aconteceu foi uma luta de um Povo em busca de afirmação. A querer ser uma Nação independente. Para isto, não só o nosso primeiro Rei teve de lutar contra os partidários de sua mãe, como também teve de negociar com o Papa. De um pequeníssimo território, conhecido por condado, Os nossos primeiros Reis e o seu Povo, impuseram-se com determinação e afirmaram o seu poder com conquistas de território até formarem este pequeno País. Pequeno país agora, pois nem sempre foi assim. Na era das descobertas, Portugal e Espanha chegaram a dividir em dois o Mundo, metade para cada um. Foram estes dois povos que sem condições de segurança, se aventuraram pelo oceano a dentro, à procura de novas terras, de novos povos. Nesse tempo e que durou até meados do século vinte, Portugal não só teve presente na administração de territórios espalhados pelos cinco continentes, como também aí deixou a sua influência. Na América era senhor do Brasil; em África, de Angola; Moçambique; Guine; Cabo Verde e das ilhas de São Tomé e Príncipe. Na Ásia, na enorme índia, contava com Goa, Damão e Diu, seguindo mais para o oriente, também foi senhor de Macau e na Oceânia possuía o território de Timor-leste. Isto, sem contar com as muitas feitorias e comunidades espalhadas pelo resto do Mundo. Pela história, pela influência, pelo povo que ainda continua espalhado pelo Planeta, não se compreende o porquê do português não ser considerado língua universal. O inglês e principalmente o francês, que história têm a mais que nós para ter tal privilégio? É certo que hoje somos um país pequeno. Mas será que só isto é o suficiente? Hoje estamos inseridos economicamente no continente europeu. Também já dependemos dele na política. Será que no futuro, também a nossa entidade como Nação desaparecerá? As perguntas ficam no ar e talvez no futuro alguém venha a esclarecer o assunto. O vinte e cinco se Abril é e será sempre apenas lembrado como o dia da revolução dos cravos que muitos apelidam de dia da liberdade, mas o dia de Portugal sempre será o dez de Junho. É este o dia que deu a verdadeira identidade a este pequeno país. O dia dez de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades será sempre celebrado pelos verdadeiros portugueses como dia da Nação Portuguesa..

sábado, 15 de maio de 2010

MINHA TERRA MINHA GENTE III - MOÇÃMEDES

Tinha prometido a mim mesmo, não voltar a falar de Angola no meu Blogue, mas a força daquela terra vermelha, aquele cheiro a café e a caju, levou-me a quebrar a minha promessa. Assim, resolvi hoje falar um pouco da cidade onde nasceu o meu pai e que eu também a considero como minha. A princesa do Namibe como Moçãmedes era justamente chamada, é uma cidade que nasceu para separar a Mar do Deserto e que os seus habitantes souberam acima de tudo, impor a vontade humana à grande força da Natureza, fazendo das áridas areias do deserto, terra de cultivo produtivo. Apesar da cidade estar plantada em pleno deserto, não havia qualquer quintal sem a sua horta, onde se cultivava um pouco de tudo e com alta qualidade. O tempo que vivi nessa maravilhosa cidade do Namibe, residi em casa do meu avô paterno, numa vivenda situada mesmo em frente do famoso Bairro chamado Sanzala dos Brancos. Meus pais viviam em Vila Arriaga e mandavam caixas com mangas e imbondeiros que o meu avô vendia no próprio quintal para assim ajudar a custear os meus estudos e de mais dois irmãos meus. Meus pais não eram ricos e o meu avô era enfermeiro reformado. Assim todo o dinheiro que se conseguisse angariar era pouco. No quintal do meu avô, nas poucas videiras que tinha, colhia-se cachos grandes de uvas, que em nada ficavam a dever às da metrópole. Em Algumas ruas da cidade havia oliveiras com azeitonas que vinham contrariar a política de então, que dizia que em Angola a Oliveira não se dava e que o azeite teria de ser exportado da Metrópole. Quem conheceu Moçãmedes, sabe bem que isso não era verdade e que nas hortas junto ao rio Bero, principalmente nas hortas chamadas do Torres e, na do Benfica, havia azeitonas de alta qualidade, além de outras frutas, das quais destaco os maravilhosos manguitos. Por ser uma cidade banhada por um mar maravilhoso, Moçãmedes era acima de tudo uma cidade que vivia essencialmente da indústria pesqueira espalhada pelas diversas praias, das quais destaco a Praia Amélia, o Baba, Baía das Pipas, Chapéu Armado e Saco Mar que nas últimas décadas se desenvolveu bastante, à custa do terminal ferroviário e do seu Porto marítimo para navios de carga de alto porte que escoava o minério de ferro proveniente das minas de Cassinga, principalmente para a Alemanha e Japão. Os habitantes mais antigos ainda vivos, lembrar-se-ão certamente do rústico mercado de peixe esculpido na rocha argilosa à beira mar, que fazia do Namibe um lugar único e maravilhoso. Apesar de estar situada no deserto, a água potável nunca faltava nas torneiras das casas, pois os seus habitantes, souberam fazer de um lugar seco e árido, um lugar aprazível à vida, com todas as comodidades próprias de uma cidade em pleno crescimento. Sim, digo pleno crescimento, porque era na realidade isso que estava a acontecer em Moçãmedes. E o mais interessante é que em vez de crescer em direcção oposta ao deserto, era precisamente ao contrário. Entrava pelo deserto a dentro, acompanhando sempre a orla marítima. No carnaval via-se como esta cidade era animada e bairrista. Vivia-se o carnaval em festa! uma festa saudável onde toda a gente brincava. Havia os tradicionais combates com flores, água e saquinhos com farinha que se atiravam uns aos outros, entre carros alegóricos dos diversos bairros dos quais aqui apenas vou salientar os mais conhecidos e emblemáticos, como a bairro da Facada, o bairro da Aguada, o bairro da Torre do Tombo, o bairro do Benfica, o bairro do Mucaba e naturalmente o famoso Sanzala dos Brancos, que tinha ao fundo o moderníssimo cine Impala. Quem não se lembra das lindíssimas furnas junto ao aeroporto e que muita gente dizia ter ligação com o vulcão do Iona, “tese não comprovada” que muitas brincadeiras proporcionaram aos seus habitantes mais pequenos e traquinas e refúgio seguro aos pares de namorados. Quem nunca provou os maravilhosos caranguejos das hortas que se comia no Mamede da Aguada, não pode dizer que conheceu Moçãmedes. Em Março eram feitas as famosas festas da cidade conhecidas pelo Slogan Moçãmedes, Mar e Março. Embora os meses mais quentes fossem Janeiro e Fevereiro, era em Março que a praia das Miragens se enchia de gente, principalmente proveniente do Lubango. Da secular fortaleza onde estava instalada a Polícia, via-se o lindíssimo e enorme jardim marginal ou das arcadas, que ocupava quase na totalidade a baixa da cidade do Namibe. Um lugar verdadeiramente aprazível, onde os “cabeça de Pungo” gostavam de dar o seu passeio dominical que normalmente acabava com uma paragem quase obrigatória na cervejaria Avenida, junto ao cine Moçãmedes. Era à volta desse maravilhoso jardim onde o velhote Faria, também conhecido pelo o homem do saco deambulava todos os dias com o seu saco às costas, que se realizava as famosas corridas de automóveis, onde além de outros nomes sonantes, como Santos Pêra, Emílio Marta, Zé Caputo, destaco com inteira justiça o de Henrique Ahrens de Novais, sempre aplaudido como ídolo de Moçãmedes, que com o seu porsche fazia maravilhas. Sem sombras para dúvidas, aos três M mais famosos de Angola, que caracterizavam esta cidade, eram as iniciais de Moçãmedes, Mar e Março e aqui com inteira justiça, acrescento mais um, o de Mulheres bonitas e que me perdoem as outras mulheres não menos belas, apenas aqui lembro a Olga Reis, a Celina Bauleth (Riquita), Lurdes Pinto, Paula Turra e Lídia Ferreira. Não nasci em Moçãmedes, mas foi nessa cidade que iniciei os meus estudos secundários na Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique, por isso, quando me chamam cabeça de Peixe ou cabeça de Pungo, diga sempre. Com muita honra!... Zona balnear por excelência, o mar de Moçãmedes, tinha águas cristalinas que permitia ver as lagostas a andarem no fundo de área fina, mostrando assim a enorme riqueza que aquele mar proporcionava aos seus habitantes. A praia das conchas, onde se apanhava as magnificas ostras e os suculentos mexilhões, era outro lugar alternativo à praia de banhos, para quem apenas procurava apanhar um pouco de iodo de uma forma divertida e saudável. Aqui aproveito para fazer um apelo aos Moçamedenses. Nunca se esqueçam do convívio anual nas Caldas da Rainha que se realiza no primeiro fim-de-semana de Agosto. Não deixem morrer esta tradição.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

SINAIS



Desde os tempos mais antigos que a Natureza dá sinais da sua fúria, do seu descontentamento com a humanidade que acolheu no seu seio. Houve vários desastres no Planeta, desde os tempos mais remotos até aos dias de hoje que mudaram o Mundo. Desde o desaparecimento dos Dinossauros à muito recente erupção de um vulcão na Terra do gelo e do fogo, a Islândia, que paralisou o Mundo, a Natureza tem dado sinais de que algo está a mudar constantemente e que um dia, mais cedo ou mais tarde, mais uma vez a civilização dominante do momento, desaparecerá para sempre e um novo renascer surgirá na Terra que habitamos apenas como hospedes. Apenas para lembrar os mais desatentos, exponho aqui uma pesquisa feita por mim que mostra claramente que os seres humanos não são nem de perto nem de longe, os donos do planeta. Desde a morte dos dinossauros há 65 milhões de anos que a Natureza vem mostrando periodicamente quem manda em quem. Erupções vulcânicas, terramotos, furações, ondas de frio intenso, que provocaram a idade do gelo, calor enorme que fez secar o Mar Mediterrânico e o aparecimento do deserto do Sara, inundações como a do tempo de Noé, os grandes incêndios como os de Roma no tempo de Nero, de Londres em 1664 e o de Chicago em 1871, os grandes tsunamis que espalharam o terror na Ásia, tudo isto associado às doenças como a peste negra, a misteriosa doença da transpiração, a varíola, a Cólera, a doença do sono e outras não menos mortíferas que apareceram através dos tempos, das quais a mais recente é a SIDA, ameaçam fazer desaparecer a humanidade a qualquer momento. Contudo, desde o seu aparecimento na Terra, o ser humano tem sabido sobreviver a todos estes cataclismos que assolam o nosso Planeta, mas até quando? Há quem diga que todos estes sinais dados pela mãe Natureza servem apenas para ela própria repor o equilíbrio necessário, sempre e este esteja em causa. Mas também pode muito bem ser avisos que a Natureza nos manda, dando-nos a hipótese de mudarmos o nosso comportamento enquanto é tempo. O último período glaciário terminou há cerca de 10.000 anos. Poderá o próximo estar a caminho? Sinais como a caminhada dos desertos em direcção ao equador, o degelo dos pólos, as constantes erupções vulcânicas, as inúmeras alterações das placas tectónicas que sustentam os continentes e provocam os terramotos e os tsunamis, são sinais que preocupam os cientistas que continuam a acreditar que no fim, não será o gelo, mas o fogo que destruirá parte da vida na terra. A humanidade certamente com os conhecimentos que tem, sobrevivia, mas a civilização tal e qual como a conhecemos desapareceria do planeta. Até lá, muito ainda há a fazer e cabe a nós humanos, enfrentar as crises que forem surgindo e procurar com a ajuda da ciência, preservar o nosso planeta para as futuras gerações. Os primeiros passos estão dados. Agora, o necessário é apenas coragem para em nome da humanidade e do bom senso, acabar de uma vez por todos com as indústrias que provocam gases prejudiciais que estão a destruir o escudo protector da Terra. Sem ele, tudo virará cinzas e o fogo ganhará a batalha que se adivinha. A profecia antiga avisa-nos que desta vez o Mundo terminará em fogo. Não se sabe se esse fogo surgirá da Terra ou virá do espaço em forma de meteorito. Não é uma certeza, mas é um aviso que deveremos levar muito a sério. Os cientistas assim pensam, por isso cabe aos políticos ouvi-los com muita atenção e por em prática um plano salvador. Os sinais estão aí, cada vez mais fortes e constantes. É necessário interpretá-los o melhor possível.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

PORTUGUESES ULTRAMARINOS – ESPOLIADOS DO ULTRAMAR




O querer e não poder chegou a vez de falar um pouco da grande fraude económica praticada por portugueses da metrópole aos portugueses ultramarinos. Já não bastava o escudo do Ultramar valer muito menos do que o escudo da Metrópole, sem se perceber bem o porquê, uma vez que a economia de Portugal estava solidamente apoiada nos produtos do Ultramar. O Ultramar mandava para Portugal produtos como a algodão, o café, O sisal, o cacau, o açúcar, o tabaco e madeiras de alta qualidade, além dos produtos minerais como ouro, ferro, cobre, talco, petróleo, prata, mármore, diamante e, recebia em troca, vinho, azeite, bacalhau e frutos secos como nozes, amêndoas e avelãs. É fácil perceber que o saldo económico seria muito favorável às províncias ultramarinas, mas não. O saldo destas, era incompreensivelmente sempre devedor. Neste contexto, a moeda ultramarina o “escudo”, era cotada muito abaixo da moeda da metrópole o “escudo”.Ambas com os dizeres República Portuguesa. Escudo por escudo só no nome. Era um roubo declarado que o governo da metrópole fazia. Dou um exemplo! Alguém que tivesse a sorte de acertar na lotaria nacional e que ganhasse naquele tempo 250.000 escudos, fosse em escudo da metrópole ou em escudo ultramarino, receberia os correspondentes 250.000 escudos. Não havia qualquer diferença, uma vez que o território era o mesmo. Tudo era Portugal. Assim, se o bilhete premiado fosse descontado nos representantes da Santa Casa da Misericórdia na metrópole recebia 250.000 escudos metropolitanos. Se o bilhete fosse descontado nos representantes da mesma Santa Casa sediadas nas províncias ultramarinas, recebia os mesmos 250.000 escudos ultramarinos. Só que trazidos para a metrópole, os escudos ultramarinos não valiam nada. E aqui é que estava o roubo. Apesar disto, os portugueses do ultramar que sempre tiveram um espírito de alta solidariedade, nunca se importaram com tal injustiça. No Ultramar não havia miséria e ninguém passava fome e acima de tudo, todos, independentemente de serem ou não nascidos nas províncias, eram acarinhados e ajudados assim que chegassem ao ultramar. Esta solidariedade era tão forte que ainda hoje, os nascidos na metrópole que viveram no ultramar, falam com grande saudade da enorme camaradagem e da verdadeira amizade que lá existia. Ninguém lutava por heranças, ninguém se zangava com familiares, amigos ou conhecidos por causa do dinheiro, ninguém negava um empréstimo fosse a quem fosse e, ninguém se preocupava em ter um título de dívida por tal empréstimo, pois sabia que quando fosse possível, o mesmo seria restituído. A confiança era total e não consta que alguém se tenha decepcionado com tais atitudes. Por isso, a grande maioria foi apanhada desprevenida, quando se deu o 25 de Abril. Aqueles, e não eram poucos, que tinham dinheiro depositado nos bancos portugueses, pois só bancos portugueses havia então no ultramar, não conseguiram levantar as suas economias, uma vez que a banca receava cair em situação económica difícil ou mesmo de falência, se autorizasse tais levantamentos. Assim, espoliaram milhares de portugueses de milhões de escudos, que até hoje, ainda não foi dado qualquer explicação, para onde foi, ou onde se encontra esse dinheiro. Alguém ficou com ele e o responsável é apenas um. Portugal. Assim, não se compreende a razão pela qual ainda não foram as contas saldadas pelo Estado. Os espoliados do ultramar estão representados por associações. Os de Angola pela AEANG  e os de Moçambique pela AEMO. Muitos destes espoliados infelizmente já faleceram, outros ainda estão vivos e de boa saúde. Mas mesmo os falecidos têm descendentes que os representam. O caso não está esquecido nem nunca poderá ser esquecido enquanto houver um português honesto no Mundo. Os partidos políticos portugueses, principalmente os da direita, em alturas de eleições falam nisto, mas não têm coragem de avançar com as medidas e propostas urgentes para avançar de uma vez por todas com as mais que justas indemnizações. Outros países da Europa, também com territórios em África, já resolveram este problema, compensando os seus cidadãos com as indemnizações justas e com um pedido de desculpas pelo sucedido. Portugal é o único que ainda o não vez. Até quando? As associações nossas representantes têm esperanças, mas de esperanças está o Mundo farto. Os espoliados do ultramar querem acima de tudo, responsabilidade, honestidade e sentido de justiça a quem nos governa. Já temos em todos os partidos, dirigentes nascidos ou provenientes das ditas províncias ultramarinas, é meio caminho andado para a resolução do problema. Falta o resto. Nas próximas eleições pensem nisto. Os espoliados que não se deixem enganar e estejam atentos, alertando e orientando os seus descendentes, pois o património deixado no ultramar português também é deles. Não queremos o que está lá. Apenas queremos o correspondente ao que lá foi deixado por culpa de uma descolonização desastrosa e irresponsável.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

PORTUGAL EM RISCO


A situação actual só vem ao encontro daquilo que eu no meu blogue Querer e não Poder, venho alertando e denunciando. A péssima gestão dos recursos do País, após o 25 de Abril, feita pelos políticos ditos democráticos, endividou o país e puseram as finanças nacionais numa falência técnica. Portugal tinha antes da dita revolução, uma das mais fortes frotas pesqueiras da Europa. Frota esta que o actual presidente da República acabou com ela, na altura que esteve à frente do governo. A verdadeira razão para aniquilar esse importante ramo da economia Nacional, não foi explicado e possivelmente nunca o será, uma vez que o senhor presidente vem agora dizer que é muito importante haver uma frota pesqueira e explorar muito mais os recursos do mar, uma vez que temos uma enorme costa marítima que não está a ser devidamente aproveitada. Agora o senhor Presidente da República tem toda a razão, mas esqueceu-se que foi ele próprio que matou tal fonte económica. Hoje, dia 28 de Abril de 2010, vi pela primeira vez o líder do maior partido da oposição pedir uma audiência ao primeiro-ministro para resolver os assuntos do País, uma vez que este se encontra à beira de uma grande e grave crise económica. Ainda bem que o fez, pois o País há muito que necessita de um verdadeiro entendimento político. Deixemos de brincar com a governabilidade do país e com a péssima ideia de que fazer oposição é ir sempre contra o governo. Sejamos sérios e vamos todos remar para o mesmo lado. O líder da posição deu o primeiro passo, o líder do governo acompanhou-o. Está agora criada, julgo eu, as condições necessárias para resolver de uma vez por todas a tão falada diminuição da despesa pública. Os portugueses não compreendem o enorme número de deputados que compõem a A.R. O que andam lá a fazer? A maior parte deste pessoal pago a peso de ouro pelo erário público, vai para lá dormir ou brincar na Internet. Metade dos deputados seria mais do que suficiente para ajudar a governar e fiscalizar o governo. Também no Governo, o povo não compreende a razão de tantos secretários de Estado, sub-secretários e directores de serviço. Se todo este pessoal fosse reduzido a metade, ainda seriam muitos e o défice público, a tão falada despesa pública, seria naturalmente reduzida para níveis aceitáveis. Mas não há vontade para tal. Mexer na parte política ninguém quer. Todos querem continuar a comer à custa do Zé-povinho. E assim não vamos lá. Quando toda a gente vê e sabe que os políticos são os verdadeiros culpados desta crise e, quando todo o povo português tem conhecimento que a grande preocupação destes políticos não foi até ao momento, A diminuição das despesas públicas, mas sim a equiparação dos seus vencimentos à Europa, está tudo dito. Tudo faz sentido. Não há vontade política para resolver a crise uma vez que todos os políticos olham em primeiro lugar para o seu bolso e só muito depois para os cofres do Estado. Ouvi com atenção tanto o primeiro-ministro, como o líder da oposição. Ambos mostraram preocupação em por em prática o novo escalão do IRS; ambos concordaram com as novas portagens; também falaram em concordância nas leis sociais, no subsídio de desemprego, na grande necessidade de dar sinais positivos para o exterior. Todas boas medidas que deveriam ter sido tomadas há muito tempo. O subsídio de desemprego só tem razão de ser por um período curto e com a obrigatoriedade de aceitar o emprego que o serviço do Estado arranjar. E aqui, o Estado tem obrigação de proporcionar empregos, negociando com o sector privado tais condições. Contudo, faltou coragem para dizer aos portugueses que devido à actual crise, as grandes obras como o TGV e o Aeroporto de Lisboa, assim como a compra dos submarinos, ficariam suspensas por tempo indeterminado. E acima de tudo, faltou coragem para dizer aos políticos que os seus vencimentos não podem ser ao nível da Europa e por tal motivo, todos iriam começar a ganhar de acordo com as demais tabelas salariais do país. O actual estado das contas públicas não pode ser apenas atribuído ao partido do governo, pois todos eles têm largas culpas nesta situação. Não é com a redução do pequeno funcionário público que a dívida se reduz, uma vez que o mal está situado num nível muito mais alto. Ouvi também os comentadores da SIC José Gomes Ferreira e Ricardo Costa e tomei nota de uma pergunta que um deles fez e que espelha bem a qualidade dos políticos que temos. “ Durante todo este tempo o que o P.R., o Governo e a Oposição andaram a Fazer? Se ninguém tiver a coragem para dizer, eu na minha modesta apreciação como simples cidadão apenas tenho uma resposta. Toda este gente andou e anda a brincar com a paciência dos portugueses.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

ACREDITAR II – ONCOLOGIA INFANTIL



Em qualquer ponto, Estado, País ou Universo, as crianças são o maior tesouro que a humanidade pode ter. Sem as crianças não há vida, não há continuidade, não existe o amanhã. Crianças saudáveis e felizes é o que todo o Mundo deseja ter à sua volta, mas infelizmente, essa não é a realidade do nosso querido planeta. As crianças que proporcionam a alegria a quem está à sua volta, também adoecem. E quando estão doentes os adultos já não sabem bem o que fazer. Acaba a alegria, acaba o bem-estar e toda a harmonia familiar. A doença na criança, uma simples gripe, é motivo de muita preocupação para os seus familiares e amigos. Isto só vem mostrar a importância da criança para a humanidade. Se um resfriado já incomoda bastante, uma doença mais grave incomoda muitíssimo mais. E quando essa doença é incurável o desespero é total e todo o apoio dos familiares, amigos e conhecidos é pouco. Há doenças raras de difícil cura e, outras não tão raras, mas muito piores e mortíferas. Entre estas, no cimo destas, encontra-se o Câncer ou Cancro. Infelizmente alguém que me era muito próximo faleceu com esta terrível doença, com apenas 3 anos de idade. Na altura, esse alguém que me era próximo, vivia em Angola e quando veio com os pais para Portugal, já era tarde. Fui ao aeroporto buscá-las e o pouco tempo que olhei, olhos nos olhos com aquela criança, marcou-me profundamente. Vi naquele olhar um pedido de socorro urgente que infelizmente não me foi possível dar. No entanto aquela criança não deu um ai e embora com dores horríveis ainda procurou sorrir por conhecer o familiar que não conhecia. Morreu meses depois no Hospital em Lisboa. O que aconteceu com esta minha ente querida à trinta anos atrás, pode ser evitado nos tempos de hoje, pois esta doença em certos casos pode ser curada e noutros pode ficar em ponto estacionário, ao ponto de proporcionar ao doente uma melhor qualidade de vida. O Cancro é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum, o crescimento (Maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se para outras regiões do corpo. E isto, pode acontecer a um adulto ou a uma criança. Infelizmente é uma doença que não escolhe sexo nem idade. A única maneira de a controlar é a sua rápida detecção e aí, a medicina tem evoluído. Não tanto como se desejava, mas o suficiente para que esta doença deixe de matar. O não deixar espalhar as tais células malignas, é meio caminho andado para a cura. Uma outra forma de cancro que infelizmente está a aparecer em grande número, tem outro nome. LEUCEMIA. Este cancro do sangue ataca não só os seres humanos adultos, mas também as crianças. A grande ajuda que se pode dar para se combater esta terrível doença é muito simples e não custa nada. A voluntariedade para uma dádiva de sangue é suficiente. A colheita de sangue é simples e não é dolorosa. Esta generosidade pode salvar muitas vidas. O transplante de medula para as crianças que tiveram a infeliz sorte de serem castigadas por esta doença, é tão importante e necessária como o pão para as bocas dos famintos. A criança é um bem precioso que todos temos o dever de proteger e mimar. Uma criança é uma dádiva e como tal, sã ou doente, tem o mesmo direito de viver o melhor possível e, cabe a nós adultos, a responsabilidade de proporcionar a todas as crianças, a felicidade, a alegria e a possibilidade de um Mundo melhor. Há sempre qualquer coisa que se pode fazer para ajudar estas crianças, mais que não seja, fazer uma visita ao Site www.acreditar.org.pt/. ACREDITAR é uma organização de país e amigos das crianças com Cancro. Toda a ajuda é pouca e a esperança diz-nos que nada é impossível. Acreditar que é possível reverter a história é uma realidade, é uma certeza. Um pequeno gesto, um sorrido, é por vezes o suficiente para fazer estas crianças felizes. Acreditar em combater esta terrível doença na criança, é dar um grande contributo à humanidade e dar também ao ser humano, a possibilidade de um renascer mais promissor. A esperança existe e está cada vez mais ao nosso alcance. Esta terrível doença pode ser controlada se não voltarmos as costas ao problema. Vamos todos apoiar esta causa.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

DESCOLONIZAÇÃO – UM MAU EXEMPLO



Neste país à beira mar plantado, fala-se muito de uma descolonização “exemplar”, referindo-se sem o mínimo conhecimento do que na realidade aconteceu, nas ditas províncias ultramarinas portuguesas em África. Descolonização perfeita, dizem os responsáveis pela enorme debandada de portugueses radicados em África. Quem como eu, veio de lá apenas com a roupa que trazia no corpo, sabe bem que a descolonização “exemplar” não passou de uma enorme farsa mal urdida, para justificar o que uma dúzia de altos militares, fizeram em prol do comunismo internacional. A grande vontade de implantar o comunismo em Portugal, levaram à entrega das províncias ultramarinas, aos partidos apoiados pela então União Soviética, sem se importarem com os milhares de portugueses que viviam naquelas paragens. Quinhentos anos em África, deu origem a pelo menos vinte gerações de portugueses que nunca conheceram outro Hino ou Bandeira, que não a Portuguesa e, sempre os respeitaram com dignidade e o respeito devido, aos mais altos símbolos Nacionais. No entanto, estes cinco séculos de nada serviram, pois os portugueses nascidos em África, ao chegarem ao seu país de sempre, tiveram de passar pelo o humilhante processo de nacionalização através de um avô natural da Metrópole, provando assim que eram portugueses. Com vinte gerações a viver permanentemente num território que era parte integrante de Portugal, não se compreende tal exigência. Muitos perderam a nacionalidade com que nasceram e sempre viveram, graças a erros políticos de governantes medíocres. Exigir uma certidão de nascimento de um familiar de duas gerações atrás a alguém de uma família com vinte gerações fora da metrópole é qualquer coisa de desumano. Os portugueses naturais das ex-províncias ultramarinas, na sua própria terra eram considerados portugueses de segunda e no seu próprio país eram considerados estrangeiros. Isto só se poderia ter passado em Portugal infelizmente. Desde o reinado de D. João II, altura em Diogo Cão colocou um Padrão Português na foz do rio Zaire que aquele vasto e rico território passou a fazer parte do território de Portugal. Assim, era normal que as receitas provenientes dos produtos de tais territórios, como o açúcar, o algodão, o café, o cacau, sisal, ouro, pedras preciosas, petróleo e outros de menor importância, viessem directamente para Portugal. Também seria normal que os naturais destes territórios, fossem em primeiro lugar portugueses e só depois, por opção seria adquirida a nova nacionalidade. Mas não. Incompreensivelmente não foi assim! Falo principalmente de Angola, por ter um conhecimento profundo do que na realidade ali se passou. O senhor alto-comissário Rosa Coutinho, comandou toda a revolução a bordo de uma fragata portuguesa, pois teve medo de estar em terra, por saber bem a grande “borrada” que estava a preparar. Apenas se preocupou em evacuar algumas centenas de funcionários portugueses, desprezando na totalidade os milhares de outros portugueses que se encontravam nas cidades e vilas de Angola. Angola não era só Luanda, é 14 vezes e meia maior que Portugal. Sabendo de antemão que Angola tinha reconhecido internacionalmente três movimentos de “libertação”, a FNLA, o MPLA e a UNITA e que nesse contexto impunha-se umas eleições livres e democráticas, devidamente controladas por entidades internacionais, sobre a responsabilidade portuguesa, tudo fez para entregar de mão beijada Angola ao seu protegido camarada Agostinho Neto e ao MPLA, movimento apoiado pela União Soviética e fugiu para Portugal sem sequer trazer consigo a Bandeira Portuguesa que se encontrava hasteada na fortaleza de Luanda e em todos os edifícios públicos espalhados pela então Província, como era seu dever de Alto Comissário e de português. Esse senhor considerava os portugueses do ultramar como fascistas e como tal, sem qualquer valor como seres humanos. Pertencia á mesma pandilha do Otelo Saraiva de Carvalho, que queria fazer com os retornados, metendo-os no campo pequeno, o mesmo que os romanos fizeram aos cristãos no coliseu de Roma. Só que em vez de leões, usaria G3, armas desviadas pelas Fps.25 de Abril. Alguns portugueses fugiram a pé, percorrendo quilómetros e quilómetros, para chegarem ao Sudoeste Africano, outros fugiram em pequenos barcos de pesca em direcção à metrópole e desembarcaram na Madeira e no Algarve e a grande maioria, se não fosse a tropa sul-africana entrar em Angola, ir até às portas de Luanda e recolher todos os portugueses que aí se encontravam, hoje não estaria aqui a contar, assim como outros tantos milhares de portugueses, a verdadeira história da desastrosa descolonização. Os militares escolhidos a dedo para comandarem as operações, apenas se preocuparam em entregar o mais rápido possível os territórios aos comunistas e pouco mais. Fizeram um governo de transição que de transição apenas tinha o nome e por trás, permitiram a entrada de forças estrangeiras (Cubanas) em Angola, para apoiarem militarmente o MPLA e arma-lo até aos dentes. Chamar a este processo uma descolonização exemplar é o mesmo que querer fazer crer que as galinhas têm dentes. Só quem lá estava é que sabe o mau bocado que o povo português de África passou, sem qualquer apoio dos militares portugueses oriundos da Metrópole, que apenas se limitaram a ficar em Luanda para defenderem o Alto Comissariado, pois os militares portugueses de origem africana foram todos desmobilizados à pressa. Nessa altura eu era furriel miliciano do exército português e sei bem o que digo. Verem as suas casas a serem saqueadas, os familiares a serem mortos e outros levados não se sabe para onde, por elementos que se diziam militares, sem fardas, ora de um, ora de outro movimento, sem saber a quem pedir ajuda, é uma coisa que nunca se esquece. Descolonização bem feita estava a fazer o professor Marcelo Caetano, com tempo e hora, com cabeça tronco e membros, ao integrar na administração das províncias ultramarinas, pessoal natural das próprias província, em substituição dos naturais da metrópole como era hábito até então. Já se via em muitos locais, administradores de raça negra e a pouco e pouco, Marcelo Caetano estava a preparar os quadros responsáveis pela governação, para a pacífica transição de poderes. Mas aos comunistas internacionais isso não interessava, pois assim não poderiam beneficiar das riquezas das províncias portuguesas de África. Era necessário correr com os portugueses e seus descendentes. E assim foi feito, com a ajuda dos camaradas de Portugal. Não deixaram Marcelo prosseguir com o seu trabalho, esse sim exemplar. Processo idêntico ao que aconteceu com a vizinha África do Sul.
Ouvi recentemente, nos microfones da rádio renascença, um senhor que foi na altura um governante do Banco de Portugal, entrevistado por António Sala, a dizer que Portugal gastou muito dinheiro na integração dos “retornados” das ex-províncias de África. Dizia esse senhor que embora fosse um grande esforço para Portugal, foi o dinheiro português mais bem gasto pelo Estado. Esse senhor tem uma certa razão no que disse, mas esqueceu-se, que esse dinheiro empregue para integrar os “retornados”, era fruto do trabalho desses mesmos retornados no então território português em África. Portugal não deu nada do que era seu, apenas devolveu uma pequena parte do que aos portugueses de África cabia. Muito ficou ainda por ser restituído. As casas, os carros, o dinheiro que lá ficou nos bancos que eram portugueses e que não autorizaram o levantamento, são quantias muito elevadas que Portugal ainda não restituiu. Haja honestidade quando se falar dos portugueses que vieram do Ultramar, pois eles evoluíram e desenvolveram Portugal, assim como o fizeram em terras africanas. Uma descolonização feita à pressa, muito mal pensada e nada organizada não pode, em tempo algum, ser chamada de exemplar. Exemplar foi a transição de Macau. Essa sim. Exemplar até pelo patriotismo mostrado pelo governador. Um bem-haja a esse grande português que bem soube respeitar a nossa bandeira.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

25 DE ABRIL



Estamos quase lá. No Querer e não Poder não poderia deixar passar em claro essa data que ficou célebre, mais pela negativa do que pela positiva, na expectativa do povo. O dia que arruinou o império e reduziu Portugal no Mundo.
Tanta pressa para fazer uma revolução que já estava em curso. Também tanta pressa para fazer o tempo passar sem se preocupar com o amanhã, é o que muita gente mais deseja. Correria para aqui, correria para ali, é uma roda-viva sempre com muito stress. A criança quer crescer rapidamente, o adolescente com mais pressa ainda, quer chegar à maioridade. A juventude está sempre com pressa de alcançar algo que julga ser um prémio. A vida adulta. Quando se chega a adulto, os problemas começam. Dar sustendo a um agregado familiar com honestidade é, nos tempos que correm, uma luta constante e árdua do trabalhador médio português. A vida só está boa para os políticos, para alguns gestores com carisma político e para quem já nasceu rico. Então qual a pressa? Correr para onde? Nascemos do pó e em pó havemos de nos tornar. Correr para a morte é o que todos fazemos mal acabamos de nascer. Ricos e pobres, temos todos o mesmo fim. Por isso pergunto. Qual a pressa? Na ordem do dia está a dúvida do que se ganhou com o 25 d Abril. Os Militares ganharam a fama e continua tudo na mesma, ou até um pouco pior. Já não vão lutar para África para defender o que era nosso na altura, mas vão para o Afeganistão, para o Iraque, para o mar da Somália, enfim para locais ainda piores, com o agravante de esses povos, que agora defendem, nada conhecem de Portugal, do seu hino ou da sua bandeira. Então fizeram o 25 de Abril para não irem para uma guerra que era nossa e agora vão para guerras que outros criaram? O Povo, esse eterno sacrificado ganhou apenas o direito de expressão. Para que quer o povo este direito se não tem comida, direito a uma saúde digna, direito a um trabalho honesto e remunerado a nível da Europa onde estamos inseridos, direito a uma quota parte dos lucros que ajudam a ganhar, enfim, direito a uma verdadeira cidadania europeia. Os políticos, os que menos fizeram de bem por Portugal, ganharam tudo. Riqueza, poder, vencimentos altíssimos para falarem mal uns dos outros, direito de esbanjar o que é de todos e, acima de tudo, direito de empobrecer o país que herdaram rico de mãos beijadas. O país, este velho rectângulo asfixiado entre o Atlântico e a Espanha só perdeu. Perdeu, uma frota pesqueira que era uma das melhores da Europa, Perdeu uma frota marítima mercante e de passageiros que fazia inveja aos mais ricos países europeus, perdeu uma industria mineira, perdeu quotas de pesca e de produtos agrícolas, perdeu riqueza, perdeu estatuto nas parcerias mundiais que tinha e tem e, acima de tudo, perdeu a dignidade de um povo. O tal povo lusitano que deu mundo ao Mundo. Não será altura de haver um novo 25 de Abril? Acabar com o enorme fosso existente entre ricos e pobres é urgente e se não for o povo a fazer, quem o fará? Agora se vê o motivo porque Salazar governou com mãos de ferro. Salazar conhecia bem os políticos portugueses. Sabia que o país entregue a esta gente seria um país sem lei nem roque. Seria um país pronto para ser tosquiado como uma simples ovelha. E isto só aconteceu graças aos maus elementos que se infiltraram nas Forças Armadas, aproveitando-se do seu estatuto e, associados à ingenuidade do povo lusitano, o fizeram crer, que a revolução era para o bem do povo. Salgueiro Maia e os seus companheiros foram enganados. Se esse ilustre militar de Abril fosse vivo, estaria hoje desiludido e procuraria redimir-se do seu grande erro, fazendo uma nova revolução para repor a legalidade e acabar com os oportunistas que invadiram Portugal após a revolução. Hoje a grande maioria dos portugueses, já não se revê no 25 de Abril. Os próprios políticos já põem em causa o modelo destas comemorações. Apenas meia dúzia de auto denominados “libertadores” do povo, festejam com euforia esta data, do mesmo modo que sentem saudades do vergonhoso muro de Berlim. Isto só vem mostrar que a revolução dos cravos em nada beneficiou o Povo português. Apenas serviu para engrandecer os políticos e enriquecer os oportunistas.
 Do escandaloso caso dos altos vencimentos auferidos por certas pessoas após o 25 de Abril, só agora, depois do escândalo estar fora de controlo é que a Assembleia da República vem falar no assunto dos vencimentos elevadíssimos de certos gestores. Até aí, todos eles contribuíram para tal escândalo, associado ao igual escândalo dos vencimentos dos deputados. Também os combustíveis sofreram aumentos que apenas são explicados como aumento dos lucros das empresas e não para manter os já elevados lucros das mesmas. Ouve-se constantemente o facto de uma empresa que teve um milhão de euros de lucro, teve prejuízo, porque no ano anterior, o lucro tinha sido de um milhão e cem mil euros. Então há lucro ou há prejuízo? E assim vai o nosso país. Os políticos cada vez mais ricos e o povo cada vez mais pobre. No próximo tema, como que de uma continuação se tratasse, procurarei retratar a tão falada descolonização “exemplar”.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

LIBERDADE



O Querer e não Poder, vai debruçar-se hoje sobre um tema que Abril deu a Portugal e aos portugueses, a liberdade. Este direito humano tem duas fases distintas: A fase negativa e a fase positiva. Na fase negativa podemos ter como sinónimos de liberdade, a independência; a submissão e a servidão. Na fase positiva temos autonomia e espontaneidade. Em Portugal, a liberdade foi um direito sempre com muitas restrições. No tempo dos nossos reis, principalmente desde D. Fernando que o povo não era senhor de escolher a sua religião ou crença. Nos tempos conturbados da Monarquia da Europa, houve até condenações à morte de supostas bruxas, apenas por não seguirem a religião imposta pelo estado. A inquisição deu à igreja um poder absoluto, passando o poder político para segundo plano. Esta falta de liberdade, era realmente uma falta de independência, uma submissão à vontade daqueles que se julgavam senhores e donos absolutos da vontade do povo. Com a descoberta de novos mundos, principalmente da África, a falta de liberdade foi agravada ao ponto de pessoas sem escrúpulos, sem qualquer ponta de humanidade, à lei da força, arrancarem seres humanos das suas terras natais e transformarem-nos em escravos que depois de uma longa viagem em navios sem qualquer condições, os sobreviventes eram vendidos com se de animais se tratassem. Estes seres humanos, na escravatura, além de submissão também tinham de ter servidão total aos seus senhores. Eram considerados, com o apoio da Igreja e do Estado, seres sem alma, apenas por terem a cor da pele negra. O tempo foi avançando, os regimes político foram mudando e já na república, a liberdade continuou a ser manipulada ao belo prazer dos novos senhores. Não se podia escrever o que se queria e muito menos era permitido ler certos e determinados livros escritos por estrangeiros, uma vez que os nacionais não se atreviam a tal. Neste período, muitos livros eram queimados e aqueles que o possuíam eram considerados revolucionários. Muitos desses revolucionários foram presos e até deportados para as colónias existentes principalmente em África e América Latina. O livre-arbitrio, o poder de escolha das acções, não era um direito adquirido. A liberdade de expressão simplesmente não existia, tudo era controlado e manipulado. Com o 25 de Abril de 1974, a ditadura política teve o seu termo e deu vez à democracia. A liberdade de expressão, que é o direito de manifestar livremente opiniões, ideias e pensamentos foi considerada a pedra basilar da democracia. Se isto deu uma certa liberdade ao povo, também deu responsabilidades e, aqui é que tudo se confunde. A liberdade de um acaba aonde começa a do outro. Sendo a liberdade de expressão um direito não absoluto adquirido, não pode nem deve colidir ou ultrapassar outros direitos também adquiridos, como por exemplo: O direito à indignação; o direito ao bom-nome; o direito à liberdade de escolha; o direito à defesa da honra; etc. O povo tomou o poder e com ele veio as injustiças democráticas. A verdadeira liberdade apenas chegou para os políticos, pois o povo, com a excepção da liberdade e expressão, pouco mais ganhou. Já Descartes dizia: “age com mais liberdade quem melhor compreender as alternativas em escolha”. Para haver plena democracia é necessário haver compreensão da escolha de cada um e, compreensão é aquilo que os actuais senhores do poder, não têm quando assumem o cargo público. Em democracia, a oposição é sempre a favor do povo contra o governo, até ao dia em que sejam eles o governo. A democracia sem responsabilidade torna-se em anarquia. O democrata irresponsável, o anárquico, julga não ter obrigação para com o povo que o elegeu. O que se vê hoje na política, é o contraste do que se via no passado. Ao querer fazer esquecer os tempos difíceis da ditadura os nossos políticos fazem leis contra o povo e aproveitam a democracia em benefício próprio. Na ditadura, principalmente na de Portugal, ditadura conhecida como Salazarista, o povo era pobre, os políticos serviam o país e País estava rico. Não havia liberdade de expressão, mas havia riqueza nos cofres do Estado. O 25 de Abril fez voltar ao país os políticos que se encontravam no estrangeiro. Nessa altura vieram para Portugal de comboio, praticamente com a roupa que traziam no corpo. Hoje, viajam de avião e têm fortunas nos bancos e até fundações com os seus nomes. Na democracia, principalmente em Portugal, o povo continua pobre, os políticos servem-se do País e estão ricos ou para lá caminham, mas o país está pobre, com os cofres vazios, com uma dívida externa cada vez maior. Ninguém tem culpa, os políticos têm de ganhar para viverem segundo a sua condição e posição. Posição esta, arranjada e classificada pelos próprios. Ganhar ao nível da Europa, só eles. O povo, este, que continue a trabalhar se houver trabalho. Se não houver que se desenrasque. Da liberdade conseguida com os capitães de Abril, pouco resta, apenas a liberdade de expressão continua activa, até quando? Há quem já questione também este direito. Em democracia, a liberdade é o direito de fazer tudo com responsabilidade e assumir os seus actos, mas poucos são aqueles que a praticam na íntegra. O povo, este eterno sacrificado, já pensa que, fome por fome, não valia a pena haver mudanças. É certo que, se não houvesse mudanças, eu não estaria aqui a escrever este artigo. É um bem que ainda nos resta. As cadeias portuguesas estão superlotadas por que será? Não será que o povo pense que estando preso tem pelo menos uma cama onde dormir abrigada do sereno da noite, tem o que comer e isto talvez seja melhor do que a liberdade? Ter liberdade e ser um sem abrigo e morrer de fome!... A escolha está à vista. As cadeias estão cada vez mais cheias. No próximo tema, como se de um tema único se tratasse, falarei sobre o 25 de Abril.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

CINZAS

Animado pelo perfume suave e agradável da Primavera, resolvi fazer um pequeno retiro pela floresta. Andei alguns quilómetros e de repente vislumbrei o lugar ideal, uma linda clareira no sopé de uma montanha, à beira de um riacho. Falei para mim mesmo, perfeito, é aqui mesmo que vou acampar. Arrumei o carro, retirei a tenda de campismo, montei-a e fui à procura de lenha para a fogueira. Limpei o centro da clareira, juntei umas quantas pedras e fiz a minha fogueirinha. A noite estava bela, o céu estrelado e a lua brilhava redonda no horizonte. Ali sentado à beira da fogueira, a ouvir os grilos a cantar, o coaxar das rãs e o crepitar da lenha, deixei fluir o pensamento, dando azo à imaginação. Passado algum tempo, depois de ter revisto alguns bons e maus momentos da minha vida, dei por mim a fazer uma comparação. – As oportunidades surgidas durante uma vida são como a lenha a queimar numa fogueira. Se não as aproveitarmos no momento certo, desaparecem e dificilmente voltam a surgir. Apenas sobram as cinzas. Normalmente as más escolhas na juventude, traz-nos amarguras no futuro e o tempo não volta a trás. Se não tivermos a coragem de avançar para o que nos parece desconhecido, nunca ficamos a saber o quão agradável poderia ter sido. A fantasia pode-nos levar à concretização de sonhos, se tivermos a coragem de a transformar em realidade. Aquilo que à primeira vista nos parece impossível é muitas vezes fácil de se conseguir. Basta, para isto, apenas ter a coragem de avançar. Assim como a lenha a queimar numa fogueira se transforma em cinza que desaparece com o tempo, também as oportunidades perdidas ficam definitivamente queimadas e desvanecem com o passar dos tempos. Por cima de mim, as estrelas vão brilhando, a lua vai subindo no firmamento, Na nossa vida, os anos vão passado e os nossos sonhos esvoaçam ao vento. Depois de uma certa idade apenas resta a saudade da juventude perdida, das oportunidades não aproveitadas, dos sonhos não sonhados e das vontades não realizadas. De repente, fez-se silêncio, uns breves segundos sem ouvir os grilos, sem ouvir as rãs! O que se terá passado? Que silêncio atroz é este que me atormenta? Nada de sobressaltos, é apenas a mãe Natureza a ouvir o meu pensar. Que alívio, os grilos cantam, as rãs coaxam e a água do ribeiro corre mais veloz que nunca. É a vida noctívaga a lembrar que também existe. Diante da fogueira veio-me outro pensamento. O passado tão próximo e tão distante. A juventude afinal não foi tão má! Os tempos eram outros, as ideias menos avançadas, mas também fazíamos as nossas traquinices. Entre o masculino e o feminino sempre houve atracção. Naquele tempo com mais respeito, é certo, mas não deixava de ser agradável. O sexo era menos frequente, mas também era uma realidade. Então qual a mágoa? Nenhuma! apenas uma bela saudade. Afinal o tempo passado não foi perdido, mas está acabado, não volta mais. Assim como a madeira queimada e transformada em cinzas, não mais se solidificará, não mais servirá de aquecimento aos amantes ciosos de calor. De repente, lembrei-me do presente. Este tempo que vivo com constantes sobressaltos, não que esteja a correr mal! Nada disso. Do presente também não me posso queixar. A máquina biológica com comanda o meu corpo, trabalha quase na perfeição. Digo quase na perfeição porque perfeito ninguém é. As traquinices da meninice transformaram-se em aventurazinhas saudáveis e gostosas, tudo rola com uma agradável sensação de bem-estar. Então e o futuro? Bem! esse é incerto. Vamos vivendo o melhor que podermos enquanto a mãe Natureza não nos chama. É preciso não perder a consciência de que mal nascemos, começamos logo a descontar os dias da nossa permanência neste Planeta. Ele não é nosso; apenas nos é permitido aqui viver. A lua, essa eterna enamorada, sempre brilhou e continuará a brilhara e a fazer lembrar à humanidade que o amor, ao contrário da vida, é infinito. A minha fogueira ficava cada vez mais fraca, o corpo mais cansado e a lua cada vez mais alta e brilhante. Uma mulher aparecendo do nada, pediu abrigo na minha tenda. Fomos dormir e sonhei que estava no paraíso. Acordei no aconchego do meu quarto, deitado na minha cama é reparei que tudo não tinha passado de um sonho. Um agradável sonho é verdade, mas não deixou de ser um sonho.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

ILUSÕES

O Mundo está cheio de ilusões e ilusionistas. Há quem ganhe fortunas com a ignorante fé de outros. Consultar os astros para prever o futuro é tão real hoje, como o foi no I século antes de Cristo. O homem sempre teve um fascínio enorme pelo desconhecido e, nada é mais desconhecido do que o infinito espaço sideral. Os astros que aparentemente estão por cima de nós, na realidade rolam num vazio enorme e mantêm a mesma relação de igualdade entre eles. Nenhum está por cima e nenhum está por baixo. Todos se encontram no mesmo Éter, cada um com as suas características próprias, a sua densidade e a sua força cósmica dentro de cada sistema. No entanto, a estrela preponderante em cada sistema, parece ser na realidade, a grande responsável pela existência ou não de vida num planeta que gira em seu redor. Sabemos, é verdade, que o Sol e a Lua, pela proximidade que se encontram, têm influências na vida da Terra, através das suas luzes e raios, próprios ou reflectidos, que chegam até nós e alteram o clima e as marés. Mas até à presente data, nada nos garanta que outros astros também possuam influências sobre a Terra, ou que haja uma relação directa ou indirecta na vida dos seres deste Planeta. Ainda hoje não se sabe ao certo de que matéria os outros astros são formados. Grandes cientistas, gastando verbas estrondosas, andam ainda à procura de respostas sobre este assunto. Então como se explica que haja pessoas que afirmam conhecer os astros ao ponto de traçarem mapas astrais respeitantes à vida e ao destino dos outros, conhecendo apenas o ano, dia e hora do nascimento? Julgo que apenas ilusões e oportunismo desonesto, levam a esperteza de uns, a explorarem a ignorância de outros. Segundo crenças antigas, sou do signo do Aquário. Tenho por isso, características próprias dos nativos deste signo. Então como se explica que outros nativos de aquário, não tenham as mesmas características que eu? Porque somos tão diferentes uns dos outros, dentro do mesmo signo, no amor, na saúde, na riqueza, no carácter, na inteligência, etc. etc? A estas perguntas, os pseudo-técnicos, mais uma vez, perante tais factos, argumentam que tudo é devido às influências dos astros predominantes sobre a pessoa de cada um. Uns sofrem a influência de Vénus, outros de Marte ou de Saturno, ou porque Plutão entrou na casa de Vénus, etc. etc. Pois, o que não compreendo é que pessoas do mesmo signo, nascidos no mesmo ano, no mesmo dia e à mesma hora, que deveriam ter a mesma influência num determinado momento, tenham comportamentos diferentes!? Os astros podem explicar muita coisa e a sua maior informação é na orientação ao nível dos paralelos terrestres. Determinar a longitude ou a latitude de um determinado ponto através dos astros é possível e é credível. Os astros também explicam onde fica o Norte, o Sul, o Oriente e o Ocidente, mas não explicam tudo. O carácter dos seres humanos, o seu comportamento, o amor e até mesmo a riqueza e a saúde, são adquiridos através da vivência com outros seres da mesma espécie, desenvolvendo-se as capacidades intelectuais de cada um. O intelecto, este sim, talha o comportamento do ser humano. Bruxas, videntes, adivinhos e tarólogos, sempre existiram e sempre vão existir. O passado ensina-nos muitas coisas, principalmente atitudes e comportamentos a ter ou a evitar no presente e no futuro, mas também nos ensina a não confiar em adivinhos. Admito, mesmo por causa do meu desconhecimento nesta matéria, que certos astros possam influenciar a vida na terra, mas ter influência no comportamento humano é querer fugir à realidade e culpar quem não se pode defender, os astros. O amor, a sorte, a saúde, o comportamento são cultivados por nós, pela nossa maneira de viver, de estar na vida e nada mais. Acreditar na astrologia, no tarot ou na leitura da sina é o mesmo que acreditar no conto do vigário. E aqui vigário não é padre!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

RENASCER O perigo das armas nucleares





Na Linha do horizonte, a luz do Sol fazia a sua aparição timidamente, mostrando o renascer de um novo dia. As últimas estrelas desapareciam do firmamento como que envergonhadas perante a beleza do astro rei. O Sol, fonte de vida na Terra, é ao mesmo tempo a foice da morte noutros planetas que à sua volta rodopiam prestando-lhe homenagem. É na realidade o centro do nosso sistema planetário, no qual a Terra é a soberana rainha da Beleza. Nas quentes noites do verão, o renascer do dia visto de determinados locais deste maravilhoso planeta é na realidade um espectáculo de beleza sem par só equiparado aos belíssimos pôr-do-sol no horizonte de um país tropical. O renascer da esperança no Mundo é agora mais evidente com o acordo histórico assinado pelos governos dos Estados Unidos da América e da Rússia, para a redução em mais de 70% das armas nucleares. Um acordo óptimo, mas que não teria razão de existir, se os homens aprendessem a viver como irmãos, como iguais e não procurassem a qualquer custo, impor a sua soberania, as suas ideias, o seu domínio pela força das armas, a outros povos, pelo simples facto de serem mais poderosos militar e economicamente. A corrida ao armamento foi a pior coisa que aconteceu na vida do ser humano. Fazer armas capazes de defender o Planeta de uma invasão externa mesmo que teórica é uma coisa. Fazer armas para matar os habitantes deste planeta é outra totalmente diferente. A guerra-fria do século passado foi a principal causa da corrida louca ao armamento incluindo o Nuclear. Esta guerra apenas existiu na cabeça de homens ávidos de poder que não olhavam a meios para atingirem os seus fins. O poder absoluto sobre o planeta era uma cobiça tal que levou as grandes nações à loucura ao ponto de fazerem armas que podem simplesmente acabar com o planeta terra. Hoje os homens são outros, as mentes mais puras e sensatas. Esta redução é muito bem vinda, mas é insuficiente. O mundo necessita de uma paz duradoura e para tal é necessário ir mais além. Ter a coragem de acabar de uma vez por todas com tais armas. Esperemos que outros países sigam o exemplo dos EUA e da Rússia e façam o mesmo. Vamos todos dizer não ao armamento nuclear. Vamos fazer o Mundo renascer dia após dia com a sua beleza sem a ameaça de uma guerra que pode por tudo a perder. O Sol nasce todos os dias e quando nasce, nasce para todos em igualdade de condições. Há dias ouvi com espanto que os governos da União Europeia não tinham chegado a acordo num problema muito sério como a redução da pobreza no Mundo. Aqui, a ressurreição da esperança, o renascer de uma sociedade mais justa e mais igual, ainda é uma utopia nas cabeças pensantes dos líderes Mundiais. Se não têm coragem para tomar uma decisão tão importante para o bem da humanidade, será que o nome de líderes é bem aplicado? Só mesmo na política isto pode ser considerado certo, pois no social, no que é realmente importante para a Humanidade, estes homens com as suas indecisões, baseando-se apenas no interesse puramente económico, não passam de uns oportunistas pagos com o erário público, fruto de uma quota parte do nosso trabalho. O fosso económico entre ricos e pobres é cada vez maior, todos contribuem gratuitamente para o seu aumento e nada fazem para que a tendência seja ao contrário. A redução da pobreza ficará para mais tarde. Para Quando? O renascer da aurora ainda vem longe e o renascimento da nova Era tarda em surgir. O renascer da esperança, também demora em surgir para aquelas crianças que todos os dias morrem de fome, ou de doenças graves, e que vivem no mesmo Mundo que nós, sem por vezes, darmos por isso. O renascer da esperança é o verdadeiro milagre que o Mundo ansiosamente espera ano após ano. Em Março deste ano, os cientistas Mundiais fizeram um teste a grande profundidade na fronteira Suíça, com o propósito de criarem uma mini réplica do famoso Bing Bang. Os amantes da teoria do surgimento da vida através da grande explosão, procuram criar a essência da vida e assim provar que estão certos. Os outros, os crentes na religião acreditam que apenas gastam milhões para tentar provar que Deus não existe, sem qualquer sucesso. Quem tem razão? Ambos, pois nada ainda foi possível provarem. Este dinheiro não seria o suficiente para reduzir a pobreza no Mundo? Seria é certo, mas para isto o dinheiro era considerado mal aplicado. O renascer da consciência séria, também aqui tarda em aparecer.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

ESPÍRITO DA VIDA - ALMA

Ainda ontem tinha vinte anos, sonhos lindos, aventuras intensas, um Mundo para descobrir, com esperanças renovadas dia após dia. Hoje já sou avô e apenas os sonhos continuam, acompanhados por uma grande necessidade de compreender a Noética que comanda o Mundo. Essa ciência nova, mas tão antiga como o Universo e que controla todos os sistemas conhecidos. O pensamento humano ainda está por ser explorado na sua profundidade imensa. Apenas é conhecido uma ínfima parte dessa enorme força capaz de mover montanhas. Se tivermos a coragem de ler a Bíblia e procurár interpretá-la fora da religião que sempre nos foi ensinada, vamos ver e compreender muitas coisas que explicam os grandes mistérios que antigamente aconteceram e ainda hoje acontecem. Começamos pela frase do velho testamento, no Géneses, que diz “Deus criou o homem á sua imagem e semelhança”. Pensando friamente, sem temor da ira Divina, forçosamente teremos que admitir que somos semelhantes a Deus. Logo, também somos deuses, embora ainda não saibamos proceder como tal. Na frase”o Reino de Deus está entre nós”, também é fácil compreender que tudo se passa neste Mundo. Quando Jesus Cristo apelida aos apóstolos de “homens de pouca fé”, não está mais do que a incentivá-los a acreditar neles próprios, e quando diz “ se tiverdes fé, podeis dizer à montanha move-te e ela mover-se-á” também está a dizer que a mente do ser humano, bem cultivada, tem capacidades para mover objectos sólidos. Basta para isso, cultiva-la com intensidade. O estudo profunda da capacidade da mente humana, a dimensão não determinada mas determinante da identidade e consciência do ser humano, é o que normalmente apelidamos de Noética. O dobrar um objecto sólido, como por exemplo uma colher de metal (Exemplo mais conhecido) ou o deslocamento de pequenos objectos, praticados por pessoas que apelidamos de mágicos, não é mais do que o domínio de uma pequeníssima parte do cérebro humano. O curar doenças praticamente incuráveis à luz da ciência conhecida, com apenas a imposição das mãos, como já se viu documentado em televisão, embora não explicado, é também outro domínio do celebro humano, que já era utilizado por Jesus Cristo há dois mil anos atrás. Charles Darwin com o seu altíssimo estudo da evolução das espécies, numa perspectiva global e sintética, não só modificou o Mundo, como também pode ser chamado de pai da Noética moderna. Depois de Darwin, o Mundo conhecido de então, não mais foi o mesmo e, os seus seguidores procuraram e procuram a partir dos seus estudos, desenvolver e estudar mais a profundo a mente humana. Ainda hoje, em pleno século XXI, as capacidades da mente humana continua a ser desconhecida na sua totalidade e ainda hoje, fenómenos já acontecidos no Mundo, estão para ser explicados cientificamente. Isto só vem provar que a humanidade ainda tem muito para evoluir e que Jesus Cristo, há dois mil anos atrás, tinha a mente muito mais desenvolvida que o maior cérebro actualmente conhecido. A capacidade mental de Jesus Cristo, já naquele tempo era tão desenvolvida que aos olhos dos restantes humanos, as maravilhas por Ele feitas, eram e ainda são vistas como milagres. Só com o estudo da Noética, à lei da ciência, se explica tais fenómenos. Assim se explica que não é por acaso que Jesus Cristo é reconhecido por uma grande parte da humanidade, como filho de Deus. A ressurreição de Lázaro à luz da ciência moderna, só é explicada pela grande capacidade que Jesus tinha, para modificar um estado físico. Voegelin, austríaco e professor catedrático nos Estados Unidos, diz que “O elemento Noético aparece quando a consciência procura tornar-se explícita por si mesma e interpretar o seu próprio”. Por aqui se vê, que um enorme caminho nos espera pela frente e até o ser humano chegar ao ponto de dizer a uma montanha move-te! Ou de chegar ao pé de um morto e dizer “ Levanta-te e anda”, muito caminho ainda tem que percorrer estudando a fundo a mente humana, para a compreender na totalidade. Só então podemos dizer que somos filhos de Deus; que somos semelhantes a Deus, tal e qual como fomos criados. Até lá, limitamo-nos a adorar Aquele que adquiriu por completo o domínio da mente. Jesus Cristo, filho de Deus, feito homem e a acreditar na salvação da alma e na vida eterna. A propósito da alma! Será que ela tem peso? Tem forma? Tem cheiro? Tem energia? Se não! Como provar que ela existe?!...Há cientistas que afirmam já ter pesado a alma humana e que ela pesa cerca de 21 gramas. Não querendo duvidar, eu pergunto: - Esse peso será com ou sem pecados? Já agora o que é pecado? Será que amar sem compromisso é pecado? Será que matar é pecado? Tudo depende do ponto de vista. Se amar sem compromisso é pecado, então todos os seres vivos vivem em permanente pecado. Se matar é pecado, então o ser humano vive em permanente pecado, pois mata sem escrúpulos outros seres vivos e não só para se alimentar, mas também por belo prazer. A Bíblia define como pecado certos comportamentos incorretos do ser humano, mas deixa sempre uma porta aberta para a dúvida com o livre arbítrio. Será que a alma pesa sempre com ou sem pecados 21 gramas? Espero que os cientistas e a Noética façam luz sobre este assunto.


segunda-feira, 5 de abril de 2010

CONJUNTURA



Desde os tempos mais remotos que o ser humano procurou sempre justificar a situação por si criada, culpando a conjuntura do momento. Quando algo nos corre bem, o mérito é nosso e procuramos constantemente lembrar a nossa eficiência, o nosso empenho, o nosso esforço no objectivo conseguido. Mas quando algo nos corre mal, desculpamo-nos, enumerando uma grande quantidade de elementos, de factores que provocaram o problema. E isto normalmente é apelidado de conjuntura do momento. Em Portugal, já não nos surpreende que em termos políticos, a conjuntura seja sempre a culpada dos sucessivos falhanços nas governações após o 25 de Abril, seja o governo de que partido for. Para a oposição, o governo tem sempre a melhor conjuntura do momento para poder fazer uma boa governação. Para o governo, a conjuntura nunca é a mais favorável. E assim, devido à conjuntura, o país afunda-se cada vez mais. Na parte económica, se não forem criadas situações de estabilidade, se não houver um suporte de base forte e próprio, o país não cria os elementos necessários para solucionar o problema. Ainda está na memória de muita gente a frase dita por um ministro do Dr. Salazar “Sem uma siderurgia própria, o país não é um país, é uma horta”. E tinha razão. Hoje os tempos são outros, mas os métodos são sempre os mesmos. Sem uma indústria forte e própria que sustente a nossa economia, o país não passa de um cantinho à beira mar plantado, para os ricos da Europa virem passar férias. Mais do que procurar a diminuição das despesas, é urgente implementar o aumento das receitas. Na política o assunto é idêntico. Sem políticos competentes e honestos, não se cria uma base sólida e, sem uma base sólida, a conjuntura nunca será favorável. Portugal, antes do 25 de Abril era um país rico ao ponto de não ter sido afectado pela grande recessão económica que abalou o Mundo e, tudo se deveu ao grande património que então era possuidor e à política económica de rigor então adaptada. Embora os sépticos dizem que naquele tempo Portugal foi salvo porque vivia num regime fechado, com uma economia interna e pequena, isso não é em tudo verdade. Talvez estes sépticos pudessem ter razão, se a história não relatasse que outros países também pequenos e fechados, sentiram os efeitos maléficos da recessão e, que quando Salazar tomou conta do Ministério das finanças em 1928, O orçamento do Estado apresentava um saldo negativo de 388.667 contos e o primeiro Orçamento da gestão de Oliveira Salazar, em plena crise, fechava com 1.576 contos positivos. Além disto, Salazar, depois de II Grande Guerra (1939/1945), integrou Portugal nas instituições de comércio livre na Europa e obteve mesmo as maiores taxas de crescimento económico da História portuguesa. Isto mostra que o País não era tão fechado como querem fazer crer à juventude actual. Para além disto, ainda industrializou o País, tomou medidas para que as crianças fossem escolarizadas e estruturou o Estado Social, que ainda hoje vive à custa dessa estruturação. Em termos militares, também foi Salazar quem inseriu Portugal na NATO e com umas Forças Armadas exército forte. Logo se vê que o problema é outro, pois Salazar apanhou logo de início, talvez a maior recessão económica conhecida no Mundo, com uma conjuntura muito desfavorável e mesmo assim, com grande rigor, disciplina e sacrifícios, associada à enorme competência e honestidade, este professor de economia, fez uma recuperação tal, que levou Portugal a ombrear-se com os países ricos da Europa. Quando este ilustre professor tomou conta das finanças, reduziu o seu programa em apenas quatro pontos: 1º - Que cada Ministério se comprometa a limitar e a organizar os seus serviços dentro da verba global que lhe seja atribuída pelo Ministério das Finanças; 2º - Que as medidas tomadas pelos vários Ministérios, com repercussão directa nas receitas ou despesas do Estado, serão previamente discutidas e ajustadas com o Ministério das Finanças; 3º - Que o Ministério das Finanças pode opor o seu “veto” a todos os aumentos de despesas corrente ou ordinária, e às despesas de fomento para que se não realizem as operações de crédito indispensáveis; 4º - Que o Ministério das Finança se compromete a colaborar com os diferentes Ministérios nas medidas relativas a reduções de despesas ou arrecadação de receitas, para que se possam organizar, tanto quanto possível, segundo critérios uniformes. É certo que não havia liberdade de expressão. Tudo era controlado pelo Estado, mas em casa onde não há controlo, Também não há pão, não há razão. Se derem a escolher aos portugueses ter pão e emprego ou ter liberdade de expressão, estou certo que escolherão ter pão e emprego, pois a liberdade de expressão não enche as barrigas, não mata a fome, não dá estabilidade económica. Sem alimento não penso e sem pensar não vivo. Lá diz a ditado popular “ em casa onde não há pão, ninguém tem razão”. Isto, não sei por quê, faz-me lembrar a nossa Assembleia da República actual. Os nossos políticos actuais, deveriam estudar mais a fundo os primeiros anos de Salazar. Talvez aqui esteja a chave milagrosa para as finanças actuais. O professor Oliveira Salazar não necessitava de assessores para resolverem os diversos problemas que surgissem, ele só, era mais que suficiente para os resolver com eficiência. Naquele tempo, os políticos com responsabilidades na governação, trabalhavam em prol do país e quando deixavam o governo, saíam com os mesmos bens que anteriormente tinham. Hoje, cada ministério tem vários assessores e gestores pagos a peso de ouro, a cujo vencimento ainda acrescem os prémios pela gestão, como se isso não fizesse parte das suas obrigações como profissionais e pelas quais já são bem pagos. Além disto, ainda ficam com direito a altíssimas reformas com apenas meia dúzia de anos de serviço “prestado ao Estado”. O grande património que o Estado detinha, foi literalmente lapidado, não só pelas inúmeras privatizações mal feitas, mas também pelos exorbitantes vencimentos que os políticos auferem, muito acima da realidade do País. E o país de rico passou rapidamente a pobre, ficando as empresas privatizadas, directa ou indirectamente, nas mãos daqueles que contribuíram para essa mesma privatização e os políticos a ganharem em igualdade aos mais ricos países da Europa. Hoje ser político é ser um funcionário público super remunerado e com regalias impensáveis para os demais funcionários públicos e povo em geral. Quando não houver mais nada para privatizar, será que vão recorrer novamente à ditadura? Ou desaparecerá Portugal com país soberano? Em trinta anos, o Estado Novo enriqueceu o País, em trinta anos, a Democracia empobreceu o País. Em nome da estabilidade, dá que pensar!...


sexta-feira, 2 de abril de 2010

MINHA TERRA MINHA GENTE -II-VILA ARRIAGA




A minha família praticamente sempre viveu em Vila Arriaga, Angola, uma vila simpática situada no sopé da serra da Chela e, embora pertencesse ao Distrito de Moçãmedes, hoje Namibe, fazia fronteira com o distrito da Huíla, hoje Lubango, de cuja cidade (Sá da Bandeira), ficava apenas a cinquenta quilómetros de distância. Minha avó  materna era filha de colonos e meu avô foi militar com a patente de cabo, na grande guerra e foi para Angola, onde conheceu a minha avó, casaram e tornaram-se agricultores,  fixando residência em Vila Arriaga. Meu avô paterno, nascido em Trás-os-Montes, era enfermeiro em Moçâmedes, donde era natural, minha avó paterna. Sou o terceiro filho do casal e embora tenha nascido no Lubango, sempre considerei minha terra a Vila onde vivi com meus pais. Vila Arriaga ou Bibala, como muitos a chamavam por ser o nome dado à região do concelho, era uma vila pequena, com apenas duas ruas e quatro transversais, mas muito interessante e com uma vida própria muito activa. Tinha uma administração por ser sede de concelho, com as respectivas casas do administrador, do secretário e dos demais funcionários. Como era uma zona de muita pecuária, tinha também um posto veterinário com a respectiva residência do médico veterinário. Para servir a população local e do concelho, havia também um hospital com as respectivas casas do Médico e do enfermeiro. No centro da Vila situava-se a escola primária, a estação dos caminhos-de-ferro e várias casas destinadas aos seus funcionários, assim como uma oficina para a reparação das máquinas locomotivas; um Clube recreativo e um parque infantil. A linha do caminho-de-ferro dividia praticamente a Vila em dois lados. De ambos os lados da Vila havia várias casas comerciais, quase todas direccionadas ao comércio com os indígenas, mas havia duas que além deste comércio, também estavam preparadas para o comércio Geral. Destas casas comerciais, a do Cardoso Dias e a do Lauro Gonçalves, talvez a mais importante fosse a casa Lauro Almeida Gonçalves, onde se podia encontrar um pouco de tudo. Tinha o sector agrícola, o sector de mercearia, a parte de roupas e tecidos, retrosaria, relojoaria e ourivesaria, papelaria, sapataria, louças, brinquedos e farmácia. Era na realidade um comércio multifacetado e único na região. Para além deste comércio, a Vila tinha ainda duas pensões e nos últimos tempos talho e peixaria. Todos os habitantes da Vila se conheciam e para além da amizade própria dos europeus e seus descendentes em África, havia também uma sã convivência com os naturais da terra, que fazia desta Vila uma comunidade familiar. O meu tempo de criança, de adolescente e de jovem adulto, foi passado nesse Vila, com excepção do tempo reservado aos estudos que foram passados ou em Moçâmedes (Preparatório) ou no Lubango (Secundário). Logo se vê que esta Vila marcou o meu tempo de juventude. Aos fins-de-semana havia baile no clube. As raparigas iam acompanhadas pelas mães ou a cargo de uma senhora casada que se responsabilizava por elas, era assim naquele tempo. Muito respeito, mas também muito divertimento. Não havia drogas, o álcool era controlado e não passava de umas cervejas; apenas e só o baile com música tocada a gira discos, animava as tardes e as noites. Eram tempos maravilhosos e os namoricos também existiam, mas tudo dentro do respeito da época. Durante as férias grandes, eram assim chamadas as férias de final de ano lectivo, os rapazes da Vila juntavam-se à noite para cumprir com um costume antigo, costume que já vinha dos nossos pais. Íamos ás capoeiras dos nossos próprios pais e “roubávamos” uma galinha para a patuscada nocturna. Juntávamo-nos todos no largo da pecuária e aí fazíamos a fogueira para assar os francos. Os pais no dia seguinte davam por falta das galinhas, mas ninguém levava a mal, pois era um costume antigo. Vila Arriaga era uma Vila pequena mas tão familiar que ainda hoje, passados trinta e poucos anos, posso mencionar os nomes das famílias mais antigas e que deram relevo à Vila. – A Família Adolfo de Oliveira; família António Duarte, família Rocha Pinto; família Cardoso Dias; família Madeiros; Família Simões(Canime); família Bastos; família Lauro Gonçalves; família Guardado; família Basílio; família Zé da Glória, família Alves Primo; família Raimundo; família Morais, família Baptista; família Filipe Cebolo; família Freitas, família Robalo; família João de Sousa; Família Daniel; família Gil do Espírito Santo; família Zé Teixeira, família Aníbal; família Amado; a famosa viúva Alice, famosa por ser avançada de mais para a época, sempre com o espírito jovem, apesar da sua já avançada idade, não faltando a um baile junto da juventude. Para além desta gente, havia outras que embora não fossem residentes permanentes na Vila, por lá passaram e deixaram a sua influência, como a família Amadeu Gonçalves, os Administrativos Sousa Álvaro (Administrador); Fausto Ramos (secretário) Pimentel Teixeira (secretário) Nazaré Gomes (médico) João Simões (funcionário veterinário) Jorge Alves (Chefe de Estação C.F.); Sousa (Chefe de Estação dos C.F.); Sebastião (enfermeiro); Rodrigues (enfermeiro) Os padres Espanhóis (Fidel, Jesus e Zé), Olímpio capataz dos C.F. e o Santos (capataz Geral dos C.F). Enfim, e muitos outros que vieram depois destes, dos quais destaco a família João Rodrigues que veio da Lola, uma povoação vizinha e pertencente ao mesmo concelho, radicando-se em Vila Arriaga. Grande parte deste pessoal já faleceu, mas ainda hoje, os vivos e os descendentes dos falecidos, quando se encontram é como se encontrassem um familiar, tal era a amizade entre as famílias. No mês de Junho dava-se lugar às célebres festas da Vila, em honra dos Santos populares, Stº. António, S. João e S. Pedro, que para além das várias barracas que se montavam com diversas actividades e do indispensável baile diário, também havia as tradicionais fogueiras em honra dos Santos populares. As festas duravam o mês inteiro e todos os dias haviam movimento próprio das festas que aos fins-de-semana era abrilhantado com um conjunto musical contratado para o efeito e com torneios de tiro ao alvo; tiro aos pombos e tiro aos pratos, além do Basquetebol e do futebol é claro. Em minha terra minha gente, não podia deixar de fazer esta retrospectiva saudosista da minha juventude.

quarta-feira, 31 de março de 2010

ESPERANÇA

No Querer e não Poder, chegou a vez de falar um pouco de esperança. Esta palavra significa aquilo que muita gente suspira constantemente e anseia pela sua concretização. Há mesmo quem diga que a Esperança é a última a morrer. Não são vãs estas palavras, pois quando se perde a Esperança é porque tudo está consumado. Já assim falou Jesus quando viu o seu fim na cruz, “ tudo está consumado”. Também podia ter dito “acabou a esperança, chegou o fim”. O ser humano quando nasce trás consigo a esperança de uma vida plena e quando se aproxima a hora da sua morte, também fica com a esperança de ir para um Mundo melhor e de encontrar os seus familiares e amigos já falecidos. A criança tem esperança de, ao ir para a “escolinha”, encontrar amigos com quem brincar e encontrar no adulto a esperança de uma constante protecção. O adolescente encontra na esperança, uma certeza de uma vida de liberdade ao atingir a maioridade. O estudante tem sempre a esperança de com os seus estudos concluídos, encontrar um bom emprego que melhore substancialmente a sua situação económica. O adulto vê a esperança como uma salvação dos seus problemas e que mais tarde ou mais cedo eles se resolverão. A esperança de atingir sempre uma vida melhor, está constantemente no espírito do ser humano. O casal de namorados tem esperança de tudo correr como o desejado, fazer um casamento feliz e constituir a sua própria família sem grandes problemas. No casal, quando tudo corre bem, há sempre a esperança de chegarem juntos ao fim das suas vidas. Quando algo corre mal, existe sempre a esperança de se resolver a assunto sem uma separação e, quando isto não for possível, ficam com a esperança de arranjar um companheiro melhor e serem realmente felizes. No tocante ao idoso, a esperança é outra. É prolongar a sua vida neste planeta o mais possível, sem dores, sem sofrimento e ter uma morte “santa”, repentina, sem quase dar por ela. É a esperança do ser humano, não sofrer nem fazer sofrer. Também ao nível social, a esperança nunca morre. O pobre; o trabalhador necessitado; a classe baixa e média baixa, tem sempre a esperança de um dia ser contemplado com um grande prémio e se tornar rico. O rico vive na esperança de aumentar constantemente a sua fortuna. Enfim, a esperança é na realidade o grande elixir da vida. Sem a esperança, o Mundo não seria agradável e a humanidade não conseguiria sobreviver. Até os pessimistas que dizem “já não tenho esperanças de nada” no fundo do seu ser, do seu pensamento, existe sempre a esperança de haver uma mudança, o tal milagre salvador. O velho ditado que diz que “a esperança é a última a morrer”, pode muito bem ser substituído por a “esperança nunca morre”. Em certos países africanos, a esperança consiste em arranjar comida dia a dia para sobreviver. Aqui a esperança é mais dolorosa. È tão cruel que chega ao ponto desta palavra tão real, ter apenas presença no imaginário das crianças que todos os dias morrem de fome. O nosso caixote de lixo doméstico, seria uma mesa farta nestas paragens e seria a esperança de vida para muitos inocentes. A desgraça é tão grande que me leva a perguntar – Onde andas tu, Pai da esperança que deixas os teus filhos morrerem à fome?