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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

sexta-feira, 18 de março de 2011

O MENINO TRISTE E A BORBOLETA - Fábula infantil para a minha Neta LIA

      



    No país dos sonhos e contos de fadas, havia um menino que andava sempre triste, pois não sabia sonhar. Um dia, o menino triste saiu de casa para dar um passeio pelo jardim e ao passar junto a um canteiro, viu uma linda borboleta a esvoaçar de flor em flor. Sentou-se numa pedra à sombra de uma árvore, a ver a linda borboleta e começou a pensar em voz alta.” Ai, ai, como gostaria de ser feliz como esta pequena borboleta! Ser alegre, lindo e poder voar de flor em flor, ver o Mundo do alto em vez de andar aqui no chão sem ter nada que me alegre!”A borboleta ouviu o menino, aproximou-se e disse:” Amiguinho! porque estás sempre tão triste? Alegra-te que o Mundo é belo. Eu já fui como tu. Já andei pelo chão a rastejar, sem poder voar, mas agora sou feliz!...” O menino admirado com tais palavras perguntou: “Como assim? Explica-te melhor que eu não estou a compreender nada?”A linda borboleta então começou a contar a sua história. “Sabes, eu nasci lagarta, como esta que está ali naquele pé de rosa a comer as folhas da roseira e a deixar um rasto de fios de seda. Mas depois, com os fios de seda fiz uma casa e fechei-me lá dentro. Nesse meu mundo fechado, fui-me transformando. Nasceram-me as asas e tornei-me nesta linda borboleta que agora vês. O teu mundo, menino, é muito maior que o meu e com um pouco de imaginação, podes também, teres aventuras lindas e seres muito feliz. Eu mostro-te como se faz. Fecha os olhos e pensa que estás a voar e que nesse teu voo vês coisas lindas. Vais ver que tudo se torne belo e alegre. O menino assim fez e começou a imaginar que estava a voar com a borboleta e com os pássaros, que se tinha tornado numa grande e linda águia, com cores lindas nas suas penas. E que estava a ver coisas maravilhosas à sua volta. Montes e vales cheios de flores, árvores e também um lindo rio com água fresca e azul que corria por um campo rodeado de erva verde com flores brancas e vermelhas. Cheio de sede e com calor, mergulhou nas águas do rio e transformou-se num belo peixe que nadava alegremente contra a corrente do rio. De repente viu-se num lindo vale e reparou que já era menino outra vez. Saiu das águas do rio e deitou-se á sombra de uma linda árvore a olhar o céu azul. Adormeceu e sonhou que era um príncipe e que cavalgava um lindo cavalo branco, livre como os passarinhos. Começou a ouviu a voz da sua mãe a chamar por ele. A sua mãe parecia que estava longe, pois a voz vinha muito fraca e ia ficando cada vez mais forte até que o acordou. Olhou à sua volta e viu a linda borboleta poisada na flor. Aproximou-se e disse muito baixinho. “ Obrigado borboleta. Nunca mais ficarei triste, pois agora já sei sonhar e nos meus sonhos poderei ser quem eu quiser!...A mãe viu o filho muito alegre e também contente perguntou: “Meu filho o que te aconteceu que estás muito feliz? O menino que já não era triste apenas respondeu: Nada querida mãe, apenas observei uma linda borboleta a esvoaçar de flor em flor e isto mostrou-me como o Mundo é belo E viveu feliz e alegre para sempre!...

FIM

terça-feira, 15 de março de 2011

O Macaquinho Verde e o Leão - Fábula Infantil

         




O Macaquinho Verde e o Leão

           Lá muito longe, na floresta africana, numa noite linda de primavera, banhada por uma grande Lua redonda e muito brilhante, nasceu um macaquinho verde.
O macaquinho para além da cor, era também diferente dos outros no tamanho.
 Era pequenino e magro, mas muito brincalhão e inteligente.
 No mesmo dia, nasceu na savana africana um leãozinho forte e grande. Tão forte que os outros de imediato viram nele um líder.
 Com o passar dos tempos, o macaquinho verde cresceu, mas manteve-se sempre mais pequeno e magro que os seus irmãos. Contudo, manteve-se também mais inteligente e ágil que eles.
 Já no meio da savana, o leãozinho crescia e ficava cada vez mais forte e grande.
 Nasceu-lhe uma bonita juba preta à volta do pescoço e a sua pele era de um castanho dourado que quando lhe batia o sol, deixava reflectir raios de luz.
            No reino das árvores, o macaquinho verde, devido à sua agilidade e inteligência, tornou-se o príncipe da floresta.
Do outro lado das árvores, o leãozinho, tornava-se o rei da savana e todos os outros animais o consideravam como o rei dos animais.
 Assim, o leãozinho já crescido, era temido e respeitado por todos.
             No reino das árvores, em plena selva africana, o macaquinho verde também era respeitado como príncipe, pois, devido à sua agilidade e inteligência, era sempre o primeiro a dar o alerta quando o perigo se aproximava e era ele quem indicava o caminho, voando de árvore em árvore para levar toda a família e amigos para longe do perigo.
           Também era ele que conhecia as melhores árvores de frutos que consistia no principal alimento de todos os macacos.
           Um belo dia, o macaquinho, farto das sombras das árvores resolveu dar um passeio pela Savana.
Vendo um lindo lago azul, cheio de sede, resolveu aventurar-se um pouco mais e aproximou-se do lago, tomando todas as cautelas possíveis e olhando bem para todos os lados para ver se não havia perigo.
 Mas não reparou que no meio da erva alta e seca de tons dourados, se encontrava escondido o rei leão que tinha a mesma cor que a erva.
           Quando distraído estava a beber a água fresca do lago, apareceu de repente o leão que de um salto agarrou o macaquinho entre as patas e disse:
 - Ainda bem que apareceste, pois eu estava a ficar com fome e assim já tenho o que comer.
 O Macaquinho muito aflito, antes do leão o meter na boca disse apressadamente:
 - Vossa alteza não se contentará certamente com um macaquinho fraco e doente!...
 -Doente?! Retorquiu o leão um pouco desconfiado.
 Diz-me lá que doença tens?
 O macaquinho que era muito inteligente rapidamente inventou uma doença e disse:
- Vossa alteza não conhece a doença da lua? Pois é essa a terrível doença que eu tenho. É tão grave que encontro-me aqui sozinho. Pois na selva ninguém me quer lá com medo de também a apanhar!...
 Doença da lua? Que doença é essa que eu não conheço? Retorquiu o leão.
O inteligente macaquinho depressa se pôs a explicar a doença:
-Vossa majestade não vê no enorme céu a brilhante lua? Não repara como ela depois de estar tão bonita começa a desaparecer aos poucos e acaba por morrer? É certo que depois nasce outra! mas já não é a mesma! É outra que toma o seu lugar!
 O leão desconfiado perguntou:
- Como é que sei que não estas a mentir?
 O macaquinho, vendo que o leão estava a ficar com medo, respondeu:
-Vossa majestade não vê que eu sou verde enquanto os meus irmãos são cinzentos? Pois quem tem esta doença fica verde e ela é muito contagiosa! Basta alguém tocar-me pata também ficar doente! E o pior, é que só eu sei a cura.
 Fez uma pausa para ver a reacção do leão e continuou:
- Eu arrisquei vir ao seu território para apanhar esta água, pois necessito dela para fazer o remédio para me curar.
- Vossa majestade já deve estar contaminado! Mas não se preocupe! Quando estiver a ficar verde, basta dar um grito que eu venho logo a correr para o curar! Pois sei como esta doença é dolorosa.
- O leão depois de muito pensar, cheio de medo, libertou o pobre macaquinho que prontamente se pôs em fuga para as árvores, salvando assim a sua vida e mostrando a todos que a inteligência é mais importante que a força bruta.
FIM

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

CONTO INFANTIL - O patinho Amarelo - PARA A MINHA NETA LIA

    



Numa quinta onde havia muitos animais grandes, como cavalos, vacas e ovelhas e que era guardada por um grande cão, havia também um pequeno patinho amarelo que andava sempre muito aborrecido por não ter com quem brincar! Perguntava aos cavalos – Cavalinhos, eu sou pequenino não tenho com quem brincar!... Querem brincar comigo? Os cavalos respondiam: - Não podemos patinho! temos de trabalhar! Puxar o arado para lavrar a terra e levar a carroça com os legumes à feira, onde o nosso dono vai vender os produtos da quinta! Vai perguntar aos outros animais?! Perguntava às vacas: - vaquinhas eu sou pequenino não tenho com quem brincar! Querem brincar comigo? As vacas respondiam: - Não podemos patinho, temos de comer muita erva para dar bom leite para o nosso dono vender na cidade e fazer queijos e iogurtes! Vai procurar outros para brincar contigo! O patinho coitado andava triste com a cabeça baixa, pois ninguém queria brincar com ele. Chegou-se junto das ovelhas e perguntou: - Ovelhas querem brincar comigo? Mas estas também responderam: - Não podemos patinho, temos de comer muita erva fresca para dar boa lã para o nosso dono nos tosquiar e vender na cidade! Nas fabricar onde fazem casaquinhos quentinhos para os meninos vestirem! O patinho amarelo coitado, andava sempre de um lado para o outro, à procura de um companheiro para brincar! De repente lembrou-se: Talvez o cão que está ali sempre deitado, não trabalha, queira brincar comigo?! E cheio de esperanças abeirou-se do cão e perguntou: - Cãozinho lindo queres brincar comigo? Eu sou pequenino não tenho com quem brincar? Mas nem o cão da quinta podia brincar com ele! E o cão Disse: - não posso patinho! Tenho de tomar conta da quinta para os ladrões não roubarem e se vou brincar, o nosso dono ficará zangado! Os outros animais ao fim do dia, quando acabavam o trabalho passavam pelo patinho e cantavam:  O patinho amarelo é bonacheirão, anda, anda, anda sempre a olhar p´ro chão! - Um dia, vendo o portão da quinta aberto, pois o dono da quinta tinha ido à cidade e o cão tinha ido beber água! saiu por ele e foi pelo caminho fora à procura de alguém com quem brincar!... Andou, andou e chegou a uma pequena casa à beira de um lago. Cheio de coragem bateu à porta; - Truz! Truz, truz! Lá de dentro ouviu-se uma voz que perguntou Quem é? O patinho amarelo cheio de coragem respondeu: - Sou o patinho amarelo que se sente sozinho e venho à procura de um amigo para brincar?! A porta abriu-se e apareceu um pequeno sapo verde e amarelo que disse: sejas bem-vindo à minha casa. Eu sou o sapo cocas e também estou sozinho! Assim já somos dois para brincar! Depois de muito brincarem, o patinho amarelo disse: -Sabes amigo! A brincadeira está muito boa, mas se houvesse mais alguém para brincar connosco seria muito mais divertido!... Então o sapo cocas lembrou-se que conhecia na floresta um amigo que não se importava de brincar com eles. Assim, meteram-se a caminho pela floresta dentro e encontraram uma casa feita numa árvore. Bateram à porta e ouviram um guincho vindo de dentro da casa. Uíc!, uíc. O patinho amarelo estava a ficar assustado, mas o sapo cocas sossegou-o dizendo:- Não tenhas medo!. É apenas o malandro do meu amigo Chico. Vais ver que vais gostar dele?! À porta da casa apareceu de um salto um pequeno macaquinho que disse: - Viva! Eu sou o Chico chicão e gosto muito de brincar e os amigos do meu amigo cocas também são meus amigos! Vamos brincar os três. Mas só os três? Não tens mais nenhum amigo aqui perto? Perguntou o patinho. Tenho pois?!, podemos ir buscar o senhor leitão que também gosta muito de brincar! E lá foram. Junto a um rio encontraram uma casinha e o Chico Chicão bateu à porta e chamou senhor leitão, senhor leitão! Lá de dentro ouviu-se uma voz: Quem é? Sou eu o Chico Chicão e venho com uns amigos para brincar? A porta abriu-se e apareceu o senhor leitão que disse: Olá amigo Chico! Quem são os teus amigos? O Chico disse: Este aqui ao lado é o sapo cocas que mora no lago e o outro é o patinho amarelo que vive na quinta! Viemos todos brincar contigo! Muito bem disse o senhor leitão, mas esperem um momento que eu tenho uma surpresa. Entrou em casa e chamo: - Tedy, Tedy, vem cá! O Chico chicão olhou para o sapinho e para o patinho e disse muito admirado: Tedy!? Quem é? Não conheço! O senhor leitão sempre viveu sozinho!...Nesse momento apareceu à porta um ursinho que disse: Olá, eu sou o Tedy o ursinho polar e vim do pólo norte onde vivo, para passar umas férias aqui com o meu amigo leitão! Muito bem disse o senhor leitão, apresentando os outros. Ursinho, este que está ao teu lado é o Chico Chicão e vive na floresta; o outro é o sapo cocas que vive no lago e o último é o patinho amarelo que mora na quinta. Agora já somos cinco, já podemos brincar todos juntos. E lá foram brincar. Brincaram à apanhada, à roda, brincaram com as borboletas, com os passarinhos, com as joaninhas, brincaram toda a tarde. A certa altura, o senhor leitão disse: Bem amiguinhos, a brincadeira está muito boa, mas eu tenho de ir fazer o jantar! Brinca mais um bocado ursinho, mas não te demores que já se faz tarde! Assim, ficaram quatro a brincar. Passado mais algum tempo, o ursinho disse: olhem amigos, eu também tenho de me retirar. Sou convidado e é muito feio um convidado fazer o dono da casa esperar. Até amanhã; e saiu. Ficaram apenas os três a brincar e foram a caminho da floresta onde vivia o macaquinho. Quando chegaram junto às árvores e Chico viu que já estava a ficar escuro. O Sol já se estava a esconder no Horizonte. Então disse: - Que pena, o dia está a acabar e eu tenho de ir para casa. Não posso chegar depois do meu pai, senão ele fica zangado. Até a amanhã amigos. Amanhã voltem para brincarmos outra vez! O sapinho vendo que realmente estava a ficar escuro, disse. Bem patinho, eu também vou para casa e tu também tens que ir para a quinta já está a ficar escuro e não é bom anda à noite sozinho! Até amanhã patinho, dorme bem. O patinho lá foi sozinho para a Quinta. Quando chegou ao portão, estava lá o cão que disse: Ora viva patinho! Onde estiveste o dia todo? Eu não te vi por cá? O patinho muito contente respondeu; - Fui brincar, encontrei quatro amigos que brincaram comigo e estou muito feliz. Amanhã vou brincar outra vez! Nisto vinham do trabalho, os outros animais da quinta e ao verem o patinho começaram a cantar: - O patinho amarelo é bonacheirão, anda, anda, anda sempre a olhar p´ro chão! O patinho muito feliz interrompeu a cantiga e disse. Não! Já não é assim que se canta! Olá patinho disse o cavalo. Estás muito feliz! Então diz lá como se canta agora? E o patinho começou a cantar: - O patinho amarelo é um amigão, a uma brincadeira nunca diz que não. O patinho amarelo é um amigão, a uma brincadeira nunca diz que não! E foi para a sua casinha muito contente. Dormiu muito bem e sonhou com os seus novos amiguinhos e com as brincadeiras. E assim viveu feliz para sempre.

F I M

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Um conto infantil - O Príncipe que queria casar

     



Conto Infantil
O Príncipe que queria casar

              Era uma vez um príncipe que queria casar. Então mandou preparar uma grande festa nos jardins do seu palácio e convidou todas as meninas do seu reino.
              No dia da festa foi á varanda do castelo e perguntou às pessoas que estavam no jardim.
              - Quem quer ser a minha noiva?
             Todas as meninas que lá estavam responderam:
              - Quero eu, quero eu!...
             Então o príncipe olhou para o fundo do pátio e viu uma linda menina que estava muito envergonhada e meio escondida por uma árvore. O príncipe chamou-a e perguntou:
             - Como te chamas?
            A menina muito envergonhada respondeu:
             – Chamo-me Alice e venho de um país muito distante que se chama o país das maravilhas!
           O príncipe encantado com a beleza da menina disse:
           - És muito linda! Queres ser minha noiva?
           Alice respondeu que sim.
          O príncipe e a sua princesa foram passear pelos jardins do palácio, mas de repente, lembrou-se que necessitavam de uma bailarina para dançar na sua festa! Então voltaram atrás e o príncipe perguntou às outras meninas:
          - Quem quer ser a bailarina no meu baile?
          - Quero eu, quero eu, respondeu uma menina também muito bonita.
        O príncipe perguntou:
        - Como te chamas?
        A menina respondeu:
        - Chamo-me Bela e sou a bailarina da cidade.
        - Muito bem disse o príncipe. Vamos todos para o palácio. Mas de repente lembrou-se que necessitavam de um padre ou de um santo para os casar? Então perguntou ao povo:
        - Há aí algum padre ou homem santo que nos queira casar?
        Ninguém respondeu.
        O príncipe já estava a ficar triste quando de repente apareceu no seu trenó o pai Natal que disse:
        - Oh! Oh! Oh!….Eu sou o santo Nicolau, mais conhecido por Pai Natal e posso casar-vos se vossa majestade assim o quiser.
        - Obrigado pai Natal disse o príncipe todo contente. Vamos então para o palácio para começar a festa do casamento.
       Nisto a princesa escorregou e magoou um pé.
       O príncipe muito aflito perguntou:
       - Há por aí alguém que possa curar a minha amada?
       Uma voz vinda da multidão respondeu:
      - Eu!... Eu posso curar a princesa!
      O príncipe perguntou:  
      - Como ter chamas?
     A menina que tinha o braço levantado respondeu:
     - Sou a enfermeira Maria e trabalho no hospital da cidade!
     Ainda bem disse o príncipe. Assim já somos cinco. Eu, a princesa, a bailarina, o pai natal e a enfermeira. Cinco dedos tem uma mão. Vamos todos contar. I,2,3,4,5. E com cinco dedos se pode contar muitas histórias, basta usar a imaginação.
   A enfermeira curou o pé da princesa e foram todos para o palácio onde havia uma grande festa. Depois do casamento o príncipe e a princesa foram até ao país das maravilhas, onde viveram felizes para sempre.


                                                            F I M

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

USOS E COSTUMES – DIREITO DAS MULHERES



Continuando com o tema usos e costumes, o Querer e não Poder vai hoje fazer um pequeno resumo, procurando chamar a atenção para dois temas muito controversos, que teimam em se manter em voga em certos países de África e Médio Oriente. A condenação à morte por apedrejamento e a excisão, cujas vítimas são exclusivamente mulheres. O Irão/Iraque, antiga Pérsia, já foi justamente considerada como sendo o berço da civilização, pois foi nesta zona do globo que o ser humano criou as primeiras cidades, inventou a escrita e implementou códigos de conduta. Contudo há usos e costumes, que pela força dos tempos se tornaram leis, que já há muito deveriam ter seguido o exemplo da humanidade e evoluir, aproveitando-se o bom e excluir ou modificando-se o mau. È o caso do apedrejamento da mulher adultera até à morte. Quem não se lembra do famoso caso de Madalena, condenada à morte por esta prática e que Jesus Cristo salvou, fazendo apenas uma simples pergunta.”Quem não tiver pecados que atire a primeira pedra”. E segundo a Bíblia, ninguém teve coragem para atirar a primeira pedra e Madalena foi salva de uma morte horrível. Recentemente, dois mil anos depois, Uma mulher de nome Sakieh Mohammadi Ashtiani, de 43 anos de idade, foi condenada à morte por lapidação, que consiste em enterrar a mulher até à cintura e depois atirarem pedras para a ferir até à morte. Que coisa mais bárbara. E mais grave ainda é que o crime foi apenas e só, uma suspeita de adultério. Como esta senhora, também outras têm sido mortas do mesmo modo e pelo mesmo motivo. Verifica-se que por esses lados a mulher continua a não ter qualquer valor como ser humano. Será que a religião por lá praticada é um entrave para a equiparação mais que justa entre o masculino e o feminino? Será que em pleno século XXI, o homem habitante ou natural do antigo berço da civilização, ainda continua a pensar como no primeiro século? Ou será que há algo mais que o não deixa evoluir? Esta famigerada lei/costume, infelizmente também se aplica em certos países Africanos e o grave é que também nesses países, por coincidência, se pratica como culto a mesma religião. Não quero aqui condenar a religião que, pelo que sei, nada tem a ver com tais práticas, mas condeno o homem que se aproveita a religião, interpretando-a segundo a sua conveniência, mantendo leis apenas dirigidas para a condenação da mulher, procurando assim elevar o sexo masculino. A par desta lei, existe outra, que também muito tem preocupado o Mundo civilizado. É o caso da Amputação genital feminina que também é praticada como uso e costume, principalmente em certos países do centro de África e Médio Oriente. O costume de cortar o clítoris, culpando a civilização e o uso e de um povo, não é motivo suficiente para se privar a mulher de um órgão importante no seu desempenho sexual. Se tivermos em conta que nessa mesma cultura é lícito o homem ter várias mulheres como esposas, ainda mais grave se torna esta aberração chamada de uso e costume de um povo possuidor de tal cultura milenar. O homem e a mulher, como seres humanos são iguais e ser iguais, não é só ter o mesmo aspecto físico mas também e acima de tudo, ter direitos iguais. Não compreendo e, aqui não venham falar em nome de uma cultura, pois não pode e não deve existir cultura que faça distinção sexual entre o masculino e o feminino. Ou peno menos, não pode ser chamado de cultura. A ideia de que ao homem tudo é permitido e à mulher tudo lhe é negado, não pode ter cabimento no Mundo moderno. Caso contrário, estamos a contrariar a própria natureza da evolução humana que nos diferenciou dos restantes animais. O animal chamado irracional, não faz diferença entre sexos, dentro da mesma espécie. Então qual a razão do homem, animal considerado racional o Fazer? Por certo só pode ser por maldade pura que nada tem a ver com cultura de um povo. O Povo merece maior e melhor respeito e, quando se fala em povo, não se está a referir apenas ao sexo masculino, mas também ao feminino. Estes dois usos e costumes bárbaros, a morte por apedrejamento e a mutilação genital feminina, apenas se praticam em culturas atrasadas, onde o intelecto humano não se desenvolveu ao ponto de considerar igualdade entre os sexos. Nestas culturas, o homem, fisicamente mais forte, continua a impor uma escravatura à mulher, que por viver num regime rígido, ainda não se libertou da sua condição de inferior. O medo, a insegurança de uma vida economicamente independente é o grande motivo para esta aparente aceitação da mulher, embora forçada, de tal regime. No dia em que as amarras se soltarem, a mulher viverá muito mais infeliz e o Mundo fica muito melhor. Vamos todos dizer não a estas práticas desumanas, vamos todos apelar pela verdadeira libertação da mulher, pela mais que justa igualdade entre sexos. Ao Irão, vamos todos apelar que mostre ao Mundo que o povo Muçulmano não é bárbaro e que é tão evoluído como o resto do Mundo civilizado, salvando Sakieh Ashtiani de uma condenação que apenas aconteceu por ser mulher.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA


Não vamos fazer orelhas mocas; não vamos dizer que isto não me diz respeito; nem tão pouco vamos pensar que só acontece com os menos cultos. Não!... Não é verdade. A violência doméstica existe em todas as classes sociais e, existe em maior número do que se pensa existir. Prova disto mesmo é o caso passado com Isaura Morais, presidente da Câmara Municipal de Rio Maior, relatado na revista “Maria” referente à semana de 15 a 21 de Agosto do corrente ano. Este flagelo, ainda visto em certos lares e famílias como um caso normal, simples arrufos entre marido e mulher, onde ainda está em voga o velho e triste ditado popular de “ entre marido e mulher não metas a colher”, é bastante anormal, sério e preocupante, para se deixar passar em claro. A coragem de Isaura Morais é o exemplo a seguir por todos aqueles que são vítimas de violência. Toda a violência, seja ela qual for, deve ser banida, custe o que custar. Infelizmente ouve-se com muita frequência cenas de violência contra os idosos, contra as crianças, contra os animais indefesos e principalmente contra a própria companheira ou companheiro. Digo companheiro, porque embora na maioria dos casos a vítima seja a mulher, também há vítimas entre os homens; entre as crianças; entre os idosos; portadores ou não de deficiências. A violência não é apenas física, mas também psíquica e muitas vezes, a violência dirigida através de palavras ou actos, é muito pior do que a física., contudo menos visível. Mas não é por isso que deve ser menos condenável. Todos os actos de violência devem ser combatidos energicamente sem se preocupar em olhar para a classe social dos intervenientes. O crime de violência doméstica é considerado por lei, um crime público e por isso, qualquer pessoa que dele tenha conhecimento, tem o dever de o denunciar. E se o conhecedor pertencer às forças policiais ou ao funcionalismo público, esse dever passa automaticamente a ser uma obrigação. Este crime está previsto na lei nº 59/2007 no seu artigo 152º. Contudo, por lapso ou por flexibilidade da própria lei, a referida revista destaca neste artigo um problema que tem toda a urgência em ser resolvido. O artigo diz: - “Por um lado, temos quase todos os dias notícias relacionadas aos direitos das vítimas, mas por outro temos um sistema que não é capaz de protegê-las.” Segundo a “UMAR” – União de Mulheres Alternativa e Resposta, grande parte das mulheres assassinadas tinham recorrido ao sistema judicial. São mulheres que denunciaram a sua situação e pediram por várias vezes apoio aos Tribunais, mas o sistema não foi capaz de as proteger. E o mais grave ainda é o facto de os agressores serem detidos e depois da audição, sair em liberdade, sendo o processo remetido para inquérito, como aconteceu no caso da autarca de Rio Maior e em muitos outros do género. Se a Lei não é suficiente para privar da liberdade, de imediato, os agressores, há urgência em inverter tal sistema dando garantias à vítima, fazendo-as sentir que de facto, são protegidas e estarão seguras depois da denúncia.
Segundo a APAV – Gabinete Português de Apoio à Vítima, em 2009 registaram-se em Portugal 15904 denúncias de crime de violência doméstica, grande parte destes crimes provocaram a morte da vítima. Segundo ainda a revista Maria, “só em Lisboa há 25 inquéritos por dia e só no primeiro semestre deste ano, a capital registou 4546 novos casos de violência doméstica”. Por aqui se vê que este crime é mais frequente e grave do que muita gente pensa.
No dia 14 do corrente mês de Agosto, em pleno verão, o GAF – Gabinete de Apoio à Família, em Viana do Castelo, organizou uma marcha nocturna pelas principais ruas da cidade com o teme “Dê um passo contra a Violência”. Foi uma iniciativa brilhante, uma vez que Viana, nesta época do ano, está repleta de turistas portugueses e estrangeiros. Esta marcha foi útil não só pelo chamar de atenção parar esta causa, mas também, porque proporcionou aos seus participantes, um pouco de exercício saudável. Tive conhecimento que nesta iniciativa participou a senhora vereadora da cultura da câmara Municipal de Viana do Castelo, mas foi pena que as outras forças vivas da cidade, principalmente os responsáveis pela informação, (os mídia, em português media), a tenham ignorado, apesar dela terem conhecimento. Aqui se vê que este tema ainda não sensibiliza grande parte da opinião pública e é pena. Já não falo da população em geral, uma vez que cada vez mais se verifica que o egoísmo tomou conta da humanidade ao ponto do que de mal se passar com os outros, a nós não dizer respeito. E como tal, ninguém se preocupa. Quem assim pensar, está completamente enganado e pode mesmo ser considerado de pouca ou nenhuma visão.
Neste meu blog, no tema intitulado “VIOLÊNCIA”, publicado em 12 de Fevereiro, já tinha abordado este tema e terminava-o com uma citação de Florbela Espanca que diz: -“Tirar dentro do peito a emoção, a lúcida verdade, o sentimento, e ser, depois de vir do coração, um punhado de cinzas esparso ao vento.” E acrescentei assim se sente o violentado. Cinza lançada ao vento se continuarmos a ter leis brandas de mais e, a pensar que o que se passa com os outros a nós não diz respeito. A violência diz sempre, em qualquer altura, muito a toda a gente e repito, qualquer cidadão pode e deve denunciar tais actos e dispõe de vários meios para tal fim: Através do 112 – Número Nacional de Emergência; 114 – Linha Nacional de Emergência Social ou pelo 800202148 – Serviço de Informação a Vítima de Violência Doméstica, número grátis, ou ainda directamente à PSP, GNR, Ministério Público (Tribunal) e Gabinetes Médico-legais. Em Viana do Castelo ainda pode recorrer ao GAF através do telefone 258829138. Ás vítimas, quero lembrar o direito de serem informadas sobre o que poderá ajudá-las a sair da situação em que se encontram. Não se deixem ficar. Sigam o exemplo de Isaura de Morais. Não há nada que valha a pena salvaguardar. Quando se é vítima de violência, a dignidade do ser humano, o seu bem-estar, é um bem que não se pode dar ao luxo de o ignorar ou de o prescindir. Vamos todos dizer não à Violência doméstica. Vamos todos denunciar tais acto que envergonham a humanidade

domingo, 15 de agosto de 2010

INCÊNDIOS FLORESTAIS



O verão deveria ser sinónimo de lazer, de férias, de alegria, de recuperação das forças para se enfrentar o inverno que se aproxima, mas infelizmente, nestes tempos chamados modernos, o verão passou a ser sinal de preocupação, de medo, de angústia e de incerteza no futuro. Qual a causa? Será o calor? Não! É antes a maldade humana mais uma vez a fazer das suas. Os incêndios que varrem o país de lés a lés , já há muito que especialistas vêm dizer que é fogo posto , embora se torna difícil provar, é a grande verdade. Que interesses levam o incendiário a cometer tal crime? Os fogos florestais não queimam apenas o mato e as árvores. Também destrói propriedades de habitação e o mais grave é que também matam seres humanos e animais. Quantos bombeiros mais, será necessário que morram para se tomar medidas sérias, concretas e rigorosas na prevenção de tais actos? Os países e os seus governos gastam rios de dinheiro no combate ao fogo. Compram ou alugam hidroaviões, helicópteros, fazem-se barreiras para conter o fogo, apostam na formação de pessoal técnico, tudo com o propósito de combater eficazmente o fogo. É de louvar, mas não é o suficiente. O que é feito para se prevenir os incêndios? Pouco ou nada. As matas continuam repletas de ervas daninhas e não há uma lei rígida, que obrigue os seus proprietários a tal limpeza. E o mais grave é que o próprio Estado é quem dá o mau exemplo. Ouvi na televisão o ministro falar na possibilidade de se fazer uma lei que legitime o Estado a tomar posse das matas que não forem limpa. Será uma boa medida se complementada com a possibilidade de qualquer cidadão poder também adquirir as matas do Estado nas mesmas condições. Talvez assim a mentalidade mude para melhor. Tantos detidos nas cadeias por crimes menores que estão apenas a dar despesa ao Estado. Não seria mais útil à sociedade e ao próprio Estado aproveitar tal gente para fazer a limpeza das matas? Em vez de comprar ou alugar aviões, esse dinheiro não seria mais bem aplicado na prevenção, na vigilância? Dividir a mata do país em cantões devidamente vigiados por guardas florestais não seria menos dispendioso? E que tal haver uma lei mais severa para os incendiários? Passar meia dúzia de anos na cadeia a comer e a dormir abrigado à custa do Estado, para muitos é mais um prémio do que um castigo. Para certos crimes, nos quais saliento os de fogo posto e aqui incluo também os possíveis mandantes, a pena deveria ser perpétua e com trabalhos forçados. Só assim o incendiário procuraria pensar duas vezes antes de cometer tal crime É triste pensar que há seres humanos que só aprendem com castigos severos, mas se assim for, paciência, assim será para o bem da humanidade. Não venham culpar o calor, pois em mil fogos, possivelmente um será provocado pela mãe Natureza e mesmo esse é alimentado pela incúria do homem que não tomou as devidas providências para o evitar. A limpeza das matas na primavera é meio caminho andado para a prevenção dos incêndios de verão. Se não houver mata para queimar, o fogo posto pelo incendiário dificilmente progredirá. Com medidas acertadas estou convicto que o verão voltará a ser sinónimo de alegria, de férias de divertimento, de uns bons dias passados à beira mar. Portugal e os portugueses merecem mais atenção por parte dos governantes e a Natureza agradecerá pela certa. Menos fogos, melhor ambiente, mais saúde.Vamos todos denunciar os malditos incendiários.

sábado, 14 de agosto de 2010

PENA DE MORTE


Em pleno século XXI ainda se discute a legalidade ou não da pena capital, também chamada pena de morte. É com grande mágoa que vejo o ser humano evoluir em certas matérias, principalmente na área da ciência e ao mesmo tempo verificar que no plano mental, continuamos muito atrasados. Em 1780 antes de Cristo apareceu o primeiro código de leis escrito, o chamado Código de Hamurabi, (um importante senhor da Babilónia daquele tempo), no qual fazia referência à já na altura, polémica lei de Talião que dizia “aquele que causar a morte a outro, terá como castigo também a morte; aquele que tirar um olho a outro, terá como castigo a perda também de um olho. Era a Lei de olho por olho, dente por dente, ainda muito conhecida nos tempos de hoje. Há cerca de dois mil anos, um homem com uma visão muito acima da norma, ainda mesmo nos dias de hoje, de nome Jesus Cristo, veio dizer que essa lei estava errada e que ninguém tinha o direito de tirar a vida de outro a não ser Deus. Contudo, também Ele foi injustamente condenado à morte. Se isso não tivesse acontecido, conhecendo-se a sua história, que mais maravilhas teria Ele feito!? Dois mil anos depois, o homem continua a condenar o seu semelhante à morte como se fosse o senhor absoluto da verdade e da justiça. Nada mais errado e grave. Quantas condenações, com o passar do tempo se vão apurar e verificar, terem sido mal feitas? Os erros da Justiça são constantes, pois os juízes são humanos como o réu e também eles estão sujeitos a enganos, devido à má avaliação das provas apresentadas na altura do julgamento e que podem muito bem ser forjadas, ou adulteradas por vontade própria ou não, por outros seres humanos. A condenação à morte, depois de consumada, não pode ser desfeita e no caso de ter havido um erro de avaliação do caso, então maior será o erro cometido com a decisão. É neste contexto que sou contra a pena de morte, uma vez que a certeza absoluta não existe e como tal, deverá sempre haver uma alternativa de se remediar o erro que em certa altura se cometeu.  Com a pena de morte isso não será possível. É certo que, com a cabeça quente, sem as ideias no lugar, quando alguém é acusado de ter cometido um crime grave e hediondo, o primeiro pensamento é a condenação à morte. É próprio da natureza humana tal pensamento. Mas também o é a ponderação o bom senso. E este, remete-me para arranjar uma condenação severa, mas não definitiva. Com o bom senso, a pena capital não pode existir.
Os países da Europa, embora com um passado vergonhosamente rico em tal prática, já aboliram a pena capital há muito tempo e felizmente outros países como os da Oceânia e também o Canadá, México, África do Sul, Angola e Moçambique, seguiram o exemplo europeu. O Brasil e outros países da América do Sul, da África e também a Rússia, embora ainda tenham legalizado tal atrocidade, já a não a praticam há muito tempo. Contudo,outros não menos importantes em termos históricos como os Estados Unidos da América, a China, a Índia e o médio Oriente, ainda continuam a viver no tempo de Hamurabi e a pena de morte continua a ser aplicada com frequência. Aqui tenho que destacar pela negativa, os E.U.A. e a China, que como potências militares mundiais, deveriam ter dirigentes mais humanos e acabar de uma vez por todas com uma pena altamente injusta, uma vez que é prova provada  que a certeza absoluta não existe. O que hoje parece verdade amanhã poderá ser mentira. E mesmo que a verdade venha no futuro ser confirmada como absoluta, com o recurso a novas tecnologias que poderão surgir, deverá sempre ser levado em conta a recuperação do réu, uma vez que este é humano e como tal, susceptível de errar como qualquer outro ser humano.
Nos tempos mais tristes da historia da humanidade, refiro-me ao século XVII, altura de inquisição religiosa, a Igreja condenou à morte um célebre cientista, e aqui refiro-me ao grande Galileu Galilei, pelo facto deste afirmar que era a Terra e não o Sol que se movia. Uma verdade hoje confirmada, mas que naquela altura foi considerado heresia. Aqui se verifica que o que hoje é verdade, amanhã poderá não o ser. Então porque continuamos a condenar à morte seres humanos que podem não ser o verdadeiro réu? Admito e compreendo que esta prática apenas continua a ser aplicada por pura ignorância ou pura maldade, que continua a ser um sentimento muito activo em certas mentes humanas.
Vamos todos dizer não à pena de morte. Vamos todos dizer sim à vida.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

ANIMAIS DE COMPANHIA -ABANDONO




Desde os tempos mais remotos da Terra que o homem procura viver em sociedade, não só pelo facto de melhor se defender, uma vez que em conjunto é muito mais fácil organizar uma defesa contra os seus inimigos, mas acima de tudo por necessidade de companhia.
Nas comunidades formadas pelo ser humano composta por seus iguais, surgiam com grande frequência desavenças que mais tarde ou mais cedo levavam a uma luta pelo poder, com objectivo de liderança, adquirindo assim cada vez mais privilégios. Para evitar tais lutas, os mais pacíficos procuraram o isolamento, surgindo assim os chamados eremitas. Foi nesta classe que surgiu a necessidade de encontrar outro ser não humano, para companhia, pois era muito doloroso viver sozinho. Depois de muitas tentativas, a escolha recaiu sobre o lobo que depois de domesticado se tornou um animal excelente, não só pela companhia que proporcionava, mas também pela ajuda que dava na caça e na própria defesa do seu dono companheiro e da sua habitação. Assim surgiu com o passar dos tempos, o cão doméstico, como animal de companhia por excelência, cuja escolha perdura até aos dias de hoje. Depois do cão, surgiu o gato e depois outros, formando hoje uma vasta gama de espécies, que é utilizada para minimizar a solidão dos seres humanos, cada vez mais isolados entre si. Hoje é normal ouvir-se que mais vale confiar no cão do que nos homens. Com o passar dos tempos e com a vivência cada vez maior entre o homem e o animal de companhia, surgem histórias verídicas que mostram a grandeza do animal quando se trata de amizade pura. Há animais que quando perdem o seu dono amigo, por morte deste, deixam de comer e acabam por morrer também. Outros acompanham os seus donos por todo o lado e defendem-no até à morte se algo os ameaça. Tanto amor, tanto carinho mostrado por estes animais que apenas querem como paga um pouco de comida e muito carinho.
Hoje, a grande evolução dos tempos, leva cada vez mais o ser humano a uma vida de stress, tornando-se mais do que necessário, ter por amigo sincero e útil, um animal. Contudo, para se poder manter o animal com dignidade que este merece, é necessário haver uma escolha acertada da espécie, tendo em conta a situação económica, as instalações e a disponibilidade para acolher o novo companheiro. O animal é como uma criança que ainda não aprendeu a falar e, por isso, é necessário que o seu dono e companheiro esteja atento aos sinais, para poder não só proporcional ao seu companheiro uma vida sã, mas também para se salvaguardar a si próprio e há sua família, de possíveis doenças que este possa apanhar e transmitir. A escolha do médico veterinário é muito importante, assim como também o é, ter sempre as vacinas e desparasitações em dia.
O animal de companhia transmite ao seu dono e companheiro, uma alegria constante e proporciona sempre a este um bem-estar e a sensação de não se encontrar só em certos momentos da vida.
Neste contexto, não posso compreender o ser humano que, apenas por comunidade, abandona os seus amimais de companhia quando quer ir de férias, ou quando estes, por qualquer outro motivo, se torna incómodo. E o mais grave é que, no regresso das férias, sentem falta do animal e vão logo arranjar outro para o substituir, como se de uma coisa qualquer se tratasse. Será que essas pessoas fazem o mesmo aos filhos? Ou aos pais depois de velhos? Não admira haver cada vez mais velhos em lares completamente abandonados pelos seus familiares. Alguns seres humanos, de humanos nada têm, e por puro egoísmo abandonam os seus progenitores quando estes já nada lhes podem dar, assim como abandonam os seus animais de companhia quando estes se tornam incómodos aos seus propósitos.
Há cada vez mais animais abandonados na via pública sem razão para tal.Vamos todos lutar contra essa aberração.
Há dias, no facebook, um amigo mandou-me um vídeo que muito me comoveu. “Em Curitiba, no Brasil, um jovem foi baleado em plena rua e caiu morto. As pessoas passavam, olhavam e nada faziam. Pouco tempo depois, surgiu um cão, talvez o animal de companhia do infeliz jovem, que depois de rodear o corpo do jovem caído, sempre com o rabo metido entre as pernas em sinal de respeito, deitou-se ao seu lado e de lá não saiu até o corpo ser recolhido. E mesmo depois disso, acompanhou a ambulância que levava o corpo do seu amigo.” Eu pergunto: Afinal quem é o animal irracional? Quem é o ser pensante? Quem é o amigo do amigo?
Pelo o que sei, por conversas que tenho ouvido e por cenas que tenho presenciado, este não é um caso isolado. O que se passou em Curitiba, já tem acontecido noutros lados e não apenas com cães, mas também com gatos..
Não há nada mais cruel do que abandonar um amigo indefeso por puro egoísmo. Lembre-se, que pode acontecer, que na hora da sua morte, o seu animal de estimação poderá ser a única companhia que tenha ao seu lado.
Pensem nisto antes de abandonarem um animal seja por que motivo for. Nada justifica o abandono, uma vez que há meios de os proteger ou de os deixar temporariamente em segurança se for o caso de os não poder levar também de férias. Vamos todos dizer não ao abandono dos nossos amigos.Apenas por curiosidade: - As duas gatinhas que aparecem na fotografia acima, são os meus queridos animais de companhia.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

USOS E COSTUMES - VÉU



Depois de um período de pausa por opção, o Querer e não poder volta novamente a escrever, tendo escolhido para reiniciar as suas publicações, um tema muito polémico que se encontra em voga, como se de uma moda se tratasse. O Uso do véu em certas culturas reconhecidas mundialmente.
Começo este polémico tema com uma citação do ilustre médico indioamericano o Dr. Deepak Chopra “ O que for a profundeza do teu ser, assim será teu desejo; O que for o teu desejo, assim será tua vontade; o que for tua vontade, assim serão teus actos; o que forem teus actos, assim será teu destino.”
Esta citação vem dizer precisamente que cada um é livre de escolher o que quer fazer da sua vida, independentemente de qualquer credo, religião ou política orientadas pelo homem.
Desde os tempos mais remotos da humanidade, que os usos e costumes teimosamente tendem em fazer leis consideradas válidas e seguidas religiosamente pelo povo que foi o seu criador. Analisando friamente os escritos considerados sagrados, verifica-se em todos eles, independentemente da religião a que dizem respeito, existir no seu conteúdo, uma grave e permanente submissão do feminino ao masculino, que é realçada nesses livros, com a teoria da criação. Dizem os velhos textos que “Deus do barro criou o homem à sua imagem e semelhança e de uma costela deste, fez a mulher sua companheira.” Logo aqui, verifica-se haver uma classificação menor do sexo feminino que foi feito de uma simples costela do homem, enquanto este, foi feito da terra e semelhante a Deus seu criador. Logo também ele considerado deus. Nada mais erróneo, mas que os usos e costumes têm mantido até aos dias de hoje, como regra a seguir.
A religião sempre impôs à mulher o uso do véu como sinal de respeito perante Deus e perante o homem “seu senhor”. Com o passar dos tempos, o uso do véu pela mulher foi sendo frequentemente substituído pelos cabelos e é a própria Bíblia, em Coríntios cap.11, vers.13 e seguintes que diz “julgai entre vós mesmo: é decente que a mulher ore a Deus descoberta? Ou não vos ensina a mesma natureza que é desonra para o homem ter cabelo crescido? Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar do véu.” Na religião católica, ainda muito recentemente, em meados do século XX, a mulher não entrava numa igreja sem o véu na cabeça, em sinal de respeito. Este uso e costume foi-se modificando e hoje, finalmente cumpre-se as escrituras em coríntios. O véu outrora usado, foi literalmente substituído pelo cabelo. Contudo, ainda hoje, em certas religiões e regiões do Mundo, o véu continua a ser imposto às mulheres, fazendo destas verdadeiras escravas de um costume que teima em não cair em desuso. Essas infelizes mulheres, ainda não atingiram a liberdade de com os seus actos, escolherem livremente o seu destino.
O mundo islâmico, felizmente não na sua totalidade, ainda condena e castiga a mulher com base neste costume ridículo do uso obrigatório do véu. O véu islâmico é mais do que um pano para cobrir o rosto, este faz parte de toda uma cultura baseada no sagrado e é visto como um sinal de respeito e recato apenas imposto à mulher já que o homem, como superior por ter sido feito à imagem de Deus, está acima de todos esses usos e costumes. Nessa cultura e religião, a mulher muçulmana usa o véu “HIJAB”, uma vez que Deus assim ordenou na passagem escrita no Alcorão. “ Dizei às fiéis, que recatem os seus olhares, conservem os seus pudores, e não mostrem os seus atractivos, além dos que normalmente aparecem; que cubram o colo com os seus véus e não mostrem os seus atractivos, a não ser os seus esposos…”
Sabendo como sabemos, que em grande parte do Mundo a religião está interligada ao sistema político, pergunta-se: No caso muçulmano, o uso do véu será devido à religião ou à tradição? Os interesses políticos e religiosos em certos países estão na mão dos homens e este continua a usar esses poderes, para subjugar e moldar a mulher a seu belo prazer, uma vez que esta não tem qualquer liberdade e força para mudar tais atitudes. Essas mulheres continuam a ser escravas dos milenares usos e costumes que as considera inferiores ao homem.
Num contexto mais largo dos usos e costumes, o véu islâmico é visto por uns, como coisa natural que faz parte de uma cultura própria e milenar, não vendo por isso qualquer estigma, domínio ou maldade para com a mulher. E é visto por outros, felizmente em número cada vez maior, como elemento usado para alienar e humilhar a mulher, roubando-lhe a própria identidade e vontade.
Se por um lado o véu dá à mulher uma certa liberdade porque as iguala, não havendo distinção de ricas e pobres, de feias e bonitas, nem alimenta uma competição aberta para procurar atrair sexualmente o sexo oposto, por outro, submete-as a uma escravatura tal, que perdem por completo não só a sua identidade como ser humano, mas principalmente como mulher, símbolo do belo, não permitindo expor a vontade própria de se sentir desejada como qualquer ser livre.
Nem todos os “HIJAB” (véu islâmico) são ofensivos e contrários aos direitos da mulher. Existem vários tipos de véus e a maioria pode mesmo ser denominado de traje regional aceite dentro do folclore próprio das diversas regiões do Globo. Contudo o véu islâmico denominado de BURCA (Burka) é uma espécie de manto que cobre todo o corpo da mulher, incluindo os olhos, tradicionalmente utilizado no Afeganistão e no Paquistão, este sim, é ofensivo à dignidade do ser humano e contrário à tão desejada liberdade da mulher no sentido de se alcançar rapidamente a igualdade entre os sexos que há muito o Mundo luta para conseguir.
Países muçulmanos moderados, como a Turquia e a Tunísia, já proibiram tal uso em locais públicos e no resto do Mundo livre, a França foi pioneira na proibição de tais costumes fundamentalistas. Estou convicto que o resto do Mundo, incluindo mais países muçulmanos acabem por considerar tal proibição como um bem para a humanidade que em muito vem dignificar a mulher, repondo assim, a justiça há muito reclamada.
Se por um lado eu admito aceitar o hijab na sua forma mais liberal que se confunde com os tradicionais trajes regionais, já tenho muita relutância em aceitar a burca fundamentalista uma vez que considero tal traje ofensivo à dignidade da mulher.
Não quero aqui no meu blog dizer quem tem ou não razão, pois não tenho competência nem autoridade para tal, mas quero finalizar este tema com a frase célebre de René Descartes “ Aquele que procura a verdade deve tanto quanto possível duvidar de tudo.” Neste contexto tenho o direito de duvidar das burcas e de todo o tipo de coisas que contribuam para o mal estar do ser humano, ou que possam servir para encobrir actos condenatórios, como infelizmente acontece com as chamadas mulheres bomba, utilizadas pelos fundamentalistas islâmicos contra outros povos ou governos. 

quinta-feira, 10 de junho de 2010

PORTUCALE

O Querer e não Poder vai desta vez pronunciar-se de uma forma muito aligeirada, sobre a História. Digo de uma forma muito aligeirada por não ser intenção, ensinar o que quer que seja a quem quer que seja. Portucale foi em tempos um reino Suevo situado a ocidente da Península Ibérica, onde mais tarde apareceu este pequeno mas maravilhoso país a que chamamos Portugal. A história que aprendemos nos nossos primeiros anos de estudo, diz-nos que tudo começou com uma batalha entre filho e mãe (Afonso Henriques e sua mãe Teresa), mas na verdade, o que aconteceu foi uma luta de um Povo em busca de afirmação. A querer ser uma Nação independente. Para isto, não só o nosso primeiro Rei teve de lutar contra os partidários de sua mãe, como também teve de negociar com o Papa. De um pequeníssimo território, conhecido por condado, Os nossos primeiros Reis e o seu Povo, impuseram-se com determinação e afirmaram o seu poder com conquistas de território até formarem este pequeno País. Pequeno país agora, pois nem sempre foi assim. Na era das descobertas, Portugal e Espanha chegaram a dividir em dois o Mundo, metade para cada um. Foram estes dois povos que sem condições de segurança, se aventuraram pelo oceano a dentro, à procura de novas terras, de novos povos. Nesse tempo e que durou até meados do século vinte, Portugal não só teve presente na administração de territórios espalhados pelos cinco continentes, como também aí deixou a sua influência. Na América era senhor do Brasil; em África, de Angola; Moçambique; Guine; Cabo Verde e das ilhas de São Tomé e Príncipe. Na Ásia, na enorme índia, contava com Goa, Damão e Diu, seguindo mais para o oriente, também foi senhor de Macau e na Oceânia possuía o território de Timor-leste. Isto, sem contar com as muitas feitorias e comunidades espalhadas pelo resto do Mundo. Pela história, pela influência, pelo povo que ainda continua espalhado pelo Planeta, não se compreende o porquê do português não ser considerado língua universal. O inglês e principalmente o francês, que história têm a mais que nós para ter tal privilégio? É certo que hoje somos um país pequeno. Mas será que só isto é o suficiente? Hoje estamos inseridos economicamente no continente europeu. Também já dependemos dele na política. Será que no futuro, também a nossa entidade como Nação desaparecerá? As perguntas ficam no ar e talvez no futuro alguém venha a esclarecer o assunto. O vinte e cinco se Abril é e será sempre apenas lembrado como o dia da revolução dos cravos que muitos apelidam de dia da liberdade, mas o dia de Portugal sempre será o dez de Junho. É este o dia que deu a verdadeira identidade a este pequeno país. O dia dez de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades será sempre celebrado pelos verdadeiros portugueses como dia da Nação Portuguesa..

sábado, 15 de maio de 2010

MINHA TERRA MINHA GENTE III - MOÇÃMEDES

Tinha prometido a mim mesmo, não voltar a falar de Angola no meu Blogue, mas a força daquela terra vermelha, aquele cheiro a café e a caju, levou-me a quebrar a minha promessa. Assim, resolvi hoje falar um pouco da cidade onde nasceu o meu pai e que eu também a considero como minha. A princesa do Namibe como Moçãmedes era justamente chamada, é uma cidade que nasceu para separar a Mar do Deserto e que os seus habitantes souberam acima de tudo, impor a vontade humana à grande força da Natureza, fazendo das áridas areias do deserto, terra de cultivo produtivo. Apesar da cidade estar plantada em pleno deserto, não havia qualquer quintal sem a sua horta, onde se cultivava um pouco de tudo e com alta qualidade. O tempo que vivi nessa maravilhosa cidade do Namibe, residi em casa do meu avô paterno, numa vivenda situada mesmo em frente do famoso Bairro chamado Sanzala dos Brancos. Meus pais viviam em Vila Arriaga e mandavam caixas com mangas e imbondeiros que o meu avô vendia no próprio quintal para assim ajudar a custear os meus estudos e de mais dois irmãos meus. Meus pais não eram ricos e o meu avô era enfermeiro reformado. Assim todo o dinheiro que se conseguisse angariar era pouco. No quintal do meu avô, nas poucas videiras que tinha, colhia-se cachos grandes de uvas, que em nada ficavam a dever às da metrópole. Em Algumas ruas da cidade havia oliveiras com azeitonas que vinham contrariar a política de então, que dizia que em Angola a Oliveira não se dava e que o azeite teria de ser exportado da Metrópole. Quem conheceu Moçãmedes, sabe bem que isso não era verdade e que nas hortas junto ao rio Bero, principalmente nas hortas chamadas do Torres e, na do Benfica, havia azeitonas de alta qualidade, além de outras frutas, das quais destaco os maravilhosos manguitos. Por ser uma cidade banhada por um mar maravilhoso, Moçãmedes era acima de tudo uma cidade que vivia essencialmente da indústria pesqueira espalhada pelas diversas praias, das quais destaco a Praia Amélia, o Baba, Baía das Pipas, Chapéu Armado e Saco Mar que nas últimas décadas se desenvolveu bastante, à custa do terminal ferroviário e do seu Porto marítimo para navios de carga de alto porte que escoava o minério de ferro proveniente das minas de Cassinga, principalmente para a Alemanha e Japão. Os habitantes mais antigos ainda vivos, lembrar-se-ão certamente do rústico mercado de peixe esculpido na rocha argilosa à beira mar, que fazia do Namibe um lugar único e maravilhoso. Apesar de estar situada no deserto, a água potável nunca faltava nas torneiras das casas, pois os seus habitantes, souberam fazer de um lugar seco e árido, um lugar aprazível à vida, com todas as comodidades próprias de uma cidade em pleno crescimento. Sim, digo pleno crescimento, porque era na realidade isso que estava a acontecer em Moçãmedes. E o mais interessante é que em vez de crescer em direcção oposta ao deserto, era precisamente ao contrário. Entrava pelo deserto a dentro, acompanhando sempre a orla marítima. No carnaval via-se como esta cidade era animada e bairrista. Vivia-se o carnaval em festa! uma festa saudável onde toda a gente brincava. Havia os tradicionais combates com flores, água e saquinhos com farinha que se atiravam uns aos outros, entre carros alegóricos dos diversos bairros dos quais aqui apenas vou salientar os mais conhecidos e emblemáticos, como a bairro da Facada, o bairro da Aguada, o bairro da Torre do Tombo, o bairro do Benfica, o bairro do Mucaba e naturalmente o famoso Sanzala dos Brancos, que tinha ao fundo o moderníssimo cine Impala. Quem não se lembra das lindíssimas furnas junto ao aeroporto e que muita gente dizia ter ligação com o vulcão do Iona, “tese não comprovada” que muitas brincadeiras proporcionaram aos seus habitantes mais pequenos e traquinas e refúgio seguro aos pares de namorados. Quem nunca provou os maravilhosos caranguejos das hortas que se comia no Mamede da Aguada, não pode dizer que conheceu Moçãmedes. Em Março eram feitas as famosas festas da cidade conhecidas pelo Slogan Moçãmedes, Mar e Março. Embora os meses mais quentes fossem Janeiro e Fevereiro, era em Março que a praia das Miragens se enchia de gente, principalmente proveniente do Lubango. Da secular fortaleza onde estava instalada a Polícia, via-se o lindíssimo e enorme jardim marginal ou das arcadas, que ocupava quase na totalidade a baixa da cidade do Namibe. Um lugar verdadeiramente aprazível, onde os “cabeça de Pungo” gostavam de dar o seu passeio dominical que normalmente acabava com uma paragem quase obrigatória na cervejaria Avenida, junto ao cine Moçãmedes. Era à volta desse maravilhoso jardim onde o velhote Faria, também conhecido pelo o homem do saco deambulava todos os dias com o seu saco às costas, que se realizava as famosas corridas de automóveis, onde além de outros nomes sonantes, como Santos Pêra, Emílio Marta, Zé Caputo, destaco com inteira justiça o de Henrique Ahrens de Novais, sempre aplaudido como ídolo de Moçãmedes, que com o seu porsche fazia maravilhas. Sem sombras para dúvidas, aos três M mais famosos de Angola, que caracterizavam esta cidade, eram as iniciais de Moçãmedes, Mar e Março e aqui com inteira justiça, acrescento mais um, o de Mulheres bonitas e que me perdoem as outras mulheres não menos belas, apenas aqui lembro a Olga Reis, a Celina Bauleth (Riquita), Lurdes Pinto, Paula Turra e Lídia Ferreira. Não nasci em Moçãmedes, mas foi nessa cidade que iniciei os meus estudos secundários na Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique, por isso, quando me chamam cabeça de Peixe ou cabeça de Pungo, diga sempre. Com muita honra!... Zona balnear por excelência, o mar de Moçãmedes, tinha águas cristalinas que permitia ver as lagostas a andarem no fundo de área fina, mostrando assim a enorme riqueza que aquele mar proporcionava aos seus habitantes. A praia das conchas, onde se apanhava as magnificas ostras e os suculentos mexilhões, era outro lugar alternativo à praia de banhos, para quem apenas procurava apanhar um pouco de iodo de uma forma divertida e saudável. Aqui aproveito para fazer um apelo aos Moçamedenses. Nunca se esqueçam do convívio anual nas Caldas da Rainha que se realiza no primeiro fim-de-semana de Agosto. Não deixem morrer esta tradição.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

SINAIS



Desde os tempos mais antigos que a Natureza dá sinais da sua fúria, do seu descontentamento com a humanidade que acolheu no seu seio. Houve vários desastres no Planeta, desde os tempos mais remotos até aos dias de hoje que mudaram o Mundo. Desde o desaparecimento dos Dinossauros à muito recente erupção de um vulcão na Terra do gelo e do fogo, a Islândia, que paralisou o Mundo, a Natureza tem dado sinais de que algo está a mudar constantemente e que um dia, mais cedo ou mais tarde, mais uma vez a civilização dominante do momento, desaparecerá para sempre e um novo renascer surgirá na Terra que habitamos apenas como hospedes. Apenas para lembrar os mais desatentos, exponho aqui uma pesquisa feita por mim que mostra claramente que os seres humanos não são nem de perto nem de longe, os donos do planeta. Desde a morte dos dinossauros há 65 milhões de anos que a Natureza vem mostrando periodicamente quem manda em quem. Erupções vulcânicas, terramotos, furações, ondas de frio intenso, que provocaram a idade do gelo, calor enorme que fez secar o Mar Mediterrânico e o aparecimento do deserto do Sara, inundações como a do tempo de Noé, os grandes incêndios como os de Roma no tempo de Nero, de Londres em 1664 e o de Chicago em 1871, os grandes tsunamis que espalharam o terror na Ásia, tudo isto associado às doenças como a peste negra, a misteriosa doença da transpiração, a varíola, a Cólera, a doença do sono e outras não menos mortíferas que apareceram através dos tempos, das quais a mais recente é a SIDA, ameaçam fazer desaparecer a humanidade a qualquer momento. Contudo, desde o seu aparecimento na Terra, o ser humano tem sabido sobreviver a todos estes cataclismos que assolam o nosso Planeta, mas até quando? Há quem diga que todos estes sinais dados pela mãe Natureza servem apenas para ela própria repor o equilíbrio necessário, sempre e este esteja em causa. Mas também pode muito bem ser avisos que a Natureza nos manda, dando-nos a hipótese de mudarmos o nosso comportamento enquanto é tempo. O último período glaciário terminou há cerca de 10.000 anos. Poderá o próximo estar a caminho? Sinais como a caminhada dos desertos em direcção ao equador, o degelo dos pólos, as constantes erupções vulcânicas, as inúmeras alterações das placas tectónicas que sustentam os continentes e provocam os terramotos e os tsunamis, são sinais que preocupam os cientistas que continuam a acreditar que no fim, não será o gelo, mas o fogo que destruirá parte da vida na terra. A humanidade certamente com os conhecimentos que tem, sobrevivia, mas a civilização tal e qual como a conhecemos desapareceria do planeta. Até lá, muito ainda há a fazer e cabe a nós humanos, enfrentar as crises que forem surgindo e procurar com a ajuda da ciência, preservar o nosso planeta para as futuras gerações. Os primeiros passos estão dados. Agora, o necessário é apenas coragem para em nome da humanidade e do bom senso, acabar de uma vez por todos com as indústrias que provocam gases prejudiciais que estão a destruir o escudo protector da Terra. Sem ele, tudo virará cinzas e o fogo ganhará a batalha que se adivinha. A profecia antiga avisa-nos que desta vez o Mundo terminará em fogo. Não se sabe se esse fogo surgirá da Terra ou virá do espaço em forma de meteorito. Não é uma certeza, mas é um aviso que deveremos levar muito a sério. Os cientistas assim pensam, por isso cabe aos políticos ouvi-los com muita atenção e por em prática um plano salvador. Os sinais estão aí, cada vez mais fortes e constantes. É necessário interpretá-los o melhor possível.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

PORTUGUESES ULTRAMARINOS – ESPOLIADOS DO ULTRAMAR




O querer e não poder chegou a vez de falar um pouco da grande fraude económica praticada por portugueses da metrópole aos portugueses ultramarinos. Já não bastava o escudo do Ultramar valer muito menos do que o escudo da Metrópole, sem se perceber bem o porquê, uma vez que a economia de Portugal estava solidamente apoiada nos produtos do Ultramar. O Ultramar mandava para Portugal produtos como a algodão, o café, O sisal, o cacau, o açúcar, o tabaco e madeiras de alta qualidade, além dos produtos minerais como ouro, ferro, cobre, talco, petróleo, prata, mármore, diamante e, recebia em troca, vinho, azeite, bacalhau e frutos secos como nozes, amêndoas e avelãs. É fácil perceber que o saldo económico seria muito favorável às províncias ultramarinas, mas não. O saldo destas, era incompreensivelmente sempre devedor. Neste contexto, a moeda ultramarina o “escudo”, era cotada muito abaixo da moeda da metrópole o “escudo”.Ambas com os dizeres República Portuguesa. Escudo por escudo só no nome. Era um roubo declarado que o governo da metrópole fazia. Dou um exemplo! Alguém que tivesse a sorte de acertar na lotaria nacional e que ganhasse naquele tempo 250.000 escudos, fosse em escudo da metrópole ou em escudo ultramarino, receberia os correspondentes 250.000 escudos. Não havia qualquer diferença, uma vez que o território era o mesmo. Tudo era Portugal. Assim, se o bilhete premiado fosse descontado nos representantes da Santa Casa da Misericórdia na metrópole recebia 250.000 escudos metropolitanos. Se o bilhete fosse descontado nos representantes da mesma Santa Casa sediadas nas províncias ultramarinas, recebia os mesmos 250.000 escudos ultramarinos. Só que trazidos para a metrópole, os escudos ultramarinos não valiam nada. E aqui é que estava o roubo. Apesar disto, os portugueses do ultramar que sempre tiveram um espírito de alta solidariedade, nunca se importaram com tal injustiça. No Ultramar não havia miséria e ninguém passava fome e acima de tudo, todos, independentemente de serem ou não nascidos nas províncias, eram acarinhados e ajudados assim que chegassem ao ultramar. Esta solidariedade era tão forte que ainda hoje, os nascidos na metrópole que viveram no ultramar, falam com grande saudade da enorme camaradagem e da verdadeira amizade que lá existia. Ninguém lutava por heranças, ninguém se zangava com familiares, amigos ou conhecidos por causa do dinheiro, ninguém negava um empréstimo fosse a quem fosse e, ninguém se preocupava em ter um título de dívida por tal empréstimo, pois sabia que quando fosse possível, o mesmo seria restituído. A confiança era total e não consta que alguém se tenha decepcionado com tais atitudes. Por isso, a grande maioria foi apanhada desprevenida, quando se deu o 25 de Abril. Aqueles, e não eram poucos, que tinham dinheiro depositado nos bancos portugueses, pois só bancos portugueses havia então no ultramar, não conseguiram levantar as suas economias, uma vez que a banca receava cair em situação económica difícil ou mesmo de falência, se autorizasse tais levantamentos. Assim, espoliaram milhares de portugueses de milhões de escudos, que até hoje, ainda não foi dado qualquer explicação, para onde foi, ou onde se encontra esse dinheiro. Alguém ficou com ele e o responsável é apenas um. Portugal. Assim, não se compreende a razão pela qual ainda não foram as contas saldadas pelo Estado. Os espoliados do ultramar estão representados por associações. Os de Angola pela AEANG  e os de Moçambique pela AEMO. Muitos destes espoliados infelizmente já faleceram, outros ainda estão vivos e de boa saúde. Mas mesmo os falecidos têm descendentes que os representam. O caso não está esquecido nem nunca poderá ser esquecido enquanto houver um português honesto no Mundo. Os partidos políticos portugueses, principalmente os da direita, em alturas de eleições falam nisto, mas não têm coragem de avançar com as medidas e propostas urgentes para avançar de uma vez por todas com as mais que justas indemnizações. Outros países da Europa, também com territórios em África, já resolveram este problema, compensando os seus cidadãos com as indemnizações justas e com um pedido de desculpas pelo sucedido. Portugal é o único que ainda o não vez. Até quando? As associações nossas representantes têm esperanças, mas de esperanças está o Mundo farto. Os espoliados do ultramar querem acima de tudo, responsabilidade, honestidade e sentido de justiça a quem nos governa. Já temos em todos os partidos, dirigentes nascidos ou provenientes das ditas províncias ultramarinas, é meio caminho andado para a resolução do problema. Falta o resto. Nas próximas eleições pensem nisto. Os espoliados que não se deixem enganar e estejam atentos, alertando e orientando os seus descendentes, pois o património deixado no ultramar português também é deles. Não queremos o que está lá. Apenas queremos o correspondente ao que lá foi deixado por culpa de uma descolonização desastrosa e irresponsável.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

PORTUGAL EM RISCO


A situação actual só vem ao encontro daquilo que eu no meu blogue Querer e não Poder, venho alertando e denunciando. A péssima gestão dos recursos do País, após o 25 de Abril, feita pelos políticos ditos democráticos, endividou o país e puseram as finanças nacionais numa falência técnica. Portugal tinha antes da dita revolução, uma das mais fortes frotas pesqueiras da Europa. Frota esta que o actual presidente da República acabou com ela, na altura que esteve à frente do governo. A verdadeira razão para aniquilar esse importante ramo da economia Nacional, não foi explicado e possivelmente nunca o será, uma vez que o senhor presidente vem agora dizer que é muito importante haver uma frota pesqueira e explorar muito mais os recursos do mar, uma vez que temos uma enorme costa marítima que não está a ser devidamente aproveitada. Agora o senhor Presidente da República tem toda a razão, mas esqueceu-se que foi ele próprio que matou tal fonte económica. Hoje, dia 28 de Abril de 2010, vi pela primeira vez o líder do maior partido da oposição pedir uma audiência ao primeiro-ministro para resolver os assuntos do País, uma vez que este se encontra à beira de uma grande e grave crise económica. Ainda bem que o fez, pois o País há muito que necessita de um verdadeiro entendimento político. Deixemos de brincar com a governabilidade do país e com a péssima ideia de que fazer oposição é ir sempre contra o governo. Sejamos sérios e vamos todos remar para o mesmo lado. O líder da posição deu o primeiro passo, o líder do governo acompanhou-o. Está agora criada, julgo eu, as condições necessárias para resolver de uma vez por todas a tão falada diminuição da despesa pública. Os portugueses não compreendem o enorme número de deputados que compõem a A.R. O que andam lá a fazer? A maior parte deste pessoal pago a peso de ouro pelo erário público, vai para lá dormir ou brincar na Internet. Metade dos deputados seria mais do que suficiente para ajudar a governar e fiscalizar o governo. Também no Governo, o povo não compreende a razão de tantos secretários de Estado, sub-secretários e directores de serviço. Se todo este pessoal fosse reduzido a metade, ainda seriam muitos e o défice público, a tão falada despesa pública, seria naturalmente reduzida para níveis aceitáveis. Mas não há vontade para tal. Mexer na parte política ninguém quer. Todos querem continuar a comer à custa do Zé-povinho. E assim não vamos lá. Quando toda a gente vê e sabe que os políticos são os verdadeiros culpados desta crise e, quando todo o povo português tem conhecimento que a grande preocupação destes políticos não foi até ao momento, A diminuição das despesas públicas, mas sim a equiparação dos seus vencimentos à Europa, está tudo dito. Tudo faz sentido. Não há vontade política para resolver a crise uma vez que todos os políticos olham em primeiro lugar para o seu bolso e só muito depois para os cofres do Estado. Ouvi com atenção tanto o primeiro-ministro, como o líder da oposição. Ambos mostraram preocupação em por em prática o novo escalão do IRS; ambos concordaram com as novas portagens; também falaram em concordância nas leis sociais, no subsídio de desemprego, na grande necessidade de dar sinais positivos para o exterior. Todas boas medidas que deveriam ter sido tomadas há muito tempo. O subsídio de desemprego só tem razão de ser por um período curto e com a obrigatoriedade de aceitar o emprego que o serviço do Estado arranjar. E aqui, o Estado tem obrigação de proporcionar empregos, negociando com o sector privado tais condições. Contudo, faltou coragem para dizer aos portugueses que devido à actual crise, as grandes obras como o TGV e o Aeroporto de Lisboa, assim como a compra dos submarinos, ficariam suspensas por tempo indeterminado. E acima de tudo, faltou coragem para dizer aos políticos que os seus vencimentos não podem ser ao nível da Europa e por tal motivo, todos iriam começar a ganhar de acordo com as demais tabelas salariais do país. O actual estado das contas públicas não pode ser apenas atribuído ao partido do governo, pois todos eles têm largas culpas nesta situação. Não é com a redução do pequeno funcionário público que a dívida se reduz, uma vez que o mal está situado num nível muito mais alto. Ouvi também os comentadores da SIC José Gomes Ferreira e Ricardo Costa e tomei nota de uma pergunta que um deles fez e que espelha bem a qualidade dos políticos que temos. “ Durante todo este tempo o que o P.R., o Governo e a Oposição andaram a Fazer? Se ninguém tiver a coragem para dizer, eu na minha modesta apreciação como simples cidadão apenas tenho uma resposta. Toda este gente andou e anda a brincar com a paciência dos portugueses.