Acerca de mim

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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

DE ANGOLA NADA


O meu olhar penetrante está vazio.
Olho ao meu redor e nada vejo.
O clima outrora quente acomoda o frio
E a alma sente a falta do desejo.

Desejo que senti com grande paixão,
Nos tempos áureos da Juventude.
Recordações que atormentam o coração
Por me encontrar numa outra latitude.

Da janela do meu quarto vejo nada.
Nada que me recorde o meu passado.
Juventude perdida mas não esquecida,
Vivendo com dignidade de prova dada.
Sempre com o pensamento no país amado,
Por toda a parte sempre de cabeça erguida.

Da varanda da minha casa nada vejo.
Olho as ruas procurando um desejo.
No céu apenas às estrelas agrado,
E procuro consolo no colo amado.

Da mãe Terra que me viu nascer,
Aceito o destino que me deu.
Procuro a todo o custo renascer
No Belo país que me acolheu.

No Portugal do meu coração,
Nada vejo do meu passado.
Recordo Angola com paixão,
E do bom tempo ali passado.

Passado que não volta mais.
Por opção assim tomada.
Da terra tenho saudade,
Do povo não sinto nada.
Praticaram maldade demais,
Não olhando a identidade.

Daqui nada vejo com agrado,
De lá nada procuro ter
Os bens por mim lá deixado
Ninguém me vai devolver.

Moçâmedes a minha cidade
Namibe o meu deserto
Onde vivi a mocidade
Sempre com futuro incerto


Lubango cidade alta e linda
Cercado pela serra da chela
Ao planalto a visita era bem vinda
E de todas era a mais bela.

Bibala dos meus encantos
Onde vivi menino e rapaz
Era a Vila dos quatro cantos
Onde se encontrava a paz.

De Angola já nada resta
Que me recorde os tempos bons
O que vem de lá já não presta
Apenas se aproveita os sons.

Sons da música africana bela
Sons das vozes das raparigas
Música proveniente da Chela
Lembrando gentes amigas.

Tem Luanda como capital
De um império destroçado
Das cinzas retira o mal
Lembrando o passado amargo.

Do resto recolho nada
Como nada de lá tirei
Recordo a vida airada
Do tempo que lá passei.

Carlos Cebolo

domingo, 7 de agosto de 2011

MOÇÂMEDES - CIDADE LINDA


Estamos no quente mês de Fevereiro.
É domingo.
Levanto-me da cama, tomo o pequeno-almoço, preparo a minha toalha de praia e ala que aqui vou eu.
Saio do bairro Sanzala dos brancos e caminho com calma em direcção ao mar. Mais propriamente dito, em direcção à praia das Miragens.
Era assim que nos anos sessenta, fazia deste ritual, um agradado costume constante.
Com o mar normal, mergulhava nas belas ondas e nadava até à jangada, onde a malta se reunia para dar uns belos mergulhos, aproveitando para “paquerar” as moças lindas que Moçâmedes sempre teve.
Quando havia calema, as famosas ondas enormes que se formavam naquele bela praia, A excitação era maior.
 Ninguém se retraía e era bastante gostoso apanhar as boleias que as ondas davam até à praia.
 Rapazes e raparigas, todos mergulhavam furando as ondas para depois apanhar outra que os arrastasse para a praia.
 Era uma alegria e uma brincadeira sadia.
Não havia droga, não havia álcool, apenas mar e alegria.
Em certas alturas a desilusão.
-OH pá! Hoje a praia tem pica-pica, já nos estragou o domingo. Qual quê dizia alguém. O pica-pica tira-se não é isso que nos vai estragar o dia.
Pouco tempo depois, a praia estava cheia e os pica-picas a secarem na areia com aquele aspecto gelatinoso e na água a algazarra era total.
Nos anos cinquenta e sessenta a juventude do Namibe era assim.
 Aquela praia puxava pelo físico.
Não admira que as moças de Moçâmedes eram as mais bonitas de Angola. Pois claro, com uma praia daquelas e com um sol abrasador, o físico era perfeito e o bronze permanente.
Em Março chegavam as festas. O Slogan que se via por toda a parte “Moçâmedes, Mar e Março”. Era famoso em toda a Angola. Sempre que passava por um cartaz, acrescentava e Mulheres Maravilhosas.
Cinco M que retratavam bem Moçâmedes daquela época.
Daquela época e pelos vistos também agora. A Miss Angola é do Namibe.
 Parece que a terra renasceu. Nada mais natural. Aquela terra associada ao clima maravilhoso do verão e às milagrosas águas daquela parte do Atlântico fazem realmente milagres.
É certo que Môçâmedes não é só Sol e Mar. Nos meses, de Julho, Agosto e Setembro, Havia um nevoeiro bastante cerrado. Tão cerrado, que mesmo a pé era difícil andar sem esbarrar em algo.
Mas até mesmo nesta altura, Moçâmedes tinha o seu encanto. O contraste do deserto com o mar, fazia desta cidade um lugar muito especial. Tão especial que só quem lá viveu poderá dar testemunho de tamanha beleza natural.
No mês que a nossa cidade faz anos, não podia deixar de fazer aqui esta singela homenagem.

Carlos Cebolo

sábado, 6 de agosto de 2011

ORIGENS -UM APANHADO DO MEU RAMO FAMILIAR -


No tema família, sem querer fazer uma árvore genealógica, vou apenas lembrar o pouco que a minha memória ainda guarda sobre as famílias que me deram origem, proporcionando assim, no futuro, se esse for o entendimento, que algum meu descendente e, ou familiar proveniente de um dos ramos, possa dar início ou conclusão a tal mapa familiar.A árvore genealógica.
Pouco ou quase nada sei sobre os meus avós, pois era costume antigo, fecharem-se e não dizerem nada que dissesse respeito à família que lhes deu origem
Assim, apenas sei que meu avô paterno Filipe Cebolo natural de Seixos, Carrazeda de Anciães, Trás-os-Montes, Portugal era filho de António Cebolo e de Antónia Gonçalves, foi para Angola como enfermeiro e lá casou com a minha avó paterna de nome Domingas Beatriz da Costa, filha de José da Costa e de Emília.
 Tiveram vários filhos que vou aqui indicar, procurando não me esquecer de nenhum: Filipe Eduardo (meu pai) César Augusto, Maria Emília, Adelaide, Gravelina, António e José (Zeca), e talvez mais alguns que possivelmente terão morrido antes de eu nascer e por tal motivo não me recordo dos nomes.
Sobre a minha parte materna sei, através de memória de minha mãe, que meu avô chamava-se Adolfo de Oliveira era filho de Aniceto D’Oliveira e de Margarida Rosa da Silva, natural de Reguengo Pequeno, Lourinhã e foi para Angola como militar com a patente de cabo. Meu avô materno casou em Angola com minha avô Isaulinda Caldeira Mendes Pinto, filha de colonos agricultores da Chibia, Lubango e tiveram vários filhos que aqui vou referir os vivos que conheci e alguns falecidos que minha mãe falou. Os filhos foram: José Mário; Flora, Olga (minha mãe), Eurico, Armando e  Cristina Margarida. Dos falecidos apenas ouvi falar no nome. Carlos; Maria Aurora; Armindo e Maria do Carmo. Não sei se houve outros. Julgo que não.
Meu avô paterno sempre trabalhou como enfermeiro em várias partes de Angola e acabou por se reformar em Moçâmedes, onde morreu. Minha avó foi dona de casa e muito trabalhou para criar tantos filhos.
Meu avô materno depois de deixar o exército, onde foi combatente na I grande guerra, dedicou-se à agricultura e pecuária fixando residência no Matuco (Fazenda agrícola), situada no sopé da serra da Chela no concelho de Vila Arriaga.
Na Vila construiu uma casa de habitação onde viveu os seus últimos anos. Junto a essa casa, construiu uma pensão e uns anexos que alugou, vivendo depois destas parcas rendas e de algumas frutas, principalmente mangas que vinham do Matuco, enquanto minha avó, como dona de casa, era encarregada da administração da mesma e de cuidar dos filhos.
Meu pai, Filipe Eduardo Cebolo, trabalhou no caminho de ferro de Moçâmedes, mas como natural de Angola tinha constantemente a sua carreira estagnada, pois todas as vagas existentes para postos de chefia eram preenchidas por pessoal vindo da metrópole, independentemente das capacidades demonstradas. Prevalecia a naturalidade europeia que barrava constantemente a subida na profissão, dos naturais de Angola. Assim, meu pai deixou os caminhos-de-ferro e dedicou-se ao comércio.
Meu pai casou com Olga (Minha mãe). Tiveram uma menina que se chamava Graciete e logo a seguir um filho que se chama Filipe Olgário. Pensaram ficar por aí em questão de filhos, mas por infelicidade ou por vontade de Deus, minha irmã faleceu com escarlatina e meus país foram à procura de mais uma menina. Deus não lhes fez a vontade e assim nasci eu. Chamaram-me Carlos António e dois anos depois mais um rapaz que se chama Rui Manuel. Cinco anos depois lá veio a menina que se chama Filomena do Rosário em homenagem à Santa Filomena de quem minha mãe é devota e a quem recorreu a pedir a tão desejada menina.
Minha mãe sempre foi dona de casa, mas também ajudava o meu pai no comércio que tinham.
Meus pais muito trabalharam para criar os quatro filhos e tudo fizeram para nos dar a maior instrução possível. Se não somos doutores é apenas por culpa ou incapacidade própria nossa e não por falta de apoio dado pelos pais.
Em Angola fiz a primária em Vila Arriaga e depois fui para Moçâmedes, para a Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique, onde completei o ensino preparatório, indo depois para Sá-da-Bandeira, para a Escola Comercial e Industrial Artur de Paiva, onde completei o curso comercial. Na tropa tirei o curso de sargentos milicianos em Nova Lisboa. Como cabo miliciano dei instrução no Regimento de Infantaria 22 em Sá-da-Bandeira e depois de promovido a furriel, fui para o Norte de Angola onde estive principalmente em Quicua, Calamboloca, São Salvador do Congo, Tentativa Caxito, Luanda e Ambriz. Acabei a tropa em Pereira D’Eça na Fronteira sul com a Namíbia.
Depois da tropa fui professor primário em Vila Arriaga, Angola e depois da independência vim para Portugal já casado com a minha esposa Paula Maria Gonçalves Gaspar, Filha da Alberto Manuel Pinto Gaspar e de Maria Laura Gonçalves Gaspar. Tivemos dois filhos, um rapaz de nome Luís Filipe e uma menina, que pusemos o nome de Cátia Soraia. Ambos já estão casados. O Luís Filipe casou com a Elisabeth do Carmo Alves Maciel e já me deram uma neta de nome Lia. A Cátia Soraia casou com António José Girão Rocha e ainda não tiveram filhos, mas espero que estejam a tentar.
Em Portugal na impossibilidade de continuar a ser professor primário, por não ter a magistério, ingressei nas Forças de Segurança, nomeadamente na PSP, onde atingi o posto máximo da carreira profissional de base (Chefe Principal) categoria com a qual me reformei.
Já reformado, dediquei-me à escrita por carolice. Na internet criei um blogue com o nome “Querer e não poder” onde escrevo um pouco de tudo. Ultimamente e querendo presentear a minha neta LIA. Única que tenho até este momento, tenho escrito no meu blogue vários contos infantis dos quais já publiquei um livro com o título “O País encantado do faz de conta” publicado pela Chiado Editora.
O objectivo porque fiz este resumo do meu ramo familiar é apenas por entender que no futuro, algum filho, neto ou até bisneto, possa ter curiosidade em saber as suas origens e assim, ter a vida um pouco facilitada o que não foi o meu caso.
Do meu sogro Alberto Manuel Pinto Gaspar sei que era filho de Manuel Pinto Gaspar, natural de Abuadela Amarante, foi para Angola como militar com a patente de alferes e teve um filho (meu sogro) com Zulmira, uma nativa natural do Cuanhama. O avô de minha mulher casou depois com Maria da Conceição Matias Lopes filha de colonos agricultores. Não tiveram filhos. Meu sogro casou com Maria Laura Gonçalves Gaspar, natural da Pupa, Vila Arriaga, Angola, filha de Lauro de Almeida Gonçalves, natural de Santa Comba Dão, Portugal e de Leonor Correia Porto, natural da Chibia, Angola.
 Meus sogros tiveram dois filhos: Mário Rui e Paula Maria (minha esposa). Meu sogro trabalhou na Câmara Municipal do Lubango como motorista de Autocarros e minha sogra nessa altura era dona de casa. Quando o pai de minha sogra que era comerciante em Vila Arriaga, faleceu, meu sogro deixou a Câmara Municipal e ambos foram para Vila Arriaga tomar conta e explorar a rica casa comercial deixada pelo pai de minha sogra.
Com a independência de Angola, viemos todos para Portugal em Março de 1976.

Carlos Cebolo

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A GUARDIÃ DA GRUTA MÁGICA



No país encantado do faz de conta, onde o sonho acontece muitas vezes, havia uma pequena aldeia rodeada por uma floresta de pinheiros e carvalhos.
Um belo dia de primavera, Lia que tinha quatro anos de idade, foi com os seus pais visitar os avós que moravam na linda aldeia.
O avô de Lia contava muitas histórias à sua neta e a menina gostava muito de ouvir as lindas histórias.
Quando chegaram à aldeia, Lia correu para o colo do avô e pediu para lhe contar uma história.
O avô prometeu contar lindas histórias depois do jantar e Lia ficou muito contente com a promessa.
 Depois do Jantar, sentaram-se todos à lareira e o avô perguntou à neta que história queria ouvir.
A menina estava indecisa e foi o seu pai quem falou:
-Lia, quando o pai era pequeno com tu, o avô contava uma linda história sobre uma gruta mágica que diz existir na floresta que rodeia a aldeia.
A menina que ainda não conhecia essa história pediu ao avô:
-Conta avô! Conta a história da gruta!
O avô concordou, mas disse que era apenas uma história que já o seu avô contava, mas ninguém ainda tinha encontrado a tal gruta.
E começou: - Diz a lenda que na floresta que rodeia esta aldeia, existe uma gruta mágica, chamada a gruta dos desejos. Esta gruta é guardada por uma gata que só aparece a quem se porta bem.
E o avô continuou:
- Diz a lenda que a gata guardiã da gruta escolhe a quem aparecer e que utiliza a magia para mudar constantemente de lugar, levando consigo a gruta mágica.
Pelo que sei, continuou o avo, já tenho sessenta anos e não conheci ninguém a quem a gata apareceu. Apenas me lembro do meu avô contar que um dia, a gata apareceu a uma menina muito linda que vinha sempre visitar a avó que vivia sozinha numa casa junto à floresta, antes da aldeia ser construída.
Dizem os mais antigos que a menina e a avó desapareceram e nunca mais foram vistos.
 Segundo a lenda, a gruta dos desejos apenas concede um desejo. E por isso ele tem que ser bem pensado antes de se pedir, para não acontecer o mesmo que aconteceu à menina e à sua avó.
Lia interrompeu o avô e perguntou:
- Será que a gata existe mesmo? Se existe já deve ser muito velhinha. E quem é que toma conta dela?
O avô admirado com a preocupação da neta em relação à gata disse:
- Não te preocupes. É apenas uma história. E se for verdade, a gata com certeza também é mágica e não fica velha.
- Já é tarde, agora vamos todos dormir. Amanhã vamos ao pomar apanhar maçãs para a avó fazer uma tarte.
Lia foi para a cama, mas não conseguia dormir a pensar na gata:
- Deve ser linda e meiga! Pensava a menina. Eu gosto tanto de gatos! Amanhã vou procurar a gata. Ela deve estar triste por se encontrar sozinha.
No dia seguinte, tomou à pressa o pequeno-almoço e foi com o avô para o pomar apanhar maçãs. Durante o caminho olhava para todos os lados para ver se encontrava a gata. Mas não via gato nenhum, apenas um ou outro rato que fugia quando eles se aproximavam.
Passados alguns dias, quando a menina se encontrava a brincar no pomar, apareceu uma gata listada muito magrinha a miar.
Lia não se lembrou da gata da história, apenas se preocupou em ir buscar leite para dar à gatinha que tinha fome.
Foi à casa do avô buscar leite e deu à gata. A gata bebeu o leite todo e disse:
-Obrigado minha querida menina. Eu estava com muita fome.
Lia ficou espantada por ouvir uma gata falar e nesse momento lembrou-se da gata da gruta e ficou sem saber o que fazer.
A gata mágica voltou a falar:
-Como fostes boa menina, eu vou levar-te à gruta dos desejos. Só podes pedir um desejo. Pensa bem no que vais pedir para não te arrependeres depois. Aconselho-te a seres prudente e não seres gananciosa. Pensa com calma no que realmente queres.
Lia que era muito inteligente, começou a pensar para si
-O dinheiro é muito importante; a saúde também; assim como a felicidade. Se pedir dinheiro, fico sem saúde e fico infeliz; se pedir saúde fico pobre e infeliz. Se pedir felicidade…
A gata interrompeu o pensamento da menina, dizendo para ela lhe acompanhar.
Depois de muitas voltas pela floresta, encontraram uma linda gruta.
A gata então falou:
-Pede o teu desejo, mas pensa no que vais pedir.
Lia pensou e depois de muito pensar, pediu:
-Quero que toda a minha família seja muito feliz.
A gata ficou muito contente com o pedido da menina e disse:
- Foste muito sábia a pedir o teu desejo. Ao pedires felicidade para toda a família, estás a pedir ao mesmo tempo riqueza, saúde e tudo o mais que acompanha a felicidade. O teu desejo vai ser concedido.
Dito isto, a gata e a gruta desapareceram.
A menina foi para casa e encontrou uma grande festa. Todos estavam felizes, pois o avô tinha encontrado nas suas terras uma mina de ouro e agora eram todos ricos.
Lia contou que tinha encontrado a gata e que tinha pedido felicidades para todos.
Toda a família abraçou a menina e ficaram muito contentes com a inteligência da menina ao fazer o pedido. E assim viveram felizes para sempre.
FIM

Carlos Cebolo

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

LUAR ANGOLANO



A lua redonda nasce no céu limpo.
As nuvens não fazem a sua aparição.
A alma voa como se estivesse no limbo
E o coração sofre com a recordação.

A noite africana é sempre quente,
Como quente é o fogo que arde em nós,
Lembrando a vida sofrida daquela gente.
Irmãos de sangue que não tinham voz.

Com pele da cor do carvão,
Considerados seres sem alma,
Procuravam sempre em vão,
Manter a impressionante calma.

No país estranho chegados,
Descarregados como animais,
Eram comprados como gado
Por quem por eles pagava mais.

Sangue africano sofrido,
Espalhado por toda a parte,
É hoje um poema lido,
Mostrando todo o engenho e arte.

Um povo que a todos reclama,
Um pouco por todo o Mundo,
Valores dos filhos que ama,
Esquecendo um passado imundo.

A brilhante lua cheia africana,
Em Angola ou na outra costa,
Acolhe sempre quem ama,
Não esquecendo quem dela gosta.

Angola é a minha terra,
Portugal a minha Nação,
A liberdade em mim é eterna,
E trago paz no Coração.

Angola é dos angolanos,
Pele escura pois então!
Angolanos de outros anos,
Brancos que já lá não estão.

Minha terra linda e triste,
Angola do meu coração.
O bom povo já lá não existe,
Mas de longe estendem a mão.

Estendem as mãos à linda e quente terra,
Sem se importarem com o povo que nela vive,
Trazem no coração uma grande dor eterna,
Mas é noutras terras que se sentem livres.

Livres de pensar e de sentir angolano,
Clima quente e águas mornas deixam,
Encontram águas frias todo o ano,
E da falta de calor da terra queixam.

Carlos Cebolo

sábado, 30 de julho de 2011

MINHA TERRA TRISTE – MÁGOA DE MÃE AFRICANA DO SUL DE ANGOLA



Angola minha terra triste.
Junto com o meu homem tenho duas meninas.
Que tristeza!...
Se fosse filho homem, tudo era diferente.
O homem pastoreia o gado, vai à caça,
Arranja comida para a família!...
A mulher apenas cuida da agricultura, 
Do "arimbo"...
Cria os filhos e faz comida para o marido.
Na loja do branco, o nosso boi pouco vale!...
A fuba é cara e o sal ainda mais.
Uma quinda de milho da nossa lavra, 
Troco por uns quilos de farinha e alguns peixes secos.
Não dá para comer até à lua redonda seguinte.
Mas o que fazer?
Minha terra seca,
Pouco dá.
A água é das chuvas e agora pouco chove.
Parece que o branco controla também a chuva,
A nossa vida, a nossa terra!...
As minhas meninas passam fome.
O leite da minha mana está seco.
O das vacas! os bezerros pouco bebem.
Do leite fazemos leite azedo que nos alimenta
E o bezerro fica magro.
Vendido na loja do branco vale pouco.
Só tem ossos diz o branco.
Vale cinco garrafões de vinho.
Aceito.
O vinho faz bem à nossa cabeça. 
Faz esquecer a tristeza, a fome, a miséria.
O vinho é bom. Vem do Puto.
Na minha terra triste apenas há vento. 
Chuva pouca e muita dor.
Minhas meninas têm fome.
O branco leva para criar.
Vai servir de companhia à filha do branco.
È criada do branco, mas não passa fome.
Meu coração sofre com a partida
Mas aceita e fica feliz por saber que estão vivas
E não têm fome.
O branco é bom. Toma conta delas. 
Crescem e não sabem quem é a família.
Apenas são criadas do branco.
Muitas dão netos aos brancos!...
Os filhos dos brancos são acolhidos como netos, 
As mães negras abandonadas à sua sorte.
Vadia! Quem te manda meter com o meu filho? 
Vai-te embora e não apareças mais,
Grita o branco.
As crianças crescem!...
Apenas conhecem a família branca.
Os avós negros são esquecidos. 
Apenas são filhos do branco.
Minha terra triste chora!...
Dor sentida mas não reclamada.
A independência chegou.
Os brancos foram embora.
Levaram também os nossos filhos.
A alegria do momento, 
Depressa se transforma em agonia.
O patrão agora não é branco!...
É negro como nós.
Mas não é de cá!...
Veio de outras terras.
Mas é quem manda.
Tomaram conta das lojas dos brancos,
Mas ali não se vende nada. 
Nada há para se comprar.
A fome continua.
O nosso milho ninguém compra.
Peixe seco não há!...
Farinha, temos nós que moer o milho para fazer o pirão.
O branco foi embora, mas a miséria ficou.
No tempo do branco, dizem os mais velhos:
- As lojas tinham tudo. Era caro mas havia.
 Hoje nada há.
Os nossos filhos eram criado dos brancos,
 Mas não passavam fome!.
Hoje os nossos filhos são criados dos negros .
Nosso povo continua na mesma ou ainda pior.
O negro do norte é quem manda
E é ainda pior que o branco.
Minha terra triste chora.
Dos meus olhos saem lágrimas de sangue
E água salgada,
Mas o sal não chega à nossa cubata.
O mar fica longe e o branco já cá não está
Para trazer o sal.
O nosso boi nada vale 
E também não há quem o queira trocar por comida.
Minha terra triste está cada vez mais triste.
Nas vilas e cidades vejo muitos negros.
 Mas não são de cá. 
Ninguém os conhece.
 De onde vêm? Quem são? 
Ninguém sabe.Não falam a nossa língua!...
Esperamos a vinda do branco, mas ele não volta mais.
Minha terra triste está cada vez mais triste.
E os nossos filhos continuam com fome.

Carlos Cebolo

quinta-feira, 28 de julho de 2011

BATUQUE – SONS DE ÁFRICA



Nas noites quentes de luar intenso, ouve-se com alegria os sons melodiosos do batuque na Sanzala iluminada pelo luar e luz da fogueira que crepita no meio do terreiro.  
 Os tocadores de batuque; dos Mpwitas; das marimbas; do kissange do berimbau e do reco-reco, não tiveram qualquer instrução musical, mas conseguem tirar destes rústicos instrumentos por eles mesmo construídos, um som tão melodioso como característico que fazem música agradável de se ouvir.
Parece que o povo africano nasceu para a música ou com música dentro de si.
Na dança, a mulher africana consegue ondular o corpo como só ela sabe. Os movimentos sensuais da mulher africana acompanham a música com uma intensidade tal, que parece ser o seu corpo feito de borracha.
Quem ouve o batuque, por si só, ou acompanhado por outros instrumentos, no silêncio da noite e tem o privilégio de seguir com a sua visão todo o folclore causado pela música e dança dos tocadores e bailarinas, fica surpreendido com a mestria como retiram um enorme proveito musical de instrumentos tão rudimentares e conseguem fazer ouvir o verdadeiro som de um folclore apenas existente em África.
Se associarmos este magnífico som ao encantador movimento dos dançarinos e dançarinas africanas, encontramos o verdadeiro sentido da cultura milenar que mesmo contra todas as tentativas de erradicação, por parte dos governos coloniais europeus, se manteve e se mantém até aos dias de hoje.
No chamado Mundo civilizado, já muitos e célebres músicos, recorreram ao velho e rude berimbau e ao exótico kissange à procura de novos sons para as suas composições.
Não há dúvida nenhuma que com o berimbau, também chamado de violino africano de uma só corda, bem tocado, consegue-se tirar sons que apenas com este instrumento se consegue fazer ouvir.       
O mesmo acontece com o kissange, também conhecido como o xilofone africano, tocado dentro de uma cabaça apropriada para o efeito que lhe serve de caixa de ressonância.
São os sons de África que acompanhado ao som tirados do verdadeiro batuque feito de tronco de árvore e coberto por pele de animal, curtida à moda africana, que fazem a verdadeira e genuína música de África.
Os sons do batuque são ouvidos em todas as ocasiões e estes instrumentos são tocados com a mesma intensidade seja qual for o motivo que o justifique. Quer seja em casamentos, funerais ou qualquer outro pretexto social ou apenas por simples protesto ou estado de espírito, o som é sempre melodioso e só quem o toca ou quem com ele está muito familiarizado, consegue distinguir o estado de espírito que a música quer lembrar ou homenagear.
A música africana é isso mesmo. Seja qual for o motivo, os sons de África fazem-se ouvir mostrando ao Mundo a sua cultura.

Carlos Cebolo

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O COLIBRI E O PLANETA TERRA (PEQUENA CRÓNICA SOBRE A PROTECÇÃO DA NATUREZA)



O colibri com penas coloridas de tons esmeralda nas asas e com o peito cor do Sol, esvoaçava de flor em flor, pairando entre elas, como se uma força invisível o amparasse no ar.
Este pequeno pássaro, é possuidor de um longo bico meio curvo, que lhe permite sugar o delicioso néctar das flores que, num contraste de cores, surgem por entre uma flora verdejante à beira de um lindo lago de águas claras tingidas de um azul celeste.
Tal deslumbrante paisagem, apenas nos é prometido ver em certas zonas tropicais.
Tive a sorte de ter nascido em África, no magnífico país chamado Angola e fui muitas vezes bafejado pela sorte de ver várias vezes este lindo e frágil pássaro na sua labuta constante de recolha do precioso néctar com o qual se alimenta e do qual tira toda a energia necessária para bater as suas asas com uma velocidade estonteante que o faz pairar no ar enfrente às flores, como se parado estivesse.
Embora em Angola as estações do ano se resumem apenas a duas, a estação seca e a estação das chuvas, nós sabemos que a primavera chegou, quando avistamos os pequenos mas famosos colibris ou beija flores como também são chamados.
A Europa não é um habitat propício ao aparecimento do colibri, mas existem muitas outras aves não menos lindas e importantes que os beija flores.
Quem, como eu, teve o privilégio de se poder isolar rodeado de árvores e de flores de várias espécies e apreciar os sons livres da mãe natureza, nunca mais se esquece que o planeta Terra é o lar perfeito de inúmeros seres inteligentes, nos quais o ser humano se encontra, mas numa escala muito abaixo dos demais habitantes deste mundo.
Parece mentira, mas é a mais pura verdade.
Todos procuram alimentar-se sem danificar a mãe natureza e contribuir para que ela permaneça viva e linda.
 Só o homem faz precisamente o contrário.
 Se isto não é ser menos inteligente que as outras espécies, então o que será?
Os mais atentos aos barulhos da natureza, sabem reconhecer o cantar das aves e reconhecer a sua espécie, assim como o barulho característico dos insectos que nomeadamente à noite, produzem constantemente mostrando a sua alegria ou procurando chamar um parceiro para o acasalamento. E nesse momento mágico, quem o vive, sabe que chegou a primavera.
Não é preciso ter grandes estudos em astrologia, meteorologia ou em qualquer outra ciência inexacta, para saber que aqui, na China ou em África, a altura do acasalamento dos seres realmente inteligentes que habitam o Planeta, dá início à chamada primavera.
Na Europa, a primavera aparece depois do frio do inverno. Em Angola aparece depois do tempo seco. Mas primavera é a primavera seja onde for. E o homem contra isto nada pode fazer.
A mãe natureza continua e continuará a comandar os destinos dos seres que escolheu como habitantes, até ao dia em que desesperada e ferida por tanta maldade, resolver fazer o que fez com os dinossauros. E aí, já será tarde de mais.
Enquanto tivermos a sorte de poder ver os colibris esvoaçarem de flor em flor, podemos ter a certeza que a natureza continuará a tolerar a nossa permanência neste planeta azul a que chamamos Terra.
Mas para isso, vai ser preciso que o ser humano tome consciência do mal que todos os dias provoca na mãe natureza.
O colibri e o planeta Terra estão assim intimamente ligados ao destino do ser humano na Terra.
É chegada a altura de chamar a atenção de todos, não só para a protecção desta pequena e frágil ave, mas acima de tudo, para a protecção de todos os seres vivos que habitam connosco este lindo Planeta.
Uma ave, um animal, seja de que espécie for, é também um necessário e importante parceiro nosso nesta luta árdua de salvar o Planeta onde vivemos.

Carlos Cebolo

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A VIDA ALEGRE NA QUINTA


           Numa herdade agrícola, todos os animais acordam com o cantar do Galo, bem cedo, logo pela manhã e antes do Sol nascer.
            A mãe galinha e os seus pintainhos correm para o pátio e começam logo a debicar a terra à procura de minhocas ou outros insectos que possam comer.
            O gatinho cinzento com listas pretas, olha com muita atenção para tudo a seu redor, procurando encontrar algo com que brincar.
A mãe pata e os seus patinhos amarelos, nadam alegremente no lago da quinta e mergulham por baixo dos nenúfares, saindo do outro lado sempre alegres e irrequietos.
Assim nasce o dia na Quinta do país do faz de conta onde todos os animais vivem felizes.
É primavera e as animais da quinta tiveram as suas crias recentemente: A vaca teve um bezerro muito lindo que corre pela quinta, acompanhado pelos cordeiros; pelos coelhinhos e pelo cachorrinho castanho e branco. Nasceram todos há pouco tempo e como as crianças, todos são amigos uns dos outros.
O bezerro salta por cima de um tronco e um cordeiro tenta emita-lo, mas como é mais pequeno tem uma certa dificuldade. O cachorrinho corre atrás deles, com o seu instinto de guarda, procurando protege-los de um perigo imaginário.
Também a égua teve o seu filhote, um potro castanho claro, quase alaranjado, com crinas castanhas e uma mancha branca no focinho mesmo entre os olhos e o nariz.
Todos os pequenos animais cresceram na barriga das suas mães, antes de nascerem e verem a luz do dia. Todos não! Os pintainhos e os patinhos nasceram dos ovos que as mães chocaram sempre com muito carinho e amor.
Um dia estes bebés animais, vão crescer e trabalhar na quinta. Mas até lá, apenas sabem brincar uns com os outros, embora cada um adquira a sua própria característica.
O potro gosta muito de saltar; o bezerro corre pela quinta procurando sempre as maninhas da mãe para mamar; os cordeiros brincam nas ervas ao mesmo tempo que comer os seus rebentos mais tenros; Os patinhos mergulham no lago sempre acompanhados de perto pela mãe pata; os pintainhos arranham a terra com as suas patitas, aprendendo com a sua mãe como se procura minhocas para comer; os cachorrinhos brincam com qualquer coisa que apanham pelo caminho e o gatinho apenas quer dormir sem que ninguém o aborreça, sempre enrolado na palha do celeiro.
Quando cresceram, todos vão ajudar o seu dono a ganhar mais dinheiro. As vacas dão o leite que o lavrador vende na cidade e com o qual faz também alguns queijos; os cavalos trabalham na quinta, ajudando nos trabalhos agrícolas e puxam a carroça; as ovelhas além do leite também dão a lã com a qual se fazem os casaquinhos, as galinhas e as patas dão os ovos e também as penas para se encher almofadas, o cão guarda a quinta e os rebanhos e o gato apenas dorme, apanhando de vez em quando algum rato para comer.
É assim a vida dos animais domésticos numa quinta. Todos trabalham, mas todos vivem felizes ao ar livre e saudável e acordam sempre com o cantar do galo.
FIM
Carlos Cebolo
        

  

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A RAINHA DAS ABELHAS , A BRUXA MALVINA E AS TRÊS HEROÍNAS



No país do faz de conta, onde o sonho acontece muitas vezes, viviam três lindas meninas que tinham uma grande imaginação. As meninas que se chamavam Mariana, Margarida e Joana, sempre que se juntavam para brincar, inventavam uma linda história para ilustrar as suas brincadeiras.
A fada flor gostava muito das meninas e andava sempre por perto para as proteger.
Num lindo dia de primavera, Mariana, Margarida e Joana, foram brincar, com sempre faziam, junto à casa onde viviam com os pais.
Durante a brincadeira, as meninas ouviram um barulho estranho. Atentas a tudo, deixaram de brincar e puseram-se à escuta, para ver de onde vinha o tal barulho.
Ouviram um zumbido, zum!...zum!..zum!...e viram uma grande abelha a esvoaçar à volta das suas cabeças.
As meninas aperceberam-se que a grande abelha estava a tentar dizer alguma coisa, mas não percebiam nada.
Nisto, apareceu a fada flor que disse:
-Não tenham medo, eu sou a fada flor, e sou a vossa fada madrinha e a abelha que está aflita, é a rainha das abelhas. Ela precisa da vossa ajuda. Vou deitar um pó mágico nas vossas cabeças para vocês perceberem o que a rainha quer.
Dito isto, a fada abriu um pequeno saquinho e deixou cair um pó muito brilhante na cabeça das meninas.
Mariana que foi a primeira a receber o pó mágico, perguntou à abelha o que ela queria, enquanto Margarida e Joana falavam alegremente com a fada madrinha. Queriam saber tudo e tudo ao mesmo tempo!...
-A fada pediu calma às meninas e disse que o mais importante era ouvirem o que a rainha das abelhas queria dizer com aquele zumbido aflito.
As meninas sentaram-se no chão, junto aos malmequeres silvestres e ouviram com muita atenção a rainha das abelhas, que muito aflita, lhes explicou que uma ladra, durante a lua cheia, vinha roubar o precioso mel que as abelhas faziam e que as abelhas necessitavam do mel, não só para dar às pessoas para elas comerem, mas também para alimentar as suas próprias crias.
Margarida interrompeu a rainha das abelhas e perguntou:
-Então porque razão as abelhas não picam a ladra para ela não roubar o mel?
A rainha das abelhas explicou que a ladra era muito poderosa e que as abelhas encarregadas de guardarem o mel, nada podiam fazer contra ela.
Nisto a fada Flor falou:
-O que vocês não sabem meninas! É que a ladra do mel é uma bruxa muito má. Chama-se Malvina e aparece sempre nas noites de lua cheia, voando com a sua vassoura. E sempre que encontra uma colmeia, rouba o mel e maltrata as abelhas que nada podem fazer.
Joana que ouvia a história com muita atenção, perguntou à rainha das abelhas:
-E onde fica o teu castelo?
A rainha das abelhas respondeu:
-O meu castelo são as colmeias que estão naquele barracão ali ao fundo. E eu estou com muito medo, pois hoje é noite de lua cheia e como sempre tem acontecido, a malvada bruxa vem durante a tarde, roubar o nosso mel para fazer uma festa com as outras bruxas, quando a lua nascer.
As três meninas, embora com muito medo, disseram:
-Fica descansada rainha que nós vamos ajudar-te, pois também gostamos muito de mel.
A fada Flor que ouviu toda a conversa, alertou as meninas:
-Uma vez que querem ajudar a rainha das abelhas, eu fico muito contente com a vossa coragem e vou-vos dizer como podem vencer a bruxa Malvina:
E a fada continuou: -A Malvina tem um ponto fraco. Perde os seus poderes se alguém lhe arrancar os cabelos. Ela sem cabelos fica fraca e não pode voar.
Então Mariana, Margarida e Joana fizeram um plano: A Fada ficou junto da colmeia à espera da Bruxa e as meninas ficaram escondidas ali perto. Quando a bruxa apareceu, a fada fingiu que está a dormir e quando a bruxa se aproximar dela, as três meninas saltam para cima dela e arrancam-lhe os cabelos. Sem cabelos a bruxa ficou fraca , fugiu e nunca mais apareceu.
Mariana, Margarida e Joana, ficaram muito contentes por terem ajudado as abelhas e foram para casa contar a história à mãe e como prova , levaram nas suas mãozinhas, os cabelos da bruxa.
A fada madrinha ficou muito feliz e continua a proteger as suas afilhadas.
A rainha das abelhas e as abelhas, também ficaram contentes e deram cada vez mais mel muito docinho, para as meninas comerem. E as três meninas, Mariana, Margarida e Joana, ainda hoje, quando estão aflitas com qualquer problema, pedem secretamente ajuda à sua fada madrinha que durante a noite está sempre junto a elas para as proteger e  fazer com que tenham um bom sono. E assim todos viveram felizes para sempre.
FIM
Carlos Cebolo


sábado, 2 de julho de 2011

SER PAI



Ser pai não é apenas procriar, ter descendência, educar e encaminhar a sua prole para uma direcção pré-definida.
Ser pai não é apenas amar, ser amado e deixar correr o tempo rumo ao futuro sem um horizonte traçado, sem um objectivo.
Ser pai é acima de tudo ser árvore, proteger os seus ramos, cuidar das suas flores, das suas sementes e prepará-las para enfrentar o Mundo próprio que não tarda em chegar, respeitando sempre as novas ideias, quando não prejudiciais.
Ser pai é saber orientar a sua descendência sempre com dignidade e, a certa altura, vê-la partir pouco a pouco como os pássaros que deixam o seu ninho para criarem uma vida própria, sem mágoa e com a felicidade do dever cumprido.
Assim vi o meu primogénito partir e assim vejo agora a minha caçula traçar também o seu rumo. Bater as asas e preparar-se para voar, em direcção ao seu próprio ninho.
 Há muito que isto vinha sendo ensaiado.
O momento era esperado, embora o egoísmo pedisse secretamente que este dia se prolongasse indeterminadamente.
Tive e tenho a felicidade do local por eles escolhido ser próximo e, assim poder acompanhar de perto, mas sem uma intervenção directa a sua evolução e acorrer sempre com prontidão a um possível chamamento.
Que o seu voo seja feito em linha recta, mantendo o objectivo traçado, ultrapassando sempre todos os obstáculos que certamente encontrarão pelo caminho.
O ciclo fecha-se para se abrir mais adiante. Como dizia a grande poetiza Florbela! “Há uma primavera em cada vida” e quando ela chega, nada melhor do que deixar fluir o seu perfume, sabendo perder o presente para se ganhar o futuro.
Hoje, o meu presente já é passado e procurarei fazer desta noite, mais uma alvorada para me reencontrar na minha descendência e poder ter orgulho de obra feita.
.”E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada” que seja no futuro lembrado com carinho, respeito e saudade, como aquele que amou e foi amado.
Para vós meus filhos, o meu voto de felicidades.

Carlos Cebolo