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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

segunda-feira, 28 de março de 2011

O GNOMO DA FELICIDADE

           

            Há muitos anos, num país do Oriente, uma menina brincava num prado coberto de flores silvestres.
A menina brincava sozinha, pois na sua aldeia não havia outros meninos.
Todos tinham ido para a cidade estudar.
Só ela tinha ficado na aldeia com os pais.
Isto deixava-a muito infeliz, mas sabia e compreendia que os seus pais não faziam mais por ela, por serem muito pobres e o dinheiro que honestamente ganhavam com o seu trabalho, mal dava para comprar comida.
            Numa manhã linda de primavera, dia em que a mãe da menina fazia anos, ela foi ao prado apanhar umas flores para lhe oferecer.
Procurava entre muitas flores, as mais bonitas e frescas, pois queria fazer um lindo ramo com elas.
 No meio do prado, a menina viu um grande cogumelo cor rosa com riscas brancas e junto a ele, uma linda flor com pétalas de cor vermelha muito viva e outras de um amarelo brilhante.
 A menina ficou encantada com a bela flor e procurou logo apanha-la para meter no centro do seu ramo.
 Quando se abaixou para apanhar a flor, viu à sombra do cogumelo um pequeno ser que lhe disse:
- Alto aí!... Menina.
- Quem te autorizou a colher as minhas flores?
- Não sabes que todo este prado florido é meu por direito?
 A menina muito assustada perguntou:
-Quem és tu?!... Eu venho aqui todos os dias e nunca te vi! E como pode uma criatura tão pequenina ser dona de um prado tão grande?
-A criatura pequenina, que não era maior que uma rolha de garrafa, respondeu:
 - Eu sou o Gnomo da felicidade e vivo neste prado há mais de mil anos.
 - Sou filho da Natureza e por isso, todas as flores silvestres são minhas, pois foi a minha mãe que as plantou.
- Tu nunca me viste porque nem todos me podem ver, só as crianças que têm bom coração e que respeitam a Natureza me podem ver.
- Quanto à tua terceira pergunta?! Eu alerto-te que sou pequenino, mas também muito poderoso, sou mágico e posso fazer o bem ou o mal, tudo depende das tuas respostas.
E continuou a falar:
- Eu vejo-te todos os dias.
- Vens brincar no prado, conversas com as flores e tens muito cuidado com os animais que nelas moram.
- Agora, antes de saberes o que vou fazer contigo, responde-me à pergunta que te fiz?!
 A menina cheia de medo respondeu:
- Desculpe senhor Gnomo. Eu não sabia que estas flores tão lindas tinham dono, nem sabia da sua existência, caso contrário, nunca as teria apanhado sem a sua autorização.
- E para que queres as flores? Perguntou o Gnomo.
  A menina respondeu com voz trémula:
- São para dar à minha mãezinha que faz hoje anos. Nós sonhos pobres e é a única prenda que eu lhe posso dar.
. Disse a menina já mais calma.
 O Gnomo tirou o seu barrete da cabeça e com ele a rodar numa das mãos disse:
- Muito bem! É para uma boa causa! Mereces as flores.
 Como prova da minha amizade e da minha gratidão por respeitares a Natureza, eu ofereço-te as flores e concedo-te um dom e este baú.
Dito isto, o Gnomo deu a volta ao cogumelo e apareceu com um pequeno baú na sua mão que entregou à menina dizendo:
- Este baú é mágico, tudo o que quiseres, se for pedido sem ganância, o baú dar-te-á. Basta para isso, abrir a sua tampa.
Mas toma cuidado, advertiu o Gnomo:
- Se pedires algo que não seja necessário, o baú desaparecerá e nunca mais o vês.
 Quanto ao dom, explicou o gnomo:
-Dou-te o poder de fazeres todos à tua volta felizes. Ninguém que esteja contigo sentirá tristeza.
E continuou:
- Agora vai para casa e dá as flores à tua mãe que ela bem merece.
 A menina muito contente pegou nas flores e no pequenino baú e voltou-se para ir para casa.
 Tinha dado apenas dois passos, quando se lembrou que não tinha agradecido ao seu amigo Gnomo.
 Virou-se para agradecer, mas já não encontrou o Gnomo nem o lindo cogumelo. Tudo tinha desaparecido por magia.
 A menina ainda pensou que tudo tinha sido um sonho, mas junto às flores que levava para a sua mãe, viu o pequeno baú e acreditou que na realidade o Gnomo da felicidade existe e que se encontra algures na Natureza.    
           A menina já em casa contou o que lhe tinha acontecido, mas os pais não queriam acreditar.
 Então a menina abriu o pequeno baú e pediu uma pequena festa de aniversário para a mãe e logo em cima da mesa apareceram muitas coisas boas e um lindo bolo de aniversário, com uma pequena placa feita de hóstia que dizia:
Parabéns mamã.
Os pais muito admirados, abraçaram a filha e agradeceram ao gnomo.
A partir desse dia, nunca mais faltou comida naquela casa.
E assim, todos viveram felizes para sempre e ainda hoje, tratam a natureza sempre com muito amor e carinho, respeitando tudo o que ela nos dá de livre vontade.
FIM

sábado, 26 de março de 2011

PAN E A FLAUTA MÁGICA

            

           No país do faz de conta, onde o sonho acontece muitas vezes, dando alegria a quem nele vive, havia uma floresta encantada, conhecida como o reino de Pan.
Pan era um ser lendário, que tinha as pernas de cabra e da cintura para cima era homem.
 Era conhecido como o rei Sauro que encantava todos aqueles que se aventuravam na sua floresta.
Pan, inventou uma flauta mágica que estava constantemente a tocar.
Com o som dessa flauta, comandava a Natureza. Fazia chover quando estava triste e fazia correr uma brisa suave por toda a floresta, quando se encontrava feliz.
 Nestes dias de felicidade, se alguém ouvisse a sua música, adormecia suavemente e tinha sonhos maravilhosos.
 Os animais da floresta dançavam ao som da sua música e viviam felizes.
            Quando Pan passeava pelas árvores, sem se aperceber, deixou cair a sua flauta e como andava por toda a floresta, não sabia aonde a tinha perdido.
Nesse dia, a floresta ficou triste sem a sua música. Pan procurou a flauta por todo o lado, mas não a encontrou.
           Um macaco que há muito tempo queria a flauta de Pan, encontrou-a e levou-a para fora da floresta para tocar sem que Pan ouvisse.
O macaco saiu com a flauta da floresta e andou muito tempo por serras e vales, até se encontrar bastante longe.
 Sem se aperceber, entrou numa quinta e quando se preparava para tocar a flauta, apareceu um menino pastor com as suas ovelhas e o seu cão de guarda.
O macaco com medo do cão, fugiu e deixou a flauta no chão.
            O menino pastor apanhou a flauta e começou a tocar.
A música que saia da flauta era tão suave e linda que as ovelhas começaram a dançar ao som de tão bela música.
O menino pastor quando viu as suas ovelhas a dançarem, lembrou-se da história que seu avô contava sobre a floresta mágica de Pan.
Como era pobre mas muito honesto, resolveu ir até à floresta para entregar a flauta ao seu legítimo dono.
E assim fez.
         Entrou na floresta e com medo, mas cheio de coragem, chamou por Pan.
Pan apareceu e vendo que o menino estava com medo disse:
-Não tenhas medo, eu não faço mal a ninguém e para te provar a minha gratidão, vou tocar uma linda música para ti.
Pan pegou na flauta mágica e começou a tocar.
A música era tão linda e suave que o menino adormeceu e sonhou. Sonhou que era rico, que tinha uma bela casa sempre com muita comida na mesa e que os seus pobres pais nunca mais passariam fome.
A sua mãezinha que se encontrava doente, já estava melhor e eram agora todos saudáveis e felizes.
Enquanto o menino sonhava, Pan que era mágico, via o sonho do menino reflectido nas folhas das árvores e para o compensar pela sua honestidade e bondade, fez com que o sonho do pequeno pastor se tornasse realidade.
Acordou o menino e disse:
- Vai agora para tua casa. Quando lá chegares tosquia as tuas ovelhas e a sua lã será transformada em ouro puro que poderás vender e ficar rico.
Como gratidão por me teres devolvido a flauta, a tua cabana será uma linda e grande casa e nunca mais passarão fome.
O teu sonho será realizado.
O menino agradeceu, saiu da floresta e foi para casa.
No caminho pensou que tudo não passara de um belo sonho, mas mesmo assim estava feliz porque tinha as suas ovelhas.
Como era altura da tosquia, resolveu tosquias as ovelhas, antes que o dia chegasse ao fim.
Quando acabou de tosquias as ovelhas, reparou que a lã era de uma cor parecida com a luz do sol e lembrou-se da promessa de Pan.
Olhou para a cabana e verificou que esta se tinha transformado numa linda casa e que a sua mãe e o seu pai, muito admirados, estavam à porta sem saber o que tinha acontecido.
Então o pequeno pastor contou a sua história e todos ficaram agradecidos a Pan por tal milagre.
Nesse instante, sentiram uma brisa suave a passar por eles e ouviram uma linda música no ar.
             Nas nuvens por cima das suas cabeças, apareceu a figura de Pan que os saudou até desaparecer com o vento, levando consigo a sua bela música.
            O pequeno pastor e a sua família viveram felizes para sempre.

FIM

quarta-feira, 23 de março de 2011

A VERDADEIRA AMIZADE (Uma história que bem poderia ser verídica se no Mundo não houvesse tanto egoísmo e preconceito)

              

               Numa linda cidade do nosso país, havia dois meninos que andavam na mesma escola, embora fossem de níveis sociais diferentes. O Joãozinho, filho de uma família rica que vivia numa grande vivenda com piscina e um lindo jardim e o Júlio, menino pobre, que vivia numa casinha junto à doca de pesca, num bairro habitado por pescadores.
                 Quis o destino que ambos nascessem no mesmo dia e com dez anos de idade, andavam ambos na mesma escola. Como colegas, eram muito amigos e na escola, não faziam nada um sem o outro. Na sala de aulas, sentavam-se um ao lado do outro, e no recreio, eram sempre companheiros nas brincadeiras. Nos estudos, o menino pobre era mais inteligente que o seu amiguinho rico e sempre que o via aflito com qualquer matéria que a professora mandasse fazer, de imediato ajudava-o em primeiro lugar e só depois é que fazia o seu trabalho.
                Os pais do Joãozinho não se importavam com essa amizade, antes pelo contrário, reconheciam no Júlio um bom menino e uma boa influência para o seu filho.
                No dia em que ambos fizeram anos, o Joãozinho chegou à escola e a primeira coisa que fez foi dar os parabéns ao seu amigo Júlio e disse: - Amigo, logo ao fim da tarde os meus pais vão fazer-me uma grande festa, vou receber muitos presentes, e tu estás convidado. O Júlio deu também os parabéns ao seu amigo, mas ficou com uma cara triste. O Joãozinho vendo o seu amigo triste perguntou: - O que tens? Estás doente? O Júlio respondeu: - Sabes amigo, não é nada de saúde, mas é que eu nunca tive uma festa de aniversário, nem um único bolo com velas e muito menos um presente. Mas fico feliz por ti meu amigo. O sino tocou e ambos entraram para a sala de aulas. Passado algum tempo, o menino rico pediu à professora para ir à casa de banho. Saiu da sala e em vez de ir à casa de banho, tirou o seu telemóvel do bolso e falou com os pais. Voltou para a sala muito contente.
             No final das aulas, ambos foram para a casa do Joãozinho no carro do seu pai, mas antes passaram pela casa do Júlio e pediram à mãe deste, para o deixar ir à festa.
            Quando chegaram à vivenda do Joãozinho, o Júlio ficou admirado por ver uma casa tão grande. E mais deslumbrado ficou, quando viu que o seu amigo tinha um quarto grande só para ele e que esse quarto tinha muitas coisas lindas! Muitos brinquedos; muita luz e uma casa de banho só para ele.
          Brincaram muito, não só os dois, mas também todos os outros meninos que o Joãozinho tinha convidado.
            Passado algum tempo, ouviu-se a voz da mãe do Joãozinho na porta do quarto: - Meninos! Chega de brincadeira, vamos todos lavar as mãos e vamos para a sala que o lanche está pronto. Quando chegaram à sala, viram uma grande mesa cheia de coisas boas e ao centro da mesa, dois bolos de aniversário, ambos com velas a indicar dez anos. O Júlio muito admirado com tanta fartura disse muito contente, olha Joãozinho! Tens dois bolos de aniversário! Que lindos! O Joãozinho disse; -Não meu querido amigo. Um dos bolos é teu. Parabéns que esta festa também é para ti. E abraçou o amigo com muita força ao mesmo tempo que todos começaram a cantar os parabéns ao Júlio. O Júlio chorou de alegria e o seu amigo chorou com ele. No fim da festa, o Joãozinho pegou numa grande e linda caixa e deu ao seu amigo Júlio dizendo: - Toma amigo; Esta é a tua prenda! O Júlio abriu a caixa e lá dentro estava um lindo computador com um lindo cartão de parabéns que dizia: - Para o meu melhor amigo. Parabéns! Assinado Joãozinho.
              Os anos passaram, ambos seguiram o seu caminho. O Joãozinho estudou medicina e é hoje um bom médico. O Júlio tornou-se um excelente gestor de empresas.
      Ambos vivem na mesma cidade e continuam a ser muito amigos. Juntos ou separados, quando se reúnem com os amigos, fazem lembrar sempre que a verdadeira amizade nada tem a ver com a condição social ou com o dinheiro. A verdadeira amizade vem sempre do coração sem qualquer interesse por trás.

FIM

domingo, 20 de março de 2011

O LAGO ENCANTADO - CONTO INFANTIL

         

        O LAGO ENCANTADO
No país do faz de conta, onde o sonho acontece muitas vezes, dando alegria a quem nele vive, havia um casal com três filhos, dois rapazes e uma menina, que eram muito pobres.
O pai trabalhava na floresta como lenhador e levava consigo os dois rapazes para o ajudarem no corte das árvores que depois vendiam na cidade. A mãe era lavadeira e lavava no rio, as roupas das pessoas ricas da cidade. A menina ficava em casa a arrumar a pobre mas muito limpa casinha que o seu pai fizera com a madeira das árvores que cortara na floresta e onde viviam todos juntos. Além de arrumar a casa, a menina também fazia o almoço e o jantar para toda a família.
Num dia de primavera, a menina depois de fazer o almoço foi apanhar umas flores do campo, para dar mais alegria à casa. No campo, junto das flores começou a falar com elas dizendo:
- Que lindas cores vocês têm, como devem ser felizes assim vestidas!...Quem me dera a mim poder ter um vestido assim tão belo!...Mas como somos pobres, o dinheiro mal chega para comprar comida, nunca o poderei ter. - E começou a chorar baixinho.
Uma lagarta que estava ali perto, no meio das flores, ouviu a menina e disse:
- Não fiques triste. Como és sempre muito boa para com todos os animais, pois és incapaz de matar uma simples formiguinha ou de maltratar uma pequena lagarta como eu, eu e os meus amigos vamos te ajudar.” E continuou:” Eu sou a lagarta da seda que vós humanos chamam de bicho da sede. Vou fazer muitos fios de seda e vou pedir à aranha que os teça para fazer um tecido lindo com as cores destas flores e assim já podes fazer o teu vestido.
A menina agradeceu e ficou à espera que tal milagre acontecesse. O tempo foi passando e a menina nunca mais viu a lagarta. Apenas via uma borboleta a esvoaçar de flor em flor.
Quando já tinha perdido a esperança e ter pensado que tudo não tinha passado de um sonho, apareceu a borboleta que lhe disse:
- Como te prometi, o teu tecido está pronto. Vai ao lago da floresta e chama pelo beija-flor. Ele te indicará o caminho.
- A menina muito admirada perguntou:
- Mas quem és tu? Tu nunca me prometeste nada! Quem me prometeu foi a lagarta!
A borboleta riu-se e disse:
- Pois foi minha amiga, a lagarta sou eu que me transformei em borboleta e tu, com o tecido que te oferecemos, também te podes transformar numa linda princesa.
A menina cheia de esperanças foi até ao lago e chamou:
- Beija-flor! beija-flor!...
- De repente, vindo do meio das flores, apareceu um bando de passarinhos que traziam preso pelos bicos, um lindo tecido com as cores de todas as flores da primavera.
O beija-flor que vinha à frente disse:
- Toma é teu. Não o leves para casa. Guarda-o aqui junto ao lago encantado e todos os dias virás cá para o costurar até o vestido ficar pronto. Pedimos apenas um pequeno segredo. Não contes a ninguém. Isto é um segredo que é só nosso. Lembra-te disto.
A menina guardou o tecido e foi para casa muito contente e todos os dias, depois de arrumar a casa, ia ao lago costurar o seu vestido e era ajudada nesta tarefa por todos os animais da floresta.
No dia em que o vestido ficou pronto, a menina vestiu-o e ficou linda como o mais lindo dia de primavera. Contente começou a dançar e sem reparar, os seus pés saíram do chão e ela voou pelas nuvens e foi poisar no jardim de um lindo palácio.
O príncipe dono do palácio ao vê-la, apaixonou-se logo por ela e pediu que casasse com ele. Mas a menina antes de dizes que sim, contou a sua história ao príncipe e disse que a sua família era muito pobre e não a podia abandonar.
O príncipe que ouvia com muita atenção disse:
- Não te preocupes. Eu sou muito rico e vivo neste palácio grande. Vamos buscar a tua família e todos viveremos aqui como uma família só.
A menina disse que sim, mas também tinha de ir agradecer aos seus animais amigos.
O príncipe foi com ela, montados num lindo cavalo branco. No local onde deveria estar o lago, não havia nada, apenas árvores. Dos animais nem rasto. A menina e o príncipe foram a casa de madeira e convidaram a família a ir viver para o palácio.
À noite no seu quarto, a menina estava triste e nisto viu uma borboleta que poisou no seu ombro e disse muito baixinho:
- Não fiques triste! O lago está lá e nós também. Lembra-te do que te disse o beija-flor? O lago é encantado e o segredo é apenas nosso, Só nós o podemos ver!
E continuou:
- Quando estiveres triste vai lá sozinha e verás que os teus amigos te receberão com alegria. Dorme bem querida amiga.
E a borboleta desapareceu.
A menina casou com o príncipe e tornou-se princesa e todos os dias a menina tirava um bocado do dia para ir ao lago encantado ver os seus amiguinhos. Assim, viveram todos muito felizes para sempre
FIM

sábado, 19 de março de 2011

O ROUXINOL - CONTO INFANTIL



             Num dia lindo de primavera, numa floresta com bosques frondosos, nasceu um pequeno passarinho cinzento.
O passarinho não era todo cinzento, tinha penas com tons de castanho e com o peito da cor do fogo.
Nessa floresta, havia um bosque encantado.
A fada, madrinha do bosque pôs o nome de rouxinol ao passarinho e pediu à menina princesa do bosque encantado, que tomasse conta do seu lindo, mas frágil afilhado e que nunca o deixasse voar para fora do Bosque.
        O rouxinol desde muito cedo encantou todos os habitantes do Bosque com o seu lindo canto.
Cantava desde o nascer do dia até ao por do Sol, sempre na companhia da sua amiga princesa.
Do por do sol ao amanhecer, era a vez dos grilos e outros insectos cantarem em conjunto, fazendo uma música também muito alegre que ecoava por toda a floresta.
No bosque encantado, todos os habitantes viviam felizes.
Ninguém sentia medo naquele bosque, pois ouvindo o canto do rouxinol durante o dia e o canto dos grilos durante a noite, sabiam que estavam todos em segurança
. Depois do por do Sol, o lindo rouxinol ia descansar no seu ninho e a menina princesa pedia à coruja que ficasse de guarda, enquanto o rouxinol dormia, para que nada de mal lhe acontecesse.
 Passavam os dias e nada acontecia que perturbasse o sossego do Bosque. Era sempre tudo tão calmo e encantador!...
Numa noite de verão, altura em que fazia muito valor, a coruja sentiu cede e pensou para si mesma:
- Este bosque é calmo, todos são amigos uns dos outros, ninguém faz mal a ninguém. O pequeno rouxinol está a dormir na segurança do seu ninho. Vou um instante até ao rio que fica aqui perto beber um pouco de água e volto já.
A coruja não pressentindo qualquer perigo, saiu do seu posto de vigia e foi até ao rio beber água.
Demorou muito pouco tempo, mas foi o tempo suficiente para alguém levar o rouxinol.
Quando o dia nasceu, não se ouviu o canto do belo rouxinol e todos os habitantes do bosque encantado ficaram tristes e com medo.
 Chegou a noite e também por estarem com medo, os grilos e os outros insectos não cantaram.
 Era um silêncio total.
 Ninguém dormiu nessa noite.
 A menina princesa, sem o canto do rouxinol ficou doente e pediu a todos os seus amigos que procurassem o rouxinol.
 A coruja que se sentia culpada por ter deixado o seu posto de vigia, voou muito alto e lá das nuvens viu o pobre rouxinol preso numa gaiola feita de ouro que se encontrava na varanda do palácio do príncipe Fauno.
 O príncipe fauno, tinha pés de cabra e cabeça de duende, era muito invejoso e queria o cantar do rouxinol só para ele.
Mas o rouxinol preso, não cantava, pois tinha saudades da sua amiga princesa e da liberdade que o permitia voar de árvore em árvore pelo Bosque todo.
 Triste por não poder voar, preso na sua prisão dourada, também adoeceu e ficou deitado no fundo da gaiola
 O Príncipe Fauno, pensando que a ave estava morta, abriu a porta da gaiola, tirou o pássaro e deitou-o fora.
 A coruja que tinha ido ao palácio para libertar o seu amigo cantor, viu a pobre passarinho deitado na erva por baixo da gaiola.
Aproximou-se e ouviu o coraçãozinho da pequena ave a bater.
Cheio de esperanças, voou até ao rio e trouxe água fresca no bico.
Ao chegar junto à pequena ave, pegou no rouxinol caído no meio da erva, deu-lhe um pouco de água que levava no bico e o belo rouxinol acordou.
 Quando se sentiu livre e com forças, ajudado pela coruja, voaram em direcção ao Bosque encantado.
 Quando chegaram junto da menina princesa, o rouxinol começou a cantar e com o seu belo canto, a menina ficou melhor.
 A vida retomou o seu curso e todos no Bosque encantado viveram felizes para sempre, ouvindo constantemente o lindo canto do rouxinol.
FIM



sexta-feira, 18 de março de 2011

O MENINO TRISTE E A BORBOLETA - Fábula infantil para a minha Neta LIA

      



    No país dos sonhos e contos de fadas, havia um menino que andava sempre triste, pois não sabia sonhar. Um dia, o menino triste saiu de casa para dar um passeio pelo jardim e ao passar junto a um canteiro, viu uma linda borboleta a esvoaçar de flor em flor. Sentou-se numa pedra à sombra de uma árvore, a ver a linda borboleta e começou a pensar em voz alta.” Ai, ai, como gostaria de ser feliz como esta pequena borboleta! Ser alegre, lindo e poder voar de flor em flor, ver o Mundo do alto em vez de andar aqui no chão sem ter nada que me alegre!”A borboleta ouviu o menino, aproximou-se e disse:” Amiguinho! porque estás sempre tão triste? Alegra-te que o Mundo é belo. Eu já fui como tu. Já andei pelo chão a rastejar, sem poder voar, mas agora sou feliz!...” O menino admirado com tais palavras perguntou: “Como assim? Explica-te melhor que eu não estou a compreender nada?”A linda borboleta então começou a contar a sua história. “Sabes, eu nasci lagarta, como esta que está ali naquele pé de rosa a comer as folhas da roseira e a deixar um rasto de fios de seda. Mas depois, com os fios de seda fiz uma casa e fechei-me lá dentro. Nesse meu mundo fechado, fui-me transformando. Nasceram-me as asas e tornei-me nesta linda borboleta que agora vês. O teu mundo, menino, é muito maior que o meu e com um pouco de imaginação, podes também, teres aventuras lindas e seres muito feliz. Eu mostro-te como se faz. Fecha os olhos e pensa que estás a voar e que nesse teu voo vês coisas lindas. Vais ver que tudo se torne belo e alegre. O menino assim fez e começou a imaginar que estava a voar com a borboleta e com os pássaros, que se tinha tornado numa grande e linda águia, com cores lindas nas suas penas. E que estava a ver coisas maravilhosas à sua volta. Montes e vales cheios de flores, árvores e também um lindo rio com água fresca e azul que corria por um campo rodeado de erva verde com flores brancas e vermelhas. Cheio de sede e com calor, mergulhou nas águas do rio e transformou-se num belo peixe que nadava alegremente contra a corrente do rio. De repente viu-se num lindo vale e reparou que já era menino outra vez. Saiu das águas do rio e deitou-se á sombra de uma linda árvore a olhar o céu azul. Adormeceu e sonhou que era um príncipe e que cavalgava um lindo cavalo branco, livre como os passarinhos. Começou a ouviu a voz da sua mãe a chamar por ele. A sua mãe parecia que estava longe, pois a voz vinha muito fraca e ia ficando cada vez mais forte até que o acordou. Olhou à sua volta e viu a linda borboleta poisada na flor. Aproximou-se e disse muito baixinho. “ Obrigado borboleta. Nunca mais ficarei triste, pois agora já sei sonhar e nos meus sonhos poderei ser quem eu quiser!...A mãe viu o filho muito alegre e também contente perguntou: “Meu filho o que te aconteceu que estás muito feliz? O menino que já não era triste apenas respondeu: Nada querida mãe, apenas observei uma linda borboleta a esvoaçar de flor em flor e isto mostrou-me como o Mundo é belo E viveu feliz e alegre para sempre!...

FIM

terça-feira, 15 de março de 2011

O Macaquinho Verde e o Leão - Fábula Infantil

         




O Macaquinho Verde e o Leão

           Lá muito longe, na floresta africana, numa noite linda de primavera, banhada por uma grande Lua redonda e muito brilhante, nasceu um macaquinho verde.
O macaquinho para além da cor, era também diferente dos outros no tamanho.
 Era pequenino e magro, mas muito brincalhão e inteligente.
 No mesmo dia, nasceu na savana africana um leãozinho forte e grande. Tão forte que os outros de imediato viram nele um líder.
 Com o passar dos tempos, o macaquinho verde cresceu, mas manteve-se sempre mais pequeno e magro que os seus irmãos. Contudo, manteve-se também mais inteligente e ágil que eles.
 Já no meio da savana, o leãozinho crescia e ficava cada vez mais forte e grande.
 Nasceu-lhe uma bonita juba preta à volta do pescoço e a sua pele era de um castanho dourado que quando lhe batia o sol, deixava reflectir raios de luz.
            No reino das árvores, o macaquinho verde, devido à sua agilidade e inteligência, tornou-se o príncipe da floresta.
Do outro lado das árvores, o leãozinho, tornava-se o rei da savana e todos os outros animais o consideravam como o rei dos animais.
 Assim, o leãozinho já crescido, era temido e respeitado por todos.
             No reino das árvores, em plena selva africana, o macaquinho verde também era respeitado como príncipe, pois, devido à sua agilidade e inteligência, era sempre o primeiro a dar o alerta quando o perigo se aproximava e era ele quem indicava o caminho, voando de árvore em árvore para levar toda a família e amigos para longe do perigo.
           Também era ele que conhecia as melhores árvores de frutos que consistia no principal alimento de todos os macacos.
           Um belo dia, o macaquinho, farto das sombras das árvores resolveu dar um passeio pela Savana.
Vendo um lindo lago azul, cheio de sede, resolveu aventurar-se um pouco mais e aproximou-se do lago, tomando todas as cautelas possíveis e olhando bem para todos os lados para ver se não havia perigo.
 Mas não reparou que no meio da erva alta e seca de tons dourados, se encontrava escondido o rei leão que tinha a mesma cor que a erva.
           Quando distraído estava a beber a água fresca do lago, apareceu de repente o leão que de um salto agarrou o macaquinho entre as patas e disse:
 - Ainda bem que apareceste, pois eu estava a ficar com fome e assim já tenho o que comer.
 O Macaquinho muito aflito, antes do leão o meter na boca disse apressadamente:
 - Vossa alteza não se contentará certamente com um macaquinho fraco e doente!...
 -Doente?! Retorquiu o leão um pouco desconfiado.
 Diz-me lá que doença tens?
 O macaquinho que era muito inteligente rapidamente inventou uma doença e disse:
- Vossa alteza não conhece a doença da lua? Pois é essa a terrível doença que eu tenho. É tão grave que encontro-me aqui sozinho. Pois na selva ninguém me quer lá com medo de também a apanhar!...
 Doença da lua? Que doença é essa que eu não conheço? Retorquiu o leão.
O inteligente macaquinho depressa se pôs a explicar a doença:
-Vossa majestade não vê no enorme céu a brilhante lua? Não repara como ela depois de estar tão bonita começa a desaparecer aos poucos e acaba por morrer? É certo que depois nasce outra! mas já não é a mesma! É outra que toma o seu lugar!
 O leão desconfiado perguntou:
- Como é que sei que não estas a mentir?
 O macaquinho, vendo que o leão estava a ficar com medo, respondeu:
-Vossa majestade não vê que eu sou verde enquanto os meus irmãos são cinzentos? Pois quem tem esta doença fica verde e ela é muito contagiosa! Basta alguém tocar-me pata também ficar doente! E o pior, é que só eu sei a cura.
 Fez uma pausa para ver a reacção do leão e continuou:
- Eu arrisquei vir ao seu território para apanhar esta água, pois necessito dela para fazer o remédio para me curar.
- Vossa majestade já deve estar contaminado! Mas não se preocupe! Quando estiver a ficar verde, basta dar um grito que eu venho logo a correr para o curar! Pois sei como esta doença é dolorosa.
- O leão depois de muito pensar, cheio de medo, libertou o pobre macaquinho que prontamente se pôs em fuga para as árvores, salvando assim a sua vida e mostrando a todos que a inteligência é mais importante que a força bruta.
FIM

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

CONTO INFANTIL - O patinho Amarelo - PARA A MINHA NETA LIA

    



Numa quinta onde havia muitos animais grandes, como cavalos, vacas e ovelhas e que era guardada por um grande cão, havia também um pequeno patinho amarelo que andava sempre muito aborrecido por não ter com quem brincar! Perguntava aos cavalos – Cavalinhos, eu sou pequenino não tenho com quem brincar!... Querem brincar comigo? Os cavalos respondiam: - Não podemos patinho! temos de trabalhar! Puxar o arado para lavrar a terra e levar a carroça com os legumes à feira, onde o nosso dono vai vender os produtos da quinta! Vai perguntar aos outros animais?! Perguntava às vacas: - vaquinhas eu sou pequenino não tenho com quem brincar! Querem brincar comigo? As vacas respondiam: - Não podemos patinho, temos de comer muita erva para dar bom leite para o nosso dono vender na cidade e fazer queijos e iogurtes! Vai procurar outros para brincar contigo! O patinho coitado andava triste com a cabeça baixa, pois ninguém queria brincar com ele. Chegou-se junto das ovelhas e perguntou: - Ovelhas querem brincar comigo? Mas estas também responderam: - Não podemos patinho, temos de comer muita erva fresca para dar boa lã para o nosso dono nos tosquiar e vender na cidade! Nas fabricar onde fazem casaquinhos quentinhos para os meninos vestirem! O patinho amarelo coitado, andava sempre de um lado para o outro, à procura de um companheiro para brincar! De repente lembrou-se: Talvez o cão que está ali sempre deitado, não trabalha, queira brincar comigo?! E cheio de esperanças abeirou-se do cão e perguntou: - Cãozinho lindo queres brincar comigo? Eu sou pequenino não tenho com quem brincar? Mas nem o cão da quinta podia brincar com ele! E o cão Disse: - não posso patinho! Tenho de tomar conta da quinta para os ladrões não roubarem e se vou brincar, o nosso dono ficará zangado! Os outros animais ao fim do dia, quando acabavam o trabalho passavam pelo patinho e cantavam:  O patinho amarelo é bonacheirão, anda, anda, anda sempre a olhar p´ro chão! - Um dia, vendo o portão da quinta aberto, pois o dono da quinta tinha ido à cidade e o cão tinha ido beber água! saiu por ele e foi pelo caminho fora à procura de alguém com quem brincar!... Andou, andou e chegou a uma pequena casa à beira de um lago. Cheio de coragem bateu à porta; - Truz! Truz, truz! Lá de dentro ouviu-se uma voz que perguntou Quem é? O patinho amarelo cheio de coragem respondeu: - Sou o patinho amarelo que se sente sozinho e venho à procura de um amigo para brincar?! A porta abriu-se e apareceu um pequeno sapo verde e amarelo que disse: sejas bem-vindo à minha casa. Eu sou o sapo cocas e também estou sozinho! Assim já somos dois para brincar! Depois de muito brincarem, o patinho amarelo disse: -Sabes amigo! A brincadeira está muito boa, mas se houvesse mais alguém para brincar connosco seria muito mais divertido!... Então o sapo cocas lembrou-se que conhecia na floresta um amigo que não se importava de brincar com eles. Assim, meteram-se a caminho pela floresta dentro e encontraram uma casa feita numa árvore. Bateram à porta e ouviram um guincho vindo de dentro da casa. Uíc!, uíc. O patinho amarelo estava a ficar assustado, mas o sapo cocas sossegou-o dizendo:- Não tenhas medo!. É apenas o malandro do meu amigo Chico. Vais ver que vais gostar dele?! À porta da casa apareceu de um salto um pequeno macaquinho que disse: - Viva! Eu sou o Chico chicão e gosto muito de brincar e os amigos do meu amigo cocas também são meus amigos! Vamos brincar os três. Mas só os três? Não tens mais nenhum amigo aqui perto? Perguntou o patinho. Tenho pois?!, podemos ir buscar o senhor leitão que também gosta muito de brincar! E lá foram. Junto a um rio encontraram uma casinha e o Chico Chicão bateu à porta e chamou senhor leitão, senhor leitão! Lá de dentro ouviu-se uma voz: Quem é? Sou eu o Chico Chicão e venho com uns amigos para brincar? A porta abriu-se e apareceu o senhor leitão que disse: Olá amigo Chico! Quem são os teus amigos? O Chico disse: Este aqui ao lado é o sapo cocas que mora no lago e o outro é o patinho amarelo que vive na quinta! Viemos todos brincar contigo! Muito bem disse o senhor leitão, mas esperem um momento que eu tenho uma surpresa. Entrou em casa e chamo: - Tedy, Tedy, vem cá! O Chico chicão olhou para o sapinho e para o patinho e disse muito admirado: Tedy!? Quem é? Não conheço! O senhor leitão sempre viveu sozinho!...Nesse momento apareceu à porta um ursinho que disse: Olá, eu sou o Tedy o ursinho polar e vim do pólo norte onde vivo, para passar umas férias aqui com o meu amigo leitão! Muito bem disse o senhor leitão, apresentando os outros. Ursinho, este que está ao teu lado é o Chico Chicão e vive na floresta; o outro é o sapo cocas que vive no lago e o último é o patinho amarelo que mora na quinta. Agora já somos cinco, já podemos brincar todos juntos. E lá foram brincar. Brincaram à apanhada, à roda, brincaram com as borboletas, com os passarinhos, com as joaninhas, brincaram toda a tarde. A certa altura, o senhor leitão disse: Bem amiguinhos, a brincadeira está muito boa, mas eu tenho de ir fazer o jantar! Brinca mais um bocado ursinho, mas não te demores que já se faz tarde! Assim, ficaram quatro a brincar. Passado mais algum tempo, o ursinho disse: olhem amigos, eu também tenho de me retirar. Sou convidado e é muito feio um convidado fazer o dono da casa esperar. Até amanhã; e saiu. Ficaram apenas os três a brincar e foram a caminho da floresta onde vivia o macaquinho. Quando chegaram junto às árvores e Chico viu que já estava a ficar escuro. O Sol já se estava a esconder no Horizonte. Então disse: - Que pena, o dia está a acabar e eu tenho de ir para casa. Não posso chegar depois do meu pai, senão ele fica zangado. Até a amanhã amigos. Amanhã voltem para brincarmos outra vez! O sapinho vendo que realmente estava a ficar escuro, disse. Bem patinho, eu também vou para casa e tu também tens que ir para a quinta já está a ficar escuro e não é bom anda à noite sozinho! Até amanhã patinho, dorme bem. O patinho lá foi sozinho para a Quinta. Quando chegou ao portão, estava lá o cão que disse: Ora viva patinho! Onde estiveste o dia todo? Eu não te vi por cá? O patinho muito contente respondeu; - Fui brincar, encontrei quatro amigos que brincaram comigo e estou muito feliz. Amanhã vou brincar outra vez! Nisto vinham do trabalho, os outros animais da quinta e ao verem o patinho começaram a cantar: - O patinho amarelo é bonacheirão, anda, anda, anda sempre a olhar p´ro chão! O patinho muito feliz interrompeu a cantiga e disse. Não! Já não é assim que se canta! Olá patinho disse o cavalo. Estás muito feliz! Então diz lá como se canta agora? E o patinho começou a cantar: - O patinho amarelo é um amigão, a uma brincadeira nunca diz que não. O patinho amarelo é um amigão, a uma brincadeira nunca diz que não! E foi para a sua casinha muito contente. Dormiu muito bem e sonhou com os seus novos amiguinhos e com as brincadeiras. E assim viveu feliz para sempre.

F I M

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Um conto infantil - O Príncipe que queria casar

     



Conto Infantil
O Príncipe que queria casar

              Era uma vez um príncipe que queria casar. Então mandou preparar uma grande festa nos jardins do seu palácio e convidou todas as meninas do seu reino.
              No dia da festa foi á varanda do castelo e perguntou às pessoas que estavam no jardim.
              - Quem quer ser a minha noiva?
             Todas as meninas que lá estavam responderam:
              - Quero eu, quero eu!...
             Então o príncipe olhou para o fundo do pátio e viu uma linda menina que estava muito envergonhada e meio escondida por uma árvore. O príncipe chamou-a e perguntou:
             - Como te chamas?
            A menina muito envergonhada respondeu:
             – Chamo-me Alice e venho de um país muito distante que se chama o país das maravilhas!
           O príncipe encantado com a beleza da menina disse:
           - És muito linda! Queres ser minha noiva?
           Alice respondeu que sim.
          O príncipe e a sua princesa foram passear pelos jardins do palácio, mas de repente, lembrou-se que necessitavam de uma bailarina para dançar na sua festa! Então voltaram atrás e o príncipe perguntou às outras meninas:
          - Quem quer ser a bailarina no meu baile?
          - Quero eu, quero eu, respondeu uma menina também muito bonita.
        O príncipe perguntou:
        - Como te chamas?
        A menina respondeu:
        - Chamo-me Bela e sou a bailarina da cidade.
        - Muito bem disse o príncipe. Vamos todos para o palácio. Mas de repente lembrou-se que necessitavam de um padre ou de um santo para os casar? Então perguntou ao povo:
        - Há aí algum padre ou homem santo que nos queira casar?
        Ninguém respondeu.
        O príncipe já estava a ficar triste quando de repente apareceu no seu trenó o pai Natal que disse:
        - Oh! Oh! Oh!….Eu sou o santo Nicolau, mais conhecido por Pai Natal e posso casar-vos se vossa majestade assim o quiser.
        - Obrigado pai Natal disse o príncipe todo contente. Vamos então para o palácio para começar a festa do casamento.
       Nisto a princesa escorregou e magoou um pé.
       O príncipe muito aflito perguntou:
       - Há por aí alguém que possa curar a minha amada?
       Uma voz vinda da multidão respondeu:
      - Eu!... Eu posso curar a princesa!
      O príncipe perguntou:  
      - Como ter chamas?
     A menina que tinha o braço levantado respondeu:
     - Sou a enfermeira Maria e trabalho no hospital da cidade!
     Ainda bem disse o príncipe. Assim já somos cinco. Eu, a princesa, a bailarina, o pai natal e a enfermeira. Cinco dedos tem uma mão. Vamos todos contar. I,2,3,4,5. E com cinco dedos se pode contar muitas histórias, basta usar a imaginação.
   A enfermeira curou o pé da princesa e foram todos para o palácio onde havia uma grande festa. Depois do casamento o príncipe e a princesa foram até ao país das maravilhas, onde viveram felizes para sempre.


                                                            F I M

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

USOS E COSTUMES – DIREITO DAS MULHERES



Continuando com o tema usos e costumes, o Querer e não Poder vai hoje fazer um pequeno resumo, procurando chamar a atenção para dois temas muito controversos, que teimam em se manter em voga em certos países de África e Médio Oriente. A condenação à morte por apedrejamento e a excisão, cujas vítimas são exclusivamente mulheres. O Irão/Iraque, antiga Pérsia, já foi justamente considerada como sendo o berço da civilização, pois foi nesta zona do globo que o ser humano criou as primeiras cidades, inventou a escrita e implementou códigos de conduta. Contudo há usos e costumes, que pela força dos tempos se tornaram leis, que já há muito deveriam ter seguido o exemplo da humanidade e evoluir, aproveitando-se o bom e excluir ou modificando-se o mau. È o caso do apedrejamento da mulher adultera até à morte. Quem não se lembra do famoso caso de Madalena, condenada à morte por esta prática e que Jesus Cristo salvou, fazendo apenas uma simples pergunta.”Quem não tiver pecados que atire a primeira pedra”. E segundo a Bíblia, ninguém teve coragem para atirar a primeira pedra e Madalena foi salva de uma morte horrível. Recentemente, dois mil anos depois, Uma mulher de nome Sakieh Mohammadi Ashtiani, de 43 anos de idade, foi condenada à morte por lapidação, que consiste em enterrar a mulher até à cintura e depois atirarem pedras para a ferir até à morte. Que coisa mais bárbara. E mais grave ainda é que o crime foi apenas e só, uma suspeita de adultério. Como esta senhora, também outras têm sido mortas do mesmo modo e pelo mesmo motivo. Verifica-se que por esses lados a mulher continua a não ter qualquer valor como ser humano. Será que a religião por lá praticada é um entrave para a equiparação mais que justa entre o masculino e o feminino? Será que em pleno século XXI, o homem habitante ou natural do antigo berço da civilização, ainda continua a pensar como no primeiro século? Ou será que há algo mais que o não deixa evoluir? Esta famigerada lei/costume, infelizmente também se aplica em certos países Africanos e o grave é que também nesses países, por coincidência, se pratica como culto a mesma religião. Não quero aqui condenar a religião que, pelo que sei, nada tem a ver com tais práticas, mas condeno o homem que se aproveita a religião, interpretando-a segundo a sua conveniência, mantendo leis apenas dirigidas para a condenação da mulher, procurando assim elevar o sexo masculino. A par desta lei, existe outra, que também muito tem preocupado o Mundo civilizado. É o caso da Amputação genital feminina que também é praticada como uso e costume, principalmente em certos países do centro de África e Médio Oriente. O costume de cortar o clítoris, culpando a civilização e o uso e de um povo, não é motivo suficiente para se privar a mulher de um órgão importante no seu desempenho sexual. Se tivermos em conta que nessa mesma cultura é lícito o homem ter várias mulheres como esposas, ainda mais grave se torna esta aberração chamada de uso e costume de um povo possuidor de tal cultura milenar. O homem e a mulher, como seres humanos são iguais e ser iguais, não é só ter o mesmo aspecto físico mas também e acima de tudo, ter direitos iguais. Não compreendo e, aqui não venham falar em nome de uma cultura, pois não pode e não deve existir cultura que faça distinção sexual entre o masculino e o feminino. Ou peno menos, não pode ser chamado de cultura. A ideia de que ao homem tudo é permitido e à mulher tudo lhe é negado, não pode ter cabimento no Mundo moderno. Caso contrário, estamos a contrariar a própria natureza da evolução humana que nos diferenciou dos restantes animais. O animal chamado irracional, não faz diferença entre sexos, dentro da mesma espécie. Então qual a razão do homem, animal considerado racional o Fazer? Por certo só pode ser por maldade pura que nada tem a ver com cultura de um povo. O Povo merece maior e melhor respeito e, quando se fala em povo, não se está a referir apenas ao sexo masculino, mas também ao feminino. Estes dois usos e costumes bárbaros, a morte por apedrejamento e a mutilação genital feminina, apenas se praticam em culturas atrasadas, onde o intelecto humano não se desenvolveu ao ponto de considerar igualdade entre os sexos. Nestas culturas, o homem, fisicamente mais forte, continua a impor uma escravatura à mulher, que por viver num regime rígido, ainda não se libertou da sua condição de inferior. O medo, a insegurança de uma vida economicamente independente é o grande motivo para esta aparente aceitação da mulher, embora forçada, de tal regime. No dia em que as amarras se soltarem, a mulher viverá muito mais infeliz e o Mundo fica muito melhor. Vamos todos dizer não a estas práticas desumanas, vamos todos apelar pela verdadeira libertação da mulher, pela mais que justa igualdade entre sexos. Ao Irão, vamos todos apelar que mostre ao Mundo que o povo Muçulmano não é bárbaro e que é tão evoluído como o resto do Mundo civilizado, salvando Sakieh Ashtiani de uma condenação que apenas aconteceu por ser mulher.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA


Não vamos fazer orelhas mocas; não vamos dizer que isto não me diz respeito; nem tão pouco vamos pensar que só acontece com os menos cultos. Não!... Não é verdade. A violência doméstica existe em todas as classes sociais e, existe em maior número do que se pensa existir. Prova disto mesmo é o caso passado com Isaura Morais, presidente da Câmara Municipal de Rio Maior, relatado na revista “Maria” referente à semana de 15 a 21 de Agosto do corrente ano. Este flagelo, ainda visto em certos lares e famílias como um caso normal, simples arrufos entre marido e mulher, onde ainda está em voga o velho e triste ditado popular de “ entre marido e mulher não metas a colher”, é bastante anormal, sério e preocupante, para se deixar passar em claro. A coragem de Isaura Morais é o exemplo a seguir por todos aqueles que são vítimas de violência. Toda a violência, seja ela qual for, deve ser banida, custe o que custar. Infelizmente ouve-se com muita frequência cenas de violência contra os idosos, contra as crianças, contra os animais indefesos e principalmente contra a própria companheira ou companheiro. Digo companheiro, porque embora na maioria dos casos a vítima seja a mulher, também há vítimas entre os homens; entre as crianças; entre os idosos; portadores ou não de deficiências. A violência não é apenas física, mas também psíquica e muitas vezes, a violência dirigida através de palavras ou actos, é muito pior do que a física., contudo menos visível. Mas não é por isso que deve ser menos condenável. Todos os actos de violência devem ser combatidos energicamente sem se preocupar em olhar para a classe social dos intervenientes. O crime de violência doméstica é considerado por lei, um crime público e por isso, qualquer pessoa que dele tenha conhecimento, tem o dever de o denunciar. E se o conhecedor pertencer às forças policiais ou ao funcionalismo público, esse dever passa automaticamente a ser uma obrigação. Este crime está previsto na lei nº 59/2007 no seu artigo 152º. Contudo, por lapso ou por flexibilidade da própria lei, a referida revista destaca neste artigo um problema que tem toda a urgência em ser resolvido. O artigo diz: - “Por um lado, temos quase todos os dias notícias relacionadas aos direitos das vítimas, mas por outro temos um sistema que não é capaz de protegê-las.” Segundo a “UMAR” – União de Mulheres Alternativa e Resposta, grande parte das mulheres assassinadas tinham recorrido ao sistema judicial. São mulheres que denunciaram a sua situação e pediram por várias vezes apoio aos Tribunais, mas o sistema não foi capaz de as proteger. E o mais grave ainda é o facto de os agressores serem detidos e depois da audição, sair em liberdade, sendo o processo remetido para inquérito, como aconteceu no caso da autarca de Rio Maior e em muitos outros do género. Se a Lei não é suficiente para privar da liberdade, de imediato, os agressores, há urgência em inverter tal sistema dando garantias à vítima, fazendo-as sentir que de facto, são protegidas e estarão seguras depois da denúncia.
Segundo a APAV – Gabinete Português de Apoio à Vítima, em 2009 registaram-se em Portugal 15904 denúncias de crime de violência doméstica, grande parte destes crimes provocaram a morte da vítima. Segundo ainda a revista Maria, “só em Lisboa há 25 inquéritos por dia e só no primeiro semestre deste ano, a capital registou 4546 novos casos de violência doméstica”. Por aqui se vê que este crime é mais frequente e grave do que muita gente pensa.
No dia 14 do corrente mês de Agosto, em pleno verão, o GAF – Gabinete de Apoio à Família, em Viana do Castelo, organizou uma marcha nocturna pelas principais ruas da cidade com o teme “Dê um passo contra a Violência”. Foi uma iniciativa brilhante, uma vez que Viana, nesta época do ano, está repleta de turistas portugueses e estrangeiros. Esta marcha foi útil não só pelo chamar de atenção parar esta causa, mas também, porque proporcionou aos seus participantes, um pouco de exercício saudável. Tive conhecimento que nesta iniciativa participou a senhora vereadora da cultura da câmara Municipal de Viana do Castelo, mas foi pena que as outras forças vivas da cidade, principalmente os responsáveis pela informação, (os mídia, em português media), a tenham ignorado, apesar dela terem conhecimento. Aqui se vê que este tema ainda não sensibiliza grande parte da opinião pública e é pena. Já não falo da população em geral, uma vez que cada vez mais se verifica que o egoísmo tomou conta da humanidade ao ponto do que de mal se passar com os outros, a nós não dizer respeito. E como tal, ninguém se preocupa. Quem assim pensar, está completamente enganado e pode mesmo ser considerado de pouca ou nenhuma visão.
Neste meu blog, no tema intitulado “VIOLÊNCIA”, publicado em 12 de Fevereiro, já tinha abordado este tema e terminava-o com uma citação de Florbela Espanca que diz: -“Tirar dentro do peito a emoção, a lúcida verdade, o sentimento, e ser, depois de vir do coração, um punhado de cinzas esparso ao vento.” E acrescentei assim se sente o violentado. Cinza lançada ao vento se continuarmos a ter leis brandas de mais e, a pensar que o que se passa com os outros a nós não diz respeito. A violência diz sempre, em qualquer altura, muito a toda a gente e repito, qualquer cidadão pode e deve denunciar tais actos e dispõe de vários meios para tal fim: Através do 112 – Número Nacional de Emergência; 114 – Linha Nacional de Emergência Social ou pelo 800202148 – Serviço de Informação a Vítima de Violência Doméstica, número grátis, ou ainda directamente à PSP, GNR, Ministério Público (Tribunal) e Gabinetes Médico-legais. Em Viana do Castelo ainda pode recorrer ao GAF através do telefone 258829138. Ás vítimas, quero lembrar o direito de serem informadas sobre o que poderá ajudá-las a sair da situação em que se encontram. Não se deixem ficar. Sigam o exemplo de Isaura de Morais. Não há nada que valha a pena salvaguardar. Quando se é vítima de violência, a dignidade do ser humano, o seu bem-estar, é um bem que não se pode dar ao luxo de o ignorar ou de o prescindir. Vamos todos dizer não à Violência doméstica. Vamos todos denunciar tais acto que envergonham a humanidade

domingo, 15 de agosto de 2010

INCÊNDIOS FLORESTAIS



O verão deveria ser sinónimo de lazer, de férias, de alegria, de recuperação das forças para se enfrentar o inverno que se aproxima, mas infelizmente, nestes tempos chamados modernos, o verão passou a ser sinal de preocupação, de medo, de angústia e de incerteza no futuro. Qual a causa? Será o calor? Não! É antes a maldade humana mais uma vez a fazer das suas. Os incêndios que varrem o país de lés a lés , já há muito que especialistas vêm dizer que é fogo posto , embora se torna difícil provar, é a grande verdade. Que interesses levam o incendiário a cometer tal crime? Os fogos florestais não queimam apenas o mato e as árvores. Também destrói propriedades de habitação e o mais grave é que também matam seres humanos e animais. Quantos bombeiros mais, será necessário que morram para se tomar medidas sérias, concretas e rigorosas na prevenção de tais actos? Os países e os seus governos gastam rios de dinheiro no combate ao fogo. Compram ou alugam hidroaviões, helicópteros, fazem-se barreiras para conter o fogo, apostam na formação de pessoal técnico, tudo com o propósito de combater eficazmente o fogo. É de louvar, mas não é o suficiente. O que é feito para se prevenir os incêndios? Pouco ou nada. As matas continuam repletas de ervas daninhas e não há uma lei rígida, que obrigue os seus proprietários a tal limpeza. E o mais grave é que o próprio Estado é quem dá o mau exemplo. Ouvi na televisão o ministro falar na possibilidade de se fazer uma lei que legitime o Estado a tomar posse das matas que não forem limpa. Será uma boa medida se complementada com a possibilidade de qualquer cidadão poder também adquirir as matas do Estado nas mesmas condições. Talvez assim a mentalidade mude para melhor. Tantos detidos nas cadeias por crimes menores que estão apenas a dar despesa ao Estado. Não seria mais útil à sociedade e ao próprio Estado aproveitar tal gente para fazer a limpeza das matas? Em vez de comprar ou alugar aviões, esse dinheiro não seria mais bem aplicado na prevenção, na vigilância? Dividir a mata do país em cantões devidamente vigiados por guardas florestais não seria menos dispendioso? E que tal haver uma lei mais severa para os incendiários? Passar meia dúzia de anos na cadeia a comer e a dormir abrigado à custa do Estado, para muitos é mais um prémio do que um castigo. Para certos crimes, nos quais saliento os de fogo posto e aqui incluo também os possíveis mandantes, a pena deveria ser perpétua e com trabalhos forçados. Só assim o incendiário procuraria pensar duas vezes antes de cometer tal crime É triste pensar que há seres humanos que só aprendem com castigos severos, mas se assim for, paciência, assim será para o bem da humanidade. Não venham culpar o calor, pois em mil fogos, possivelmente um será provocado pela mãe Natureza e mesmo esse é alimentado pela incúria do homem que não tomou as devidas providências para o evitar. A limpeza das matas na primavera é meio caminho andado para a prevenção dos incêndios de verão. Se não houver mata para queimar, o fogo posto pelo incendiário dificilmente progredirá. Com medidas acertadas estou convicto que o verão voltará a ser sinónimo de alegria, de férias de divertimento, de uns bons dias passados à beira mar. Portugal e os portugueses merecem mais atenção por parte dos governantes e a Natureza agradecerá pela certa. Menos fogos, melhor ambiente, mais saúde.Vamos todos denunciar os malditos incendiários.

sábado, 14 de agosto de 2010

PENA DE MORTE


Em pleno século XXI ainda se discute a legalidade ou não da pena capital, também chamada pena de morte. É com grande mágoa que vejo o ser humano evoluir em certas matérias, principalmente na área da ciência e ao mesmo tempo verificar que no plano mental, continuamos muito atrasados. Em 1780 antes de Cristo apareceu o primeiro código de leis escrito, o chamado Código de Hamurabi, (um importante senhor da Babilónia daquele tempo), no qual fazia referência à já na altura, polémica lei de Talião que dizia “aquele que causar a morte a outro, terá como castigo também a morte; aquele que tirar um olho a outro, terá como castigo a perda também de um olho. Era a Lei de olho por olho, dente por dente, ainda muito conhecida nos tempos de hoje. Há cerca de dois mil anos, um homem com uma visão muito acima da norma, ainda mesmo nos dias de hoje, de nome Jesus Cristo, veio dizer que essa lei estava errada e que ninguém tinha o direito de tirar a vida de outro a não ser Deus. Contudo, também Ele foi injustamente condenado à morte. Se isso não tivesse acontecido, conhecendo-se a sua história, que mais maravilhas teria Ele feito!? Dois mil anos depois, o homem continua a condenar o seu semelhante à morte como se fosse o senhor absoluto da verdade e da justiça. Nada mais errado e grave. Quantas condenações, com o passar do tempo se vão apurar e verificar, terem sido mal feitas? Os erros da Justiça são constantes, pois os juízes são humanos como o réu e também eles estão sujeitos a enganos, devido à má avaliação das provas apresentadas na altura do julgamento e que podem muito bem ser forjadas, ou adulteradas por vontade própria ou não, por outros seres humanos. A condenação à morte, depois de consumada, não pode ser desfeita e no caso de ter havido um erro de avaliação do caso, então maior será o erro cometido com a decisão. É neste contexto que sou contra a pena de morte, uma vez que a certeza absoluta não existe e como tal, deverá sempre haver uma alternativa de se remediar o erro que em certa altura se cometeu.  Com a pena de morte isso não será possível. É certo que, com a cabeça quente, sem as ideias no lugar, quando alguém é acusado de ter cometido um crime grave e hediondo, o primeiro pensamento é a condenação à morte. É próprio da natureza humana tal pensamento. Mas também o é a ponderação o bom senso. E este, remete-me para arranjar uma condenação severa, mas não definitiva. Com o bom senso, a pena capital não pode existir.
Os países da Europa, embora com um passado vergonhosamente rico em tal prática, já aboliram a pena capital há muito tempo e felizmente outros países como os da Oceânia e também o Canadá, México, África do Sul, Angola e Moçambique, seguiram o exemplo europeu. O Brasil e outros países da América do Sul, da África e também a Rússia, embora ainda tenham legalizado tal atrocidade, já a não a praticam há muito tempo. Contudo,outros não menos importantes em termos históricos como os Estados Unidos da América, a China, a Índia e o médio Oriente, ainda continuam a viver no tempo de Hamurabi e a pena de morte continua a ser aplicada com frequência. Aqui tenho que destacar pela negativa, os E.U.A. e a China, que como potências militares mundiais, deveriam ter dirigentes mais humanos e acabar de uma vez por todas com uma pena altamente injusta, uma vez que é prova provada  que a certeza absoluta não existe. O que hoje parece verdade amanhã poderá ser mentira. E mesmo que a verdade venha no futuro ser confirmada como absoluta, com o recurso a novas tecnologias que poderão surgir, deverá sempre ser levado em conta a recuperação do réu, uma vez que este é humano e como tal, susceptível de errar como qualquer outro ser humano.
Nos tempos mais tristes da historia da humanidade, refiro-me ao século XVII, altura de inquisição religiosa, a Igreja condenou à morte um célebre cientista, e aqui refiro-me ao grande Galileu Galilei, pelo facto deste afirmar que era a Terra e não o Sol que se movia. Uma verdade hoje confirmada, mas que naquela altura foi considerado heresia. Aqui se verifica que o que hoje é verdade, amanhã poderá não o ser. Então porque continuamos a condenar à morte seres humanos que podem não ser o verdadeiro réu? Admito e compreendo que esta prática apenas continua a ser aplicada por pura ignorância ou pura maldade, que continua a ser um sentimento muito activo em certas mentes humanas.
Vamos todos dizer não à pena de morte. Vamos todos dizer sim à vida.