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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O CARANGUEJO, O CAVALO-MARINHO E A SEREIA




Um dia, um caranguejo farto de estar na sua toca de areia, resolveu dar um passeio pela praia. Distraído, não reparou que uma grande onda se estava a formar no mar. A onda veio e levou o pobre caranguejo com ela.
No fundo do mar, o caranguejo viu muitas coisas bonitas: Conchas; peixes; pedras; algas e uns animaizinhos que ele não conhecia.
Curioso, aproximou-se de um deles e perguntou:
- Quem és tu?
O animalzinho olhou para ele e respondeu:
- Sou o cavalo-marinho, um dos habitantes deste lugar?! E tu! de onde vens que eu não te conheço?
 O Caranguejo respondeu:
- Sou o caranguejo e vivo na praia. Tenho lá uma toca muito grande e muita família.
- Então o que estás aqui a fazer? Perguntou o cavalo-marinho.
O caranguejo começou a contar o que lhe tinha acontecido e disse:
- Eu andava a passear pela praia quando uma onda me empurrou para aqui. Agora ando por cá a ver as coisas belas que eu não conhecia. Mas tu és esquisito?
 - Esquisito eu!? Retorquiu o cavalo-marinho já muito zangado com o caranguejo.
- Sim! Disse o caranguejo. És parecido com um cavalo, mas não tens pernas; tens uma calda enrolada e nadas sempre de pé! És realmente muito esquisito!
O cavalo-marinho ia responder, mas nisto apareceu uma sereia a pedir calma aos dois amigos:
- Tenham calma, os dois. Eu ouvi com muita atenção a vossa conversa e digo-te caranguejo! Aqui no fundo do mar, todos somos amigos uns dos outros e ninguém acha o outro esquisito.
E continuou:
- Eu não sei qual é o vosso hábito lá na superfície, mas diz-me amigo caranguejo! Tu não te achas esquisito?
 O caranguejo olhou para si mesmo e respondeu:
- Eu não! Eu sou normal!
- Então diz-me, perguntou a sereia:
- Como explicas que lá na superfície todos andam de frente e tu és o único que andas de lado? E acrescentou: Isso não ser esquisito?
O caranguejo pensou um pouco e disse:
- Não! Eu acho que todos andamos da mesma maneira, mas agora que me falaste nisto, eu fiquei com dúvidas e vou lá ver.
E o caranguejo voltou para a praia. Andou por todo o lado e na realidade reparou que os caranguejos eram os únicos que andavam de lado! Envergonhado, disse para si mesmo:
-Tenho de voltar ao fundo do mar e pedir desculpa ao cavalo-marinho.
Apanhou boleia com uma onda e lá foi o caranguejo, arrependido mas com grande vontade de pedir desculpas aos seus amigos do fundo do mar.
A sereia quando o viu chegar disse:
- Bem-vindo caranguejo! Então o que nos contas desta vez?
 O caranguejo muito envergonhado disse:
 - Sereia, obrigado por me abrires os olhos. Eu era tão convencido que não via a realidade das coisas. E virando-se para o cavalo-marinho disse:
- Dá cá um grande abraço amigo. Desculpa-me pela minha ignorância; Tu não és nem mais, nem menos esquisito que eu. Perdoa-me amigo.
A sereia feliz disse:
- Pois é meus amigos: Aqui ninguém é esquisito. Somos todos diferentes. Eu sou meio peixe meio humana; o caracol anda com a casa às costas; o mexilhão está sempre agarrado às rochas; os peixes! uns são grandes e outros pequenos, todos com formas diferentes. E lá na superfície é a mesma coisa! Uns andam de pé e têm duas pernas; outros têm quatro. Há seres que têm asas e bico e outros rastejam. Somos todos diferentes mas somos todos filhos da mesma Natureza.
O caranguejo muito envergonhado aprendeu a lição e nunca mais achou ninguém esquisito, feio ou bonito. E assim, viveu feliz para sempre na companhia de todos os seus amigos da superfície e do fundo do mar.
FIM
Carlos Cebolo

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O GAFANHOTO VAIDOSO

        
        Num prado cheio de ervas e flores, havia muitos insectos lindos: Borboletas de todas as cores, joaninhas vermelhas com pintas pretas, carochas, aranhas, grilos e muitos outros insectos lindos.
            No meio deles, estava um gafanhoto que era conhecido pelo saltitão, pois tinha a mania de estar sempre a saltar por todo o lado.
            Saltitão sentia-se vaidoso, pois não havia no prado nenhum insecto que saltasse mais alto do que ele.
            Sempre que estavam juntos, saltitão procurava logo uma maneira de mostrar as suas habilidades e dizia todo orgulhoso: “ Olhem como eu salto! E como sou elegante a saltar! Será que há aqui alguém melhor e mais lindo do que eu?”
            A fada do prado farta de ouvir o saltitão, disse para os outros insectos: “Temos de dar uma lição ao vaidoso gafanhoto. Vou convocar todos os insectos para mostrarem as suas habilidades".
            Num dia lindo de primavera, a fada chamou todos os insectos e disse: “ Vou fazer um concurso para escolher o insecto mais útil do reino. Assim um de cada vez, todos vão fazer o melhor que souberem e no fim, todos juntos escolheremos o vencedor.
            Todos concordaram e o saltitão vaidoso como sempre disse:”Um concurso? Eu ganho de certeza, ninguém salta mais alto do que eu!
            E começou o concurso.
 O primeiro concorrente foi a cigarra que começou a cantar e cantou tão bem que todos aplaudiram; depois foi a vez da joaninha que começou a comer uma folha de planta e transformou-a num lindo pedaço de renda. Outros insectos fizeram as suas habilidades; uns cantando, outros dançando e outros construindo coisas lindas como o casulo da borboleta.
            A aranha entre duas árvores, fez uma teia com os seus fios fininhos e mostrava a toda a gente a sua obra de arte. Nisto apareceu o vaidoso gafanhoto a dar saltos e dizendo:” Eu sou sem dúvidas, o vencedor! Ninguém salta mais alto e com tanta agilidade como eu!” O saltitão continuou a saltar cada vez mais alto e no último salto, bateu na teia da aranha e ficou preso nela. Muito aflito disse: “ Tirem-me daqui! Tirem-me daqui que eu estou preso!” Os outros insectos começaram a rir e a dizerem: “Então saltitão!? Para que queres tu essas pernas longas? Salta agora! Salta! Anda!...Nesse momento, apareceu a abelha que disse:” Amigos, já estamos aqui há muito tempo. Antes de acabar, vamos fazer um lanche! E depois com a barriga cheia fazemos a votação!” Todos concordaram e seguiram a abelha. Todos menos o saltitão que estava preso na teia da aranha!
            E todos disseram:” Mas que bom alimento!...”
            Depois do lanche, a fada do prado perguntou: “ Então abelha, tu não fazes nada? Não tens habilidade nenhuma?” A abelha muito calma respondeu: “A minha habilidade acabaram vós de a comer. Estes favos com mel foram feitos por mim como todos sabem. E isto é a minha habilidade. Fazer mel.” E acrescentou: “Aranha solta o gafanhoto para que ele coma também!” A aranha soltou o gafanhoto que logo se lançou ao mel e comeu até se fartar, pois estava esfomeado.
            No final, depois de muito pensarem, elegeram a abelha como a mais útil dos insectos.
            A fada do prado disse:”Pois muito bem! Todos os insectos mal ou bem, sabem cantar, pular, dançar ou fazer renda, mas na realidade só a abelha sabe fazer um alimento tão bom. É sem dúvidas o insecto mais útil do nosso reino e o gafanhoto, o mais trapalhão.”
            O saltitão envergonhado, pediu desculpas e disse que nunca mais seria vaidoso.
A abelha foi proclamada rainha dos insectos e todos viveram felizes para sempre.
FIM

sábado, 9 de abril de 2011

A BONECA DE PANO


             Era uma vez uma velha boneca de pano que há muito se encontrava dentro de uma caixa guardada na garagem da casa de uma menina que tinha muitos brinquedos novos para brincar.
            Um dia a mãe da menina foi arrumar a garagem e deitou as coisas velhas para o lixo.
 Entre estas coisas, estava também a caixa com a boneca de pano que já não tinha cabelo e estava toda descosida.
            De madrugada, o senhor que recolhia o lixo, reparou na caixa, abriu-a e viu lá dentro a boneca de pano.
 O homem era casado e pai de uma menina que nunca tinha tido uma boneca, pois ele não a podia comprar. Era pobre, vivia apenas com o pouco dinheiro que ganhava com o seu trabalho.
Assim, agarrou na boneca e pensou em dá-la à sua filha para ela brincar.
 Em casa pediu à mulher que a lavasse e desse à filha.
 A mãe da menina lavou a boneca, coseu-a muito bem e com lã cor de cenoura fez cabelos para ela.
 Com um lápis preto, pintou uns olhos, um nariz e uma boca.
Com um tecido que tinha em casa, fez-lhe um lindo vestido branco com pintinhas cor de cosa.
 A boneca ficou linda!...
            A filha que se chamava Mariluz, quando viu a boneca ficou muito contente.
 Brincava e dormia sempre com a boneca e até falava com ela. A boneca não lhe respondia, mas ela falava pelas duas. Fazia as perguntas e dava as respostas, fingindo que era a boneca.
            A menina cresceu e foi para a escola onde arranjou muitas amigas, mas quando alguém lhe perguntava quem era a sua melhor amiga, ela respondia que era a sua boneca de pano que a acompanhava sempre para todo o lado.
            A professora dizia:
- Mariluz! A tua boneca não pode ser tua amiga, ela não fala e não brinca contigo! As tuas amigas são as tuas colegas que brincam e falam contigo.
- Mariluz ficava muito zangada e dizia:
 - Fala sim! A minha boneca fala e brinca comigo sempre! Ela nunca me diz que não! Nunca me abandona. É sim a minha melhor amiga.
            A fada madrinha que acompanhava sempre a menina sem esta a ver, resolveu dar um presente à sua afilhada.
Durante a noite, quando Mariluz estava a dormir com a sua boneca ao seu lado, a fada madrinha falou-lhe ao ouvido:
- Mariluz! Eu sou a tua fada madrinha e como és uma boa menina, vou dar voz à tua amiguinha, mas só tu podes saber disto! Dorme bem minha afilhada.
            A menina quando acordou, pensou que tinha tido um sonho.
 E quando se levantava da cama para ir lavar os dentes e a cara, ouviu uma voz muito linda que lhe disse:
- Olá! Hoje está um lindo dia e os passarinhos já cantam lá fora.
 A menina ficou encantada, abraçou a sua boneca e respondeu:
 - Bom dia! Obrigado fada madrinha foi o maior presente que tive. Agora já tenho com quem falar quando estiver sozinha!
            A menina cresceu e continuou sempre a dormir e a andar com a boneca para todo o lado.
            A mãe já estava a ficar preocupada com o comportamento da filha e disse para o marido:
            - Temos de levar a menina ao médico. Ela já não tem idade para brincar com bonecas e não deixa aquela boneca de pano.
Assim fizeram.
A médica depois de conversar e de fazer vários exames à menina disse para os pais:
- A Mariluz é saudável, não tem doença nenhuma. Estejam descansados que isso da boneca, passa-lhe com o tempo.
Foram para casa e no caminho a menina contou que a sua boneca falava e que tinha sido a sua fada madrinha que lhe tinha dado voz.
Os pais não queriam acreditar na menina, mas ouviram uma voz que parecia música a dizer:
- Eu não te disse Mariluz! Que só tu podias saber disto? Eles não acreditam em ti!...
Os pais perguntaram que voz era aquela? Mariluz respondeu:
É a minha fada madrinha que está aqui sentada ao pé de mim e da minha boneca.
A partir deste momento, os pais acreditaram que na verdade, a simples e velha boneca de pano que tinha sido encontrada no lixo, se tinha tornado a melhor amiga de sua filha.
 E assim viveram felizes para sempre.
FIM

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O OVINHO MÁGICO




No país do faz de conta, havia uma aldeia que ficava nos arredores de um lindo bosque. À noite, como ainda não tinha sido inventada a televisão, era costume os mais velos, reunirem toda a família à volta da lareira e contarem histórias que já tinham ouvido dos seus pais e dos seus avós.
A maior parte das histórias falava sempre do Bosque que rodeava a aldeia. Diziam que era amaldiçoado e por isso ninguém lá queria entrar. Uma das histórias dizia que um dia, há muitos anos atrás, uma menina entrou no bosque e nunca mais voltou. Diz a lenda que uma bruxa agarrou-a e ficou com ela. Ainda hoje, de vez em quando, se ouve os gritos e gemidos da menina, mas ninguém tem coragem para lá ir.
Os habitantes da aldeia eram muito pobres. Viviam apenas da agricultura e dos pequenos animas que criavam.
Um dia, foi viver para a aldeia um humilde lenhador com a sua família. O lenhador tinha dois filhos pequenos, um rapaz chamado Piu e uma menina chamada Vil. Como eram de fora, não conheciam as lendas do bosque e os vizinhos apenas tinham dito que o bosque era amaldiçoado.
O lenhador arranjava a lenha que vendia na cidade, junto ao bosque mas tinha medo de entrar nele e por isso a lenha era sempre pouca e o dinheiro que conseguia com a sua venda, mal dava para sustentar a família.
Piu e Vil ajudavam o seu pai a levar a lenha para casa, sempre muito contentes e enquanto o pai apanhava a lenha, eles brincavam apanhando pequenas pedras de várias cores que encontravam pelo caminho. Uma das pedras que apanharam, era muito bonita e redondinha. Era azul claro e tinha pintas brancas. Contentes, foram a correr e mostraram a pedra ao pai. O lenhador viu a pedra e disse. Filhos! Isto não é uma pedra, é um ovinho de passarinho que caiu de algum ninho ou foi abandonado pelos pais.
Ambos os meninos, queriam ficar com o ovo e começaram a discutir um com o outro. Dizia Piu: “ fui eu que o encontrou e por isso ele é meu!” Dizia a Vil.:” Mentira! tu apenas o apanhaste! mas quem o viu fui eu! por isso ele é meu!”O pai chamou os filhos e disse: “ Não é preciso zangarem-se um com o outro. Os irmãos não devem lutar um com o outro. Devem ser sempre amigos. E além disso! Se lutarem podem partir o ovo e matar o passarinho que pode estar lá dentro! Porque não cuidam dele os dois? O ovo necessita de calor e muito amor.”
Piu que era o mais velho disse: “Olha Vil! Pega nele e leva-o para casa que eu vou procurar uma coisa para servir de ninho.” A menina levou o ovo para casa e o menino foi à procura de um ninho. Distraído Piu entrou no bosque e desapareceu entre as árvores. 
O pai pensou que os meninos tinham ido para casa. 
No fim do trabalho, o lenhador apanhou a lenha e também foi para casa. Quando lá chegou não viu o Piu e perguntou onde ele estava. Como Piu não aparecia, procuraram nas casas dos vizinhos e todos disseram: “Se o menino entrou no bosque está perdido para sempre, assim diz a lenda. O bosque é amaldiçoado e quem nele entrar não volta mais.” 
O lenhador quis ir à procura do filho no bosque, mas os vizinhos não deixaram. Triste foi para casa e contou à esposa e à filha o que tinha ouvido dos vizinhos e todos começaram a chorar por terem perdido o Piu.
A mãe de Vil para a compensar, fez-lhe um ninho com panos e meteu lá dentro o ovo de passarinho. Vil, todos os dias dormia com o ovo junto à sua almofada e cuidava dele com muito amor, pensando sempre no irmão.
Um dia de manhã, o ovo partiu-se e lá de dentro saiu um lindo passarinho que começou logo a voar à volta da cabeça de Vil. A menina contente disse em voz alta: “Que bom seria se Piu aqui tivesse. Ele iria gostar muito de ti meu querido passarinho.”
 Nisto o passarinho voou pela casa , encontrando uma janela aberta voou em direcção ao bosque e entrando nele. Vil correu para o apanhar, mas os pais que tinham ido atrás ela, não a deixaram entrar no bosque com medo de também a perderem.
Foram todos para casa muito tristes e Vil chorava em silêncio.
Vários dias se passaram e numa tarde em que o lenhador estava com a filha Vil a apanhar lenha junto ao Bosque, viram sair de lá o lindo passarinho que logo poisou no ombro de Vil, a cantar muito alegre. Pouco depois apareceu Piu com um grande saco às costas. O pai muito contente abraçou o filho e perguntou o que se tinha passado.
Piu contou a sua história: “ Entrei no bosque sem querer, à procura de um ninho para o ovo de passarinho e quando quis voltar, não encontrei o caminho. No bosque depois de dar muitas voltas, encontrei um pomar com árvores de fruto dos quais me alimentei até hoje. Nesse pomar havia um lago e dentro desse lago encontrei muitas pedras lindas que apanhei. 
Fiz com as folhas de palmeira um saco e meti as pedras lá dentro. Hoje, quando estava a apanhar fruta para comer, apareceu este passarinho a esvoaçar à minha volta e a piar muito aflito. Segui o passarinho para ver o que se passava e depois de muitas voltas, dei com a saída do bosque. Foi ele que me indicou o caminho.
 O Pai e os dois filhos muito contentes, foram para casa com o passarinho sempre a cantar no ombro de Vil.
As pedras que Piu apanhou no bosque eram preciosas e depois de vendidas fizeram desta família uma família muito rica e viveram felizes para sempre na companhia do passarinho. 
O bosque continuou a ser misterioso e os habitantes da aldeia ainda hoje não entram nele.
                                                FIM

segunda-feira, 4 de abril de 2011

FLORIMUNDO E A ESTRELA CADENTE




           Florimundo é um menino que nasceu aleijado de um pé. Os pais do menino, pouco instruídos, não recorreram aos médicos, aceitando o destino do menino como uma vontade divina.
            A família de Forimundo vivia num bairro pobre, onde o menino na companhia dos seus amigos cresceu, sempre triste por não poder fazer o mesmo que os outros. Principalmente jogar à bola.
No bairro onde Florimundo vivia, havia muitas crianças saudáveis, mas havia também uma menina que tinha nascido cega.
Florimundo gostava muito da menina que se chamava Graça e muitas vezes ai passear com ela.
 Levava-a pela mão e no meio das flores que encontravam junto ao descampado onde os outros jogavam a bola, explicava-lhe as coisas que apanhava.
 Colhendo uma flor, mostrou-a à sua amiga dizendo:
- Olha Graça, isto é uma flor do campo. Toca nela e vê com os teus dedos como ela é.
 A flor é redonda no centro Vês.!?
Levou com delicadeza o dedo da menina até ao centro da flor e continuou:
- À volta deste centro, a flor tem pétalas. Ora toca nelas! São muito delicadas e são as pétalas que dão cor às flores.
Umas são brancas como esta; outras são vermelhas; azuis; cor-de-rosa; amarelas!
Nisto a menina interrompeu o amigo e perguntou:
- Mundo! Assim lhe chamava a menina.
- O que é a cor? Como ela é?
 Florimundo aflito pensou um pouco e respondeu:
-Sabes Graça, as cores são como as emoções que nós sentimos. Eu vou tentar explicar-te o melhor que sei minha amiga.  
- O branco, a cor desta flor que tens na mão é como a alegria; É também a cor da neve! e representa também a pureza. É por isso que os vestidos das noivas são brancos!
- O vermelho é quente, como um calor muito suave e agradável. Também é a cor do nosso sangue!
- O cor-de-rosa é com o amor que sentimos uns pelos outros!...
.  O amarelo é como aquilo que sentes quando estás enjoada! Mas também é o cor do Sol!
- O verde é a cor da esperança e da Natureza, as árvores, a relva são verdes!
- O preto é a cor da tristeza!...
 A menina muito contente interrompeu o amigo e disse:
- Ah! Agora eu já sei as cores. E a minha cor preferida é a tua! A cor-de-rosa!...
 Florimundo não querendo desiludir a sua amiga, não respondeu e chamou a sua atenção para outra coisa.
 Os dias foram passando e, numa lida noite de verão, Florimundo viu uma linda estrela cadente passar mesma à sua frente. Como sempre fazia, pediu um desejo.
 Pareceu-lhe que a estrela tinha caído junto ao descampado onde tinha mostrado as flores à sua amiga Graça.
Muito contente e animado, dirigiu-se ao local e no meio das flores viu uma pequena pedra muito brilhante. Quando chegou mais perto, ouviu uma voz a chamar por ele:
- Florimundo! Eu sou a estrela do desejo!
 Sei que és um bom menino e por isso, vim até aqui para te conceder o teu desejo. Só podes pedir um. Diz o que queres!
Florimundo pensou logo em pedir que ficasse bom daquela perna, para poder jogar a bola com os seus amigos. Mas de repente, lembrou-se da sua amiga e pediu:
- Sabes estrelinha!? Eu queria que a minha amiga pudesse ver. Ela é cega de nascença e não conhece as cores da natureza nem a tua beleza, quando cruzas o céu estrelado.
 A estrelinha muito comovida e contente com o pedido do menino disse:
- Muito bem Florimundo. Como és um bom menino e não foste egoísta e ao mesmo tempo mostraste o teu grande amor pelos outros, eu te concedo o desejo que pediste. E para te recompensar pelo teu lindo gesto, também farei com que a tua perna fique boa.
Dito isto, a estrela desapareceu novamente no céu estrelado.
Florimundo foi para casa e no caminho viu que a sua perna estava normal. Já não coxeava. Muito contente, correu para casa da sua amiguinha e chamou por ela.
Graça veio à porta e olhou para o céu e disse cheia de alegria:
 - Olha uma estrela cadente! Como é linda! Eu vejo meu Deus! Muito obrigado.
Florimundo explicou o que tinha acontecido e ambos de mãos dadas agradeceram à estrela cadente que mais uma vez passou junto deles e desapareceu no céu.
Florimundo e Graça cresceram, casaram e tiveram filhos. Contaram sempre a sua história aos seus filhos e estes aos filhos deles e ainda hoje, quando se vê uma estrela cadente, sem pensar, pedimos um desejo na esperança de também ele nos ser concedido.
                                                                      
                                                                      FIM

sábado, 2 de abril de 2011

DINO E O DUENDE

             


        Dino era um menino que sonhava muitas vezes com as histórias que o seu avô contava sempre com muita alegria.           
A História que mais gostava de ouvir e que constantemente pedia ao avô para a contar, era uma que falava de um duende muito pequenino que vivia nas florestas.
O duende era dono de um pote de ouro que tinha encontrado no fim do Arco-íris.
 Lembrava-se do avô dizer que o duende não gostava de estar preso e por isso, se alguém o agarrasse, ele dava o seu ouro para se libertar, ou em troca, fazia o milagre que lhe pedissem, pois era mágico.
             Dino era um menino muito bom e amigo de toda a gente e estava sempre pronto a ajudar quem quer que fosse.
             Numa sexta-feira, quando chegou à escola, viu uma colega a chorar e aflito, perguntou o que ela tinha
A menina disse que sua mãezinha estava muito doente e que a sua família não tinha dinheiro para a levar a um bom médico para a curar.
Dino ficou muito triste e prometeu à Glória, assim se chamava a sua amiga, que ia fazer tudo para a ajudar.
              Durante a noite, na sua cama, Dino não conseguia dormir, pois lembrou-se da história do duende e começou a pensar que talvez aquilo fosse verdade.
 No dia seguinte, como era fim-de-semana e não havia aulas, Dino acordou cedo e foi para a floresta à procura do duende.
Procurou o dia todo e por todos os lados, mas não encontrava nada.
Desanimado, ao fim do dia, resolveu voltar para casa.
O Sol já se estava a esconder no horizonte e os seus raios de luz já estavam fracos e muito baixos.
De repente, Dino viu uma grande e bela árvore com um buraco no seu tronco.
A árvore encontrava-se no meio de uma clareira da floresta e do buraco saía um pequeno brilho que só era visto quando os raios de Sol batiam directamente no buraco da árvore.
 Dino intrigado com tal brilho, resolveu ir ser o que era.
 Subiu numa pedra para poder chegar ao buraco da árvore e meteu a mão lá dentro a ver se encontrava alguma coisa.
 De repente sentiu uma pequena mordida num dedo, ao mesmo tempo que ouvia uma voz que disse:
- Larga-me, larga-me se não eu transformo-te num bicho.
Dino que conhecia a história que o seu avô contava, pensou que devia ser o duende e com medo que ele fugisse, apertou com mais força a mão e tirou-a do buraco da árvore.
Já com a mão cá fora, viu que entre os seus dedos estava um anãozinho muito pequeno, com orelhas grandes e com um barrete verde na cabeça que continuava a tentar soltar-se e a ameaçar Dino.
O menino sem medo disse:
- Não de solto! Agora és meu. Vou levar-te para minha casa onde ficarás preso numa gaiola.
O duende com medo pediu:
- Não por favor, solta-me que eu dou-te o meu ouro.
- O menino concordou, mas como não confiava no duende disse:
Dá-me primeiro o ouro e só depois te soltarei.
O Duende deu-lhe o ouro mas começou a chorar.
 Dino que era muito bom e não gostava de ver alguém chorar perguntou:
 - Porque choras se eu te libertei?
 O Duende muito triste respondeu:
 - Sabes menino, eu gosto muito de ouro e não consigo viver sem ele, se o levas, eu desapareço para sempre.
- O menino com pena do duende, pensou um pouco e disse:
- Eu dava-te o teu ouro de volta, mas não posso, preciso dele para pagar o tratamento e curar a mãe da minha amiga Glória.
- O duende voltou a falar:
 - Leva-me à casa da tua amiga e eu em troca do meu ouro curarei a mãe dela; mas esconde-me bem, pois mais ninguém além de ti e da tua amiga me pode ver!
 Dino assim fez.
 Chegou à casa da amiga, apresentou o duende e disse que ele era mágico e que iria curar a sua mãe.
 Glória ficou maravilhada com um ser tão pequenino e acreditou que tudo seria possível!
 A mãe de Glória estava a dormir na sua cama; estava muito fraca e não se apercebeu de nada.
 O Duende mandou abrir a janela do quarto para que o Sol entrasse. Tirou o seu barrete verde, colocou-o na cabeça da doente e fez uma magia com as mãos. Os raios de Sol voaram em direcção à mãe da Glória e esta começou a melhorar.
 Quando a mãe da glória acordou, viu apenas os dois meninos ao seu lado e viu que estava melhor.
 O duende tinha desaparecido com o seu ouro e foi viver para outra floresta.
 A Senhora admirada, perguntou o que se tinha passado!
Os meninos que tinham prometido ao duende nada dizer sobre ele, ficaram calados.
 A mãe pensou que tinha sido um milagre, pois estava curada.
Dino e Glória cresceram e ficaram sempre muito amigos. Casaram e viveram felizes para sempre.
          Os duendes existem, mas só os meninos de coração puro e que nunca dizem mentiras, os podem ver no fim de um Arco Ires, num dia de Primavera.
                                                                    FIM     

quarta-feira, 30 de março de 2011

FLOR E A ILHA ENCANTADA



       

        Era uma vez uma família, pai, mãe e dois filhos, que viviam numa cidade muito bonita, rodeada de montanhas e atravessada por um grande rio que ia desaguar ao mar que ficava ali perto. O mais velho dos filhos era um rapaz com 12 anos e chamava-se Flu. O outro filho era uma linda menina com 10 anos de idade a quem os pais chamavam Flor. Flu era pouco sociável, nas suas horas vagas, agarrava-se ao seu computador portátil e não se preocupava com mais nada. A irmã, muitas vezes queria brincar com ele, mas ele mandava-a embora dizendo que fosse brincar com as bonecas. Flor, pelo contrário, era muito sociável e sempre que lhe era permitido, ia brincar com as suas amigas ou, na falta destas, entretinha-se a brincar com a sua boneca preferida e com os animais que encontrava no jardim da casa. Flu não gostava de animais e sempre que encontrava no seu caminho um ratinho, um gafanhoto ou uma borboleta, procurava logo uma maneira de os maltratar. Flor não! Ela era muito amiga de todos os bichinhos que encontrasse. Ganhava a confiança deles e brincava com eles sem os magoar e por isso todos os bichinhos gostavam dela,
        Num dia de verão, Os pais resolveram fazer um passeio com o iate que tinham comprado há pouco tempo. A mãe muito cuidadosa, preparou uma grande caixa com comida enlatada; o pai, todo desportivo, arranjou as suas canas de pesca; O flu apenas se preocupou em levar o seu computador e a Flor levou a sua boneca preferida.
         No alto mar, sem terra à vista, foram apanhados por uma tempestade. Formou-se umas nuvens muito escuras e começou a chover com trovoadas e relâmpagos. O pai com muita calma, mandou todos para a cabine do barco, enquanto ele procurava entrar em contacto com terra e a tentar levar o iate para um porto seguro.
         A chuva e os relâmpagos, estragaram os aparelhos do barco e ele foi à deriva, sem rumo certo e sem comunicação. O pai sem nada poder fazer, procurava por entre o nevoeiro que se tinha formado, um sinal de terra firme. Numa altura em que o nevoeiro ficou mais fraco, o pai viu umas árvores ao longe e dirigiu o pequeno iate para elas. Ao aproximar-se de terra, o nevoeiro e a chuva passaram. Um lindo Sol brilhou no céu e eles puderam ver que se tratava de uma bonita ilha. Com o barco, deram uma volta à ilha e verificaram que ela não era muito grande e que era desabitada.
       Desembarcaram e o pai procurou logo fazer uma cabana com ramos e folhas das árvores, para se abrigarem do Sol. Como estavam a ficar com fome, a mãe juntou umas pedras, meteu umas folhas e ramos secos no meio e fez uma fogueira para aquecer umas latas de comida que tinha trazido. Flu sentou-se num tronco caído e tentou ligar o seu computador, mas nada apanhou, pois ali não havia rede nenhuma. Ficou muito irritado e andava sempre mal disposto. Flor sempre com a sua boneca pelos braços, procurou encontrar alguns bichinhos com quem brincar e encontrou muitos. Esquilos; ratinhos; pássaros; borboletas e muitos outros insectos que gostaram logo dela.
        Os dias foram passando e o pai não via meios de os tirar dali. A embarcação não tinha combustível e o rádio não funcionava. No meio de tanto azar, ainda tiveram alguma sorte, pois a ilha tinha muitas frutas que poderiam comer e além disto, o pai e a mãe apanhavam marisco e peixe na praia e por isso não passavam fome.
        Um dia a mãe adoeceu, com febres muito altas e a menina triste foi para a floresta chorar, pois não queria chorar ao pé da sua mãe para não a preocupar ainda mais.
         Os animais preocupados com a sua amiga Flor, foram ter com ela e disseram:”Não chores minha Flor! Nós nunca te dissemos nada, mas esta ilha é encantada e a rainha do encanto que te tem observado sem tu a veres, quer falar contigo. Nós vamos levar-te até ela e vais ver que tudo se resolve.” Flor que gostava muito dos bichinhos e confiava neles, seguiu-os. A certa altura, junto às raízes de uma palmeira, encontraram um buraco onde os bichinhos entraram e convidaram Flor a entrar também. Lá dentro, Flor viu que estava num lindo palácio e que na cadeira do centro, que tinha a forma de uma flor, estava uma pequenina mas muito linda menina com umas lindas asas nas costas. Flor viu logo que a menina muito pequenina era de certeza a fada rainha do encanto que os seus amigos animais falaram. A rainha chamou-a pelo seu nome: “ Flor! chega mais perto e diz-me o que te preocupa tanto?” Flor aproximou-se sem medo, mas com muito respeito, contou que estavam ali perdidos e não podiam ir para casa, pois não sabiam onde estavam e o barco não tinha combustível. A fada então perguntou: “ Diz-me Flor, estás triste por estares aqui nesta ilha?” Flor respondeu que não. Mas como tinha a mãe doente, queria ir para casa para a curar. A fada Mandou a borboleta buscar um pó brilhante como as estrelas e deu à Flor dizendo: “ Esta ilha é encantada, pode estar em qualquer sítio. Vai à tua embarcação, faz o jantar para todos e na bebida põe este pó mágico e vais ver que tudo se resolve.”A menina assim fez. Preparou o jantar, levou o comer para a cabine do iate, onde a mãe descansava e chamou o pai e o irmão para jantarem. Depois do jantar, adormeceram. De manhã, quando o pai acordou, viu que o veleiro estava à deriva em alto mar e que era empurrado pelos ventos. Sem nada poder fazer, ia acordar os filhos, quando Flor apareceu ao seu lado e disse: “ Pai, não te preocupes. São os meus amigos que nos estão a ajudar. Vamos voltar para casa. Como o pai não percebia nada, a filha contou a sua aventura a. O pai ainda pensou que a filha também estava doente e a delirar com febre, mas olhando para o horizonte, viu terra e reconheceu a foz do rio e a sua linda cidade. À frente do barco ia um bando de borboletas e nas costas de uma delas, ia a fada encantada que apenas Flor via.
           Quando chegaram ao porto, o pai pediu logo uma ambulância para levar a mãe ao hospital e foi com ela, enquanto dizia aos filhos para irem para casa que era ali perto. Já no jardim da casa, apareceu uma borboleta que poisou nos ombros de Flor e nas costas da borboleta estava a fada encantada que lhe disse.” Como te disse, a ilha é encantada e pode estar em qualquer sítio. Quando estiveres triste procura entre as flores que eu estarei sempre ao teu dispor, pois sei que com a tua bondade, procurarás sempre ajudar os outros seres vivos, por mais pequenos que sejam. Já o teu irmão, por ser mau, nunca terá amigos e ficará sempre triste e sozinho.” A borboleta voou e desapareceu entre as flores do jardim. Flor ainda hoje quando vê um animal aflito, vai logo ajudar o pobrezinho. E assim viveu feliz para sempre.
FIM

segunda-feira, 28 de março de 2011

O GNOMO DA FELICIDADE

           

            Há muitos anos, num país do Oriente, uma menina brincava num prado coberto de flores silvestres.
A menina brincava sozinha, pois na sua aldeia não havia outros meninos.
Todos tinham ido para a cidade estudar.
Só ela tinha ficado na aldeia com os pais.
Isto deixava-a muito infeliz, mas sabia e compreendia que os seus pais não faziam mais por ela, por serem muito pobres e o dinheiro que honestamente ganhavam com o seu trabalho, mal dava para comprar comida.
            Numa manhã linda de primavera, dia em que a mãe da menina fazia anos, ela foi ao prado apanhar umas flores para lhe oferecer.
Procurava entre muitas flores, as mais bonitas e frescas, pois queria fazer um lindo ramo com elas.
 No meio do prado, a menina viu um grande cogumelo cor rosa com riscas brancas e junto a ele, uma linda flor com pétalas de cor vermelha muito viva e outras de um amarelo brilhante.
 A menina ficou encantada com a bela flor e procurou logo apanha-la para meter no centro do seu ramo.
 Quando se abaixou para apanhar a flor, viu à sombra do cogumelo um pequeno ser que lhe disse:
- Alto aí!... Menina.
- Quem te autorizou a colher as minhas flores?
- Não sabes que todo este prado florido é meu por direito?
 A menina muito assustada perguntou:
-Quem és tu?!... Eu venho aqui todos os dias e nunca te vi! E como pode uma criatura tão pequenina ser dona de um prado tão grande?
-A criatura pequenina, que não era maior que uma rolha de garrafa, respondeu:
 - Eu sou o Gnomo da felicidade e vivo neste prado há mais de mil anos.
 - Sou filho da Natureza e por isso, todas as flores silvestres são minhas, pois foi a minha mãe que as plantou.
- Tu nunca me viste porque nem todos me podem ver, só as crianças que têm bom coração e que respeitam a Natureza me podem ver.
- Quanto à tua terceira pergunta?! Eu alerto-te que sou pequenino, mas também muito poderoso, sou mágico e posso fazer o bem ou o mal, tudo depende das tuas respostas.
E continuou a falar:
- Eu vejo-te todos os dias.
- Vens brincar no prado, conversas com as flores e tens muito cuidado com os animais que nelas moram.
- Agora, antes de saberes o que vou fazer contigo, responde-me à pergunta que te fiz?!
 A menina cheia de medo respondeu:
- Desculpe senhor Gnomo. Eu não sabia que estas flores tão lindas tinham dono, nem sabia da sua existência, caso contrário, nunca as teria apanhado sem a sua autorização.
- E para que queres as flores? Perguntou o Gnomo.
  A menina respondeu com voz trémula:
- São para dar à minha mãezinha que faz hoje anos. Nós sonhos pobres e é a única prenda que eu lhe posso dar.
. Disse a menina já mais calma.
 O Gnomo tirou o seu barrete da cabeça e com ele a rodar numa das mãos disse:
- Muito bem! É para uma boa causa! Mereces as flores.
 Como prova da minha amizade e da minha gratidão por respeitares a Natureza, eu ofereço-te as flores e concedo-te um dom e este baú.
Dito isto, o Gnomo deu a volta ao cogumelo e apareceu com um pequeno baú na sua mão que entregou à menina dizendo:
- Este baú é mágico, tudo o que quiseres, se for pedido sem ganância, o baú dar-te-á. Basta para isso, abrir a sua tampa.
Mas toma cuidado, advertiu o Gnomo:
- Se pedires algo que não seja necessário, o baú desaparecerá e nunca mais o vês.
 Quanto ao dom, explicou o gnomo:
-Dou-te o poder de fazeres todos à tua volta felizes. Ninguém que esteja contigo sentirá tristeza.
E continuou:
- Agora vai para casa e dá as flores à tua mãe que ela bem merece.
 A menina muito contente pegou nas flores e no pequenino baú e voltou-se para ir para casa.
 Tinha dado apenas dois passos, quando se lembrou que não tinha agradecido ao seu amigo Gnomo.
 Virou-se para agradecer, mas já não encontrou o Gnomo nem o lindo cogumelo. Tudo tinha desaparecido por magia.
 A menina ainda pensou que tudo tinha sido um sonho, mas junto às flores que levava para a sua mãe, viu o pequeno baú e acreditou que na realidade o Gnomo da felicidade existe e que se encontra algures na Natureza.    
           A menina já em casa contou o que lhe tinha acontecido, mas os pais não queriam acreditar.
 Então a menina abriu o pequeno baú e pediu uma pequena festa de aniversário para a mãe e logo em cima da mesa apareceram muitas coisas boas e um lindo bolo de aniversário, com uma pequena placa feita de hóstia que dizia:
Parabéns mamã.
Os pais muito admirados, abraçaram a filha e agradeceram ao gnomo.
A partir desse dia, nunca mais faltou comida naquela casa.
E assim, todos viveram felizes para sempre e ainda hoje, tratam a natureza sempre com muito amor e carinho, respeitando tudo o que ela nos dá de livre vontade.
FIM

sábado, 26 de março de 2011

PAN E A FLAUTA MÁGICA

            

           No país do faz de conta, onde o sonho acontece muitas vezes, dando alegria a quem nele vive, havia uma floresta encantada, conhecida como o reino de Pan.
Pan era um ser lendário, que tinha as pernas de cabra e da cintura para cima era homem.
 Era conhecido como o rei Sauro que encantava todos aqueles que se aventuravam na sua floresta.
Pan, inventou uma flauta mágica que estava constantemente a tocar.
Com o som dessa flauta, comandava a Natureza. Fazia chover quando estava triste e fazia correr uma brisa suave por toda a floresta, quando se encontrava feliz.
 Nestes dias de felicidade, se alguém ouvisse a sua música, adormecia suavemente e tinha sonhos maravilhosos.
 Os animais da floresta dançavam ao som da sua música e viviam felizes.
            Quando Pan passeava pelas árvores, sem se aperceber, deixou cair a sua flauta e como andava por toda a floresta, não sabia aonde a tinha perdido.
Nesse dia, a floresta ficou triste sem a sua música. Pan procurou a flauta por todo o lado, mas não a encontrou.
           Um macaco que há muito tempo queria a flauta de Pan, encontrou-a e levou-a para fora da floresta para tocar sem que Pan ouvisse.
O macaco saiu com a flauta da floresta e andou muito tempo por serras e vales, até se encontrar bastante longe.
 Sem se aperceber, entrou numa quinta e quando se preparava para tocar a flauta, apareceu um menino pastor com as suas ovelhas e o seu cão de guarda.
O macaco com medo do cão, fugiu e deixou a flauta no chão.
            O menino pastor apanhou a flauta e começou a tocar.
A música que saia da flauta era tão suave e linda que as ovelhas começaram a dançar ao som de tão bela música.
O menino pastor quando viu as suas ovelhas a dançarem, lembrou-se da história que seu avô contava sobre a floresta mágica de Pan.
Como era pobre mas muito honesto, resolveu ir até à floresta para entregar a flauta ao seu legítimo dono.
E assim fez.
         Entrou na floresta e com medo, mas cheio de coragem, chamou por Pan.
Pan apareceu e vendo que o menino estava com medo disse:
-Não tenhas medo, eu não faço mal a ninguém e para te provar a minha gratidão, vou tocar uma linda música para ti.
Pan pegou na flauta mágica e começou a tocar.
A música era tão linda e suave que o menino adormeceu e sonhou. Sonhou que era rico, que tinha uma bela casa sempre com muita comida na mesa e que os seus pobres pais nunca mais passariam fome.
A sua mãezinha que se encontrava doente, já estava melhor e eram agora todos saudáveis e felizes.
Enquanto o menino sonhava, Pan que era mágico, via o sonho do menino reflectido nas folhas das árvores e para o compensar pela sua honestidade e bondade, fez com que o sonho do pequeno pastor se tornasse realidade.
Acordou o menino e disse:
- Vai agora para tua casa. Quando lá chegares tosquia as tuas ovelhas e a sua lã será transformada em ouro puro que poderás vender e ficar rico.
Como gratidão por me teres devolvido a flauta, a tua cabana será uma linda e grande casa e nunca mais passarão fome.
O teu sonho será realizado.
O menino agradeceu, saiu da floresta e foi para casa.
No caminho pensou que tudo não passara de um belo sonho, mas mesmo assim estava feliz porque tinha as suas ovelhas.
Como era altura da tosquia, resolveu tosquias as ovelhas, antes que o dia chegasse ao fim.
Quando acabou de tosquias as ovelhas, reparou que a lã era de uma cor parecida com a luz do sol e lembrou-se da promessa de Pan.
Olhou para a cabana e verificou que esta se tinha transformado numa linda casa e que a sua mãe e o seu pai, muito admirados, estavam à porta sem saber o que tinha acontecido.
Então o pequeno pastor contou a sua história e todos ficaram agradecidos a Pan por tal milagre.
Nesse instante, sentiram uma brisa suave a passar por eles e ouviram uma linda música no ar.
             Nas nuvens por cima das suas cabeças, apareceu a figura de Pan que os saudou até desaparecer com o vento, levando consigo a sua bela música.
            O pequeno pastor e a sua família viveram felizes para sempre.

FIM