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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

AS AVENTURAS DE KALÓ III- (Kaló e a tribo do deserto)



Kaló é um rapaz aventureiro que numa das suas viagens de aventuras, (Kaló e o gigante), ganhou um manto mágico que o transporta para qualquer sítio que imagina.
Desta vez o nosso amigo resolveu visitar uma tribo que vivia no deserto do Calaári, no sul de África.
Quando lá chegou, encontrou junto a uma árvore de grande porte chamada imbondeiro, um habitante da região e reparou que o homem estava nu e tinha uma cor negra alaranjada. Nas costas, preso com uma corda ao pescoço, trazia um cesto feito com casca de árvore, com flechas e um arco. Na mão do homem viu também uma lança com uma grande lâmina.
O indígena quando viu o homem branco, saudou-o na sua língua que parecia estalinhos dados com a língua e levantou uma mão em sinal de paz. Kaló que graças ao dom dado pelo gigante, sabia todas as línguas, respondeu dizendo com estalos: “Olá irmão. Venho em paz. Tens água para eu beber?” O Bosquimano, assim se chama aquela etnia africana, desconfiado perguntou: “De onde vens? Não és do deserto, a tua pele é branca!?”
Kaló explicou que veio do céu e como o indígena estava a desconfiar, Kaló disse: “Estás a ver aquela montanha? Eu vou até lá agora e venho novamente para o teu lado.” E utilizando o manto, pediu que o transportasse para o alto da montanha. Quando regressou. O Bosquimano estava ajoelhado com a cabeça no chão e saudava-o na sua língua dizendo:”Oh deus, perdoa-me se fiz algum mal, não me leves ainda que eu tenho filhos pequenos para criar.”Kaló explicou que não era deus. Que era homem como ele e pediu que lhe tocasse dizendo que era amigo.
O Bosquimano com medo lá se encheu de coragem e tocou no braço de Kaló e viu que era de carne e osso como ele. Admirado disse: “ Agora sei que és amigo. Mas também és deus. Tens a pele clara, cabelos lisos e voas como os pássaros. És deus e és amigo de Kondo (Kondo era o nome do Bosquimano). Eu fico muito contente.”
Depois já mais calmo, ofereceu água a Kaló e perguntou se ele o queria acompanhar na caçada.
Seguiam umas pegadas que mal se viam e que Kondo ia mostrando a Kaló. Este não via nada mas abanava com a cabeça dizendo que sim.
Avistaram um vulto que a Kaló pareceu ser um boi e como estavam quase a passar por ele, pensando que o seu companheiro o não tinha visto, apontou para o animal. O indígena abanou a cabeça a dizer não. Explicou que aquele animal era grande de mais e a família não necessitava de tanta carne.
Mais adiante, avistaram ao longe umas gazelas e em vez de irem direitos a elas, deram uma grande volta. O Bosquimano vendo que o seu companheiro estava admirado com o percurso, disse:” Temos de ir contra o vento para os animais não darem pela nossa presença. Só assim podemos chegar bastante perto para ferir o animal escolhido.
Quando chegaram perto do animal, escondidos atrás de uma duna, o indígena pegou numa seta, molhou a ponta num líquido que trazia dentro de uma pequena cabaça e utilizando o arco, feriu uma gazela.
Os animais fugiram e Kaló viu o seu companheiro muito contente e perguntou: “Porque estás contente se falhaste? Não mataste o animal!”
Kondo explicou que a seta tinha um veneno e que iriam encontrar o animal quando este morresse. Agora era só seguir o rasto.
Passado algum tempo e depois de muito andarem pelo deserto, encontraram a gazela já sem vida. Pegaram na gazela e foram para a aldeia.
Perlo caminho, Kondo explicou que apenas matavam para comer e que escolhiam sempre um animal que fosse suficiente para alimentar a família. Mesmo assim, sempre que matavam um animal, pediam perdão a deus por ter tirado a vida a um ser vivo.
Na aldeia, o Bosquimano explicou à família, que o branco era um deus e que era seu amigo. A família de Kondo ficou muito contente por ter um deus entre eles e ficaram encantados com a cor e com os cabelos de Kaló.
Kaló julgava que ia encontrar uma aldeia grande, mas quando lá chegou viu que havia apenas quinze pessoas. Perguntou a Kondo, aonde estavam os outros habitantes da aldeia e este disse que as suas aldeias eram compostas apenas pela família e que outras famílias estavam espalhadas pelo deserto e que se visitavam de vez em quando.
Kaló ficou uns dias na aldeia e aprendeu muitas coisas. Aprendeu a fazer setas; a fazer o veneno que tiravam de uma planta; a apanhar uma espécie de batatas que se encontravam enterradas na areia e que depois assavam para comer; a procurar água no deserto; a seguir pistas deixadas pelos animais e acima de tudo, aprendeu a ter respeito por todos os seres vivos.
Quando Kaló se despediu para se ir embora, Kondo apenas pediu que ele olhasse pela sua família lá de cima e que nunca deixasse acabar a caça no deserto.
Na aldeia indígena do deserto, ainda hoje todos vivem felizes por terem conhecido deus e por ele ser amigo de Kondo.
Kaló pôs o manto nas costas e desapareceu indo para outra aventura.
FIM
(Próxima aventura Kaló no Planeta 56-USX)

domingo, 8 de maio de 2011

LUBANGO A MINHA CIDADE NATAL




Chegou a altura do Blogue Querer e não Poder, recordar um pouco a cidade conhecida como a princesa da Chela. Sá-da-Bandeira ou Lubango, como os mais antigos lhe chamavam, era uma linda cidade plantada no planalto da Huíla, em Angola.
Digo aqui era e não é, propositadamente, uma vez que o actual Lubango nada tem a ver com a linda cidade deixada pelos portugueses e verdadeiros Angolanos, após o 25 de Abril.
Cidade outrora cheia de vida organizada, com jardins floridos; com fontes luminosas de encantar e com um dos mais belos parques de lazer então existentes, a Sr.ª do Monte, e protegida pelo imponente monumento em honra de Cristo Redentor, era o ex-líbris do Sul de Angola e o orgulho dos seus habitantes.
Quem fosse de visita ao Lubango, encantava-se com tão magnifica paisagem verdejante que se podia visionar não só do cabeço da serra onde se encontrava o Cristo Rei, de onde era visto toda a cidade e vilas existentes ao seu redor, mas acima de tudo, do que se podia admirar do excelente miradouro da Tunda Vala.
A fenda da Tunda Vala, talvez única no Mundo, pela sua excelente localização e pela beleza que emana, seria com toda a justiça, considerada património Mundial e protegida com tal, se houvesse visão política direccionada para o turismo e conservação da Natureza tal e qual ela se formou.
Lembrando todas essas maravilhas que compunham a linda cidade do Lubango e seus arredores, não poderia deixar de falar das lindíssimas cascatas da Huíla que só quem as conheceu, poderá dar testemunho de tão maravilhosa beleza da Natureza.
A conhecida Coimbra Angolana, também assim chamada no meio estudantil, tinha orgulho em fazer praxes académicas aos caloiros do Liceu Diogo Cão, da Escola Industrial e Comercial Artur de Paiva e da Escola de Regentes agrícolas do Tchivinguiro, que em nada ficava atrás das praxes praticadas em Coimbra naquele tempo.
Durante  todos os dias do ano, O Lubango é banhado por um sol radiante e com uma temperatura amena, com excepção dos meses de Julho e Agosto, altura que os seus dois mil metros de altitude, fazem arrefecer o ar, principalmente durante as madrugadas, provocando a formação de granizo que com o raiar do astro Rei, depressa se transforma em água que infiltra pela terra a dentro, proporcionando assim um excelente terreno privilegiado para a agricultura.
Foi esse clima e esta terra fértil, que os colonos agricultores portugueses encontraram quando se fixaram nos Barracões, local onde começou a nascer a bela cidade do Lubango.
Foi essa conjugação da Natureza que nos anos cinquenta e sessenta fizeram da Huíla, o verdadeiro celeiro de Angola.
Hoje, pelas fotografias e vídeos que me chegam, mandados por amigos, verifico com mágoa que esta tão linda cidade, deixou de ser o local verdejante de outrora. A Fonte Luminosa que durante todas as noites do ano, era um ponto de visita, cheia de luz e de água, está agora seca e às escuras. A enorme piscina da Sr.ª do Monte e o seu magnífico jardim circundante, não passa hoje de um lado cimentado sem água rodeado de um jardim mal cuidado e sem as lindíssimas rosas que lá havia.
Nem tudo está mal! É verdade. O Casino da Sr.ª do Monte encontra-se conservado, mas será que ainda é casino? O Monumento do Cristo rei também está conservado, mas a paisagem já não é a mesma. Em vez de se vislumbrar uma bela cidade ao fundo, a nossa vista choca com as inúmeras barracas construídas sem lei nem roque, enchendo a outrora linda cidade de favelas que proporcionam a delinquência e a insegurança dos cidadãos.
Os governantes que construíram o Cristo Rei, beberam a ideia na cidade maravilhosa (Rio de Janeiro). Numa altura em que as autoridades Brasileiras estão a tentar acabar com as famigeradas favelas no Rio de Janeiro, como a excelente recuperação recente da favela do Alemão, lamenta-se que as autoridades Angolanas não lhes sigam o exemplo.
Angola tem tudo para ser um belo e enorme país e sem sombras para dúvidas, o Lubango tem as estruturas principais montadas directamente pela Natureza e descoberta por gente Lusa desde os tempos coloniais, para continuar a ser no futuro, a bela paisagem verdejante e luxuriante que foi no passado, basta haver sensibilidade e bom gosto associado á vontade política e capacidade de governação.
Muito mais teria a falar sobre esta cidade, mas o objectivo não é esse. Apenas lembrar o que foi e o que é actualmente o Lubango, aos olhos de um Chicoronho naturalizado português.
Quero aqui lembrar que todos os anos os inseparáveis do Lubango reúnem-se nas Caldas da Rainha no segundo fim-de-semana de Julho. Até lá um abraço a todos os Chicoronhos.
FIM

quarta-feira, 4 de maio de 2011

AS AVENTURAS DE KALÓ II (KALÓ E A ILHA PERDIDA)


           
           
AS AVENTURAS DE KALÓ
(KALÓ E A ILHA PERDIDA)

            Kaló é um rapaz aventureiro que numa das suas viagens de aventuras, (Kaló e o gigante), ganhou um manto mágico que o transporta para qualquer sítio que imagina.
            Nesta sua aventura, Kaló vai ter a uma ilha perdida nos mares do Sul, muito abaixo do continente Australiano.
            A ilha tinha muito arvoredo de grande porte; muitas flores bonitas e muitos animais.
Kaló tirou o manto mágico dos ombros e guardo-o numa sacola que levava às costas e preparou-se para explorar a linda ilha.
Desde o início que pressentia ser seguido, mas não via ninguém. Olhava para todos os lados, mas apenas via árvores e mais árvores.
Por precaução, tirou a sua faca de mato, cortou um ramo forte e fez uma lança para se defender de algum animal selvagem.
Continuou a andar e ao entrar numa clareira, ouviu um barulho estranho. Parou para escutar melhor e de repente, viu-se rodeado de mulheres guerreiras.
Kaló não ofereceu resistência e foi levado à presença da rainha que ouvia com muita atenção o que uma mulher guerreira lhe dizia ao ouvido.
Pouco depois, a rainha chamou Kaló e perguntou-lhe:
- É verdade o que diz a minha guerreira? Que és mágico e apareceste do nada?
Kaló respondeu:
- Em parte é verdade. Eu sou mágico e vim das estrelas.
 Vendo o temor das mulheres guerreiras, Kaló procurou logo ganhar vantagem e perguntou:
 Onde estão os homens? Será que nesta ilha só há mulheres?
A rainha com voz trémula respondeu:
Os homens aqui são escravos. Enquanto são jovens, trabalham nas minas de diamantes que temos no fundo da ilha e só saem de lá quando são chamados e escolhidos para serem os pais dos nossos filhos. Os velhos e os doentes são atirados como alimento ao nosso deus lagarto.
Kaló ouviu com atenção e disse:
Pois foi isto mesmo que eu, deus das estrelas, vi lá de cima e não gostei. Por isso vim para vos ensinar a viver de outra maneira.
A feiticeira da tribo que se encontrava junto da rainha pediu a palavra e disse:
            A nossa lenda diz que um dia virá o homem deus das estrelas que nos libertará do deus lagarto.
            E continuou:
            - Se o que dizes é verdade, na próxima lua cheia enfrentarás o nosso deus e se o venceres acreditamos em ti. Se perderes, serás devorado pelo deus lagarto.
Até lá, serás o nosso convidado de honra. Durante o dia podes andar por todo o lado, mas ao cair da noite é proibido sair para além das muralhas da aldeia.
Faltavam dois dias para a lua cheia e kaló procurava uma maneira de libertar os homens da escravatura, sem ofender as mulheres, pois queria que todos vivessem felizes.
Depois de ouvir o que a feiticeira tinha falado, Kaló perguntou:
- E onde está o vosso deus lagarto? Eu gostava de o ver!
A feiticeira conversou com a rainha em segredo e depois respondeu:
- O deus lagarto vive numa gruta da floresta, fora das muralhas da aldeia. Durante o dia dorme e à noite sai para caçar. Quando não encontra o que comer, ataca a aldeia e é nessas alturas que lhe damos os velhos e doentes que já não servem para nada.
Kaló agradeceu à feiticeira pela explicação e retirou-se para a sua tenda.
Quando se encontrava sozinho, tirou o manto mágico da sacola e ao usa-lo pediu que o transportasse para a cova do monstro sem que este o visse.
Na gruta, viu um enorme dragão que dormia num sono profundo. Aproximou-se com cautela e cravou a sua lança no coração do dragão, ao mesmo tempo que pedia ao manto que lhe levasse de volta para a sua tenda.
O dragão deu um grito muito forte. Na aldeia as mulheres guerreiras com medo que o dragão aparecesse, montaram guarda nas muralhas, mas nada aconteceu. Apenas durante toda a noite se ouviu os gemidos do bicho.
A feiticeira que estava junto a uma fogueira, jogou uns pós no fogo e depois do fumo passar disse:
- O nosso deus lagarto já sabe que estás cá. E está muito zangado. Por isso não vamos esperar a lua cheia. Amanhã, ao amanhecer, vais ser jogado na caverna do lagarto.
A rainha ainda tentou reclamar, mas a feiticeira que desde o início tinha medo que o rapaz lhe tirasse o lugar, falou:
- É o que diz a nossa lenda. Por isso assim será feito. Caso contrário, a aldeia será castigada e todos morreremos.
Quando o sol apareceu no horizonte, as mulheres guerreiras levaram Kaló e jogaram-no na gruta do dragão. Kaló era o único que não mostrava medo, pois sabia o que tinha feito.
No fundo da gruta, o rapaz viu que o dragão estava deitado e que havia muito sangue á sua volta. A lança ainda estava cravada no peito do grande lagarto, mas este ainda estava vivo, embora muito faço, sem forças para se mexer.
Kaló com a sua faca de mato deu um golpe no pescoço do dragão. Este deu um grande grito e morreu.
 Na aldeia, as mulheres guerreiras ficaram à espera e na mina dos diamantes, os homens ficaram aterrados sem saber o que se estava a passar.
Pouco depois, Kaló apareceu na aldeia com a sua lança cheia de sangue e com um dente que tinha tirado do dragão e disse:
- O vosso deus está morto. Agora eu sou o vosso deus e aquela que me desobedecer seja castigada com a morte.
Todas se ajoelharam e saudaram o novo deus.
Kaló ordenou que fossem buscar todos os homens da mina. E quando todos estavam já na aldeia falou:
- A partir de hoje não há guerreiras nem escravos. Todos são iguais e todos devem trabalhar para o bem comum. O homem e a mulher mais velhos vão ser os chefes da aldeia e haverá um conselho composto por mulheres e homens que vão fazer as leis iguais para todos.
- E acrescentou:
            - Eu vou-me embora para as estrelas e lembrem-se que lá de cima vejo tudo e se algo não estiver bem, eu volto para castigar os culpados.
Kaló embrulhou-se no manto mágico e desapareceu. Na ilha perdida todos vivem felizes e ainda hoje, aguardam a vinda do deus das estrelas.
FIM
Carlos Cebolo

sábado, 30 de abril de 2011

AS AVENTURAS DE KALÓ - I (Kaló e o Gigante)


           

             Kaló era o terceiro filho de uma família abastada, que vivia numa pequena cidade.
            O pai de Kaló criava cavalos e os filhos, três meninos e duas meninas, estudavam todos na melhor escola da cidade.
            Nas férias, as meninas aprendiam a bordar com a mãe e os rapazes, ajudavam o pai na grande quinta onde criava cavalos.
            Kaló era muito aventureiro e sempre que lhe era possível, montava um cavalo e saia da quinta sem destino certo.
            Quando o pai perguntava aos filhos o que eles queriam fazer depois de acabar os estudos, os irmãos mostravam vontade de continuar a trabalhar na quinta, mas Kaló sempre dizia que um dia gostava de conhecer outras culturas e outros sítios.
            No dia em que acabou os estudos, pediu ao pai um cavalo e que o deixasse ir pelo Mundo fora. O pai deu-lhe um cavalo e uma bolsa com moedas de ouro e disse para ele ter cuidado e quando estivesse satisfeito, que voltasse para casa, onde era muito querido.
            Kaló montou no seu cavalo e partiu. Andou por vales e montanhas, viu muitos lugares bonitos e conheceu culturas diferentes. Por onde passava, procurava sempre trabalhar, aprendendo novos ofícios e ensinando também o que sabia, principalmente na criação de cavalos.
            Um dia, depois de atravessar uma grande floresta, encontrou um rio. Seguindo o rio, viu que este acabava de repente, e que as suas águas, entravam numa grande fenda que havia no sopé de uma montanha.
            Curioso, procurava uma maneira de saber para onde ia o rio! Encontrou uma caverna escura, apeou-se e levando o seu cavalo consigo e um archote na mão, entrou e ouviu o barulho de água do outro lado da rocha.
            Kaló continuou a andar dentro da caverna e reparou que o caminho descia cada vez mais. Olhando para trás, viu que o lugar onde tinha entrado, encontrava-se já bastante longe e lá muito alto.
            De repente, ao contornar uma grande rocha, viu luz ao fundo. Animado por chegar ao fim da caverna, apreçou o passo. Ao sair, viu um lindo lugar com muitas árvores de fruto e o rio que corria calmo por entre elas.
Quando chegou mais perto das árvores de fruto, reparou que eram laranjas, mas eram do tamanho de melões e as árvores eram também muito grandes. Tudo ao redor era grande. Kaló admirado com tal coisa, parou a admirar tamanha beleza. Como estava com fome, apanhou uma laranja, comeu e ficou com a barriga cheia.
            Quando estava a descansar à sombra da enorme laranjeira, ouviu um barulho que parecia trovoada. Kaló levantou-se e ia começar a procurar um lugar para se abrigar, quando viu um gigante que se aproximava. Então reparou que o barulho era feito pelos passos do gigante e ficou com medo.
            Quando o gigante o viu, disse com uma voz muito forte: “Não tenhas medo que eu não faço mal a ninguém?” E continuou: “És tão pequenino! De onde vens?”
            Kaló explicou ao gigante como tinha entrado no vale e ainda com medo, disse: “Eu não sou pequenino. De onde venho, todos são do meu tamanho. Tu é que és grande de mais!”O Gigante riu e disse: “És engraçado. Eu gosto de ti. Até o teu cavalo é pequeno. Vais ver os meus.”Dito isto, pôs o rapaz no ombro, pegou no cavalo com uma mão e disse: “Segura-te bem para não caíres!”
            Cada passo do gigante, para Kaló era igual a 100 metros e depois de muitos passos, chegaram a uma grande quinta. Kaló viu uma enorme casa e muitos cavalos maiores que elefantes.
            Quando lá chegaram o gigante disse: “Tudo isto é meu! Vivo sozinho neste vale há muito tempo, tenho cavalos mas não os posso montar porque são bravos.” Disse Kaló:” Então porque razão não os domas?” “Domar? Como?” perguntou o gigante. E acrescentou: “ Eu não sei domar cavalos!”
            Kaló pensou um pouco e disse: “Mas eu sei e posso ensinar-te. Os teus cavalos são enormes, mas eu explico-te como deves fazer, utilizando o meu cavalo e tu fazes o mesmo com um dos teus cavalos. Vais ver que é fácil.” O Gigante concordou.
Assim, kaló ensinou o gigante a domar cavalos e passado algum tempo, já o gigante domava os seus cavalos sozinho, Kaló mostrou vontade de regressar à sua terra.
O gigante quando soube, ficou triste mas disse: “És uma boa companhia, mas não tenho o direito de te prender aqui. Quando quiseres podes ir.”
            No dia da partida, o gigante deu pão e queijo para o rapaz levar como merenda e deu-lhe um manto feito com as crinas dos seus cavalos e disse:”Este manto é mágico. Quando quiseres ir a algum lugar, é só pô-lo nos teus ombros e ele te levará e falarás todas as línguas. Se um dia quiseres visitar-me é só pedires ao manto.” E continuou:”Agora eu vou levar-te ao buraco onde entraste e vou fecha-lo. Depois de saíres, ninguém mais encontrará a entrada para este vale. Sei que nem todos são bons como tu.” E assim fez.
            Kaló foi para casa, mas sempre que o seu espírito procura por aventuras, utiliza o manto e lá ia ele.
Sobre o gigante, não falou a ninguém, pois ninguém iria acreditar nele e, mesmo que acreditassem, não saberia onde se encontrava a gruta para entrar no vale. Apenas lá vai visitar o seu amigo, utilizando sempre o manto mágico.
            Kaló continuou com as suas aventuras e viveu feliz para sempre.
FIM

           

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O EREMITA E O LÁPIS MÁGICO

           
            Numa casinha situada no sopé de um monte, vivia um velhinho que os habitantes da aldeia chamavam de eremita.
            Na aldeia ninguém sabia ao certo qual a história que existia à volta do velhinho, apenas sabiam que quando a aldeia se formou, já ele vivia naquela casinha junto ao monte.
            O velhinho não fazia mal a ninguém, mas não havia na aldeia, habitante que alguma vez o tivesse visitado.
Quando as crianças faziam algo que os adultos não gostavam, logo ameaçavam dizendo:
-Se te portas mal, o eremita leva-te para a montanha.        
Na aldeia, vivia um menino órfão, muito pobre.
 Os pais do menino tinham morrido não acidente, quando ele tinha 7 anos de idade.
Desde essa altura, o menino para sobreviver, fazia pequenos serviços em troca de comida.
As pessoas da aldeia de vez em quando, também lhe davam roupas velhas, que o menino vestia como se fossem novas.
Um dia o eremita foi à aldeia fazer umas compras e quando voltava para a sua cabana no sopé do monte, escorregou e magoou um pé.
Ninguém na aldeia o ajudou. 
O eremita estava aflito para se levantar, pois o pé doía-lhe muito.
 Nesse momento, o menino pobre aproximou-se do velhinho e deu-lhe a mão, ajudando-o a levantar.
 Como o velhinho estava ferido, o menino pegou no saco das compras, deu a mão ao eremita e acompanhou-o até a sua cabana.
Na aldeia todos ficaram admirados com a coragem do menino, pois embora tivessem pena do velhinho, o medo que sentiam dele era mais forte. E por isso, ninguém o ajudava.
Quando chegaram à cabana da montanha, o eremita agradeceu ao menino dizendo:
- Obrigado rapaz! Eu não faço mal a ninguém, não sei qual a razão de todos terem medo de mim! Talvez seja por eu ser já muito velho. 
E continuou:
-Tu não tiveste e ajudaste-me, quando eu mais precisava e por isso eu vou-te recompensar.
O menino respondeu: 
- Mas eu não fiz nada de mais, apenas o ajudei porque vi que o senhor estava ferido. Eu sei que o senhor não é mau, pois quando venho à montanha para apanhar frutos silvestres, vejo-o sempre a trabalhar na sua horta!
O eremita conhecia o menino, mas fingiu que não sabia nada dele e perguntou: 
- Quem é a tua família?
 O menino muito triste disse que não tinha ninguém. Que vivia sozinho.
O eremita ouviu e disse:
- Então somos parecidos! Eu também não tenho ninguém mas nunca fico sozinho.
 O menino admirado perguntou: 
- Como assim?
 E o eremita contou a sua história: 
Pegou num lápis e disse:
-  Há muitos anos atrás, apareceu por cá um anão que tinha fome e pediu-me de comer. Fiz-lhe um belo almoço e convidei-o a ficar comigo o tempo que quisesse.
 O Anão ficou apenas o tempo necessário para comer e depois do almoço, deu-me este lápis e disse:
 - Obrigado pelo belo almoço que me deste. Eu sou mágico e só apareço em casa de gente de bom coração. Para te compensar, vou dar-te este lápis mágico. Tudo o que desenhares com ele, se tornará real se  não fores ganancioso.
Vendo a admiração do menino, o eremita continuou:
- Sempre que necessito de alguma coisa, desenho e, o que desenho aparece. Até agora desenhei apenas o que necessito, pois não quero ofender o anão mágico. Mas agora que já estou velho e não necessito de mais nada, ofereço-te.
O menino agradeceu e foi todo contente para a aldeia .
Quando lá chegou contou a sua história, mas ninguém acreditou nele e ainda o gozavam dizendo:
 - Foi com o eremita e ficou maluco como o velho.
O menino foi para casa muito triste e como estava com fome, desenhou com o lápis, uma mesa com coisas boas.
 Assim que acabou de desenhar, apareceu no centro da sala uma bela mesa cheia de comida, igual ao desenho que tinha feito.
O menino contente, comeu até se fartar e já com a barriga cheia, desenhou um cão.
 Durante a noite, quando estava a dormir, sonhou com o velhinho eremita que lhe parecia um anão e que lhe dizia: 
Pega no lápis e no teu cão e vai para outro lugar bem longe, não digas a ninguém.
O menino assim fez.
 Andou por serras e vales até encontrar uma grande montanha.
 Quando lá chegou, desenhou a montanha e no seu sopé uma linda cabana.
 O seu desenho tornou-se realidade e ainda hoje, ele vive na sua cabana no sopé da montanha sozinho.
Quando necessita de alguma coisa, pega no seu lápis e desenha.
 E como já está a ficar velho, espera que apareça alguma criança que tenha bom coração para lhe oferecer o lápis mágico.
FIM

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O CAVALINHO DE CORRIDA

          
       
O CAVALINHO DE CORRIDA

            Numa quinta onde viviam muitos animais, havia sempre muita alegria, pois todos os animais eram amigos e procuravam sempre ajudarem-se uns aos outros.
            Embora cada animal tivesse a sua missão dentro da quinta, sempre que era necessário, faziam o trabalho que pertencia a outro animal, quando este o não pudesse fazer por qualquer motivo.
            Até o galo que acordava todo o mundo com o seu cantar, antes do Sol nascer, era alegremente substituído pelo ganso que, com o seu grasnar irritante e muito agudo, o substituía quando ele não podia cantar.
            Com esta grande amizade entre eles, viviam alegremente na quinta.
            Um dia, o dono da quinta começou logo de manhã a construir um estábulo novo.        Os dias foram passando e todos os animais estavam curiosos para conhecer o seu novo amigo. Dizia o cavalo:
           - Quem será que vai ocupar aquelas instalações?
          Respondia o burro:
           - Não sei amigo cavalo, mas seja quem for, é um sortudo, pois o nosso dono está a colocar um bebedouro novo e canos de água corrente e já lá meteu mantas!
           - Logo se verá. O certo é que vamos ter um novo amigo! Disse o cão de guarda.
           E todos estavam felizes com a ideia.
           Um dia, o dono da quinta chegou com uma carroça fechada e descarregou com muito cuidado um lindo cavalinho muito elegante. Os outros animais ficaram contentes e disseram:
           - É mesmo um amigo! é outro cavalo! Ainda é novinho e fraquinho, mas é um dos nossos.
Assim que o dono saiu, foram todos cumprimentar o novo amigo.
Junto ao novo estábulo, o cavalo chamou:
- Eh! Amigo, aparece para nos conheceres e para nós te vermos melhor?
 O cavalinho de corrida apareceu todo vaidoso e disse:
- Amigo? Quem pensam que eu sou? Algum animal vulgar com vós? Eu sou um campeão? Sou um cavalo de corrida muito valioso e o meu dono deu muito dinheiro para me comprar? Por isso, deixem-me em paz que eu quero descansar.
O burro não gostou nada da conversa do vaidoso cavalinho e disse com desprezo:
- Oh! Olhem para ele? Julga-se superior aos outros, mas já tem as patas todas atadas com ligaduras. Vê-se mesmo que é fraquinho das pernas.
 O cavalinho cada vez mais arrogante disse:
 - Que ignorância! Não sabes que os cavalos de corrida têm as patas enfaixadas com ligaduras para proteger os seus tendões? Vê-se mesmo que não percebem nada de nada!?
E dito isso, com arrogância, foi para o fundo do estábulo.
Os outros animais foram embora, cada um para o seu trabalho com grande tristeza.
À noite, quando se juntaram todos como sempre faziam, o cavalo disse:
 - E nós que pensávamos que tínhamos um novo amigo! Que grande besta nos saiu na rifa!
 O burro disse:
- Deixa lá! Um dia ele ainda vai precisar de nós e aí vai ver o quanto é ruim não ter amigos.
Passaram-se anos e tudo continuava na mesma.
Num domingo de Outono, o dono levou o cavalinho na carroça fechada, como fazia várias vezes.
Passado algumas horas, regressou muito aflito, acompanhado por uns senhores com batas brancas. Entraram para o estábulo e fecharam a porta.
Interrompendo o silêncio, o galo chamou os amigos:
- Amigos! Algo de grave se passou, vou subiu para o telhado do estábulo para ver o que se passa! E assim fez.
Pouco depois, o galo voltou e disse:
- Amigos! O arrogante partiu uma pata e os senhores vestidos de branco são veterinários. Ouvi um deles dizer ao nosso dono que o cavalinho estava perdido para as corridas e que o melhor era abate-lo.
Junto ao estábulo novo, apenas se ouvia gemidos.
           O burro com curiosidade, aproximou-se e sem querer, fez um pouco de barulho.
           O Cavalinho ainda com arrogância, aproveitou logo para pedir:
            - Dá-me um pouco de água que eu tenho cede.
           O burro fingiu que não ouviu e foi-se embora.
Passado mais alguns dias, o cavalinho não recuperava da perna partida e ouviu o dono dizer:
- Bem! estou a ver que não tenho outro remédio. Tenho de o mandar abater!...
- Amanhã vou tratar disso.
 E saiu do estábulo deixando a porta aberta.
 Durante a noite toda, o cavalinho chamou pelos outros animais. Chamava-os de amigos e pedia desculpas por ser tão vaidoso e arrogante ao mesmo tempo que dizia:
 - Estou arrependido! por favor perdoem-me! Não quero morrer sem o vosso perdão!
 Os outros animais ouviram e todos juntos resolveram ajudar o pobre coitado.
 No dia seguinte, o dono da quinta saiu cedo e voltou pouco de pois com um carro, para levar o cavalinho para o matadouro.
 Quando chegou junto do estábulo, viu todos os amimais deitados à volta do cavalinho de corrida e o cão a ladrar muito e a querer morder os senhores que se aproximavam.
O dono comovido com aquela cena, resolveu não mandar matar o cavalinho.
Depois desse dia, o cavalinho de corrida procurava sempre ajudar os seus amigos e quando alguém lhe perguntava o que era a melhor coisa do Mundo, ele respondia:
- A melhor coisa do Mundo é ter verdadeiros amigos!...
 E assim, viveram todos felizes para sempre.
FIM.
Carlos Cebolo






segunda-feira, 18 de abril de 2011

O CARANGUEJO, O CAVALO-MARINHO E A SEREIA




Um dia, um caranguejo farto de estar na sua toca de areia, resolveu dar um passeio pela praia. Distraído, não reparou que uma grande onda se estava a formar no mar. A onda veio e levou o pobre caranguejo com ela.
No fundo do mar, o caranguejo viu muitas coisas bonitas: Conchas; peixes; pedras; algas e uns animaizinhos que ele não conhecia.
Curioso, aproximou-se de um deles e perguntou:
- Quem és tu?
O animalzinho olhou para ele e respondeu:
- Sou o cavalo-marinho, um dos habitantes deste lugar?! E tu! de onde vens que eu não te conheço?
 O Caranguejo respondeu:
- Sou o caranguejo e vivo na praia. Tenho lá uma toca muito grande e muita família.
- Então o que estás aqui a fazer? Perguntou o cavalo-marinho.
O caranguejo começou a contar o que lhe tinha acontecido e disse:
- Eu andava a passear pela praia quando uma onda me empurrou para aqui. Agora ando por cá a ver as coisas belas que eu não conhecia. Mas tu és esquisito?
 - Esquisito eu!? Retorquiu o cavalo-marinho já muito zangado com o caranguejo.
- Sim! Disse o caranguejo. És parecido com um cavalo, mas não tens pernas; tens uma calda enrolada e nadas sempre de pé! És realmente muito esquisito!
O cavalo-marinho ia responder, mas nisto apareceu uma sereia a pedir calma aos dois amigos:
- Tenham calma, os dois. Eu ouvi com muita atenção a vossa conversa e digo-te caranguejo! Aqui no fundo do mar, todos somos amigos uns dos outros e ninguém acha o outro esquisito.
E continuou:
- Eu não sei qual é o vosso hábito lá na superfície, mas diz-me amigo caranguejo! Tu não te achas esquisito?
 O caranguejo olhou para si mesmo e respondeu:
- Eu não! Eu sou normal!
- Então diz-me, perguntou a sereia:
- Como explicas que lá na superfície todos andam de frente e tu és o único que andas de lado? E acrescentou: Isso não ser esquisito?
O caranguejo pensou um pouco e disse:
- Não! Eu acho que todos andamos da mesma maneira, mas agora que me falaste nisto, eu fiquei com dúvidas e vou lá ver.
E o caranguejo voltou para a praia. Andou por todo o lado e na realidade reparou que os caranguejos eram os únicos que andavam de lado! Envergonhado, disse para si mesmo:
-Tenho de voltar ao fundo do mar e pedir desculpa ao cavalo-marinho.
Apanhou boleia com uma onda e lá foi o caranguejo, arrependido mas com grande vontade de pedir desculpas aos seus amigos do fundo do mar.
A sereia quando o viu chegar disse:
- Bem-vindo caranguejo! Então o que nos contas desta vez?
 O caranguejo muito envergonhado disse:
 - Sereia, obrigado por me abrires os olhos. Eu era tão convencido que não via a realidade das coisas. E virando-se para o cavalo-marinho disse:
- Dá cá um grande abraço amigo. Desculpa-me pela minha ignorância; Tu não és nem mais, nem menos esquisito que eu. Perdoa-me amigo.
A sereia feliz disse:
- Pois é meus amigos: Aqui ninguém é esquisito. Somos todos diferentes. Eu sou meio peixe meio humana; o caracol anda com a casa às costas; o mexilhão está sempre agarrado às rochas; os peixes! uns são grandes e outros pequenos, todos com formas diferentes. E lá na superfície é a mesma coisa! Uns andam de pé e têm duas pernas; outros têm quatro. Há seres que têm asas e bico e outros rastejam. Somos todos diferentes mas somos todos filhos da mesma Natureza.
O caranguejo muito envergonhado aprendeu a lição e nunca mais achou ninguém esquisito, feio ou bonito. E assim, viveu feliz para sempre na companhia de todos os seus amigos da superfície e do fundo do mar.
FIM
Carlos Cebolo

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O GAFANHOTO VAIDOSO

        
        Num prado cheio de ervas e flores, havia muitos insectos lindos: Borboletas de todas as cores, joaninhas vermelhas com pintas pretas, carochas, aranhas, grilos e muitos outros insectos lindos.
            No meio deles, estava um gafanhoto que era conhecido pelo saltitão, pois tinha a mania de estar sempre a saltar por todo o lado.
            Saltitão sentia-se vaidoso, pois não havia no prado nenhum insecto que saltasse mais alto do que ele.
            Sempre que estavam juntos, saltitão procurava logo uma maneira de mostrar as suas habilidades e dizia todo orgulhoso: “ Olhem como eu salto! E como sou elegante a saltar! Será que há aqui alguém melhor e mais lindo do que eu?”
            A fada do prado farta de ouvir o saltitão, disse para os outros insectos: “Temos de dar uma lição ao vaidoso gafanhoto. Vou convocar todos os insectos para mostrarem as suas habilidades".
            Num dia lindo de primavera, a fada chamou todos os insectos e disse: “ Vou fazer um concurso para escolher o insecto mais útil do reino. Assim um de cada vez, todos vão fazer o melhor que souberem e no fim, todos juntos escolheremos o vencedor.
            Todos concordaram e o saltitão vaidoso como sempre disse:”Um concurso? Eu ganho de certeza, ninguém salta mais alto do que eu!
            E começou o concurso.
 O primeiro concorrente foi a cigarra que começou a cantar e cantou tão bem que todos aplaudiram; depois foi a vez da joaninha que começou a comer uma folha de planta e transformou-a num lindo pedaço de renda. Outros insectos fizeram as suas habilidades; uns cantando, outros dançando e outros construindo coisas lindas como o casulo da borboleta.
            A aranha entre duas árvores, fez uma teia com os seus fios fininhos e mostrava a toda a gente a sua obra de arte. Nisto apareceu o vaidoso gafanhoto a dar saltos e dizendo:” Eu sou sem dúvidas, o vencedor! Ninguém salta mais alto e com tanta agilidade como eu!” O saltitão continuou a saltar cada vez mais alto e no último salto, bateu na teia da aranha e ficou preso nela. Muito aflito disse: “ Tirem-me daqui! Tirem-me daqui que eu estou preso!” Os outros insectos começaram a rir e a dizerem: “Então saltitão!? Para que queres tu essas pernas longas? Salta agora! Salta! Anda!...Nesse momento, apareceu a abelha que disse:” Amigos, já estamos aqui há muito tempo. Antes de acabar, vamos fazer um lanche! E depois com a barriga cheia fazemos a votação!” Todos concordaram e seguiram a abelha. Todos menos o saltitão que estava preso na teia da aranha!
            E todos disseram:” Mas que bom alimento!...”
            Depois do lanche, a fada do prado perguntou: “ Então abelha, tu não fazes nada? Não tens habilidade nenhuma?” A abelha muito calma respondeu: “A minha habilidade acabaram vós de a comer. Estes favos com mel foram feitos por mim como todos sabem. E isto é a minha habilidade. Fazer mel.” E acrescentou: “Aranha solta o gafanhoto para que ele coma também!” A aranha soltou o gafanhoto que logo se lançou ao mel e comeu até se fartar, pois estava esfomeado.
            No final, depois de muito pensarem, elegeram a abelha como a mais útil dos insectos.
            A fada do prado disse:”Pois muito bem! Todos os insectos mal ou bem, sabem cantar, pular, dançar ou fazer renda, mas na realidade só a abelha sabe fazer um alimento tão bom. É sem dúvidas o insecto mais útil do nosso reino e o gafanhoto, o mais trapalhão.”
            O saltitão envergonhado, pediu desculpas e disse que nunca mais seria vaidoso.
A abelha foi proclamada rainha dos insectos e todos viveram felizes para sempre.
FIM

sábado, 9 de abril de 2011

A BONECA DE PANO


             Era uma vez uma velha boneca de pano que há muito se encontrava dentro de uma caixa guardada na garagem da casa de uma menina que tinha muitos brinquedos novos para brincar.
            Um dia a mãe da menina foi arrumar a garagem e deitou as coisas velhas para o lixo.
 Entre estas coisas, estava também a caixa com a boneca de pano que já não tinha cabelo e estava toda descosida.
            De madrugada, o senhor que recolhia o lixo, reparou na caixa, abriu-a e viu lá dentro a boneca de pano.
 O homem era casado e pai de uma menina que nunca tinha tido uma boneca, pois ele não a podia comprar. Era pobre, vivia apenas com o pouco dinheiro que ganhava com o seu trabalho.
Assim, agarrou na boneca e pensou em dá-la à sua filha para ela brincar.
 Em casa pediu à mulher que a lavasse e desse à filha.
 A mãe da menina lavou a boneca, coseu-a muito bem e com lã cor de cenoura fez cabelos para ela.
 Com um lápis preto, pintou uns olhos, um nariz e uma boca.
Com um tecido que tinha em casa, fez-lhe um lindo vestido branco com pintinhas cor de cosa.
 A boneca ficou linda!...
            A filha que se chamava Mariluz, quando viu a boneca ficou muito contente.
 Brincava e dormia sempre com a boneca e até falava com ela. A boneca não lhe respondia, mas ela falava pelas duas. Fazia as perguntas e dava as respostas, fingindo que era a boneca.
            A menina cresceu e foi para a escola onde arranjou muitas amigas, mas quando alguém lhe perguntava quem era a sua melhor amiga, ela respondia que era a sua boneca de pano que a acompanhava sempre para todo o lado.
            A professora dizia:
- Mariluz! A tua boneca não pode ser tua amiga, ela não fala e não brinca contigo! As tuas amigas são as tuas colegas que brincam e falam contigo.
- Mariluz ficava muito zangada e dizia:
 - Fala sim! A minha boneca fala e brinca comigo sempre! Ela nunca me diz que não! Nunca me abandona. É sim a minha melhor amiga.
            A fada madrinha que acompanhava sempre a menina sem esta a ver, resolveu dar um presente à sua afilhada.
Durante a noite, quando Mariluz estava a dormir com a sua boneca ao seu lado, a fada madrinha falou-lhe ao ouvido:
- Mariluz! Eu sou a tua fada madrinha e como és uma boa menina, vou dar voz à tua amiguinha, mas só tu podes saber disto! Dorme bem minha afilhada.
            A menina quando acordou, pensou que tinha tido um sonho.
 E quando se levantava da cama para ir lavar os dentes e a cara, ouviu uma voz muito linda que lhe disse:
- Olá! Hoje está um lindo dia e os passarinhos já cantam lá fora.
 A menina ficou encantada, abraçou a sua boneca e respondeu:
 - Bom dia! Obrigado fada madrinha foi o maior presente que tive. Agora já tenho com quem falar quando estiver sozinha!
            A menina cresceu e continuou sempre a dormir e a andar com a boneca para todo o lado.
            A mãe já estava a ficar preocupada com o comportamento da filha e disse para o marido:
            - Temos de levar a menina ao médico. Ela já não tem idade para brincar com bonecas e não deixa aquela boneca de pano.
Assim fizeram.
A médica depois de conversar e de fazer vários exames à menina disse para os pais:
- A Mariluz é saudável, não tem doença nenhuma. Estejam descansados que isso da boneca, passa-lhe com o tempo.
Foram para casa e no caminho a menina contou que a sua boneca falava e que tinha sido a sua fada madrinha que lhe tinha dado voz.
Os pais não queriam acreditar na menina, mas ouviram uma voz que parecia música a dizer:
- Eu não te disse Mariluz! Que só tu podias saber disto? Eles não acreditam em ti!...
Os pais perguntaram que voz era aquela? Mariluz respondeu:
É a minha fada madrinha que está aqui sentada ao pé de mim e da minha boneca.
A partir deste momento, os pais acreditaram que na verdade, a simples e velha boneca de pano que tinha sido encontrada no lixo, se tinha tornado a melhor amiga de sua filha.
 E assim viveram felizes para sempre.
FIM

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O OVINHO MÁGICO




No país do faz de conta, havia uma aldeia que ficava nos arredores de um lindo bosque. À noite, como ainda não tinha sido inventada a televisão, era costume os mais velos, reunirem toda a família à volta da lareira e contarem histórias que já tinham ouvido dos seus pais e dos seus avós.
A maior parte das histórias falava sempre do Bosque que rodeava a aldeia. Diziam que era amaldiçoado e por isso ninguém lá queria entrar. Uma das histórias dizia que um dia, há muitos anos atrás, uma menina entrou no bosque e nunca mais voltou. Diz a lenda que uma bruxa agarrou-a e ficou com ela. Ainda hoje, de vez em quando, se ouve os gritos e gemidos da menina, mas ninguém tem coragem para lá ir.
Os habitantes da aldeia eram muito pobres. Viviam apenas da agricultura e dos pequenos animas que criavam.
Um dia, foi viver para a aldeia um humilde lenhador com a sua família. O lenhador tinha dois filhos pequenos, um rapaz chamado Piu e uma menina chamada Vil. Como eram de fora, não conheciam as lendas do bosque e os vizinhos apenas tinham dito que o bosque era amaldiçoado.
O lenhador arranjava a lenha que vendia na cidade, junto ao bosque mas tinha medo de entrar nele e por isso a lenha era sempre pouca e o dinheiro que conseguia com a sua venda, mal dava para sustentar a família.
Piu e Vil ajudavam o seu pai a levar a lenha para casa, sempre muito contentes e enquanto o pai apanhava a lenha, eles brincavam apanhando pequenas pedras de várias cores que encontravam pelo caminho. Uma das pedras que apanharam, era muito bonita e redondinha. Era azul claro e tinha pintas brancas. Contentes, foram a correr e mostraram a pedra ao pai. O lenhador viu a pedra e disse. Filhos! Isto não é uma pedra, é um ovinho de passarinho que caiu de algum ninho ou foi abandonado pelos pais.
Ambos os meninos, queriam ficar com o ovo e começaram a discutir um com o outro. Dizia Piu: “ fui eu que o encontrou e por isso ele é meu!” Dizia a Vil.:” Mentira! tu apenas o apanhaste! mas quem o viu fui eu! por isso ele é meu!”O pai chamou os filhos e disse: “ Não é preciso zangarem-se um com o outro. Os irmãos não devem lutar um com o outro. Devem ser sempre amigos. E além disso! Se lutarem podem partir o ovo e matar o passarinho que pode estar lá dentro! Porque não cuidam dele os dois? O ovo necessita de calor e muito amor.”
Piu que era o mais velho disse: “Olha Vil! Pega nele e leva-o para casa que eu vou procurar uma coisa para servir de ninho.” A menina levou o ovo para casa e o menino foi à procura de um ninho. Distraído Piu entrou no bosque e desapareceu entre as árvores. 
O pai pensou que os meninos tinham ido para casa. 
No fim do trabalho, o lenhador apanhou a lenha e também foi para casa. Quando lá chegou não viu o Piu e perguntou onde ele estava. Como Piu não aparecia, procuraram nas casas dos vizinhos e todos disseram: “Se o menino entrou no bosque está perdido para sempre, assim diz a lenda. O bosque é amaldiçoado e quem nele entrar não volta mais.” 
O lenhador quis ir à procura do filho no bosque, mas os vizinhos não deixaram. Triste foi para casa e contou à esposa e à filha o que tinha ouvido dos vizinhos e todos começaram a chorar por terem perdido o Piu.
A mãe de Vil para a compensar, fez-lhe um ninho com panos e meteu lá dentro o ovo de passarinho. Vil, todos os dias dormia com o ovo junto à sua almofada e cuidava dele com muito amor, pensando sempre no irmão.
Um dia de manhã, o ovo partiu-se e lá de dentro saiu um lindo passarinho que começou logo a voar à volta da cabeça de Vil. A menina contente disse em voz alta: “Que bom seria se Piu aqui tivesse. Ele iria gostar muito de ti meu querido passarinho.”
 Nisto o passarinho voou pela casa , encontrando uma janela aberta voou em direcção ao bosque e entrando nele. Vil correu para o apanhar, mas os pais que tinham ido atrás ela, não a deixaram entrar no bosque com medo de também a perderem.
Foram todos para casa muito tristes e Vil chorava em silêncio.
Vários dias se passaram e numa tarde em que o lenhador estava com a filha Vil a apanhar lenha junto ao Bosque, viram sair de lá o lindo passarinho que logo poisou no ombro de Vil, a cantar muito alegre. Pouco depois apareceu Piu com um grande saco às costas. O pai muito contente abraçou o filho e perguntou o que se tinha passado.
Piu contou a sua história: “ Entrei no bosque sem querer, à procura de um ninho para o ovo de passarinho e quando quis voltar, não encontrei o caminho. No bosque depois de dar muitas voltas, encontrei um pomar com árvores de fruto dos quais me alimentei até hoje. Nesse pomar havia um lago e dentro desse lago encontrei muitas pedras lindas que apanhei. 
Fiz com as folhas de palmeira um saco e meti as pedras lá dentro. Hoje, quando estava a apanhar fruta para comer, apareceu este passarinho a esvoaçar à minha volta e a piar muito aflito. Segui o passarinho para ver o que se passava e depois de muitas voltas, dei com a saída do bosque. Foi ele que me indicou o caminho.
 O Pai e os dois filhos muito contentes, foram para casa com o passarinho sempre a cantar no ombro de Vil.
As pedras que Piu apanhou no bosque eram preciosas e depois de vendidas fizeram desta família uma família muito rica e viveram felizes para sempre na companhia do passarinho. 
O bosque continuou a ser misterioso e os habitantes da aldeia ainda hoje não entram nele.
                                                FIM