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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A GUARDIÃ DA GRUTA MÁGICA



No país encantado do faz de conta, onde o sonho acontece muitas vezes, havia uma pequena aldeia rodeada por uma floresta de pinheiros e carvalhos.
Um belo dia de primavera, Lia que tinha quatro anos de idade, foi com os seus pais visitar os avós que moravam na linda aldeia.
O avô de Lia contava muitas histórias à sua neta e a menina gostava muito de ouvir as lindas histórias.
Quando chegaram à aldeia, Lia correu para o colo do avô e pediu para lhe contar uma história.
O avô prometeu contar lindas histórias depois do jantar e Lia ficou muito contente com a promessa.
 Depois do Jantar, sentaram-se todos à lareira e o avô perguntou à neta que história queria ouvir.
A menina estava indecisa e foi o seu pai quem falou:
-Lia, quando o pai era pequeno com tu, o avô contava uma linda história sobre uma gruta mágica que diz existir na floresta que rodeia a aldeia.
A menina que ainda não conhecia essa história pediu ao avô:
-Conta avô! Conta a história da gruta!
O avô concordou, mas disse que era apenas uma história que já o seu avô contava, mas ninguém ainda tinha encontrado a tal gruta.
E começou: - Diz a lenda que na floresta que rodeia esta aldeia, existe uma gruta mágica, chamada a gruta dos desejos. Esta gruta é guardada por uma gata que só aparece a quem se porta bem.
E o avô continuou:
- Diz a lenda que a gata guardiã da gruta escolhe a quem aparecer e que utiliza a magia para mudar constantemente de lugar, levando consigo a gruta mágica.
Pelo que sei, continuou o avo, já tenho sessenta anos e não conheci ninguém a quem a gata apareceu. Apenas me lembro do meu avô contar que um dia, a gata apareceu a uma menina muito linda que vinha sempre visitar a avó que vivia sozinha numa casa junto à floresta, antes da aldeia ser construída.
Dizem os mais antigos que a menina e a avó desapareceram e nunca mais foram vistos.
 Segundo a lenda, a gruta dos desejos apenas concede um desejo. E por isso ele tem que ser bem pensado antes de se pedir, para não acontecer o mesmo que aconteceu à menina e à sua avó.
Lia interrompeu o avô e perguntou:
- Será que a gata existe mesmo? Se existe já deve ser muito velhinha. E quem é que toma conta dela?
O avô admirado com a preocupação da neta em relação à gata disse:
- Não te preocupes. É apenas uma história. E se for verdade, a gata com certeza também é mágica e não fica velha.
- Já é tarde, agora vamos todos dormir. Amanhã vamos ao pomar apanhar maçãs para a avó fazer uma tarte.
Lia foi para a cama, mas não conseguia dormir a pensar na gata:
- Deve ser linda e meiga! Pensava a menina. Eu gosto tanto de gatos! Amanhã vou procurar a gata. Ela deve estar triste por se encontrar sozinha.
No dia seguinte, tomou à pressa o pequeno-almoço e foi com o avô para o pomar apanhar maçãs. Durante o caminho olhava para todos os lados para ver se encontrava a gata. Mas não via gato nenhum, apenas um ou outro rato que fugia quando eles se aproximavam.
Passados alguns dias, quando a menina se encontrava a brincar no pomar, apareceu uma gata listada muito magrinha a miar.
Lia não se lembrou da gata da história, apenas se preocupou em ir buscar leite para dar à gatinha que tinha fome.
Foi à casa do avô buscar leite e deu à gata. A gata bebeu o leite todo e disse:
-Obrigado minha querida menina. Eu estava com muita fome.
Lia ficou espantada por ouvir uma gata falar e nesse momento lembrou-se da gata da gruta e ficou sem saber o que fazer.
A gata mágica voltou a falar:
-Como fostes boa menina, eu vou levar-te à gruta dos desejos. Só podes pedir um desejo. Pensa bem no que vais pedir para não te arrependeres depois. Aconselho-te a seres prudente e não seres gananciosa. Pensa com calma no que realmente queres.
Lia que era muito inteligente, começou a pensar para si
-O dinheiro é muito importante; a saúde também; assim como a felicidade. Se pedir dinheiro, fico sem saúde e fico infeliz; se pedir saúde fico pobre e infeliz. Se pedir felicidade…
A gata interrompeu o pensamento da menina, dizendo para ela lhe acompanhar.
Depois de muitas voltas pela floresta, encontraram uma linda gruta.
A gata então falou:
-Pede o teu desejo, mas pensa no que vais pedir.
Lia pensou e depois de muito pensar, pediu:
-Quero que toda a minha família seja muito feliz.
A gata ficou muito contente com o pedido da menina e disse:
- Foste muito sábia a pedir o teu desejo. Ao pedires felicidade para toda a família, estás a pedir ao mesmo tempo riqueza, saúde e tudo o mais que acompanha a felicidade. O teu desejo vai ser concedido.
Dito isto, a gata e a gruta desapareceram.
A menina foi para casa e encontrou uma grande festa. Todos estavam felizes, pois o avô tinha encontrado nas suas terras uma mina de ouro e agora eram todos ricos.
Lia contou que tinha encontrado a gata e que tinha pedido felicidades para todos.
Toda a família abraçou a menina e ficaram muito contentes com a inteligência da menina ao fazer o pedido. E assim viveram felizes para sempre.
FIM

Carlos Cebolo

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

LUAR ANGOLANO



A lua redonda nasce no céu limpo.
As nuvens não fazem a sua aparição.
A alma voa como se estivesse no limbo
E o coração sofre com a recordação.

A noite africana é sempre quente,
Como quente é o fogo que arde em nós,
Lembrando a vida sofrida daquela gente.
Irmãos de sangue que não tinham voz.

Com pele da cor do carvão,
Considerados seres sem alma,
Procuravam sempre em vão,
Manter a impressionante calma.

No país estranho chegados,
Descarregados como animais,
Eram comprados como gado
Por quem por eles pagava mais.

Sangue africano sofrido,
Espalhado por toda a parte,
É hoje um poema lido,
Mostrando todo o engenho e arte.

Um povo que a todos reclama,
Um pouco por todo o Mundo,
Valores dos filhos que ama,
Esquecendo um passado imundo.

A brilhante lua cheia africana,
Em Angola ou na outra costa,
Acolhe sempre quem ama,
Não esquecendo quem dela gosta.

Angola é a minha terra,
Portugal a minha Nação,
A liberdade em mim é eterna,
E trago paz no Coração.

Angola é dos angolanos,
Pele escura pois então!
Angolanos de outros anos,
Brancos que já lá não estão.

Minha terra linda e triste,
Angola do meu coração.
O bom povo já lá não existe,
Mas de longe estendem a mão.

Estendem as mãos à linda e quente terra,
Sem se importarem com o povo que nela vive,
Trazem no coração uma grande dor eterna,
Mas é noutras terras que se sentem livres.

Livres de pensar e de sentir angolano,
Clima quente e águas mornas deixam,
Encontram águas frias todo o ano,
E da falta de calor da terra queixam.

Carlos Cebolo

sábado, 30 de julho de 2011

MINHA TERRA TRISTE – MÁGOA DE MÃE AFRICANA DO SUL DE ANGOLA



Angola minha terra triste.
Junto com o meu homem tenho duas meninas.
Que tristeza!...
Se fosse filho homem, tudo era diferente.
O homem pastoreia o gado, vai à caça,
Arranja comida para a família!...
A mulher apenas cuida da agricultura, 
Do "arimbo"...
Cria os filhos e faz comida para o marido.
Na loja do branco, o nosso boi pouco vale!...
A fuba é cara e o sal ainda mais.
Uma quinda de milho da nossa lavra, 
Troco por uns quilos de farinha e alguns peixes secos.
Não dá para comer até à lua redonda seguinte.
Mas o que fazer?
Minha terra seca,
Pouco dá.
A água é das chuvas e agora pouco chove.
Parece que o branco controla também a chuva,
A nossa vida, a nossa terra!...
As minhas meninas passam fome.
O leite da minha mana está seco.
O das vacas! os bezerros pouco bebem.
Do leite fazemos leite azedo que nos alimenta
E o bezerro fica magro.
Vendido na loja do branco vale pouco.
Só tem ossos diz o branco.
Vale cinco garrafões de vinho.
Aceito.
O vinho faz bem à nossa cabeça. 
Faz esquecer a tristeza, a fome, a miséria.
O vinho é bom. Vem do Puto.
Na minha terra triste apenas há vento. 
Chuva pouca e muita dor.
Minhas meninas têm fome.
O branco leva para criar.
Vai servir de companhia à filha do branco.
È criada do branco, mas não passa fome.
Meu coração sofre com a partida
Mas aceita e fica feliz por saber que estão vivas
E não têm fome.
O branco é bom. Toma conta delas. 
Crescem e não sabem quem é a família.
Apenas são criadas do branco.
Muitas dão netos aos brancos!...
Os filhos dos brancos são acolhidos como netos, 
As mães negras abandonadas à sua sorte.
Vadia! Quem te manda meter com o meu filho? 
Vai-te embora e não apareças mais,
Grita o branco.
As crianças crescem!...
Apenas conhecem a família branca.
Os avós negros são esquecidos. 
Apenas são filhos do branco.
Minha terra triste chora!...
Dor sentida mas não reclamada.
A independência chegou.
Os brancos foram embora.
Levaram também os nossos filhos.
A alegria do momento, 
Depressa se transforma em agonia.
O patrão agora não é branco!...
É negro como nós.
Mas não é de cá!...
Veio de outras terras.
Mas é quem manda.
Tomaram conta das lojas dos brancos,
Mas ali não se vende nada. 
Nada há para se comprar.
A fome continua.
O nosso milho ninguém compra.
Peixe seco não há!...
Farinha, temos nós que moer o milho para fazer o pirão.
O branco foi embora, mas a miséria ficou.
No tempo do branco, dizem os mais velhos:
- As lojas tinham tudo. Era caro mas havia.
 Hoje nada há.
Os nossos filhos eram criado dos brancos,
 Mas não passavam fome!.
Hoje os nossos filhos são criados dos negros .
Nosso povo continua na mesma ou ainda pior.
O negro do norte é quem manda
E é ainda pior que o branco.
Minha terra triste chora.
Dos meus olhos saem lágrimas de sangue
E água salgada,
Mas o sal não chega à nossa cubata.
O mar fica longe e o branco já cá não está
Para trazer o sal.
O nosso boi nada vale 
E também não há quem o queira trocar por comida.
Minha terra triste está cada vez mais triste.
Nas vilas e cidades vejo muitos negros.
 Mas não são de cá. 
Ninguém os conhece.
 De onde vêm? Quem são? 
Ninguém sabe.Não falam a nossa língua!...
Esperamos a vinda do branco, mas ele não volta mais.
Minha terra triste está cada vez mais triste.
E os nossos filhos continuam com fome.

Carlos Cebolo

quinta-feira, 28 de julho de 2011

BATUQUE – SONS DE ÁFRICA



Nas noites quentes de luar intenso, ouve-se com alegria os sons melodiosos do batuque na Sanzala iluminada pelo luar e luz da fogueira que crepita no meio do terreiro.  
 Os tocadores de batuque; dos Mpwitas; das marimbas; do kissange do berimbau e do reco-reco, não tiveram qualquer instrução musical, mas conseguem tirar destes rústicos instrumentos por eles mesmo construídos, um som tão melodioso como característico que fazem música agradável de se ouvir.
Parece que o povo africano nasceu para a música ou com música dentro de si.
Na dança, a mulher africana consegue ondular o corpo como só ela sabe. Os movimentos sensuais da mulher africana acompanham a música com uma intensidade tal, que parece ser o seu corpo feito de borracha.
Quem ouve o batuque, por si só, ou acompanhado por outros instrumentos, no silêncio da noite e tem o privilégio de seguir com a sua visão todo o folclore causado pela música e dança dos tocadores e bailarinas, fica surpreendido com a mestria como retiram um enorme proveito musical de instrumentos tão rudimentares e conseguem fazer ouvir o verdadeiro som de um folclore apenas existente em África.
Se associarmos este magnífico som ao encantador movimento dos dançarinos e dançarinas africanas, encontramos o verdadeiro sentido da cultura milenar que mesmo contra todas as tentativas de erradicação, por parte dos governos coloniais europeus, se manteve e se mantém até aos dias de hoje.
No chamado Mundo civilizado, já muitos e célebres músicos, recorreram ao velho e rude berimbau e ao exótico kissange à procura de novos sons para as suas composições.
Não há dúvida nenhuma que com o berimbau, também chamado de violino africano de uma só corda, bem tocado, consegue-se tirar sons que apenas com este instrumento se consegue fazer ouvir.       
O mesmo acontece com o kissange, também conhecido como o xilofone africano, tocado dentro de uma cabaça apropriada para o efeito que lhe serve de caixa de ressonância.
São os sons de África que acompanhado ao som tirados do verdadeiro batuque feito de tronco de árvore e coberto por pele de animal, curtida à moda africana, que fazem a verdadeira e genuína música de África.
Os sons do batuque são ouvidos em todas as ocasiões e estes instrumentos são tocados com a mesma intensidade seja qual for o motivo que o justifique. Quer seja em casamentos, funerais ou qualquer outro pretexto social ou apenas por simples protesto ou estado de espírito, o som é sempre melodioso e só quem o toca ou quem com ele está muito familiarizado, consegue distinguir o estado de espírito que a música quer lembrar ou homenagear.
A música africana é isso mesmo. Seja qual for o motivo, os sons de África fazem-se ouvir mostrando ao Mundo a sua cultura.

Carlos Cebolo

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O COLIBRI E O PLANETA TERRA (PEQUENA CRÓNICA SOBRE A PROTECÇÃO DA NATUREZA)



O colibri com penas coloridas de tons esmeralda nas asas e com o peito cor do Sol, esvoaçava de flor em flor, pairando entre elas, como se uma força invisível o amparasse no ar.
Este pequeno pássaro, é possuidor de um longo bico meio curvo, que lhe permite sugar o delicioso néctar das flores que, num contraste de cores, surgem por entre uma flora verdejante à beira de um lindo lago de águas claras tingidas de um azul celeste.
Tal deslumbrante paisagem, apenas nos é prometido ver em certas zonas tropicais.
Tive a sorte de ter nascido em África, no magnífico país chamado Angola e fui muitas vezes bafejado pela sorte de ver várias vezes este lindo e frágil pássaro na sua labuta constante de recolha do precioso néctar com o qual se alimenta e do qual tira toda a energia necessária para bater as suas asas com uma velocidade estonteante que o faz pairar no ar enfrente às flores, como se parado estivesse.
Embora em Angola as estações do ano se resumem apenas a duas, a estação seca e a estação das chuvas, nós sabemos que a primavera chegou, quando avistamos os pequenos mas famosos colibris ou beija flores como também são chamados.
A Europa não é um habitat propício ao aparecimento do colibri, mas existem muitas outras aves não menos lindas e importantes que os beija flores.
Quem, como eu, teve o privilégio de se poder isolar rodeado de árvores e de flores de várias espécies e apreciar os sons livres da mãe natureza, nunca mais se esquece que o planeta Terra é o lar perfeito de inúmeros seres inteligentes, nos quais o ser humano se encontra, mas numa escala muito abaixo dos demais habitantes deste mundo.
Parece mentira, mas é a mais pura verdade.
Todos procuram alimentar-se sem danificar a mãe natureza e contribuir para que ela permaneça viva e linda.
 Só o homem faz precisamente o contrário.
 Se isto não é ser menos inteligente que as outras espécies, então o que será?
Os mais atentos aos barulhos da natureza, sabem reconhecer o cantar das aves e reconhecer a sua espécie, assim como o barulho característico dos insectos que nomeadamente à noite, produzem constantemente mostrando a sua alegria ou procurando chamar um parceiro para o acasalamento. E nesse momento mágico, quem o vive, sabe que chegou a primavera.
Não é preciso ter grandes estudos em astrologia, meteorologia ou em qualquer outra ciência inexacta, para saber que aqui, na China ou em África, a altura do acasalamento dos seres realmente inteligentes que habitam o Planeta, dá início à chamada primavera.
Na Europa, a primavera aparece depois do frio do inverno. Em Angola aparece depois do tempo seco. Mas primavera é a primavera seja onde for. E o homem contra isto nada pode fazer.
A mãe natureza continua e continuará a comandar os destinos dos seres que escolheu como habitantes, até ao dia em que desesperada e ferida por tanta maldade, resolver fazer o que fez com os dinossauros. E aí, já será tarde de mais.
Enquanto tivermos a sorte de poder ver os colibris esvoaçarem de flor em flor, podemos ter a certeza que a natureza continuará a tolerar a nossa permanência neste planeta azul a que chamamos Terra.
Mas para isso, vai ser preciso que o ser humano tome consciência do mal que todos os dias provoca na mãe natureza.
O colibri e o planeta Terra estão assim intimamente ligados ao destino do ser humano na Terra.
É chegada a altura de chamar a atenção de todos, não só para a protecção desta pequena e frágil ave, mas acima de tudo, para a protecção de todos os seres vivos que habitam connosco este lindo Planeta.
Uma ave, um animal, seja de que espécie for, é também um necessário e importante parceiro nosso nesta luta árdua de salvar o Planeta onde vivemos.

Carlos Cebolo

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A VIDA ALEGRE NA QUINTA


           Numa herdade agrícola, todos os animais acordam com o cantar do Galo, bem cedo, logo pela manhã e antes do Sol nascer.
            A mãe galinha e os seus pintainhos correm para o pátio e começam logo a debicar a terra à procura de minhocas ou outros insectos que possam comer.
            O gatinho cinzento com listas pretas, olha com muita atenção para tudo a seu redor, procurando encontrar algo com que brincar.
A mãe pata e os seus patinhos amarelos, nadam alegremente no lago da quinta e mergulham por baixo dos nenúfares, saindo do outro lado sempre alegres e irrequietos.
Assim nasce o dia na Quinta do país do faz de conta onde todos os animais vivem felizes.
É primavera e as animais da quinta tiveram as suas crias recentemente: A vaca teve um bezerro muito lindo que corre pela quinta, acompanhado pelos cordeiros; pelos coelhinhos e pelo cachorrinho castanho e branco. Nasceram todos há pouco tempo e como as crianças, todos são amigos uns dos outros.
O bezerro salta por cima de um tronco e um cordeiro tenta emita-lo, mas como é mais pequeno tem uma certa dificuldade. O cachorrinho corre atrás deles, com o seu instinto de guarda, procurando protege-los de um perigo imaginário.
Também a égua teve o seu filhote, um potro castanho claro, quase alaranjado, com crinas castanhas e uma mancha branca no focinho mesmo entre os olhos e o nariz.
Todos os pequenos animais cresceram na barriga das suas mães, antes de nascerem e verem a luz do dia. Todos não! Os pintainhos e os patinhos nasceram dos ovos que as mães chocaram sempre com muito carinho e amor.
Um dia estes bebés animais, vão crescer e trabalhar na quinta. Mas até lá, apenas sabem brincar uns com os outros, embora cada um adquira a sua própria característica.
O potro gosta muito de saltar; o bezerro corre pela quinta procurando sempre as maninhas da mãe para mamar; os cordeiros brincam nas ervas ao mesmo tempo que comer os seus rebentos mais tenros; Os patinhos mergulham no lago sempre acompanhados de perto pela mãe pata; os pintainhos arranham a terra com as suas patitas, aprendendo com a sua mãe como se procura minhocas para comer; os cachorrinhos brincam com qualquer coisa que apanham pelo caminho e o gatinho apenas quer dormir sem que ninguém o aborreça, sempre enrolado na palha do celeiro.
Quando cresceram, todos vão ajudar o seu dono a ganhar mais dinheiro. As vacas dão o leite que o lavrador vende na cidade e com o qual faz também alguns queijos; os cavalos trabalham na quinta, ajudando nos trabalhos agrícolas e puxam a carroça; as ovelhas além do leite também dão a lã com a qual se fazem os casaquinhos, as galinhas e as patas dão os ovos e também as penas para se encher almofadas, o cão guarda a quinta e os rebanhos e o gato apenas dorme, apanhando de vez em quando algum rato para comer.
É assim a vida dos animais domésticos numa quinta. Todos trabalham, mas todos vivem felizes ao ar livre e saudável e acordam sempre com o cantar do galo.
FIM
Carlos Cebolo
        

  

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A RAINHA DAS ABELHAS , A BRUXA MALVINA E AS TRÊS HEROÍNAS



No país do faz de conta, onde o sonho acontece muitas vezes, viviam três lindas meninas que tinham uma grande imaginação. As meninas que se chamavam Mariana, Margarida e Joana, sempre que se juntavam para brincar, inventavam uma linda história para ilustrar as suas brincadeiras.
A fada flor gostava muito das meninas e andava sempre por perto para as proteger.
Num lindo dia de primavera, Mariana, Margarida e Joana, foram brincar, com sempre faziam, junto à casa onde viviam com os pais.
Durante a brincadeira, as meninas ouviram um barulho estranho. Atentas a tudo, deixaram de brincar e puseram-se à escuta, para ver de onde vinha o tal barulho.
Ouviram um zumbido, zum!...zum!..zum!...e viram uma grande abelha a esvoaçar à volta das suas cabeças.
As meninas aperceberam-se que a grande abelha estava a tentar dizer alguma coisa, mas não percebiam nada.
Nisto, apareceu a fada flor que disse:
-Não tenham medo, eu sou a fada flor, e sou a vossa fada madrinha e a abelha que está aflita, é a rainha das abelhas. Ela precisa da vossa ajuda. Vou deitar um pó mágico nas vossas cabeças para vocês perceberem o que a rainha quer.
Dito isto, a fada abriu um pequeno saquinho e deixou cair um pó muito brilhante na cabeça das meninas.
Mariana que foi a primeira a receber o pó mágico, perguntou à abelha o que ela queria, enquanto Margarida e Joana falavam alegremente com a fada madrinha. Queriam saber tudo e tudo ao mesmo tempo!...
-A fada pediu calma às meninas e disse que o mais importante era ouvirem o que a rainha das abelhas queria dizer com aquele zumbido aflito.
As meninas sentaram-se no chão, junto aos malmequeres silvestres e ouviram com muita atenção a rainha das abelhas, que muito aflita, lhes explicou que uma ladra, durante a lua cheia, vinha roubar o precioso mel que as abelhas faziam e que as abelhas necessitavam do mel, não só para dar às pessoas para elas comerem, mas também para alimentar as suas próprias crias.
Margarida interrompeu a rainha das abelhas e perguntou:
-Então porque razão as abelhas não picam a ladra para ela não roubar o mel?
A rainha das abelhas explicou que a ladra era muito poderosa e que as abelhas encarregadas de guardarem o mel, nada podiam fazer contra ela.
Nisto a fada Flor falou:
-O que vocês não sabem meninas! É que a ladra do mel é uma bruxa muito má. Chama-se Malvina e aparece sempre nas noites de lua cheia, voando com a sua vassoura. E sempre que encontra uma colmeia, rouba o mel e maltrata as abelhas que nada podem fazer.
Joana que ouvia a história com muita atenção, perguntou à rainha das abelhas:
-E onde fica o teu castelo?
A rainha das abelhas respondeu:
-O meu castelo são as colmeias que estão naquele barracão ali ao fundo. E eu estou com muito medo, pois hoje é noite de lua cheia e como sempre tem acontecido, a malvada bruxa vem durante a tarde, roubar o nosso mel para fazer uma festa com as outras bruxas, quando a lua nascer.
As três meninas, embora com muito medo, disseram:
-Fica descansada rainha que nós vamos ajudar-te, pois também gostamos muito de mel.
A fada Flor que ouviu toda a conversa, alertou as meninas:
-Uma vez que querem ajudar a rainha das abelhas, eu fico muito contente com a vossa coragem e vou-vos dizer como podem vencer a bruxa Malvina:
E a fada continuou: -A Malvina tem um ponto fraco. Perde os seus poderes se alguém lhe arrancar os cabelos. Ela sem cabelos fica fraca e não pode voar.
Então Mariana, Margarida e Joana fizeram um plano: A Fada ficou junto da colmeia à espera da Bruxa e as meninas ficaram escondidas ali perto. Quando a bruxa apareceu, a fada fingiu que está a dormir e quando a bruxa se aproximar dela, as três meninas saltam para cima dela e arrancam-lhe os cabelos. Sem cabelos a bruxa ficou fraca , fugiu e nunca mais apareceu.
Mariana, Margarida e Joana, ficaram muito contentes por terem ajudado as abelhas e foram para casa contar a história à mãe e como prova , levaram nas suas mãozinhas, os cabelos da bruxa.
A fada madrinha ficou muito feliz e continua a proteger as suas afilhadas.
A rainha das abelhas e as abelhas, também ficaram contentes e deram cada vez mais mel muito docinho, para as meninas comerem. E as três meninas, Mariana, Margarida e Joana, ainda hoje, quando estão aflitas com qualquer problema, pedem secretamente ajuda à sua fada madrinha que durante a noite está sempre junto a elas para as proteger e  fazer com que tenham um bom sono. E assim todos viveram felizes para sempre.
FIM
Carlos Cebolo


sábado, 2 de julho de 2011

SER PAI



Ser pai não é apenas procriar, ter descendência, educar e encaminhar a sua prole para uma direcção pré-definida.
Ser pai não é apenas amar, ser amado e deixar correr o tempo rumo ao futuro sem um horizonte traçado, sem um objectivo.
Ser pai é acima de tudo ser árvore, proteger os seus ramos, cuidar das suas flores, das suas sementes e prepará-las para enfrentar o Mundo próprio que não tarda em chegar, respeitando sempre as novas ideias, quando não prejudiciais.
Ser pai é saber orientar a sua descendência sempre com dignidade e, a certa altura, vê-la partir pouco a pouco como os pássaros que deixam o seu ninho para criarem uma vida própria, sem mágoa e com a felicidade do dever cumprido.
Assim vi o meu primogénito partir e assim vejo agora a minha caçula traçar também o seu rumo. Bater as asas e preparar-se para voar, em direcção ao seu próprio ninho.
 Há muito que isto vinha sendo ensaiado.
O momento era esperado, embora o egoísmo pedisse secretamente que este dia se prolongasse indeterminadamente.
Tive e tenho a felicidade do local por eles escolhido ser próximo e, assim poder acompanhar de perto, mas sem uma intervenção directa a sua evolução e acorrer sempre com prontidão a um possível chamamento.
Que o seu voo seja feito em linha recta, mantendo o objectivo traçado, ultrapassando sempre todos os obstáculos que certamente encontrarão pelo caminho.
O ciclo fecha-se para se abrir mais adiante. Como dizia a grande poetiza Florbela! “Há uma primavera em cada vida” e quando ela chega, nada melhor do que deixar fluir o seu perfume, sabendo perder o presente para se ganhar o futuro.
Hoje, o meu presente já é passado e procurarei fazer desta noite, mais uma alvorada para me reencontrar na minha descendência e poder ter orgulho de obra feita.
.”E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada” que seja no futuro lembrado com carinho, respeito e saudade, como aquele que amou e foi amado.
Para vós meus filhos, o meu voto de felicidades.

Carlos Cebolo


segunda-feira, 20 de junho de 2011

JÔ E A FADA RAIO DE LUZ



No país do faz de conta, havia uma linda aldeia que ficava num vale onde corria um rio com águas claras e calmas.
O Rio nascia numa montanha muito alta que se via da aldeia e que os seus habitantes mais antigos, contavam haver sobre a mesma uma lenda.
Quando chegava a altura das chuvas, a montanha parecia atrair todos os raios que desciam o céu.
Os relâmpagos quando batiam na montanha, faziam um barulho que metia medo e durante todo esse tempo, os habitantes da aldeia fechavam-se em suas casas e só saiam quando o tempo mudasse.
Jô, era um menino muito traquina e aventureiro que vivia com o seu avô desde os dois anos de idade. Os pais de Jô tinham morrido num acidente e o avô era a única família que ele tinha.
O Avô de Jô era um velhinho muito querido na aldeia, vivia da agricultura, mas como já era velho, pouco ou nada ganhava com o amanho da terra.
Jô que já tinha dez anos, depois da escola, ajudava o seu velho avô na pequena horta que tinham.
Como a casa do avô do Jô ficava perto do rio, eles aproveitavam a água do mesmo para regar as plantas e árvores de fruto que tinham plantadas em volta da casa.
Um dia, Jô pediu ao avô que lhe contasse a lenda da Montanha que sempre ouviu falar, mas que ninguém sabia ao certo, contar.
O Avô depois de muito pensar disse:
- Está bem meu neto. Acho que já tens idade para saberes a história da Montanha. Senta-te aqui ao pé de mim e ouve com atenção:
- Como sabes, eu fui o segundo habitante desta aldeia.
 Quando para cá vim, apenas morava cá um eremita, conhecido como o velho da Montanha, que infelizmente já faleceu. Foi ele que me contou a lenda:
 Diz a Lenda que no cimo da Montanha, onde nasce o rio, vive uma fada que tem um Dragão como animal de estimação.
 A fada anda sempre muito triste e chora todos os dias, pois vê como as pessoas são más umas para as outras e não compreende a razão de tanta maldade.
 Das suas lágrimas nasceu este belo rio que corre pelas nossas terras e que nos mata a cede.
Nos dias em que a fada está mais triste, o seu amigo dragão chora com ela e deita raios pelo nariz. Esses raios são os relâmpagos que vemos nos dias de muita chuva.” E o avô continuou:
 - Não sei se é verdade ou não. Mas o velho eremita dizia isto sempre com muito respeito e o certo é que ainda ninguém subiu a montanha com medo do dragão.
O Avô acabou a história e disse:
-Agora vamos dormir que já é tarde. Amanhã é um longo dia de trabalho na horta. Temos de colher as batatas, as favas e os feijões.”
Jô foi para o seu quarto, mas não conseguiu dormir a pensar na história que o seu avô contou. E começou a pensar:
 -E se fosse verdade? Como seria a fada? Se ela fosse má, já cá tinha vindo para  nos castigar! mas não!? Ela deve ser boa! pois até água nos dá!...
 E adormeceu a pensar na fada e no dragão da Montanha.
Num dia linda de primavera, acordou cedo, escreveu um bilhete ao Avô que dizia:
 -Vou visitar a fada da Montanha.
 E lá foi ele. Começou a subir a montanha sempre junto ao rio e reparou que quanto mais subia, mais o rio ficava pequeno.
 Ao chegar ao cimo, viu que a água do rio saia de uma pequena gruta no meio de umas pedras, mas não viu vestígios da fada e do dragão.
Aproximou-se da gruta, bebeu um pouco de água e chamou pela fada: Fada! Fada! Onde estás? Quero falar contigo!
De repente, o céu começou a ficar escuro e o menino com medo, escondeu-se na gruta.
 Começou a trovejar com relâmpagos e muita chuva e Jô reparou que os relâmpagos vinham do céu e batiam sempre no mesmo local, onde havia uma grande pedra que se encontrava à direita da gruta onde se encontrava escondido.
Depois da tempestade passar, Jô saiu da gruta e ouviu uma voz muito suave no seu ouvido:
 -Chamaste-me? O que queres? Quem és tu?
 Jô que estava com muito medo, encheu-se de coragem, olhou para o seu lado direito e viu uma linda menina muito pequenina, com asas de borboleta, sentada numa flor.
 A pequena menina que estava rodeada por um arco de luz, falou novamente:
 -Sou a fada da Montanha, Chamo-me raio de luz e sou eu que tomo conta desta fonte. O que queres?
 O menino respondeu:
-Eu chamo-me Jô, vivo na aldeia lá em baixo e vim para te conhecer e agradecer pelas água que nos dás.
A fada que sabia tudo, disse:
 - Sei que os habitantes da aldeia têm medo de cá vir, mas eu não faço mal a ninguém, apenas não gosto que maltratem os animais e que destruam a Natureza.
 Sei que és bom menino e o teu avô também é muito bom. Não deitam lixo para o rio e cuidam da Natureza sempre com muito carinho.
O menino que tinha perdido o medo perguntou:
 -E o teu dragão onde está? Também gostava de o conhecer?” A fada riu-se e disse:
 -Não tenho nenhum dragão. O barulho e os relâmpagos vêm da própria Natureza que reclama quando é mal tratada.”
E a fada continuou a falar:
- Como és bom menino e vieste agradecer a água que a Natureza te dá, eu vou dar-te um presente. Vai atrás daquela pedra onde caem os raios e apanha umas pedrinhas brancas, vermelhas e verdes que lá estão. Leva e dá ao teu avô.
Jô assim fez e quando voltou com as pedras já não encontrou a fada.
 No local onde a fada estava, encontrou uma pedra escrita com raios de luz.
Na pedra dizia:
-Estarei sempre contigo. Quando vires uma borboleta, poisada numa flor, pensa que poderei ser eu a tomar conta da Natureza.
O menino voltou para casa e entregou as pedras ao avô, contando a sua aventura.
O avô foi à cidade, vendeu as pedras que eram diamantes, rubis e esmeraldas e ficaram ricos.
Embora ricos, nunca deixaram de tratara da sua horta e de cuidar da Natureza em homenagem à fada Raio de Luz. E assim viveram felizes para sempre.
                                                        FIM

Carlos Cebolo

terça-feira, 14 de junho de 2011

O REINO DA CAPOEIRA

          
             No reino da capoeira, havia uma cidade que se chamava Patolândia.
            Patolândia era a cidade dos patos e o seu chefe, patoforte, era quem fazia as leis que todos os patos tinham de obedecer.
Aqueles que não cumprissem com as ordens do chefe, eram castigados.        
No reino, havia outra cidade que se chamava cisnolândia, vizinha da patolândia, mas muito diferente.
O chefe dos cisnes, que se chamava cisnolindo, era muito bondoso e nunca fazia leis sozinho.
 Convocava todos os chefes de família para fazer as leis e elas eram feitas no sentido de educar os cidadãos e não de os reprimir.
Em patolândia ninguém gostava do chefe que era cada vez mais arrogante e autoritário.
 A última lei que fez, foi de premiar aquele que denunciasse o seu vizinho se este falasse mal do chefe.
 Todos andavam com medo dos castigos que eram muito duros e não confiavam uns nos outros, com medo de serem denunciados.
Em cisnolândia, todos viviam felizes e trabalhavam sempre com vontade de fazer progredir a sua linda cidade.
Um dia, o rei da capoeira, o galo pedrês, ouviu falar do descontentamento dos patos e da grande alegria que reinava na cidade dos cisnes e resolveu mandar um emissário para ver o que se estava a passar.  
Escolheu entre os seus amigos, o ganso-patola como emissário e mando-o ver o que se estava a passar nas duas cidades.
O ganso-patola foi primeiro à cidade dos cisnes e ficou encantado com tanto progresso.
 Falando com os habitantes, todos disseram maravilhas do seu chefe que era o grande responsável por tão grande harmonia entre todos.
O emissário do rei ficou nesta cidade algum tempo e andava por todo o lado, vendo como os habitantes eram felizes.
Quando chegou a altura de se ir embora, ficou triste por deixar tão boa gente. Agradeceu a hospedagem e foi para a patolândia.
Ao chegar à cidade dos patos, ficou admirado por ver uma grande muralha à volta da cidade e muitos guardas que o não deixaram entrar sem ordens do seu chefe.
O ganso- patoola mandou um recado ao chefe dos patos, dizendo que era o emissário do rei e queria falar com ele e ver o que se estava a passar na cidade.
O patoforte não o recebeu e mandou dizer  que ali naquela cidade quem mandava era ele e não o rei. Não reconhecia o galo como rei da capoeira e por isso o emissário não era bem-vindo.
O ganso-patola voltou para o palácio da capoeira e contou ao rei o que se tinha passado.
O galo pedrês, reuniu o seu exército que era comandado pelos grandes perus, foi à cidade de patolândia, prendeu o patoforte e nomeou outro para o lugar de chefe.
O patoforte foi expulso do reino e como não tinha a protecção da capoeira, foi apanhado por uma raposa que o comeu.
O novo chefe, chamava-se patobelo e como não sabia governar, pediu ajuda ao chefe dos cisnes que o orientou, dizendo que ele deveria em primeiro lugar, mandar derrubar a muralha e depois convocar todos os chefes de família para fazerem novas leis em conjunto.
 E o mais importante, é que nunca se esquecesse que ele apenas tinha a função de chefe, mas que não era nem mais nem menos que os outros.
A partir desse dia, patolândia desenvolveu-se e tornou-se numa linda cidade.
Assim, no reino da capoeira, todos viveram felizes para sempre.
FIM
Carlos Cebolo

terça-feira, 7 de junho de 2011

A TERRA DA FANTASIA


No país do faz de conta, onde o sonho acontece muitas vezes, dando alegria a quem nele vive, havia um lugar lindo chamado Terra da Fantasia.
Na terra da fantasia, onde viviam fadas e duendes, vivia também um feiticeiro que não gostava de crianças.
Sempre que o feiticeiro apanhasse uma criança, transformava-a em sapo e atirava-a para dentro de um poço fundo.
As fadas viam tudo, mas nada podiam fazer, pois tinham medo do feiticeiro.
Um dia, a fada luzinha que andava a colher pólen das flores para comer, ouviu alguém chorar no meio das flores.
Aproximou-se de um malmequer branco e por baixo das suas pétalas, viu um pequeno duende que estava sentado a chorar.
Querendo ajudar, aproximou-se do duende e perguntou: “Duende meu amigo o que tens? Estás doente?”
O duende que se chamava Rusto respondeu: “Não fada amiga, não estou doente.” “Estão porque choras?” Perguntou a fada. O duende muito triste disse: “ Uma amiga minha, uma linda menina chamada Mia, pediu-me para visitar a terra da fantasia. Eu acompanhei-a e quando cá chegamos, o feiticeiro viu-a, transformou-a num sapo e prendeu-a no poço do seu castelo. Eu vi tudo e nada pude fazer.”
A fada ficou triste e começou a chorar com o duende. Nisto, apareceu no pé da flor, uma joaninha vermelha com pintas pretas que vendo os seus amigos a chorar falou:”Não adianta chorar que nada resolvem, temos de agir!” “Agir como?” Perguntou a fada.
A joaninha deu uma volta ao pé da flor e apareceu ao lado da fada e disse:” Ouvi falar que na floresta encantada que se encontra no centro da Terra da Fantasia, mora a rainha da magia.”E continuou a falar: “O besouro dourado disse-me que a rainha da magia é a única que pode vencer o feiticeiro.” A fada animada, disse: “Vamos duende, vamos pedir ajuda à rainha da magia.” O duende triste respondeu:” Eu ia fada, mas não sei o caminho, já procurei por todo o lado mas não encontrei o centro da terra da fantasia.”
A joaninha que ouvia com atenção a conversa dos dois amigos interrompeu:”Eu sei o caminho, a minha avó mostrou-me a entrada quando eu era pequenina e nunca a esqueci.
A fada e o duende seguiram a joaninha e quando chegaram junto a um castanheiro, a joaninha apontou para a árvore: “É ali, aquele buraco no tronco desde castanheiro é a entrada para o centro da Terra da Fantasia.”
Entraram pelo buraco do castanheiro e viram uma escadaria. Desceram os degraus e depois de muito andarem, chegaram a um lindo jardim.
 À entrada do jardim, estava o besouro dourado que perguntou: “ O que vos trás por cá? O que procuram no centro da Terra da Fantasia?” A fada com medo falou: “Amigo besouro, viemos à procura da rainha da magia. “Para quê?” Perguntou o Besouro. A fada e o duende contaram o que o feiticeiro tinha feito. O Besouro ouviu com muita atenção e disse:” A rainha já sabe disso e estava à espera que alguém viesse pedir ajuda, pois a lei da natureza não permite que ninguém intervenha por iniciativa própria. Tem que haver um pedido de ajuda.”
O Besouro levantando voo dizendo: “Esperem aqui que eu já venho.” E desapareceu entre as flores.
Passado algum tempo, o Besouro dourado apareceu e pediu à fada, ao duende e a joaninha para o acompanhar.
Andaram pelo meio das flores e chegaram a um lindo lago de águas azuis com nenúfares largos, de um verde brilhante. No meio de um nenúfar, estava uma linda libelinha que o besouro apresentou como sendo a rainha da Terra da Fantasia.
Luzinha contou que um feiticeiro mau tinha transformado muitos meninos e meninas em sapos e eles pediam ajuda para os salvar.
A rainha da Terra da Fantasia pegou num frasquinho pequenino e deu à fada dizendo:” Este frasco tem um pó mágico muito forte. Leva-o e arranja maneira de deitar o pó na água do feiticeiro. Quando ele a beber, dormira por muito tempo. Assim que o feiticeiro estiver a dormir, queima o seu livro de magia que está em cima da mesa no centro da sala e o seu poder desaparecerá.”
Luzinha, Rusto e a joaninha, agradeceram à rainha e voltaram para o prado de flores, junto Ao castelo do feiticeiro.
Numa altura em que o feiticeiro resolveu dar uma volta pela terra da fantasia, o duende Rusto que era muito corajoso, entrou no castelo e viu na cozinha um jarro com água. Misturou o pó mágico com a água e escondeu-se.
Passado algum tempo, o feiticeiro regressou e como vinha cheio de sede, bebeu um copo de água do jarro.
Depois de beber a água, sentiu muito sono. Sentou-se no sofá da sala e adormeceu.
Rusto, vendo que o feiticeiro estava a dormir profundamente, chamou a fada luzinha e a joaninha.
Os três juntos, procuraram o livro de magia e quando o encontraram, queimaram o livro no fogão que o feiticeiro tinha sempre acesso na cozinha do castelo.
Quando o livro se tornou em cinzas, ouviu-se um grande trovão e muitos relâmpagos e formou-se uma grande tempestade.
Quando a tempestade passou, os três amigos viram que o castelo tinha desaparecido e no local estava um lindo jardim cheio de crianças a brincarem.
O duende conheceu no meio das crianças a sua amiga Mia e viu que ela estava muito feliz a brincar com as outras crianças, na Terra da Fantasia.
O feiticeiro foi transformado num feio escaravelho negro e foi viver para baixo da terra.
 A terra da fantasia tornou-se num lindo lugar cheio de crianças, de fadas e duendes e todos viveram felizes para sempre.
FIM

Carlos Cebolo