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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O Deserto e o Mar



De Moçâmedes gosto tudo
Da linda praia ao deserto
Do meu pensar pouco mudo
Por ter um destino certo
Cidade dos meus encantos
Sem nunca esconder os prantos
Da gente que lá viveu
E do amigo que desapareceu

Muitos amigos dispersos
Por todo o Mundo distante
Em Portugal e na Austrália estão
Lembrando sempre com versos
O mar e o deserto amante
Trazendo Angola no coração.

Namibe é o belo, insisto
Seu nome é uma canção.
Procuro esquecer, mas insisto
Numa bela recordação
De Moçâmedes e seu distrito,
Que trago no coração.

Do deserto seco e ardente
Recordo a linda Welwitschia
Planta exótica presente
Que só naquela terra nascia
Moçâmedes sempre consente
Elogios que então merecia
Das gente que tem por legado
Aquele belo chão sagrado.

A zebra e a bela gazela,
Habitantes do deserto.
Também foram refugiados
Deixando a terra bela,
Com um destino incerto,
Para ficarem salvaguardados
À Namíbia fugiram então
Levando Angola no coração.

Das furnas ao porto mar
Tudo tinha ligação
Só a não consegue amar
Quem não tem recordação.

Moçâmedes Mar e Março
Todos temos recordação
Para o Namibe um abraço
Com o calor do coração
Giraul e Saco Mar
Guardavam a sua entrada
Sainda para o Tombua
Também cidade amada

Porto Alexandre o nome dado
Ao Tombua com emoção
Pelo português sempre amado
Que traz Moçâmedses no coração.

Ao deserto o mar uniu
Com grande habilidade
Uma bela cidade surgiu
Mostrando haver igualdade
No deserto e no belo mar.
Colhendo a identidade.

Cabeça de Pungo Chamado
Aos habitantes da cidade
Título por nós muito amado
Não olhando à identidade
De quem assim nos chamou
Por muito que ela amou

Moçâmedes terra bendita
Fez jus à sua fama
Terra de gente bonita
Toda Angola declama.
Mulheres lindas lá estão
Gente que muito ama
Trás Namibe no coração.

Carlos Cebolo

(LUBANGO) FADO TRISTE




O meu fado é triste
Como triste é a minha sina
Lubango cidade amada
Sentido que já não existe.
Olhando de baixo a cima
De longe não vejo nada.

Da paisagem outrora verdejante,
Só vejo serra despida.
Querendo lembrar ao viajante,
Uma grande e triste despedida.
Da gente lusa agora distante,
Época áurea para sempre ida.

Lubango triste realidade
De um passado glorioso
Onde viveu o moço e o idoso
Sem olhar à nacionalidade,
Portuguesa outrora então
Procurando manter em vão
Uma outra identidade.

Da Leba e o seu encanto,
Do batuque então tocado,
Dançando a rebita antiga
A saudade virou um pranto
Lembrando a gente amiga.
Que existia em todo o lado.

Branco, negro e mulato
Viviam em harmonia
Angolano ou português
Na cidade ou mesmo ao lado
Pouca diferença fazia
O que a cor da pele fez.

O meu fado é triste
Como triste está a cidade
Por não ver o filho seu
O pouco que ainda existe
Combater a sua saudade
Lembrando o que era seu

O que era seu já não existe
Em Angola do meu encanto
Tudo foi lá deixado
O sangue angolano insiste
Com lágrimas de grande pranto

Em ser sempre lembrado

Lubango triste recordação
Lembrando Goa Diu e Damão
O povo não foi lembrado
Por quem foi sempre amado
Como grande foi a Nação
E nada ficou guardado

Se culpas houvesse então
Do Portugal colonizador
Não seria o povo amante
Com toda a sua devoção
Pagar com tanto pavor
O mal que foi feito antes

Senhora do Monte é saudade
Do povo que lá viveu
Tristeza é constante igualdade
Daquele que lá nasceu

Entre lágrimas e muitos prantos
O tempo passa a correr
Depois de corrermos tanto
Pensamos em ir lá morrer

Cidade linda do planalto
Princesa de Angola firmada
Por ti chamo bem alto
Nas tristes horas da madrugada

Por muito que se negue o legado
É este o nosso eterno fado!

Carlos Cebolo

domingo, 21 de agosto de 2011

ANGOLA AMANTE


Quem conheceu não esquece
Com grande tristeza no olhar
Quem duvida não conhece
As lindas terras do além-mar.

Português povo errante,
Acolhedor como ninguém.
De Angola fez sua amante,
Sem roubar o que ela tem.
O petróleo e os diamantes
Também lá ficaram bem,
Como bem estavam antes.

Quinhentos anos de ocupação,
Diz o mal intencionado.
Com grande riqueza natural,
Quem já não tem recordação,
Que tudo foi lá deixado,
Com a cultura Nacional.
Por quem tem bom coração,
E nunca causou nenhum mal.

Diamante, petróleo e ouro,
Tantos anos de ocupação,
Nada foi explorado.
Foi descoberto o tesouro
Guardado no coração,
E tudo foi lá deixado.

Quem assim fala não mente
Faz lembrar história antiga
Cultura como presente.
Prenda para gente amiga.

Quem a história conhece
Percebe bem o que digo.
Não é saudosismo em vão
É dor de quem padece,
Coisa que trago comigo,
Cá dentro do coração.

Ao mal dizente faço lembrar
A verdade do povo Nação
É nosso velho costume amar
E a todos estender a mão
Com princípio, meio e fim
Como manda a tradição
De quem descobriu o mar
E fez do Mundo Nação.

Povo bom e ilustre lusitano
De terras de Santa Maria
Foste dono de meio Mundo
Também aqui não há engano
Tudo é lembrado com alegria
Sem temer o mar profundo
Fazendo tudo com harmonia
Levastes novas ao Mundo.

A tua língua é o teu legado
Rico talhão de cultura lusa
Para África também foi levado
E o povo com amor ainda usa.
Lembrando tempos passados
Recordando a linda musa.

Angola foi a grande amante
Do povo que a descobriu
É amor eterno constante
Da gente que de lá partiu.

Carlos Cebolo


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

DE ANGOLA NADA


O meu olhar penetrante está vazio.
Olho ao meu redor e nada vejo.
O clima outrora quente acomoda o frio
E a alma sente a falta do desejo.

Desejo que senti com grande paixão,
Nos tempos áureos da Juventude.
Recordações que atormentam o coração
Por me encontrar numa outra latitude.

Da janela do meu quarto vejo nada.
Nada que me recorde o meu passado.
Juventude perdida mas não esquecida,
Vivendo com dignidade de prova dada.
Sempre com o pensamento no país amado,
Por toda a parte sempre de cabeça erguida.

Da varanda da minha casa nada vejo.
Olho as ruas procurando um desejo.
No céu apenas às estrelas agrado,
E procuro consolo no colo amado.

Da mãe Terra que me viu nascer,
Aceito o destino que me deu.
Procuro a todo o custo renascer
No Belo país que me acolheu.

No Portugal do meu coração,
Nada vejo do meu passado.
Recordo Angola com paixão,
E do bom tempo ali passado.

Passado que não volta mais.
Por opção assim tomada.
Da terra tenho saudade,
Do povo não sinto nada.
Praticaram maldade demais,
Não olhando a identidade.

Daqui nada vejo com agrado,
De lá nada procuro ter
Os bens por mim lá deixado
Ninguém me vai devolver.

Moçâmedes a minha cidade
Namibe o meu deserto
Onde vivi a mocidade
Sempre com futuro incerto


Lubango cidade alta e linda
Cercado pela serra da chela
Ao planalto a visita era bem vinda
E de todas era a mais bela.

Bibala dos meus encantos
Onde vivi menino e rapaz
Era a Vila dos quatro cantos
Onde se encontrava a paz.

De Angola já nada resta
Que me recorde os tempos bons
O que vem de lá já não presta
Apenas se aproveita os sons.

Sons da música africana bela
Sons das vozes das raparigas
Música proveniente da Chela
Lembrando gentes amigas.

Tem Luanda como capital
De um império destroçado
Das cinzas retira o mal
Lembrando o passado amargo.

Do resto recolho nada
Como nada de lá tirei
Recordo a vida airada
Do tempo que lá passei.

Carlos Cebolo

domingo, 7 de agosto de 2011

MOÇÂMEDES - CIDADE LINDA


Estamos no quente mês de Fevereiro.
É domingo.
Levanto-me da cama, tomo o pequeno-almoço, preparo a minha toalha de praia e ala que aqui vou eu.
Saio do bairro Sanzala dos brancos e caminho com calma em direcção ao mar. Mais propriamente dito, em direcção à praia das Miragens.
Era assim que nos anos sessenta, fazia deste ritual, um agradado costume constante.
Com o mar normal, mergulhava nas belas ondas e nadava até à jangada, onde a malta se reunia para dar uns belos mergulhos, aproveitando para “paquerar” as moças lindas que Moçâmedes sempre teve.
Quando havia calema, as famosas ondas enormes que se formavam naquele bela praia, A excitação era maior.
 Ninguém se retraía e era bastante gostoso apanhar as boleias que as ondas davam até à praia.
 Rapazes e raparigas, todos mergulhavam furando as ondas para depois apanhar outra que os arrastasse para a praia.
 Era uma alegria e uma brincadeira sadia.
Não havia droga, não havia álcool, apenas mar e alegria.
Em certas alturas a desilusão.
-OH pá! Hoje a praia tem pica-pica, já nos estragou o domingo. Qual quê dizia alguém. O pica-pica tira-se não é isso que nos vai estragar o dia.
Pouco tempo depois, a praia estava cheia e os pica-picas a secarem na areia com aquele aspecto gelatinoso e na água a algazarra era total.
Nos anos cinquenta e sessenta a juventude do Namibe era assim.
 Aquela praia puxava pelo físico.
Não admira que as moças de Moçâmedes eram as mais bonitas de Angola. Pois claro, com uma praia daquelas e com um sol abrasador, o físico era perfeito e o bronze permanente.
Em Março chegavam as festas. O Slogan que se via por toda a parte “Moçâmedes, Mar e Março”. Era famoso em toda a Angola. Sempre que passava por um cartaz, acrescentava e Mulheres Maravilhosas.
Cinco M que retratavam bem Moçâmedes daquela época.
Daquela época e pelos vistos também agora. A Miss Angola é do Namibe.
 Parece que a terra renasceu. Nada mais natural. Aquela terra associada ao clima maravilhoso do verão e às milagrosas águas daquela parte do Atlântico fazem realmente milagres.
É certo que Môçâmedes não é só Sol e Mar. Nos meses, de Julho, Agosto e Setembro, Havia um nevoeiro bastante cerrado. Tão cerrado, que mesmo a pé era difícil andar sem esbarrar em algo.
Mas até mesmo nesta altura, Moçâmedes tinha o seu encanto. O contraste do deserto com o mar, fazia desta cidade um lugar muito especial. Tão especial que só quem lá viveu poderá dar testemunho de tamanha beleza natural.
No mês que a nossa cidade faz anos, não podia deixar de fazer aqui esta singela homenagem.

Carlos Cebolo

sábado, 6 de agosto de 2011

ORIGENS -UM APANHADO DO MEU RAMO FAMILIAR -


No tema família, sem querer fazer uma árvore genealógica, vou apenas lembrar o pouco que a minha memória ainda guarda sobre as famílias que me deram origem, proporcionando assim, no futuro, se esse for o entendimento, que algum meu descendente e, ou familiar proveniente de um dos ramos, possa dar início ou conclusão a tal mapa familiar.A árvore genealógica.
Pouco ou quase nada sei sobre os meus avós, pois era costume antigo, fecharem-se e não dizerem nada que dissesse respeito à família que lhes deu origem
Assim, apenas sei que meu avô paterno Filipe Cebolo natural de Seixos, Carrazeda de Anciães, Trás-os-Montes, Portugal era filho de António Cebolo e de Antónia Gonçalves, foi para Angola como enfermeiro e lá casou com a minha avó paterna de nome Domingas Beatriz da Costa, filha de José da Costa e de Emília.
 Tiveram vários filhos que vou aqui indicar, procurando não me esquecer de nenhum: Filipe Eduardo (meu pai) César Augusto, Maria Emília, Adelaide, Gravelina, António e José (Zeca), e talvez mais alguns que possivelmente terão morrido antes de eu nascer e por tal motivo não me recordo dos nomes.
Sobre a minha parte materna sei, através de memória de minha mãe, que meu avô chamava-se Adolfo de Oliveira era filho de Aniceto D’Oliveira e de Margarida Rosa da Silva, natural de Reguengo Pequeno, Lourinhã e foi para Angola como militar com a patente de cabo. Meu avô materno casou em Angola com minha avô Isaulinda Caldeira Mendes Pinto, filha de colonos agricultores da Chibia, Lubango e tiveram vários filhos que aqui vou referir os vivos que conheci e alguns falecidos que minha mãe falou. Os filhos foram: José Mário; Flora, Olga (minha mãe), Eurico, Armando e  Cristina Margarida. Dos falecidos apenas ouvi falar no nome. Carlos; Maria Aurora; Armindo e Maria do Carmo. Não sei se houve outros. Julgo que não.
Meu avô paterno sempre trabalhou como enfermeiro em várias partes de Angola e acabou por se reformar em Moçâmedes, onde morreu. Minha avó foi dona de casa e muito trabalhou para criar tantos filhos.
Meu avô materno depois de deixar o exército, onde foi combatente na I grande guerra, dedicou-se à agricultura e pecuária fixando residência no Matuco (Fazenda agrícola), situada no sopé da serra da Chela no concelho de Vila Arriaga.
Na Vila construiu uma casa de habitação onde viveu os seus últimos anos. Junto a essa casa, construiu uma pensão e uns anexos que alugou, vivendo depois destas parcas rendas e de algumas frutas, principalmente mangas que vinham do Matuco, enquanto minha avó, como dona de casa, era encarregada da administração da mesma e de cuidar dos filhos.
Meu pai, Filipe Eduardo Cebolo, trabalhou no caminho de ferro de Moçâmedes, mas como natural de Angola tinha constantemente a sua carreira estagnada, pois todas as vagas existentes para postos de chefia eram preenchidas por pessoal vindo da metrópole, independentemente das capacidades demonstradas. Prevalecia a naturalidade europeia que barrava constantemente a subida na profissão, dos naturais de Angola. Assim, meu pai deixou os caminhos-de-ferro e dedicou-se ao comércio.
Meu pai casou com Olga (Minha mãe). Tiveram uma menina que se chamava Graciete e logo a seguir um filho que se chama Filipe Olgário. Pensaram ficar por aí em questão de filhos, mas por infelicidade ou por vontade de Deus, minha irmã faleceu com escarlatina e meus país foram à procura de mais uma menina. Deus não lhes fez a vontade e assim nasci eu. Chamaram-me Carlos António e dois anos depois mais um rapaz que se chama Rui Manuel. Cinco anos depois lá veio a menina que se chama Filomena do Rosário em homenagem à Santa Filomena de quem minha mãe é devota e a quem recorreu a pedir a tão desejada menina.
Minha mãe sempre foi dona de casa, mas também ajudava o meu pai no comércio que tinham.
Meus pais muito trabalharam para criar os quatro filhos e tudo fizeram para nos dar a maior instrução possível. Se não somos doutores é apenas por culpa ou incapacidade própria nossa e não por falta de apoio dado pelos pais.
Em Angola fiz a primária em Vila Arriaga e depois fui para Moçâmedes, para a Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique, onde completei o ensino preparatório, indo depois para Sá-da-Bandeira, para a Escola Comercial e Industrial Artur de Paiva, onde completei o curso comercial. Na tropa tirei o curso de sargentos milicianos em Nova Lisboa. Como cabo miliciano dei instrução no Regimento de Infantaria 22 em Sá-da-Bandeira e depois de promovido a furriel, fui para o Norte de Angola onde estive principalmente em Quicua, Calamboloca, São Salvador do Congo, Tentativa Caxito, Luanda e Ambriz. Acabei a tropa em Pereira D’Eça na Fronteira sul com a Namíbia.
Depois da tropa fui professor primário em Vila Arriaga, Angola e depois da independência vim para Portugal já casado com a minha esposa Paula Maria Gonçalves Gaspar, Filha da Alberto Manuel Pinto Gaspar e de Maria Laura Gonçalves Gaspar. Tivemos dois filhos, um rapaz de nome Luís Filipe e uma menina, que pusemos o nome de Cátia Soraia. Ambos já estão casados. O Luís Filipe casou com a Elisabeth do Carmo Alves Maciel e já me deram uma neta de nome Lia. A Cátia Soraia casou com António José Girão Rocha e ainda não tiveram filhos, mas espero que estejam a tentar.
Em Portugal na impossibilidade de continuar a ser professor primário, por não ter a magistério, ingressei nas Forças de Segurança, nomeadamente na PSP, onde atingi o posto máximo da carreira profissional de base (Chefe Principal) categoria com a qual me reformei.
Já reformado, dediquei-me à escrita por carolice. Na internet criei um blogue com o nome “Querer e não poder” onde escrevo um pouco de tudo. Ultimamente e querendo presentear a minha neta LIA. Única que tenho até este momento, tenho escrito no meu blogue vários contos infantis dos quais já publiquei um livro com o título “O País encantado do faz de conta” publicado pela Chiado Editora.
O objectivo porque fiz este resumo do meu ramo familiar é apenas por entender que no futuro, algum filho, neto ou até bisneto, possa ter curiosidade em saber as suas origens e assim, ter a vida um pouco facilitada o que não foi o meu caso.
Do meu sogro Alberto Manuel Pinto Gaspar sei que era filho de Manuel Pinto Gaspar, natural de Abuadela Amarante, foi para Angola como militar com a patente de alferes e teve um filho (meu sogro) com Zulmira, uma nativa natural do Cuanhama. O avô de minha mulher casou depois com Maria da Conceição Matias Lopes filha de colonos agricultores. Não tiveram filhos. Meu sogro casou com Maria Laura Gonçalves Gaspar, natural da Pupa, Vila Arriaga, Angola, filha de Lauro de Almeida Gonçalves, natural de Santa Comba Dão, Portugal e de Leonor Correia Porto, natural da Chibia, Angola.
 Meus sogros tiveram dois filhos: Mário Rui e Paula Maria (minha esposa). Meu sogro trabalhou na Câmara Municipal do Lubango como motorista de Autocarros e minha sogra nessa altura era dona de casa. Quando o pai de minha sogra que era comerciante em Vila Arriaga, faleceu, meu sogro deixou a Câmara Municipal e ambos foram para Vila Arriaga tomar conta e explorar a rica casa comercial deixada pelo pai de minha sogra.
Com a independência de Angola, viemos todos para Portugal em Março de 1976.

Carlos Cebolo

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A GUARDIÃ DA GRUTA MÁGICA



No país encantado do faz de conta, onde o sonho acontece muitas vezes, havia uma pequena aldeia rodeada por uma floresta de pinheiros e carvalhos.
Um belo dia de primavera, Lia que tinha quatro anos de idade, foi com os seus pais visitar os avós que moravam na linda aldeia.
O avô de Lia contava muitas histórias à sua neta e a menina gostava muito de ouvir as lindas histórias.
Quando chegaram à aldeia, Lia correu para o colo do avô e pediu para lhe contar uma história.
O avô prometeu contar lindas histórias depois do jantar e Lia ficou muito contente com a promessa.
 Depois do Jantar, sentaram-se todos à lareira e o avô perguntou à neta que história queria ouvir.
A menina estava indecisa e foi o seu pai quem falou:
-Lia, quando o pai era pequeno com tu, o avô contava uma linda história sobre uma gruta mágica que diz existir na floresta que rodeia a aldeia.
A menina que ainda não conhecia essa história pediu ao avô:
-Conta avô! Conta a história da gruta!
O avô concordou, mas disse que era apenas uma história que já o seu avô contava, mas ninguém ainda tinha encontrado a tal gruta.
E começou: - Diz a lenda que na floresta que rodeia esta aldeia, existe uma gruta mágica, chamada a gruta dos desejos. Esta gruta é guardada por uma gata que só aparece a quem se porta bem.
E o avô continuou:
- Diz a lenda que a gata guardiã da gruta escolhe a quem aparecer e que utiliza a magia para mudar constantemente de lugar, levando consigo a gruta mágica.
Pelo que sei, continuou o avo, já tenho sessenta anos e não conheci ninguém a quem a gata apareceu. Apenas me lembro do meu avô contar que um dia, a gata apareceu a uma menina muito linda que vinha sempre visitar a avó que vivia sozinha numa casa junto à floresta, antes da aldeia ser construída.
Dizem os mais antigos que a menina e a avó desapareceram e nunca mais foram vistos.
 Segundo a lenda, a gruta dos desejos apenas concede um desejo. E por isso ele tem que ser bem pensado antes de se pedir, para não acontecer o mesmo que aconteceu à menina e à sua avó.
Lia interrompeu o avô e perguntou:
- Será que a gata existe mesmo? Se existe já deve ser muito velhinha. E quem é que toma conta dela?
O avô admirado com a preocupação da neta em relação à gata disse:
- Não te preocupes. É apenas uma história. E se for verdade, a gata com certeza também é mágica e não fica velha.
- Já é tarde, agora vamos todos dormir. Amanhã vamos ao pomar apanhar maçãs para a avó fazer uma tarte.
Lia foi para a cama, mas não conseguia dormir a pensar na gata:
- Deve ser linda e meiga! Pensava a menina. Eu gosto tanto de gatos! Amanhã vou procurar a gata. Ela deve estar triste por se encontrar sozinha.
No dia seguinte, tomou à pressa o pequeno-almoço e foi com o avô para o pomar apanhar maçãs. Durante o caminho olhava para todos os lados para ver se encontrava a gata. Mas não via gato nenhum, apenas um ou outro rato que fugia quando eles se aproximavam.
Passados alguns dias, quando a menina se encontrava a brincar no pomar, apareceu uma gata listada muito magrinha a miar.
Lia não se lembrou da gata da história, apenas se preocupou em ir buscar leite para dar à gatinha que tinha fome.
Foi à casa do avô buscar leite e deu à gata. A gata bebeu o leite todo e disse:
-Obrigado minha querida menina. Eu estava com muita fome.
Lia ficou espantada por ouvir uma gata falar e nesse momento lembrou-se da gata da gruta e ficou sem saber o que fazer.
A gata mágica voltou a falar:
-Como fostes boa menina, eu vou levar-te à gruta dos desejos. Só podes pedir um desejo. Pensa bem no que vais pedir para não te arrependeres depois. Aconselho-te a seres prudente e não seres gananciosa. Pensa com calma no que realmente queres.
Lia que era muito inteligente, começou a pensar para si
-O dinheiro é muito importante; a saúde também; assim como a felicidade. Se pedir dinheiro, fico sem saúde e fico infeliz; se pedir saúde fico pobre e infeliz. Se pedir felicidade…
A gata interrompeu o pensamento da menina, dizendo para ela lhe acompanhar.
Depois de muitas voltas pela floresta, encontraram uma linda gruta.
A gata então falou:
-Pede o teu desejo, mas pensa no que vais pedir.
Lia pensou e depois de muito pensar, pediu:
-Quero que toda a minha família seja muito feliz.
A gata ficou muito contente com o pedido da menina e disse:
- Foste muito sábia a pedir o teu desejo. Ao pedires felicidade para toda a família, estás a pedir ao mesmo tempo riqueza, saúde e tudo o mais que acompanha a felicidade. O teu desejo vai ser concedido.
Dito isto, a gata e a gruta desapareceram.
A menina foi para casa e encontrou uma grande festa. Todos estavam felizes, pois o avô tinha encontrado nas suas terras uma mina de ouro e agora eram todos ricos.
Lia contou que tinha encontrado a gata e que tinha pedido felicidades para todos.
Toda a família abraçou a menina e ficaram muito contentes com a inteligência da menina ao fazer o pedido. E assim viveram felizes para sempre.
FIM

Carlos Cebolo

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

LUAR ANGOLANO



A lua redonda nasce no céu limpo.
As nuvens não fazem a sua aparição.
A alma voa como se estivesse no limbo
E o coração sofre com a recordação.

A noite africana é sempre quente,
Como quente é o fogo que arde em nós,
Lembrando a vida sofrida daquela gente.
Irmãos de sangue que não tinham voz.

Com pele da cor do carvão,
Considerados seres sem alma,
Procuravam sempre em vão,
Manter a impressionante calma.

No país estranho chegados,
Descarregados como animais,
Eram comprados como gado
Por quem por eles pagava mais.

Sangue africano sofrido,
Espalhado por toda a parte,
É hoje um poema lido,
Mostrando todo o engenho e arte.

Um povo que a todos reclama,
Um pouco por todo o Mundo,
Valores dos filhos que ama,
Esquecendo um passado imundo.

A brilhante lua cheia africana,
Em Angola ou na outra costa,
Acolhe sempre quem ama,
Não esquecendo quem dela gosta.

Angola é a minha terra,
Portugal a minha Nação,
A liberdade em mim é eterna,
E trago paz no Coração.

Angola é dos angolanos,
Pele escura pois então!
Angolanos de outros anos,
Brancos que já lá não estão.

Minha terra linda e triste,
Angola do meu coração.
O bom povo já lá não existe,
Mas de longe estendem a mão.

Estendem as mãos à linda e quente terra,
Sem se importarem com o povo que nela vive,
Trazem no coração uma grande dor eterna,
Mas é noutras terras que se sentem livres.

Livres de pensar e de sentir angolano,
Clima quente e águas mornas deixam,
Encontram águas frias todo o ano,
E da falta de calor da terra queixam.

Carlos Cebolo

sábado, 30 de julho de 2011

MINHA TERRA TRISTE – MÁGOA DE MÃE AFRICANA DO SUL DE ANGOLA



Angola minha terra triste.
Junto com o meu homem tenho duas meninas.
Que tristeza!...
Se fosse filho homem, tudo era diferente.
O homem pastoreia o gado, vai à caça,
Arranja comida para a família!...
A mulher apenas cuida da agricultura, 
Do "arimbo"...
Cria os filhos e faz comida para o marido.
Na loja do branco, o nosso boi pouco vale!...
A fuba é cara e o sal ainda mais.
Uma quinda de milho da nossa lavra, 
Troco por uns quilos de farinha e alguns peixes secos.
Não dá para comer até à lua redonda seguinte.
Mas o que fazer?
Minha terra seca,
Pouco dá.
A água é das chuvas e agora pouco chove.
Parece que o branco controla também a chuva,
A nossa vida, a nossa terra!...
As minhas meninas passam fome.
O leite da minha mana está seco.
O das vacas! os bezerros pouco bebem.
Do leite fazemos leite azedo que nos alimenta
E o bezerro fica magro.
Vendido na loja do branco vale pouco.
Só tem ossos diz o branco.
Vale cinco garrafões de vinho.
Aceito.
O vinho faz bem à nossa cabeça. 
Faz esquecer a tristeza, a fome, a miséria.
O vinho é bom. Vem do Puto.
Na minha terra triste apenas há vento. 
Chuva pouca e muita dor.
Minhas meninas têm fome.
O branco leva para criar.
Vai servir de companhia à filha do branco.
È criada do branco, mas não passa fome.
Meu coração sofre com a partida
Mas aceita e fica feliz por saber que estão vivas
E não têm fome.
O branco é bom. Toma conta delas. 
Crescem e não sabem quem é a família.
Apenas são criadas do branco.
Muitas dão netos aos brancos!...
Os filhos dos brancos são acolhidos como netos, 
As mães negras abandonadas à sua sorte.
Vadia! Quem te manda meter com o meu filho? 
Vai-te embora e não apareças mais,
Grita o branco.
As crianças crescem!...
Apenas conhecem a família branca.
Os avós negros são esquecidos. 
Apenas são filhos do branco.
Minha terra triste chora!...
Dor sentida mas não reclamada.
A independência chegou.
Os brancos foram embora.
Levaram também os nossos filhos.
A alegria do momento, 
Depressa se transforma em agonia.
O patrão agora não é branco!...
É negro como nós.
Mas não é de cá!...
Veio de outras terras.
Mas é quem manda.
Tomaram conta das lojas dos brancos,
Mas ali não se vende nada. 
Nada há para se comprar.
A fome continua.
O nosso milho ninguém compra.
Peixe seco não há!...
Farinha, temos nós que moer o milho para fazer o pirão.
O branco foi embora, mas a miséria ficou.
No tempo do branco, dizem os mais velhos:
- As lojas tinham tudo. Era caro mas havia.
 Hoje nada há.
Os nossos filhos eram criado dos brancos,
 Mas não passavam fome!.
Hoje os nossos filhos são criados dos negros .
Nosso povo continua na mesma ou ainda pior.
O negro do norte é quem manda
E é ainda pior que o branco.
Minha terra triste chora.
Dos meus olhos saem lágrimas de sangue
E água salgada,
Mas o sal não chega à nossa cubata.
O mar fica longe e o branco já cá não está
Para trazer o sal.
O nosso boi nada vale 
E também não há quem o queira trocar por comida.
Minha terra triste está cada vez mais triste.
Nas vilas e cidades vejo muitos negros.
 Mas não são de cá. 
Ninguém os conhece.
 De onde vêm? Quem são? 
Ninguém sabe.Não falam a nossa língua!...
Esperamos a vinda do branco, mas ele não volta mais.
Minha terra triste está cada vez mais triste.
E os nossos filhos continuam com fome.

Carlos Cebolo

quinta-feira, 28 de julho de 2011

BATUQUE – SONS DE ÁFRICA



Nas noites quentes de luar intenso, ouve-se com alegria os sons melodiosos do batuque na Sanzala iluminada pelo luar e luz da fogueira que crepita no meio do terreiro.  
 Os tocadores de batuque; dos Mpwitas; das marimbas; do kissange do berimbau e do reco-reco, não tiveram qualquer instrução musical, mas conseguem tirar destes rústicos instrumentos por eles mesmo construídos, um som tão melodioso como característico que fazem música agradável de se ouvir.
Parece que o povo africano nasceu para a música ou com música dentro de si.
Na dança, a mulher africana consegue ondular o corpo como só ela sabe. Os movimentos sensuais da mulher africana acompanham a música com uma intensidade tal, que parece ser o seu corpo feito de borracha.
Quem ouve o batuque, por si só, ou acompanhado por outros instrumentos, no silêncio da noite e tem o privilégio de seguir com a sua visão todo o folclore causado pela música e dança dos tocadores e bailarinas, fica surpreendido com a mestria como retiram um enorme proveito musical de instrumentos tão rudimentares e conseguem fazer ouvir o verdadeiro som de um folclore apenas existente em África.
Se associarmos este magnífico som ao encantador movimento dos dançarinos e dançarinas africanas, encontramos o verdadeiro sentido da cultura milenar que mesmo contra todas as tentativas de erradicação, por parte dos governos coloniais europeus, se manteve e se mantém até aos dias de hoje.
No chamado Mundo civilizado, já muitos e célebres músicos, recorreram ao velho e rude berimbau e ao exótico kissange à procura de novos sons para as suas composições.
Não há dúvida nenhuma que com o berimbau, também chamado de violino africano de uma só corda, bem tocado, consegue-se tirar sons que apenas com este instrumento se consegue fazer ouvir.       
O mesmo acontece com o kissange, também conhecido como o xilofone africano, tocado dentro de uma cabaça apropriada para o efeito que lhe serve de caixa de ressonância.
São os sons de África que acompanhado ao som tirados do verdadeiro batuque feito de tronco de árvore e coberto por pele de animal, curtida à moda africana, que fazem a verdadeira e genuína música de África.
Os sons do batuque são ouvidos em todas as ocasiões e estes instrumentos são tocados com a mesma intensidade seja qual for o motivo que o justifique. Quer seja em casamentos, funerais ou qualquer outro pretexto social ou apenas por simples protesto ou estado de espírito, o som é sempre melodioso e só quem o toca ou quem com ele está muito familiarizado, consegue distinguir o estado de espírito que a música quer lembrar ou homenagear.
A música africana é isso mesmo. Seja qual for o motivo, os sons de África fazem-se ouvir mostrando ao Mundo a sua cultura.

Carlos Cebolo