Acerca de mim

A minha foto
Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

MULHER



Mulher linda que estás à janela,
Com o teu lindo lenço de seda.
A sereia canta, foge dela!
Que a fama por bela, é azeda.

Procura num outro cantar,
O teu companheiro seguro.
A beleza que tens p’ra dar
Está no teu amor mais puro.

A mulher tem a alma bela,
Seu encanto é um primor.
Procura fazer uso dela!...

Com teu jeitinho para amar,
Dona da arte do amor!...
És senhora do meu altar.

Carlos Cebolo

REFÚGIO DOS MEUS AVÓS




O cheiro da terra molhada
Levanta os odores fortes
Da terra vermelha amada
E de toda a sua sorte

Sorte não teve o povo
Com a guerra que surgiu
Criar um Mundo novo
P’ra outro lado seguir

Angola terra adorada
Refúgio dos meus avós
Terra p’ra sempre amada

Sua gente de lá saiu
O povo não tinha voz
O mundo todo ruiu.

Carlos Cebolo

O RIO

             

O rio que corre sereno
Águas calmas por cima vão
No fundo galga o terreno
Com as voltas que elas dão

Talvez o rio se acalme
Em terras mais alargadas
Provoca com seu alarme
Corridas inacabadas

As dores que o rio sofreu
Para chegar ao seu destino
Galgou montes e tudo deu
Percorreu o seu caminho

Para chegar ao Mar aberto
Procurou outro caminho
Talhou pedras aqui por perto
Desaguou com todo o carinho

Sua água no mar entrou
Provocou ondas de calor
As areias do mar amou
Vivendo um grande amor

O rio assim morreu
Sem sentir a grande dor
Caiu nos braços do Morfeu
E morreu com o seu amor

Carlos Cebolo

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

TEU OLHAR

    

Por causa do teu olhar
De malícia, um tanto bela,
Procuro no teu olhar,
O beijar dos lábios dela.

Traição no amor não há,
Pois amar não é pecado.
Amor o coração dá,
Sem tirar o seu bocado.

Não se pode sentir dor,
Quando se ama alguém,
O corpo sente o calor.

Com alma e coração,
Tudo se resolve bem,
P’ra tudo há um perdão.

Carlos Cebolo

AFLIÇÃO



Tudo o que escrevo e faço,
Parece bom, mas é vão.
Não posso dar outro passo,
Sem gastar um dinheirão.

Dinheiro é rei e senhor!
A cultura, é mau legado.
Procuro caminho sem dor,
Para vencer este meu fado.

Podre de mim, coitado.
Não sei que almas tenho?!...
Para deixar o meu legado,
Luto com desempenho!

Posses, queria, não tenho,
Maneira de a adquirir.
Procuro com empenho,
Um meio de conseguir.

A todos dar o presente,
Recordar todo o passado.
São coisas que o povo sente,
Lembrando o país amado.

Carlos Cebolo




POETA NÃO SOU

          

Querer! Querer! É minha perdição!...
Fazer versos sem se ser um poeta,
É a minha tremenda maldição!
Procurar correr, sem chegar à meta.

Quem manda a ti querer ser, quem não és?
Procurar ter o que não podes ter?
Vens do nada, andas com os teus pés,
Não ganhas nada e podes perder!...

Poeta não sou e não quero ser!...
Pois tudo o que escrevo, vem-me da alma.
Dessa maldição não quero beber!
Quando não durmo numa noite calma.

Quem és tu, óh ave noctívaga?
Que atormentas o meu bom sossego?
È a noite calma que me instiga,
P’ra ser poeta do desassossego.

Carlos Cebolo

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A Quimera



Óh gente da minha terra,
Tua procura é constante.
Queres amar a quimera,
Como se ama o amante.

A quimera é bicho feio,
Que não conhece o dono,
Dela, a semente veio,
O mal que me tira o sono.

Lembranças da nossa terra,
Recordação já passada,
Começo de n ova Era.

Vivida noutro país,
Terra p’ra sempre lembrada,
Foi Deus que assim o quis.

Carlos Cebolo

GOSTAR (Hino à minha mulher)


       

Gosto da terra e do mar
Gosta da água salgada
Gosto apenas por gostar
Da guerra não gosto nada

Gosto da rosa florida
Da rosa em botão também
Gosto de ti minha querida
De ti gosto como ninguém

Gosto do teu perfume
Gosta da manga madura
Gosto do que nos une
Gosto de tudo que dura

Gosto de ti minha amada
Gosto do teu encanto
Gosto da flor criada
E posta aqui no meu canto

Gosto do teu belo carinho
Gosto do teu puro pensar
Gosto do belo ninho
Feito para te amar

Gosto como me amas
Loucura sem ter fim
Segredos tenho na alma
Quando te lembras de mim

Gosto das águas calmas
Do rio sem turbulência
Gosto do corpo e alma
E da tua boa inocência

Gosto de tudo que é teu
Do perfume que sempre usas
Gosto quando olha p’ro céu
Evocando as minhas musas.

Gosto de ti minha mulher
Companheira da minha vida
Neste ou noutro lado qualquer
Gosto de ti minha querida.

Carlos Cebolo



segunda-feira, 10 de outubro de 2011

REJEIÇÃO

       

Ninguém gosta de rejeição,
No trabalho ou no amor.
Fazer danos no coração,
Pode provocar muita dor.

A boa vontade é tudo,
Que o amor necessita.
Fala não fiques mudo,
E tudo o mais de evita.

A dor provocada então,
Produz desconfiança vã,
Promove então o perdão,
Escolhe uma vida sã.

Esquece pois a rejeição,
Em nome do grande amor.
Lembra-te do teu coração,
Não lhe provoques horrores.

A boa vontade mostrada,
Em nome do amor perfeito,
Conversar e prova dada,
E tudo fica a teu jeito.

Carlos Cebolo

CULTURA AFRICANA – MUFICO E KWENGE (Preparação dos jovens para a idade adulta)



Ouve-se o batuque alegre lá na sanzala!
Os mais velhos preparam a grande festa.
O céu esta estrelado e a lua parece de
                                                     Prata.
Num canto da aldeia ergue-se uma alta
                                                   mutala.
Está tudo preparado esperando a hora
                                                     certa.
De cada lado da mutala está uma cubata.
Os tocadores de batuque ensaiam o som.
O povo da sanzala com o macau está
                                               frenético.
Homens e mulheres falam em voz alta,
Todos esperam o homem que nasceu com
                                                    um dom.
Ser curandeiro é ter um dom muito benéfico.
O curandeiro conhece as ervas da mata,
Ele conhece o remédio, o mau! e o bom!
A cubata do lado esquerdo da mutala tem
                                                         flores,
A outra, uma fogueira com muita cinza.
No meio, está outra fogueira com uma panela
                                                             a ferver.
As raparigas, com medo, adivinham os horrores,
Dos costumes de um povo ranzinza.
Mutilar a mulher de um órgão de prazer,
É costume bárbaro antigo que em África está.
Raparigas vão para a cubata da esquerda,
Acompanhadas por velhas mulheres
                                               Sisudas.
Os rapazes vão para a cubata da direita,
Com os olhos brilhantes à procura de
                                                 Ajudas.
Ouve-se o batuque com música perfeita,
Que abafa o grito dos rapazes e raparigas,
Que nas cubatas sofrem a rude circuncisão.
São coisas de culturas africana antigas,
Que o Mundo procura acabar em vão.
Se nos rapazes a circuncisão é aconselhada,
Pratica usada nos países que civilizados são,
Já na rapariga é estigma de mulher humilhada,
Não se vendo aqui qualquer perdão.
As feridas são curadas com cinza quente,
E com ervas que só o curandeiro conhece.
Pois de um grande período ausente,
Rapazes e raparigas aparecem em público.
Elas enfeitadas a rigor, com missangas e véu,
Seios à mostra, corpo brilhante com aspecto
                                                           Pudico.
Eles cobertos de cinza e palha na cabeça em vez
                                                             de chapéu.
É assim a cultura africana, costumes da nossa
                                                                  Terra.
A mufico passeia pelas ruas das vilas do branco.
Jovem alegre mostra assim, estar pronta para amar.
A maioria desconhece o que passou e a dor do seu
                                                                      Pranto,
Para lhe verem a cara, um presente em dinheiro vão
                                                                             Dar.
É mulher jovem, bela de alma e corpo cobiçado,
Percorre as ruas acompanhada por familiar atento.
A família feliz, procura receber o que lhe é dado,
Produto que vai aumentar o seu fraco sustento!...

Carlos Cebolo



sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Sabores e Emoções


   
                I
És meu povo minha Nação,
Esta triste realidade.
Trago Angola no coração,
E de tudo tenho saudade.

Gosto do que lá vivi,
E guardo recordações,
Dos frutos que lá comi,
Sabores e tradições.

De Angola quente e linda,
Relembro também a dor,
Que nos causou a vinda.

Deixando a terra amada,
Com o pretexto da cor,
Sem qualquer culpa formada.
               II
São grandes as emoções,
Quando se vê uma foto.
São tantas recordações,
Que provocam terramoto.

Catástrofe natural,
O que se passou por lá.
Da minha terra natal,
O bom que havia não há.

Sabores e emoções,
Torrentes amargas são,
Que ferem os corações.

Dos velhos senhorios,
Que procuram emoção,
Vendo os seus casarios.

Carlos Cebolo

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

MEMÓRIA VÃ


                     I
Fotos vão nos mostrando,
Recordam o que se deixou.
E por cá vamos andando,
Lembrando o que se amou.

Com o coração destroçado,
Lembramos a nossa terra.
Recordamos o passado,
E como Angola era.

Coisas mudadas estão,
Cidade que não se conhece,
Lembranças que já lá vão.

Cidade por nós deixada,
Da dor que se padece,
Por perder a terra amada.

                  II
Fotos que agora vemos,
Mostram a realidade.
Cidade onde vivemos,
Lembra a nossa idade.


Da juventude perdida,
Não se encontra nada.
Só sombras da nossa vida.

Nas fotos que já se viu,
A cidade destroçada,
E tudo lá se partiu.
           
               III
As recordações minadas,
Pelo tempo que passou,
São como águas viradas,
Do mar que não amainou.

Assim está nossa memória,
Reconhecer o que se vê.
E tudo ficou história,
Exposta à nossa mercê.

O que era já não é,
Nada parece igual,
Nem mesmo a nossa fé.


Por pequenos pormenores,
Se conhece o local,
Nos edifícios maiores.

Carlos Cebolo

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

REVOLUÇÃO

   
               I
Só sente quem lá viveu,
A luta mais que injusta.
Matar o que lá nasceu,
Justiça que se ajusta.

Ao terror ali criado,
Com arma na mão sou herói!
Do povo e seu mandado,
P’ra abrir feridas que corrói.

Com o medo implantado,
Conforme manda o partido,
P’ra ficar com o seu bocado.

Só com fuga em massa,
Se faz a revolução,
Controlando o que passa.
                 II
Pensar na reconstrução,
Do pais então lesado,
Construir nova nação,
Com o dom ali deixado.

Cidades sem estruturas,
Comum em toda a África,
Pensar de cabeças duras,
Tudo o que lá se passa.

Cubatas são casas belas,
De todo o povo africano.
Vivendo sempre em favelas,

Assim nascem as cidades,
Tudo com calor humano,
Fingindo felicidades.

Carlos Cebolo




sexta-feira, 30 de setembro de 2011

EMOÇÕES


               I
São coisas velhas eu sei,
A nossa recordação.
São coisas que lá amei,
E vejo com emoção.

O tempo passado, presente,
Vidas alegres vividas,
È tudo o que o povo sente,
As boas épocas já idas.

Retratos da nossa terra,
Tirados em outro tempo,
Nos lembram a nova era.

Era vivida então,
É o nosso passatempo,
Recordar com o coração.
                  II
Angola que sempre amamos,
Cidades por nós erguidas.
Têm hoje outros amos,
Albergam lá outras vidas.

Vidas sem recordações,
Da infância lá passada.
Destroem as emoções,
Que por lá foi deixada.

Verdadeiros donos ausentes,
Procuram sempre lembrar,
As fotos agora presentes.

Com tristeza no coração,
Procuram algo para amar,
Sempre com grande emoção.

Carlos Cebolo

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

AMIGOS


          
Amigo é belo tesouro,
Que aparece na nossa vida.
É fruto da nossa vivência,
Mais valioso que o ouro.
È abrigo e nossa ermida,
Guardião da nossa inocência.

Amigo virtual existe,
No espelho da nossa mente.
Para ele contamos segredos,
Sempre que estamos tristes,
Sem medir o perigo presente,
Iludindo os nossos medos.

Medos que sentimos na vida,
A todos pedimos clemência.
Procuramos recordações,
Da amizade então vivida.
No virtual e sua aderência,
Guardamos as confissões.

Confiança no amigo,
Sem grandes preocupações.
Procura-se no virtual
O nosso seguro abrigo.
Não se impõe condições!
Não se vê qualquer mal.

Carlos Cebolo

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

DESTINO TRISTE


Seu destino é ser triste
Alegre procura ser
O passado não existe
Neste seu novo viver

Seu destino é ser triste
Contraria a sua sina
O seu presente insiste
Lembrando o que o anima

Seu destino é ser triste
O fim se adivinha
O mal por cá existe

Seu destino é ser triste
Para lá também caminha
A lembrança que persiste
                II
Seu destino é ser triste
Lembrando Angola bem
Futuro que não existe
Naquele que de lá vem

Seu destino é ser triste
Recorda a boa vida
Angola já não existe
E retarda a sua ida

Seu destino é ser triste
No cantinho que é seu
Com a dor que resiste

Seu destino é ser triste
Lembrando o que era teu
O dia que de lá partiste

Carlos Cebolo




terça-feira, 20 de setembro de 2011

PASSADO MORTO



Deixaste a minha cama vazia…
No chão do meu quarto vejo a tua
                                          Pegada.
Recordo o teu cheiro a mar,
Nas tristes horas da madrugada.
Nas estrelas procuro o teu olhar…
Encontro a tua linda imagem
                               Apagada.
Alma perdida que te encontro,
Nesta minha triste desventura.
Procuro mas não te encontro,
Nos locais da nossa aventura.
Deixaste a minha cama vazia…
Sem o calor do teu esbelto
                                Corpo.
A casa quente está agora fria,
Teu corpo entregue a outro.
Encontrei paz e harmonia,
Nas lembranças do passado já
                                     Morto.
Noutra terra e clima me encontro…
Deixei a terra que é minha.
Saudades e com lágrimas no
                                   Rosto.
Oiço a bela música que me
                                  Anima.
Deixaste teu cheiro no meu
                                Corpo,
Como quem deixa um perfume.
De ti já não quero mais nada…
A tristeza apagou o meu fogo,
Da terra amada, não me resta
                                     Nada.
Recordação ou outra coisa
                              Qualquer,
Procuro o teu maravilhoso
                               Gosto,
Nos braços de outra mulher.

Carlos Cebolo



sexta-feira, 16 de setembro de 2011

QUINTAL DO RETORNADO




Canto o que me vai na alma com dor,
Lembranças de um passado glorioso.
E do desassossego da alma que sinto,
Inalando o inúmero e delicioso odor,
Das desventuras vividas sem gosto,
E das aventuras vividas não minto.

O intenso cheiro a nocha madura,
Que se sente ao descer a chela,
Lembra saudades então vividas,
Imagem que para sempre perdura,
Com um forte travo a maboque e
                                         Canela
Lembranças para sempre perdidas.

Canto a dor que sinto perdida,
Que vagueia no meu interior.
Lembro percursos percorridos,
Com uma dor há muito sentida.
Pela selecção feita sem rigor
Afastando os seus filhos mais
                                   Queridos.

Angolanos são todos os que lá
                                Viveram,
Sem distinção de cor e raça.
Brancos, mulatos e negros são,
Filhos da terra onde nasceram.
Longe da pátria vivem sem graça,
Sempre prontos a estender a mão.

Ao gosto da amora silvestre,
Procuram outros sabores.
Sabores de Angola encontrados,
De outra roupagem se veste,
Procurando os mesmos odores,
Nos quintais dos retornados.

É esta a nossa grande vivência,
Nestas terras de Portugal
Lembrar Angola para sempre,
Deixando à sua descendência,
Como triste prenda de Natal,
O sofrimento da sua gente.

Carlos Cebolo

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

PAI



Chegou a vez de fazer uma homenagem aos pais.
Infelizmente já não tenho o meu comigo.
       PAI

Pai é muralha forte,
Que eu sempre procuro,
Na hora da aflição.
É porto, abrigo da sorte,
Ao qual sempre procuro
Agarrando sua mão.

É âncora do meu navio,
Firme como convêm.
Leme leve e seguro.
É estrela com que me guio,
A quem recorro também,
Quando estou em apuro.

Pai é nome firmado,
Seguro como ninguém.
Ao mundo não quer mostrar,
O amor aos filhos dado!
Sentimento sente também,
Por tanto querer e amar.

Pai é nome que conduz,
Nas noites de escuridão.
Nome doce como o mel!
Cristo chamou-o na cruz,
Quando invocou perdão,
Para o ladrão infiel.

Meu pai é um tesouro,
Que guardo com emoção.
Sempre pronto a ajudar!
O seu apoio é ouro,
Que trago no coração!
E nunca deixarei de amar.

Carlos Cebolo

terça-feira, 13 de setembro de 2011

ANGOLA TERRA LEMBRADA (ALMA VAZIA)


              I
Deixaste a minha alma vazia,
Sinto o teu cheiro em vão.
Teu silêncio asfixia,
O que trago no coração.

Caramelo é a tua cor,
E da natureza que te criou.
Do teu corpo sinto o odor,
Da terra que tanto me amou.

Angola terra lembrada.
Como paraíso perdido,
Por nós foi muito amada.

Canto todos os horrores,
Do país muito ferido,
Só lembro grandes amores.
               II
A minha partida foi dura.
Deixei o berço adorado.
Assim fugi da loucura,
Deixando todo o passado.

Independência pediam,
Lacaios de outro lado.
Corpo e alma feriam,
Roubando todo o legado.

O horror que provocaram,
Com objectivo final!...
A opressão lembraram,

De tempos já passados.
Fazer ir para Portugal!...
Deixando bens amados.

Carlos Cebolo