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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

sábado, 3 de setembro de 2011

Benguela/Lobito





                 I
De Benguela conheço pouco,
Para falar com precisão!...
Também não sou nenhum louco,
Pois falo com o coração!...

As suas acácias em flor…
Cor vermelha por tradição!
Baia Farta é amor,
Que trago na recordação.

O bronze da sua gente,
Faz lembrar quem por lá passa,
A bela Baia Farta.

No Cubal também se vê,
Gentios e suas cubatas!...
E toda a beleza mulata.

                II
Balombo, Ganda, Bocoio,
Terras de Benguela são!...
Também andei de comboio,
Olhando cada estação.

Com paisagem tão bela,
Vi muita coisa bonita!...
Passei por Catumbela,
Vi dançar a rebita.

Moçoilas de pele morena,
Na praia com tanto calor!...
Já se sentia o amor.

E tudo valia a pena,
Ver as acácias em flor!...
Sentindo todo o odor.

                III
Chongoroi também era meu,
Destino dado por certo.
Do Cubal quem se esqueceu,
Que ficava lá por perto.

Caimbambo com sua cor,
A Benguela pertencia!...
Beleza do interior,
Aquela gente trazia…

Lobito e Catumbela,
Açúcar e sua cana
Pertenciam a Benguela

O Lobito é a maior
Paisagem Angolana,
Com flamingos em redor.

              IV
De farta tem o seu nome,
Sua beleza também.
A baia que esconde
Amores como ninguém.

Lobito terra encantada,
De beleza sem igual.
Cidade de luz amada,
Paisagem bem tropical.

Lobito linda cidade,
De Angola litoral,
Foi feito por Portugal.

Lá passou a mocidade,
Aquele que lá nasceu,
Deixando tudo que é seu.

               V
Lobito terra adorada,
O português se perdeu…
Fortuna foi lá deixada!...
Perdendo o que era seu.

Benguela do coração,
Terra de Beleza sem par.
Lobito grande paixão,
Daquele que quer amar.

Acácia em flor é linda,
Natureza no seu melhor…
Tudo é belo em seu redor.

Visita era bem vinda,
Morena de sangue quente…
Também se lembra da gente.

Carlos Cebolo



sexta-feira, 2 de setembro de 2011

BIBALA


         

A Bibala vila adorada,
Raparigas belas havia.
Mas na Lola se procurava,
O que na Vila não se via.

Caitou onde o Sol tudo assa,
A Terra de grandes calores!...
Por lá procurava a caça,
As mucubais e seus amores.

Capangombe criava gado,
O comércio era bem feito! …
E tudo o mais era lembrado.

Havia outros povoados,
Onde estava tudo perfeito!...
E por todos eram amados.

SÁ-DA BANDEIRA





                 I
Amigo, tenho saudades,
Das nossas brincadeiras
E das nossas belas cidades,
Recordo Sá-da Bandeira.

Senhora do Monte é saudade,
Cristo Rei a nossa Bandeira,
Amigo, tenho saudades,
Da nossa Sá-da Bandeira.

Da Tundavala recordo
E tudo à nossa Maneira,
Revejo Sá-da Bandeira.

De manhã, quando acordo,
E vejo o trigo na eira,
Recordo Sá-da Bandeira.

               II

D’ Arimba tenho saudades,
Do frango feito à maneira,
Amigo, tenho saudades,
Da nossa Sá-da Bandeira

Na EICAP também estudei,
Aprendi tudo à maneira,
Na piscina também nadei,
Recordo Sá-da Bandeira.

Amigo, tenho saudade
Do tempo que lá passei.
Da minha mocidade.

Vivendo à nossa Maneira
Lembro tudo que amei,
Recordo Sá-da Bandeira.

Carlos Cebolo


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

OUTRA VEZ SERÁ


   


           I
Vem de longe e traz no peito,
A dor que o atormenta,
A chuva traz a tormenta,
E tudo fica a seu jeito.

Outrora foi pioneiro,
Nas terras de outra gente.
Procura esquecer o que sente,
Pelo seu amor derradeiro.

Que em terra distante ficou,       
Com a gente do seu agrado,
Povo por si muito amado.

Aquele que muito amou
E que tudo por lá doou…
O muito que foi lá deixado.

                 II
Doou todo o seu passado,
À terra onde nasceu.
E tudo o que era seu,
Esquecendo o país amado.

De lá trouxe recordação,
Que não será esquecida.
A juventude perdida,
É dor que traz no coração.

Hoje a saudade sente,
Do tempo que lá passou.
Aquele povo que amou…

E muita daquela gente,
Saudades sentem também,
Do povo que só fez bem…

                 III

Nasceu, mas não é de cá.,
Grita o político, mal.
Pele branca veio de lá!...
Vai pois para Portugal.

África sempre foi negra,
Reclama o negro então.
É esta a nossa regra,
Podem reclamar em vão!....


As coisa que cá tinham…
São nossas coisas também!
Os bens que Angola tem.

O muito que possuíam,
Riqueza aqui deixada,
Também cá foi achada!...

            IV
Esta é a realidade,
Do povo que Angola fez!...
Assim não sente maldade
Da terra que se desfez.

O povo que lá habita,
Culpado ou inocente,
É povo que acredita,
Na falta da boa gente.

Volta que te esperamos,
Traz dinheiro e trabalha.
Traz também a tua tralha…

Por cá não há mais enganos…
O que à distância não vi…
E de tudo o que lá perdi…

Vem desenvolver a terra,
Por cá se ganha dinheiro.
Traz também um companheiro,
Constrói uma nova era.

Oportunidades cá há!...
Dinheiro temos também.
Material Angola tem!...
E tudo fica por cá.

Como por cá já deixastes,
Em tempos que já lá vão.
O que recordas então?...

O que por cá ganhaste!
Tudo ficou cá deixado.
E serás sempre tramado.


Carlos Cebolo

GRITO SILENCIOSO



Se fosse mais novo gritava,
Às musas do meu pensar,
Por terra que outrora amava
E nunca deixei de amar.
Por muito que queira esquecer,
A lembrança do meu passado,
Sinto o coração tremer,
Lembrando o que foi amado.
Se cantor fosse cantava,
As terras do Ultramar;
Lembro tudo o que lá estava,
O deserto, a savana e o mar.
A fogueira para me aquecer,
Nas noites frias do meu passado,
Sem ter nada que temer,
Por querer e ser amado.
Por tudo o que lá se fez,
Canto sempre bem alto,
Aventuras do português,
Que passou o mar a salto.

Grito sem gritar então,
Chamando pelo meu passado;
Procuro um milagre em vão,
Por muito que tenho rezado.
O grito silencioso é ouvido,
Pelas almas dos antepassados;
Enterrados no Mundo esquecido,
Por descendentes deslocados,
Sem culpa e outra opção,
Com grande dor no coração,
Lembram o familiar muito amado
Cujo corpo foi lá deixado.
E para aqui terminar, o meu grito silencioso,
Peço aqui repouso, sem ter mais o que contar.
E das terras do Ultramar, peço respeito zeloso,
E um olhar carinhoso, às campas do além-mar.

Carlos Cebolo

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

POEMA -HUÍLA -II


         

O que fiz já não foi mau,
Huíla, lembrei povoados!...
Palanca, Quihita, Jau,
Aqui também são lembrados.

Calueque, Capindo, Mongondo,
Terras que na Huíla estão!...
E o pequeno Cavilongo,
Também está no coração.

Daqueles que por lá andaram,
Fazendo a grande Nação!...
Em terras que tanto amavam.

Com orgulho e prova dada,
Nas noites do grande sertão!...
Lembrando Angola amada.

Carlos Cebolo

terça-feira, 30 de agosto de 2011

UMA PEQUENA HOMENAGEM AO PEREGRINO DE SANTIAGO (PARA OS CRENTES E NÃO CRENTES)




Caminhando sozinho ou acompanhado, o peregrino segue o seu caminho, levando consigo a sua fé, esperando encontrar o seu destino.
Pelo caminho vai rezando as orações que aprendeu e apoiado no seu cajado, procura encorajar quem a seu lado esmoreceu.
Os caminhos de Santiago são diversos, mas em todos eles se encontram lugares de poiso para descanso e uma sopa quente para o aconchego.
É a fé que faz caminhar este povo, que há muito procura louvar o que Jesus deixou como legado ao seu povo muito amado.
A cristandade está viva e para isto, contribuiu a grande força da papa João Paulo II, que em tempos controversos, fez nascer a fé em Cristo.
Esta fé é hoje vista e bastante acentuada, não só nos jovens que ocorrem em massa aos diversos eventos católicos, mas também no humilde peregrino que percorre quilómetros com o intuito de abraçar o Santo irmão de Cristo.
 São Tiago é na Península Ibérica, a força viva e o grande testemunho de Cristo redentor. È mais de que um apóstolo. É o grande companheiro de Cristo no ocidente.
Quem vai a Compostela abraçar o Santo, não se esquecerá jamais do grande amor que Ele sentia por Cristo, ao ponto de o fazer percorrer, sem qualquer recurso a meios de transporte, tão grande distância, da Palestina à Península, para difundir a sua fé.
São Tiago é com toda a justiça, o símbolo antigo do Cristianismo moderno e é, sem qualquer sombra para dúvidas, a prova de que a fé move montanhas.
A catedral de Santiago de Compostela, por si só uma verdadeira obra de arte, é também o lugar de culto que fez renascer a fé ao peregrino que chega e a todo o povo que de lá parte, regressando às suas casas.
A emoção sentida no lugar; assistir à chegada do peregrino apeado e vê-lo chorar pelo simples facto de ter chegado, é o verdadeiro prémio sentido e ganho por quem lá vai, mesmo que seja a passeio.

Quem quer vencer o diabo,
Procura lugares Santos.
Oração a Santiago,
Também tem o seu encanto.

Das terra de Vera Cruz,
Compostela é vizinha.
Santiago que conduz,
Peregrino que caminha.

De Espanha e Portugal,
As terras de povo crente!...
A fé em Deus é igual.

E dos tempos das cruzadas,
A fé ainda se sente!...
Imagens sempre amadas.

Carlos Cebolo

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

HUÍLA

Chibia, Caconda, Mapunda
Povoações com tanto encanto,
Na Huíla a cascata inunda,
A terra com todo o seu pranto.


Jamba, Chipindo, Humpata
Matala, Quilengues, Quipungo…
 E o frango assado na mata,
Temperado com o belo gindungo.

Caluquembe, Cacula, Chiande,
Tundavala, Chicomba, Cuvango…
Escreve-se com letra grande.

São terras da Huíla presente,
Assim se forma o Lubango!...
Terra fria em clima quente.

Carlos Cebolo

domingo, 28 de agosto de 2011

BIBALA



No sopé da serra da chela
Uma linda Vila surgiu!...
Bibala, és a mais bela,
Do Império que se partiu.

Mangueiras grandes em flor,
Fruta da mais variada.
Terra com tamanho sabor,
Só em Angola se achava.

Pertinho do céu se encontrava,
As gentes que lá vivia!...
E a linda terra que amava…

Lugar onde o Sol mais brilhava,
E com o grande calor que fazia,
A maldade lá não entrava.

Carlos Cebolo

MOÇÃMEDES



A noite sobe com o seu encanto,
Na cidade, a lua mostra a sua luz…
A beleza e o prazer que amo tanto,
No deserto procuro a minha cruz.

Encontro no Namibe a terra amada,
Juntando o mar ao seco deserto…
Procuro lembrança que a vida dava,
Esquecendo o regresso como certo!...

Do mar azul tiro o alimento,
Moçâmedes cidade bela.
No forte procuro a lamento!...

Daqueles que lá moravam,
Que de longe choram por ela!...
A terra que tanto amavam.

Carlos Cebolo

SERRA DA CHELA



Deixa-me ser teu amigo oh serra?!
Mostra-me a tua beleza também.
Quero fazer de ti minha terra,
E amar-te como ninguém!...

Uma capelinha erguerei,
Em tua honra, oh rainha?!
Do Monte a chamarei,
Com grande alegria minha!

Dá-me a água que a entranha tem,
Oh! Serra do meu encanto,
A fome e a sede matas também!...

Com a tua beleza presente,
Esconde bem este pranto,
Que todo este povo sente!...

Carlos Cebolo

BARRACÕES



A noite desce com todo o seu luar,
Beija o planalto com a sua doçura…
Mostra estar pronta para amar,
A terra e a gente que a procura…

No início tudo era diferente,
Gente humilde, a terra talhava…
Abriu caminhos, seguiu em frente,
Admiravam tudo que a terra dava…

Nos barracões fez sua morada,
Do Lubango a cidade amada!
E a terra fértil que admiravam!...

Criaram bois para os ajudar,
Adquiriram terra para arar! …
Fazendo o país que tanto amavam!...

Carlos Cebolo

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

JARDIM DE SABORES (FRUTA DE ANGOLA)





Olho para o horizonte e nada vejo!
Procuro sempre a terra amada.
Embora não seja esse o meu desejo,
Da janela do meu quarto vejo nada.
Os frutos que Angola dava,
Sem haver grande cultura,
Fonte de vitaminas cura,
Maleitas e tudo salva.
O sabor doce da goiaba,
O maboque e o araçá,
Frutos de Angola cobiçada,
E tudo o mais que ela dá.
O imbondeiro e a mutamba,
A manga e o maracujá,
Fontes de vitaminas ambas,
E mais algo que há por lá.
Mamão, papaia e caju,
Um mundo de sabores diversos,
Nativas de tronco nu,
Também são cantadas em verso.
Pitanga, banana, romã,
Melancia, melão, ananás,
Gente humilde, nossa irmã,
Que o tempo deixou para trás.
Anona e fruta do conde,
Parecidas até no aspecto,
Com sabor bem distinto,
Onde o odor não esconde,
Em casa ou em céu aberto,
O cheiro que ainda sinto.
Nombé, gongo e mirangolo,
São frutas no mato achadas,
Por quem a terra amou.
Mulheres com crianças ao colo,
Também eram amadas,
Por quem por lá andou.
Fruta de Angola madura,
De beleza sem igual,
Depois da doçura, amargura,
No eterno Portugal.
Mutambote fruto da espinheira,
Enquanto verde era leitoso,
De gosto quase indescritível,
Saboroso à sua maneira,
Maduro era apetitoso,
Com sabor bem incrível.
A nocha e o dendem
O tabaibo e a ginguba,
São frutos que Angola tem,
Assim como o leão tem juba.
Frutos que Angola dava
Às gentes que muito amava.
Tambarino e Nonhande
E tudo o que mais lá há
Espero que o povo mande
Alguns frutos para cá.
Nunca podia esquecer
Matipatipa e tambarino
Frutos que comia com prazer
No tempo que era menino.
Espero não ter esquecido,
Algum fruto apetitoso!
Por pouco que tenha escrito,
Lembrei sempre o saboroso.

Carlos Cebolo

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

EU


Tudo o que fui, já não sou,
Tudo o que sou, quero ser.
A política que tudo matou,
Também me fez renascer,
No país que me acolheu,
Mostrei sempre a minha fibra,
Ocupei o espaço que é meu,
Sempre de cabeça erguida,
Fugindo ao abraço do Morfeu,
Matando a besta hidra,
O anjo da morte morreu,
E abraço a vida querida.

Tudo o que fui, já não sou,
Por opção assim tomada,
Amo a terra onde estou,
Não esquecendo a terra amada.
Meus filhos são cá nascidos,
Já tenho neta também;
São estes os bens mais queridos,
Que amo como ninguém.
À descendência deixo cultura,
E tudo o que ela tem,
Um passado com muita postura
Não devendo nada a ninguém.

Carlos Cebolo




terça-feira, 23 de agosto de 2011

O Deserto e o Mar



De Moçâmedes gosto tudo
Da linda praia ao deserto
Do meu pensar pouco mudo
Por ter um destino certo
Cidade dos meus encantos
Sem nunca esconder os prantos
Da gente que lá viveu
E do amigo que desapareceu

Muitos amigos dispersos
Por todo o Mundo distante
Em Portugal e na Austrália estão
Lembrando sempre com versos
O mar e o deserto amante
Trazendo Angola no coração.

Namibe é o belo, insisto
Seu nome é uma canção.
Procuro esquecer, mas insisto
Numa bela recordação
De Moçâmedes e seu distrito,
Que trago no coração.

Do deserto seco e ardente
Recordo a linda Welwitschia
Planta exótica presente
Que só naquela terra nascia
Moçâmedes sempre consente
Elogios que então merecia
Das gente que tem por legado
Aquele belo chão sagrado.

A zebra e a bela gazela,
Habitantes do deserto.
Também foram refugiados
Deixando a terra bela,
Com um destino incerto,
Para ficarem salvaguardados
À Namíbia fugiram então
Levando Angola no coração.

Das furnas ao porto mar
Tudo tinha ligação
Só a não consegue amar
Quem não tem recordação.

Moçâmedes Mar e Março
Todos temos recordação
Para o Namibe um abraço
Com o calor do coração
Giraul e Saco Mar
Guardavam a sua entrada
Sainda para o Tombua
Também cidade amada

Porto Alexandre o nome dado
Ao Tombua com emoção
Pelo português sempre amado
Que traz Moçâmedses no coração.

Ao deserto o mar uniu
Com grande habilidade
Uma bela cidade surgiu
Mostrando haver igualdade
No deserto e no belo mar.
Colhendo a identidade.

Cabeça de Pungo Chamado
Aos habitantes da cidade
Título por nós muito amado
Não olhando à identidade
De quem assim nos chamou
Por muito que ela amou

Moçâmedes terra bendita
Fez jus à sua fama
Terra de gente bonita
Toda Angola declama.
Mulheres lindas lá estão
Gente que muito ama
Trás Namibe no coração.

Carlos Cebolo

(LUBANGO) FADO TRISTE




O meu fado é triste
Como triste é a minha sina
Lubango cidade amada
Sentido que já não existe.
Olhando de baixo a cima
De longe não vejo nada.

Da paisagem outrora verdejante,
Só vejo serra despida.
Querendo lembrar ao viajante,
Uma grande e triste despedida.
Da gente lusa agora distante,
Época áurea para sempre ida.

Lubango triste realidade
De um passado glorioso
Onde viveu o moço e o idoso
Sem olhar à nacionalidade,
Portuguesa outrora então
Procurando manter em vão
Uma outra identidade.

Da Leba e o seu encanto,
Do batuque então tocado,
Dançando a rebita antiga
A saudade virou um pranto
Lembrando a gente amiga.
Que existia em todo o lado.

Branco, negro e mulato
Viviam em harmonia
Angolano ou português
Na cidade ou mesmo ao lado
Pouca diferença fazia
O que a cor da pele fez.

O meu fado é triste
Como triste está a cidade
Por não ver o filho seu
O pouco que ainda existe
Combater a sua saudade
Lembrando o que era seu

O que era seu já não existe
Em Angola do meu encanto
Tudo foi lá deixado
O sangue angolano insiste
Com lágrimas de grande pranto

Em ser sempre lembrado

Lubango triste recordação
Lembrando Goa Diu e Damão
O povo não foi lembrado
Por quem foi sempre amado
Como grande foi a Nação
E nada ficou guardado

Se culpas houvesse então
Do Portugal colonizador
Não seria o povo amante
Com toda a sua devoção
Pagar com tanto pavor
O mal que foi feito antes

Senhora do Monte é saudade
Do povo que lá viveu
Tristeza é constante igualdade
Daquele que lá nasceu

Entre lágrimas e muitos prantos
O tempo passa a correr
Depois de corrermos tanto
Pensamos em ir lá morrer

Cidade linda do planalto
Princesa de Angola firmada
Por ti chamo bem alto
Nas tristes horas da madrugada

Por muito que se negue o legado
É este o nosso eterno fado!

Carlos Cebolo

domingo, 21 de agosto de 2011

ANGOLA AMANTE


Quem conheceu não esquece
Com grande tristeza no olhar
Quem duvida não conhece
As lindas terras do além-mar.

Português povo errante,
Acolhedor como ninguém.
De Angola fez sua amante,
Sem roubar o que ela tem.
O petróleo e os diamantes
Também lá ficaram bem,
Como bem estavam antes.

Quinhentos anos de ocupação,
Diz o mal intencionado.
Com grande riqueza natural,
Quem já não tem recordação,
Que tudo foi lá deixado,
Com a cultura Nacional.
Por quem tem bom coração,
E nunca causou nenhum mal.

Diamante, petróleo e ouro,
Tantos anos de ocupação,
Nada foi explorado.
Foi descoberto o tesouro
Guardado no coração,
E tudo foi lá deixado.

Quem assim fala não mente
Faz lembrar história antiga
Cultura como presente.
Prenda para gente amiga.

Quem a história conhece
Percebe bem o que digo.
Não é saudosismo em vão
É dor de quem padece,
Coisa que trago comigo,
Cá dentro do coração.

Ao mal dizente faço lembrar
A verdade do povo Nação
É nosso velho costume amar
E a todos estender a mão
Com princípio, meio e fim
Como manda a tradição
De quem descobriu o mar
E fez do Mundo Nação.

Povo bom e ilustre lusitano
De terras de Santa Maria
Foste dono de meio Mundo
Também aqui não há engano
Tudo é lembrado com alegria
Sem temer o mar profundo
Fazendo tudo com harmonia
Levastes novas ao Mundo.

A tua língua é o teu legado
Rico talhão de cultura lusa
Para África também foi levado
E o povo com amor ainda usa.
Lembrando tempos passados
Recordando a linda musa.

Angola foi a grande amante
Do povo que a descobriu
É amor eterno constante
Da gente que de lá partiu.

Carlos Cebolo