Acerca de mim

A minha foto
Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

sábado, 19 de novembro de 2011

HABITANTE DO DESERTO


Um vento quente do sul vem,
E com ele caminha a solidão,
Vazio penhasco que o deserto tem
Que esfria o seu coração.

Gazelas soltas ao vento,
Num constante movimento,
Procuram chamar a atenção,
De quem triste, trás o coração.

Caminha só com seu cajado,
O peregrino da Natureza,
Pisa descalço o chão sagrado,
Levando consigo uma certeza.

Encontrar o seu povo amado,
No deserto que se apresenta,
Um lugar seco e escaldado,
Que também o alimenta.

Homem da cor do Âmbar,
Musculo e pele em osso grudado,
Faz do deserto seu eterno lar
Buscando alimento ali guardado.

O Bosquimano regressa ao lar,
Com saudades da sua gente,
Foi longe conhecer o mar,
E procurar a sua semente.

O sal que da água tirou,
Semente do imenso mar,
Sabor que logo amou,
E aos seus vem agora dar.

A carne tem outro sabor,
Com a semente do mar,
À família mostrou amor,
Com este seu caminhar.

Carlos Cebolo




sexta-feira, 18 de novembro de 2011

OLHAR NO ESPELHO

    

Não sou quem penso ser!...
Olho p´ro espelho e não me reconheço.
O espelho mostra todo um padecer!...
…Figura que não mereço.
Que mal fiz para merecer
Todo este sofrimento?
No espelho, sempre um entardecer
E no meu espírito, um renascimento.
Peço respostas exactas!
Que me mostre a minha figura!
Só vejo imagens inaptas.
Não mostras a minha procura!
Que espelho és tu afinal?
Que não mostras a minha alma?
Este corpo não te fez nenhum mal!
Só a fé no futuro é que me acalma.
Se é realidade que mostras!
Não vês o meu eu profundo.
Se o que vês não gostas!...
…Mostra-me um outro Mundo!?
Não guardes só para ti,
A imagem que está escondida.
Mostra o mais fundo de mim!
Cuida bem desta alma ferida!...

Carlos Cebolo

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

VILA BONECA (Vila Nova de Seles)


Em Angola foi chamada,
De vila boneca sem par.
Seles és a minha amada,
Das terras do Ultramar.

Kuanza Sul e seu planalto,
Com palmeiras de dendem,
Mostra sempre bem alto,
O belo fruto que Angola tem.

Vila Nova de Seles era linda,
Ruas sempre em esquadria.
A visita era sempre bem vinda,
A sua bela água da pedra saia.

Antigos falavam em vulcão,
Extinto naquela paisagem!
O povo não aceitava perdão,
Duma rude vassalagem.

Lutaram pelos seus direitos,
Fazendo valer a razão!
Aos perigos ficaram sujeitos,
A uma nova revolução.

Falava-se no morro da velha,
Pedras que por lá havia.
Figura que se assemelha,
Com o que o povo queria.

Tinham fruto vermelho até.
Algodão alvo e sua semente.
Cultivavam o belo café,
Sempre com rosto sorridente.

Da palmeira tiravam dendem,
Fruto rico, de óleo são.
O subsolo turmalina tem!
Na companhia do rico zircão.

Oh! Seles minha adorada,
Vila dos meus amores,
De ti não sobrou nada,
Na luta e seus horrores.

Destruíram a bela Vila,
Erguida com muito encanto,
De ti só sobrou argila,
A ti dedico meu pranto.

Carlos Cebolo

terça-feira, 15 de novembro de 2011

PESCADOR


Pescador, que pesca tão bela
Trazes no teu batel!
Anda, arruma a vela
Leva o pescado para o hotel

O tempo p’ra pesca acabou
A tormenta forma-se ao largo
O vento não se acalmou
Tens família a teu cargo

Dinheiro precisas p’ra comer
Alimentar os teus também
Pescador não queiras morrer
Pensa em quem te quer bem

Arruma o barco, vem p’ra terra
Acalma o teu desassossego
Tens mulher e família à espera
Procura o seu aconchego

Amanhã será outro dia
De faina em grande estilo
Bem guardado está a fatia
Num mar mais tranquilo

Sossega a tua grande família
Mostrando a pesca tão bela
Com os teus partilha a alegria
Pescador da barca bela.

Carlos Cebolo





domingo, 13 de novembro de 2011

AREIA MOLHADA



Escrevi na areia molhada,
Um belo poema p’ra ti.
Veio a onda, não deixou nada,
E tudo teve o seu fim.

A praia das miragem é bela,
Como bela é a minha amada.
Na areia procuro o rasto dela,
Mas dela, não encontro nada.

A minha juventude perdida,
Foi em Angola deixada.
Melhores anos da minha vida,
Junto com a minha amada.

Meu amor da adolescência,
Vem-me sempre à memória,
São frutos da consciência,
E de uma bela história.

História de amor vivido,
Junto a areia molhada,
Escrevi um poema querido,
Dediquei-o à minha amada.

Veio a onda lavou tudo,
Despedaçou meu coração.
Sem a musa fiquei mudo,
E por isso peço perdão.

Carlos Cebolo




sábado, 12 de novembro de 2011

CASTANHA

         

No S. Martinho prazenteiro
Come-se castanhas assadas
Prova-se o vinho primeiro
P’ra esquecer vidas passadas

Castanha assada na brasa
Quentinhas e cinzentas são
Comidas na rua ou em casa
Aquecem o meu coração

Se apanhar alguma bichada
Não ligue, é castanha boa
A castanha já vem prendada

Bichada é mais saborosa
É fruto d’um insecto que voa
Ovos da borboleta formosa

Carlos Cebolo

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

DESILUSÃO

       

No silêncio da noite bela,
Olho as estrelas no céu.
Procuro o retrato dela,
Para o juntar ao meu.

Guardá-lo no coração,
Lugar mais quente achado,
Com medo da desilusão,
Por ela, não ser amado.

Receio mais que fundado,
Na triste vida vivida,
Em tempos foi acusado,
Por uma ideia atrevida.

Procurar o ser amado,
Numa outra dimensão,
Sonho por ele sonhado,
Sem pensar na ilusão.

Ilusão sempre vivida,
Quando se trata do amor,
Sentimento por medida,
Causando uma grande dor.

Procura amar o incerto,
Mesmo que seja distante.
O não tem-no por certo,
O sim, procura constante.

Carlos Cebolo



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

AÇÚCAR DE ANGOLA





Que coisa boa eu comi,
Feito de açúcar pilé!
Açúcar da cana que colhi,
Mesmo aqui ao pé.

Angola era rica assim.
Terra quente e doce também,
Dava açúcar para o festim,
Em Catumbela como ninguém.

Cassequel era sua fábrica,
Um das que Angola tinha,
Destruíram a terra rica,
Acabaram também a linha.

Caminho-de-ferro de Benguela,
Transportava a bela cana,
Descarregada em Catumbela,
Na grande fábrica lusitana.

Pungo Andongo reclama ela,
Nestes tempos mais modernos,
A fama que tinha Catumbela,
Nos tempos p’ra sempre eternos.

O açúcar da tentativa no Caxito,
Foi destruído também.
O cubano nunca tinha visto,
Bela cana que cuba não tem.

Com o medo da concorrência,
Destruiu todas as plantações,
Em Angola por conveniência,
Por ordem dos seus patrões.

Cuba não tinha visto no Mundo,
Ameaça tão grande arrasar,
A sua economia de fundo.
E deu ordens para queimar.

Carlos Cebolo






terça-feira, 8 de novembro de 2011

HOMEM VELHO


             
                  I
Pelo caminho, cabeça baixa,
Vai o homem velho tristonho.
Na cabeça leva uma caixa,
No peito traz o seu sonho.

Com ele caminha a noite,
A escuridão desce com ela.
Procura abrigo que o acoite,
Dos perigos da selva bela.

O homem velho tem fome!
Já não come há muito tempo.
No peito algo que o consome!...

Procura na caixa o que comer,
Tira as coisas com gesto lento,
Sua mão não para de tremer.
                  II
Homem velho caminha só,
Seu destino está traçado.
Por ele ninguém sente dó,
Na juventude foi amado.

Mulher e filhos deixou,
E toda a sabedoria,
No quimbo que armou,
Utilizando a sua mestria.

Faz caminhada para a morte,
Costume antigo do seu povo!
Sabe que tem de ser forte.

O pai ensinou o caminho,
Que conhece desde novo!...
Destino em morrer sozinho.


Carlos Cebolo

(Léxico Anglano)
- Quimbo- Sanzala- Povoado rural

sábado, 5 de novembro de 2011

TIRANIA


         

Noite escura de lua nova,
As estrelas brilham no céu,
Mostrando todo o seu esplendor.
È uma dura prova!...
A Jovem segura o seu véu,
Vai ao encontro do seu amor.
Um relâmpago rasga o céu!
Ouve-se um trovão à distância!
O rapaz caminha com passo apressado!
Preocupado, aperta na cabeça o chapéu.
Andar de chapéu, é hábito que trás de criança.
Isso e o bornal, são coisas do seu passado.
O seu namoro não é bem visto!
É pobre, não tem um tostão!
Mas trás muito amor no coração.
Combinou com o seu amor, a fuga.
Está nervoso, mas confiante.
Pelo futuro sogro não é benquisto.
Vêem na fuga a única saída.
Confiante, segue adiante.
A jovem caminha preocupada,
Por conhecer a tirania do seu pai.
Encontra o seu amado na noite escura!
Entre abraços e beijos, a loucura!...
Ouve-se um estrondo.
O barulho não é de trovão.
A jovem, nos braços do amado, cai.
Atingida por uma bala mortal,
Disparada pelo seu próprio pai.
Numa loucura descomunal,
O jovem procura um destino igual.
Tira a navalha que trás no bornal,
Espeta-a no peito sem dar um ai.
Cai junto ao corpo da sua amada
E juntos prosseguem na caminhada.

Carlos Cebolo

PASSARINHO MADRUGADOR



Passarinho canta de madrugada,
Seu canto ecoa bem alto no ar.
Ele vem anunciar a alvorada,
Na quente noite de grande luar.

O dia lindo já vai nascendo,
Procuro sossegar o coração.
A noite longa está morrendo,
E tu deixaste a recordação.

Recordação do nosso amor,
Quando juntos olhamos a lua,
Procurando sentir o seu calor,
Numa imagem minha e tua.

Pergunto à lua pelo teu amor,
Ela responde-me com o silêncio!
No seu luar reflecte a minha dor,
Do tamanho do céu imenso.

Pergunto às estrelas por ti!
Respondem-me com brilho e cor.
Interrogam-me porque te menti,
Se por ti é grande o meu amor.

Respondo com grande convicção,
Mentir por amar não é pecado,
Procuro ganhar o seu perdão,
E esquecer o meu passado.

O passarinho agora não canta!
Pois o sol já vai nascendo.
O calor do dia encanta
E a flor vai florescendo.

O nosso amor renascido,
Fortalece a minha mente,
Junto do jardim florido,
Transpiro amor ardente.

Carlos Cebolo

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

MINHA SEREIA

        

A onda do mar rebenta serena,
Na praia espraia o seu encanto.
À luz do luar, numa noite amena,
Oiço os corais e o seu belo canto.
Na areia molhada procuro algo!...
Penso encontrar a tua pegada.
Uma silhueta ao longe, um sobressalto!
Esbelta, caminha serena, na noite calada.
A minha alma pula de emoção!...
A esperança em te encontrar é enorme.
No meu peito bate forte o coração,
Enquanto a onda do mar, na praia morre.
Olho fixamente o belo horizonte,
Procuro descobrir quem caminha.
O vento lateral gela-me a fonte,
A sereia da praia não é a minha.
Desiludido retorno a incessante busca,
Na areia molhada, um vulto sentado.
A luz da lua brilhante me ofusca!
Será o vulto que vejo, o meu bem amado?
Fixo o olhar esperançado.
Vejo o vulto com alguém ao seu lado.
Aproximo-me confuso, alarmado!...
Encontro apenas alguém com o namorado.
A noite caminha para o seu fim,
Na areia da praia caminho só.
No meio das dunas oiço por fim,
Um choro triste que mete dó.
Reconheço o choro no meu coração,
È a minha sereia, tenho a certeza!...
Corro p’ra ela a pedir perdão.
Olhos em lágrimas, cabelos soltos,
Que imagem forte com tanta beleza.
Agradeço aos céus com todo o coração,
Aperto-a nos braços e beijo-lhe o rosto.
Levo a minha sereia pela mão,
Afago seus cabelos, enxugo as lágrimas.
Aperto-a forte, junto ao coração,
Esquecendo de vez, todas as mágoas.

Carlos Cebolo




quinta-feira, 3 de novembro de 2011

MÃE NEGRA


        

No arimbo semeia o milho,
Espera a chuva chegar,
Enquanto embala o filho,
Que no seu colo está a mamar.
Amanha a terra com mestria,
Com o filho preso à cacumda,
Mãe negra também partilha,
A tristeza mais profunda.
Aguarda o milho crescer,
E que o tempo lhe traga a chuva.
Arranca a erva doninha,
No meio do milho a nascer,
Sempre com a coluna curva.
A criança com fome chora,
Mãe negra para o acalmar,
Mete-lhe a mama na boca,
Procurando-o alimentar.
O filho nas suas costas fica,
Calado a tentar chuchar,
O leite que a mãe não tem
Nas mamas para lhe dar.
Na cubata não o pode deixar,
O tempo ao arimbo dedica.
Ao filho não deixa de amar,
E junto a si sempre fica.
Nas costas da mãe dorme,
Sem ter onde ficar!...
A criança agarra a bica,
E a mama da mãe consome,
O leite que está a acabar.
O milho cresce por fim,
Farinha a mãe vai ter,
Para fazer o belo festim,
P’ro filho que o vai comer.
Pirão feito na panela,
De barro feito à maneira,
Com frango de cabidela,
À sombra da grande mangueira.
Mãe negra prepara a quinda
Com produtos do seu arimbo,
Na cidade é sempre bem-vinda
Procuram produtos do quimbo.

Carlos Cebolo

       (Léxico Angolano)
-Arimbo – terreno de cultivo
-Cacunda – costas
 -Pirão – pudim feito de farinha de milho
-Quinda – cesto artesanal feito de erva (Capim)
-Quimbo- Sanzala-Povoado

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

ACÁCIAS RUBRAS



Com acácias rubras em flor,
Lindos jardins de várias cores,
Benguela cidade amor,
Também possui outros amores.

Baia farta é seu lar,
Praia moreno o altar,
Um casamento p’ra durar,
Para quem procura o seu par.

É assim a nossa Benguela,
A cidade do Litoral.
É entre todas a mais bela,
Rainha na Terra natal.

Cidade jardim de Angola,
Beleza das acácias rubras,
Benguela e a sua flora,
Paraíso com suas musas.

Carlos Cebolo

NÉVOA

             

Ao fundo, no horizonte vejo
E sinto a névoa chegar.
Procuro acalmar o temor,
Achando alguém para amar.
Vem! Traz-me o desejo!...
Alimenta o meu sofrer.
Procuro num beijo teu,
Todo o espírito sossegar,
Como a brisa ao mar deu,
Alento para espraiar.
Sente o meu corpo no teu,
Aprecia o belo luar!
A linda lua não se moveu,
Esperando nos ver amar.
Abraça-me forte, não temas,
As minhas belas carícias!...
As ondas também são amenas,
Quando rebentam no mar,
Fazendo as suas delícias.
Deita-te comigo, sossega!...
Não tenhas medo de nada.
Espera a minha entrega,
E uma noite animada,
Nos braços do ser amado,
No amor nada se nega,
Segue em frente na caminhada,
Não receies o passo dado.

Carlos Cebolo

terça-feira, 1 de novembro de 2011

SONHO TRISTE

    

Sonho contigo!...
Peço perdão.
Perdão por não te acariciar;
Perdão por não te beijar;
Perdão por não te amar,
Com imensidão.
Teus lábios carnudos e ardentes,
Tocam os meus docemente,
Sem hesitação.
Teus beijos húmidos e doces,
Tocam o coração.
Acordo, sem acordar!...
No meu sonho dourado, procuro
Amar.
Toco o meu corpo no teu,
Os lábios nos teus seios firmes.
Paixão!...
…Sim, sinto paixão pelo teu
Desejo.
Como louco, procuro-te no meu
Leito.
Não te encontro a meu lado,
Desespero!...
Com frio, estou todo suado!...
Olho p’ro céu estrelado e procuro
O teu olhar sincero.
Suspeito.
As estrelas nada me dizem!...
Não te encontro e nada sabem,
A teu respeito!
Pergunto à lua por ti, mas!...
Silêncio.
Também aqui, não te encontro.
No meu sonho já não te vejo!
Acordo.
A minha cama está vazia
E o teu perfume não existe.
Desejo!...
Aflito, procuro o teu contacto.
Tacteio com a mão o teu lugar.
Está vazio!...
Acordo na minha cama sozinho.
Desfeito.

Carlos Cebolo

terça-feira, 25 de outubro de 2011

ALMA ERRANTE

      
 
Queria voltar mas não posso
Por ver Angola como está
Sem a alma e sem cheiro nosso
Com outra gente que lá há

Gente que por lá não nasceu
Mas vieram de outras bandas
A alma de quem lá morreu
Não descansa e por lá anda

Sem luz para a orientar
A alma se sente perdida
Sua longa busca incessante
Só termina na despedida
Feita com o povo amante.

Carlos Cebolo

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

AVESTRUZ


        

Avestruz porque corres tu!
Por esse deserto sem fim?
Não és nenhum canguru,
Para corres assim!...
No deserto és rainha,
E vês o tempo passar.
Angola também é minha,
Linda terra sem ter par.
O deserto do Namibe,
É terra p’ra se amar.
O cunene lá se exibe,
Na sua corrida p’ro mar.
Avestruz acompanha a corrida,
Com suas penas ao vento,
Por lá procura a comida,
Com o seu olhar atento.
Procura também o povo,
Que em tempos lá viveu,
Encontrar gente de novo,
Como no tempo que nasceu.
O povo já lá não está,
Para lhe dar de comer,
Do pouco que há por lá.
Procura sobreviver,
Com o que o deserto dá.
Sabe o que tem a tremer,
Se o povo não voltar,
Para o deserto reviver.
Sem mais ninguém p’ra amar,
A avestruz vai morrer!...

Carlos Cebolo


AMOR IMPOSSÍVEL



Gostar gosto, mas não posso
Gostar,
De quem gosta, sem poder
Amar.
São teias que o destino tece,
Nas quais, não podemos
Mandar.
Ter o destino traçado,
Cumprindo todo um passado,
Com mil promessa feitas
Num altar.
O presente é assim desenhado,
Sem esperanças de ser amado,
Num lindo futuro que procuro
Achar.
Que destino cruel me foi legado,
Que mal fiz, para merecer,
O triste caminho agora traçado,
Para amar?
Não posso amar, quem quero,
Mas posso gostar, só por
Gostar.
O amor que sinto será eterno,
Guardado numa vitrina só para
Olhar.
Este triste fado, gostar sem poder
Gostar,
Amar eu amo, sem poder
Amar!...

Carlos Cebolo

sábado, 22 de outubro de 2011

SONHO

       


         

Quando sonho contigo
Amor!
Vejo-te aqui ao meu lado.
Teu corpo esbelto emana
Calor!
E sinto o que me é dado,
Com todo o teu amor.
Peço perdão!
Perdão por não te acariciar,
Perdão por não te beijar;
Perdão por não te amar,
Com sofreguidão.
Teus lábios carnudos e ardentes,
Tocam os meus docemente,
Sem hesitação.
Teus beijos húmidos e doces,
Tocam o coração.
Acordo, sem acordar!...
No meu sonho dourado,
Procuro amar!
Toco o meu corpo no teu.
Meus lábios nos teus seios firmes,
Com paixão!...
…Sim, sinto paixão pelo teu
Desejo.
Como um louco, procuro-te no meu
Leito.
Não te encontro a meu lado!
Desespero!...
Sinto frio, mas estou todo suado.
Olho p’ro céu estrelado,
Procurando o teu olhar
Sincero.
As estrelas nada me dizem.
Não te encontram e nada sabem,
A teu respeito.
Pergunto à lua por ti mas!...
Silêncio.
Também aqui não te encontro.
No meu sonho já não te vejo!
Doe-me o peito.
A minha cama está vazia
E o teu perfume não existe.
Desejo!...
Aflito, procuro o teu contacto.
Tacteio com a mão o teu lugar.
Está vazio!...
Acordo na minha cama sozinho.
Desfeito!...

Carlos Cebolo

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

PARAÍSO



             

O contraste da terra vermelha
Com o céu azul,
Associada a uma flora verdejante,
Fazem de África uma beleza
Sem Par.
É assim a minha Angola.
Vista no Sul.
Três tons fortes da natureza,
Que contrasta com a beleza
Do imenso mar,
Mostram toda a beleza
De um País.
O cheiro doce da terra molhada,
Num dia de chuva com Sol,
Condiz,
Com a beleza de mil cores
Do arco-íris que no céu azul
Desponta.
Tudo foi feito à medida,
Por quem o Mundo criou
Como quis.
Talhou o planeta à sua maneira
E confronta,
Angola com o seu paraíso.
Quem ficou a ganhar?
Sem muito pensar, pensa feliz.
De tudo eu vou gostar, mas Angola!
Angola é para amar.
O homem nasceu em África,
Não foi por acaso.
Foi Deus que assim o quis.
Escolher Angola para paraíso
De Adão e Eva, criou o belo
Caso.
Meteu serpente pelo meio,
Castigo.
Por tentarem destruir o paraíso.
Sua descendência de lá saiu,
E o paraíso foi lá deixado.
Abandonado.
Gente lusa o descobriu então,
Fez da terra o seu legado,
E deixou lá o coração.

Carlos Cebolo