Acerca de mim

A minha foto
Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

CORPO DE MENINA



Teu olhar agudo me fascina,
Provoca em mim uma ansiedade.
O teu esbelto corpo de menina,
Faz-me desejar a eternidade.

Ter asas e não poder voar,
Para alcançar um sonho meu,
Teu belo corpo poder amar,
Beber o néctar que em ti nasceu.

Gosto do sabor do teu fresco beijo,
Maracujá com travo a gengibre,
Sentir o calor do teu desejo

Gosto do teu jeito de menina,
Acabar com tudo que me inibe,
Amar o que em ti me fascina.

Carlos Cebolo

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

CIÚMES

           

No silêncio da noite escura,
Passo silencioso à tua porta.
O diabo do ciúme escuta,
Detalhes que a poucos importa.
Vejo-te nos braços de outros,
Vendes o corpo para sobreviveres,
Vejo-te morrer aos poucos,
E isto é a causa do meu sofrer.
Há muito que te vejo passar,
Rua acima, rua a baixo sem fim,
Minissaia que convida a amar,
Convite a um belo festim.
Secretamente no meu silêncio,
Amo-te sem nunca te dizer.
Espero que chegue o momento
E ter coragem para o fazer.
Passas por mim sem olhares,
Nem dás pela minha presença,
Procuras outros para amares,
Ou apenas fazes presença.
Dos homens que contigo se deitam,
Apenas queres o necessário dinheiro.
Teus carinhos, teus beijos aceitam,
Não importa quem seja o primeiro.
Meu ciúme aumenta dia após dias,
Sem ter coragem para te falar.
Podia dar-te a vida que merecias,
E na rua não teres de andar.
Quando passo por ti, vejo o teu desdém,
Não olhas para mim, não tenho cor.
Aos teus belos olhos não sou ninguém,
E por isso vendes o teu amor.
Hoje passei por ti, senti o teu perfume,
Olhaste para mim e deste-me um beijo.
Um gesto que não é teu costume,
Mas sempre foi o meu desejo.

Carlos Cebolo
            

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

CAVALO DE VENTO



Sou cavaleiro sem cavalo,
Procuro a minha donzela,
Para o coração sossegar.
Levo comigo um regalo,
E a flor mais bela,
Que alguém possa ofertar.
No aconchego do meu quarto,
Monto o cavalo imaginário,
Que nem Quixote valente,
E contra vendavais parto,
Ataco o meu armário
E tudo que encontro pela frente.
Doido?
Não!...
Apenas um sonho sonhado,
Num sono profundo inacabado.
No meu sonho vejo claro,
A donzela não é mulher!
É o país que me foi dado,
E tudo o que lá houver,
Que lembre a minha infância.
Juventude por lá perdida,
Paisagem então esquecida.
Lanço o cavalo veloz,
Procuro encontrar a vida,
Mas o povo não tem voz.
Meu povo sofre,
Por falta de liberdade!?
Eu também sofro,
Por conhecer a realidade!...
Meu cavalo atravessa nuvens,
Leva-me no seu galope,
Minha lança penetra rochedos,
Chamo-te e não vens,
Luto com a própria morte,
Libertando os meus segredos.

Carlos Cebolo

domingo, 8 de janeiro de 2012

SAGRADA VÉNUS

     

Estava uma linda noite de lua cheia,
Fios de prata batiam nas ondas
E reflectiam a tua imagem na areia,
Como se fosse a tua própria sombra.
Imagem da cor do marfim,
Com cabelos cor de âmbar
Parecia sorrir para mim,
Convidando-me a amar.
Corri para ela e não te vi,
Procurei-te no areal e no mar,
Perguntei à lua por ti!?
Sem resposta para me dar,
Iluminou-me com o seu luar.
Uma estrela cadente surgiu,
No céu limpo a correr sem fim,
Um vulto no horizonte emergiu,
Correndo e gritando por mim.
Corri para ela com loucura,
Abracei-a com a força do desejo,
No seu abraço senti ternura,
Selando o encontro com um beijo.
Doce paixão sentida,
Com minha amada nos braços,
Deitados na areia da praia,
Recuperei a vontade perdida.
A estrela cadente voltou,
Com a sua luz cintilante.
A lua no céu parou,
Iluminando aquele instante.
Óh Vénus sagrada do Olimpo!
Aceito com agrado a tua oferta!
Todo o amor que por ela sinto,
Deixou-me a mente mais aberta.
Venero-te óh rainha do amor,
Pelo prémio que me ofereceste.
Acalmaste toda a minha dor,
Com o amor que me concedeste.

Carlos Cebolo



sábado, 7 de janeiro de 2012

ESCRAVO DO AMOR


No silêncio do meu terraço,
Vejo a lua no céu escuro.
Redonda,
Brilhante,
Olho para ela.
Sinto um enorme desejo.
Tremo.
Os meus receios
Se confirmaram.
Uma paixão sem limites,
Faz de mim escravo
Deste amor doentio.
Desta imensa dor,
Que sinto no meu peito,
Como se fosse um encantamento.
A lua chama por mim.
Chora!...
Despe-me com o seu luar,
Faz de mim um jardim
Plantado a beira-mar.
Teu perfume doce e suave,
Sufoca-me.
Enlouquece todo o meu ser,
Aumenta a minha libido,
Energia boa e quente
Percorre o meu corpo.
Arrepia-me a pele.
Se a morte fosse assim?
Que bom seria morrer!...
Morrer nos teus braços
No teu leito quente…
Dentro de ti meu amor!...

Carlos Cebolo

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

SENTIMENTOS ESQUECIDOS



Minha vida baloiça ao vento,
Como cana verde de pouca raiz.
O vento forte é um tormento,
Protege-me na tua matriz.

Terra pisada, caminhos idos,
Passos firmes, areia solta,
Sentimentos esquecidos,
Passado que já não volta.

Tudo é apenas um momento,
Terra, ar, água, fogo e fado,
Está tudo em movimento.

Amor, ternura, desejo, paixão,
Sentimentos com gosto amargo,
Fazem as tábuas do meu caixão.

Carlos Cebolo

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

SONHANDO CONTIGO



No meu irrequieto sonho vejo!
A dormir, parece que estou acordado.
Uma pétala a voar ao sabor do vento,
No seu rodopiar, escreve a palavra beijo.
Um presente na memória guardado,
Lá bem no fundo, no meu pensamento.
A pétala transforma-se em flor,
Uma linda rosa da cor do mar.
Olho para ela e sinto a dor,
Que atormenta o meu sonhar.
A tua ausência recordo então,
Lembrando a inocência perdida,
No momento do encantado condão,
Da varinha da fada querida.
Ilusão!...
Não te vejo deitada ao meu lado.
Vejo no teu lugar, a minha cama vazia,
Nos lençóis o teu cheiro grudado,
Sem o calor que outrora sentia.
Desilusão!
Acordo sem acordar,
No silêncio do meu quarto,
Em cima do velho pechiché,
Vislumbro o teu lindo retrato
E a minha foto, logo ali ao pé.
Recordações!...
Recordo os belos tempos passados,
Teu carinho, teu amor, tua presença,
São momentos que recordo com agrado.
Fazer do amor sentido, uma crença.
Custa-me aceitar a tua partida,
Nego o destino como traçado,
Procuro organizar a minha vida,
Recordando o belo tempo passado.
Sonho triste que me deixa suado.
Acordo com um grande sobressalto,
Vejo-te serena, deitada ao meu lado.
Sossego o meu espírito esgotado.

Carlos Cebolo





quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

TRISTEZA NO MEU ANOITECER



Gosto de ti,
Do teu carinho,
Do teu amor.
Do modo como me amas,
Tua entrega em mim…
Minha luz, meu caminho,
Minha dor na tua dor!...
Não te enganas.
A esperança,
A alma,
A dor,
O amor.
Sinto na tua lembrança,
Na noite calma,
O teu odor,
Na minha pele, a tua cor.
Desespero!...
Sufoco, só em pensar
No meu perder.
Espero
Ardentemente o teu olhar,
No teu amanhecer.
Gosto de ti,
Do teu caminhar,
O teu sorrir,
No meu sentir.
Olhas para mim,
Vejo no teu olhar,
O medo do teu mentir.
O não, a querer ser sim,
Sem poderes,
Por outro compromisso teres.
Tristeza!...
Teu olhar denuncia a tua dor,
A tua vontade de viver.
Certeza,
Não tenho certeza,
No meu anoitecer.

Carlos Cebolo



terça-feira, 3 de janeiro de 2012

ÚLTIMO BEIJO

       

Junto o meu triste pensar,
Ao horizonte da minha alma.
Procuro conjugar o verbo amar,
Na prolongada noite calma.
Na linha do horizonte não te vejo!
Teu sorriso procuro achar,
Nas águas revoltas do meu mar.
No doce sabor do teu beijo,
Procuro o teu olhar.
Teu corpo quente recordo,
Entre os lençóis da minha cama,
No triste momento em que acordo.
O meu corpo, o teu suor reclama.
Sonho!...
Sonho acordado contigo.
No horizonte encontro teu rosto,
Molhado com minhas lágrimas.
Os traços de saudades contido,
No doce sabor do meu gosto,
Recorda o teu último beijo.

Carlos Cebolo

DESEJO

                 

Desejo!...
Todos os meus sentidos ficam alerta.
Não sou dono do meu pensar.
Sinto meu corpo tremer,
Sempre que me deito a teu lado.
Teu corpo quente toca o meu sonhar.
Teu seio firme preenche a palma da minha mão,
Sinto a dureza dos teus mamilos,
Que despertam em mim estranhas sensações.
Desejos!...
Teus lábios quentes,
Carnudos,
Tocam os meus.
Fico louco!
O calor que sinto,
Subir por todo o meu corpo,
Dá-me uma enorme sensação.
Prazer intenso.
Desejo ardentemente teu corpo,
Entrar dentro de ti,
Sentir o teu doce envolvimento.
Como o rio violento que corre veloz,
Acalmando a sua fúria atroz,
Quando penetra no mar,
Também eu assim me sinto,
No meu desaguar.
Descanso!...

Carlos Cebolo


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

MIRAGEM



Sonhei que era menino,
Um sorriso de encantar,
Brincava alegre sozinho,
No areal juntinho ao mar.
Imaginava uma caravela,
Iluminada pelo belo lua,
Uma beleza que era só dela.
Prontinha para amara,
Na praia do meu sonhar,
Trazendo o amor com ela.
De repente o sonho se esfuma!
Apareces em bikini amarelo.
Surgistes no meio da espuma,
Com um sorriso doce e belo,
Que de momento me fez esquecer,
Tudo o que por ali fazia.
Senti todo o corpo tremer,
Por ver o amor que trazias,
À praia da minha miragem.
Tudo o resto se esvaneceu!
Preparei-me para a viagem,
Na caravela que desapareceu.
Procurei-te nas ondas do amar,
Nas dunas do grande areal,
Não te encontrei para amar.
Sossegar meu instinto animal,
Com cio por companheira,
Para partilhar a intensa dor,
Com alguém que também queira.
Partilhar este grande amor,
É sonho eterno pensante,
Sem pensar, sonhando,
Delírio de fiel amante,
Por quem está amando.
Viver um belo instante,
Nos braços do grande amor,
Afaga essa pequena dor.
Sonhos! São sempre sonhos!...
A dormir ou acordado,
È o voar do pensamento,
Que ao homem lhe é dado,
Com presente do momento.

Carlos Cebolo



sábado, 31 de dezembro de 2011

ESPERANÇA



Vamos todos ter esperança,
O ano par é bom agoiro,
O vento que traga a mudança,
E que o ano seja de oiro.

É nisto que eu quero crer,
A fortuna que o povo cri,
Servir para poder vencer,
A crise que já vai tardia.

Para bem longe de Portugal,
Deixar a Europa da união,
Onde causou imenso mal.

Que a Tróia esteja de saída,
E que nos peça muito perdão,
Por ter perturbado a nossa vida.

Carlos Cebolo

ENGANOS E DESENGANOS

           
 ENGANOS E DESENGANOS
   (Uns versos para reflexão neste final de ano)

Dia cinzento de chuva, querem impedir a minha ida.
Procuro um outro conforto, no meio que me rodeia
E em tudo o que procuro, aguardo a tua vinda.
A chuva gelada que me molha o rosto, não me impede
De ver ao longe a tua silhueta, esbelta e alegre.
A esperança renascida no meu coração, afaga a minha dor
E relança nele, a lembrança do meu grande amor.

Esperançado, escrevo teu nome na areia,
Procuro na linda praia todo o conforto.
A sereia que no meu sonho ilustra o teu lindo corpo,
Mostra bem, a semente da discórdia que semeia.
E tu? Musa dos meus encantos que adivinhas o pensamento,
Todo este meu sofrer, sem sofrer, por sofrer este momento?
Toda esta triste desventura cobres com o teu belo canto,
Procura com o teu cantar, acalmar este meu pranto.

A sereia que bem conhece a alegre melodia de encantar,
Encanta com o seu maligno cantar, os pobres corações
Dos aventureiros que iludidos, procuram amar.
A bela canção que lhes provoca lindas recordações,
Não deixa de ser mentira informal e ratoeira mortal,
Para quem se deixa embalar numa ilusão então sentida,
Na esperança do seu grande amor, encontrar outro igual,
E na enganadora sereia encontrar a pessoa querida.


Carlos Cebolo


sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

DESFLORADA



As pétalas da minha flor,
Dei-te com muito agrado,
Arrancaste uma a uma sem dor,
Descobriste o meu pecado.
A flor desflorada ficou,
Sem pétalas perdeu a cor,
Seu bom perfume exalou,
Direito ao lindo beija-flor.
Beija-flor leva o meu néctar,
Entrega-o ao meu amado,
É um bem que ele vai gostar,
Se quiser ser meu namorado.
Voa, voa, belo beija-flor,
Vai àquele país distante,
Procura por lá meu amor,
Faz este meu dia radiante.
O dia ainda está cinzento,
O inverno é um frio cortante,
Aquece este doce momento,
Faz do inverno, verão constante.

Carlos Cebolo




quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O MEU PULSAR

     

No silencio da noite escura,
Oiço o teu suave caminhar.
Buscas uma vida que é tua,
Neste eterno borbulhar.
Tua imagem vislumbro na noite,
Na praia dos meus encantos,
À espera que a maré volte,
E traga com ela os teus prantos.
Desse Mundo de ilusão,
Pegadas na areia em vão.
Procuro para me orientar,
Para tomar uma decisão,
E poder voltar a amar.
Teus lábios ardentes procuro,
Para acabar com este tormento,
Fazer luz, neste mundo escuro,
E viver o belo momento.
No silêncio da noite calada,
Espero a alvorada chegar,
Não quero pensar em nada,
Que me faça depois chorar.
Aguardo o teu belo olhar,
Como a luz da lua brilhante,
Que molda o teu esbelto corpo,
Dando brilho ao diamante,
Para te servir de conforto.
Guardo o teu belo retrato,
No armário do meu pulsar,
È uma peça de fino trato,
Que me lembra o teu olhar.
O meu pulsar trago no peito,
Como se fosse uma fina-flor,
Que se cuida com muito jeito,
Guardando lá todo o amor.
No pulsar tenho recordações,
De tudo que algo me diz,
Juntamos os dois corações,
E vivemos um momento feliz.

Carlos Cebolo



terça-feira, 27 de dezembro de 2011

INCUMPRIMENTO

    
                    I
Foi pedir à Senhora da Graça,
Que lhe dê uma protecção.
Para vencer a sua desgraça,
Trazendo paz ao seu coração.

A desgraça que lhe foi dada,
Por não ter cumprido a promessa,
Que fez à sua namorada,
Depois que a deixei à pressa.

Prometeu voltar em breve,
Com promessa de casamento,
Mas da sua promessa fez greve.

Arrependido então ficou,
Por tão rude esquecimento,
Ter deixar quem muito amou.
                    II
Senhora da Graça ouviu a prece,
Que fez com grande devoção.
Concedeu aquilo que merece,
Ao malandro que não tem perdão.

Voltou à capela o infeliz,
Renovando a sua promessa.
Prometeu tudo o que quis,
A Santa não foi na conversa.

Uma promessa de casamento,
Feita num altar sagrado,
É promessa de sentimento.

A namorada confia então,
E aceita com muito agrado,
A promessa de um coração.

Carlos Cebolo


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

DESGOSTO



Um canto,
Uma flor,
Um perfume,
Doce pranto,
Ciúme!...
Teu cheiro respiro.
Respiração profunda,
Suspiro!...
Desejo teu corpo esbelto.
Força invisível,
Mantém por perto,
O som do teu pranto.
Sensível…
Tua mão tremula aperto,
Vejo o teu encanto.
A flor que trazes no peito,
Visível.
Doce carícia.
Toco teu rosto,
Limpo a lágrima teimosa,
Sentes-te perdida.
Pensamentos profundos,
Assaltam a tua mente
Formosa.
Paixão ardida,
Retoma a chama.
Viajar por outros Mundos,
Uma aventura somente.
Teimosa!...
Alma vencida,
O corpo reclama.
Na imensidão do teu ser,
Uma canção pedida a gosto.
A flor que não queres ter.
Outro desgosto!...
Esperança de uma aventura,
Que te traga ternura.
Respeito!...

Carlos Cebolo

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

BORBOLETA

          
Por mim passou uma borboleta,
Com o seu ondular colorido,
Poisou na rosa, jasmim, violeta,
No malmequer do jardim florido.
Borboleta porque voas assim,
Sem destino certo pensado?
Não vês que provocas em mim,
Lembranças do meu amado?
Meu amado p’ra guerra foi guerrear,
Deixando-me aqui sozinha,
Sem ter alguém para amar,
Que triste sina a minha.
Traz-me o perfume da rosa,
Do malmequer e do jasmim!...
Óh minha linda mariposa,
Tem um pouco pena de mim.
Leva-me nas tuas asas,
Para junto do meu amado,
Procura em todas as casas,
Notícias do meu passado.
Lembras-me com o movimento
Que fazes com o teu voar,
As ondas do mar no silêncio,
Da noite de belo luar.
Da praia distante que ficou
No mundo que já foi meu,
Do tempo que já passou,
E o momento que não morreu.
Minha terra amada distante,
Não me atormentes assim.
Teu chamamento constante,
Ainda dá cabo de mim.
A guerra que nos separou,
Não foi tão ruim assim,
O meu amado voltou,
E já está junto a mim.
Obrigado borboleta linda,
Por me fazeres feliz assim!...
Mesmo longe da terra querida,
Não te esqueceste de mim.

Carlos Cebolo



quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

INVERNO


        
                   I
O manto branco cobre a serra,
O inverno chegou por fim.
Trás a beleza que se espera,
E alguém que gosta de mim.

Trás um cachecol vermelho,
No seu pescoço moreno.
Um casaco de pele de coelho,
Cobre o seu corpo sereno.

Procuro no seu rosto um olhar,
Com um convite sedutor,
Que me dê esperanças de amar.

À noite no calor da lareira,
Entrego-lhe o meu amor,
Sonhando a noite inteira.
               II
De manhã ao acordar,
Com ela nos meus braços,
Procuro de novo amar,
Cobrindo-a com os casacos.

A lareira quase apagada,
Diminui o calor do quarto.
O calor dos corpos agrada,
A quem não se sente farto.

A bela neve lá fora cai,
Mantendo tudo branquinho.
O quente sol no alto já vai!...

Procuro o meu amor deitado,
Acordo-a com muito carinho,
Nos lábios um beijo dado.

Carlos Cebolo


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

VOAR COM O PENSAMENTO



Queria voar com o pensamento,
Conhecer as mágoas do Mundo.
Viajar ao sabor do suave vento,
Conhecer o lugar mais profundo.
Fazer do universo meu eterno lar,
Procurar nova definição de amar,
Ver se a pobreza é toda igual,
Se em qualquer lado há Natal.

Queria viajar em todos os tempos,
Poder saborear os belos momentos.
Pensar que no Mundo não há fome
E em todo o lado a criança dorme,
Com a barriga cheia de alimento,
Amado com verdadeiro sentimento.

Viajar ao sabor do vento sem destino,
Continentes, mares, países conhecer,
Levando a palavra do Deus menino,
Dar a boa nova a quem dela carecer.
Mostrar que a esperança aqui reside,
No coração de quem, com ela vive.

Nos lugares que no sonho visitei,
Vi em todos, pobreza desigual!
Na China, no Japão tudo amei,
Na Europa, no ocidente há Natal!
Na Índia e em África então chorei,
Pobreza como esta não há igual.

A pobreza em África mata crianças,
Que não pediram para nascer.
Procuram pão com grandes ânsias,
Matar a fome para não morrer.
Queria fazer do Mundo o eterno Natal,
Em todo o lado não haver qualquer mal.

Carlos Cebolo




segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

LIVRE ARBÍTRIO

       

Nesta data que se quer festiva,
Sinto a minha alma com tristeza.
Aguardo com ansiedade a missiva,
Que faça da minha dúvida certeza.

Se o Criador existe na divindade,
Criada por nós humanos,
Então que fomente a verdade,
Na mentira que nós criamos.

Poder, justiça injusta criada,
Nos meandros da roda-viva,
Igualdade há muito adiada,
Nos seres com a mesma dádiva.


Olha por nós óh Senhor da verdade!
Corrige urgente a vil injustiça,
No Mundo que criaste com igualdade.

O livre arbítrio por Ti criado,
Para praticar a Divina justiça,
É um presente inalcançado.

A mente humana é perversa,
Contra os teus ensinamentos vai,
O livre arbítrio é só conversa.

Para quem procura o poder,
Contra os ensinamentos do Pai,
E ao diabo não quer temer.

Carlos Cebolo





EMIGRANTE PORTUGUÊS



Querem levar um pouco de nós
Ao Mundo que descobrimos
Lembranças dos nossos avós
Com tudo o que sentimos

Emigrante da minha terra
Obrigados a sair do país
Por cá só encontrar miséria
E governantes de mau cariz

Os homens que te governam
Sem tino e patriotismo
Pena de ti não tiveram
Mas aceitam o teu conformismo

Deixaste a pátria afinal
Para viveres com dignidade
Longe da terra natal
Sentindo grande ansiedade

Deixastes as coisas que tens
Em Trás-os-Montes ou no Minho
Das beiras e Alentejo vens
E do país levas carinho

Para as terras do Mundo foste
Sempre de cabeça erguida
Com trabalho fizeste a sorte
Para voltar à terra querida

Mostrar as novas ao Mundo
Como anteriormente fizeste
Cruzar mares e abismo profundo
Por terras e deserto agreste

Da Austrália ao Canadá
Em África ou não Japão
Emigrantes que por lá há
Trazem Portugal no coração.

Carlos Cebolo



sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

DEUSA DO AMOR



Meu corpo feito de água,
Não gosta da chuva fininha.
No inverno cheio de mágoa,
Foge da neve que se adivinha,
Pede aconchego dum abraço,
Procurando um fogo que é teu.
E sem qualquer embaraço,
No teu Mundo se aqueceu.
Procuro o amor que senti,
Ao colar meu corpo ao teu,
As sensações que então senti,
Num fogo que não ardeu.
Pedi à deusa mais do que devia,
Afrodite chorou por mim,
Por não me dar o que lhe pedia,
Fazer do teu não um belo sim.
A deusa com pena de mim,
No teu corpo então entrou,
Fez do teu não o desejado sim,
E o meu corpo acariciou.
Despiu a túnica vermelha,
Que trazias sobre o corpo,
Ao meu lado se ajoelha,
Dando-me um belo conforto.
Teu corpo nu me fascina,
Olho teus olhos sem pestanejar,
Toda a minha alma se ilumina,
Com o amor que vejo no teu olhar.
Na noite fria de lua cheia,
Com o fogo da lareira a crepitar,
Sinto o sangue ferver na veia
E o coração pronto para amar.
O inverno torna-se ameno.
Vislumbro em ti o eterno altar,
Formado pelo teu corpo moreno.
À deusa dirijo minhas preces,
Ciente do seu grande valor,
Ela despe as minhas vestes,
E amamo-nos com todo o amor.
Lá fora a chuva parou,
Contemplando o sonho meu,
A lua cheia também chorou,
Fazendo do meu encanto o seu.
A Zeus, cobriu com um véu,
Ocultando-o com toda a perícia,
P’ra Afrodite subir ao céu,
Escondendo a sua malícia.

Carlos Cebolo

FELIZ NATAL


(Desejo aos meus amigos e amigas um Bom Natal)
    FELIZ NATAL

Um sonho feliz sonhado,
Com carinho e muita paz,
Com um sentido integral.
Com pão e carinho somado,
E tudo o que formos capaz,
Neste eterno Natal.

Que deixe de haver sofrimento,
Das crianças que vivem o momento,
Com grande dor e opressão,
Numa imensa solidão,
Sem qualquer alegria,
Por lhe faltar companhia.

Que o Deus menino nascido,
Nas palhinhas entre animais,
Lhes traga o bem merecido,
Ter pão, amor e muito mais,
Ter esperança e recíproca amizade,
Num Mundo de fraternidade.

Se todos nascemos iguais,
Num Mundo que nos é querido,
Que todos os dias sejam Natais,
Lembrando o menino nascido,
Que nos ensinou o perdão,
Utilizando o coração.

Carlos Cebolo


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

MEMÓRIAS


      

Quando era miúdo, pensava!
Que tudo se resolvia então.
Bastava arranjar uma desculpa,
Para obter um perdão.
Uma fisga no bolso dos calções,
Pedrinhas redondas no bolso,
No pensamento recordações,
Dum tempo que se vivia solto.
O ponteiro do tempo não parou,
A vida seguiu em frente,
O tempo passado não voltou!
A idade é agora presente.
Na penumbra do meu quarto
Oiço as horas passar,
Corpo presente, alma solta.
Tudo que no pensamento guardo,
Acordado não quero lembrar!
A dormir o passado volta,
Lembrando o meu legado,
No silêncio do meu quarto.
Dedos ágeis tangem as teclas,
Do Kissange que oiço tocado.
Som que recordam mesclas,
Que lembram a terra amante,
Mistura de sangue constante.
Vêm-me à memória montras vagas,
Terra vermelha em caminhos pisados,
Planos ou terminados em fragas.
Rios, vales e montes imaginados.


CARLOS CEBOLO
Léxico Angolano
Kissange – Instrumento musical