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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

quinta-feira, 22 de março de 2012

O QUE É O AMOR?

    
 O QUE É O AMOR!...
             22/03/2012

Tristeza que por vezes aparece do nada,
Consome a nossa alma sem dor!...
Espero a resposta que não foi dada,
À pergunta feita sobre o amor.

O que é o amor afinal?
Se é dor e sofrimento atroz!
Não quero sofrer desse mal,
Ao Mundo ergo a minha voz.

Amar apenas por querer amar,
Poder amar, sem querer sofrer!
É ter pernas e não poder andar.

Ter sexo sem receber amor,
Sofrer por muito bem-querer,
È querer viver sem sentir dor.

Carlos Cebolo

quarta-feira, 21 de março de 2012

PRIMAVERA NEGRA


PRIMAVERA NEGRA
         21/03/2012

Vejo lá muito longe,
Mas aqui bem perto,
Crianças com fome e sede,
Remexendo o lixo já revirado,
Onde a vida se esconde.
Crianças velhas de tenra idade,
Vidas cruzadas com a morte,
Procuram aplacar a dor,
Vivendo no inferno a realidade.
Mães a morrerem de fome,
Procuram o filho alimentar,
Com leite que a criança já não consome,
Por nada ter para chuchar.
Esqueletos andantes pisam a terra,
Por entre olhares de tristeza infinita,
Comem fezes dos animais,
Procuram a primavera.
O que a vida lhes tem negado,
Viver como parasita,
Seria muito menos doloroso,
Do que humano amaldiçoado.
Triste humanidade vivida,
Contraste de um Mundo cão,
Uns, primavera florida,
Outros, não têm pão.
Carlos Cebolo



PRIMAVERA

             

 PRIMAVERA
                21/03/2012

  
Primavera estação tão bela e florida,
Mata-se o velho para nascer a menina,
Nova vida na Natureza é então erguida.
As árvores florescem, o amor se reanima,
Acaba o Inverno estação menos querida,
Nasce a primavera com nova adrenalina.
O velho Mundo se renova na esperança,
As aves andam num corrupio frenético,
Ao ver surgir nova vida, nova esperança.
Flores a encher o ar com odor aromático,
Mostram um tempo de grande abundância.
Também o homem se renova nesta estação.
O pêndulo do tempo parece querer parar,
A testosterona sobe os níveis da sedução,
E todos ficam prontos para poderem amar.
Por todos os lados vêem-se aves a acasalar,
Poetas recordam as musas do imenso mar,
Amantes procuram velhos e novos amores,
Colorindo a vida com o que podem dar,
Esquecendo o inverno e as suas dores.
Óh! Que estação tão benéfica para a vida!?
Doce e linda Natureza assim florida,
Renova o corpo, anima a espírita alma,
E eu lembro-me de ti minha querida.
Lembro-me de Angola terra quente,
Da vida sempre em constante movimento,
Das alegrias que por lá foram vividas,
E de tudo que ainda hoje, o coração sente.

Carlos Cebolo

terça-feira, 20 de março de 2012

PRADO VERDE



PRADO VERDE
       20/03/2012

Prado verde, verde prado,
Porque és tão verde assim?
Se queres ser do meu agrado,
Traz o meu amor para mim.
Procura no teu verde a sedução,
Aplaca com a tua cor a minha dor,
Trás paz ao meu sofrido coração,
Faz-me viver outro grande amor.
Encontra a musa dos meus sonhos,
Trá-la para junto de mim,
Para beijar os seus lábios risonhos,
E ser feliz como tu, assim.
Prado verde, verde prado,
Teu manto macio é seda fina,
Que embeleza o meu olhar,
Deixando-me assim apaixonado,
Por essa tua bela cor divina.
Ofereces o teu colo para amar;
Acoito teu amor no meu pecado,
Traçando a minha velha sina,
No teu coito procuro amarar,
Deixando o coração sossegado.
Prado verde, verde prado,
Tua cor é maravilha,
Renova a vida adormecida,
No teu seio o Sol brilha,
Prometendo uma bela vida.
Deitado junto ao meu amor,
No teu verde e macio manto,
Beijo seus lábios com fervor,
Mostrando que a amo tanto.
Ela responde-me com carícia,
Seus dedos percorrem meu corpo,
Com o seu toque de malícia,
Deixando-me como um louco.
Prado verde, verde prado,
No teu seio fazemos amor,
Loucos de tanta paixão,
Protegidos pela tua bela cor,
Que alegra o meu coração.
Teu verde vivo e brilhante,
Mostra a beleza da primavera,
Trazendo a todo o amante,
O amor que tanto espera.
Carlos Cebolo






segunda-feira, 19 de março de 2012

PAI


         
         PAI
       19/03/2012

O nome que vem do pai,
Não é nosso afinal!...
É nome que connosco vai,
Até ao destino final.
Foi herdado com carinho,
De geração em geração
Para nos ensinar o caminho,
Amando com o coração.
Pai é salvador permanente,
Semente da flor que nos criou,
É protecção sempre presente,
No mundo que sempre amou.
Pai,
É orientação,
Fortaleza,
União,
Apoio com que conto,
Sem qualquer condição.
Ser pai é ser presente,
Nas boas e más horas,
É estar sempre pronto,
Embora pareça ausente,
Aparecer quando choras.
É ponte,
É porto seguro,
Abrigo constante,
Faça luz ou esteja escuro,
É presença incessante.
Pai!
É força,
Segurança,
Certeza,
Afirmação.
É nome sagrado em escrituras,
Proclamado com rei,
Pintado em muitas figuras,
A quem também orei.
Pai,
É progenitor,
Criador,
Amor escondido.
Força da natureza,
Lembrado na hora da aflição,
Um amigo querido.
Com ele tenho a certeza,
De alegrar meu coração,
Com toda a clareza,
Neste Mundo sofrido.

Carlos Cebolo

domingo, 18 de março de 2012

LUA

              
               LUA
              15/03/2012

Quatro fases tem a lua,
Que brilha no céu terreno.
Lua nova é sempre escura,
Vê-se as estrelas no seu pleno.
Quarto crescente a lua aparece,
Um pouco envergonhada,
Vai mostrando enquanto cresce,
Toda a beleza encantada.
Lua cheia é o delírio constante,
O Momento esperado para amar,
Procurado pelo eterno amante,
Que se inspira com o seu luar.
Quarto minguante é desilusão,
De quem perdeu o momento,
De oferecer seu coração,
Mostrando o seu sentimento.

quarta-feira, 14 de março de 2012

LUAR

       
 LUAR
      14/03/2012

Numa noite de luar,
Junto ao rio que corre calmo,
Sereno fico a pensar,
Enquanto leio um belo salmo.
O que me diz a leitura?
Não sei, mas a alma sente.
E eu vejo sem sonhar,
O que o meu espírito consente,
Por muito te querer amar.
Que angústia sentida na emoção,
De te poder ali abraçar,
Juntar o teu, ao meu coração,
Aproveitando este imenso luar.
Luar lindo luz prateada,
Da lua cheia no seu zénite,
Para sempre será lembrada,
No amor como um convite.
Convite sem qualquer cor,
Olhando apenas à condição,
De amar sem provocar dor,
Seguindo sempre o coração.
Entre um homem e uma mulher,
Sexo por sexo trocado,
Colhendo o que nele houver,
Formando um elo encantado.
Amor, por amor dado,
Sem qualquer interesse final,
Ficará para sempre guardado,
Não vindo daí qualquer mal.
Entre amantes não é pecado,
Sentir uma atracção carnal,
Pelo sexo oposto amado,
Comum a qualquer mortal.

Carlos Cebolo



terça-feira, 13 de março de 2012

RECUSA PASSAGEIRA

  

RECUSA PASSAGEIRA
           13/03/2012


Vejo-te no meu profundo sonhar,
Toco-te com o véu do pensamento,
Procuro espaço para te poder acariciar,
Acabar com este triste momento.
No meu respirar sinto o teu perfume,
Suave como a brisa em alto mar,
Da minha pele tiro sensações,
Que alegram o meu triste despertar.
Acordo transpirado!...
A meio da noite, sem poder dormir,
Vou à janela para me refrescar,
À minha volta tudo parece ruir,
Triste por não te poder amar.
Procuro no céu uma esperança tua,
Com as estrelas cintilantes do firmamento,
Esperando o aparecimento da Lua,
Para testemunhar este triste momento.
A lua aparece com o seu belo luar,
Animando esta triste solidão,
Provocada pelo teu desinteresse,
Na longa noite que disseste não.
A tua recusa muitas vezes constante,
Ao meu estro quase desesperado,
Mostra a frágil conjuntura presente,
Num amor há muito já fragilizado.
Teimosamente procuro negar o facto,
Recordo com carinho os bons momentos,
Vividos num alegre próximo passado,
Activados por tão belos sentimentos.
No crepúsculo da manhã ainda estou acordado,
Ideias e tormentos, passam no pensamento,
Voltas e viravoltas na cama desesperado,
Procurando acalmar este triste tormento.
À lua, procuro pelo sentimento,
Que julgo guardado no teu coração,
A lua responde-me com o silêncio,
Apelando ao meu eterno coração.
O incorporal desejo presente,
Não deixa de ser o constante cansaço,
De um descanso diário ausente,
Sem querer fazer de mim palhaço.
Digo à lua com persistência,
Irado com tal situação,
O amor no casamento é essência,
De uma fiel e pura união.
Não gosto de ser recusado!
Não se recusa amor a ninguém!
É sentimento que deve ser dado,
Com o calor que o coração tem.
A lua pede-me para ter calma,
Sossega o meu pobre e sofrido coração,
Seu luar ilumina a mente e a alma,
Aceitando toda aquela situação.
A falta de saúde é passageira,
Logo estará tudo normalizado,
Compreende a tua companheira,
E mais tarde ficarás recompensado.

Carlos Cebolo

sexta-feira, 9 de março de 2012


SALA DE ESPERA

Quem espera, desespera,
Lá diz o velho ditado.
A Terra não é esfera
O tempo não é achado

Não se pode ter pressa
Quando se vai ao médico
Não é um salão de festa
Nem um lugar alérgico

Onde se cuida a saúde
Com as salas sempre cheias
Não se vê outra atitude
Que não seja a sobranceira

Não se pode exigir muito
Duma função adquirida
Neste ou num outro Mundo
À frente está sempre a vida.

A pausa para o café
A meio do turno dada
È cumprida com a fé
De quem a todos agrada

O doente que espere
O seu mal não é de morte
É doença que não fere
A vida nem sua sorte.

Carlos Cebolo



quinta-feira, 8 de março de 2012

MULHER


(Com um grande beijo para todas as Mulheres/Meninas e Meninas/Mulheres)
MULHER
08/03/2012
És o côncavo e o convexo,
Pétala esquecida e sofrida,
Do Universo lido em verso,
Ser perfeito que produz vida.
Filha,
Mãe,
Esposa,
Amante,
Mulher do Mundo perdida,
Em lágrimas de sangue sofrida,
Nem sempre compreendida.
És encanto,
Sedução,
Doçura,
Fortaleza erguida na união,
Fruto que comanda a vida,
Cálice da salvação.
És mulher!...
Forte,
Ousada,
Preparada,
Lágrimas e risos vertidos,
Ternura em todos os sentidos.
Ser forte e delicado,
Símbolo da vida,
Paixão.
Geras no teu ventre amado,
Sempre com grande emoção,
O fruto nem sempre esperado.
Amas como ninguém,
O Mundo que te rodeia,
Amarguras sentes também,
E nada te assemelha.
Teu cálice invertido;
Dá forma ao útero sagrado,
Fonte da eterna vida,
Onde guardas o ente querido,
Semente do teu amado.
Alegria sempre sentida!...
És mulher!
Fonte,
Inspiração,
Natureza ardente e sofrida,
Flor de estufa,
Frágil,
Sentimental,
Desprotegida,
Amada e nem sempre apreciada.
Valorosa,
Ardente,
Desesperada,
Por sentires o apoio ausente,
Nas horas de aflição,
Que o próprio Mundo consente.
És mulher!...
Simplesmente

Carlos Cebolo




terça-feira, 6 de março de 2012

VOLÚPIA

VOLÚPIA
                  06/03/2012

Uma estrela brilha no teu olhar,
No espelho da tua alma, vejo-te nua,
Coberta por uma névoa que vem do mar,
Iluminada pela triste luz da lua.
Vejo-te em vulto, sombra, aflição!...
Sem te poder abraçar e beijar,
Procuro seguir-te na escuridão,
Sem que te consiga alcançar.
Para me oferecer o seu coração,
Tua alma por mim se põe a chamar!
Oiço mas não te vejo.
Estás oculta por manto de noite escura!
Sigo tua voz com esperança,
Levo comigo o elixir que te vai curar,
Atravesso a escuridão com confiança,
Na ânsia de te poder encontrar.
Deitada num manto de seda pura,
Encontro-te envolta numa névoa de volúpia.
Chamas por mim com desejo ardente,
Massajo suavemente as tuas coxas nuas,
Salpicando teu corpo com o elixir da vida,
Extraindo o amor que em ti se sente,
Sossegando o espectro que te enraivecia.
Acalmo a minha dor e a tua,
Sacio-me com o mel do teu corpo,
Por ti oferecido com mestria.
Meus lábios selados nos teus com um beijo
Sorvendo todo o teu desejo,
E a vida que me oferecias.

Carlos Cebolo

domingo, 4 de março de 2012

CHEIRO DE ÁFRICA


CHEIRO DE ÁFRICA
         04/03/2012
           

África tem cheiro doce,
Cheira a terra molhada e a mar,
Terra vermelha, como se sangue fosse,
Aturdindo o meu pensar.
Cheiro sentido com emoção,
Tão forte que nos faz chorar,
È cheiro que afaga o coração,
Só por nele poder pensar.
Quem nunca sentiu o cheiro de África,
Quem nunca amou, apenas por amar,
Não sabe se vai ou se fica,
Não sabe ao que cheirar.
Dentro do continente belo,
Destaco com grande emoção,
Angola o verdadeiro elo,
De uma grande união.
Negro, branco ou mestiço,
Angolanos por nascimento,
Mostram ao mundo o lado artístico,
De um povo com sentimento.
Clima bem tropical,
Praias que provocam inveja,
Em Angola tudo é natural,
Como tudo o que por lá se veja.

 Carlos Cebolo
(Aproveitando uma bela frase do amigo Vítor)

sábado, 3 de março de 2012

ALMA GÉMEA


ALMA GÉMEA
             03/03/2012


Quero talhar-te à minha medida,
Fazer de ti a minha outra metade.
Criar o espelho da minha vida,
Onde guardarei toda a verdade.

Cavar o côncavo do meu coração,
Para guardar a tua bela imagem,
Como uma grande recordação.

Fechar com o teu belo convexo,
Para te prestar vassalagem,
Construindo o nosso universo.

Minha alma gémea perfeita,
Farei de ti minha querida,
O amor que não se rejeita,
Na existência da nossa vida.

Carlos Cebolo

O SEMBA

             
   SEMBA
                 02/03/2012

No meu tempo dançava-se a rebita,
Ao som do merengue cantado,
Música de Angola que se acredita,
Ser de Semba agora chamado.
Trocaram o nome à bela música,
Tocada pelo grande David José,
O povo agora também modifica,
O nosso célebre arrasta o pé.
Dançado no bairro operário,
No Caxito e seus arredores,
Dançava sem qualquer horário,
O povo e senhores doutores.
Merengue rebita tocado,
Por Minguito e seus pares,
É também agora chamado,
De Semba com outros ares.
Tem outros nomes também,
Como Kizomba e Kuduro,
Que no prenda se cantava bem,
Onde o jovem estava seguro.
Nasceu Massemba, Umbigada,
Referido por Carlos Burity,
Com o samba fez a jornada,
Das raízes que perdi.
Ao Mundo apareceu então,
Com cantores da nova Era,
O semba do meu coração,
Que da escravatura também viera.
Canta amores como ninguém,
Juntou europeus e africanos,
Têm sangue quente também,
São chamados de Angolanos.
Pele morena mostra a figura,
Do sangue assim misturado,
Nasceu uma grande loucura,
E o Mundo ficou admirado!
Como dentro de uma cubata,
Nasceu a linda mulata,
Que o semba agora dança.
O movimento sexy moldou,
A vida e a grande confiança,
Na dança que encantou,
O Mundo na grande mudança.

Carlos Cebolo



TEU AMOR

  
   TEU AMOR
         01/03/2012

No lago do meu chorar,
Feito de lágrimas tardias,
Corre o rio para o mar.

Leva consigo minhas mágoas,
Fazendo delas maresias,
Revoltando as tristes águas.

O rio de água salgada alva,
Que dos meus olhos tem saída,
São lágrimas que tudo lava,
Demorando a tua partida.

Comovida sei que ficaste,
Com o meu soluçar triste,
Minhas lágrimas secaste,
Com o amor que em ti existe.

Corre o rio para o mar,
Sereno no seu trajecto,
Faz inveja ao belo luar,
Que ilumina o céu aberto.

Ter a lua por conselheira.
Numa noite de verão,
Não há melhor companheira,
Que alegre o meu coração.

Poder ter-te ao meu lado,
Na noite dos meus encantos,
É o melhor presente dado.

Acalmar a dor do meu amor,
Abraçar-te em todos os cantos,
Poder amar sem sentir dor.

Carlos Cebolo


LUGAR SAGRADO


  LUGAR SAGRADO
           29/02/2012

Menina põe o véu na cabeça,
Que estás em local sagrado.
É costume antigo, não esqueça,
O que te ensinou o antepassado.

Era costume na minha terra,
Em tempos também passados,
Sinal de respeito se espera,
Nos templos agora vagos.

Por culpa de grande mudança,
Feita pelo homem então,
Para aumentar a esperança.

A esperança que se perdeu,
Mesmo para pedir perdão,
Ao familiar que já morreu.


Carlos Cebolo

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

GOTAS DE ORVALHO

   
  GOTAS DE ORVALHO
                   22/02/2012

Gotas de orvalho salpicam o meu rosto,
Na noite fria, o desejo do momento,
Lembranças e anseios trazem desgosto,
De um Mundo em constante movimento.
Saudades sentidas!
Dias irrequietos vividos com alegria,
Passados em estranhos desafios constantes.
Vidas esquecidas!
Saudades lembradas e vividas em harmonia,
Flashes que na memória trazem instantes,
De uma vida que não se quer ausente
E que nos traga a juventude então perdida,
Da realidade que estará sempre presente.
Ilusões, utopias transformadas em realidade,
Nas vidas interrompidas por quimera malvada,
Fazendo perder os melhores anos da mocidade,
Tornando velhos, toda aquela rapaziada.
Anos perdidos!
Vidas erguidas numa outra realidade,
Destinos traçados e retraçados sem seguro,
Ajudaram a perder, aprendendo com a idade,
Uma nova forma de construir um futuro.
Hoje, recordam com eterna saudade,
O que poderiam ter sido e feito,
Se não houvesse tanta maldade,
E se tudo tivesse sido de um outro jeito.
Gotas de orvalho salpicam o meu rosto,
Formando lágrimas que rolam pelo chão,
São lágrimas causadas por um desgosto,
Que me aperta tristemente o coração,
Lembranças da juventude e da terra amada,
Deixada com uma enorme condição,
Com promessas constantemente adiadas,
De um dia poder abraçar o seu irmão,
No país onde nasceu e viveu a mocidade,
Com ilusões, desilusões e amores ardentes,
Vividos sempre com grande moralidade,
Dos bons costumes e tempos ausentes.

Carlos Cebolo


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012


CARNAVAL

Festejava-se o carnaval,
Com mascaras e sedução,
No calor da noite invernal,
Irrompeste pelo salão,
Com um traje de odalisca.
Vinhas linda e quase nua,
Sem te importares com o frio.
Os ponteiros do relógio andaram,
Soaram as badaladas da meia-noite.
A festa tinha chegado ao seu apogeu
E como num conto de fadas,
Sabias que a noite tinha sido tua.
Mostrastes toda a tua sedução.
Todas as mulheres de invejaram
E aos homens tornaste afoite
E o meu olhar em ti se perdeu.
A linda máscara que trazias,
Tapava-te parte do rosto,
Cobrindo a tua identidade.
Traiu-te o teu batom habitual,
Que eu tão bem conheço.
Olhei para os teus olhos encobertos
E vi-te como se vê a lua em céu aberto.
Olhaste para mim e sorriste.
Sentiste o desejo dos homens em ti
E a dor do que padeço.
Meus sentimentos por ti descobertos,
Levaram-te a dar-me o presente certo.
Deste-me um beijo e fugiste.
Atrás de ti corri
E iniciei assim o começo,
De uma vida atribulada,
Sempre à procura do calor dos teus beijos,
Na noite fria estrelada,
Para acalmar os meus desejos.
Encontrei-te por fim!...
Cobri o teu corpo com o meu casaco,
Sorriste para mim!
E aceitaste o meu abraço.
No carnaval da tua loucura,
Encontrei o grande amor.
Amor que ainda hoje dura,
Fazendo jus ao teu valor.

Carlos Cebolo

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

       
   INSÓNIAS
         15/02/2012

No aconchego da minha cama,
Quando as insónias aparecem
Sem qualquer aviso presente;
Tempos esquecidos que se reclama,
Anseios e tormentas que se esquecem,
Dum passado que se quer ausente;
Aparecem do nada trazendo desilusões,
Lembranças da minha juventude,
Caminhos cheios de velhas ilusões,
Vividas com uma outra atitude.
Recordo Angola, Vilas e cidades,
Estrelas, caminhos e ruelas esquecidas,
Do belo país que se perdeu,
Ganhando uma outra liberdade
Na prisão de mentes ressequidas.
Com sono e sem poder dormir,
Procuro um motivo que dê sentido,
Algo que me faça discernir,
Este triste destino consentido.
Triste destino que não planeei,
Mas que por alguém me foi oferecido,
Para deixar a terra que sempre amei,
Sem ter um futuro garantido.
Os culpados desta triste loucura,
De uma descolonização com muitos riscos,
Criaram toda esta péssima aventura,
Com o intuito de ficarem ricos.
Muitas vidas inocentes se perderam,
Em nome de uma revolução,
Rios de sangue que correram,
Gritos de morte que se tornaram canção.
Um povo que lutou pela liberdade,
Do jugo opressor da escravatura,
Ganhou uma outra nacionalidade,
Na escravatura que agora perdura.
Do outro lado da grande Nação,
Lacaios tomaram o belo poder,
Governam sem ao povo dar a mão,
Ficam ricos sem se perceber.
Ao povo dizem que ganhou a liberdade,
Libertos do velho ditador e senhor,
Que por sinal já tinha morrido com a idade,
Mas antes governou Portugal com amor.
No país onde nasceu e que tanto amou,
Deixou um grande valor monetário,
Que entregou a quem contra ele lutou,
E a quem ao povo chamam otário.
Cabe ao povo fazer a diferença,
De quem governou e morreu pobre,
Daquele que agora dita a sentença,
Aparece pobre e de riquezas se cobre.

Carlos Cebolo




terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

CUPIDO - DIA DE S. VALENTIM


     
      CUPIDO
      14/02/2012
     
Cupido meu amigo
Lança a tua flecha do amor
Na direcção do meu pedido
E acaba com esta eterna dor
Atinge o coração da minha amada
No dia de S. Valentim
Espero por uma graça dada
E que tenhas pena de mim
Procura um amor verdadeiro
Que traga alegria ao meu coração
Disparo a teu arco certeiro
Lança a flecha com precisão
Valentim santo popular
Cupido da nova vaga
Tem muito amor para dar
Consola amantes como paga
Se um dia houvesse somente
Para ao Mundo se impor
Seria o dia de Valentim presente
O eleito para festejar o amor
Amar com o coração ausente
Um sentimento incompreendido
Valentim é o santo presente
No mês para o amor escolhido
Fevereiro é o seu nome
Catorze o dia escolhido
O desejo que tudo consome
Nem sempre é o mais querido
Não há medida para o amor
Nem idade para se amar
Criar asas como o condor
Sair do ninho e poder voar
Sentir o desejo na união
Sexo, erotismo e amor
Em tudo existe um senão
Que pode provocar grande dor
Chamam-lhe o dia do namorado
Criado com intuito comercial
O amor não é dado nem achado
E a sorte não vê qualquer mal
S. Valentim milagroso
Une amantes no seu dia
É um santo duvidoso
Que amar não merecia
Amores e ódios constantes
Na roda vida das vidas
São sentimentos de bons amantes
Nas tristes horas sentidas
S. Valentim salvador
Do amor incompreendido
Vem acalmar a minha dor
Traz-me o amor merecido.

Carlos Cebolo


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

MACIAS DUNAS

        
MACIAS DUNAS
                13/02/2012

Hoje a lua nasceu luminosa,
Surgiu por cima das ondas do mar,
Ao meu lado estavas radiosa,
E eu feliz por tanto te amar.
É a véspera de S. Valentim,
Amanhã é o dia dos namorados!
Quero-te sempre perto de mim,
Para este dia ser sempre lembrado.
Peço à lua bênção para o nosso amor,
A Vénus a sua eterna protecção,
A brisa lenta intensifica o teu odor,
O perfume suave acelera o meu coração.
Encosto a minha cabeça à tua,
Sinto o bater dos nossos corações,
Ambos olhamos para a linda lua
E perdemo-nos em belas recordações.
Tua pele macia me fascina,
As estrelas brilham no firmamento
E a luz da lua nos ilumina,
Celebrando este belo momento.
Quando S. Valentim chegar!...
Depois das doze badaladas nocturnas,
Estaremos juntos para celebrar,
Fazendo amor entre as macias dumas.

Carlos Cebolo

sábado, 11 de fevereiro de 2012

FELICIDADE

     
  FELICIDADE
            11/02/2012

Quisera eu ser feliz,
Voar nas asas do vento,
Sentir e cheirar as flores,
Viver um grande amor.
Quisera eu ser feliz,
Acariciar o teu lindo corpo,
Viver todo o belo momento,
Por te ter aqui ao meu lado.
Quisera eu ser feliz,
Aprender e ler sensações,
Poisar os meus lábios nos teus,
Acariciar a tua doce pele,
Aquecer os nossos corações.
Quisera eu ser feliz,
Não pensar somente em saúde,
Dinheiro e amor,
Procurar obter outras recordações,
Que aparecem com a bela idade,
Pensar também na felicidade.
Quisera eu ser feliz,
Afagar todas as tuas lágrimas,
Meter nos teus lábios um sorriso,
Sem prometer a eternidade,
Acabar com as tuas mágoas.
Quisera eu ser feliz,
Suportar o peso da idade,
Aprender com o teu amor,
Com inteligência viver a vida,
Procurando a felicidade.
Quisera eu ser feliz!...

Carlos Cebolo