Acerca de mim

A minha foto
Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

quarta-feira, 23 de maio de 2012



               
               EMBRIAGUEZ
                           23/05/2012

A minha alma voa com o fluir da minha mente.
Como Fénix renascida das cinzas do vulcão,
Sentindo o doce desejo do néctar presente,
No teu odor ricamente espalhado pelo chão,
Do meu corpo dormente e por ti atordoado.
Desnudo-te com os olhos brilhantes de aflição,
Sentido do teu corpo colorido e adocicado,
Em suspiros rubros na ternura da paixão.
Êxtase…magia, suspiros de intensa loucura,
Em delírios surdos da tua eterna inocência,
Mostrados nos contornos e ânsia da procura,
Com o teu corpo, a exigir a minha insistência.
Essa embriaguez, que me faz cativo do desejo,
No silêncio da noite, percorre meu corpo ardente,
Na ânsia de encontrar o som suave do realejo.
Esse som maravilhoso provocado pelo teu tocar,
Que fará desta embriaguez o meu estro consciente,
Na aflição dos teus carnudos lábios poder beijar,
Arrefecendo o vulcão que em mim, continua ardente.
Esses teus gestos de uma incógnita ansiedade,
Que fere o meu sentir no teu arrepiar incontrolado,
Rasca profundamente a minha doce taça da fertilidade,
Fazendo moribundo o meu corpo, no teu, enroscado.
Este divino néctar extraído da tua profundeza,
Embriaga o deus Baco, nas loucuras dos devaneios,
Provocando em mim, simples mortal, a incerteza,
Do amor ardente, e sentido no toque dos teus seios.
Embriaguez… Excitação silenciosa do divino ser,
Mostrada no calor do teu vulcão e lavra incandescente,
Que percorre a tua suave pele no meu eterno padecer,
Por tentar em vão, fazer em ti, renascer a boa semente.

Carlos Cebolo


terça-feira, 22 de maio de 2012


            


  O TEMPO

Sinto no meu ser o mar revolto,
Dos tempos novos aparecidos,
De um Mundo que rola solto,
Com seus dons empobrecidos.
Climas do tempo em devaneio,
Fazem do mês de Maio florido,
Muito parecido ao frio Janeiro,
Mês que há muito já foi ido.
A mãe natureza estremece de dor,
Com as voltas e viravoltas do tempo,
Que faz frio, quando devia ser calor,
Criando um grande contratempo.
Até as aves andam confusas,
Não sabendo o que fazer.
Usa-se casacos em vez de blusas,
Neste novo amanhecer.
Carlos Cebolo
.

         
VEJO-TE DE LONGE
                      22/05/2012

Nesta solidão que me fez cativo da poesia,
Visto-me de aguarelas coloridas e quentes,
Procurando uma fantasia do meu passado;
Nesta terra ao norte do Equador, sempre fria,
Com recordações e ilusões então presentes,
Do lindo país constantemente recordado.
Espero um dia voar, nas asas de um condor,
Iluminado pela bela estrela da saudade,
Levando comigo todo o brilho do amor,
Escondido e guardado na minha mocidade.
Rever Angola do etéreo mundo infinito,
É desejo de quem lá viveu a maravilha,
E deixou este nosso Mundo em conflito,
Sem entender, o porquê de tal partilha.
Perdemos a nossa consciência na loucura,
Numa luta desigual que não apoiamos,
Atingidos por uma febre mortal sem cura,
Que nos mata, longe da terra que amamos.
Outros mistérios terrenos não compreendidos,
Lançados ao redor da nossa frágil vida,
Retarda neste Mundo, os ecos escondidos,
Que dificultam a nossa tão esperada ida.
O regresso à terra mãe que nos viu nascer,
Atrai-nos como vulcão incandescente,
Que do Éden, fez o pai Adão desaparecer,
Levando consigo toda a sua semente.
Sementes nossas, no Mundo florescidas,
Sentem o cosmo flutuar e estremecer,
Por baixo dos pés, em passadas escurecidas,
Procurando a origem que os fez nascer.
E assim, em folha branca procuro traçar,
Toda a resignação duma perdida geração,
Que procura em fotos, amar e relembrar,
O motivo de uma tão grande e triste paixão.

Carlos Cebolo



segunda-feira, 21 de maio de 2012


      
 MOMENTOS MÁGICOS
                      21/05/2012

Neste meu querer incessante da felicidade,
Vicio-me loucamente em ousadias misteriosas,
Inventando toques de volúpias em ansiedade,
Da alma em meu corpo, de falas silenciosas.
Oiço o som de violinos no profundo da mente,
Com o toque dos teus dedos na magia da pele,
Com loucuras insinuantes na noite que se sente
Quente, no ar que respiras e no teu gosto a mel.
Belo momento em que revelaste a magia da cor,
Dos teus sonhos constantemente perturbados,
No lindo ecrã do teu já sofrido, mas jovem amor,
Detalhes de momentos mágicos por ti imaginados.
Com a brisa da noite, veio o teu suave perfume,
Que me embriagou com fragrâncias de jasmim,
Elevando o meu estro, nas asas do teu ciúme,
Ao encontro da noite que esperavas de mim.
Momentos mágicos vividos em grande emoção,
Que me levou ao doce delírio da tua loucura,
Como uma melodia no silêncio da oração,
Ouvida no prazer da noite, com toda a sua doçura.
Sinto o teu pensamento no toque da minha visão,
Oiço o olhar do teu chamamento, no grito de solidão,
Nos suspiros suaves dos meus dedos em carícias,
Do teu desnudado corpo bebendo as eternas delícias.
O silêncio que se ouve, nesta quente madrugada,
São suspiros das lágrimas do meu pobre coração,
Na nudez da pétala silenciosamente apagada,
Que do teu corpo voou, nas asas da solidão.
Senti que seria a última vez que te via na escuridão,
Neste belo momento para nós mágico; fez-se luz.
A ansiedade do desejo em querer outra condição,
Foi por nós conseguido, com o amor que nos conduz.

Carlos Cebolo

sexta-feira, 18 de maio de 2012




 PERDIDOS E ACHADOS
           18/05/2012

P ara ver a tua cor vermelha ausente,
E spero ansiosamente o teu chamado,
R espeitando o que o bom povo sente,
D iariamente pelo seu país amado.
I luminado pelo Sol do nosso sorriso,
D urante todos os dias da nossa vida,
O cupado com lembranças do paraíso.

N a eterna esperança da nossa ida,
O uvindo o chamamento do coração.

T entamos viver à nossa maneira,
E ntre ódios e raivas, procuramos o perdão,
M ostrando o valor da nossa bandeira,
P ara quem não nos quis dar valor,
O cupados apenas em provocar dor.

 Carlos Cebolo

quinta-feira, 17 de maio de 2012



              
               TANGO
               17/05/2012

Dançar o tango com magia e sensualidade,
Encher de asas o livre pensamento e voar
Pelo salão, com corpos unidos em igualdade,
Em passos e contrapassos que fazem sonhar.
É o tango dançado com grande sentimento,
Ouvindo apenas a música que se projecta no ar,
Na iluminação do amor e seu consentimento,
Entrelaçar os corpos na forma de bem dançar.
Fantasias vividas na harmonia de uma canção,
Fazem do amor, um simples acto de ilusão,
Com chamas que incendeiam a forma de amar.
Canta-se a alma do poeta em conjurada solidão,
Desprezando o espírito artístico dos dançarinos,
Empenhados no desejo ardente de uma paixão,
Que mostra o corpo e alma dos seres divinos.
Harmonias de movimento e ardente sedução,
È visto na dança, em passos do tango cantado,
Mostrando o desejo de uma autêntica satisfação,
Voando de prazer nos braços do seu amado.
Envolve-me com a tua doce essência na magia,
Das noites celestes de aromas do paraíso.
Toca-me no delírio da loucura desta agonia,
Em poemas de lábios, do teu doce sorriso.
Lágrimas da tua alma despida da essência,
Numa dança quente e acolhedora de paixão,
Que mostra o mistério da presença na ausência,
Da felicidade perdida duma triste união.
Como o morango é o fruto da eterna sedução,
Com a cor vermelha sangue e forma de coração,
Também o tango com toda a sua doce magia,
É a dança da paixão, dançado com harmonia.

Carlos Cebolo


quarta-feira, 16 de maio de 2012


           


   DISPERSOS


A ndamos sempre a lembrar o passado,
N unca nos esqueceremos de Angola.
G ostamos das nossas recordações,
O nde sentimos todo o nosso legado.
L indas fotos que nos consola,
A mores e desamores nas emoções,
N os dias da nossa já ida juventude,
O lhamos para o futuro desconfiados,
S empre preocupados com a saúde.

N oites bem passadas e futuros sonhados,
O que mostra bem a nosso grande amor.

M adrugadas vividas ao relento,
U niam um povo puro de coração,
N um Mundo de grande sentimento,
D e uma tão grande compreensão,
O nde a amizade era a nossa união.

Carlos Cebolo

terça-feira, 15 de maio de 2012



L O U C U R A
                 15/05/2012

Tuas mãos desnudadas de imperfeições,
Percorrem meu corpo com sentidos de veludo,
Sedento das tuas incessantes perfeições,
No êxtase do meu corpo suado e desnudo.
Ansiedades vividas e sentidas no âmago da alma,
Que grita, floresce e solta mistérios escondidos,
No meu corpo sedento que a noite acalma,
Em volúpias arrepiadas dos meus sentidos.
Amar-te-ei eternamente!...
Com o meu corpo colado ao teu,
Dominada, carente de anseios de loucura,
Oiço o meu respirar fundido no teu,
Sentindo nos teus lábios a eterna doçura.
Devaneios e anseios sentidos na escuridão,
Com o teu toque de malícia aprimorado,
Que desejo, sinto e guardo no coração,
Selado com o teu profundo beijo adocicado.
Encontrei-te com o orvalho da madrugada,
Neste meu céu que a própria deusa consente,
Formando o Olimpo da minha eterna morada,
Com carícias e prazeres que a alma sente.
Neste meu mar revolto, com águas calmas,
Sentindo o teu beijo por vezes ausente,
Com cedências e cobranças de outras almas,
Desejo e quero-te na vida sempre presente.
És o meu apoio constante em lágrimas de solidão,
Que afaga a minha alma nas frias noites caídas,
Em silencioso voo nocturno de grande emoção,
Em eternas e constantes adiadas despedidas.

Carlos Cebolo

segunda-feira, 14 de maio de 2012




MARGENS DE RECANTOS ESCONDIDOS
                A N G O L A
Nessas margens de recantos escondidos,
Esqueci-me de ti por momentos,
Na inocência do Mundo que te perdi,
Em momentos da infância oferecidos,
Com ternura e constantes sofrimentos,
Que do teu amor, eu não mereci.
Vejo-te de um hemisfério claro e frio,
Com uma áurea muito diferente,
De políticas e políticos a quem não confio,
Deixando-me eternamente descontente.
Paixões profundas em embriagadas sensações,
Contidas em volúpia estafantes da juventude,
Fazem recordar as grandes paixões,
Vividas numa outra mais bela latitude.
Com teus luares sem fim, vistos do nada,
No contraste da terra vermelha humedecida,
Mostras o porquê de seres tão amada,
Pelos verbos da semente em ti nascida.
Daqui olho o céu de estrelas cintilantes,
Sem encontrar um ponto que me oriente,
Mas minhas tristes caminhadas incessantes,
À procura do cruzeiro que o povo sente.
Mostra-me a tua grande força ó mãe natureza,
Ensina-me o caminho das madrugadas quentes,
Faz-me encontrar o belo mar da minha certeza,
No mundo encantado das belas sementes.
Teu cheiro doce, de sabor tristemente inalado,
Recorda tons secos em verdura encantada,
De um lindo projecto começado e inacabado,
Em terreno agreste, outrora ricamente devastado.
No deserto seco e argiloso, nasceu a cidade;
Na savana amarela e agre, surgiu vida civilizada;
Nas serras, planícies e vales, a mocidade
E na selva verdejante e húmida a pátria amada.
No continente africano, onde o Mundo fez escola,
Com o surgimento natural da humanidade,
Foi talhada, nasceu e cresceu a querida Angola.
Meu país Natal, onde deixei a mocidade.
Carlos Cebolo

sexta-feira, 11 de maio de 2012



PECADO DE AMOR
       11/05/2012

Do sopro se faz voz!
Oiço-te no teu olha,
Acaricio o cálice da vida,
Lembrando que não estamos sós,
E vejo a vida escondida.
És meu tormento;
Meu condão;
O prazer
De um breve momento;
O estrondo de um trovão,
Celebrando o nascimento.
És fogo,
Vulcão incandescente,
Aroma da terra florida.
Ao terminar este jogo,
Onde a vida não mente,
Acaricio a tua alma perdida.
Desnudo o meu pensamento,
Beijo-te a alma sentida,
Abraçando este momento,
Da tua boca oferecida.
No teu sentir de calmaria,
Sinto o corpo estremecer,
Numa louca fantasia,
Deste novo amanhecer.
Neta consciência de loucura,
Perdi a minha essência,
No beijo do teu ardor.
Sinto-te mais madura,
Na saudade da tua inocência,
Sentindo todo o nosso amor.
O nosso pecado!...
Se pecado fosse sentido,
Seria por nós abençoado,
A alegria do fruto querido,
Que no teu ventre estaria guardado.
Sossega-me com o toque do erotismo,
Envolve-me com a tua semente,
Acaba com o meu conformismo,
Forma meus seios e ventre ardente.
Sou tua!...
Tu és meu!...
Nesta bela noite que continua,
No sonho que aconteceu.

Carlos Cebolo

quinta-feira, 10 de maio de 2012



FILHO DA GUERRA
20/12/2011

Com os pés descalços, sola dura,
Caminha o menino com ar triste.
Seu rosto marcado pela amargura,
Percorre um país que não existe.
Menino descalço caminha só,
Seu pensamento voa para longe.
Seu corpo magro de fome, mete dó,
A pobreza nele não se esconde.
A cidade grande tem muitas casas,
Percorre de ponta a ponta sem parar,
Lamenta a sorte de não ter asas,
Para longe poder voar.
Conhecer novos horizontes,
Habitantes de outras terras,
Esquecer onde a pobreza se esconde,
Viver pensando em outras eras.
Que da sua vida se esconderam,
Sem nada fazer para merecer,
Lembra os pais que já morreram,
Muito antes de poder crescer.
Menino de rua é agora chamado,
Sem ter poiso onde ficar,
Sem família para ser amado,
Presente que não quer lembrar.
Um futuro tido por incerto,
Na desgraça que sempre viveu,
Sem ter ninguém ali por perto,
Com a esperança que já morreu.
Negro é o seu triste destino,
Traçado sem o seu consentimento.
Talvez seja desígnio Divino!
Ou do signo de nascimento?
Menino pobre, filho da guerra,
Infortúnio com destino traçado,
Por ter nascido na errada era,
E uma família não ter achado.

Carlos Cebolo



MAR DOS MEUS ANSEIOS
              10/05/2012

Este mar que me enlouquece,
Água salgada no teu corpo doce,
São momentos que não se esquece,
E deste meu Mundo sempre foste.
A espuma suave molda-te o corpo,
No véu sereno da noite escura,
Querendo esconder o desgosto,
Que sentes na minha louca procura.
Sou amante da noite sem fim,
Iluminada pelo intenso luar,
Que procura fazer de mim,
O escravo que te quer amar.
Na praia do meu desassossego,
Vejo-te nua no contraste do luar,
E pela força da natureza não nego,
O grande desejo de te poder amar.
Uma brisa suave sopra no tempo,
Trazendo até mim, o teu odor,
Com ele o teu frágil lamento,
Intensificando em mim o amor.
Neste mar dos meus anseios,
Apareceste linda como uma diva,
Para satisfazer os meus desejos,
Numa pose sedutora e afirmativa.
Sem promessas!...
Ofereces-me o teu corpo,
Numa noite quente de verão,
Atordoando o meu pensar.
Sem teres pressas!...
Revives o meu amor morto,
Aquecendo o meu frio coração,
Com a brisa que trazes do mar.
Do véu sereno da noite escura,
Iluminada pelo lindo luar,
Terminas a tua doce loucura,
Neste meu belo despertar.
Sem palavras!...
Com muito amor no coração,
Saíste das águas salgadas,
Para alegrares a minha solidão.
Carlos Cebolo






quarta-feira, 9 de maio de 2012


VENTOS DE MUDANÇA
09/05/2012

A primavera continua cinzenta,
Como cinzenta está a vida futura.
Uma culpa que não se isenta;
Um passado triste que perdura
E uma constante lembrança,
Do passado presente na memória
Daquele povo, audaz e sonhador,
Que ao Mundo mostrou história,
E do Mundo também foi senhor.
Amores e desamores desencontrados,
Esperanças em oportunidades surgidas,
Com rumores em ecos encomendados,
Lembrando e abrindo velhas feridas.
Foram ventos de mudança,
De um povo em grande sofrimento,
Em passos de dança e contradança,
Ouvindo vozes de um profundo lamento.
Uma geração sem culpa formada,
Apanhada em contra fé da vida vivida,
Pagou com a diáspora desorganizada,
As culpas, por ela também sofrida.
No Ultramar, lutava-se contra a ditadura,
Imposta por políticas desgastantes,
Impugnava-se a vil escravatura,
Vivida em outros tempos distantes.
Não foi assim compreendido,
Por ter na pele uma outra cor,
Angolano por ter lá nascido,
Também sofre estes horrores.
Horrores da separação forçada,
Da terra que escolheu para amar,
Lembra constantemente a sua amada,
Procurando meios para lá voltar.
Carlos Cebolo

http://carlosacebolo.blogspot.pt/

terça-feira, 8 de maio de 2012


  ENSINA-ME PAI!...
        08/05/2012

Enquanto for pequenino pai?!...
Deixa-me brincar e sonhar…
Estragar para aprender,
Mexer, remexer e analisar,
Para tudo poder compreender.
Mostra-me o que fazer sem ralhar!
Ensina-me o bem e o mal,
Leva-me a passear,
Fala-me do verdadeiro Natal.
Do nascimento do Deus menino,
De como eu nasci,
E porque sou pequenino.
Ensina-me pai!...
Mostra-me o Mundo em que vivemos,
A razão da riqueza e da pobreza,
De tudo o que merecemos,
O porquê de tanta tristeza.
Pai!...
Enquanto eu for pequenino,
Dá-me carinho e muito amor,
Ensina-me a suportar a dor,
Mesmo sendo um menino.
Não me deixes crescer na ignorância,
Mostra-me a realidade da vida,
A miséria e a abundância,
Os mistérios da partida.
Encarar a morte com esperança,
Viver a vida com alegria,
Fazer algo que promova a mudança,
Neste Mundo que se cria.
Diz-me porque é verde a relva!
Porque é azul o mar!...
Qual o perigo de andar na selva!
Qual a cor do lindo luar!...
Diz-me pai!...
Se a água não tem cor!
Qual a cor do amor?!...
Ensina-me pai!...
Carlos Cebolo

segunda-feira, 7 de maio de 2012



ALMA PASSAGEIRA
          07/05/2012

Sorriste!...
Passaste por mim e sorriste.
Esse teu doce e fresco sorriso
Que não consigo esquecer,
Enfeitiçou-me.
Desde esse dia que te procuro,
Sem te encontrar.
Nada sei a teu respeito!...
Apenas sei que te quero amar
E voltar a ver aquele teu jeito
De andar;
De sorrir;
De fazer sonhar.
Sorriste!
Passaste por mim e sorriste.
Esse teu jeito de encantar!...
A tua maneira de mostrares que existes,
Faz-me flutuar e sonhar.
Sinto que vivo sem viver,
Faz-me sorrir e chorar,
Neste meu entardecer,
Sem te poder encontra.
Sorriste!...
Passaste por mim e sorriste.
Deixaste o teu perfume no ar,
Impregnaste-me com o teu odor,
Aturdiste todo o meu pensar.
Esse gesto egoísta de te fazer amar,
Sem te ver e poder abraçar,
É a causadora deste meu tormento,
Do desassossego do meu coração,
Provocado pelo teu aparecimento,
Naquela bela ocasião.
Sorriste!...
Passaste por mim e sorriste,
Apenas para me atormentar,
Neste meu eterno caminhar.
Carlos Cebolo


domingo, 6 de maio de 2012



 M Ã E
 06/05/201
                    (Poema para a minha neta Lia de 4 anos oferecer à mãe)

Mãe!...
Quando fores passear,
Leva-me contigo…
Deixa-me sorrir e sonhar!...
Quero ver as ondas e o mar,
O Sol na água a brilhar.
Mostra-me o que o meu espírito anseia!
Fala-me das conchas e da linda sereia.
Ao fim da tarde, quando à casa chegar,
Deixa-me brincar…
Sou uma criança que precisa de amor!
Do teu precioso amor mãe! …
Não deixes de me amar.
Quando a noite chegar!
E depois do leitinho beber,
Põe-me com carinho a nanar.
Aconchega-me a mantinha,
Dá-me um beijinho com amor,
Mantém a minha cama quentinha,
Deixa-me sentir o teu calor.
Mãe!...
Não te zangues comigo!...
Ainda sou pequenina!
Não ligues ao que te digo;
Sou apenas uma menina.
Mãe!...
Quando eu for mais velhinha,
Que já não queira brincar,
E com uma vontade só minha;
Não me deixes de amar.
Mãe!...
Não tenhas pressa que eu cresça!
O tempo não volta atrás!...
Não queiras que também padeça,
Do mal que não te apraz.
À noite sozinha no meu quarto,
Penso que te posso perder!...
Enquanto para os sonhos não parto,
Fico por dentro a tremer.
Mãe!...
Tenho medo que morras um dia!
Amo-te muito querida mãezinha.
Se me faltasses, não sei o que faria,
Na vida adulta que se adivinha!...

(Carlos Cebolo)

sexta-feira, 4 de maio de 2012


       

  FOLHAS CAÍDAS
                 04/05/2012

Folhas secas levadas pelo vento,
Deixam as árvores despidas.
Ventos fortes provocam lamentos,
No inverno das nossas vidas.
Vejo o teu olhar inquieto,
Sinto um desassossego desesperado,
Nestas noites frias de primavera.
Sem o calor do seu corpo amado,
Pelo qual a minha alma desespera,
Sinto o ardente desejo adiado.
Esta incompreensão de amor sofrido,
Que acalenta a esperança na felicidade,
De um amor forte e renascido,
Na injustificação do avanço da idade.
Jovens amantes separados na intimidade,
Mostram um desconforto aparente,
De um amor vivido sem intensidade,
Que o próprio cupido não consente.
O amor não tem idade!
O cupido lança a flecha do amor,
Levando com ela a felicidade,
Atingindo os corações sem causar dor,
Independentemente da sua idade.
Este desaconchego que sinto presente,
Esta falta do teu esperado carinho,
Provoca-me um desconforto que se sente,
Numa ausência do nosso ninho.
De manhã, ao acordar do sono nocturno,
Deparo com a cama vazia e fria,
No lado contrário ao que durmo,
Com a ausência que não merecia.
O inverno do teu amor adormecido,
Tarda em encontrar a primavera,
Com novas folhas do rebento nascido,
Florescendo o amor que se espera.
Carlos Cebolo


quinta-feira, 3 de maio de 2012


                 
              A N G O L A
                     03/05/2012


És o astro incandescente que tudo cria,
Perturbação do meu constante sonhar,
O Sol da minha eterna existência,
Que ficou para além do imerso mar.
Teu fogo quente que eu não merecia,
Será para todo o sempre recordado,
Como fonte da boa e rica consciência.
Tenho tantas saudades!...
Sufoco com as tuas lembranças,
Sem compreender as falsidades,
Mantendo intactas as esperanças.
Neste novo Mundo renascer,
Mantendo viva a pobre alma,
E o desejo incontrolável de te ver
Florescer na impressionante calma.
Nas minhas veias, a tua seiva corre;
Respiro constantemente o odor teu.
A tua terra vermelha que não morre,
No sítio onde ela se escondeu.
Sempre que me lembro do passado,
Fico triste.
No meu sangue trago Angola infiltrada;
E tudo o que penso, ou deixo de pensar,
Leva-me a lembrança para a terra amada.
O sabor seco daquela terra vermelha,
Aquele calor que nos faz transpirar,
Não há nada que lhe assemelha,
E outra terra não posso amar.
Lindas noites de intenso luar,
Vividas na juventude perdida,
Com inúmeras praias de encantar
Faz de ti a minha terra querida.

Carlos Cebolo

terça-feira, 1 de maio de 2012



MUSA DOS MEUS ENCANTOS
             01/05/20012

Taciturno passo os dias descontentes,
Sem te ver,
Sem te tocar,
Sem contigo falar.
Óh musa do meu sonhar!
Onde te escondes que não te vejo?
Sem ti fico perdido neste meu pensar!
Vou procurar quem te possa encontrar.
O rio corre veloz para o mar,
Leva consigo o meu desejo,
Encontrar a minha musa amada,
E entregar-lhe o meu doce beijo.
Diz-lhe quanto a amo,
Fala-lhe do meu amor,
Fala-lhe do meu desalento,
Neste tão triste momento.
Unicórnio voa com o vento,
Vai para lá do mar!
Encontra a minha boa musa!...
Trá-la para junto de mim;
Fala-lhe deste linda terra lusa,
Onde me encontro triste assim.
Mostra-lhe o meu descontentamento,
Faz-lhe sentir este meu tormento,
De querer e não poder amar.
Fala-lhe da minha tristeza;
Deste prazer, no desprazer sonhado,
Com emoções nas desilusões vividas,
Dum descontentamento por mim herdado,
Dos ancestrais egos da vida sofrida.
Nesta minha constante procura desenfreada,
Por uma musa que te substitua,
Nesta minha triste e longa caminhada.
Óh minha mãe terra adorada!
Musa dos meus encantos.
Sem ti eu não sei viver!...
Afaga estes meus prantos,
Acolhe-me neste meu sofrer.
Carlos Cebolo


segunda-feira, 30 de abril de 2012




INTRANQUILIDADES
        30/04/2012

Momentos felizes já idos com a idade,
Lembram o desassossego do passado presente,
Vividos nos maus tempos da outra mocidade,
Em locais esquecidos e guardados na mente.
Intranquilidades sentidas e vividas,
Nesta triste realidade,
Criada e vivida com mágoas ainda hoje sentidas,
Relembradas em conversas de amizade.
A cor da terra, o gosto da água e o cheiro do ar,
Usos e costumes de um povo pagão,
Selvas, savanas, deserto e um belo mar,
Compunham as delícias daquele belo cantão.
Uma grande melancolia sempre presente,
Sentida com uma enorme revolta na alma,
Tristezas que o próprio Mundo consente,
Na pobreza extrema, que a fome cala.
Mais velho, compreendo agora a triste situação,
Vivida pelo povo que nos deu a sua amizade,
Reclamando sem reclamar, com dor no coração.
Seus costumes, por regra banidas pela autoridade,
Como fruto proibido que teria de secar,
Em prol de uma outra mais moderna civilização,
Do Deus único que todos tinham de amar.
Ninguém se importava com culturas milenares vividas,
Do início do Mundo formadas pela humanidade,
Com domínio progressivo sobre as outras vidas,
Da comum mãe terra e toda a sua autoridade.
Era assim que aquele povo vivia,
Em perfeita comunhão com a deusa terra,
Cuja filha, natureza, tão bem os conhecia,
Até aparecer o europeu que os escravizou.
Em nome de um rei e de uma nação,
Nomeou-se senhor supremo do Universo,
Impondo ao povo uma outra condição,
Implantando um sistema muito perverso.
Assim nasceu a escravatura.
Carlos Cebolo