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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

domingo, 24 de junho de 2012


               

                S. JOÃO
                     24/06/2012

Depois do Santo António, vem o S. João,
Santo popular também lembrado pelo povo
Uma vida festiva em perfeita contradição,
Da vida que o santo levava quando era novo.

Grande pregador da boa nova, viveu no deserto,
Onde se alimentava de gafanhotos e de mel,
Anunciava a vinda do Salvador, como certo,
Fez do baptismo cristão o seu principal papel.

É lembrado com alegria em festa popular,
Com sardinhas assadas na brasa e vinho,
Opulência que o santo não tinha no seu lar.

Por anunciar a vinda do verdadeiro salvador,
Foi preso e morreu pobre, acusado de adivinho,
Quando ao Mundo apenas pregava o seu amor.

Carlos Cebolo

sexta-feira, 22 de junho de 2012



DELÍRIO
22/06/2012

Neste meu sonhar,
Procuro teus lábios beijar,
Na imagem da minha mente,
Que recuso ver de frente.
Amar,
Fogo ardente,
Delírio,
Paixão,
Neste meu triste acordar!
Sinto o que a alma sente.
Este martírio,
Que aperta o coração.
Desejo,
Ânsia,
Loucura!
Fêmea amadurecida,
Ardente beijo,
Carência,
Ternura.
Inconstante contrapartida,
De querer sem poder
Desejar o eterno momento,
Neste triste padecer.
Amor em sofrimento…
Destino traçado,
Êxtase puro,
Delírio amaldiçoado,
Dum amor imaturo.
Provocante,
Tentador,
Desejado.
Ser eterno amante,
Nesta intensa dor,
Deste destino esperado.
Momento esquecido,
Sonho amargurado,
De um desejo merecido.
Vulcão sedento,
Incorpóreo sentimento,
Chama da loucura,
Viver o momento,
Da paixão com ternura
Vivida no imaginário,
De quem ama o momento
E se faz temerário.

Carlos Cebolo

quinta-feira, 21 de junho de 2012



MULECA
21/06/2012

Lembranças…
Porque as sentimos?
Teu corpo negro ardente,
Menina, mulher frescura,
Alegria e danças.
Tudo que o espírito sente,
E que o corpo procura.
Pés descalços, seis nus,
Beleza natural sem pinturas.
Corpo esbelto, olhar que seduz,
Desejos ardentes, loucuras.
Sais do kimbo, para a cidade,
Apregoas beleza como ninguém,
Não mostras na tua idade,
As dores que a alma tem.
Olhar triste, sedutor e esperançado,
Gestos soltos e cativantes,
Percorres teu sonho encantado,
Entregando-te aos teus amantes.
Palavras soltas sem destino,
Lágrimas que choram no vazio,
Fazem de ti ser divino,
Corpo quente e espírito frio.
Amores calados na dor,
Indiferença em desalinho,
De quem não sente amor,
E por ti não nutre carinho.
À noite, cansada de esperar,
Por um melhor destino,
Procura o corpo sossegar,
Chorando no seu cantinho.
Já não sabe quem é!
Abre as janelas do seu coração,
Sente uma grande fé.
No acordar do seu sertão.
O amanhã será talvez!...
O dia da esperança renascida.
Espera paciente, pela sua vez,
A felicidade há muito merecida.
Muleca, mãe, mulher,
Idade passada, menina,
Ainda não sabe o que quer!
Já a vida a desanima.

Carlos Cebolo

quarta-feira, 20 de junho de 2012


                 
                   TEU
                20/06/2012

Sei o que sinto e o corpo não mente.
Nas tuas carícias desvendas segredos,
Delicados suspiros que a alma sente,
Afastando para sempre os meus medos.
Desejo perder-me em ti, num só gesto,
Fundir nossas almas na magia do amor,
Guardar o bom que em ti, ainda resto.
Ser a brasa ardente que ainda não ardeu,
No teu sonho, ser a tua doce fantasia,
Sem saber onde estou, ser apenas teu.
Poder sentir no corpo toda a tua alegria,
Que emanas na sedução e calor vertido,
Em Sons ouvidos em perfeita harmonia,
No tão belo momento, por ti oferecido.
Tuas palavras tocam-me profundamente,
Como se fossem dedos em suaves carícias,
Percorrendo o meu corpo suado e ardente,
Sôfrego das tuas apaixonantes delícias.
Desnudo-me de preconceitos irreais,
Que me provocam sentidos ilimitados,
Nos meus constantes desejos sexuais,
Provocados pelos teus odores inalados.
Teu doce toque de pura magia da loucura,
Arranca detalhes guardados em desejos,
Despertando em mim, segredos na pele nua,
Desvendados nos teus humedecidos beijos.
És a minha perdição, nos segredos da poesia,
Que me faz cativo da lírica do teu encanto
Compondo a ética que o meu coração cria,
E que aqui guardo, neste meu triste recanto.
Cativo deste teu, sempre doce encantamento,
Sou teu, de corpo e alma na doce harmonia,
Que fazem florescer este tão belo momento,
De ser teu, e sentir em mim, toda a tua alegria.

Carlos Cebolo

terça-feira, 19 de junho de 2012


       
       O DESERTO DA VIDA
(“Se não estivermos lá o deserto vai estar” - Alcides Sebastião)
                        19/06/2012

S  empre preocupados com o superficial,
E  nquanto somos novos e temos saúde.

N  ão pensamos que alguém pode estar doente,
A  marrado a uma cama de qualquer hospital,
O  u em casa, sozinho, sem ter quem dele cuide?

E  nfrentar os problemas com grande união,
S  em ter de andar, constantemente a mendigar,
T  entando nos familiares apelar ao coração,
I  mpelidos por um forte ou fraco laço familiar.
V  ivemos sempre apreçados, sem tempo!
E  speramos que com os outros, esteja tudo bem.
R  aramente nos preocupamos com os amigos!
M  uito menos com o seu triste momento.
O  nde julgamos nós, que vamos parar também?
S  em amigos verdadeiros, sofreremos os castigos!...

L  entos somos, no apoio devido à velhice!
A  mando o próximo, sem pensar em rabugice.

O   verdadeiro deserto da vida, sentido na dor!...

D  amos muito valor, aos nossos bens materiais,
E  m vez de valorizar os amigos verdadeiros.
S  e não estivermos presentes! a solidão estará!...
E   o nosso fim de vida, terá sempre! dor a mais.
R  esta-nos passar os nossos dias derradeiros,
T  endo por certo, que a rádio kamussel o acompanhará,
O  nde quer que estejam, os nossos companheiros.

V  em! Juntem-se a nós e não fiquem sozinhos,
A  nda ouvir a boa música e uma voz amiga!
I  nfortúnio será; não temos bons vizinhos.

E  nquanto por cá, o Criador nos deixar viver!
S  eremos companheiros na nossa desventura!
T  entando amainar este nosso triste entardecer!
A  mando o próximo, adoçando a sua amargura!
R  asgando o deserto, deste nosso rude padecer.

Carlos Cebolo

segunda-feira, 18 de junho de 2012


          
           ACÁCIAS RUBRAS
                          18/06/2012

A beleza da árvore vistosa, de folha miudinha,
Flores em cálice verde, em forma de botão,
Fazem da acácia, uma beleza que se adivinha,
Durante a época, da sempre esperada floração.

Lindas ruas coloridas com as belas flores rubras,
Embelezam Benguela, cidade do meu encanto,
Formam com outra flora o paraíso das musas,
Ouvindo o tão belo canto, por todos os cantos.

Acácia rubra, é o verdadeiro encanto da natureza,
Espalham pelo ar da linda cidade o seu belo odor,
Mostrando a quem por lá passa, toda a sua beleza.

Da sua seiva, saída da casca rugosa, se fazia a cola,
Utilizada nos trabalhos manuais sempre com amor,
Por crianças e professores da nossa querida Angola.

Carlos Cebolo
 http://carlosacebolo.blogspot.pt                                                             

sexta-feira, 15 de junho de 2012



                 
                  EVA
                    15/06/2012

Deste-me uma maçã do teu jardim florido,
Trinquei-a para lhe sentir o desejado sabor,
Assim como o pai Adão fez no seu paraíso,
Saboreando todo o seu perfumado odor.

Da mãe Eva, colheste a grande sabedoria,
Do belo encantamento com todo o primor,
Ofereceste-me a maçã com a tua mestria,
Acompanhado do teu doce e eterno amor.

Colhi-te nos meus braços, em desespero,
De quem sedento, procura a água beber,
No cálice da salvação que em ti espero,
Respirando o teu doce néctar do prazer.

Teus olhos brilhantes de intenso desejo,
Envolve-me na essência da tua tentação,
E em teus lábios, procuro o doce beijo,
Que me faz esquecer a dor da solidão.

És Eva, mãe, mulher, doçura, sedução,
Loucura na ardente forma de quer amar,
Vulcão incandescente, na magia da paixão,
Que me faz desaguar, no teu quente mar.

Da maçã surgiu o pecado luxuriante,
Vi-te em toda a tua beleza e loucura
Fizeste-me ter lindo sonho hilariante
Quando à minha frente surgiste nua.

Dançamos numa sinfonia de prazer,
Num frenesim de puro delírio ardente,
Procurando todo o nosso mundo refazer,
Plantando no Éden, uma nova semente.

És Eva, símbolo de vida, inspiração,
Fruto que comanda a eterna vida,
Mulher, amante, cálice da salvação,
Símbolo virgem da alegria sentida.

És Pétala em flor aberta e inspiradora,
A grande bênção de uma forte união,
Amor ardente em ternura acolhedora,
O sempre belo fruto, da nossa traição.

Carlos Cebolo
http://carlosacebolo.blogspot.pt/
(Pecado luxuriante. Aqui neste meu poema a palavra luxuriante tem o significado de abundante "Mata abundante que esconde o fruto apetitoso e proibido, simbolizado pela maçã" A palavra pecado significa o ausência de qualquer regra no amor. O tema Eva tem como significado a tentação exercida pelos sexos opostos. A minha explicação para a frase completa " Da maçã surgiu o pecado luxuriante" quer dizer " Do pecado original simbolizado pela oferta da maçã que Eva fez a Adão, nasceram todos os outros inúmeros pecados. )

quinta-feira, 14 de junho de 2012


        
      FAUNA ANGOLANA
                    14/06/2012

V  iver com o presente e triste pesadelo,
O  nde aparece associada à beleza, a morte!
L   embrar a Palanca Negra como modelo,
T  raçando por fim, o seu destino e sorte,
A  ntes que a extinção se concretize de vez,
R  epetindo o triste erro, que outrora se fez.

A  ngola luta com todas as suas forças!...

L  embrar a beleza impar deste animal,
E  m constantes apelos à humanidade,
M  antendo a esperança, impondo moral,
B  atendo sempre na tecla da moralidade.
R  esta-nos apelar ao bom senso humano,
A  ntes que se faça tarde e não haja remédio,
R  enunciando à caça, que só causa dano.

A  ngolanos! Todos unidos, venceremos!...

S  em medos e com espírito aventureiro,
O  lhar o futuro com esperança renovada,
B  asta procurar ser sempre o primeiro,
E  ntre aqueles que fazem a luta abençoada.
R  epor o bom equilíbrio da vida selvagem,
B  uscando causas que parecem perdidas,
A  onde o homem, modificou a paisagem.

P  alanca Negra de porte altivo e soberano,
A  ndas triste e receosa da tua inebriante beleza,
L  ibertas as más energias do teu triste quotidiano,
A  ntes do teu próximo futuro, teres a certeza.
N  ada é mais triste neste nosso eterno planeta,
C  om grande diversidade de vida selvagem,
A  companhar os males, que a extinção acarreta.

N  uma esperança, que seja tua conveniência,
E  sperando que a humanidade olhe por ti,
G  arantindo a tua esperada sobrevivência,
R  estaurando os bons níveis, que outrora vi.
A  ntes de se por em causa, a tua presença.

Carlos cebolo

quarta-feira, 13 de junho de 2012


       
   SANTO ANTÓNIO
              13/06/2012

De ser casamenteiro, tinha ele a fama,
Falava aos peixes com amores divinos,
Foi milagreiro, pelos lados da Alfama,
E também trilhou outros caminhos.

Santo popular de muito carinho
Procurado por moças casadoiras
Uma prece mesmo em desalinho
Sejam elas morenas ou loiras

Têm uma grande fé no seu santinho,
Para um bom casamento arranjar,
Rezam sempre com muito carinho.

Fazem ofertas no seu santo altar,
Com flores lindas de encantar,
Não vá o bom santo se arreliar.

Carlos Cebolo


SONHAR
13/06/2012

Sonhar!
Sempre sonhei!...
Sonhei com a terra,
Com o mar,
Com o luar!...
Viver e sonhar com alegria,
Encantar com a poesia,
Sorrir, cantar
E dançar,
È viver o amor.
Hoje!
Neste meu acordar,
Sonho contigo amor.
Sonho lindo!...
Onde entra o mar,
As estrelas,
O luar.
Um sonho de encantar!...
Uma canção,
Da tua inspiração,
Nasceu a poesia.
Pura energia do teu pensar,
No meu acordar.
Sonhar!...
Querer amar(te)
É o meu respirar.
Sem conflitos,
Nem compromissos,
Apenas amar(te)!...
Inspiração do sonho
Vivido no meu adormecer.
Muita cor,
Música,
Flores,
Romantismo,
Sem conformismo.
Possuir(te),
Dar(me),
Ter(te)!...
Unidos num beijo.
Sentir,
Sonhar,
Acordar!...
Desejo realizado,
Não confirmado,
Neste meu acordar.
Carlos Cebolo

terça-feira, 12 de junho de 2012


             
                   IGNORÂNCIA
                       12/06/2012

Vejo em sonhos constantes, a beleza dela.
Viajo pela savana, matas, serras e mar,
Acompanho o frenético salto da gazela,
Na ânsia de um dia, a poder voltar abraçar.

Nos meus sonhos, recordo todo o passado,
Tempos vividos na juventude agora ausente,
Lembrados pelo desgaste no corpo acumulado,
Que o angolano, fora da sua bela terra sente.

Com a idade marcada na alma e no corpo,
Procuramos alento nas notícias enviadas,
Que apenas nos provocam lágrimas no rosto.

Sonhamos em ser o senhor! Dono do tempo;
Com imagens das memórias ensaiadas,
Com a nossa alma, a voar nas asas do vento.

Perdemos a oportunidade que tivemos!
Sei que de Angola, continuamos a gostar!
Mas já não sei, se na verdade, a merecemos.

Tempos por nós, lá vividos na ignorância,
Sem conhecer e apoiar a verdadeira causa,
Fizeram-nos colher o fruto da inocência.

Choramos agora, a nossa terrível situação,
Criada sem olharem aos nossos sentimentos,
Que nos fizeram perdedores de toda a razão,
Quando não apoiamos, os nossos movimentos.

Liberdade se pedia então, para Angola ocupada,
Cujos filhos, brancos e negros eram inferiores;
E até a própria moeda criada, não valia nada,
Comparada com a moeda dos seus senhores.

Carlos Cebolo










segunda-feira, 11 de junho de 2012


                
                   AFRODITE
                          11/06/2012

Teu corpo dança numa bela sinfonia do amor.
Teus lábios, nos meus lábios, fazem-me arrepiar,
Procurando o delírio ardente, do teu forte odor,
Que visto, na beleza da pele, no eterno acariciar,
Em volúpias ardentes do teu fogo e mistério.
Quando teus dedos tocam minha sensível pele,
Em massagem sensual, que altera o império
Dos meus sentidos, vertendo o esperado mel;
Sinto arrepios delicados que gritam de loucura,
Em suspiros extasiantes da minha forte tentação,
Nas melodias soltas, desvendadas da alma nua,
Que irrequieta, percorre meu corpo com emoção.
És Afrodite a deusa do amor eterno e tentador,
Que flutua nas nuvens do meu profundo pensar,
Trazendo a este meu pobre corpo triste, o amor,
Que me faz alegre e vivo, no meu breve flutuar.
Cada som do teu sorrido, é som de harpa florida,
Tocada por mãos de fadas em rosas camufladas,
De nuvens de desejo ardente, na beleza querida,
Com gestos majestosos e palavras adocicadas.
Neste meu mundo, de um belo castelo imaginário,
Perfumo o meu céu de orquídeas de pétalas rosas,
Ornamentado de lírios silvestres, da mãe natureza,
Fazendo de ti, minha deusa, o meu doce calvário.
Neste mundo em que me vês e de mim gozas,
Apoderas-te do meu delírio, no mundo da incerteza.
És beleza!... A deusa do amor eterno nas noites calmas,
Em que chamo por ti, nos sonhos desesperados,
Procurando a custo salvar as nossas ardentes almas,
Deste vivido triste destino, que nos faz separados.
Carlos Cebolo



sexta-feira, 8 de junho de 2012





 ÁGUAS CRISTALINAS
            08/06/2012

Pétalas sem cor correm veloz,
Num rio de águas cristalinas.
As vozes que gritam por nós!
Traçam as nossas tristes sinas.

Diamantes num rio sem sabor,
De cores profundas sentidas!
São palavras que ditam a dor,
No coração do povo, contidas.

Horas vazias, em lágrimas soltas…
Recordações caídas na nostalgia!
Sentida nas tristes águas revoltas,

De um passado que se procura!...
Na mente sondada com alegria,
Com um sorriso que tudo cura.

Vidas passadas e não esquecidas,
De um povo humilde e trabalhador,
Que do nada, fez cidades queridas,
Fustigados por um Sol abrasador.

Acabou com as duras lutas tribais,
Existentes no domínio do povo,
União povos como seus iguais,
Fez uma grande nação de novo.

Águas cristalinas correram soltas,
Provocaram inveja em outras nações,
Que fomentaram no povo revoltas.

Guiadas por cobiças disfarçadas,
Implantaram ódios nos corações,
Com ajudas falsas, despropositadas.

Carlos Cebolo

quinta-feira, 7 de junho de 2012


       
         PALAVRAS QUE TOCAM
                           07/06/2012

Tuas mãos viajam e exploram caminhos selvagens,
Do meu fecundo jardim florido e por ti humedecido.
Emoções sentidas e registadas nas tuas belas viagens,
Encontradas no sabor envolvente do teu beijo merecido.
Sonho com a delícia exótica do teu sabor delicado,
Que dos teus seios brota em movimento constante,
Inundando o meu ventre ardente, com o néctar adocicado,
Que provoca em mim, uma embriaguez extasiaste.
Quando exploras em mim, a ansiedade por ti partilhada,
Fazes-me sentir frágil, no domínio do meu forte respirar.
Sentir as brisas quentes, de aroma por nós partilhada,
Perdendo o controlo da minha rude forma de te amar.
Oiço o prazer dos meus sentidos, em gemidos teus,
Perco-me no tempo sem tempo, dum espaço infinito,
Procurando encontrar, na doce magia, os sentidos meus,
Viajar contigo, no sussurro do silêncio de um grito.
Desnudo-te das pétalas delicadas, com um sopro profundo.
Gemidos que queimam a loucura que o corpo sente,
Nos sentidos perdidos e achados em um outro mundo,
Ao som das emoções fortes, provocadas na mente.
Em voos constantes do pensamento, solto-me em liberdade,
Viajo em mim, guardando as carícias do teu desejo,
No belo jardim, onde quer que esteja a bela eternidade,
Tocando o teu íntimo ser, com o meu humedecido beijo.
No frenesim ansioso da tua língua em movimento,
Sinto os teus lábios quentes no desejo da loucura,
Despertar em mim, o desejo ardente do momento,
Sugando com ânsia o néctar de verdadeira doçura.

Carlos Cebolo








quarta-feira, 6 de junho de 2012



                
               INCERTEZAS
                         06/06/2012   

Neste meu Mundo estrelado de coisas ocas,
Olho um passado de lembranças caídas,
Procurando sentir o gosto de outras bocas,
No crepúsculo renascente de outras vidas.
Ao meu redor, vejo um mundo imperfeito,
Constelações brilhantes no abismo profundo,
De uma fraca sintonia seguida a preceito,
Formando este meu triste mundo imundo.
Tenho necessidade, de algo que me faça sonhar…
Que me faça recordar a linda cor vermelha,
Da terra, que teima em fugir do meu olhar!
Escondida por de trás da luz que tudo espelha.
Quero encontrar-te na penumbra de névoa,
Que de África vem subindo ao encontrão,
Em batalha desigual que no tempo ecoa,
Como quem busca, o seu adorado Sebastião.
De Alcácer Quibir fazer o desejado salto,
Passar muito para alem da linha do Equador,
Entrar na foz do Zaire com um padrão alto,
E declarar à bela Angola todo o meu amor.
Seria este, o meu grande e eterno desejado,
Perdido nas brumas, das noites das tristezas,
D’um passado para sempre lembrado e amado,
E d’um futuro próximo, do qual tenho incertezas.
O regresso do desejado, passado vivido e sentido,
Ouvido sem esperança, no retorno do meu eco,
Que salve este meu pobre reinado desaparecido,
Na ânsia de não te ver, neste mundo que me perco.
Sinto vivo este desejo, na mente de ideias despidas,
Sedento da tua cor e beleza de aromas perfumados,
Esquecidos nas longínquas emoções da despedida,
Do silêncio, no mistério, daqueles belos chãos sagrados.
Amo-te eternamente…Quente e desnudada da realidade.
Sôfrego do teu doce néctar, cristalino que me vicia,
Sacio a minha sede, em imagens destorcidas, da verdade.

Carlos Cebolo

terça-feira, 5 de junho de 2012


     
       TUA AUSÊNCIA
               05/06/2012

Sentires, apenas os sentidos ausentes,
Que o meu dormente corpo derrama,
Vertendo o néctar sagrado que sentes,
E que o teu cálice doce e quente chama.
Pétalas deixadas e esquecidas pela frente,
No caminho do sonho por mim imaginado,
Com pausas e delírios da tua vertente,
Que deixou de jorrar o teu mel abençoado.
És o desafio constante do meu anoitecer,
Com aromas de carícias do teu sopro quente,
Na boa luz do tempo que me faz adormecer,
E sonhar com a beleza da tua doce semente.
Lágrimas vazias recordam a tua ausência,
Sentida na incógnita da tua leve presença,
Que nos meus lençóis deixastes a essência,
Do odor do teu corpo, como uma sentença.
Neste meu sonho, sou a eterna esperança,
De um sexto sentido vertido e por mim inalado,
Que me faz flutuar e pelo estrelado céu avança,
Rumo a um futuro que se pretende inacabado.
Tua língua secreta, percorre o meu desejo,
Irrequieta e sedenta, em pequena e suave pausa,
Saboreada com o teu doce e humedecido beijo,
Que no meu sonhar, não vejo a tua triste recusa.
Tua ausência, estranha aos sentidos do amor,
Tua fuga delirante ao sentir dos meus sentidos,
Formaram umas negras nuvens que causam dor,
Fazendo sangrar este coração por ti empedernido.
Na arte de amar, mostras a tua nítida intolerância,
Sem lágrimas, nem compaixões na tua tristeza,
Exigindo a eterna luz do prazer na abundância,
Dos corpos flexíveis na incessante firmeza.
Esperar-te-ei eternamente no prazer da sedução,
Em sonhos dos meus sentidos vividos na ilusão,
Que do teu olhar sinto todo o desejo florescer,
Nas tristes noites deste meu eterno adormecer.

Carlos Cebolo

segunda-feira, 4 de junho de 2012





PALANCA DE ANGOLA
                04/06/2012

P  alanca Negra é animal majestoso,
ltiva e soberana no seu meio.
L  uzidia, de pelo negro airoso,
A  nda no seu habitat com receio.
N  ada que lhe possa fazer viver,
C  om amor na terra onde nasceu,
A  ntes que a façam desaparecer.

N  egra é pois a cor da perdição,
E  m animais de tão belo porte.
G  uardar a espécie da extinção,
R  egra que aqui quero dar o mote,
A  ntes de qualquer outra situação.

P  alanca Negra é símbolo angolano,
A  muleto, quando vivo, da boa sorte.
T  em agora a sua vida ameaçada,
R  efugiando-se no habitat do engano,
I  mpedida de fugir da própria morte.
M  urmúrios ouvidos na alvorada,
O  nde o animal se esconde a monte,
N  unca chegaram a ser veros avisos,
I  mpondo-se leis de salvaguarda.
O  nde te podes esconder, belo animal!...

M  esmo que o governo te procure proteger,
U  nindo o povo na tua nobre e bela causa,
N  unca será demais, aqui poder recorrer,
o modo a que, nesta luta não haja pausa.
I  mportante será lembrar, sem outra condição,
A  ntes que o verdadeiro mal aconteça,
L  utando em prol da urgente preservação.

Carlos Cebolo


sábado, 2 de junho de 2012


          
         PALANCA NEGRA
                      02/06/2012

Filmes e vídeos vistos, mostram-nos a saudade,
Da rica fauna, do grande continente africano.
Animais belos que na savana sentem a liberdade,
Num triste contraste, da rude vida do ser humano.
Dos animais belos, que África tem no seu seio,
Recordo, a altiva Palanca Negra e sua soberania.
Animal possante que provoca delírio no meio,
Do belo habitat, que o ser humano não o merecia.
A sua beleza é tentação de quem se julga superior,
Apenas por ter o dom da fala e se achar senhor,
Do Mundo criado, por quem a vida sempre amou
E a todos os seres vivos, a sua beleza proporcionou.
Matar por matar, apenas para poder no futuro recordar,
Mais vale amar e proteger toda a espécie animal,
Acabar com a caça e morte do que se quer amar,
Amando e recordando, o ser vivo no habitat natural.
Palanca Negra, o símbolo de uma Nação africana,
Apenas por maldade, encontra-se em extinção prematura;
Desaparecendo pouco a pouco da savana angolana,
Que tenta a custo, preservar a beleza que ainda dura.
Animal belo, de porte altivo, é património mundial!
Mais um lindo passo dado para a salvar da extinção,
Que o bicho homem dá, contra a sua natureza afinal!
De querer matar por prazer, sem pensar em outra solução.
No meu baú imaginário, de recordações passadas,
Onde guardo com prazer, o belo que do Mundo vem,
Guardo para recordar as belas imagens renovadas,
Da Palanca Negra, que no seu habitat, Angola tem.
Magnífica, com os chifres cursos e de porte bravio,
Olhar doce, traços brancos numa cabeça alongada,
Em contraste com o corpo de pelo negro e luzidio,
Fazem da Palanca Negra, uma raridade apreciada.

Carlos Cebolo


sexta-feira, 1 de junho de 2012


         
           ESCRAVO
               01/06/2012

Neste meu sempre fecundo imaginário,
Vejo-te em sonhos e delírios constantes,
Viajando sem destino e sem horário,
Entre desejos e sussurros incessantes.
Procuro as chamas do vulcão incandescente,
No néctar fecundado do cálice da salvação,
Que dos teus beijos me fazem ausente,
No acordar desta triste e fria solidão.
Tua pele tocada por maravilhosas fantasias,
Iluminada pelos suspiros do belo prazer,
Torna-se divina, com mistérios e ousadias.
Toco-te… desejo-te… no teu corpo, és lua!...
Palavras ausentes, no silêncio de um beijo.
Procuro-te nos gestos ausentes e apareces nua!...
Fantasias, mistérios, excitação do desejo.
Vivo a fantasia, na loucura do teu olhar,
Aguarelas coloridas nas letras da solidão,
Fazem-me escravo presente do meu sonhar,
Em rimas inconstantes da tua doce paixão.
Leio nos teus olhos as sílabas escritas do desejo,
Vejo nos teus lábios a eterna luz da alegria,
Sentida no teu corpo ardente na loucura do beijo,
Que dos meus lábios, poiso nos teus com mestria.
Levas-me nas asas da primavera florida,
Em delírios constantes na noite encantada,
Por ondas rebeldes, de uma poesia amadurecida,
Que no teu belo corpo se encontra talhada.
Ser escravo deste amor que sinto em ti, de mim!
É ser livre de corpo e alma na essência da vida,
Em prefeito contraste do princípio e fim!...
Deste amor que a tua magia me convida.
Sentir o prazer em brisas calmas da madrugada,
Nas paixões que as asas do tempo acaricia,
Em silenciosas gritarias na noite embriagada,
Faz-me Sol. Que te toca na noite da magia.
Sou teu!… sou escravo do teu amor!…És minha!...

Carlos Cebolo