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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

terça-feira, 24 de julho de 2012



GALOPA O CAVALO EM LIBERDADE
            24/07/2012

Galopa o cavalo em liberdade,
Feliz no seu livre pensamento,
Ama a vida e o belo momento,
Que ainda vive com a mocidade.
O sonho tornou-se uma realidade,
Duma vida tão triste e diferente,
Que sempre duvido o que sente.

Numa meta que não cumpriu,
Ser livre como o cavalo veloz,
Sempre que o povo teve voz,
Nas decisões que se proferiu.
A mentira que o povo sentiu,
Por muito falar não convence,
Da tragédia que o povo sente.

A memória de quem tem esperteza,
Para ser doutor sem ter canudo,
Deixou o país para sempre mudo,
Por ser brando, na sua natureza.
Do costume, tem o político a certeza,
Falar bem, põe o povo contente,
Apelar à grande dor, que o povo sente.

Tudo o mais é conversa ligeira,
O importante é aumentar a distância,
Fazer leis para alimentar a ganância,
Que esta crise não é brincadeira.
O povo pobre, vive à sua maneira,
Que o bom político assim consente,
A alegria que no futebol, o povo sente.

Carlos Cebolo






segunda-feira, 23 de julho de 2012



Encantamento
      23/07/2012

Minha linda sereia morena,
Sei que tudo vale a pena.
Cair no teu encantamento,
Guardar o eterno momento,
No teu olhar a minha cena.
O teu apurado sexto sentido,
No meu desejo cometido,
Germinou em mim a semente,
Da cobiça que o corpo sente,
No teu sorriso divertido.

Sem quereres ser admirada,
Passaste a ser cobiçada,
Pela tua estonteante beleza,
Que me deixou na incerteza,
De te querer, por minha amada.
Sem poder outro passo dar,
Por não te querer magoar,
Olhares cruzados que se sente,
O perigo constante presente,
Por não te poder amar.

Desde o momento em que te vi,
A alegria do momento que vivi,
Sem poder de ti, os olhos tirar,
Senti igualdade no teu olhar.
Por não ser livre, estremeci,
Com uma dor forte de paixão;
Procurei enganar o meu coração,
Guardando para mim somente,
A dor que a minha alma sente,
Sem ter outra condição.

O feitiço do teu doce olhar,
Que o meu se atreveu a cruzar,
Provocou o feitiço que sufoca,
Desejando beijar a tua boca,
E o teu belo corpo poder amar.
Infortúnios da dura realidade,
Nos meandros da boa amizade,
Que em nós nasceu de repente,
E que todo o meu corpo sente,
Travado pela moralidade.

Carlos Cebolo

sexta-feira, 20 de julho de 2012



CRISÁLIDA EM FLOR
       20/07/2012

Crisálida em flores,
Mariposa menina,
Essência da cor;
Com os seus amores
E tudo o que me fascina.
Suspiros duma flor,
Em choros de solidão,
Atormentam o coração,
Como a forte cocaína.
Pétalas esquecidas,
Na alma escrita,
Com o respirar da emoção,
Da dor que não se domina.
É o silêncio da saudade,
Na sensação das carícias,
Surpresa da tentação,
Que a mente anima
Num mundo de tradição.
És borboleta formosa,
De cores garridas,
Com voar ondulante,
Que te torna apetitosa.
Com tuas vestes despidas,
A loucura do instante,
Da tua boca gulosa,
Fazes-me teu amante.
Tua alma despida da solidão,
No sabor do teu beijo ardente,
Procuras refúgio constante,
Na brisa sussurrante da emoção,
Onde me encontro presente.
A ansiedade do instante,
Afagada com um beijo doce,
Aplaca o teu desejo ardente,
Como se meu sempre fosse.
Paixão!...
No teu corpo queimado,
Seda branca cobre os teus seios,
Aumentando o meu desejo.
Procuro liberta-los com cuidado,
Utilizando os diversos meios,
E deposito neles um húmido beijo.
Corpo quente, escaldante odor,
Libertado pela tua pele nua,
Intensificam o nosso amor,
Iluminado pela luz da lua.

Carlos Cebolo

quinta-feira, 19 de julho de 2012



MAR DE SOLIDÃO
 19/07/2012

Neste imenso mar de solidão,
Onde navego sem ter destino,
Dispo a alma do sofrimento,
Do tempo que era um menino.
Acordo à noite com aflição,
Sem deixar fugir um lamento,
Lembrando o triste momento
Em que deixei a terra natal.
Procuro a juventude perdida,
Deixada naquela terra morena,
Onde a aventura valia a pena.
Lembrança que trago guardada,
Do povo a quem não quero mal,
E daquela terra que tanto amava,
Recordo tudo que ela nos dava.

Longe da sorte sem outra condição,
Navego sem ter rumo e sem norte,
Com um presente sem ter passado,
Traçando assim, a minha boa sorte.
Trago a boa luz à minha escuridão,
Apagando o mal, por mim herdado,
Por descendência do meu passado.
Aquela terra vermelha adocicada,
Com palmeiras juntinho ao mar,
Foi-me oferecida por nascimento,
Naquele belo e alegre momento,
Que a mãe sorriu para não chorar.
Serás sempre minha terra amada,
Esteja eu, onde estiver presente,
Com amor que o bom filho sente.
Carlos Cebolo


MELODIA DO SILÊNCIO
          18/07/2012
Oiço a tua linda melodia,
No silêncio da madrugada,
Como uma despedida adiada;
Do destino que não queria,
E o amor que não merecia.

A loucura do desafio percorrer,
Destruir todas as esperanças,
Neste teu triste mundo aparecer.
Amar, sem ter nada que temer,
Cuidando que não haja mudanças.

Gosto de ser o teu eterno vicio,
Amor sedento de espumante,
Alucinações do seu malefício,
Vivido e sentido sem sacrifício.
Ser para ti, o teu fiel amante.

Viver este prazer selvagem,
Sentir a loucura da união,
Na minha pele, a tua imagem,
Construída na tua passagem,
Com paragem no meu coração.

Esta melodia do silêncio,
Em versão por mim cantada,
Ao som do fogo de artifício;
Toca na magia do auspício,
Da nossa vida amaldiçoada.

Toco-te com os lábios e pecados,
No seios que beijos profanaram,
E que não tinham sido tocados,
Por serem lindos como bordados,
Que os meus beijos amaldiçoaram.

Foste minha na boa plenitude,
Do infinito amor constante,
Que a própria magia consente;
Sem olhar à nossa juventude,
Com o amor sempre presente.

Carlos Cebolo


terça-feira, 17 de julho de 2012



MINHA TERRA, SUA GENTE
             17/07/2012

Passos guiados na noite escura,
No silêncio da mata o inesperado,
Os sons que ainda trago guardado,
Dos belos anos da minha aventura.

Sons belos que o imaginário segura,
Em memórias do meu belo passado,
Ficará para sempre aqui confirmado,
Lembrando a minha pobre amargura.

Umas belas férias foram lá passadas,
Onde vivi a minha vida em plenitude,
Com lembranças que ficaram guardadas.

Daquela bela terra vermelha onde nasci,
Onde amei e passei a minha juventude,
Recordo o triste dia, em que te perdi.

Carlos Cebolo


sexta-feira, 13 de julho de 2012




NEGRA
13/07/2012

Negra é o tom da tua pele,
Macia,
Aveludada,
Acariciada.
Cor de destino traçado,
Incompreendida,
Maltratada,
Amaldiçoada.
Mulher do mundo encantado,
Escrava dorida do amor,
Duma juventude perdida,
Que ao Mundo se tornou flor.
És mulher da minha terra,
Cedo amadurecida,
Vendida,
Na tristeza sentida.
És menina mulher,
Mulher menina,
Sexualmente explorada,
Vencida,
Humilhada.
És tulipa negra,
Africana,
Angolana,
De beleza sem igual,
Explorada como animal…
És humana…
Que a beleza não engana.

Carlos Cebolo

quinta-feira, 12 de julho de 2012


       

         SILÊNCIO
            12/07/2012

No silêncio da alma,
Um grito que não acontece,
Palavras que não digo,
Nesta triste noite calma.
O meu corpo estremece,
Sonho contigo…
És o meu anjo alado,
Meu demónio enlouquecido,
Meu espelho dourado,
O tormento esquecido.
Segredos por contar,
Deste meu tormento sofrido,
Na mudança do meu sonhar,
Sonho contigo.
Lembro-me do teu sorriso,
Recordo o som da tua voz,
Em melodia de encantar,
Que me leva ao paraíso.
Intolerância,
Desilusão,
Tormento atroz,
Uma vontade de dançar.
Ventos da abundância,
Na escassez da solidão.
O êxtase da entrega,
Na luz do prazer…
Intenso delírio,
Que o meu corpo carrega.
Ondas de ternura,
Neste triste amanhecer,
Na lembrança do martírio,
Desta dor que perfura.
Neste meu silêncio adormecer,
Sem forças para seguir em frente,
Sonhar com a eterna paixão,
Sem nunca te compreender,
Neste meu inverno presente.
Tocar essa tua pele formosa,
Em delírios de ilusão!
No meu silêncio adormecer,
Numa noite maravilhosa.

Carlos Cebolo

quarta-feira, 11 de julho de 2012



MUNDO VELADO
          11/07/2012


Aos olhos de quem fica,
Visto de uma certa maneira,
A partida de quem acredita,
Numa vida mais verdadeira.

A saudade de quem parte,
Sem de nada ter a certeza,
Procura imaginar com arte,
A escuridão com clareza.

O desconhecido que atormenta,
A alma que se encontra velada,
Com um destino que se agita,
No desassossego da vida passada.

Mundo velado, frio e sombrio,
Na escuridão do céu infinito,
Espera-se o aconchego do sudário,
Com Cristo, nosso senhor bendito.

Com a esperança da luz alcançar
Percorre-se o túnel escuro e frio,
Para o verdadeiro amor encontrar,
Depois de se deixar o calvário.

Na luz de Cristo Nosso Senhor,
Com o perdão do pecado carnal,
Confiamos no seu grande amor,
Para libertar o nosso mal original.

Carlos Cebolo

terça-feira, 10 de julho de 2012


       
   TONS RUBROS
              10/07/2012

Tons rubros na tua pele molhada,
Em sinais de verdadeira alegria,
Sentida na ausência da madrugada,
Afastaram de ti a sentida nostalgia

Sentir-te na magia da noite adiada,
Arder de prazer em toques de magia,
Viver a eterna noite sem madrugada,
Nos teus braços, o amor que se sentia.

No teu olhar sentir o desejo ardente,
Da união do côncavo ao convexo,
Que dos nossos corpos, o amor sente.

Amante em dunas de paixão ardente,
Sentindo o intenso cheiro de sexo,
No vulcão do teu belo corpo presente.

Carlos Cebolo

segunda-feira, 9 de julho de 2012



JUVENTUDE PERDIDA
             09/07(2012

A minha mocidade outrora eu vivi
No belo país em África plantado;
Dias felizes e tormentos que sofri
Naquele belo país, por mim amado.


Naquela terra, belos frutos eu colhi,
Tudo o mais ficou bem guardado;
Nas belas noites de luar também sorri,
Mas agora eu choro o meu passado.


Da juventude vivida sempre com graça,
Recordações apenas, ficaram guardadas;
Na memoria do triste tempo que passa…


O tempo avança, e para trás não volta,
Juventude perdida, peles enrugadas…
São lembranças e suspiros que se solta.


Carlos Cebolo

sexta-feira, 6 de julho de 2012


    
      TUA PRESENÇA
               06/07/2012

Tua presença sentida no momento,
Deixa compreender o sofrimento,
Da loucura deste meu amanhecer,
Sentido no meu constante padecer,
Em lembranças de forte sentimento.
Cansei-me de tanto te procurar,
Neste tempo incerto para te amar,
Vejo-te constantemente distante;
Mesmo assim, sou teu fiel amante,
Com lágrimas sentidas à luz do luar.


Oiço com prazer o teu chamamento,
Em som profundo de triste lamento,
Ávido pelo teu doce mel ilimitado,
Que do teu esbelto corpo é libertado,
Em provocantes ondas de movimento.
És malícia que o meu corpo ressente,
Na sintonia do teu doce beijo quente.
Outrora, sentida na perfeita comunhão,
Que acendia o fogo da nossa paixão,
Em gesto teu, agora sempre ausente.
Carlos Cebolo


quinta-feira, 5 de julho de 2012




ILUSÕES
05/07/2012

Ilusões!
Apenas ilusões.
Vejo Angola em crescimento,
Citadinos,
Provincianos,
Aldeões.
O povo e o lamento!...
Luanda dos palatinos,
O país dos desenganos.
A economia a duas velocidades,
Políticos na corrupção,
Injustiças das precariedades,
O povo sem condição.
Trabalhadores desorganizados,
Sindicados inexistentes,
Grupos protegidos.
Cibernéticos desesperados,
Revolucionam os inconscientes,
Com argumentos sugeridos.
Uns apoiam o presidente,
Outros criticam os governantes,
A verdade que o povo sente,
A alegria dos comediantes.
Bandeiras desfraldadas,
Partidos em desunião,
Ideologia desfigurada,
O partido que quer ser Nação.
Uma bandeira Angolana,
Sem partido associado,
O símbolo que se reclama,
Para o país, por nós amado.
Já é tempo para alterações,
Um hino e uma bandeira,
Para se evitar comparações,
Com a república da bananeira.

Carlos Cebolo

 Note-se que nenhuma das bandeiras é de minha autoria. Apenas as retirei da "NET" tal e qual como estão. Para mostrar as diversas bandeiras que flutuam em Angola e nenhuma é realmente de Angola país.

quarta-feira, 4 de julho de 2012



AMOR AUSENTE
         04/07/2012

Saudades que o corpo grita,
Enquanto a tua alma chora,
Com a dor que te apavora;
Das emoções que acredita,
E das preces que medita,
Por ter uma outra condição,
Neste teu mundo de paixão.

Sentir o teu corpo quente,
Na minha cama deitado,
Num gesto experimentado,
Que o meu desejo consente;
Da saudade que se sente,
Bem no fundo do coração,
Escutando o som da paixão.

Neste mundo desordenado,
Com desamores inconstantes,
Procura-se os bons amantes,
Lamenta-se por se ter errado,
Na escolha do anterior amado.
Com tão desmedida ambição,
Que em tudo, se vê simulação.

Saudades dos tempos passados,
De uma vida sã e bem formosa,
Que mais tarde se fez mentirosa,
Dos sentimentos bem guardados,
Nos corações dos apaixonados;
São hoje uma triste recordação,
D’um mal causado, sem condição..

Perdão de um amor ausente,
Que ao mundo se escondeu,
Na felicidade que não mereceu,
Por não se encontrar presente,
Na paixão que o mundo sente;
Forma hoje, um forte cordão,
No frágil e sofrido coração.

Carlos Cebolo


terça-feira, 3 de julho de 2012


   

  TEMPO PASSADO
            03/07/2012

Com todo este tempo já passado,
Quanto tempo! temos de esperar?
Para ver esta dor no peito passar!
O nosso passado deixar guardado
E para a nossa terra, poder voltar.

Esquecer as nossas quezílias antigas,
A política que não soubemos jogar,
A grande dor que nos fizeram passar;
Esquecer todas as velhas intrigas,
E aquele nobre povo voltar a amar.

São delírios que o nosso povo sente,
Da velhice do corpo que se padece,
Na ânsia da alma que não adormece;
A esperança da juventude na mente,
Com o futuro risonho que se merece.

Com todos aqueles dias de confusão,
A ver os sentidos que prevaleceram,
E que muitos, inocentes morreram;
Em nome de uma fingida revolução,
Feita com a dor que não merecemos.

Mesmo assim, pensamos ajudar,
Aquele povo que muito amamos,
Quem já esqueceu o que choramos;
Com a perda do querido familiar,
Numa triste luta que não travamos.

Tempos passados, presentes sofridos,
Sons de um povo que grita e geme,
Sempre à deriva por perder o leme;
Em rotas e rumos para sempre idos,
Espera de um futuro, que não se teme.

Tempo passado que atrás não volta,
Seguir em frente é o nosso destino,
Lembrar o passado sem perder o tino;
Dando asas ao espírito que se solta,
Confiando sempre no Ser Divino.

Olho de longe à procura de esperanças,
Pensar em voltar, está fora de questão!
A maneira como foi feita esta revolução,
Não admite poder pensar em mudanças,
Restando-nos apenas a boa recordação.

Carlos Cebolo

segunda-feira, 2 de julho de 2012



ROMEU E JULIETA
            02/07/2012

Sinto o teu gosto nos meus lábios,
O forte toque do teu corpo no meu;
Respiro a suave mistura da frescura,
Que o teu doce odor me ofereceu.
Tua língua em dança de gestos sábios,
Provocam em mim uma doce loucura,
Potenciada com a magia da ternura.
Sinto por ti, uma tão forte ansiedade,
Num delírio de chama incandescente,
Que faz acender o fogo do coração,
E desperta em mim, o apagado vulcão.
Este desejo que sinto na alma ardente,
Faz-me desejar a vida em liberdade,
Com que Romeu e Julieta sonharam,
No romance que outros amaldiçoaram.

Liberto-me em fantasias do silêncio,
Banho-me em mergulhos de magia,
Deslizo-me na frescura da tua pele nua,
Que nem surfista em onda de alegria.
Do teu coração, oiço o doce lamento,
Apenas presenciado pela luz da lua,
Na paixão da loucura que é só tua.
Sinto na minha pele um toque ardente;
Dos beijos que me deixam queimado,
Que dos teus lábios, saem constantes,
E provoca em mim, suspiros delirantes.
Tuas carícias fazem-me sentir abençoado,
Entregues à paixão que o corpo sente,
Em contos de fantasias que se sonharam,
Nos amores que os deuses amaldiçoaram.

Carlos Cebolo

sexta-feira, 29 de junho de 2012



DOCE TENTAÇÃO
        29/06/2012

Doce tentação…
És o meu desafio permanente,
Verdadeiro delírio despertado,
Por esse teu corpo perfumado.
Desejos que o corpo consente,
No êxtase da paixão.
Teus cabelos soltos, em desalinho,
Tua macia e bela pele nua,
Em gemidos que queimam a mente,
Provocam o meu descaminho.
Apareces iluminada pela lua,
Em passos de dança, à minha frente.
Tua bela imagem aos poucos se esfuma,
Apagando-se da minha mente.
Procuro-te…
Minha alma grita desesperada!
Voltas a aparecer envolta em espuma,
Pedindo-me um beijo somente.
Fantasmas aparecem no meu sonhar,
E impedem o toque da tua boca molhada.
Desnudo-te…
Teu olhar felino, faz-me delirar.
Procuro teu esbelto corpo tocar,
Mas estás distante…
És vulcão de chama ardente,
Sensação sentida constante,
Mostra-te por dentro quente,
Pronta para amares, sem outra condição.
Este vício, indício de loucura,
Que o meu suado corpo sente,
É pecado para o qual não há perdão.

Carlos Cebolo
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quinta-feira, 28 de junho de 2012



NAQUELA MINHA TERRA FORMOSA
          28/06/2012


Naquela minha terra formosa,
Vivi a juventude, dia a dia,
Mais formosa ainda seria,
Se ainda fosse mais frondosa.
Mantendo-se sempre airosa,
Com todos os filhos na mente,
Colhendo a sua boa semente.

Minha Angola que ruiu,
Erguendo-se sem ter lei,
Tudo isto eu perdoei,
Da maneira que surgiu.
O sonho que se cumpriu,
O que todo o povo consente,
Um futuro que não mente.

Tudo o mais se consentiria,
Se o povo pudesse merecer,
Tudo o que se puder fazer,
P’ra voltar a ser grande um dia,
Destino que a terra merecia.
Como eu ficaria contente,
Se tudo pudesse ser diferente.

Minha terra tão negra e bela,
Com grande riqueza no interior,
Aos pobre filhos provoca a dor,
Com uma tristeza que é só dela,
Anda à deriva, como barco à vela.
O triste choro que o povo sente,
A realidade da vida que não mente.

Grande riqueza, mal distribuída,
Futuro que ao povo se promete,
O governante no bolso mete.
Grande fortuna assim adquirida,
Com riqueza mal distribuída,
É fruto do povo e semente,
História passada, que não mente.

Angola que me faz chorar e rir,
E tudo o que por lá aconteceu,
Lembra o amigo que morreu,
O futuro que não se fez cumprir,
No triste mundo que o fez ruir.
São lembranças da minha mente,
De quem viveu e foi semente.

Má memória atribulada,
Da história sem mentir,
Promessa por se cumprir,
Denúncia de gente malvada,
Sem provas, tudo é nada.
Vence quem mais mente,
Na dor que o povo sente.

Carlos Cebolo





quarta-feira, 27 de junho de 2012


   
   PASSOS DE DANÇA
                  27/06/2012

Passos de dança que o corpo acredita,
Ouvidos na penumbra da luz da lua,
Selam os meus lábios com sentimento
E preenchem o vazio da mente nua.
Ouve-se como o meu coração grita,
E dos meus lábios vê-se o lamento,
Deste nosso, tão triste momento.
Doce magia das tuas delicadas carícias,
De beijos teus, em meus lábios vertidos,
Que no meu coração intensificam o sabor,
Nutrindo por ti, já um grande amor.
Palavras sonhadas dos meus sentidos,
Sensações que se fazem tardias,
Por não te poder ter, neste momento,
Dando asas, a este tão nobre sentimento.

Formo poemas épicos e delirantes,
Em reticencias de suspiros revoltos,
De uma timidez em mim marcada,
Com sentimentos que se querem soltos,
Nos amores, e desamores, alucinantes.
Sinto o meu corpo e pele rasgada,
Com delírios de uma febre adiada.
Contornos de um amor sofrido,
Por querer, o que é proibido ter;
Pecados bem guardados na mente,
Que o coração, sempre consente,
Neste nosso tristonho padecer.
Passos de dança, amor querido,
Aguarelas de um nobre sentimento,
Guardadas para sempre no pensamento.

Carlos Cebolo

terça-feira, 26 de junho de 2012



ESPERANÇA PERDIDA
            26/06/2012

Esperança Perdida,
Dum tempo passado distante,
Lapidado como o diamante,
Sem o brilho da despedida,
Seguiu o povo adiante.

Corre o vento sem leme,
O meu coração grita
Pela vida que acredita.
O futuro que não teme
E o passado não se evita.

Ouve-se o murmúrio do mar,
Ouve-se o som da solidão;
Medita-se com grande emoção,
Conjuga-se o verbo amar,
Procurando outra solução.

Pétalas de amores ausentes,
Num mundo de fantasia,
A dor que não se sentia.
Recordações sempre presentes,
O destino que não se merecia.

Futuro a que fui condenado,
Como castigo severo;
Compensação ainda espero,
Do património lá deixado,
Em tempo desordenado.

Esperança perdida sentida,
Na dor dos que padeceram,
Nas vidas que se perderam.
Esperança mais que sentida,
Daqueles que por lá andaram.

Nosso destino triste e cruel,
Leva o vento, o lamento,
Daquele triste momento,
Traçado em folha de papel,
Sem o nosso consentimento.

Carlos Cebolo

segunda-feira, 25 de junho de 2012



FRUTO PROIBIDO
        25/06/2012

Fruto proibido do meu encanto,
Que me faz lembrar o deserto
E um rio que desagua ali perto,
Com lágrimas do meu pranto.
Oiço em versos o teu chamamento,
A tua ânsia, em me poderes amar,
No romantismo deste momento,
Traçado em tons de belo luar.
Sentes fugir a doce esperança,
De amares e seres correspondida,
Em poemas e passos de dança,
Nem sempre por ti, compreendida.
Em cada palavra, do teu nobre gesto,
Sinto o chamamento da loucura,
Deste teu mundo, que me resto,
Com lembranças da tua ternura.
Fruto proibido e muito apetecido,
De amores tardios encontrados,
Fazem o imaginário enriquecido,
De tramas e laços apertados.
Neste meu, teu, amor desejado,
Que na poesia se faz lírica encantada,
Será para todo o sempre lembrado,
Como uma vida amorosa descartada.
Sou fruto proibido que se perde,
Nos pecados que a alma cede,
Na loucura de amores encontrados,
Em constantes prazeres encantados.
Liberto-me de fantasias delirantes,
De, em sonhos vir a ser teu amante.
Teus lábios carnudos poder beijar,
Na nudez e pureza do diamante,
Que do teu belo corpo, procuro amar.
Vejo em sonhos, os teus olhos brilhantes,
Que procuro beijar com carinho,
Trilhando neles, o nosso caminho.

Carlos Cebolo