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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

sábado, 15 de setembro de 2012



POVO LUSITANO
15/09/2012

Hoje vi-te!...
Ilustre povo lusitano,
Que te terras de Viriato,
Partiste a desbravar o mar.
Hoje vi-te!...
Como venceste o castelhano,
Com todo o seu aparato,
Sem ter medo de lutar!....
Foste muito maltratado,
Por políticos incompetentes,
Fazendo de ti um fraco!
Não aceitas um futuro amaldiçoado,
Com a miséria que agora sentes,
Apertado por forte abraço.
Povo humilde e trabalhador,
Que da tua lavra tiras o pão,
Não sejas submisso ao senhor doutor,
Que com o teu sangue lava a mão.
Até quando assim serás?
Povo ilustre Lusitano!...
A tua morte sentirás,
Às mãos destes tiranos.
O tempo é de luta popular,
Mostrando aos tiranos quem manda,
Este país é o nosso lar,
Vão reinar para outra banda.
Sem rumo para seguir em frente,
O governo massacra o povo,
Por ter na mente presente,
Uma nova ditadura de novo.
Povo ilustre lusitano!...
Abre os olhos e vê com atenção,
De onde vem todo o engano,
Que comanda esta Nação.
O tempo é de mudança,
Radical se for preciso,
Vamos recuperar a esperança,
E recompor o prejuízo.
Hoje vi a tua indignação,
Que não mais será ignorada,
Duras palavras na manifestação,
Mostraram a tua luta começada.
Que esta luta não seja em vão,
E não caía em ouvidos moucos,
O povo tem sempre razão,
Contra governantes loucos.
Os ricos que paguem a crise,
Por eles criada com ambição,
Peço ao povo que analise,
A situação desta pobre Nação.
O nosso voto é nossa força,
Nas urnas deve ser plantado,
Não ergueremos a nossa forca,
Com o voto mal orientado.


Carlos Cebolo

sexta-feira, 14 de setembro de 2012


          
          Valsa
             14/09/2012

Os corpos ondulantes ao vento,
Em lustrosos salões da burguesia,
Do violino sai o doce lamento,
De uma dança com grande mestria.
Uma dança de salão por excelência,
A valsa e todo o seu movimento,
Com passos e traços sem violência,
É a dança feliz de um casamento.
Pares de dançarinos entrelaçados,
Procuram seguir o som dos violinos,
Em movimentos bem ensaiados,
Que os compara a seres divinos.
Um rodopiar deslizante pelo salão,
O dançarino conduz a dama com leveza,
Tentando prender a todos a atenção,
Com movimentos de grande beleza.
A valsa quando assim dançada,
Na perfeita conjugação de movimentos,
É uma dança por todos adorada,
Na doce harmonia dos sentimentos.
Passos de dança em simetria,
Mostram a leveza do encantamento,
Dançado sempre com enorme mestria,
Seja qual for o grande momento.
Ver dançar a valsa ensaiada,
Ou dançar, sentindo a magia,
Ao som da música bem tocada,
São momentos de grande alegria.

Carlos Cebolo

quinta-feira, 13 de setembro de 2012



DO TEU QUERER
       13/09/2012

Do teu querer!...
Ao meu padecer!...
Senti-te alma passageira,
Num momento de loucura,
O que faz valer
Para o amor merecer.
Esta paixão verdadeira,
O teu corpo doçura,
No meu triste anoitecer,
A paixão esmorecer.
Apenas fica o vazio,
Num horizonte de emoções,
O teu aparecer frio,
Na falta de condições.
Navego agora sem destino,
Com as ilusões guardadas no vazio,
Sem aquele toque divino
De um amor tardio.
Morre(me) a alma com saudade,
No triste baú das lembranças,
Sem a tua piedade.
Ainda me lembro do teu sorriso,
Alegria sem ter voz,
Que me faz perder o juízo
E pensar um pouco em nós.
O meu nada,
Ser tudo o que posso dar,
Fazer de ti minha amada,
Sem te querer magoar.
Sentir em cada palavra um desejo,
Um murmúrio activo,
O gemido de um beijo,
Naquele momento cativo.
São folhas caídas ao vento,
Asas quebradas sem dor,
Que intensificam o lamento,
Deste nosso triste amor.
Do teu querer!...
Ao meu padecer.

Carlos Cebolo

quarta-feira, 12 de setembro de 2012



VERÃO ANGOLANO
         12/09/2012

Nestes dias quentes de verão,
Sinto uma grande nostalgia
E lembro o meu sagrado cantão,
Com toda a sua bela magia.
Lembro Angola no mês Janeiro,
Aquele brisa seca e empoeirada,
Que no sertão chegava primeiro,
Que o ruidosa e forte trovoada.
Lembro-me da chuva quente,
Que caía forte, sem avisar,
Molhando de repente toda a gente,
Que na rua estava a trabalhar.
Lembro-me como o roupa secava,
No nosso corpo sem causar mal,
Com o calor que do Sol emanava,
Logo a seguir ao temporal.
Em Angola era assim a chuva,
Refrescava sem arrefecer,
Assentava que nem uma luva,
Num calor de enlouquecer.
Das pequenas coisas me lembro,
Da terra onde nasci,
O verão começava em Novembro
No lugar onde vivi.
Tudo o mais já é passado,
Que procuro recordar,
Lembrar o país amado,
Todos os dias ao acordar.
Não esquecer o que lá passei,
Os bons e maus momentos que vivi,
Naquele país que amei
Até ao dia em que fugi;
De uma guerra que não criei
À violência que disse não,
Deixei tudo o que amei,
Não voltei a ver aquele verão.

Carlos Cebolo




terça-feira, 11 de setembro de 2012



Eterno cativo
         11/09/2012

Porque me castigas, ó linda sereia?
Neste meu mar de sofrimento,
Sem o teu doce chamamento,
Que o meu pobre espírito anseia,
Apenas sufoco neste meu tormento.

Neste teu jogo de pura sedução,
Fizeste-me sonhar com o teu enredo.
Da tua bela teia não tive medo
E mostrei-te toda a minha paixão,
Num tormento que começou cedo.

Em ousadias do corpo e da alma,
Despi-me de preconceito aflitivo.
Vi teu doce encanto apelativo,
Na bela noite que te mostraste calma,
Fazendo de mim, teu eterno cativo.

Sinto no meu coração uma dor oca,
Por não te ver, como é meu desejo
E não sentir nos lábios o teu beijo.
Trago um amargo constante na boca,
Por não conseguir ser, quem eu invejo.

Este teu castigo, sem a tua nudez,
Em renovada posição de ocasião,
Faz sofrer o meu pobre coração;
Por não ver chegada a minha vez,
De ser senhor da tua outra paixão.

Este silêncio que habita em nós,
Na cumplicidade de grande amor;
Intensifica toda esta minha dor,
Sem poder ouvir a tua doce voz,
Acalmar este meu triste pavor.

Porque me castigas? Musa do meu sofrer,
Quero viver todo esse grande amor,
Em teus braços, sentir todo o calor,
Do vulcão que começa a arrefecer,
E aplacar esta minha imensa dor.

Carlos Cebolo


segunda-feira, 10 de setembro de 2012




OBREIROS DO BEM
         10/09/2012

Neste meu abismo de palavras soltas,
Sinto na alma uma grande tristeza,
Pelo amor sentido sem ter a certeza,
Do passado naquelas águas revoltas,
Onde firmei a minha triste natureza.

Obreiros de um império imortal,
Fomos em África bons pioneiros,
Na igualdade fomos os primeiros,
A promover o bem fundamental,
Aos nossos tristes companheiros.

Longe da terra natal continuamos,
Com a obra que não se cumpriu,
O que o político não consentiu.
Fazer do bom povo que amamos,
O belo suporte que então ruiu.

Aqui, neste belo cantinho virtual,
Continuar com a obra começada,
Naquela bela terra cobiçada.
Fazer o que é o mais natural,
Juntar toda aquela rapaziada.

Neste grupo, de querer ser bons obreiros,
Mostramos a bela cultura por lá deixada,
Na linda terra construída e por nós amada.
Lembrar que no Mundo fomos primeiros,
A ensinar como utilizar uma boa enxada.

Ao grupo, novos membros vão chegando,
E aqui se fixam com todo o agrado;
Com fotografias lembram o país amado,
Na música, mostram que estão sonhando,
Com aquele passado triste, ainda sonhado.

Carlos Cebolo


sexta-feira, 7 de setembro de 2012




Forte Teia
07/09/2012

O amor,
Doce e sublime,
No movimento dos corpos,
E todo o seu ardor.
São esmeraldas,
Em águas cristalinas,
Num rio sem cor.
Teia apertada,
De aranha divina,
Feito do nada,
Traça a nossa sina.
Enredos tecidos,
Em fios de seda pura,
No ecrã surgidos,
Apareces nua.
Uma beleza adorada.
A nudez do teu ser,
Ilustrada com mestria,
Neste meu padecer;
Da triste hora tardia,
Faz-me teu refém,
Na tua teia elaborada.
Sou teu,
Sem te ter,
Sem me possuíres,
No amor que nasceu,
Neste nosso amanhecer,
De sentidos sentires,
Neste mundo meu.
Serei teu!...
Serás minha!...
No vulcão que arrefeceu,
Na incerteza que se adivinha.
Outro consolo encontraste,
Nas tristes horas tardias,
Deixaste o que amaste,
Na chama que não ardia.
A forte teia que aperta,
A vítima que luta,
Deixou de ficar alerta,
Nesta nossa vida curta.
Soltou-se o desejado,
Alimento deste amor,
Que da teia foi roubado,
Sem causar grande dor.

Carlos Cebolo





quinta-feira, 6 de setembro de 2012



Férias no paraíso
             06/09/2012

Férias vividas e lembradas com desagrado,
Com a vontade de sempre querer voltar
E novas rimas em verso, fazer para lembrar.
Foram férias com um triste fim inesperado,
Naquele belo chão vermelho sempre amado,
Sem querer trair o meu já fraco pensamento,
Lembro as tristes situações que ainda lamento.

As sentidas emoções dos amigos guardadas,
Um verdadeiro espírito de grande amizade,
Sentimento de uma enorme imparcialidade,
Naquele terra com as férias bem passadas;
Gravamos aquelas más horas amaldiçoadas,
De uma triste guerra e todo o seu movimento,
Que feriram de morte todo o belo sentimento.

Longe da terra, encontro a alegria no escrever,
Assuntos que para muitos são controversos,
O que por aqui procuro deixar em versos,
Sem medo, por não ter nada o que esconder.
Escrevo apenas para o passado não esquecer,
Lembrando as situações que ainda lamento,
Sem querer trair o meu já fraco pensamento.

Longe da terra amada viver novas emoções,
Lembrar à minha descendência a terra virgem,
Onde nasceu o bom sangue da sua origem.
Nesta época de globalização entre nações,
Procurar esquecer as tristes recordações,
Que dos avós e pais ouvem o triste lamento
E acompanhar o Mundo neste seu movimento.

Apelar à moralidade do ambiente familiar,
Sentida e vivida na nossa passada mocidade,
Sem se importar com a sua nacionalidade.
Fazer do Mundo o seu mais importante lar,
Aprender a árdua tarefa na arte de ensinar,
Colher as oportunidades surgidas no momento
E deixar passar, todo aquele velho sofrimento.

O passado dos progenitores noutro país deixado,
Serve de base para a nova estrutura familiar,
Com os valores que aprendeu a salvaguardar,
Tendo no amor, o seu mais precioso legado.
Tudo fazer para atingir o seu desejo sonhado,
Com o apoio, carinho e com grande sentimento,
Esquecer o passado e todo o seu sofrimento.

Carlos Cebolo



quarta-feira, 5 de setembro de 2012



QUERO-TE
 05/09/2012

Quero-te!...
Imagem de loucura,
Na minha mente implantada,
A tua ternura.
A distância da tua entrega,
Em meus olhos iluminada,
Na ânsia da tua procura.
Vi-te meia nua!...
Beleza que me fez estremecer
E sonhar na loucura
De te entregar a lua.
Teus seios arredondados,
O som sem sentir a tua voz,
Nos nossos segredos guardados,
O silêncio que habita em nós.
A entrega da tua nudez,
Sem reservas e com confiança,
Mostraste o que apenas tu vês,
Mantendo viva a esperança.
Quero-te!...
Este desejo cada vez mais forte,
Assombra todo o meu ser,
Com a vontade de tentar a sorte,
Antes da ilusão desaparecer.
Os meus olhos brilham,
Sempre que vejo o teu rosto,
Sinto todo o teu desejo,
Na minha pele, uma queimadura.
Esta forte sensação de desgosto,
Por não saborear o teu beijo,
Absorvendo toda a tua doçura.
Quando te mostras!...
Esqueço quem sou,
Quero ir mais além,
Viver este lindo momento.
Dizes que de mim gostas
E que o tempo não passou,
Fazes-me de ti refém,
Sem ouvir um só lamento.
Nesta nova forma de amar,
Sem possuir, sem ter,
Espero não ver acabar,
A ânsia de te conhecer.

Carlos Cebolo

terça-feira, 4 de setembro de 2012



Rosa de Angola
04/09/2012

Rosa,
Flor,
Mulher,
Menina!...
No Mundo nascida,
Em Angola criada,
Com cor garrida,
Na terra encantada.
Porcelana pura de fino trato,
Cresces desamparada,
Naquele belo mato.
De uma beleza sem igual,
Nome de flor,
Mulher formosa,
Serás sempre o amor,
Com o nome de rosa.
Por ti suspiro,
Em lamentos de vento,
Na despedida adiada,
Deste meu retiro;
O forte lamento,
Da terra amada.
Flor natural e linda,
De rosa chamada.
Beleza do meu encanto,
Serás sempre bem vinda,
Para oferecer à minha amada,
Lembrando o meu pranto.
Distante da tua presença,
Sem o calor das tuas carícias,
Desta triste e rude sentença,
Recordo as tuas delícias.
Rosa de porcelana,
Angola de tons suaves,
Ondulas ao vento
E a ninguém enganas.
O teu belo movimento,
No voo das aves,
Fechas o círculo,
Do meu tormento
E em ti deixo o meu vínculo.

Carlos Cebolo

segunda-feira, 3 de setembro de 2012



Noite de Luar
03/09/2012

Naquela noite de lua tardia,
Com uma solitária brisa de vento,
Encontrei a escuridão vazia,
Numa dança sem movimento.
No enorme mar da minha loucura,
Naveguei sem ter destino,
No triste espírito do silêncio,
Sentindo toda a tua amargura.
Procurei o horizonte dourado,
Nas tristes ondas da despedida,
Desenhei todo o meu passado,
Nas asas de uma gaivota perdida.
Beijei a tua essência natural,
Com os meus lábios embriagantes,
Deste grande amor imortal,
Na tua boca nua e extasiante.
Querer morar no teu corpo,
Cheirar o teu odor matinal,
Na tua essência de amar;
Sentir o teu doce sopro,
Sem pudor e sem moral
E com o teu beijo despertar.
Invento-me com a tua doce carícia,
Liberto-te do manto da sedução,
Impregnado de tão doce malícia,
Em tons agudos, na sinfonia da paixão.
Naquela noite fria e sombria,
Senti a quente chama do teu vulcão,
Na fresca brisa da minha solidão,
No doce amor que em ti sentia.
Lágrimas guardadas na ousadia,
Libertas sem qualquer outra situação,
Acenderam a chama que já não ardia,
Dentro do triste e fechado coração.
Naquele meu mar sereno,
Banhado pela cheia lua,
Senti-te parcialmente nua,
E bebi o teu doce veneno.

Carlos Cebolo

quinta-feira, 30 de agosto de 2012



FELICIDADE GUARDADA
30/08/2012

Dourado sonho de alma formosa,
Em ti sentido nesta hora tardia,
Que fizeste da tua noite o meu dia,
Entregando-te sempre linda e airosa.
Mostraste-te assim tão radiosa,
Na chama tremula da madrugada,
Com o bom calor que a alma guarda.

Tua flor na minha pele sofrida,
Inalando a doce essência do amor,
Que intensifica o teu doce odor,
Na aventura por nós merecida.
Nesta união dos corpos sentida,
A chama do teu vulcão guardada,
Naquela tão bela e doce madrugada.

Sugo a essência do teu belo ser,
Que dos teu lábios embriagantes,
Se solta em delírios extasiantes,
Provocando todo o meu padecer.
Do teu amor que procuro merecer,
Guardo o bom delírio da madrugada,
E deixo solta a nossa ânsia guardada.

Querer tocar o teu corpo na paixão,
Sentida em delírios da esperança,
E ficar à espera de uma mudança,
Que possa confortar o meu coração.
Sem futuro salvaguardado na união,
Que se encontra na alma guardada,
E deixar surgir a doce madrugada.

São sonhos por nós os dois sonhado,
Na esperança de um novo florescer,
No orvalho deste triste amanhecer,
De um amor há muito desesperado.
Querer possuir o teu corpo adorado,
Numa qualquer bela e linda madrugada,
É felicidade que ainda está guardada.

Carlos Cebolo





quarta-feira, 29 de agosto de 2012



retrospectiva
         29/08/2012

Daquele belo e doce chão sagrado,
Lembro a infância e a juventude.
Lembro o gosto da manga madura,
O doce sabor em toda a plenitude.
Da boa fruta com travo a salgado,
Em contraste com a sua doçura,
O imbondeiro com casca dura.
Fruta de Angola sempre cobiçada,
Com amores e odores implantados,
No intenso sabor que se adivinha
E que da sua vermelha terra vinha.
São momentos ainda hoje lembrados,
Em memória velha, quase acabada.
Retratos mostram o que por lá havia,
Trazendo ao povo, horas de alegria.

Recordo ainda o batuque e a rebita,
Tocado e dançado na noite escura,
Em redor da cubata e suas morenas.
A dança com movimentos de doçura,
Que o bom povo ainda hoje acredita,
Que lavava as mágoas e as penas.
Aqui de longe, recordo as belas cenas,
Vividas na minha linda juventude,
No longínquo país do meu nascimento,
Que recordo com grande dor no coração,
Ainda com grande tristeza e emoção.
Lembro todo aquele belo momento,
Vivido em pleno, naquela outra latitude;
Recordo agora, com a memória tardia,
As belas horas vividas em plena alegria.

Carlos Cebolo


terça-feira, 28 de agosto de 2012



SEM TRAÇO E SEM RASTO
28/08/2012

Na tela nua da vida,
Vejo traços indefinidos sem fim,
Um mar de solidão oco, vazio,
Num clima sempre frio.
Espírito livre na despedida,
Que se esqueceu de mim,
Na sua tardia partida.
Dispo a alma do sofrimento,
Sem ter um rumo traçado,
Procuro o horizonte dourado,
Na escuridão deste silêncio.
Navego sem destino!...
De um amor que foi doçura,
Ficou apenas a loucura,
De uma ansiedade calada.
Na grande dor do sofrimento,
Por uma felicidade perdida,
Na voz triste do lamento,
Salvou-se a alma iluminada.
O teu amor passageiro,
Sem traço e sem rasto,
Fortaleceu o amor verdadeiro,
De um sentimento já gasto.
Já não sinto o pecado do teu toque,
A beleza do teu corpo nu e faminto,
Esfumou-se no infinito da sensação,
Sem causar qualquer choque,
No amor que agora sinto.

Carlos Cebolo



AREIA MOLHADA
         27/08/2012

Na areia molhada escrevi,
As mágoas do meu coração,
Num poema de confirmação,
Que com amor te ofereci,
Pedindo o meu perdão.

O meu amor da adolescência,
Que de Angola foi roubada,
É hoje a bela, minha amada,
Com toda a consciência,
A mamã da minha ninhada.

Na praia das miragens revelei,
Escrevendo um poema querido,
Do nosso amor recém-nascido,
Para todo o sempre jurei,
A nossa história de amor vivido.

A minha juventude perdida,
Foi em Angola Deixada,
De lá trouxe a minha amada
E cá sarei a nossa ferida,
Numa outra areia molhada.

A historia de amor vivido,
Junto à areia molhada,
Em Angola não ficou nada,
Que tivesse merecido,
Esta nossa página virada.

Carlos Cebolo

sexta-feira, 24 de agosto de 2012



ESCREVO-ME
24/08/2012

Escrevo-me!...
Sou poema sem métrica e sem rima,
Em palavras que sopram vida,
Aprofundando a minha estigma.
Lês-me,
Como quem lê um conto,
Que a fantasia convida,
Nas tristes noites caídas.
Escrevo-me!...
No amor que juramos,
Apenas segredos encontro,
Das palavras que sopravam vida.
Estes sentimentos que falam,
Em letras usadas na poesia,
Contam uma história de magia,
Que os próprios ventos embalam.
Lês-me,
Em rimas de emoção,
Com um forte delírio,
Que aperta o meu coração.
És flor!
Silvestre e delicado lírio,
Que exposto ao Sol da alegria,
Sente a sua dor.
Escrevo-me!...
Com lágrimas de fantasia
Em contraste selvagem,
De uma doce calmaria.
Quero-te linda!...
Ousada,
Sonhadora,
Ansiosa da minha vinda.
Fazes por seres amada,
Seres a alma sonhadora,
Nesta linda noite finda.
Procuro-te em escrita de sabor,
Com a rebeldia do pecado,
Ganhando o teu amor,
Neste sonho inacabado.
Escrevo-te… Linda!....

Carlos Cebolo




quinta-feira, 23 de agosto de 2012



SONHO MEU
23/08/2012

Sonho meu!...
Sonhado a dormir ou acordado,
Entrei em Angola por onde saí,
Fronteira da Namíbia.
Vi o amigo que não morreu,
Olhei o por do sol dourado,
Senti o vento que assobia,
O país que não ardeu.
Sonho meu!...
Senti Angola do meu passado,
Aquele chão vermelho empoeirado,
Pisei aquele chão sagrado,
Do país que me foi legado.
Vi Lubango e o seu Cristo Rei,
Lá no alto, no belo cabeço,
Olhei a cidade que amei,
A bela serra que conheço.
Sonho meu!...
Desci a Leba em direcção ao Sul,
As mangueiras que reguei,
Aquele belo horizonte azul,
A terra que tanto amei.
Sonho meu!...
Entrei no seco deserto,
Atravessei o Bero sempre lindo,
Dei o meu destino por certo,
As boas graças por ter vindo.
Na praia da minha juventude,
Nada vi do meu agrado.
Possuído por uma inquietude,
Regressei pelo mesmo lado.
Sonho meu!...
Desejo não realizado,
O amigo que lá morreu,
Não foi lá encontrado.
O por do sol era vermelho,
Lembrando o sangue derramado,
No esterco do escaravelho,
O país que não renasceu.
Sonho meu!...
Voltar um dia à minha origem,
Cheirar aquele odor ardente,
O gosto da terra virgem,
Ver o lindo Sol no seu poente.
Sentir novamente a alegria,
De pisar a terra onde nasci,
Ver aquele chão que tudo cria,
Esquecer o dia que de lá fugi.
Sonho meu!...

Carlos Cebolo


quarta-feira, 22 de agosto de 2012



SEDE DE AMOR
            22/08/2012


Trago comigo sempre esta secura,
Que do teu corpo me faz sedento,
De uma vida sem sofrimento,
No silêncio da minha loucura;
Que da tua incessante procura,
Na ansiedade deste sofrer,
Procuro fazer por merecer.

És flor que respiro,
Da tua pele, o odor jasmim,
Que floresce no meu jardim
E por quem suspiro;
Neste meu longo retiro,
Deste constante sofrer,
Que aumenta todo o padecer.

E tendo isso por certo,
Toda a dor do meu tormento,
Não passa de um momento,
Que damos por incerto;
Neste Mundo que desperto,
Com todo o seu padecer,
Que finjo não merecer.

Esta sede que me mata,
E que me leva à loucura,
Por sentir-te nua e pura,
Neste nó que não desata;
A vida que te maltrata,
Com todo o teu sofrer,
Que procuro esmorecer.

Carlos Cebolo





terça-feira, 21 de agosto de 2012



OLHAR PARA TRÁS
        21/08/2012

Gosto de olhar para trás,
Ver o passado,
Olhar a aventura,
Condenar a guerra atroz,
Saudar a paz.
Fazer tudo a meu agrado,
Reviver a desventura,
Dar ao povo a sua voz.
Recordar Angola,
E todo o seu legado,
Olhar o país vindouro,
Saído do seu passado,
Com todo o seu ouro.
Encontrar caminhos idos,
Progresso em movimento,
Futuro com rumos definidos,
Acabar com o sofrimento.
Mais igualdade social,
A esperança do nosso povo,
Uma sociedade multirracial,
Construir o país de novo.
Reconstruir o existente,
Aumentar as oportunidades,
Dar esperanças à nova gente,
Promover as igualdades.
Recolher as cinzas do passado,
Não deixar vestígios de fumo,
Dar ao povo o seu bocado,
Traçar um seguro rumo.
Governar é compreender,
As dificuldades que o povo sente,
O governante tem poder,
Para olhar pela sua gente.

Carlos Cebolo


segunda-feira, 20 de agosto de 2012




DEIXA-ME SONHAR
20/08/2012

Deixa-me sonhar!...
Querer o teu corpo possuir,
Mesmo em pensamento sonhado,
Num sonho que quero sentir,
Os teus lábios poder beijar,
Como se estivesse acordado.
Deixa-me sonhar!...
Sentir o que no sonho sinto,
Na realidade que quero apreçar,
Falar que não te minto,
Quando te quero abraçar.
Deixa-me sonhar!...
Neste meu delírio constante,
Fazer-me teu refém,
Ser o teu amante,
Ir muito mais além.
Deixa-me sonhar!...
Que amanhã sentirei saudade,
Deste teu novo florir;
Neste meu amor sonhado,
Da vontade despertar,
Numa outra realidade
E sentir o teu sorrir.
Ter-te num sonho acordado,
Em meus braços de amparar,
Num abraço bem apertado
E sentir o teu sonhar.
Deixa-me sonhar!...

Carlos Cebolo

sexta-feira, 17 de agosto de 2012



MULHER FATAL
        17/08/2012

Mulher bonita,
Flor encantada,
Figura bendita,
No peito guardada.
Sua beleza natural,
Que ninguém leve a mal!
É uma beleza bem-vista,
Para quem a tem a seu lado.
Quando Beleza criada,
Com pinturas enfeitada,
Sai do bolso o belo agrado,
Mostrando o seu lado fatal.
Bendita aos olhos do amor,
Maldita na boca do povo,
Amante do amor carnal,
Enfeita o corpo de novo.
Para mostrar o seu valor,
Despe-se de qualquer mal.
Vestida para amar,
Mostrando todo o seu ardor,
Mulher linda, usa a cor,
Das aguarelas que quer pintar,
Oferecendo o seu amor.
Amor que o corpo sente,
Com o calor da sua beleza,
Realça a sua alma presente,
Sem de nada ter a certeza.
Pelos homens cobiçada,
Com a sua beleza fatal,
Apenas quer ser amada,
Sem dela pensarem mal.
A beleza que quer mostrar,
É um dom que tem a oferecer,
O homem vê o que quer amar,
E tudo fará para a merecer.

Carlos Cebolo