Acerca de mim

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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

      

    CORAÇÃO

Ilusões guardadas no peito
Dor que inundava o seu olhar,
Sofreu o coração a seu jeito,
No seu eterno caminhar.

Um adeus que jamais passou,
Sua solitária incerteza,
Cobre a alma com sua tristeza,
A dor forte que o corpo abraçou.

E sangra o triste coração,
Na esperança do amor ardente,
Perde razão e condição,
Na dor que a própria alma sente.

Coração aberto para o amor,
Fecho sagrado de emoção,
Liberta em sangue a sua dor,
Sem libertar a confissão.

E vive eterno o seu amor,
No segredo da alma guardado,
O coração cheio de dor,
Que não chega a ser libertado.

Carlos Cebolo
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ECO DA LIBERDADE

Suspiro que nasce na alma,
Anda pelas asas do tempo,
Num coração que não entende,
O seu grito na noite calma,
Que forma todo o contratempo,
Eco perdido que se prende.

Com aquele falar forte d’alma,
Ouvido entre turbulência
De pensamentos naufragados,
Sofre a alma que não se acalma
E não aceita a penitência,
Dogmas fracos e desgastados.

Voa em asas de heroicidade,
O coração que a dor alenta,
Trancando p’ra posteriade,
O triste eco que o alimenta.

E o que a morte julgou matar,
Este amor e fraternidade,
Deste sonho vai acordar,
Entre ecos de liberdade.

Carlos Cebolo
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terça-feira, 13 de janeiro de 2015


ESCREVO (-ME)

Escrevo-me!...
Sou poema sem métrica e sem rima,
Em palavras que sopram vida,
Aprofundando a minha estigma.
Lês-me,
Como quem lê um conto,
Que a fantasia convida,
Nas tristes noites caídas.
Escrevo-me!...
No amor que juramos,
Apenas segredos encontro,
Das palavras que sopravam vida.
Estes sentimentos que falam,
Em letras usadas na poesia,
Contam uma história de magia,
Que os próprios ventos embalam.
Lês-me,
Em rimas de emoção,
Com um forte delírio,
Que aperta o meu coração.
És flor!
Silvestre e delicado lírio,
Que exposto ao Sol da alegria,
Sente a sua dor.
Escrevo-me!...
Com lágrimas de fantasia
Em contraste selvagem,
De uma doce calmaria.
Quero-te linda!...
Ousada,
Sonhadora,
Ansiosa da minha vinda.
Fazes por seres amada,
Seres a alma sonhadora,
Nesta linda noite finda.
Procuro-te em escrita de sabor,
Com a rebeldia do pecado,
Ganhando o teu amor,
Neste sonho inacabado.
Escrevo-te… Linda!....

Carlos Cebolo
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

   

 NÃO ERAS TU

Olhei-te, olhos nos olhos,
Penetrei no teu olhar,
Decifrei teus belos sonhos,
Mesma graça e mesmo ar,
Os mesmos sonhos medonhos.

Aquela alma de pureza,
Teu semblante pensativo,
De tudo tendo a certeza,
Sempre com seu porte altivo,
Tua doçura e beleza.

O mesmo tom no falar,
Querer ter sempre razão,
Aquele eterno pensar,
No falar do coração,
Ingénuo e quase vulgar.

No seu corpo, o teu perfume,
Gosto a canela e pimenta,
Quente como o forte lume,
O busto que se salienta,
Tuas vestes do costume.

Aquele seio perfumado,
Num mostrar sem ser agreste,
Aquele beijo adocicado,
Que naquele dia me deste,
Nesta alma ficou guardado.

Mas não eras tu, ali.
Minha ilusão se desfez,
Naquele beijo que senti,
Sem a tua embriaguez,
Nos sinais que então reli.

Carlos Cebolo
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

         

       VIDA

Fogo, Terra, Água e Ar,
Elementos da mãe Natureza,
Silencia e quebra o mar
E de nada tem a certeza,
Com todo este caminhar.

Chuva fecunda a terra humosa,
Na lezíria a força aparece,
No calor do Sol, vida ditosa,
Fogo que não arde e aquece,
A terra na estação pluviosa.

Das fossas marinhas fugiu,
A vida que se fez próspera,
O fogo da terra se uniu
À água que no solo supera,
Libertando o ar na atmosfera.

Silencia-se o Sol e o tempo chega,
Noite que a vida adormece,
Doce orvalho que a terra rega,
Alimenta a fonte e desaparece,
A criação da vida não renega.

A vida quase que esquecida,
Dos amores secretos guardados,
Sol de uma vida esmorecida,
Em encontros sempre esperados,
A felicidade tida por querida.

Tudo é vida e tudo é nada,
Tudo passa rapidamente,
A boa terra fecunda a semente,
Na morte da vida desgastada,
Que a alma da poesia sente.

Carlos Cebolo
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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

       
     MEU DELÍRIO

Procuro-te em gestos ausentes,
Nua na minha embriaguez,
Na solidão dos sons presentes
Que em sonhos mostras a nudez,
Com os teus delírios recentes.

Escravo do teu doce olhar,
Na malícia da própria mente,
Suspiros de prazer no amar,
São delícias que o corpo sente,
Na loucura do meu sonhar.

Iluminada no prazer,
Mel nos lábios e teu desejo,
Com este amor do teu querer,
Na loucura do doce beijo,
Tudo faço por merecer.

Sou escravo do teu amor
E serás minha na magia,
No silêncio da bela flor,
Tua paixão, minha alegria,
Pétala liberta de dor.

Poiso meus lábios com mestria,
Nesse teu seio de loucura,
Rosa aberta e sua alegria,
Frenesim da minha procura,
Que o próprio tempo acaricia.

Carlos Cebolo
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015


ETERNA PRIMAVERA

Fecundo imaginário desse seu Ser,
Sempre com sonhos e delírios constantes,
No voar sem destino no seu padecer,
Ouvindo os próprios murmúrios incessantes.

Fantasia e loucura no seu olhar,
Entre aguarelas sem cor na solidão,
Será escravo presente do sonhar,
Em rimas constantes da doce paixão.

O querer voar nas asas da primavera,
Rebelde numa vida amadurecida,
O colher do mel e fel que a vida espera.

Esse amor, que outrora a vida lhe ensinou,
Com flores na felicidade escondida,
Fora escrito no desejo que sonhou.

Carlos Cebolo
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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014


TUDO SE RENOVA

Tristezas levadas pelo vento,
Dias e dias assim passados,
Foi o ano com o seu lamento,
Velhos, novos votos desejados.

Mais um ano que passou,
Velho ou novo se renova,
Dar amor a quem amou,
Novo ano, posto à prova.

Festas felizes desejadas,
Uma alegria do momento,
Felicidades começadas,
Para trás ficou o lamento.

Novas amizades se procura,
Com esperanças sempre renovadas,
Amor e sua grande loucura,
Em ofertas abençoadas.

Leva o velho, traz o novo,
Amor que assim se renova,
Na esperança de ser covo,
Covo será sua cova.

Ano novo com sua certeza,
Traz a força da sua alegria,
Depressa se torna em tristeza,
No perder da sua magia.

Carlos Cebolo

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

          

            M A R

 Dos tons diversos da Natureza,
Azul esverdeado profundo,
Se veste o mar na sua tristeza,
Gosto salgado que forma o Mundo,
Na sua insegurança e certeza.

Uma beleza húmida que atrai,
Corpos sedentos do seu vigor,
Num movimento de vem e vai,
Formando assim o seu grande amor,
Na atracção que o espírito recai.

Doce ventre que nos alimenta,
Essência da nossa salvação,
Que cria e mata a vida sedenta,
Com seu sal, profunda solidão,
Solidão que com ele se ausenta.

Este Mar com seus belos recantos,
Onde o incolor toma a cor do céu,
Cria ao Mundo os seus tristes prantos,
Infeliz alma que já colheu,
No chamamento dos seus encantos.

Nas lágrimas do ser imortal,
Mar profundo, caminho sereno,
Numa atracção que não há igual,
Seu sal se tornou doce veneno,
Tanto fazendo o bem, como o mal.

Carlos Cebolo
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

             

               SE!...

Se ignorado ficasse o meu destino,
Com este anel de fogo, ar e água,
Intensificava o meu desatino
E aumentava a minha triste mágoa.

Se a chuva fosse lágrimas caídas,
Deste terreno corpo em que me sinto,
Com sinas traçadas e merecidas,
Nas feridas abertas que consinto,

Também teria a alma eterna tristeza,
Com essa escura mente que a procura,
Por entre os delírios da Natureza.

Se em sombras se fizesse a eterna luz,
Toda a magia seria loucura,
Do triste corpo e alma que a produz.

Carlos Cebolo
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014


QUANDO O INVERNO CHEGAR

Este inverno não tarda!...
O tempo passa, a beleza fica
Nesta vida que retarda
A beleza que fabrica.
O meu amor é eterno,
Assim como a tua beleza
Permanece neste inverno
Que há-de chegar com sua certeza.
Anos passados e vividos,
Foram sentidos com emoção,
Nos rebentos então surgidos,
Gerados pela nossa união.
Madrugadas com bela magia,
Esse teu carinho abençoado,
Salientou a nossa alegria,
Com todo este tempo passado.
Quando o inverno chegar…
Juntos à lareira sentados,
Havemos de recordar,
Os nossos belos momentos passados
E aos filhos e netos contaremos,
A nossa história vivida,
Desde o dia em que nos conhecemos,
Os sonhos da nossa vida.
No Outono da vida a felicidade,
Entre altos e baixos, a confirmação,
Que o amor não tem idade
E a idade fortalece a união.
Quando o inverno chegar…
A preparação para a grande dor,
Da partida e no ficar,
Será lembrado o nosso amor.
Quem primeiro for…
Partirá feliz!...
Quem ficar com a dor…
Ficará infeliz.
Será assim o nosso amar,
Quando o inverno chegar.

Carlos Cebolo
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

         

        TERNURA

Doçura de mãe com seu olhar,
Aquele simples gesto de carinho,
Amor que não se pode igualar,
Como aquele calor do eterno ninho.

Linda e doce ternura materna,
Que na lembrança do filho perdura,
Doce mãe que será sempre eterna,
Mesmo numa vida de amargura.

Aquele seu gesto, dedicação,
Que na tristeza, só traz alegria,
Será sempre um símbolo de união.

Num futuro sem haver certeza,
A ternura de mãe é magia,
Que mostra ao Mundo sua pureza.

Carlos Cebolo
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014


SERÁ NATAL

Será Natal?...
Nesta data, sem data presente,
Ouve-se em todos os cantos,
A solidariedade que não se sente,
A tristeza e seus desencantos.
Será Natal?...
Uma parte do Mundo sem crer,
Sofrem na pele a desigualdade,
Com crianças a não terem o que comer,
Profundeza duma triste realidade.
Será Natal?...
Com a morte espraida no rosto,
Ausentes neste Mundo que as consome,
Com o corpo talhado de desgosto,
Crianças morrem de fome.
Será Natal?...
Repicam os sinos sagrados,
Na esperança dum Papa renovador,
Sem prendas e votos trocados,
Vegetam neste Mundo, a sua dor.
Será Natal?...
Recorda-se o Deus menino nascido,
Aquele Deus sol iluminado,
Do tempo presente já ido,
Que num estábulo foi deixado.
Será Natal?...
A descrença numa fé ausente,
Neste Mundo cão em que vivemos,
A desigualdade se faz presente,
Desde o dia em que nascemos.
Será Natal?...
A realidade que ninguém quer
Viver e ver a seu lado,
Será quando o homem quiser,
Um pesadelo acabado.
Será Natal!...
Quando se acabar com a tristeza,
Terminar com o vil sofrimento,
Neste Mundo de incertezas,
Fazer o Natal em qualquer momento.
Será Natal!...
Recordar-mos o Deus menino,
Relembrando os pensamentos,
Que nos deixou com carinho,
Parábolas com sentimentos,
Que nos indicam o caminho.
Será Natal!...
Carlos Cebolo
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014


NATAL
Natal é o tempo do tempo,
Tempo de paz e prosperidade,
Tempo de amor e amizade,
Tempo de olhar para o Mundo
E alimentar a chama do amor.
Tempo de um partilhar profundo,
De minimizar a dor.
Natal é tempo de compreensão,
Tempo de olhar para o seu irmão.
Feliz Natal a todos os amig@s e familiares.
  

  INVERNIA

Cobre a terra, cobre o mar,
No seu manto de pureza,
Neste eterno caminhar,
Sem de nada ter certeza.

Vida presa em liberdade,
Cancioneiro canta a dor,
Na poesia a mocidade,
Tempo agreste sem amor.

Alvos lírios vão voando,
Na negra noite de luar,
Toca a guitarra chorando,
A cigarra no seu cantar,
O inverno está chegando.

Carlos Cebolo
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014


LABIRINTO

O que sei, não sinto!...
Por não sentir o que sei,
Também não sei o que sei,
Neste labirinto.

Labirinto sem ter cor,
Num Sol que não brilha,
Sem ter alegria,
Esta alma com sua dor.

Caminhos trocados,
Por onde a alma se desvia,
P’ra purgar os seus pecados
E suas fobias,
Com todos os seus legados.

Carlos Cebolo
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014


FRIO

Fraco dia,
Noite forte,
Manto branco
Cobre a terra,
Sem alegria,
Pouca sorte,
Tempo sem espera.

Este frio
Que arde,
Invernia
Sentida,
O desafio
Na fria tarde,
Sem harmonia,
Triste vida.

Carlos Cebolo
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METADE DE MIM

Vive o corpo a liberdade,
Sua alvorada,
Com metade vivida.
A alma na igualdade
É desejada,
Nem sempre merecida.

Se uma parte de mim,
Tem sua audácia,
Outra parte sem fim,
É cobardia.

Se uma parte de mim,
É consciência,
Outra sente tristeza,
Neste Mundo sem fim,
É inocência,
De nada tem certeza.

Se uma parte de mim,
É africana,
A outra é europeia,
Injustiça sem fim,
Que não engana,
Origem que a rodeia.

Se uma parte de mim,
É a saudade,
Do tempo já passado,
Outra não será ruim,
Tem a bondade,
Dum destino traçado.

Se uma parte de mim,
Tem seu amor,
Outra será por fim
A minha dor.

Carlos Cebolo
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terça-feira, 9 de dezembro de 2014


O CORRER DA VIDA

Nuvens mudam de lugar,
Em constante movimento.
Rodopiam sem parar,
Deixando fugir o lamento,
Ao esconder o luar.

Apenas para nos ver,
Anunciam novo amor,
Neste nosso amanhecer,
Apagam a nossa dor,
Não nos deixando sofrer.

E tudo o vento levou,
Levou pedaços de mim,
O amor que sempre durou,
Neste espaço sem ter fim,
Nesta hora despertou.

Sem luar, minha alma morre,
Neste universo de dor,
Bela-luz que me socorre,
Tornou-se meu grande amor,
Nesta vida que não corre.

O amor eterno nasceu,
Com a luz do lindo luar,
Permanece e não morreu,
Seu eterno caminhar,
Com este amor meu e teu.

E tudo o vento levou,
Menos pedaços de mim,
Caminhou, correu e amou,
Por este mundo sem fim,
Só sobrou o que te dou.

Carlos cebolo
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014


MINHA HEROÍNA

Tenho uma pérola guardada,
Num cantinho muito especial,
É pedra valiosa e muito amada,
Responsável pelo meu Natal.

Está guardada no meu coração,
Com outras coisa de valor,
Tenho sempre o seu perdão
E carinho com muito amor.

Minha mãe está tão velhinha,
Cansada, mas sempre bonita,
Sua pele já não é igual à minha,
Está enrugada e um pouco hirta,

Mostra bem o trabalho que teve,
Para criar com carinho os filhos,
Com mão trema ainda escreve,
Indica com saber os caminhos.

Velhinha e sem ter condição,
A vida que não lhe assiste,
Sente enfraquecer seu coração,
Na saúde que já não existe.

Mesmo com os filhos criados,
Ainda mostra a preocupação,
Dos velhos tempos já passados,
Com a mesma dor, no coração.

Carlos Cebolo
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

       

        ILUSÃO

Certo sem pensamento,
A carícia de anónimo sorriso,
Será encantamento,
De quem perdeu o juízo,
Nas falésias de todo o seu tormento.

Esse delírio eterno,
Duma triste mentira adormecida,
É verdadeiro inferno,
Na ilusão merecida,
Por não ter tido aconchego materno.

As falsas aparências,
Qual sentir de carícias de emoção
Que forma as consciências
E a dor do coração,
Também fortalecem as exigências.

Carlos Cebolo
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

       

      JUSTIÇA

Acorda o Mundo em desalinho.
O dia nasce tardio,
O justo sem ter carinho,
Com todo o sistema doentio.
A justiça dos sete ventos,
Neste povo moribundo,
Ouve-se ais e lamentos,
A dor dum pranto profundo.
Coração fechado, punho aberto,
Com seu grito abafado,
Caminha o povo pelo deserto,
Seguindo um caminho forçado.
No injusto com todo o poder,
A injustiça vai plantada,
Com a esperança a morrer,
Entre a gente maltratada.
A justiça tem mão pesada,
P’ra quem rouba p’ra comer,
A mesma mão é levantada,
P’ra quem sustenta o poder.
Verte-se o sangue inocente,
Pelo triste chão desejado,
Na vida planta a semente,
Outros colhem o seu legado.
Justiça com olhos fechados,
Julga o pobre, julga o rico,
Os pobres são condenados,
Liberta o poderoso político.
Para o povo, só impostos,
Para os políticos riqueza,
Os dias já nascem mortos,
Neste país da incerteza.

Carlos Cebolo
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