Acerca de mim

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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

terça-feira, 21 de julho de 2015


CARRO DE APOLO

O carro de Apolo, rola no horizonte,
Nas gastas estradas e caminhos sem fim,
Feliz de quem bebe água na pura fonte
E de quem passeia num lindo jardim.

A poeira que levanta tinge o horizonte,
Com aquele nevoeiro triste, seco e sombrio,
Que esconde a beleza das neves, no monte,
Deixando apenas, o sentir do seu frio.

Corre solto Apolo no carro veloz,
Naqueles raios de fogo que produz,
Deixando este Mundo sem a sua voz.

O fogo que queima o próprio renascer,
Da esperança que neste Mundo nos conduz,
Entre rodas que rolam no seu prazer.

Carlos Cebolo
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segunda-feira, 20 de julho de 2015


VIDA DOS SENTIDOS

Da Flauta antiga do deus Pan floral,
Sons graves e agudos no ar ouvido,
Também traz tristeza na vida real,
Quando a alma vagueia sem ter sentido.

Melodia sentida com o vento,
Carrega na mente, sua tristeza,
Entre o forte sentir do pensamento,
Duma triste vida na incerteza.

Esta flauta antiga de sons dourados,
São os silvos do ar que passa breve,
Entre o Outono dos dias desejados.

Primavera perdida no sentir,
Também verga a flor com seu peso leve,
Daquela luz solar que a fez florir.

Carlos Cebolo
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sexta-feira, 17 de julho de 2015


NADA É IGUAL

Naquela terra selvagem,
Onde nasci,
O arco-íris de mil cores,
Doce aragem,
Todo aquele amor que senti
Nos seus odores.

Colher um cacho de dendém,
Banana pão,
O peixe seco posto ao lume
Como convém,
Por paragens daquele sertão,
Uso e costume.

Lá conheci o meu amor,
Gémea de mim,
Também outras tantas consortes,
Com a mesma dor,
Pisaram o mesmo capim,
Com seus filhotes.

Lugar encantado de luz,
O livre amor
Que esperei e sentir de ti,
A minha cruz,
Com esta inesquecível dor,
Também senti.

E senti todo aquele encanto,
A liberdade,
Uma esperança sempre presente,
Naquele recanto,
Com a promoção da igualdade,
Que o corpo sente.

Futuro traçado com dor,
Sem alegria,
Com esta luta desigual,
Ficou o amor,
Traçado naquela magia.
Nada é igual…

Carlos Cebolo
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quinta-feira, 16 de julho de 2015


AMAR A NATUREZA

Há quem julgue, gostar e amar a Natureza
Abrir a janela, ver os campos e o rio,
Não é suficiente para se ver tanta beleza,
Sentir a brisa e no seu corpo um calafrio.

É preciso não pensar e tocar a flor,
Com a janela fechada, sonhar e sentir,
Naquela insignificância sentir amor
P’ra tocar na borboleta, sem a ferir.

Não é bastante não se ser cego e não ver,
Beleza tamanha que nos invade a mente,
Amar a Natureza no sentir e crer.

Na sua surdez, ouvir e não compreender,
Os sons livres que na Natureza se sente,
Ouvindo os pequenos seres no seu viver.

Carlos Cebolo
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quarta-feira, 15 de julho de 2015

    
 ANJO MUTILADO

Numa noite de um quente verão,
Tive um sonho que se tornou pintura.
Cada vida tinha a sua primavera
E cada primavera, tinha o seu coração.
Vi a primavera, no sítio onde se pendura
As recordações que na vida se espera.

Reparei que um anjo descia do céu
E ao tocar a terra perdeu as suas asas,
Trazendo na mão uma linda esfera.
Dentro da esfera o meu coração e o seu
E nos olhos um correr de águas rasas.
O anjo vinha fugido do céu, onde tudo era triste,
Como triste é a cruz que prendeu o Senhor.

Tornou-se um traquina menino muito alegre,
Como todos os meninos da terra
Deveriam ser, sem conhecer a dor.
Tirou da esfera o meu coração que fundiu com o seu
E então deu-se o milagre.

Tornou-se apenas um menino e entrou dentro de mim.
Quando se cansa, como qualquer menino, adormece.
Levo-o ao colo e coloco-o na minha cama.
A meio da noite acorda e brinca com os meus sonhos.
Fala-me de livros secretos dos profetas,
Dos pescadores, do peixe e da sua escama;
Dos homens monstros, dos abismos medonhos,
Do triste sonhar dos grandes poetas.

Logo pela manhã, acorda e volta a brincar.
Ensina-me como as pequenas coisas são importantes.
As pequenas pedras que encontra pelo chão,
O canto dos pássaros no seu belo trinar,
As maravilhas da Natureza que não via antes
E a mente dos homens, sem a compaixão.

Corre sem se cansar pelo prado,
Rouba fruta nos pomares e apanha flores.
Na minha ansiedade, pergunto-lhe por Deus.
Muito triste, diz-me que nunca o viu!...
Nem sabe se existe!...
Todos estes horrores!...
Do céu, via constantemente o sofrer da humanidade
E resolveu fugir, para mostrar o seu desagrado.
Não sabe a sua idade,
Nem mesmo de quando do céu partiu,
Nem tão pouco, a origem das suas dores.
Vive comigo desde sempre,
E quer continuar a ser sempre criança,
Fazendo da terra o seu eterno céu.
Fala-me com mágoa, da ganância,
Da urgência em libertar da cruz o seu Cristo Senhor,
Proteger da fome, a criança e fazer a mudança
Para acabar neste Mundo, a triste dor.

De repente o sonho muda!...
Vejo os homens soldados com as suas armas,
Crianças sem terem força para brincar,
A humanidade com todos os seus “carmas”
Sem ter já forças para lutar.
Crianças a morrerem de fome,
Homens a matarem por prazer,
A vil doença que nos consome,
Entre os homens, o amor a desaparecer.
Dos olhos do anjo, um rio de sangue corre…
Inunda a terra com a sua cor escarlate
E o anjo na sua agonia, morre,
Agarrado a uma criança, com pele da cor do chocolate.
O meu acordar é medonho…
Ao meu lado o anjinho abraça-me e diz: - Bom seria se fosse sonho…
Mas é um pesadelo, respondeu por fim
E ainda a chorar, refugiou-se dentro de mim.
Carlos Cebolo
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terça-feira, 14 de julho de 2015


SONETO TRISTE

Sonhador e ingénuo, crês em tudo,
Sina traçada como destino,
Já vem do teu berço de menino,
As feridas abertas do Mundo.

Na crença, um farol sem sua luz,
Escuridão, morte sem sentido
Daquele Deus que não se quer temido,
Na desgraça que o Mundo produz.

Este Deus que te fez assim crente,
Também é o Deus omnipotente,
Que a tua fé, assim te arrebata.

Daquele resto de cruz, ter um lenho,
Saber ao que vou e o que tenho,
Essa esperança que aos poucos se afasta.

Carlos Cebolo
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segunda-feira, 13 de julho de 2015


HÁ SEMPRE UM DEPOIS

Depois do renascer, o calor!...
Volta o tempo quente do verão.
Sente a Natureza e o seu amor,
Doce carícia da minha mão.

Teu leito feito de luz e paz,
Delírio sonhado do meu pecado,
A tua frescura que me apraz,
Na emoção de por ti, ser amado.

Entre as águas claras do teu rio,
Na vontade de sentir teu desejo,
E encheres meu coração vazio,
Com a ternura do teu doce beijo.

Deixa a primavera o seu encanto,
Nas ondas salgadas doutro mar,
Deste quente verão do teu pranto,
Onde o nosso olhar se vai cruzar.

E de longe sentir a emoção,
Esse teu amor sentir por perto,
Como alimento do coração,
Que por te sentir, fica desperto.

Carência dos corpos no sentir,
Afagos desejados da mente,
Neste teu verão que está a emergir,
Com teu desejo sempre presente.

Carlos Cebolo
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sexta-feira, 10 de julho de 2015


MEMÓRIA

Por vezes, sinto-me nu na escuridão,
Não me lembro do correr límpido do rio,
Da primavera, verão, inverno frio,
Nem do som suave do vento no sertão.

Por vezes não me lembro da cor do chão,
Não me lembro da cor das ondas do mar,
Da conjugação do lindo verbo amar,
De como é bom, não ter de pedir perdão.

Por vezes não me lembro do teu degredo,
Daquele belo sabor do teu doce beijo,
De querer e sentir um forte desejo.

Por vezes não me lembro do meu segredo,
Não me lembro de alguma vez ter certeza,
De um dia ter tocado a tua beleza.

Carlos Cebolo
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quinta-feira, 9 de julho de 2015


NÃO EXISTE FUTURO

Ninguém alcança o futuro!...
O futuro não existe,
No seu alcance é presente.
Neste tempo sempre obscuro,
Presente que não desiste,
De alcançar o seu nascente.

E assim, tudo isto é presente,
Também o passado o foi
Tempos guardados na mente,
Esta recordação! – dói…

Dói na alma e na mente,
Como o cerco da prisão,
De quem se lembra então,
Do muro sempre presente.

E assim será o futuro,
Arrastando a solidão,
Aguarda pela partida,
Sempre por detrás do muro,
Sem ter outra condição,
No presente a sua ida.

Carlos Cebolo
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terça-feira, 7 de julho de 2015


ESCALADA

Por entre os juncais e o rio,
Encobre a lua seu luar.
Esse seu correr vazio,
Sem seu amor encontrar,
Acompanha o vento frio.

Roda a bola velha esp’rança,
Dum desejo já tardio,
Entre as mãos duma criança
Que perdeu o desafio,
A glória que não alcança.

E esta escalada da vida,
Passo a passo o encantamento,
Que nesta escrita é sentida,
Entre poemas do momento,
A escalada prometida.

E assim toca o coração,
De quem lê esta magia,
A varinha de condão
Na tristeza da poesia,
O valor que a ela, dão.

Intensifica o fervor,
Na distância que separa,
O poeta da sua dor,
Por entre o fingir que o apara,
Da dor que traduz amor.

Carlos Cebolo
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segunda-feira, 6 de julho de 2015


MUSA DO MEU ENCANTO

Vénus que a cantar me ensina,
Rosa bela, flor menina,
Que do verbo se fez flor,
Poesia de encanto e cor.

Musa dos meus sonhos idos,
Encantos meus repetidos,
O sentir do meu viver,
Luz do meu amanhecer.

E a sereia cantou bela,
Sons que minha alma revela,
No amor ardente sentido,
O teu corpo oferecido.

És musa do meu encanto,
Amor do meu doce pranto,
O prazer do meu viver,
Neste Mundo sem sofrer.

Por ti canto com alegria,
Versos tristes em poesia,
No encanto do meu fervor,
Finjo também, sentir dor.

Carlos Cebolo
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sexta-feira, 3 de julho de 2015


E TUDO ESTÁ LONGE

Tão longe de tudo!...
E digo-te adeus,
Destes sonhos meus,
Coisas doutro Mundo.

Um barco sem leme,
Navega com o vento,
Leva seu lamento
Na alma que geme.

Está longe a terra,
Que o vento descola,
Seu nome N’Gola,
Vida que se encerra.

E tudo passou,
Na volta sem vez,
Sem tempo talvez,
De amar, quem amou.

Meu primeiro amor,
Encanto do Ser,
Este padecer,
Sem o teu calor.

Na recordação,
Traça a triste dor
Do seu grande amor,
Na estagnação.

Carlos Cebolo
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quinta-feira, 2 de julho de 2015


VELHA DOR

Dor silenciosa e triste,
Esta dor que me chateia,
A dor minha que resiste,
Como a luz de uma candeia,
Resiste ao passar do tempo,
Sem deixar um só lamento.

Minha dor inútil e velha,
Já por si empoeirada,
Que à idade se ajoelha,
Deixando a vida adiada,
Agarrada ao sentimento,
Sem fluir o pensamento.

Essa dor sem compaixão,
Da juventude perdida,
Fecha este meu coração,
Deixando aberta a ferida,
No profundo firmamento,
Encoberta pelo vento.

Carlos Cebolo
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terça-feira, 30 de junho de 2015


TRANSFORMAÇÃO

Na imaginação de olhos que adormecem,
Sono profundo do frágil pensamento,
Solta-se a pobre alma do seu vil tormento,
No vasto limbo por onde vai e vem,
Deixando as mágoas naquele Mundo sem cor,
Revivendo em pensamento a sua dor.

Naquele lugar de uma saudade estendida,
Onde a alma fora do Ser não desfalece,
E o corpo que dorme também não padece,
Na vontade de o ser, assim compelida,
Para sentir a tristeza no seu amor,
Da alegria que seu corpo tem fervor.

E por mais que a imagem se alongue sem fim,
No breve engano que forma seu tormento,
Leva sua saudade no pensamento,
Para também se sentir livre de mim
E assim fugir daquela tristeza e dor
Que transforma todo este meu grande amor.

Carlos Cebolo
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segunda-feira, 29 de junho de 2015


RÉSTIA DE ESPERANÇA

Do sol, colher apenas um raio
De luz que transforme aquela luz,
Para se ouvir novamente o Gaio
Cantar, no seu poleiro de cruz.

De gregos sermos apelidados,
Por políticos de fraca montra,
Votar bem, quando formos chamados
E mostrar que também somos contra.

Ocaso derradeiro da vida,
Num cessar do agudo grito mudo,
Jejum austero de alma ferida,
Reclama um pedaço deste Mundo.

E o povo ferido e descontente,
Mantém a arma na sua mão,
Coragem necessária na mente,
Para assim, poder dizer que não.

Haja uma vontade de mudança,
Sem ter medo de fazer por tal,
Acabar de vez com a desconfiança
Derrubar quem ao povo, quer mal.

A casa do povo, sem o ser,
Com políticos e corrupção,
Criou todo o novo amanhecer,
Do luso que perdeu a Nação.

Carlos Cebolo
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sexta-feira, 26 de junho de 2015


O MORRER DA ESPERANÇA

Morre a esperança por entre os dedos cerrados,
No correr da vida duma triste lembrança,
Grita por liberdade com olhos velados,
Na angústia de ter deixado de ser criança.

Palavras e intenções apenas por herança,
Aquela terra prometida que não foi
Esse seu testamento que traz na lembrança,
É lança deixada numa ferida que dói.

Assim, ter de viver p’ra não morrer de pasmo,
Com gestos que estrangulam o seu triste grito,
Contrariando nesta vida, o seu marasmo.

De quem nada sabe e nada também viveu,
As memórias contadas em triste conflito,
Daquele usurpador que por lá faleceu.

Carlos Cebolo
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quinta-feira, 25 de junho de 2015


NÃO EXISTEM FLORES

Naquele jardim ressequido,
Não existem flores.
Naquele chão de amor perdido
Estão ausentes as cores
Brilhantes ao Sol,
Daquele lido girassol.

Não existem flores!...
Pétalas murchas dum pensar,
Com as suas dores.
Sol que deixou de brilhar
No cair do amor,
Jardim exíguo de cor.

Jardim outrora querido,
Pecados de amor
Na corpo e alma sentido,
Perdeu seu calor,
Naquele jardim ressequido,
Repleto de dor.

Carlos Cebolo
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quarta-feira, 24 de junho de 2015



AMOR DE VERÃO

Um raio de sol no horizonte,
Naquele ocaso derradeiro,
Sentir claramente sentido,
O esconder-se atrás do monte,
A vergonha de ser primeiro
No outro lado arrefecido.
No lado norte é quente verão,
No sul, arrefece o sertão.

Por cá, temos a sua glória,
Tempo de amor passageiro,
Na luxúria que o corpo sente.
Verão quente que faz história,
Naquele ocaso derradeiro,
O sabor que meu lábio sente,
No beijar tua pele sedosa,
Raio de sol, na pele sequiosa.

Teu encanto, tua beleza,
Sentir profundo da alegria,
Sabor na pele do quente sal,
De tudo e nada, ter certeza.
Amor de verão, sua magia,
Água fresca, sol infernal,
O sentir de fortes emoções,
Traz à mente, recordações.

Carlos Cebolo
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terça-feira, 23 de junho de 2015


TUA IMAGEM

E naquele dia amor!
No dia em que cruzei com teu olhar,
Tua luz, tua cor,
Teu firme caminhar…
Senti no meu corpo esse teu calor.

Sorriste para mim,
Teu estilo malandro, conquistador,
Perfume de jasmim,
Esse teu suave odor,
Encanto celeste do meu jardim.

Essa tua imagem,
Corpo e alma em perfeita rima e prosa,
Poesia selvagem,
A belíssima rosa,
O deslumbre da minha miragem.

Carlos Cebolo
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segunda-feira, 22 de junho de 2015


ILUSÕES

Entre áleas da avenida estreita,
Solta-se as rédeas do gibão,
D. Quixote que assim espreita,
Os sonhos da sua ilusão.

Contra ventos e vendavais,
O gibão se põe a galope,
Dores sentidas e outros ais,
Espada na mão fere o golpe.

Sonhos sentidos na emoção
De quem de amores se perdeu,
Canta louvores ao seu brasão,
De um Mundo que já não é seu.

Carlos Cebolo
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