Acerca de mim

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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

sexta-feira, 24 de agosto de 2018



TRISTE AMOR

Neste meu prazer tangente de mágoa,
Além do teu corpo, quero o impudor
Das carícias quentes do teu amor,
Sabor refrescante das frias águas,
Acalmando toda essa minha dor.

No crepúsculo do dia a estrela vela,
Pelo amor que ficou além do amor,
Que o nascer d’aurora pouco revela,
As mágoas sentidas na minha dor,
Entre a luz escassa da guia estrela.

E assim, seguindo quem já vive ausente,
De quem o mesmo amor também reclama,
Apaga a chama que o amor não consente,
Deixando esfriar a já fraca chama,
Memórias esquivas da própria mente.

Imaginação do olhar que adormece,
Entre suspiros que já não concedo,
Nem em sonhos onde o amor aparece,
Enfraquecido com todo o seu medo,
O triste amor que aos poucos desfalece.

Carlos Cebolo


segunda-feira, 20 de agosto de 2018




POR DETRÁS DO ESPELHO

Salpica de sangue essa terra vermelha,
Com gotas naturais da triste beleza,
Naufraga na encruzilhada da incerteza,
Espelho de água que a nada se assemelha.

Enganos e mentiras de uma traição,
Por entre feitiços da cúpula do tempo,
Imagem reflectida de um contratempo,
Do outro lado do espelho essa solidão.

Essa fecunda terra que lhe deu pão,
Da qual foi arquitecto e seu pintor,
Dessa vida também seu grande escultor.

Sem ter qualquer temor ou hesitação,
No desbravar da terra sempre venceu
E por detrás do espelho a vida perdeu.

Carlos Cebolo


quarta-feira, 15 de agosto de 2018



SEMPRE ALEGRE VIVE A ESPERANÇA

Sempre alegre vive a esperança,
Neste meu peito assim desnudo,
Eco do grito sempre mudo,
Neste tempo sempre em mudança.

Gostos falsos assim fingidos,
Com o tempo trazem seu pavor
E acentua esse desamor,
Dos gritos surdos já sentidos.

Quem se cansa na fantasia,
De ter amor com perfeição,
Terá sempre essa alma vazia.

Vazia do amor verdadeiro,
Nos cuidados sem isenção
Como aquele seu amor primeiro.

Carlos Cebolo


segunda-feira, 13 de agosto de 2018



OCASIÕES

Se em mim vive a inseparável lembrança,
Daquele tempo passado que foi meu,
Sonho e velo nos braços de Morfeu,
Renascendo em mim, toda essa esperança,
Do nosso amor que ainda não morreu.

Se com desdém afastas meu desejo,
Refugio cansaço do teu tormento,
De tal sorte não serei eu isento,
Das mágoas sentidas no nosso beijo
e solto flui todo esse pensamento.

Se alguma hora, essa tristeza foi suave,
Como suave será o fraco vento,
Na brisa que sopra nesse momento,
Saberei que o momento não é grave
E juntos venceremos o tormento.

Carlos Cebolo


sexta-feira, 10 de agosto de 2018



ILUSÃO (REBITA)

Faz-me falta aquela rebita,
Som do batuque encandecido,
Bela mulata que acredita,
No simples olhar do seu sentido.

E aquela mulata gentia,
Vestido de chita a rodar,
Lembrança do amor que partia,
Nas lágrimas do seu chorar.

E a rebita continuava,
Na noite quente do sertão,
Lágrimas que o rosto molhava,
Na tristeza do coração.

Nessa tristeza vai dançar,
Semblante triste e indeciso,
Aquela mulata a chorar,
Disfarça a dor com seu sorriso.

Mais tarde vai adormecer,
Nessa velha esteira de palha,
Com o seu pensamento a correr
E não há sonho que lhe valha.

Carlos Cebolo



quarta-feira, 8 de agosto de 2018



EFÉMERA PAISAGEM

Pensativo, olho o horizonte!...
Montes e vales que alcanço
Como a água serena do rio que corre,
Seguindo o caminho da eternidade.
Em estuário calmo se espraia,
Num abraço mortal que alimenta
Aquele amor que foi seu
E do velho mundo se ausenta.

Olhando mais além,
Por onde esse rio corre,
Caminhos estreitos
E longínquos precipícios,
Vejo em seu redor.
Sombras vagos com seus suplícios,
Lavam nas águas a sua dor,
Do grande amor que ficou aquém.

Altos montes no seu pedestal,
Olham o rio que sereno corre,
Naquele sopé traçado pelo verde vale
E o longínquo mar onde ele morre,
Naquele abraço do seu final.

Efémeras são aquelas doces águas
De um rio que se quer eterno,
Na beleza de tal paisagem,
Onde montes e vales criam
O próprio céu e o seu inferno,
Lavando as tristes mágoas.

Com o passar do tempo,
Tudo pode acabar!...
O bicho homem se encarregará
De tudo ser efémero.
As montanhas deixam de o ser,
Os rios perdem o seu curso
E o próprio mar,
Nesse contratempo,
Das suas dunas se afastará.

Carlos Cebolo






segunda-feira, 6 de agosto de 2018



BRANDO SENTIR

Esta manhã, o nevoeiro cerrou,
No sentir de uma cama sempre fria,
Migalhas de um prazer que se sentia,
Naquele amor que com o tempo passou,
Por entre os sentires que a paixão levou.

São fluxos da vida com seu esteio
Manchados pela rotina sentida,
Nesse pensar do passado da vida,
Sabores amargos, familiar e caseiro
Por onde canta mais alto, o amor primeiro.

São ideias trocadas de uma vida
Que se atravessa olhando esse passado,
Tão natural, tão belo e desejado,
Onde aquela flor do amor foi sentida
E a paixão não se encontrava perdida.

Carlos Cebolo


sexta-feira, 3 de agosto de 2018



MÃE ÁFRICA

Foi árvore, deu mirangolo,
O sabor da maravilha,
Essa mãe preta e o seu colo,
No aconchego sem mantilha.

Deixa a verdadeira vida,
A árvore do meu saber,
Sentiu-se infeliz na partida,
Naquele triste amanhecer.

Da terra triste e queimada,
Na saudade lembra a vida,
Com essa lágrima chorada,
O seu filho na partida.

Deu sombra ao seu homem branco,
Criou as próprias raízes,
O cultivo em lume brando,
Desses tempos infelizes.

Pelo povo deu a vida,
Mirangolo no saber,
Colheu o sol de cada dia,
Com ele plantou seu amor.

Carlos Cebolo


quarta-feira, 1 de agosto de 2018




DEVAGAR

Devagar meu amor que o tempo escoa,
Como a vida que foge no presente,
Na estrela mais brilhante o sonho voa
E o passado que foi, já não se sente.

Guardado na memória mais profunda,
As palavras e os olhares de um indeciso,
Cheiros e sabores que não se confunda,
Na ternura sempre que for preciso.

Nos versos mais remotos que eu fiz,
Falar de nós foi sempre intemporal,
Como intemporal será ser feliz.

Essas memórias que ouso recordar,
Fechadas no jardim do Eder final,
Lembra-me que ainda há tempo p’ra amar.

Carlos Cebolo


segunda-feira, 30 de julho de 2018



ESCOMBROS DO TEMPO

Passa o tempo seguindo o seu sentido,
Com ele, leva as minhas recordações,
Em mim, só o dúbio ficou retido,
As lembranças de infante e sensações.

Salvo esta vera alma que em mim ficou,
Que viu passar mistérios concedidos,
Entre rumores que o tempo matou,
Poemas de luz, no seu íntimo escondido.

Não sei, quem foi vencido ou vencedor!...
Se a vida passada que se viveu,
Ou esta que se vive com essa dor,
Lembrando esse tempo que já morreu.

Memória pálida que então ficou,
Cravada na fonte do vencedor,
De quem por lá, só grande obra deixou,
Sem ter sido rei, mas grande senhor.

Carlos Cebolo


sexta-feira, 27 de julho de 2018



NOITE DE BATUCADA – RENOVA-SE A ESPERANÇA

Cai a noite é com ela o silêncio triste…
Um delírio febril atinge a sanzala
Com aquele chorar do quissanje
Que a pura alma não lhe resiste.
Gemem as marimbas em mãos ágeis
E aquele feminino corpo se embala
Na perfeita melodia que o batuque tange.
Ondulam as palmeiras nervosas e gementes,
Ao ritmo daqueles corpos quentes
Das virgens que nessa fortaleza, são frágeis.

Sangra a virgem aquele vermelho lume
E entre aquela gente, não há ciúme
Que faça sofrer um jovem coração.
Raça triste que se mostra sempre alegre
E a negrura da pele se confunde com a escuridão,
Como toda aquela alegria, só faz esquecer a escravidão
Do passado presente que o mundo ignora.

Povo submisso a seus iguais, no íntimo de raça brava,
Dança ao som voluptuoso da música escrava.

É noite de batucada com toda aquele desventura,
Onde a virgem oferece o seu corpo na noite escura.

Naquele bailar estonteante que enaltece a raça
De um povo que a própria doçura abraça.

Nas noites quentes do sertão,
Aquela chuva que molda o pano
À escultura corporal que abraça o coração
E naquele desespero sentido, ilude o próprio engano.

Por entre as sombras tristes das grandes palmeiras,
Arrepia o caminho, imitando as trepadeiras.

Prossegue o batuque pela quente noite fora
E já com aquela dormência da luxúria que desmaia,
Adoram a noite que aos poucos se vai embora.

Nasce o dia de uma nova aventurança
E aquele povo sente novamente a velha esperança.

Carlos Cebolo


quarta-feira, 25 de julho de 2018




CARTAS DE AMOR

Chorar, choro de vagarinho!
Acompanho o tempo que avança,
Nesse teu olhar adivinho
Que sonhas por uma mudança.

O falso amor é desleal,
E os corações são infiéis,
Todo o amor tem o seu final,
Cartas de amor são só papéis.

Papéis que provocam a dor,
São lidos em recordação,
Cartas que já foram d’amor,
São sonhos na solidão.

Carlos Cebolo





segunda-feira, 23 de julho de 2018




ZUNGUEIRA

Na quimbala fruta fresca,
Um lenço de pano-cru,
Manga goiaba caju,
O bom sabor que refresca.

Do musseque a caminhada,
Duro pão de cada dia,
De uma vida já tardia
Com essa vida desgastada.

Esse ananás meio verde,
Abacate e bom limão,
Pés descalços pelo chão,
Vem matar a minha sede.

Zungueira de profissão,
Uma flor já desfolhada,
Sua pele já foi queimada,
Na venda do ganha pão.

Sua fruta meia verde,
Deixou perfume no ar,
Aquele corpo a balançar,
Não matou a minha sede.

Seu futuro está queimado,
Também o seu lindo rosto,
Há noite sente desgosto,
Desse tempo perturbado.

Ananás e fruta pinha,
Frescura da Natureza,
Zungueira com tal beleza,
Mata esta  sede que é minha.

Carlos Cebolo




sexta-feira, 20 de julho de 2018



SOLENE MOMENTO

Solene momento da partida,
Com esse ar frio de uma noite calma,
Jaze o corpo vazio sem alma,
Nessa mortalha da despedida.

Pinho com seu relevo lavrado,
Sem sentir contra si esse frio,
Lágrimas soltas formam seu rio,
Sobre esse corpo assim repousado.

Aos deuses, uma causa se agradeça,
A vida dessa alma que partiu,
Com os seus sonhos na vida que ruiu,
Ficar algo que nunca se esqueça.

Sossego da fronte que repousa,
Ficando retido na memória,
Os feitos da vida que fez história,
Procura-se em tudo, uma outra causa.

Carlos Cebolo


quarta-feira, 18 de julho de 2018



PITANGA MADURA

Que destino mais selvagem,
Será este meu destino,
Num puro olhar de menino,
Aquela mulata virgem.

Com acordes de diamante,
Entre a luz em tom de prata.
De uma lua radiante,
Preenchem os olhos da mulata.

Vive essa vida que tange,
Entre os ramos da palmeira,
Ao som do belo quissanje,
A mulata foi primeira.

Seus lábios cor de pitanga
Corpo feito de mulher,
Com adornos de missanga,
Aquele amor que ela quer.

Carlos Cebolo



segunda-feira, 16 de julho de 2018



SONO SEM DONO

Hoje, ao acordar, senti ser meu sono,
Quem sou, na ignorância do meu viver,
E do meu pensamento não ser dono,
Querer entre os lençóis permanecer.

Corpo langue com imagem desfocada,
No desfrute que só o amor consente,
Incógnita mulher a mim abraçada,
Sorvendo os sorrisos da minha mente.

Sonho rebelde num sono dormente,
Explodindo nas veias ressequidas,
Os fluídos de uma sensação quente,
Por entre o imaginário de outras vidas.

Assim, senti em mim tua presença,
O chamamento de um amor bandido,
Que no sono plantou sua sentença,
Como flor viva de um ramo partido.

Carlos Cebolo


quarta-feira, 11 de julho de 2018




QUEM ME SONHA

Quem me sonha neste Mundo finito?
Não vejo flores no transparente véu!
Sigo a estrada com esse sonho infinito,
Por entre as sombras que escondem o céu.

Liberto da paisagem nítida e calma,
Por onde voa a esperança retraída,
Naquele horizonte vertical d’alma,
Na procura incessante da partida.

Quem me sonha, comigo não ficou
Entre o linho bordado com essa luz,
No doce desejo que em mim poisou,
Abrindo a esperança que o beijo seduz.

Se esse sonhar fosse uma realidade,
Do amor que se sente assim desejado,
Sentiria nele essa eternidade,
Na esperança do nosso beijo selado.

Carlos Cebolo



quinta-feira, 5 de julho de 2018




OUVE ESTA CHUVA CAIR SUAVEMENTE

Ouve esta chuva cair suavemente,
Diz-me o que esta chuva te faz sentir,
Cheiro da terra molhada presente,
O final da Primavera a sorrir.

Assim se sente a nossa natureza,
Húmida naquela ânsia de um grande amor,
Fluídos inundam o corpo na incerteza
E toda a dúvida se transforma em dor.

Ouve esta chuva cair suavemente,
Escuta o seu telintar com atenção,
O grande amor surge tão de repente,
Que por vezes, provoca confusão.

Sinais que por vezes são naturais,
Um sorriso, um olhar no seu sentir,
Sensações que provocam os seus ais
E aquele desassossego volta a surgir.

Carlos Cebolo


segunda-feira, 2 de julho de 2018



CAMINHOS ESTREITOS

Sonho vago, penumbra do pensamento,
Cofre onde se guarda todo o desamor,
Deambula a felicidade desse momento,
As feridas de um coração cheio de dor.

No sentido poético que vai passando,
Confundem-se esses olhares langues e famintos,
Por entre as asas de uma gaivota voando
Naquele círculo de inexplicáveis instintos.

O amor, é o verdadeiro alimento d’alma
Que naquele jardim belo e outrora florido,
Clareou a noite numa atmosfera calma,
Deixando no corpo, um perfeito sentido.

Entre homem e mulher, num sentido atraente,
Sem deixar surgir esse ínvio amor frustrado,
Triunfa todo esse desejo que se sente,
Na esperança de voltar a ser desejado.

Carlos Cebolo


sexta-feira, 29 de junho de 2018




CONTRASTE

A vida é um livro cheio de surpresas,
Umas desejadas outras nem tanto,
Os anos vão corrente e tudo é pó,
Como pó ficará o estado da vida.
Heranças que ficam para sempre presas,
Nas magras folhas do livro do encanto
E o espírito para sempre fica só,
Nessa folha solta já percorrida.

Passam gerações, nada se renova,
No eterno deambular, nada se escuta
E os fios do inverno, formam os cabelos,
Esquecendo todos aqueles anos belos
Da vida passada muito mais nova,
Acolhendo esse sofrer que a alma enluta.

No fim próximo que aos poucos se revela,
Relembra essa juventude florida,
Que o bom sábio chamou de eterno zelo,
Nos anos dourados de vida bela,
Desse passado que tenta relê-lo.

Carlos Cebolo


quarta-feira, 27 de junho de 2018




ENCANTO DE UMA MOCIDADE

Oh!... Que ilusão do olhar que me atormenta,
Mostrando sempre essa humana fraqueza,
Entre espanto, angustia e toda a incerteza,
De uma vida onde o amor não se concentra.

Por mar além com todo o ego sofrido,
Canta louvores da triste realidade,
A enlevada sereia da mocidade,
Vida traçada sem o seu sentido.

Que terra foi aquela na lonjura
Deixada nesse passado sombrio,
Esse amor quente que aconchega o frio,
Na redoma de tão grande aventura?

Será fraqueza ou apenas saudade,
De algo tido sem a sua existência,
Ou uma metáfora sem ter ciência,
Aquele encanto de uma mocidade.

Carlos Cebolo



segunda-feira, 25 de junho de 2018



PRESENTE PASSADO

Passo a passo, a lembrança da vida!...
Retractos daquele velho passado,
Água morrente no seu cantar,
Recordando essa coisa querida
Perdida no desejo guardado,
Entre motes que querem ficar.

Não chames mais pela água passada
Que não responde ao triste cantar,
De quem ama verdadeiramente.
Margens soltas de uma madrugada,
Na descrença de um triste rezar
Que a própria natureza consente.

Fotos perseguem todo o passado,
Numa transformação inconstante,
Como a água passada que não volta
Àquele campo que já foi regado,
Na anterior passagem da água corrente,
Mesmo sentindo tão vil revolta.

Carlos Cebolo


segunda-feira, 18 de junho de 2018



ECO DA SOLIDÃO

No deserto da vida a solidão,
Desse saber viver sem estar só,
Neste mundo aberto em confusão,
Toda a beleza se transforma em pó
Nessa certeza de ocasião.

É vasto o Mundo nessa existência,
Puros sonhos que a beleza povoam,
Imagens, concepções dessa essência,
Por onde soltas asas revoam,
Naquela aparente inocência.

Sem firmeza no fraco interior,
No mundo que aos poucos desabou,
Perde a crença no bom criador
E a esperança que em si mesmo criou,
Sem esquecer toda aquela dor.

Carlos Cebolo

quarta-feira, 13 de junho de 2018



CHORO DE ÁGUA

Naquela serra cheia de arvoredo,
Cai fria uma água límpida da fonte,
Água corrente que cai no fraguedo,
Em espuma branca que cobre aquele monte.

Lágrimas da Huíla que se misturam,
Em forma de gota que a terra molha,
Por entre os sons e mesinhas que curam.
As maleitas de quem, para elas olha.

O chorinho de água fria corrente,
Que a serra liberta no seu prazer,
São lágrimas que este meu corpo sente
Secar num sofrer, sem nada fazer.

Carlos Cebolo



segunda-feira, 11 de junho de 2018




ESPAÇO FINITO DE PERFEIÇÃO

No limitar aquele espaço finito de perfeição,
No formar o manto de formosura da Natureza,
Ouve-se do rio, o eco daquela voz da criação,
Eloquentes sentidos esculpidos com toda a certeza.

Serpenteia o Lima, lavando as margens da maldição,
Rodeando a capela com toda a sua fragilidade,
Lembrando as lendas deste povo com sua devoção,
Por não ser cidade, vila ou aldeia, não tem idade.

Grande Tejo, profundo Douro, rios embandeirados,
Este Lima com alma que inspira toda a sua gente,
Em busca de aventura, banha os corpos enamorados.

Por essas piscinas naturais que formam suas margens,
Sem se ser letrado, canta-se e escreve-se o que se sente,
Com todo o deslumbre sentido por tão belas paisagens.

Carlos Cebolo
carlosacebolo.blogspot.com/




quarta-feira, 6 de junho de 2018



O NADA TAMBÉM EXISTE

Pétala sem cor, desprendida e revolta,
Naquele pequenino instante que existe,
Com esta vida sem vida completa,
Também é ser, esse ser que não volta
E o sonho, por ser sonho é sempre triste
Como a tristeza é o sentir do poeta.

Assim serei, sonhador indeciso
E o vento orador, falando de mim,
Entre aromas, roseirais e seus espinhos,
Eu chorarei, sempre que for preciso
Soprar as cinzas mortas do jardim
Desse teu peito, colhendo carinhos.

A primaveril noite com o seu frio,
Alimenta as ondas de um mar crescente,
Sem ver o fundo no seu naufragar.
O meu sonho, metido num navio,
Percorre o teu corpo, assim inconsciente,
Sorvendo os teus seios com o meu beijar.

Depois, todo o amor é assim perfeito,
Como lisa é a praia na ondulação,
Apesar de escuro esse mar profundo,
Tudo se transforma e vive a preceito,
Como perfeita é a lavra de um vulcão,
Que aquece as entranhas do nosso mundo.

Carlos Cebolo