Acerca de mim

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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

sexta-feira, 14 de setembro de 2018




COLONO

Naquela noite de calmaria,
Quando a lua no seu luar sentia,
Ele a própria vida semelhava,
Naquela terra que lhe sorria.

À noite no silêncio chorava,
Naquele pranto que a terra molhava,
Junto à rude barraca que ergueu
E onde com a família viveu.

Sendo colono, foi criador
E à própria terra roubou a cor,
A tez morena que o sol queimou,
Cultivando essa terra que amou.

Cobria o rosto esse agricultor,
Com essas mãos talhadas pela dor,
Colhendo o pão que o alimentava,
O homem forte que também chorava.

Chorava por amar quem amou,
A Terra bela que o acompanhou,
Em toda aquela sua aventura,
Talhando firme essa sepultura.

Carlos Cebolo





quarta-feira, 12 de setembro de 2018



ONDA SUAVE

Tudo está calmo e sossegado,
Suave espraia a onda na areia,
Esse amor que em mim serpenteia,
Não deixa de ser desejado.

A onda que suave assim bate,
A esse grande amor se sujeita,
Contra todos os rumores se deita,
Ouvindo sinos a rebate.

No seu silêncio repousado,
Sentindo aquele amor ardente,
Nos seus braços fica deitado.

No sonho encontra seu amado,
Com o passado sempre presente,
E o desejo sempre guardado.

Carlos Cebolo


quarta-feira, 5 de setembro de 2018



ADIADO DESTINO (Ascendência)

Muitas vezes, apetece-me ceder,
Desilusão do corpo envelhecido,
Com esta triste vida adormecer,
Dentro de um mundo que já foi pedido.

Vejo o sofrimento sem o sentir,
De quem, acamado perdeu o norte
Com o rosto que já não sabe sorrir,
Talhando nesse tempo, a sua sorte.

Essa vida suspensa por um fio,
Onde a lembrança já tudo apagou,
Sente já ter perdido o desafio.

Jogo constante dessa vida e dor,
Instantes da luta que se travou,
Nesse inverno, já sem o seu fervor.

Carlos Cebolo



segunda-feira, 3 de setembro de 2018




CIGARRA

Dos tempos que cantei, vou agora chorando,
Esse canto alegre que já foi passado,
Tempo quente de um sentir tão confiado,
Canto agora lágrimas que fui criando.

Se alguém me perguntar, não sei dizer quando!
Nem sei se alguma vez me senti enganado,
Ou se cantava apenas aquele passado,
Da juventude que o tempo foi julgando.

Sei que aquele meu cantar era de esperança,
No futuro que parecia brilhante,
Tão eterno como a pedra diamante.

E assim, repleto de toda a confiança,
Fui cantando esses desvaneios da mente,
Canções que ainda hoje, meu coração sente.

Carlos Cebolo



sexta-feira, 31 de agosto de 2018




PROMESSAS
(Politicamente falando)

No falar de moralidade,
Existe apenas um senão,
É fingir já não ter idade,
P´ra se meter em confusão.

O senhor doutor fala bonito,
Pensando que tudo está certo!
Nesse falar não acredito,
Nem colho cravos num deserto.

Com bons modos o povo aldraba,
Políticos de fraca montra,
No abrir dos olhos tudo acaba
E no final é tudo contra.

Contra o povo a quem votos pede,
Nesse fervor das eleições,
Acabando, nem se despede
E as promessas não são acções.

Política não é desporto,
Só não muda quem não quer ver,
Leve o barco para bom porto,
Com o capitão que se escolher.

Carlos Cebolo


quarta-feira, 29 de agosto de 2018



CÂNTICO MORIBUNDO

O meu cantar tornou-se moribundo
E todos os lamentos ouvem-se ao longe,
A descoberto do seu traje monge,
Grito surdo deste meu mar profundo.

Se a bela visão fosse fantasia,
Em ti eu não sentiria risos,
Nem meus gestos seriam indecisos
E esse tormento não o sentiria.

Amar-te seria minha aventura,
Por entre os sonhos dos meus desvarios,
Teus braços aqueceriam meus frios
E a vida não seria desventura.

Ai!... Se contigo pudesse eu sonhar
E esse sonho ser uma realidade,
Voltaria a ter essa mocidade
Perdida no tempo sem esse amar.

Carlos Cebolo



segunda-feira, 27 de agosto de 2018




FESTEJOS

Do centro desta vila
Vila de Darque chamada
Passa gente em debandada
Domingueira que vai à feira
Naquela louca canseira
Que da vila se faz vida

Reza ao Senhor da saúde
Que em Agosto tem romaria
Faz a história com atitude
De um velho cais que ganha vida
Com festejos na hora tardia
De gente assim divertida

Se S. Sebastião saísse
Do seu pedestal na igreja
Bem lhe pagava um cafezito
Sem promessa de quem o visse
Um voto de assim seja
Com todo o seu gabarito

Se da festa sair animado
Como animada fica a vila
O bom Darquense atarefado
Que sempre espera alguém
Está pronto a entrar na fila
Mesmo dançando com ninguém

Carlos Cebolo




sexta-feira, 24 de agosto de 2018



TRISTE AMOR

Neste meu prazer tangente de mágoa,
Além do teu corpo, quero o impudor
Das carícias quentes do teu amor,
Sabor refrescante das frias águas,
Acalmando toda essa minha dor.

No crepúsculo do dia a estrela vela,
Pelo amor que ficou além do amor,
Que o nascer d’aurora pouco revela,
As mágoas sentidas na minha dor,
Entre a luz escassa da guia estrela.

E assim, seguindo quem já vive ausente,
De quem o mesmo amor também reclama,
Apaga a chama que o amor não consente,
Deixando esfriar a já fraca chama,
Memórias esquivas da própria mente.

Imaginação do olhar que adormece,
Entre suspiros que já não concedo,
Nem em sonhos onde o amor aparece,
Enfraquecido com todo o seu medo,
O triste amor que aos poucos desfalece.

Carlos Cebolo


segunda-feira, 20 de agosto de 2018




POR DETRÁS DO ESPELHO

Salpica de sangue essa terra vermelha,
Com gotas naturais da triste beleza,
Naufraga na encruzilhada da incerteza,
Espelho de água que a nada se assemelha.

Enganos e mentiras de uma traição,
Por entre feitiços da cúpula do tempo,
Imagem reflectida de um contratempo,
Do outro lado do espelho essa solidão.

Essa fecunda terra que lhe deu pão,
Da qual foi arquitecto e seu pintor,
Dessa vida também seu grande escultor.

Sem ter qualquer temor ou hesitação,
No desbravar da terra sempre venceu
E por detrás do espelho a vida perdeu.

Carlos Cebolo


quarta-feira, 15 de agosto de 2018



SEMPRE ALEGRE VIVE A ESPERANÇA

Sempre alegre vive a esperança,
Neste meu peito assim desnudo,
Eco do grito sempre mudo,
Neste tempo sempre em mudança.

Gostos falsos assim fingidos,
Com o tempo trazem seu pavor
E acentua esse desamor,
Dos gritos surdos já sentidos.

Quem se cansa na fantasia,
De ter amor com perfeição,
Terá sempre essa alma vazia.

Vazia do amor verdadeiro,
Nos cuidados sem isenção
Como aquele seu amor primeiro.

Carlos Cebolo


segunda-feira, 13 de agosto de 2018



OCASIÕES

Se em mim vive a inseparável lembrança,
Daquele tempo passado que foi meu,
Sonho e velo nos braços de Morfeu,
Renascendo em mim, toda essa esperança,
Do nosso amor que ainda não morreu.

Se com desdém afastas meu desejo,
Refugio cansaço do teu tormento,
De tal sorte não serei eu isento,
Das mágoas sentidas no nosso beijo
e solto flui todo esse pensamento.

Se alguma hora, essa tristeza foi suave,
Como suave será o fraco vento,
Na brisa que sopra nesse momento,
Saberei que o momento não é grave
E juntos venceremos o tormento.

Carlos Cebolo


sexta-feira, 10 de agosto de 2018



ILUSÃO (REBITA)

Faz-me falta aquela rebita,
Som do batuque encandecido,
Bela mulata que acredita,
No simples olhar do seu sentido.

E aquela mulata gentia,
Vestido de chita a rodar,
Lembrança do amor que partia,
Nas lágrimas do seu chorar.

E a rebita continuava,
Na noite quente do sertão,
Lágrimas que o rosto molhava,
Na tristeza do coração.

Nessa tristeza vai dançar,
Semblante triste e indeciso,
Aquela mulata a chorar,
Disfarça a dor com seu sorriso.

Mais tarde vai adormecer,
Nessa velha esteira de palha,
Com o seu pensamento a correr
E não há sonho que lhe valha.

Carlos Cebolo



quarta-feira, 8 de agosto de 2018



EFÉMERA PAISAGEM

Pensativo, olho o horizonte!...
Montes e vales que alcanço
Como a água serena do rio que corre,
Seguindo o caminho da eternidade.
Em estuário calmo se espraia,
Num abraço mortal que alimenta
Aquele amor que foi seu
E do velho mundo se ausenta.

Olhando mais além,
Por onde esse rio corre,
Caminhos estreitos
E longínquos precipícios,
Vejo em seu redor.
Sombras vagos com seus suplícios,
Lavam nas águas a sua dor,
Do grande amor que ficou aquém.

Altos montes no seu pedestal,
Olham o rio que sereno corre,
Naquele sopé traçado pelo verde vale
E o longínquo mar onde ele morre,
Naquele abraço do seu final.

Efémeras são aquelas doces águas
De um rio que se quer eterno,
Na beleza de tal paisagem,
Onde montes e vales criam
O próprio céu e o seu inferno,
Lavando as tristes mágoas.

Com o passar do tempo,
Tudo pode acabar!...
O bicho homem se encarregará
De tudo ser efémero.
As montanhas deixam de o ser,
Os rios perdem o seu curso
E o próprio mar,
Nesse contratempo,
Das suas dunas se afastará.

Carlos Cebolo






segunda-feira, 6 de agosto de 2018



BRANDO SENTIR

Esta manhã, o nevoeiro cerrou,
No sentir de uma cama sempre fria,
Migalhas de um prazer que se sentia,
Naquele amor que com o tempo passou,
Por entre os sentires que a paixão levou.

São fluxos da vida com seu esteio
Manchados pela rotina sentida,
Nesse pensar do passado da vida,
Sabores amargos, familiar e caseiro
Por onde canta mais alto, o amor primeiro.

São ideias trocadas de uma vida
Que se atravessa olhando esse passado,
Tão natural, tão belo e desejado,
Onde aquela flor do amor foi sentida
E a paixão não se encontrava perdida.

Carlos Cebolo


sexta-feira, 3 de agosto de 2018



MÃE ÁFRICA

Foi árvore, deu mirangolo,
O sabor da maravilha,
Essa mãe preta e o seu colo,
No aconchego sem mantilha.

Deixa a verdadeira vida,
A árvore do meu saber,
Sentiu-se infeliz na partida,
Naquele triste amanhecer.

Da terra triste e queimada,
Na saudade lembra a vida,
Com essa lágrima chorada,
O seu filho na partida.

Deu sombra ao seu homem branco,
Criou as próprias raízes,
O cultivo em lume brando,
Desses tempos infelizes.

Pelo povo deu a vida,
Mirangolo no saber,
Colheu o sol de cada dia,
Com ele plantou seu amor.

Carlos Cebolo


quarta-feira, 1 de agosto de 2018




DEVAGAR

Devagar meu amor que o tempo escoa,
Como a vida que foge no presente,
Na estrela mais brilhante o sonho voa
E o passado que foi, já não se sente.

Guardado na memória mais profunda,
As palavras e os olhares de um indeciso,
Cheiros e sabores que não se confunda,
Na ternura sempre que for preciso.

Nos versos mais remotos que eu fiz,
Falar de nós foi sempre intemporal,
Como intemporal será ser feliz.

Essas memórias que ouso recordar,
Fechadas no jardim do Eder final,
Lembra-me que ainda há tempo p’ra amar.

Carlos Cebolo


segunda-feira, 30 de julho de 2018



ESCOMBROS DO TEMPO

Passa o tempo seguindo o seu sentido,
Com ele, leva as minhas recordações,
Em mim, só o dúbio ficou retido,
As lembranças de infante e sensações.

Salvo esta vera alma que em mim ficou,
Que viu passar mistérios concedidos,
Entre rumores que o tempo matou,
Poemas de luz, no seu íntimo escondido.

Não sei, quem foi vencido ou vencedor!...
Se a vida passada que se viveu,
Ou esta que se vive com essa dor,
Lembrando esse tempo que já morreu.

Memória pálida que então ficou,
Cravada na fonte do vencedor,
De quem por lá, só grande obra deixou,
Sem ter sido rei, mas grande senhor.

Carlos Cebolo


sexta-feira, 27 de julho de 2018



NOITE DE BATUCADA – RENOVA-SE A ESPERANÇA

Cai a noite é com ela o silêncio triste…
Um delírio febril atinge a sanzala
Com aquele chorar do quissanje
Que a pura alma não lhe resiste.
Gemem as marimbas em mãos ágeis
E aquele feminino corpo se embala
Na perfeita melodia que o batuque tange.
Ondulam as palmeiras nervosas e gementes,
Ao ritmo daqueles corpos quentes
Das virgens que nessa fortaleza, são frágeis.

Sangra a virgem aquele vermelho lume
E entre aquela gente, não há ciúme
Que faça sofrer um jovem coração.
Raça triste que se mostra sempre alegre
E a negrura da pele se confunde com a escuridão,
Como toda aquela alegria, só faz esquecer a escravidão
Do passado presente que o mundo ignora.

Povo submisso a seus iguais, no íntimo de raça brava,
Dança ao som voluptuoso da música escrava.

É noite de batucada com toda aquele desventura,
Onde a virgem oferece o seu corpo na noite escura.

Naquele bailar estonteante que enaltece a raça
De um povo que a própria doçura abraça.

Nas noites quentes do sertão,
Aquela chuva que molda o pano
À escultura corporal que abraça o coração
E naquele desespero sentido, ilude o próprio engano.

Por entre as sombras tristes das grandes palmeiras,
Arrepia o caminho, imitando as trepadeiras.

Prossegue o batuque pela quente noite fora
E já com aquela dormência da luxúria que desmaia,
Adoram a noite que aos poucos se vai embora.

Nasce o dia de uma nova aventurança
E aquele povo sente novamente a velha esperança.

Carlos Cebolo


quarta-feira, 25 de julho de 2018




CARTAS DE AMOR

Chorar, choro de vagarinho!
Acompanho o tempo que avança,
Nesse teu olhar adivinho
Que sonhas por uma mudança.

O falso amor é desleal,
E os corações são infiéis,
Todo o amor tem o seu final,
Cartas de amor são só papéis.

Papéis que provocam a dor,
São lidos em recordação,
Cartas que já foram d’amor,
São sonhos na solidão.

Carlos Cebolo





segunda-feira, 23 de julho de 2018




ZUNGUEIRA

Na quimbala fruta fresca,
Um lenço de pano-cru,
Manga goiaba caju,
O bom sabor que refresca.

Do musseque a caminhada,
Duro pão de cada dia,
De uma vida já tardia
Com essa vida desgastada.

Esse ananás meio verde,
Abacate e bom limão,
Pés descalços pelo chão,
Vem matar a minha sede.

Zungueira de profissão,
Uma flor já desfolhada,
Sua pele já foi queimada,
Na venda do ganha pão.

Sua fruta meia verde,
Deixou perfume no ar,
Aquele corpo a balançar,
Não matou a minha sede.

Seu futuro está queimado,
Também o seu lindo rosto,
Há noite sente desgosto,
Desse tempo perturbado.

Ananás e fruta pinha,
Frescura da Natureza,
Zungueira com tal beleza,
Mata esta  sede que é minha.

Carlos Cebolo




sexta-feira, 20 de julho de 2018



SOLENE MOMENTO

Solene momento da partida,
Com esse ar frio de uma noite calma,
Jaze o corpo vazio sem alma,
Nessa mortalha da despedida.

Pinho com seu relevo lavrado,
Sem sentir contra si esse frio,
Lágrimas soltas formam seu rio,
Sobre esse corpo assim repousado.

Aos deuses, uma causa se agradeça,
A vida dessa alma que partiu,
Com os seus sonhos na vida que ruiu,
Ficar algo que nunca se esqueça.

Sossego da fronte que repousa,
Ficando retido na memória,
Os feitos da vida que fez história,
Procura-se em tudo, uma outra causa.

Carlos Cebolo


quarta-feira, 18 de julho de 2018



PITANGA MADURA

Que destino mais selvagem,
Será este meu destino,
Num puro olhar de menino,
Aquela mulata virgem.

Com acordes de diamante,
Entre a luz em tom de prata.
De uma lua radiante,
Preenchem os olhos da mulata.

Vive essa vida que tange,
Entre os ramos da palmeira,
Ao som do belo quissanje,
A mulata foi primeira.

Seus lábios cor de pitanga
Corpo feito de mulher,
Com adornos de missanga,
Aquele amor que ela quer.

Carlos Cebolo



segunda-feira, 16 de julho de 2018



SONO SEM DONO

Hoje, ao acordar, senti ser meu sono,
Quem sou, na ignorância do meu viver,
E do meu pensamento não ser dono,
Querer entre os lençóis permanecer.

Corpo langue com imagem desfocada,
No desfrute que só o amor consente,
Incógnita mulher a mim abraçada,
Sorvendo os sorrisos da minha mente.

Sonho rebelde num sono dormente,
Explodindo nas veias ressequidas,
Os fluídos de uma sensação quente,
Por entre o imaginário de outras vidas.

Assim, senti em mim tua presença,
O chamamento de um amor bandido,
Que no sono plantou sua sentença,
Como flor viva de um ramo partido.

Carlos Cebolo


quarta-feira, 11 de julho de 2018




QUEM ME SONHA

Quem me sonha neste Mundo finito?
Não vejo flores no transparente véu!
Sigo a estrada com esse sonho infinito,
Por entre as sombras que escondem o céu.

Liberto da paisagem nítida e calma,
Por onde voa a esperança retraída,
Naquele horizonte vertical d’alma,
Na procura incessante da partida.

Quem me sonha, comigo não ficou
Entre o linho bordado com essa luz,
No doce desejo que em mim poisou,
Abrindo a esperança que o beijo seduz.

Se esse sonhar fosse uma realidade,
Do amor que se sente assim desejado,
Sentiria nele essa eternidade,
Na esperança do nosso beijo selado.

Carlos Cebolo



quinta-feira, 5 de julho de 2018




OUVE ESTA CHUVA CAIR SUAVEMENTE

Ouve esta chuva cair suavemente,
Diz-me o que esta chuva te faz sentir,
Cheiro da terra molhada presente,
O final da Primavera a sorrir.

Assim se sente a nossa natureza,
Húmida naquela ânsia de um grande amor,
Fluídos inundam o corpo na incerteza
E toda a dúvida se transforma em dor.

Ouve esta chuva cair suavemente,
Escuta o seu telintar com atenção,
O grande amor surge tão de repente,
Que por vezes, provoca confusão.

Sinais que por vezes são naturais,
Um sorriso, um olhar no seu sentir,
Sensações que provocam os seus ais
E aquele desassossego volta a surgir.

Carlos Cebolo


segunda-feira, 2 de julho de 2018



CAMINHOS ESTREITOS

Sonho vago, penumbra do pensamento,
Cofre onde se guarda todo o desamor,
Deambula a felicidade desse momento,
As feridas de um coração cheio de dor.

No sentido poético que vai passando,
Confundem-se esses olhares langues e famintos,
Por entre as asas de uma gaivota voando
Naquele círculo de inexplicáveis instintos.

O amor, é o verdadeiro alimento d’alma
Que naquele jardim belo e outrora florido,
Clareou a noite numa atmosfera calma,
Deixando no corpo, um perfeito sentido.

Entre homem e mulher, num sentido atraente,
Sem deixar surgir esse ínvio amor frustrado,
Triunfa todo esse desejo que se sente,
Na esperança de voltar a ser desejado.

Carlos Cebolo