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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

sábado, 24 de novembro de 2012



SABER AMAR
24/11/2012

Na solidão,
Abandonada,
Sem condição,
Um pouco do nada.
Rosto escondido,
Cabelos despenteados,
Coração ferido,
A alma aos bocados.
Encontrei-te só!
Soluçavas,
Teu aspecto metia dó!
Choravas.
Ergui-te do chão,
Abracei-te com sentimento,
Beijei a tua mão,
Amainei o teu sofrimento.
O meu pedido de desculpa,
Atingiu o teu coração,
Perdoaste a minha culpa,
Sem qualquer outra situação.
Magoei-te sem querer,
Por ter pensado ser pecado,
Dar e receber,
Mesmo sabendo estar errado.
Traumas do ser humano,
Por teimar sem saber,
Que no amor não há engano
E tudo se faz por o merecer.
Nesta tua solidão,
De dor e sofrimento,
Por erro sem ter perdão,
Ouves o meu lamento.
Tua alma altiva e sonhadora,
Mesmo com o coração ferido,
Mostra ser benfeitora
E libertas o que estava escondido.
Lágrimas que se ouviam,
De um coração que chorava,
Entre mãos que tremiam,
Num corpo que sonhava.
Tive medo de te perder,
Por várias vezes ter errado,
Ser perdoado sem o merecer,
Por muito ser amado.
Faz parte da Vida errar,
Na condição de ser humano,
Perdoar é saber amar,
No amor não há engano.

Carlos Cebolo


quarta-feira, 21 de novembro de 2012



Olhos Nos olhos
         21/11/2012

No teu olhar!...
Um chamamento de amor,
Que provoca em mim,
Um desejo de amar.

No ar, sinto o teu odor,
Um aroma fresco de jasmim.

Poisam os meus olhos nos teus
E vejo a tua perfumada alma,
Agarrada a mim na noite calma.

No teu olhar!...
Doce e penetrante,
Vivo todo o instante
E tempos do verbo amar.

Olhos nos olhos,
Navego pela tua alma
E sinto no teu sorriso,
A tua alma sempre acalma
E lágrimas nos teus olhos,
Que me fazem perder o juízo.

No toque do teu beijo,
Meu coração despertou
E sinto enorme desejo,
Na ansiedade que se gerou.

Teu olhar profundo,
Provoca em mim,
Delírio apaixonante
E suspiros sem fim;
Que me leva a um outro mundo,
Onde te vejo ofegante.

O teu olhar continua forte,
Penetrante,
Sensual.
O destino traça a sorte;
Solto um gemido alucinante
E sinto um cio animal.

O toque do teu beijo,
É o despertar dos sentidos,
O sussurro do coração,
Os avanços consentidos;
O clímax do desejo,
O satisfazer da paixão.

Nesta entrega delirante,
Onde tu e eu, somos um só,
Formamos o silêncio eterno
E as nossas almas apertam o nó.
Respiro o teu odor inebriante,
E adormeço no teu colo materno.

Olhos nos olhos,
Sinto o teu olhar.

Olhos nos olhos,
Sentes a minha dor.

Olhos nos olhos,
Mostras que queres amar.

Olhos nos olhos,
Mostro-te o meu amor.

Carlos Cebolo


segunda-feira, 19 de novembro de 2012



Amor Invernal
        19/11/2012

Chuva e dias cinzentos,
Impedem a minha alegria.

Conforto-me nos lamentos
E pensamentos de magia.

Chuva que molha o rosto,
Da minha amada à beira mar,
São lágrimas de desgosto,
Da alma triste a chorar.

Neste triste inverno da vida,
Sem aconchego e com dor,
Retarda a minha triste partida
Na esperança de encontrar o amor.
Amar, apenas por amar,
Sem se quer, ser amante,
No amor que se quer ofertar,
Sem receber ouro ou diamante.
O amor oferecido de graça,
Trocado apenas por amor,
É um belo estado de graça,
Sem causar qualquer dor.

Neste triste inverno chuvoso,
Tempo triste para amar,
Espera-se por algo radioso,
Para no futuro recordar.

No silêncio do tempo passado,
Angústias sentidas e sofridas,
Sinto-me também acorrentado,
Ao sofrimento de velhas feridas.
Este inverno cinzento, frio e triste,
De amores escondidos na escuridão,
Sinto que a alma ainda resiste,
No desespero e esperanças do coração.

O vento que sussurra e beija-me o rosto,
Carrega a chuva do meu forte lamento,
Que encharca a alma do triste desgosto,
Na lembrança de um belo sentimento.

A sede de amor no silêncio do imenso mar,
Dá asas à alma para poder voar,
Nas névoas frescas, da primaveril madrugada,
Que mergulha num mar de pérolas adornada.

Neste inverno húmido, triste e frio,
Oiço a tua voz na loucura calada,
Na doçura passageira do meu delírio,
Desta minha alma, por ti iluminada.
Este amor invernal de que padeço,
Sem sentir os teus lábios no meu beijo,
É duro presente que não mereço
E abafa o calor vulcânico do desejo.

Quero sentir-te nos beijos que te dou,
Ouvir uma canção em sons de felicidade,
Sentir o puro prazer de quem já amou,
No amor intenso que não escolhe a idade.

Carlos Cebolo

quinta-feira, 15 de novembro de 2012



PORTAS QUE ABRIL ABRIU
E QUE O POVO AINDA AS NÃO VIU
15/1172012

Educação,
Igualdade,
Saúde,
Liberdade de expressão,
Nacionalidade,
Tudo isto ilude.
Ilustre povo lusitano,
Que em Abril isto conquistaste,
És hoje, levado ao engano,
Pelos políticos que criaste.
Continuas a ser maltratado,
Na democracia do interesse
E apenas vês o futuro amaldiçoado.
Salários de miséria,
Trabalho quase escravo.
Políticos enriquecidos,
Com política pouco séria,
Que na lapela usam o cravo,
Dos heróis já esquecidos.
O tempo é de luta popular,
Mostra aos tiranos quem manda,
Este país é o nosso lar,
Vão reinar para outra banda.
Povo ilustre lusitano!...
Abre os olhos e vê com atenção,
De onde vem todo o engano,
Que governa esta Nação.
Poucos, cada vez com mais dinheiro,
O povo trabalhador passa fome,
Está a chegar o momento derradeiro,
Para acabar com o que nos consome.
As portas que Abril abriu,
O povo ainda as não viu!
O nosso voto é a nossa força,
Nas urnas deve ser plantado,
Não ergueremos a nossa forca,
Com o voto mal orientado.
Antes do Sol nascer,
Já estás de pé,
Na labuta sempre a correr,
Fortaleces a tua fé.
Procuras um Portugal,
Que em casa não falte pão,
Com o trabalho levantar a moral,
Para uma nova revolução.
Revolução da rosa ou cravo,
Com militares ou só o povo,
Não quer voltar a ser escravo,
Num país ditador de novo.
As portas que Abril abriu,
O povo ainda as não viu!
Povo ilustre lusitano,
De terras de Santa Maria,
Luta contra este engano,
Nas urnas da democracia.
Mostra bem a tua dor,
Sem medo e com valentia,
Derruba o novo ditador,
E a sua política doentia.
O tempo é de luta popular,
Mostra ao tirano quem manda,
Este país é o nosso lar,
Vão reinar para a outra banda.
Por mais que nos doa a garganta,
Não calaremos a nossa voz,
Enquanto houver entre nós,
Quem nos rouba a poupança,
Valendo-se da sua liderança
E com isso ficar contente,
O que rouba ou o que mente.
As conquistas de Abril,
Abertas para o povo,
Numa manobra vil,
Fecharam-se de novo.
Desigualdade que não se aceita,
Neste nosso eterno Portugal,
Onde o povo quer ser igual
E a nacionalidade não rejeita,
Em nome de uma qualquer seita,
Que tem a economia na mente,
Que sempre julgo que mente.
As portas que Abril abriu,
O povo ainda as não viu!
Se valores altos eu sentisse,
Em medidas sem ter Lei;
Por muito que eu já perdoei,
Se algo de bom se construísse,
Ou futuro de valor se previsse;
Na ilustre e ressequida mente,
Não mais direi que mente.
Povo ilustre lusitano,
Que em Abril tudo conquistaste,
Não te deixes levar no engano,
Por dívidas que não criaste.
Tudo que por nós foi conseguido,
Neste nosso eterno Portugal,
É sagrado contrato social,
Que agora se encontra corroído,
Com o dinheiro mal distribuído.
Há quem zumbe de quem sente
E quer que o povo fique contente.
As portas que Abril abriu,
O povo ainda as não viu!
Neste novo Mundo sem moral,
Rouba-se em plena luz do dia,
Utilizando a força ou a mestria,
Aplicando-se uma lei temporal,
Num ambiente por si só imoral.
O povo chora porque sente,
Que o belo país está doente.
Povo ilustre lusitano,
Que de terras de Viriato,
Partiste a desbravar o mar,
Não te dês ao encano,
Reage de imediato,
Não tenhas medo de lutar.
Má memória tem minha amada,
Esta terra das mais formosas,
Que já foste das mais poderosas,
Noutros tempos e era passada,
Cumpriste sempre a palavra dada.
Vê agora esta rude e triste gente,
O poderoso político que mente.
Povo lusitano de bom coração,
Sempre teve costumes brandos,
Com gente ilustre nos comandos,
Desta tão nobre e bela Nação,
Que em Camões já foi canção.
Neste chão que já foi semente,
Sente agora que o político mente.
As portas que Abril abriu,
O povo ainda as não viu!

Carlos Cebolo

quarta-feira, 14 de novembro de 2012


      
       A M A R
       
        14/11/2012


Se amar, pudesse eu amar,
Um amor eterno e ardente,
Por alguém perdidamente,
Em ti estaria a pensar.

Ser em ti, a eterna semente,
Dum amor na pura magia,
Deste mundo na alegria,
Da triste dor que se sente.

Por ser dor simplesmente,
O que este coração sente,
No infortúnio deste amor.

Aqui procuro salvaguardar,
O sofrer por tanto amar,
De quem sentiu tamanha dor.

Carlos Cebolo


domingo, 11 de novembro de 2012



TRINTA E SETE ANOS PASSADOS
11/11/2012

Passam dias,
Passam anos,
A saudade aperta.
Lembranças da juventude,
A vida que merecias,
Coisas que causam danos.
Lembranças despertas,
Uma outra atitude.
Recordações amargas,
Duma guerra civil,
Sem qualquer razão.
A mente desperta,
Com outros senãos,
Louvas o que sentias,
Desprezas o que é vil.
Hoje!...
Trinta e sete anos passados,
Perguntas pela razão.
Sonhos de uma vida desfeitos,
Rancores guardados,
Bem lá no fundo do coração.
Tudo pelos preconceitos.
Hoje!...
Trinta e sete anos passados,
Pensas que tudo poderia ter sido diferente.
Procuras culpas.
Culpas uns e outros de ambos os lados.
Aquilo que o povo sente.
Dentro de ti, a saudade,
Dos velhos tempos maravilhosos,
Passados na terra onde nasceste.
Criaste uma comunidade,
Aboliste os pensamentos odiosos,
Sabes de onde vieste,
Pregas a moralidade.
Hoje!...
Trinta e sete anos passados,
Pergunto-me de quem é a culpa.
Salazar poderia ter tido outra atitude!...
Os nacionalistas também.
As grandes potências deveriam ser menos egoístas,
O Mundo mais solidário.
Todos foram exagerados,
Não adianta agora as desculpas,
Fomos arrastados para outra latitude,
Levados pelo medo que o povo tinha,
E lá apenas ficaram os oportunistas.
A guerra, mostrou que o povo era otário,
Fugindo, deixando os seus bens abandonados,
E pensando sempre em culpas.
Poderíamos ter tido outra atitude?
Receber com agrado quem nos convinha?
Valorizando o verdadeiro temerário?
Abraçar aquilo a que estávamos destinados?
Poder, podíamos!
Mas não era a mesma coisa.
Era arriscar deixar a civilização adquirida,
Ano, após ano, suando a camisa,
Para viver na incerteza prometida.

Carlos Cebolo




quarta-feira, 31 de outubro de 2012



TRABALHADOR LUSITANO
31/10/2012

Antes do Sol nascer,
Já está de pé.
O tempo sempre a correr,
Diminui a sua fé.
É trabalhador de Portugal,
Que em casa não tem pão,
Neste país sem moral,
Pensa em nova revolução.
Revolução da rosa ou cravo,
Com militares ou só o povo,
Não quer voltar a ser escravo,
Num governo ditador de novo.
A tecnocracia que arruína o Mundo,
Entrou também em Portugal,
Trouxe o seu poder imundo,
Com uma política sem social.
O País está a ser destruído,
Por uma dupla sem moral,
Com um sistema corrompido,
Afundam o nosso Portugal.
Povo ilustre Lusitano,
De terras de Santa Maria,
Luta contra o engano,
Nas urnas da democracia.
Faz valer a tua dor
Sem medo e com valentia,
Derruba o ditador,
E esta política doentia.
O tempo é de luta popular,
Mostra ao tirano quem manda,
Este país é o nosso lar,
Vão reinar para outra banda.
O povo humilde, trabalhador,
Levanta-se antes do Sol nascer,
Volta depois do Sol se pôr,
Sem trazer dinheiro para comer.
Trabalha como um louco,
Procura a custo sobreviver,
O político faz ouvido mouco,
Pois só pensa em enriquecer.

Carlos Cebolo




segunda-feira, 29 de outubro de 2012



VÍCIO
29/10/2012

Este meu vício,
Que não controlo,
Desde o seu início!...
Amar,
Querer amar,
Poder amar,
Sentir consolo,
Ter o amor maior do mundo.
Amar, apenas por amar,
Com um sentimento agudo e profundo.
Sentir aromas,
Prazeres e delícias,
Em vários idiomas;
Com diversas carícias,
Que o corpo reclama,
Ao acender da chama.
No meu corpo arrepios,
Com o sopro nos teus seios,
Em constantes desafios,
Da provocação dos meus anseios.
Num impulso de magia,
Rasgam-se os véus,
Em ondulações de alegria
E apareces nos mares dos céus.
Nas marés do mar sem dias,
Nos amamos
E assim aparece em núpcias,
O amor que herdamos.
Continuo essa viagem sem fim,
Fugindo ao controlo dos desejos,
De gestos que tomam conta de mim,
E poiso nos teus seios doces beijos.
Assim realizado o meu amor,
Amar, apenas por amar,
Sem causar qualquer dor,
Sigo a viagem no imenso mar.
Sem controlar as emoções,
Ouvindo o prazer suave dos sentidos,
Desenlaço os nossos corações,
Nos acordos pré-decididos.

Carlos Cebolo






quinta-feira, 25 de outubro de 2012



O DESPERTAR DA AUSÊNCIA
           24/10/2012


Minha alma voa pelo éter,
Como o fluído da minha mente,
Num espaço sem fundo.
Todo o meu corpo é fonte,
De água pura do teu ser,
Safira verdadeira que se sente,
Naquele belo horizonte.
Sinto o teu doce odor,
Líquido espalhado pelo chão,
Que suaviza a minha dor,
Na nudez da minha aflição.
És livro em delírio surdo,
Que mostra a magia em suspiros,
Mas páginas do desejo mudo,
Que aumenta os meus delírios.
Suspenso no nada,
No infinito da essência do ser,
Vejo-te banhada na tristeza.
Amargurada!...
Mostras todo o teu padecer,
Sem de nada teres a certeza.
Da ausência sentida,
O desejo do regresso esperado,
A incerteza da vida merecida,
No silêncio inacabado.
Lá do alto,
No oceano do desejo,
Sinto o teu sobressalto,
Ao despertares com o meu beijo.
É a visão do paraíso,
O beijo em forma de flor,
O conjunto do nosso sorriso,
O voar nas asas do amor.
Ao acordar da minha ausência,
No bailado da lua, brilhante e pura,
Que floresce no nosso jardim,
Vejo-te destemida e nua,
Onde és rosa e eu jasmim.

Carlos Cebolo


terça-feira, 23 de outubro de 2012




PRELIMINARES
       23/10/2012

Os meus dedos exploram,
A tua nudez corporal,
Ávidos de aventura;
Seguem caminho selvagem,
Onde as almas choram,
No seu espaço intemporal,
Com falta de ternura.
Ao iniciar tão bela viagem,
Entro no teu jardim florido,
Com emoções registadas,
No teu vale humedecido.
Sonho com a flor delicada,
E poiso um beijo merecido,
No cálice da vida abençoada,
Com uma embriaguez extasiante.
Teus seios palpitam forte.
Teu ventre emite ondulação constante,
Que liberta em mim um desejo ardente.
Sinto a brisa quente.
Um aroma inebriante,
Premeia a minha boa sorte.
Oiço o prazer dos teus sentidos,
Entre gemidos meus
E perco-me no espaço sem fim.
Contigo viajo num espaço infinito,
Em compasso de sons emitidos,
Dos sentidos meus e teus,
Que toma conta de mim.
Na tua alma, oiço o meu grito
E no teu jardim da eternidade,
O meu sopro profundo,
Que se agita em liberdade,
Por entrar em outro mundo.
Sinto os teus lábios quentes,
No desejo da loucura,
Os nossos desejos ardentes,
Na mistura do néctar da doçura.
As emoções fortes sentidas,
No frenesim dos movimentos,
Inundam as nossas vidas,
Deixando fluir os sentimentos.

Carlos Cebolo

sexta-feira, 19 de outubro de 2012



O SABOR DA ALMA
         19/10/2012

O sabor das madrugadas caídas,
Os segredos das despedidas!...
Mostram o que na realidade és:
És brisa que acaricio,
Trovão do prazer no som da alegria;
És o meu constante desafio,
Aroma fresco no meu anoitecer,
Com o teu toque de magia,
Que me desperta ao amanhecer.
És terra, mar, doçura,
Instinto felino,
Que promoves a loucura,
No grande amor latino.
Respiro-te!...
Embalo-me nos sentidos da mente,
Entre algas perfumadas,
No teu mar de líquido quente,
Com brisas alteradas.
Espero-te!...
Nas palavras misteriosas que prenuncias,
Sinto o deslizar dos teus dedos em carícias,
Sobre a minha pele tremula de emoção
E oiço o teu grito ardente de paixão.
Chamas-me!...
Nesta viagem sem retorno e em delírio,
Navego no teu salgado mar,
Procurando nele poder acabar,
Com todo o meu triste martírio.
Quero-te!...
Bebo dos teus lábios o doce mel,
De prazeres misturados com fel,
Dum passado ainda presente,
Que o triste coração sente.
Entre caminhos perdidos,
Nesta loucura em que entramos,
Com belos prazeres oferecidos,
No local onde nos amamos.
Oiço-te!...
Os teus dedos cantam incessantes,
Os gritos silenciosos do desejo,
No som dos movimentos constantes,
Que culminam com um doce beijo.

Carlos Cebolo

quarta-feira, 17 de outubro de 2012



CAMINHO
17/10/2012

Caminho!...
Não vou só!...
Com o olhar fixos no horizonte,
Procuro uma imagem.
A meu lado,
Invisível,
Caminha a minha força interior.
É o meu anjo da guarda!...
A força que me faz caminhar,
Com passos vincados na areia molhada.
Oiço o rebentar das ondas do mar!...
Na areia, vejo a espuma espraiada,
Onde marco os meus passos
E procuro marcas da tua presença.
O meu olhar fixo no horizonte,
Apenas vislumbra mar e céu,
Céu e mar,
Que na sua junção formam um véu.
Uma única linha se vislumbra ao fundo,
Dando a ideia de uma união perfeita.
Caminho!...
Não vou só!...
Levo comigo a esperança,
A esperança de te encontrar
E contigo também formar,
A união perfeita na aliança.
Na areia molhada fica a marca,
Da minha solitária caminhada,
E as pegadas de uma pobre garça,
Que procura um peixe apanhar.
Também tenho fome e sinto dor
E aqui procuro encontrar-te,
O meu amor!...

Carlos Cebolo


segunda-feira, 15 de outubro de 2012




FEITIÇO
15/10/2012

Neste silêncio!...
Neste triste adormecer!
Na melancolia de acordar sem ti,
Sinto o mundo tremer.
Procuro regressar de onde parti,
Renascer e inventar-me na ausência,
Das desfocadas letras da esperança
E controlar a consciência,
Ganhando novamente a confiança.
Lembro a feiticeira da paixão,
Como surgiu
E como se apoderou da mente,
Sendo verbo que se tornou vulcão,
De um mundo que ruiu,
Vertendo o seu néctar ardente.
Feitiço forte!...
Mel que nos alimenta,
Com o seu doce toque.
Elixir de pura sedução,
Com o forte sabor a pimenta,
Que sufoca o coração.
Liberto-me da pura magia,
Na sombra de um amor por viver,
Da natureza nua da pura alegria,
Onde espero adormecer.
Seguirei só!...
Procuro outro caminho,
Em horizontes da certeza,
Sem piedade e sem dó,
De um futuro que adivinho,
Longe desta natureza.
Sou quente lavra!...
És neve fria!...
Uma agreste conjugação,
Na doçura da palavra,
Que a situação merecia.
Frio e quente,
A união do momento,
Dos sonhos perdidos na saudade,
Dum amor que ainda se sente,
Movido por forte encantamento,
De uma vida sem liberdade.

Carlos Cebolo

sexta-feira, 12 de outubro de 2012


         
           MORTE
             12/10/2012

Morte!...
Porque persegues a humanidade?
Tu que és mancha negra nefasta,
Que nunca de importas com a idade,
Nem tão pouco ligas à casta,
Queres traçar a nossa sorte?
Quem és tu velha hedionda,
Que percorres o mundo sem descansar,
Com a foice na mão provocas a onda,
Procurando alguém para levar?
Não tens qualquer critério,
Na escolha que fazes!...
De ti falam em mistério,
Que elimina os incapazes.
És o grande desconforto nunca visto,
Nem sentido neste pobre corpo teu,
Que sobreviveste a Jesus Cristo,
Mesmo sabendo que Deus não morreu.
E andas tu por este mundo,
Enganando os incautos humanos,
Com o teu pesar profundo,
Lembrando a perda de quem amamos?
Digo-te morte!...
Sempre que levares um menino,
Renovarás a nossa sorte,
Transformando-o em Ser divino.
O meu corpo é carne putrefacta,
Que as lavras o hão de comer!
E de ti, a minha alma ficará farta
E te vencerá sem nunca morrer.

Carlos Cebolo

quinta-feira, 11 de outubro de 2012






CAMINHOS OBLÍQUOS
            11/10/2012
      
Percorro oblíquos caminhos,
Como as ondas do oceano sem fim;
Vejo montes e vales marinhos,
Mas não vejo pedaços de mim.
Viajo de constelação em constelação,
Na esperança de te encontrar desnudada,
Com aquele teu ar de provocação,
Mas do teu corpo, não vejo nada.
Oiço gemidos profundos,
Que rodopiam ao meu redor,
Trazem o cheiro dos teus fluidos,
Mas da tua angústia, não vejo a dor.
Sinto o prazer nas brisas delicadas,
Que transportam o mundo de magia,
Onde percorro as ruas e calçadas,
Sem sentir a tua incessante agonia.
Continuo sem traçar o meu destino,
Nas lembranças de paixões perfumadas,
Seguindo os passos de um dançarino,
Na canção com semânticas inacabadas.
Com este tão forte desatino,
Que o próprio cosmo se sobrepôs,
Procurando encontrar outro destino,
P’ra canção que ele próprio compôs.
No despertar dos nobres sentidos,
Com o sussurro da forte paixão,
Respira-se letras em livros divididos,
Sem encontrar uma outra solução.
Caminho sem destino e sem sentido,
Escrevendo no espaço da imaginação,
Em lugares para muitos escondido,
No profundo recanto do coração.
É este o meu malfadado destino,
De uma sensualidade em liberdade,
Que me acompanha desde menino,
E que me levará à eternidade.

Carlos Cebolo


quarta-feira, 10 de outubro de 2012



ESSÊNCIA
10/10/2012

Meu doce oceano quente e pardacento,
Onde mergulhei minha mágoa triste,
Na magia do teu confortante lamento.
Sou alma errante e despida nesta solidão,
Na triste melodia do silêncio que persiste,
Em manter este malfadado sentimento,
Que desnuda qualquer outra ocasião.
Tua essência perfumada e penetrante,
Que à noite despe-se em brisa suave,
Tornando-se desafio constante,
No gracioso voo da bela ave.
Meu sonho em primoroso desafio,
Que do teu amor se sente ausente,
Dum fogo que se torna frio,
E que todo o meu corpo sente.
No teu pouco, procuro o consenso,
De uma bela constelação,
Entre a luz da lua prateada
E a luz de um pau de incenso,
Encontrar uma forte ligação,
Nesta triste vida adiada.
Foges da minha linha de visão,
Como o orvalho foge à luz do sol,
Nas primeiras horas da madrugada.
A ilusão prendeu este pobre coração,
Como um peixe preso na ponta de um anzol,
Mergulhado neste oceano do quase nada.
Continuo a escrever para ti,
Mulher de muitos rostos,
Mostro-te que de amor não morri,
Por amar diferentes gostos.
Tua ausência na visão do paraíso,
Mostra(me) a leveza do beija-flor,
No encanto do teu doce sorriso,
E afasta (te) o meu amor.

Carlos Cebolo