Acerca de mim

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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

quinta-feira, 30 de maio de 2013



REFLEXÃO

Não sei quem sou!...
Não sei o que sou!...
Por ter nascido na terra,
Dizem que sou terráqueo.
Se nascesse na estéril lua…
Com toda a beleza que encerra,
Talvez fosse lunático!...
Ou simplesmente alma nua.
Quem saberá?
Se o meu aspecto é humano
Por ter nascido assim…
Poderei renascer sabiá,
Se a encarnação não é engano!
Ou o que será de mim?
Renascer ou noutra coisa encarnar,
Morrer com esta incerta esperança,
Para à vida poder voltar,
Sem saber qual a mudança…
Que aspecto terei?
Serei lagarta metamórfica,
Que em algo me transformarei,
Ou humano, em humano fica?
Quem sabe!...
Quem de lá já voltou para contar?
Naquele infinito Mundo que se abre,
Para todas as almas poder albergar,
O que se espera lá encontrar?
Quem sabe!...
Ou será que, sendo pó,
Em pó nos tornaremos,
E tudo acaba sem piedade e sem dó,
E para morrer, apenas nascemos.
Mas se há alma, para onde vai?
Se não há, porque nos preocupamos?
Algo do nosso corpo sai,
Do invólucro que enterramos.
Em que te tornarás?
Quem sabe!...

Carlos Cebolo


terça-feira, 28 de maio de 2013



IMORTALIDADE DA ALMA

Dentro de mim, procuro a verdade…
O querer do crer na vida imortal,
Depois do invólucro e da vaidade,
O etéreo Mundo onde há moral.

Sempre se duvida da sua verdade,
Na confirmação da própria vontade,
Na verdade que se acredita ser real,
No querer mostrar que a alma é imortal.

Dogmas numa Maiêutica perfeita,
De uma busca sem ter resposta,
Em livros sagrados que se aceita.

Na vida procura-se a sua perfeição,
Na boa muleta onde o ser se encosta,
Ao deixar a terrena vida de perdição.


Carlos Cebolo

segunda-feira, 27 de maio de 2013


ALMA DE ÁFRICA

Kilimanjaro!...
Kilimanjaro!...
Bela montanha em céu aberto!
És a alma de África sofredora,
O nascer da vida como certo,
Numa paisagem acolhedora.
Símbolo branco da África negra,
Onde o negro Kalunga vai rezar,
Na forma do elefante que não nega,
A sua força para se libertar.
Tem o peso de alma sofredora,
Contado na Noética da vida.
Peso de uma alma sonhadora,
Que no Mundo marca a despedida.
Kilimanjaro!...
Kilimanjaro!...
Chora e chama o filho seu,
No abandono da triste partida,
Lamenta o que já morreu,
Naquela triste despedida.
O elefante carrega o peso da tristeza,
Do povo que sofre sem o merecer.
Reza por um presente sem certeza,
E espera ver, o futuro renascer.
Kilimanjaro!...
Kilimanjaro!...
És fonte de vida em terra seca,
Neve fresca em clima quente.
És para África a sua Meca,
A esperança viva daquela gente…

Carlos Cebolo






sábado, 25 de maio de 2013



ÁFRICA

África!...
O teu encantamento me seduz;
És mãe carinhosa e impreparada,
Terra vermelha e muito rica,
Onde o Sol brilha com muita luz.

Crias no teu seio a tua ninhada,
Mas o teu filho em ti não se fixa.

Com muita mágoa te abandonam,
Os filhos sedentos de liberdade,
Procuram paz noutros recantos,
E por lá, por ti sempre chamam.

Vão em busca da igualdade,
Levando na alma os teus encantos
E o cheiro que em ti se sente,
Nos rasgos da própria mente.

Desprezas os bons filhos teus,
Acolhes apenas os que te exploram,
Os teus filhos dizem-te adeus,
Com as lágrimas que agora choram.

África!...
Porque te portas assim?
A cor da tua terra doce,
É como se sangue fosse,
Nesse sertão sem fim…

…Sangue do filho que fica.

Se é sina que Deus te deu,
Teres riqueza e muita luz,
O que em ti já aconteceu,
É mal que a riqueza produz.

Ganancioso político que te consome,
Roubando as tuas grandes riquezas,
Deixa o teu povo a passar fome,
E um futuro sem ter certezas.

Carlos Cebolo



UM DIA SENHOR!...

Um dia senhor!...
Hei-de ser alguém…
Viver o meu sonho!...
Crescer feito um menino,
Alcançar a alegria de viver.
Esquecerei todo o horror,
Viverei aqui e além,
Neste Mundo medonho
E acordarei ao som de um violino.
Um dia Senhor!...
Deixarei de ser menino…
Serei homem feito
E lembrarei o horror…
Na melodia do violino,
Criarei um Mundo perfeito.
Um mundo onde haja igualdade,
Não mais haja fome
E tudo que nos consome.
Criarei a palavra moralidade,
Com o significado de amor
E esquecerei o horror,
Deste tormento que nos causa dor.
Um dia Senhor!...
Andarei por todo o Mundo,
Irei ao local mais profundo,
De país em país sem sobressalto
E verei tudo o que vês aí do alto.
Não passarei mais fome,
Não terei mais medo,
Nem guerra que nos consome,
Nem a vida a terminar cedo.
Um dia Senhor!...
Farei da música a minha bandeira.
Aos sons do órgão e do violino,
Sentirei a alegria verdadeira,
E serei novamente um menino.
Não mais serei soldado,
Matar o irmão para não morrer,
O som da metralha será odiado
E em todo o lado poder viver.
Um dia Senhor!...
Ouvirei em toda a África,
O som maravilhoso do violino,
Tocado com harmonia e graça,
Pelas mãos de um menino.
Um dia Senhor!...
Em vez de tiros, guerras e matanças,
Orquestras inteiras em harmonia,
Tocarão para todas as crianças,
A linda valsa da alegria.
Um dia Senhor!...
Deixarei de ser sonhador.


Carlos Cebolo

quinta-feira, 23 de maio de 2013



AMOR

É ter e sentir o momento,
É dar, receber e guardar,
No querer e seu consentimento,
Nas formas do verbo amar.
Amor é lume ardente da paixão,
É fogo, frescura que se sente,
Bem lá no fundo do coração,
Com laivos soltos da mente.
É força sentida na emoção,
Abraço forte de protecção,
Traços do sorriso na face ardente,
Que todo o nosso corpo sente.
Amor é querer e sentir emoção,
Num beijo guardado na recordação,
Do bom calor que o corpo sente,
No momento do encontro presente.
Amor é respeitar e aceitar,
Diferenças existentes no nada,
Que o corpo revela mostrar,
Na esperança da vida inacabada.
É amar a igualdade na desigualdade,
Lutar contra o preconceito,
Reprimir da sua mente a maldade,
Promovendo na vida o respeito.

Carlos Cebolo


quarta-feira, 22 de maio de 2013



ESTAGNAÇÃO

Vida triste, parada do nada,
Invólucro sem sal e pimenta,
Na junção de uma vida perdida,
Lembra a velhice que não tarda;
Na juventude que se ausenta,
Como forma de despedida.
Nasce-se para se envelhecer!...
Vive-se neste triste padecer,
Na triste vida que se sente,
Com o perder da fresca mente.
Estagnação!...
Sentido presente no sentires,
Do corpo pronto a envelhecer,
Nos sinais do tempo dos menires,
Querendo no sossego adormecer.
Estagnação!...
Ideias passadas pela mente,
Com amores desencontrados,
O sofrimento que se sente,
Com os tramas a ele associados.
Estagnação!...
Pensamentos levados pelo tempo,
Por ventos de mudança repentina,
Na metamorfose do contratempo,
Traçado à nascença, pela própria sina.
Há quem pense ser eterno,
Na juventude que passa sem avisar,
Como se vivesse no útero materno,
Sem ver todo o tempo passar.
Estagnação!...
Sentidos trocados em movimento,
Sempre com pesadelos na mente,
De uma agonia que não se sente,
Com a passagem do sentimento.
Vive-se agarrado à terrena vida,
Na esperança do amor materno,
Retardamos a nossa esperada ida,
Para o reino do bom pai eterno.


Carlos Cebolo

segunda-feira, 13 de maio de 2013




SIMPLESMENTE MARIA

Teu nome, Maria!...
Sem palavras nos consolas,
Nos tristes dias de agonia
Daqueles que vivem de esmolas.
Teu nome, Maria!...
Pronunciado mil vezes,
Fora e na cova de Iria,
Neste e em outros meses,
Mostra a fé que ele cria.
Teu nome, Maria!...
Representa a mulher,
Mãe da própria natureza,
Deusa que tudo cria.
Em ti procuramos colher,
O amor da nossa tristeza.
Palavras e mais palavras,
De alento e esperança,
No sofrimento que desagravas,
Fortaleces a aliança.
Oro por ti mãe bendita!...
Pergunto pelo filho teu,
Que o seu nome se bendiga,
Aqui na terra e no céu.
Não tenhais medo!...
Disseste aos pastorinhos,
Revelaste o teu segredo,
Mostraste os bons caminhos.
Maria foi o teu nome escolhido,
A alegria que o Mundo merecia,
Mesmo com o amor esquecido,
Serás Simplesmente Maria.

Carlos Cebolo



quinta-feira, 9 de maio de 2013



SERÁ QUE EXISTES

Oiço falar em Si!...
Em que língua! Não importa.
Mas será que existes?
Sua presença, eu não senti.
Não batestes à minha porta!...
Será que já me vistes?
Tenho sede e muita fome.
Não pedi para nascer!...
Mas cá estou!...
Esta vida que me consome,
Sempre com este sofrer,
Não sei para onde vou.
Senhor!...
Tem piedade de mim!...
Acalma esta minha dor!...
Este sofrimento não tem fim!...
Dá-me um pouco do teu amor.
O que vos fiz para o merecer?
O livro sagrado ensina!...
Diz que tudo vês.
Que todos somos filhos teus!
Mas não pedi para nascer!...
Desce aí de cima!...
Mostra-te por uma só vez!...
Alimenta os sonhos meus!...
Ensina-me a viver.

Carlos Cebolo

segunda-feira, 6 de maio de 2013


LEVA-ME CONTIGO M Ã E

Mãe!...
Quando fores passear,
Leva-me contigo…
Deixa-me sorrir e sonhar!...
Quero ver as ondas e o mar,
O Sol na água a brilhar.
Mostra-me o que o meu espírito anseia!
Fala-me das conchas e da linda sereia.
Ao fim da tarde, quando à casa chegar,
Deixa-me brincar…
Sou uma criança que precisa de amor!
Do teu precioso amor mãe! …
Não deixes de me amar.
Quando a noite chegar!
E depois do leitinho beber,
Põe-me com carinho a nanar.
Aconchega-me a mantinha,
Dá-me um beijinho com amor,
Mantém a minha cama quentinha,
Deixa-me sentir o teu calor.
Mãe!...
Não te zangues comigo!...
Ainda sou pequenina!
Não ligues ao que te digo;
Sou apenas uma menina.
Mãe!...
Quando eu for mais velhinha,
Que já não queira brincar,
E com uma vontade só minha;
Não me deixes de amar.
Mãe!...
Não tenhas pressa que eu cresça!
O tempo não volta atrás!...
Não queiras que também padeça,
Do mal que não te apraz.
À noite sozinha no meu quarto,
Penso que te posso perder!...
Enquanto para os sonhos não parto,
Fico por dentro a tremer.
Mãe!...
Tenho medo que morras um dia!
Amo-te muito querida mãezinha.
Se me faltasses, não sei o que faria,
Na vida adulta que se adivinha!...

(Carlos Cebolo)

terça-feira, 30 de abril de 2013



ELEFANTE KALUNGA

Elefante negro majestoso
Das terras do Kuamato.
Dá o teu grito de glória,
Não passes por medroso,
Luta para fazes história.

Não fiques aí deprimido,
Cabeça erguida é dignidade,
Escolhe um caminho decidido,
Procura a tua nacionalidade.

A riqueza que o país tem,
É do povo por direito,
Não deixes de a quereres também,
Reclama-a para teu proveito.

Angola não tem dono,
Abre os olhos Kalunga!...
Combate a mosca do sono.
Angola não é só Luanda,
Não é nada de outro Mundo.
O povo não é só Kimbundu,
Vê por onde a riqueza anda,
Reclama pelo teu futundo.

Kalunga parte as correntes,
Liberta-te da depressão,
Acaba com a tristeza que sentes,
Procura por outra condição.
.
Carlos Cebolo

quinta-feira, 25 de abril de 2013



MEMÓRIAS DE ABRIL

Uns choram!...
Outros cantam.
Nas asas da liberdade a opressão,
Da lei imposta sem condição.

Vive-se pensando na saudade,
De tempos que não voltam mais.
Tempos vividos na mocidade,
Hoje lembrados com ais.

Os ses sempre presente,
Na boca do povo que sofre,
As injustiças que o corpo sente.

E tudo o mais se consente,
A democracia guardada no cofre,
Desta pobre, mas nobre gente.

Festejos da data querida,
Com sonhos de vida mudada,
Da liberdade prometida,
O povo não vê nada.

Mudam-se os tempos,
Mantêm-se as vontades.

A liberdade plena do povo,
São apenas contratempos,
Onde se escondem as verdades,
De uma ditadura de novo.

Abril de vermelhos cravos,
Gaivotas da liberdade,
Formam novos escravos,
Na política da desigualdade.

Carlos Cebolo

segunda-feira, 22 de abril de 2013




NOITE LOUCA

Noite Louca!...
Gritos no silêncio do nada…
Ouvidos mudos da minha paixão!
Um beijo na tua boca,
O teu sabor na alma guardada,
Aquecem o meu coração.
Teu brilho no meu espaço,
A magia que é só tua…
Voar ao sabor do tempo,
No teu corpo que abraço,
Sinto a tua pele nua,
Guardada no pensamento.
Lágrimas soltas do teu olhar,
Teu perfume de primavera,
Que afaga o meu amanhecer.
A tua bela forma de amar,
Sempre à minha espera,
No prazer do entardecer.
Sonhadora, traças o destino,
Em lembranças sentidas,
Na brisa do nosso Outono.
Sonhas em sons de violino,
Lembras as almas esquecidas,
Perdidas nas noites sem sono.
Noite Louca!...
Sedenta de emoções,
Gritos surdos ouvidos,
Do som da tua boca.
Recordações
De amores vividos,
Que a alma sente
E o corpo consente.

Carlos Cebolo

sábado, 13 de abril de 2013


         

         BEIJO
Se beijar pudesse eu beijar,
Uma boca húmida e ardente,
Beijaria a tua simplesmente,
Por em ti, estar eu a pensar.

Ser em ti a chama ardente,
De um amor na pura magia,
Que este coração consente,
No teu doce beijo, a alegria.

Nesses teus lábios a segredar,
O amor que agora se sente,
No teu profundo embriagar.

Esses teus lábios quero lembrar,
Com o amor sempre presente,
O grande beijo que te quero dar.

Carlos Cebolo

quarta-feira, 27 de março de 2013



AGULHEIRO DOS MARES

Branco lírio que te perdeste,
Neste teu mundo encantado.

Cor com que a felicidade se veste,
No doce encontro com seu amado.

Véu esvoaçante no orgulho da magia,
Que a coroa de Neptuno ornamentou,
No longo momento da sua ousadia,
Quando a Nereu, Anfitrite roubou.

Rosa branca de véu imaculado,
Do seu seio sorveu o doce néctar,
De um amor que se quis abençoado,
Por Apolo no seu eterno cavalgar.

Recordo as Nereidas do alto mar,
Ninfas belas que se fizeram musas,
Dos poetas que souberam amar.

Este povo que se fez aventureiro,
Nas caravelas das gentes lusas,
Que do próprio mar, foi agulheiro.

Aquele bravo povo ilustre lusitano,
Que de terras de Santa Maria surgiu,
Vencendo o terror do Neptuno tirano,
Levou novas ao Mundo que descobriu.

Júpiter inconformado com tal ousadia,
Ao inferno e a Plutão ordenou punir,
Com doenças e toda a maligna magia,
Aquele povo que ousou o mar unir.

Branco lírio que te perdeste,
Neste teu Mundo encantado.

Novas portas ao Mundo abriste,
E por Vénus também foste amado.

Carlos Cebolo




terça-feira, 26 de março de 2013



MAR ETERNO

Mar!...
Ó mar eterno presente,
Nestes nossos sonhos encantados.
Foste feito para cantar,
A triste dor que o Mundo sente,
Dos poetas enamorados.
Fina-flor de espuma branca,
Castelo de alga marinha,
Que a minha boca, na tua alcança,
O sabor que a alma adivinha.
No amanhecer de puras delícias,
Encontradas no corpo teu,
Toco a imaginação com malícias,
Activo o fogo que não ardeu.
Mar!...
Ó mar eterno sonhador!...
No teu constante gemer sentido,
Cheiro-te em tons de canção,
A doce essência que procuro amar,
Na loucura da minha dor.
Neste tempo incerto sofrido,
Toco a magia da ilusão,
Do amor que quero alcançar.

Carlos Cebolo

segunda-feira, 25 de março de 2013




MUNDO IMPERFEITO QUE ME CRIASTE

Mundo imperfeito que me criaste,
Com ilusões de estrela brilhante,
Só coisas loucas em mim colaste,
E deixaste para outros o importante.
Por muito que queira sonhar,
E sentir o tempo que ecoa;
Ele teima em fugir do meu olhar,
Lembrando que a idade não perdoa.
Palavras perdidas na noite nua,
Sem norte no silêncio da distância,
Percorrem caminhos à luz da lua,
Procurando ganhar a confiança.
Escrevo em linhas tortas sem métrica,
Rimas que a própria vida consente,
Confundindo com letras a aritmética,
Da vida que quero sempre presente.
Da mente nascem versos que abraçam,
Todo o solitário e sofrido coração,
Sempre soprados com grande emoção,
Por desejos secretos que desgraçam.
És corpo e alma que não posso beijar,
Na grande magia do amor ausente,
Que a minha pobre alma à noite sente,
Quando te quer e não te pode tocar.
Crio ilusões desconhecidas,
Tento aos poemas dar voz,
Com toques e dores sentidas,
Que lembra um sentimento feroz.
Mundo imperfeito que me criaste,
Assim romântico mas não sonhador,
Em outros tempos também amaste,
Um pobre coração com muito amor.

Carlos Cebolo

sexta-feira, 22 de março de 2013


  
 CORPO E ALMA

O encanto da noite fascina!...
O vulto deambula na neblina.

Procura a sua gémea alma,
No silêncio da noite calma.

O reencontro sempre esperado,
Do seu corpo com outra alma,
No salão ardente e abençoado,
Daquele paraíso que os acalma.

Sente o desejo ardente chegar!...
Toca o odor de pétalas rosadas,
Mergulha nas ondas rasgadas,
Do doce cheiro para além do mar.

Rasga as vestes do tormento,
Em letras lidas que lhes ensina,
Amar a eterna dor do sofrimento.

Ouvem-se lágrimas que gritam,
No interior do corpo ondulado,
Onde os suaves ventos se agitam,
Compondo o momento esperado.

Lábios surdos num traço sem rumo,
Em memórias de gestos mudos,
De um vulcão ardente sem fumo.

Almas sem corpo que se desnudam,
Em ecos coloridos de outros mundos,
Na paixão dos corpos que saúdam.

Carlos Cebolo

quarta-feira, 20 de março de 2013



PRIMAVERA

Flor!...
Pétala aberta e colorida,
Arco-íris da natureza
Com todo o seu primor.
Flora verdejante e sentida,
Que ao Mundo traz firmeza,
Com a primavera e o seu amor.
Chilreiam os pássaros na alegria,
De nova vida poder criar,
Na estação da bela magia,
Que ao Mundo propõe amar.
Casais de namorados animados,
Espalhados por todo o lado,
A coberto da erva colorida,
Vêem o futuro em tons dourados.
O rei sol fica enamorado,
Da terra fértil e florida,
Com uma harmonia sem idade,
Que promove a felicidade.

Carlos Cebolo

quinta-feira, 14 de março de 2013



O DESEJO DE JÚPITER

Despe-se a noite quente,
No silêncio da lua,
Com traços de loucura.

Corpo de mulher ardente,
Aroma da sua pele nua,
Transmite toda a doçura.

Toques sentidos em asseio meu,
Odores que o corpo revela,
De um perfume que é só teu,
Com suave gosto a canela.

És mulher, em canto perdida,
Possuis e és possuída,
No amor que dás e sentes,
Em carinhos sempre presentes.

Ficarás para sempre retida,
Na paixão que a alma sente,
Com o calor do quente beijo.

No toque da magia sentida,
Vejo a paixão do teu desejo,
Na frescura da tua boca,
O sentir que te deixa louca.

Celeste aroma envolvente,
Desse teu corpo adocicado,
Onde o estro é libertado,
Para acordar o deus Morfeu.

Amor que a Vénus faz inveja,
Do teu corpo na noite quente,
Que Júpiter também deseja.

Carlos Cebolo

quarta-feira, 13 de março de 2013



SUPERSTIÇÃO

Não gosto de preto!...
Qual a razão?
Faz-me a morte lembrar;
Ao longe ou ao perto,
É sempre escuridão,
Mesmo quando há luar!...
Superstição?
Talvez não!...
Também o 13 para uns é azar,
Para outros é confirmação.
A menina deixa de ser criança,
Vê o seu corpo mudar.
O rapaz ganha confiança
E só pensa em namorar.
Superstição!...
Descrença nas crenças,
De passar por baixo da escada,
A desculpa para as doenças,
Que aparecem do nada…
Azar!...
Sorte!...
Destino.
Acreditar!...
Aceitar a morte como desígnio divino!...
Procurar e achar a culpa,
Onde ela não existe,
Ver na superstição a desculpa,
Para o mal que persiste.
Traumas do ser humano,
Que neste Mundo se criou,
Para se incutir o medo.
A religião também se dá ao engano,
Com os pecados que formou,
Tornando o Mundo mais azedo.

Carlos Cebolo

quinta-feira, 7 de março de 2013



FILHO DO MAR

Nas ondas sinto o lamento
E o desejo de te amar.
Sou mar, solidão e profundo,
Neste trono em que me sento,
És onda que procuro alcançar
Beijando o teu cálice fecundo.
Respiro o Sol que me aquece,
Beijo a chuva que me enche,
Afago a lua que não se esquece,
Com o brilho que te preenche.
És luz sentida na harmonia,
Num espaço sempre sereno,
Com tudo o que em ti se cria
E que ao Mundo se torna eterno.
Viajo com as estrelas cadentes,
Num segundo percorro galáxias,
Com amores e paixões ardentes,
Corrigindo as tristes displasias.
Filho de um deus menor,
Deste imenso mar que alimenta,
E que provoca também horror,
Nas invernias que se lamenta.
Ondas calmas e revoltas,
Na mística do gótico ardente,
De paixões que correm soltas,
E que o próprio corpo pressente.
Sou filho do mar, solidão,
Com sonhos que perturbam a mente,
Que fazem tremer o coração,
No grande amor que sempre sente.

Carlos Cebolo

quarta-feira, 6 de março de 2013


   
SEM ABRIGO

Tem a noite como lar,
As estrelas por companhia,
Uma cama de cartão ao luar,
Para esquecer o dia-a-dia.
Quase sempre almoço não tem,
Ao jantar, uma côdea de pão.
Espera o novo dia que vem,
Com tristeza e resignação.
Triste vida é a sua sina,
Sem esperanças na mudança,
A vida é que lhe ensina,
Desde o tempo de criança.
Não tem poiso onde ficar,
Estende a mão à caridade,
Sente o futuro passar,
Sem viver a mocidade.
Como nós, são humanos,
Sem sorte no nascimento,
Do Mundo trazem enganos,
No apoio ao seu tormento.
No rosto trazem a idade,
De uma vida em sofrimento,
Do seu país sem moralidade,
Que lhes nega o alimento.
São filhos de um deus menor,
Olhados com todo o desdém,
Por quem se sente maior,
Com a condição que agora tem.
Neste mundo cão sem moral,
O seu número é aumentado,
Neste nosso eterno Portugal,
Onde o pobre é maltratado.

Carlos cebolo



segunda-feira, 4 de março de 2013



AIROSA VAI MARIA

Pela rua fora sempre airosa,
Vai Maria e vai segura!...
Naquele passo firme,
Com um toque de candura
Que a torna mais formosa,
Libertando todo o charme.

Maria, mulher menina,
Olhar fixo no firmamento,
Nos lábios, um sorriso contente
Pelos piropos que a anima,
Sem revelar o pensamento
E aquilo que o corpo sente.

A alegria que a acompanha,
A alma cheia de esperança,
Naquele rosto enamorado
É beleza que não se ganha,
Mas que lhe dá confiança,
No encontro com seu amado.

Nos lábios leva um desejo,
Do amor que bem merece,
Alegria espalhada no rosto,
À espera de um doce beijo.
De tristeza ela não padece
E na vida não tem desgosto.

Lá vai Maria pela tarde fora,
Com o amor no pensamento,
Vai alegre e bem formosa.
Na magia do encantamento,
Com o segredo de outrora,
No peito uma linda rosa.

Doce alma, forte coração,
Sem temer a vil inveja,
Indo onde pode chegar,
Deixa longe a solidão.
Faz aquilo que deseja
E o Mundo procura amar.

Carlos Cebolo

sexta-feira, 1 de março de 2013


      
   MENDIGO

Na vida nada tenho pra dar;
Ando a mendigar pela cidade,
No silencio da noite sonhar,
Olhando pra bela mocidade.

Tenho na lua o quente manto,
À luz das estrelas sempre durmo,
Na bela noite do meu encanto,
Onde passo este meu triste turno.

Quem me dera ser como o morcego,
Que dorme sem ouvir o seu grito,
Mantendo na vida o seu sossego.

Estar para sempre a mendigar,
Espero olhar para o infinito,
Ver o verme da morte a passar.

Carlos Cebolo

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013




SOMBRA DE MIM

Sombra de mim,
Que outrora foste sonhadora,
Pujante na tua beleza sem fim,
Da juventude que marca a hora.
Flor-de-lis da minha alma,
Pétala branca do encantamento,
De um amor sempre secreto,
À espera do consentimento,
Ficando para sempre discreto.
Com o passar dos tempos,
O amadurecer da bela aurora,
No provir dos contratempos,
Surgido pela vida fora.
Serei tudo o que desejas,
Neste futuro presente,
Onde quer que estejas,
Com o teu amor ardente.
Esta sombra de mim,
Com forças para seguir,
Procura à tristeza pôr fim,
Com a alegria que provir.
Fim da linha da mudança,
O início da estabilidade,
Procura ter confiança,
Com o avançar da sua idade.
Anos vindouros presentes,
Chamas do ardente vulcão,
Que com a idade ainda sentes,
Na recordação da grande paixão.

Carlos Cebolo