Acerca de mim
- carlosacebolo
- Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
COBIÇA E AMBIÇÃO
I
Viajam sem ter o rumo na mão,
Com as regras que fizeram,
Disfarçam o que agora colheram,
Com cobiça e ambição,
Do medo que não tiveram.
II
Corre o tempo sem leme,
Neste Mundo desgovernado.
Tudo, o vento tem levado,
Com os perigos que não teme,
O político experimentado.
III
Neste país revolto e turvado,
Com governante que não teme,
Tudo que por si foi moldado.
Todo o povo sente e geme,
Neste Mundo desorientado.
IV
Para os tolos a compreensão,
Ver os maus que prevaleceram,
O gosto que sempre primaram,
Com toda esta simulação,
E castigos que não tiveram.
V
Possuem grande galardão,
Coisas que não mereceram
E glórias que não tiveram,
Em toda esta situação,
No posto que detiveram.
VI
O país que se foi perdendo,
Destrói todas as esperanças.
O país que vamos tendo,
Na situação que não entendo,
Sempre julgo que há mudanças.
VII
Nos terrenos por onde andaram,
A riqueza, apostaram que vem.
Fazer o mal que não deixaram,
Com o poder que controlaram
E ao justo roubaram também.
VIII
Com os tormentos que vivemos,
Desesperados pela bonança,
Que nesta hora merecemos
E pela força também gememos,
Na avaliação da falsa balança.
IX
Com o poder sempre na mão,
O destino que nunca tiveram,
Continuam o mal que fizeram,
Com grande cobiça e ambição,
Destroem o que já colheram.
X
Como nunca trabalharam,
Colhem o que lhes convém.
Com conversas enganaram,
O povo que perdeu o seu bem,
Dos tempos que amealharam.
Carlos Cebolo
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
PERCORRE A NOITE
Percorre a noite ao som da lua,
Sombra negra solitária e discreta,
Lágrimas escondidas na face nua,
Que correm livres na alma deserta.
Sonhos sonhados, encantos meus,
Delírio constante no amanhecer,
Em soluços tristes dos lábios teus,
Que me fazem agora esmorecer.
Colorido pecado em robe de cetim,
Perfume proibido de um anoitecer,
Que faz da sombra pedaço de mim.
Luz de estrela em magia de criança,
Alma altiva, sofredora no seu viver,
Que me faz sonhar e ter confiança.
Carlos Cebolo
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
EMBRIAGUEZ
A alma voa pelo infinito,
Como Fénix renascida,
À procura do seu mito,
No fluir da mente ferida.
Sente um doce desejo
E o corpo dormente,
Pelo odor espalhado pelo chão.
O sabor de um beijo,
Está no néctar presente
E no êxtase da paixão.
Em suspiros surdos,
Na sua eterna inocência,
Provoca delírios rubros,
Com a sua insistência.
É uma embriaguez ardente,
Na ânsia de encontrar o amor,
Que do seu estro consciente,
Se sente todo o fervor.
O desejo de um vulcão ardente,
Numa incógnita ansiedade,
Procura incessantemente,
A doce taça da fertilidade.
Corpo moribundo saciado,
Do divino néctar extraído,
Que nem Baco incontrolado,
No seu jardim florido.
O sentir do toque dos teus seios,
No meu peito humedecido,
Provocam-me devaneios,
No meu corpo adormecido.
Embriaguez!...
Excitação do divino ser,
Na nossa pequenez,
Neste eterno padecer.
Lavra incandescente,
Na tua pele suave e doce,
Faz renascer a semente,
Com se, do fruto fosse.
Carlos Cebolo
ROSA
MURCHA
Sonetos de desejo afagam o meu coração,
Dos teus dedos feito suave melodia,
Em lembranças sentidas de quente paixão,
Que estremecem esta minha alma tardia.
Neste eterno adeus sem ver a vil despedida,
Dançam ondas em lágrimas de saudade,
Do teu olhar constante na magia sentida,
Daquele amor distante da nossa mocidade.
A rosa murcha de um tempo agora incerto,
Disfarça ainda a tua suave pele arrepiada,
De um triste amor que segue o seu deserto.
É sombra que chora na dor que sente,
De uma mudança repentina inesperada,
Que na madura idade perturba a mente.
Carlos Cebolo
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
ANSIEDADES
Tuas mãos perfeitas,
Percorrem o meu corpo quente,
Com toques de veludo
E sedentes.
Sensações que se sente,
No corpo suado e desnudo,
Onde se ouve a própria alma.
Ansiedades vividas
E sentidas na noite calma,
Com volúpia arrepiadas.
Um grito da alma floresce
E solta mistérios escondidos,
Que o coração não esquece,
Mas domina os sentidos.
Carente de anseios de loucura,
Oiço o teu respirar
Na noite escura,
Fundido ao meu,
Que procura acalmar.
Sinto no teu toque aprimorado,
Que o amor não esmoreceu.
Aquele teu desejo guardado,
Solto com o teu toque de veludo,
Que o meu corpo agora bebeu,
Foi com o nosso beijo selado.
Contigo está a deusa do amor,
Que forma o Olimpo ardente,
Eterna morada da paixão,
Onde se vive todo o fervor
E os prazeres que a alma sente.
Em silencioso voo nocturno,
Aqueces as frias noites caídas,
Quando me encontro taciturno,
Com as constantes recaídas.
Carlos Cebolo
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
VISÃO DA ALMA
Vejo-te sem te ver,
Sem te conhecer,
Conheço a tua alma como ninguém.
Almas gémeas que em sonhos se unem,
Em volúpias sagradas dos sonhos lidos.
Nossos corpos desconhecidos dormem…
Sem te conhecer,
Conheço-te na essência da alma.
O ser volátil, semelhante ao meu,
Seres superiores que não controlamos,
O verdadeiro eu, em mim;
Em ti escondido;
Que tudo vê e não se vê.
Almas gémeas que se encontram,
Trocando carícias e amor ardente,
Em sonhos paralelos do sono profundo.
Nos meus sonhos!
Sonho contigo amor.
Meus lábios percorrem a tua pele.
Toques sentidos na alma,
Enquanto o corpo dorme.
Desejos ardentes,
Satisfação presente,
Comunhão irreal dos corpos,
Na desconhecida realidade da alma.
O invólucro corpóreo desconhecido,
Do teu corpo perfumado,
Que no virtual te conheço amigo,
É no virtual, amor correspondido,
Que nos sonhos é muito amado.
A visão da alma penetra longe!...
Alcança o que o corpo não pode
E tudo que para lá se esconde,
Com a manto que o cobre.
Mistérios!...
Dogmas que o corpo desconhece
E se deixa iludir.
Sonho e fantasia,
Do corpo que a qualquer momento arrefece,
Acabando com o amor que sentia.
Carlos Cebolo
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
RENOVAÇÃO
Foram madrugadas infinitas,
De sonos e sonhos revoltos,
Onde tudo acontece.
Magia em que acreditas,
Nos poemas soltos,
Onde o dia anoitece.
O tempo acorda vazio
E o Sol dança.
As estrelas adormecem,
Tremendo de frio,
Promovendo a mudança.
Nasce o dia!...
Outro dia, outra esperança,
Que a vida renova.
Na pouca luz entre a escuridão,
Procuro um acariciar,
Tendo o amor como prova.
Acabar assim a solidão,
Deste eterno caminhar.
No teu olhar!...
Sinto o desejo.
Mas minhas palavras o anseio,
Do teu toque de prazer.
Nos teus lábios o meu beijo,
E sem nada te dizer,
A minha mão toca o teu seio
E sinto o teu desejo.
O luar solitário escurece!...
E dá lugar a um Sol desmaiado
Com um tempo que já aquece.
Vejo no teu rosto,
A tristeza que se vai embora,
Levando consigo o desgosto,
E os pesadelos de outrora.
Carlos Cebolo
RENOVAÇÃO
Foram madrugadas infinitas,
De sonos e sonhos revoltos,
Onde tudo acontece.
Magia em que acreditas,
Nos poemas soltos,
Onde o dia anoitece.
O tempo acorda vazio
E o Sol dança.
As estrelas adormecem,
Tremendo de frio,
Promovendo a mudança.
Nasce o dia!...
Outro dia, outra esperança,
Que a vida renova.
Na pouca luz entre a escuridão,
Procuro um acariciar,
Tendo o amor como prova.
Acabar assim a solidão,
Deste eterno caminhar.
No teu olhar!...
Sinto o desejo.
Mas minhas palavras o anseio,
Do teu toque de prazer.
Nos teus lábios o meu beijo,
E sem nada te dizer,
A minha mão toca o teu seio
E sinto o teu desejo.
O luar solitário escurece!...
E dá lugar a um Sol desmaiado
Com um tempo que já aquece.
Vejo no teu rosto,
A tristeza que se vai embora,
Levando consigo o desgosto,
E os pesadelos de outrora.
Carlos Cebolo
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
MAR DOS SEGREDOS
Este mar que sempre enlouquece,
Água salgada que a vida procura,
Neste tempo de triste lamento,
Grita a dor que não se esquece.
Assim contorna toda esta loucura,
Na harmonia e espaço do pensamento.
Lágrimas salgadas do triste olhar,
Em palavras abandonadas no silêncio,
Dançam saudades do encantamento,
Das lindas musas do imenso mar.
Sons que preenchem todo o vazio,
Nestes tristes e belos momentos.
Na escuridão, o coração voa e espera,
Aguardando pelas horas perdidas,
No seu mar de ondas claras calmas,
Onde o amor sempre desespera.
Com as dores do corpo esquecidas,
Procura encontrar as tristes almas.
Este sonhador que o belo corpo habita,
Acompanha as suas lindas caminhadas,
Nas tristes estradas do bom invento,
Há procura daquilo em que acredita.
Na invenção das felicidades adiadas,
Sempre fica à espera do seu momento.
Segredos na lucidez do sonho realizado,
Em contraste com a realidade vivida,
Neste mar que desagua no momento,
Do sonho que ao acordar, fica acabado.
Uma constante vida paralela vivida,
Do tempo que esqueceu o sentimento.
Lábios mudos sem os ecos da tristeza,
De uma magia poética na sua ilusão,
Vivida em belos sonos sobressaltados,
Dos amores sonhados na incerteza.
São as marcas deixadas no coração,
De quem procura sonhos realizados.
São esmeraldas num rio sem cores,
Flechas de um cupido desastrado,
Em águas cristalinas de forte paixão,
Que fomentam estes tristes amores.
O corpo dorme e descansa sossegado,
Enquanto o espírito reacende o vulcão.
Carlos Cebolo
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
MINHA DOCE ESTRELA
A alma chama-te no murmúrio do vazio,
Rodeada de pétalas florais de Outono,
Na maravilhosa luz e cor do topázio,
Onde te encontras no sonhar do teu sono.
Sempre que olho para a tua bela estrela,
Que navega no velho mar do tormento,
Lembro-me do tempo que eras donzela,
E iluminavas todo o nosso momento.
Hoje, na boa luz das estrelas e sua magia,
Que dos teus olhos brota com luz brilhante,
Ainda se nota toda aquela nossa alegria.
Recordo as palavras de amor que trocamos
E na bonita idade de ouro e diamante,
Lembramos aquilo que mais gostamos.
Carlos Cebolo
ALMAS
GERMINADAS
Duas almas que se unem para sonhar,
No horizonte perdido de uma vida passada,
Temem a desilusão de um dia acordar
E sentir que a felicidade também foi adiada.
No frio inverno da tristeza com saudade,
Sentem-se no Mundo como estrela decadente,
Nas linhas e entrelinhas da tímida liberdade,
Que não disfarçam as dores que a alma sente.
À procura do amor na harmoniosa afeição,
Vivem as profundas marcas da vida perdida,
Na esperança de reacender a chama do vulcão.
Lágrimas caladas que voam na suave brisa,
De eterna saudade de uma gloria sentida,
Que o avançar da idade agora profetiza.
Carlos Cebolo
DESFRUTO-TE SEM TE TOCAR
Chama trémula da tua pele que respiro,
Em carícias de doce brisa sempre pura,
Que na ansiedade do meu forte arrepio,
Procuro constantemente na noite escura.
És amor que quero e não posso beijar,
Dona da magia e da minha amargura,
Que saboreio e desfruto sem te tocar,
Com estes lábios ardentes pela secura.
Tua doce voz chama-me na noite calada,
Como flocos de neve de um cristal fino,
Que no meu sonho, te torna mais desejada.
Numa incerteza de um poder que não sinto,
Procuro controlar este sentimento divino,
E ao dizer que não te quero!... Sempre minto.
Carlos Cebolo
O VOAR
DO TEMPO
Olho o voar do tempo que não para!...
Sinto saudades tuas,
Na loucura da vida já partilhada.
A paixão sentida na noite clara,
Das quentes madrugadas nuas,
Com destino e partida adiada.
Liberta-se o pensamento em brisas delicadas,
Sem medo, sente-se o perfume do amor,
No intenso cheiro da paixão.
As duas almas entrelaçadas
Que olham o mundo com pavor,
Esperam sempre o seu perdão.
Em silêncio, caminho pela estrada,
Com imenso desejo de te abraçar,
Tocar a tua alma com emoção.
Com este corpo trespassado pela espada,
De um destino que não quis traçar,
Sigo outro caminho sem condição.
Choro a saudade da tua ausência,
Oiço a melodia que existe em mim,
Na loucura de cruzar o teu olhar.
Fazer do teu pensar a minha consciência,
Em toques de ternura sem fim
E os teus carnudos lábios poder beijar.
Voo como um condor ao sabor do vento,
Cruzo o céu com grande determinação,
Louco pelo teu nome bem alto gritar.
Às estrelas segredo o meu triste lamento,
Procuro no seu forte brilho a compreensão,
Na esperança de um dia te voltar a encontrar.
Carlos Cebolo
TRISTE RECORDAÇÃO
(perdoa-me Luana)
Numa sinfonia nua e crua,
De um sentimentos sem rumo,
O silêncio em mim desagua,
No infinito da vida sem prumo.
Procuro esquecer o momento,
Em lágrimas sofridas de emoção,
Por te ter condenado à escuridão,
Pensando apenas no sofrimento.
O que fiz; Fi-lo por te ter amor!...
Não aguentei ver-te tanto sofrer,
Quando olhavas para mim com dor.
Ver o teu corpo magro de sofrimento,
Que a qualquer momento podia falecer,
É ainda hoje, o sonho do meu tormento.
Carlos Cebolo
domingo, 10 de fevereiro de 2013
MAR DO DESASSOSSEGO
Ondas de prazer baloiçam a minha mente!...
Dançam saudades no mar do desassossego,
De um olhar distante que o corpo consente,
Na brisa suave do Outono, no já fraco ego.
No desbotado arco-íris das tristes despedidas,
Num percorrer constante da vida adiada,
Encontra-se as tristes almas esquecidas,
De uma felicidade há muito desesperada.
Este pensamento constante do presente passado,
Que procura a custo reactivar a sua alvorada,
Neste triste inverno para sempre amargurado.
Dramas de um chegado inverno frio e cinzento,
De sonhos adormecidos na passada madrugada,
Que transformam o grito num suave lamento.
Carlos Cebolo
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
O OUTONO DA VIDA
No renascer da alvorada,
Um grito.
O silêncio da escuridão
Que ecoa em ouvidos moucos,
Inundam a tua boca desejada,
Com lágrima de luar salgada,
Que escore pelo rosto hirto.
Sonetos da indesejada solidão,
Percorrem o vazio como loucos.
Dançam saudades de outrora,
No desalinho ardente da saudade,
À procura da sua aurora,
Nos tempos perdidos da mocidade.
Este renascer tardio do amor,
Que encontra ecos distantes,
Em corações de idêntico fervor,
Que fazem dos seres, amantes.
No entardecer que vence o sono,
O tempo que nunca esqueceu,
Procura vencer o seu Outono,
Com o amor que sempre mereceu.
Este renascer da loucura,
De amar e ser correspondido,
Apenas procura ternura,
No sentimento de grande candura.
Na escuridão, o seu sonho voa,
Por entre nuvens iluminadas pelo luar,
À procura do chamamento que ecoa,
Na esperança de voltar a amar.
O espírito sente-se traído,
Com o chamamento que tarda em chegar,
Como o anjo por terra caído,
Que não se consegue levantar.
Carlos Cebolo
ANOS
CONTURBADOS DE UMA ANGOLA
EM MUDANÇA
XX Parte
Dois anos
depois de estar no Polícia, Carlos, que tinha os estudos necessários e
exigidos, concorre a subchefe. Passa no exame de admissão e vai para Alcântara
tirar o curso.
Depois do curso,
Carlos é colocado a seu pedido em Algés/Miraflores, como subchefe, uma vez que
para Viana do Castelo, teria de seguir uma lista de antiguidades.
Em Algés,
Carlos procurava estudar e tirar dentro da própria polícia, o maior número de
cursos e especialidades que pudesse, pois sabia que com certas especialidades,
poderia ir mais rápido para Viana do Castelo, sua terra adoptiva.
Ao ler a ordem
de serviço, reparou que a polícia estava a fazer concursos para instrutores de
educação física, cujo curso seria tirado no CEFA – Centro de Educação Física da
Armada, no Alfeite.
Mais uma vez,
Carlos concorreu, foi fazer provas e passou.
Foi então para
o CEFA, onde tirou o curso de educação física.
Com o curso na
mão, Carlos foi colocado em Viana do Castelo, como instrutor de educação física
da Polícia.
Em Viana,
estava em casa e a vida tinha melhorado bastante, não só em termos económicos,
mas também em estatuto.
Embora a vida
de Carlos tinha melhorado bastante, Carlos não ficou parado em Viana do
Castelo. Devido ao curso de educação física, foi várias vezes chamado para dar
instrução em Torres
Novas.
Carlos que não
era homem de ficar parado, continuou a tirar outros cursos que apareciam dentro
da Polícia
Atingiu assim
o posto máximo existente na polícia de base e aí, parou. O posto acima era o
início dos postos destinados aos oficiais da academia policial e para aí,
Carlos já tinha passado da idade.
Mas não parou
de estudar e tirar outros cursos específicos dentro da sua função.
Hoje,
encontra-se aposentado, mas não deixou de tentar fazer algo que o mantenha
ocupado.
Aderindo às
novas tecnologias, criou um blogue onde escreve contos infantis, diferentes dos
contos clássicos e já extremamente conhecidos e esbatidos, assim como também
escreve poemas, principalmente que o fazem recordar a sua terra natal. Angola.
Esta é uma
história verídica, vivida não só pelo autor, mas por milhares de portugueses
nascidos nos territórios africanos.
Uns, como
Carlos, tiveram sorte e refizeram a sua vida. Outros, menos afortunados, vivem
em completo abandono, esquecidos que um dia, foram os grandes defensores de
Portugal em terras de África.
FIM
Carlos Cebolo
Com este
capítulo termino este pequeno resumo de uma vida igual a tantas outras que, por
força de uma política mal dirigida, foi apanhada pelas teias de um drama vivido
na realidade da incerteza que depois de 37 anos, ainda continua a ter os seus
efeitos nefastos.
Pensei muitas
vezes se deveria aqui publicar ou não esta história verídica que pode trazer à
lembrança factos muito dolorosos. Mas depois de muito pensar, fiz questão de
publicar este pequeno resumo da minha vida, que como disse, é igual ou
semelhante a muitas outras de quem veio de África com a revolução, para que os
nossos descendentes possam saber um pouco QUEM SOMOS; DE ONDE VIEMOS; O QUE
SOFREMOS E O PORQUÊ DA NOSSA CONSTANTE REVOLTA. (Os factos narrados
reportam-se apenas ao período entre 1961 a 1976)
O autor
Carlos António de
Oliveira Cebolo
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
ANOS
CONTURBADOS DE UMA ANGOLA EM MUDANÇA
XVIII Parte
Eram perguntas
que Carlos fazia constantemente a si e ao resto da família.
Andou por
Albufeira a tentar arranjar emprego. Chegou mesmo a ir até Faro e Portimão, mas
nada.
Carlos sabia
que o dinheiro, dez contos que ele e sua esposa tinham trocado, não iriam durar
sempre. Além disso, numa consulta médica tiveram a confirmação que sua esposa
estava grávida.
Em Angola, nos
últimos tempos, não havia contraceptivos e num casal jovem, casado a pouco
tempo, era normal isto acontecer, por mais cuidado que se tivesse.
Esta situação
mais preocupou Carlos e a família.
Em conversa
com o gerente do hotel, Carlos foi informado que no Norte do país era mais fácil
arranjar emprego. O norte tinha muita indústria e o Algarve vivia apenas do
turismo.
O cunhado de
Carlos, irmão da mulher, tinha a mesma idade de Carlos e também, como Carlos,
tinha casado em Angola, mais ao mesmo no mesmo tempo, teve conhecimento que a
família de sua esposa estava em Viana do Castelo, no Norte do país.
O cunhado de
Carlos foi assim incumbido de ir ao Norte, ver a família da esposa e sondar
possibilidades de emprego.
De Viana do
Castelo telefonou a dizer que na realidade no Norte havia mais possibilidades
de emprego e que Viana não era assim tão frio como diziam.
Carlos e toda
a família, resolveram assim pedir ao IARN a sua transferência para Viana do
Castelo.
Foi assim que
Carlos trocou um hotel de cinco estrelas, junto ao Mar, no Algarve, por uma
pensão sem estrelas, numa rua escura em Viana do Castelo.
Carlos tinha
metido o seu processo como professor primário, no quadro geral de adidos e
estava à espera de resposta. Enquanto esperava, procurou trabalhar em algo que
aparecesse.
Fazia de tudo um pouco, para arranjar dinheiro
honesto. Trabalhou como estivador no porto mar de Viana do Castelo, sempre que
necessitavam de carregar algum navio e não havia trabalhadores suficientes, ou
os trabalhadores normais, fizessem greve; Trabalhou como ajudante de funerária,
sempre que o dono de uma funerária que também tinha vindo de Angola,
necessitava de pessoal para ajudar nos funerais; trabalhou como empilhador de
lenha para o forno numa padaria. Em fim trabalhava em tudo que aparecia, desde
que fosse honesto.
Quando chegou
uma carta do quadro geral de adidos, Carlos ficou esperançado, mas. ao abrir a
carta a desilusão foi total.
O seu processo
não tinha sido aceite, uma vez que tinha sido nomeado como professor primário
por um governo provisório em Angola e esse organismo não tinha qualquer valor
em Portugal, embora a sua nomeação tivesse saído num boletim oficial da
República Portuguesa. E mesmo que tivesse qualquer valor, teria de ter pelo
menos três anos de ensino, o que não era o caso.
Com essa informação,
Carlos ficou ainda mais preocupado e procurava a todo o custo, arranjar algum
trabalho que fosse fixo.
Para agravar a
situação, sua esposa tinha dado à luz, em 08 de Novembro de 1976, um menino. O
parto tinha corrido bem, mas a criança tinha nascido com um problema num pé.
Tinhas o pé boto.
Durante uma
noite, ao ouvir as notícias no televisor da pensão, viu o pedido para
alistamento nas forças de segurança.
IXX
Parte
Carlos estava
farto de fardas, pois há pouco tempo atrás tinha sido militar no norte de
Angola, mas viu ali, uma oportunidade de emprego estável que lhe permitisse
fazer os tratamentos necessários ao seu filho.
No dia
seguinte foi à esquadra da cidade pedir os papéis. Teve sorte. Como graduado de
serviço, estava um subchefe que tinha vindo de Angola e que encorajou Carlos a
seguir em frente.
Carlos meteu
os papéis e aguardou.
Poucos dias
depois, recebeu uma carta para se apresentar na Polícia para fazer provas.
Carlos fez as
provas e dias de pois, recebeu outra carta para se apresentar em Torres Novas para
fazer a recruta.
Carlos lá foi
para Torres Novas. Se por um lado ia contente por ver a possibilidade de voltar
a ter um emprego estável, por outro ia triste e preocupado por deixar a sua esposa
com o filho apenas de dois meses de idade.
Em Janeiro de
1977 entrou finalmente para a Escola prática de Polícia em Torres Nova e depois
da recruta foi colocado em Lisboa na Esquadra da Mouraria.
Sem conhecer
Lisboa. Carlos preocupou-se em arranjar um roteiro das ruas da cidade e um
mapa. Durante as horas de folga, percorria Lisboa a pé para conhecer melhor a
sua zona de acção.
Em Lisboa,
Carlos além do serviço normal de patrulha que durava seis horas, fazia também
os chamados gratificados. Gratificados eram serviços particulares, feito para
particulares, mas nomeados pela esquadra. Nomeadamente a casas de espectáculos,
futebol, hospitais, etc.
O dinheiro que
Carlos ganhava no seu serviço normal de polícia, era remetido para a sua esposa
e Carlos vivia em Lisboa com o dinheiro que recebia dos gratificados.
Foram tempos
difíceis, mas o mais importante era o seu filho ficar bom da perna, o que veio
a acontecer graças aos tratamentos feitos no hospital Maria Pia no Porto. Hoje
o filho de Carlos está completamente normal e até foi tropa.
Carlos não
sabia nada sobre a sua família que tinha ficado em Angola, pais e irmãos. Mas
como sabia o local onde eles estavam a residir na altura em que Carlos abandonou
Angola, Carlos escreveu uma carta na esperança de receber notícias.
Um mês depois,
recebe uma carta de sua mãe a dizer que o seu irmão mais velho e o seu pai
tinham sido presos pelo MPLA. O irmão por ter sido tropa portuguesa e o pai
pelo facto de não dizer que não sabia onde Carlos estava.
Os familiares
de Carlos ainda estiveram presos três anos, no forte de S. Nicolau na província
do Namibe e o irmão chegou mesmo a estar enterrado na areia da praia apenas com
a cabeça de fora para ver se confessava ser da Unita. Mas como não havia
qualquer acusação e depois dos negros naturais de Vila Arriaga dizerem que eram
boas pessoas é que foram soltos, Mas mesmo assim, de vez em quando eram
abordados com pedidos de víveres.
Como não eram
autorizados a viajar para Portugal, depois de alguns anos, a família de Carlos
consegue ir para o Brasil. Primeiro o seu irmão e um ano depois os seus pais e
do Brasil vieram para Portugal.
Já em
Portugal, a mãe de Carlos contou todo o martírio que eles passaram. O pai de
Carlos com o Land Rover que tinha, fazia muito comércio com os indígenas. Ia
para fora da cidade e trazia sempre leitões, cabritos e galinhas para vender na
cidade e assim ia vivendo.
Para ser
deixado em paz, a mãe de Carlos todas as semanas assava um leitão que era
levado como prenda ao comandante do MPLA no Lubango, além de dar de comer a
dois graduados cubanos.
Foi assim que conseguiu a autorização para
viajar para o Brasil.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
ANOS
CONTURBADOS DE UMA ANGOLA EM MUDANÇA
XVI
Parte
A cadelinha
depois de ver a cobra morta sossegou, mas não deixou de gemer. Carlos pegou-a
ao colo e procurou alguma ferida que ela pudesse ter.
Felizmente
estava tudo bem com a cadela, que arriscou a sua própria vida para salvar os
seus donos. Se a cobra entrasse na casa, certamente haveria alguém que seria
mordido e, sem qualquer medicamento disponível, seria uma morte certa.
Dias depois, o
exército sul-africano recebe ordens para sair de Angola. Foi novamente formada
a coluna com os milhares de Angolanos estacionados em Pereira D ’Eça e que de
livre vontade quiseram abandonar Angola e, com a protecção dos sul-africanos,
rumaram com destino desconhecido principalmente pelo pessoal angolano.
Nessa altura,
Carlos mentaliza-se que iria abandonar a sua terra e começar uma aventura da
qual não sabia o fim. Apenas sossegou a esposa dizendo:
- Tenho dois
braços para trabalhar, uma cabeça para pensar e juventude no corpo. Fome, não
havemos de passar. Vamos tentar ficar na Namíbia ou na África do Sul. Ficamos
relativamente perto e talvez um dia se possa voltar para a nossa terra.
A caravana
chamada de, os refugiados de Angola, Segui o seu caminho por terras da Namíbia,
sempre com protecção da tropa sul-africana, nomeadamente o seu batalhão
“Búfalo” que era composto por tropas da África do sul e mercenários, alguns
oriundos de Angola e por tal motivo, falavam português.
Carlos foi
apresentado por uma prima de sua esposa, a um desses militares de nacionalidade
angolana. Esse militar era quem transmitia as ordens do comando sul-africano
aos refugiados angolanos
.Ao cair a
noite, a coluna fez uma pousa algures na Namíbia, onde foi montado um
acampamento improvisado, junto aos carros e onde foi passada a noite. Logo pela
manhã, foi retomada a marcha até Grootfontein.
Em Grootfotein
deixaram os carros e toda a carga que traziam, num grande descampado. Aqui, o
comando sul-africano informou que iríamos fazer uma viagem de comboio até
Windhoek e depois seriamos enviados de avião para Portugal.
Quanto aos
carros e toda a sua carga, seriam despachados por eles, também para Portugal,
com destino a Lisboa.
Carlos falou
com o militar amigo para ver qual a possibilidade de ficar na Namíbia.
O militar de
nome Jhon disse a Carlos que isso não era possível, pois Carlos, embora fosse
branco, tinha a pele morena e não era aceite pelos sul-africanos, cuja política
praticava o apartheid e eram muito rigorosos.
Depois de uma
longa viagem de comboio, onde Carlos sentiu a violência dos funcionários
Namibianos, composta por homens da raça himba, conhecidos em Angola como
Mucancalas, que tinham medo de poder haver qualquer fuga em por isso, não
deixavam ninguém sair dos camarotes da composição férrea.
A cadelinha
laica acompanhou sempre os seus donos. O pouco que eles tinham para comer, era
também repartido pela cadelinha que viajou sempre dentro de uma sacola que a
esposa de Carlos levava ao ombro.
Em Windhoek,
foram todos dirigidos para um grande acampamento improvisado com barracas do
exército sul-africano e foi distribuído ração de combate como alimento.
A água também era
fornecida por autotanques do referido exército.
Dias depois,
todos receberam ordens para se prepararem para a viagem de avião com destino a
Lisboa. Apenas se podia levar o que coubesse numa saca de mão e tínhamos de
abandonar os animais de estimação.
Carlos aflito
com o que poderia acontecer à sua querida cadelinha, procurou o militar amigo e
perguntou qual a possibilidade de a levar.
XVII Parte
O militar foi
falar com o seu comandante e pouco depois voltou e disse não haver grandes
hipóteses, os controladores junto à porta de embarque estavam a revistar tudo e
a recolher todos os animais.
O militar
mostrou interesse em ficar com a cadelinha, pois gostou muito dela.
Carlos pois de
falar com a família, resolveu entregar a laica ao militar que a levou, deixando
Carlos e sua esposa com lágrimas nos olhos.
A família de
Carlos aguardava na tenda a sua vez para o embarque.
Duas horas
depois do militar ter levado a cadelinha, Laica apareceu na tenda. Vinha muito
aflita e com uma corda ao pescoço.
Carlos fez-lhe
uma festa e procurou sossega-la.
O sentido de
orientação ou o olfacto, tinham levado a cadelinha até aos sons donos,
encontrando a sua tenda no meio de milhares.
Nisto, aparece o militar muito aflito. Vinha à
procura da cadelinha que tinha roído a corda e fugido.
Carlos ainda
tentou não entregar novamente a cadelinha e tentar arranjar uma maneira de a
levar consigo.
Um vizinho
refugiado que também tinha perdido o seu cão, aproximou-se e disse a Carlos:
É melhor entregar a este senhor a cadelinha,
pois ele vai cuidar dela. O meu não teve tanta sorte. Como ninguém o quis, vai
ser abatido.
Ouvindo isto,
Carlos entregou novamente a cadelinha e deixou a recomendação de que tivesse
muito cuidado com ela, pois ela não podia engravidar e que não a tratasse como
um qualquer cão, pois ela estava habituada a ter sempre muito carinho e amor.
O militar lá
levou a cadelinha ao colo, fazendo-lhe festinhas na cabeça e desapareceram.
Carlos nunca
mais viu a sua querida cadelinha.
Quando chegou
a vez de Carlos e sua família embarcarem, Carlos viu junto à porta de embarque
vários animais metidos numa jaula Com os olhos procurou entre eles a laica, mas
não a encontrou ali. Nesse momento, convenceu-se que tinha tomado a melhor decisão,
ao ter entregue a sua cadelinha ao militar amigo.
O avião depois
de cheio, levantou voo, fez escala na Costa do Marfim e terminou a sua viagem
em Lisboa, no aeroporto figo maduro.
A viagem de
Carlos e os dias difíceis, não tinham acabado.
No aeroporto
figo Maduro, em Lisboa, havia uma comissão com o nome IARN que era um Instituto
de apoio ao retorno de nacionais, que ali se encontrava para receber os
refugiados e dar o primeiro apoio.
Depois de trocarem apenas cinco contos por
pessoa, foi dado a escolher a Carlos um destino pré definido. Havia vagas nos
hotéis em Lisboa e em Albufeira no Algarve.
A família de
Carlos não conhecia nada de Portugal, mas sabia que o Algarve era mais quente
que Lisboa e, como traziam pouca roupa de inverno, resolveram ir para
Albufeira.
Depois de uma
manhã inteira, sentados no chão, ao Sol, junto a uma parede do aeroporto, à
espera do autocarro que os levaria para o Algarve, finalmente embarcaram.
Chegaram ao
Algarve, nomeadamente a Albufeira, já de noite e foram para o hotel Rocamar.
Rocamar era um
belo hotel. de cinco estrelas, junto ao mar e isso animou mais a família de
Carlos. Pelo menos em Portugal não havia guerra e tinham algum apoio.
A vida no
Algarve não estava a correr mal, pois tinham dormida e comida, mas e o resto?
Quanto tempo aquela situação iria durar?
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