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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

terça-feira, 18 de junho de 2013


RETRATOS DE UMA VIDA

Nuvem passageira da minha solidão,
Que na incerteza da noite frígida,
A tua presença arrefece a emoção,
Da felicidade há muito esmorecida.

Contra ventos fortes e vendavais,
Com o cheiro de mistério no ar,
De encontros nem sempre reais,
Da irrealidade que se quer agarrar.

Entre brincadeiras, risos e mistério,
Deixar escapar um amor escondido,
Na passagem de algo não muito sério,
Na partilha com um grande amigo.

O amor distante será sempre esperado,
No Calor que o corpo na ausência sente,
Do contacto do corpo do eterno amado.

Para sempre, a verdade do amor esperado,
Numa união fraterna que a mente consente,
Na aberta brecha do esperado pecado.

Fruto vadio duma imaginação quente,
Que leva a alma ao momento desesperado,
Com o pensamento que não lhe sai da mente,
Sabendo que certo está, o pecado adiado.

Que sina, de quem é atraído tanto assim!...
O desejo de um contacto físico carnal,
Que à própria alma transmite o seu sim,
Em querer e esperar, o desejado sinal.

Apenas tesão no pensamento plantado,
Que de um sorrido aberto e decente,
Procura encontrar o convite desejado,
Do desejado sexo, sempre presente.

Querer, quer, mas não pode gostar,
Nos tramas que o forte destino tece.
A atracção que sente, não pode desejar,
E desse terrível destino, agora padece.

Fica o futuro presente, assim desenhado,
Com poucas esperanças de concretização,
De uma aventura, pelo corpo desejado,
Como prémio que sirva de consolação.



Carlos Cebolo







VIDA DE POETA

Sol, terra,
Ar e mar,
Tudo o que se espera,
No querer ir e voltar.

Sombra escondida do nada,
Perfeição constante esquecida,
Na esperança que se aguarda,
No Mundo de uma vida adiada.

A vida quase que esquecida,
Dos amores secretos guardados,
Sol de uma vida esmorecida,
Em encontros sempre esperados.

No paraíso de todos os sonhos,
Respirar o ar gélido da geada,
Naquele mar de destinos medonhos,
Fruto da felicidade esperançada.

No calor que do Sol se sente,
Na terra que nos foi emprestada,
Novos ares da própria mente,
Na emoção do mar partilhada.

Amores fugidos da realidade,
Na verdade da mente, o sossego,
Da vida esperada na moralidade,
Ter o bom fim, como aconchego.

Saber que tudo passa rapidamente,
No imperfeito Mundo de passagem,
No refugio da escrita, a semente
Do incerto futuro a homenagem.

No tributo do vassalo, a coragem,
Do imperfeito sedutor que existe,
No poeta que está de passagem,
De coração ferido, sempre triste.

Fingir não amar, por ser mentira,
Finge a todo o custo, o presente,
Do amor sentido que se retira,
No sofrimento da própria mente.

Amor proibido que o consome,
No trama da vida que consente,
A insónia da noite que não dorme,
No desassossego da triste mente.

Carlos Cebolo







quarta-feira, 12 de junho de 2013


QUADRAS DE Stº. ANTÓNIO

Sete diabos andam por aqui,
Com este tempo desgraçado,
Tenho o Junho que não pedi,
E fiquei com o verão estragado.

Teremos o Stº.António molhado,
Se S. Pedro não lhe deitar a mão.
Assim fica o casamento adiado,
Marcado para o próximo verão.

Vem cá, Stº. António de Lisboa,
Vem bailar e a sardinha comer,
Que São Pedro não te perdoa,
E a fria chuva te vai oferecer.

A Sardinha quer-se miudinha,
Como manda a velha tradição,
Stº. António de noite quentinha,
Só lá para o próximo verão.

Vinga-te pois ó meu santinho,
A Marcha popular a ti pertence,
Com milagre azeda o belo vinho,
Daquele velho santo povoense.

Com o chuvoso tempo descontente,
Junta-se Santo António e S. João,
A grande alegria que o povo sente,
Lisboa e Porto, partilham o coração.

Dos santos que o povo elegeu,
Santo António é o primeiro,
Com marchas abre o festejo ateu,
E espera um tempo soalheiro.


Carlos Cebolo

REFÚGIO DA INCERTEZA

Saltimbancos aos pulos desordenados,
Com ameaças e horrores infringidos,
Autênticos maltrapilhos armados,
Destruíram antigos sonhos já perdidos.

Memórias no recanto da mente escondida,
De um triste passado recente de sofrimento,
De toda aquela triste e ilustre gente esquecida,
Na política triste e inesquecível do momento.

Tristezas vividas e sofridas na própria alma,
De um povo forte e de bons sentimentos,
Que mesmo em fuga, mostrou a sua calma,
Ao deixar para trás, todos os belos momentos.

Caravana infindável de viaturas indefesas,
Fugindo de uma certa morte anunciada,
Enfrentando toda uma vida de incertezas,
Fizeram-se à estrada, numa longa caminhada.

Deixaram a bela terra onde nasceram
E onde queriam poder continuar a viver,
Naquela terra, onde amigos morreram,
E onde pensavam ver, seus filhos nascer.

Sem nada terem feito, para o destino merecer,
Pagaram com o corpo os erros do passado,
De um povo que de início foi para lá viver
E da linda terra, fizeram o seu bem legado.

Triste realidade de um povo humilde e cristão,
Que apenas desenvolveu a terra onde nasceu,
Construindo casas, ruas, cidades, uma nação,
E como paga, assistiu ao roubo do que era seu.

Carlos Cebolo




segunda-feira, 10 de junho de 2013



DIA DE PORTUGAL E DE CAMÕES

Que diabo há tão descontente,
Que se verga à triste economia,
Do Gaspar e toda a sua mestria,
Com a dor que o povo sente,
Com um coração tão fechado,
Do governante muito odiado.
Se Camões vivesse, assim seria,
O 10 de Junho comemorado!...
Bela data que o povo sentia,
Como o dia de Portugal amado.
Seria prometido a educação,
Assim como a esperada igualdade,
Acompanhava a eterna saúde,
Com a liberdade de expressão,
Formava-se a nossa nacionalidade.
Ao governante, pedia-se outra atitude.
Este tão ilustre povo Lusitano,
Que tudo em Abril conquistou,
Dá-se hoje ao terrível engano,
Do fraco político que criou.
Ser constantemente maltratado,
Numa democracia aparente,
Com todo o futuro amaldiçoado,
O ilustre povo que tudo consente.
Receber salários de miséria,
Mas na pobre lapela usar o cravo,
Símbolo de política pouco séria,
Que faz da plebe o novo escravo.
Onde te encontras ó Lusitano?
Abre os olhos e vê com atenção!
De onde vem o triste encano,
Que governa esta triste Nação.
O Político com muito dinheiro,
O povo continua a passar fome,
Para quando o momento derradeiro,
Para acabar com o que te consome?
A comunidade espalhada pelo Mundo,
Leva Portugal no seu coração,
Portugal já bateu no fundo,
E ninguém pede a tua opinião.
Quem em casa não tem pão,
É com a luta que levanta a moral,
Fazendo uma nova revolução,
Para salvar o nosso Portugal.
Chamem-na da rosa ou do cravo,
Com os militares ou só com o povo,
O povo não quer volta a ser escravo,
Nem ter um governo ditador de novo.
Se o bom Camões agora vivesse,
E visse como está a sua Nação,
Talvez de novo, logo morresse,
Mas diria com todo o coração:
“ Quem pode ser no Mundo tão quieto,
Ou quem terá tão livre o pensamento,
Quem tão exp’rimentado e tão discreto,
Tão fora, enfim, de humano entendimento
Que, ou com público efeito, ou com secreto,
Lhe não revolva e espante a sentimento,
Deixando-lhe o juízo quasi encerto,
Ver e notar no mundo o desconserto?”
Aqui deixo um pouco de Camões,
Neste dia, que já foi de Portugal,
Para o povo ver em que condições,
Vive o ilustre Lusitano, sem o social.
Tu que foste o senhor do Mundo,
Descobriste ilhas e continentes,
Desvendaste o oceano profundo,
Plantaste leis, a língua e sementes.
Tu, Povo Ilustre Lusitano,
Que sem medo cruzaste os oceanos,
Lutaste e venceste o castelhano,
Não te deixes dominar pelos enganos.
Tu, heróico povo sempre sereno,
Que também venceste o sarraceno,
A palavra de Cristo deste a conhecer,
Não de deixes agora esmorecer.
Neste dia de Portugal e de Camões,
Com a tua força podes reclamar,
Por mais nobres e justas condições
Neste recanto que criaste junto ao mar.

Carlos Cebolo





sexta-feira, 7 de junho de 2013



VIOLÊNCIA SEXUAL

És pétala de cálice profundo,
De estame fechado, amadurecido,
Que projecta a luz no Mundo,
Mesmo estando apodrecido.
Pérola negra do meu sentir,
Que o teu sorriso consente,
Nesse corpo puro e ardente,
Do Mundo que o faz ruir.
Rosa que se sente florida,
Na madrugada já esquecida,
Deste Mundo sem presente,
Com o amor sempre ausente.
Em ti se sente a sexualidade,
No sentido perverso da palavra,
Que desde a tua tenra idade,
No teu corpo foi lavrada.
Desejos sem qualquer moralidade,
Dos seres podres, sem moral,
Sem olharem à tenra idade,
Se aproveitam, plantando o mal.
Alertas com esse corpo de menina,
O crime de violência sexual,
Que na boa mente se abomina,
A triste tendência animal.
Triste fim do verdadeiro amor,
Com tal prática anormal,
Que no Mundo provoca a dor
E já causaram muito mal.
Para quando lei mais severa,
Com castigos exemplares,
A condenação que se espera,
Ao violador e seus pares.
Uma juventude perdida,
Inocência da própria idade,
Para sempre fica a ferida,
Sem sentir a sexualidade.

Carlos Cebolo



quinta-feira, 6 de junho de 2013

       

      GRAAL

Madalena o teu nome santo,
Graal invertido da salvação,
No útero do doce encanto,
Procura-se a consagração.
Cálice sedento de amor,
Pétala santa no meu pensar,
Em ti se sentiu grande dor,
Que o Mundo quis salvaguardar.
O fruto do segredo guardado,
De um Deus feito homem,
Com tudo o que daí vem,
O divino verbo amargurado.
Sente-se na alma a tua dor,
A injustiça por ser pecado,
O teu gesto de grande amor,
Contigo ficou guardado.
Se Maria o teu nome for,
Madalena o teu pecado,
Do teu fruto nasceu a flor,
Deste Mundo abençoado.
No teu graal seguro e invertido,
Foi o fruto divino guardado,
No teu ventre esteve escondido,
O fruto ainda hoje esperado.
À terra voltou para pregar,
Pelo amor morreu crucificado,
O seu amor ficou guardado,
E choraste, sozinha o pecado.
Sempre em ti, se sentiu a dor,
De um fruto amaldiçoado,
Mas nele floresceu o amor
Do bom salvador esperado.
Contigo a bem -  aventurança,
De um povo esperançado,
A descendência ficou em França,
E ainda hoje, por cá é esperado.

Carlos Cebolo




quarta-feira, 5 de junho de 2013


IR E VOLTAR

Queria abrir a janela,
E poder sair a voar,
Ir ter aos braços dela,
Ver para além do mar.

Queria as amarras romper,
Criar asas e poder voar,
Para contigo adormecer,
Mesmo juntinho do mar.

Ser pássaro livre e viver,
Cantar no teu belo sonhar,
Nos teus braços acordar,
E o teu doce beijo merecer.

Abrir esta prisão dourada,
Do meu ser atormentado,
Beijar a tua boca adorada,
E não ficar acorrentado.

Querer ser livre como o vento,
Ser a linda ave-do-paraíso,
Em ti procurar o lamento,
Sem nunca perder o juízo.

Não mais viver engaiolado,
Neste Mundo de preconceito,
Onde se vive acorrentado,
Em nome do bom preceito.

Queria ser livre e voar,
Sair da gaiola dourada,
Dar uma volta e volta,
Sempre à casa viciada.

Carlos Cebolo




DO INFERNO AO PARAÍSO

Despe-se a noite.
Na minha loucura,
No meu sonhar,
Nada que me afoite.
No inferno da minha paixão,
O medo que a carne sente,
No apertar do coração,
A loucura da nossa mente.
Não estás ao meu lado.
Procuro-te e não te vejo.
No meu acordar adiado,
O sabor do teu beijo,
Desperta a minha mente.
Libertas-me do pesadelo sonhado
E tudo o que nele se sente.
O teu corpo juntinho ao meu,
O teu beijo na boca ressequida,
Acordas o que não adormeceu,
Com aquela fantasia preferida.
No amor que dás e sentes,
Também és fortemente sentida.
O calor do teu doce beijo,
O belo sabor da tua boca!
O suave toque dos teus dedos…
No sentir do êxtase do desejo.
Naquela bela noite louca,
O esquecer dos meus medos.
O celeste aroma envolvente,
Desse teu corpo adocicado,
O suave cheiro a sexo ardente,
Que do meu estro é libertado.
Clima de paixão e ternura,
Numa perfeita conjugação,
Transporta-nos à loucura,
No momento da nossa união.
Belo paraíso presente,
Já com o sentido acordado,
Que todo o nosso corpo sente,
Com o nosso beijo selado.

Carlos Cebolo




segunda-feira, 3 de junho de 2013


FLORESCER

Sinto falta do teu olhar,
Do teu sorriso aberto,
Do teu modo de pensar.
Quero o teu toque sentir,
Neste Mundo onde desperto
E o meu corpo, ao teu unir.
Queria ser cravo no teu jardim,
Vermelho sangue do meu coração,
Trazer-te sempre ao pé de mim,
Cantar contigo uma bela canção.
Queria ser pássaro e cantar,
Um sabiá alegre no teu quintal,
Acordar contigo sempre a sonhar,
Nunca te causar qualquer mal.
Gostava de ser flor silvestre,
No teu prado poder florescer,
Com o amor que ainda não deste,
Mas que começa a amadurecer.
Teu corpo quero acariciar,
Minha língua nele percorrer,
Ter condições para te amar,
E nos teus braços adormecer.
Sentir o teu cheiro na madrugada,
Entre os lençóis de suave linho,
A todos dizer que és minha amada,
E do teu leito, fazer o meu ninho.
Dizer que te amo sem receio,
Novo caminho poder traçar,
Ter meus lábios no teu seio,
E teu corpo poder amar.
Queria ser flor a florescer,
No recanto do teu coração,
No teu colo adormecer,
Agarrado à tua mão.
Ser água fresca do teu sabor,
Teus lábios poder beijar,
Contigo fazer amor,
E teu corpo acariciar.

Carlos Cebolo



sábado, 1 de junho de 2013


TAMBÉM SEI REZAR

Senhor!...
Olha para mim…
Também sei sorrir e rezar
E também sinto dor…
Viverei sempre assim até ao fim?
Será que também posso sonhar!...
Senhor!...
Olha o meu sorriso!...
Não estou zangado contigo!...
Também quero o teu amor,
Para não perder o juízo,
E poder ser teu amigo.
Ter um pouco de paz,
Uma família para poder amar,
Um pão para comer,
Crescer e ser rapaz.
Viajar para além do mar
E o Mundo poder conhecer.
Não sou mudo, mas não tenho voz!...
Sei que nasci para morrer,
Mas falando cá entre nós;
Também quero poder viver!
Senhor!...
Dá-me uma oportunidade.
Se a minha terra tem riqueza,
Para quê tanta dor?
Para quê tanta maldade!...
Tira-me toda esta incerteza.
Só quero ter água para beber,
Roupa para vestir,
Todos os dias poder comer
E um manto para me cobrir.
Sei que isto é África Senhor!
Onde vivem os senhores também!...
Porque será que aqui há dor
E dor, por lá ninguém tem?
Senhor!...
Olha para mim com carinho!
Também sei rezar…
Sou apenas um menino,
Que precisa de brincar!
Afaga esta minha dor,
Mostra-me um outro caminho,
Que me faça também sonhar,
E conhecer o amor.

Carlos cebolo



quinta-feira, 30 de maio de 2013



REFLEXÃO

Não sei quem sou!...
Não sei o que sou!...
Por ter nascido na terra,
Dizem que sou terráqueo.
Se nascesse na estéril lua…
Com toda a beleza que encerra,
Talvez fosse lunático!...
Ou simplesmente alma nua.
Quem saberá?
Se o meu aspecto é humano
Por ter nascido assim…
Poderei renascer sabiá,
Se a encarnação não é engano!
Ou o que será de mim?
Renascer ou noutra coisa encarnar,
Morrer com esta incerta esperança,
Para à vida poder voltar,
Sem saber qual a mudança…
Que aspecto terei?
Serei lagarta metamórfica,
Que em algo me transformarei,
Ou humano, em humano fica?
Quem sabe!...
Quem de lá já voltou para contar?
Naquele infinito Mundo que se abre,
Para todas as almas poder albergar,
O que se espera lá encontrar?
Quem sabe!...
Ou será que, sendo pó,
Em pó nos tornaremos,
E tudo acaba sem piedade e sem dó,
E para morrer, apenas nascemos.
Mas se há alma, para onde vai?
Se não há, porque nos preocupamos?
Algo do nosso corpo sai,
Do invólucro que enterramos.
Em que te tornarás?
Quem sabe!...

Carlos Cebolo


terça-feira, 28 de maio de 2013



IMORTALIDADE DA ALMA

Dentro de mim, procuro a verdade…
O querer do crer na vida imortal,
Depois do invólucro e da vaidade,
O etéreo Mundo onde há moral.

Sempre se duvida da sua verdade,
Na confirmação da própria vontade,
Na verdade que se acredita ser real,
No querer mostrar que a alma é imortal.

Dogmas numa Maiêutica perfeita,
De uma busca sem ter resposta,
Em livros sagrados que se aceita.

Na vida procura-se a sua perfeição,
Na boa muleta onde o ser se encosta,
Ao deixar a terrena vida de perdição.


Carlos Cebolo

segunda-feira, 27 de maio de 2013


ALMA DE ÁFRICA

Kilimanjaro!...
Kilimanjaro!...
Bela montanha em céu aberto!
És a alma de África sofredora,
O nascer da vida como certo,
Numa paisagem acolhedora.
Símbolo branco da África negra,
Onde o negro Kalunga vai rezar,
Na forma do elefante que não nega,
A sua força para se libertar.
Tem o peso de alma sofredora,
Contado na Noética da vida.
Peso de uma alma sonhadora,
Que no Mundo marca a despedida.
Kilimanjaro!...
Kilimanjaro!...
Chora e chama o filho seu,
No abandono da triste partida,
Lamenta o que já morreu,
Naquela triste despedida.
O elefante carrega o peso da tristeza,
Do povo que sofre sem o merecer.
Reza por um presente sem certeza,
E espera ver, o futuro renascer.
Kilimanjaro!...
Kilimanjaro!...
És fonte de vida em terra seca,
Neve fresca em clima quente.
És para África a sua Meca,
A esperança viva daquela gente…

Carlos Cebolo






sábado, 25 de maio de 2013



ÁFRICA

África!...
O teu encantamento me seduz;
És mãe carinhosa e impreparada,
Terra vermelha e muito rica,
Onde o Sol brilha com muita luz.

Crias no teu seio a tua ninhada,
Mas o teu filho em ti não se fixa.

Com muita mágoa te abandonam,
Os filhos sedentos de liberdade,
Procuram paz noutros recantos,
E por lá, por ti sempre chamam.

Vão em busca da igualdade,
Levando na alma os teus encantos
E o cheiro que em ti se sente,
Nos rasgos da própria mente.

Desprezas os bons filhos teus,
Acolhes apenas os que te exploram,
Os teus filhos dizem-te adeus,
Com as lágrimas que agora choram.

África!...
Porque te portas assim?
A cor da tua terra doce,
É como se sangue fosse,
Nesse sertão sem fim…

…Sangue do filho que fica.

Se é sina que Deus te deu,
Teres riqueza e muita luz,
O que em ti já aconteceu,
É mal que a riqueza produz.

Ganancioso político que te consome,
Roubando as tuas grandes riquezas,
Deixa o teu povo a passar fome,
E um futuro sem ter certezas.

Carlos Cebolo



UM DIA SENHOR!...

Um dia senhor!...
Hei-de ser alguém…
Viver o meu sonho!...
Crescer feito um menino,
Alcançar a alegria de viver.
Esquecerei todo o horror,
Viverei aqui e além,
Neste Mundo medonho
E acordarei ao som de um violino.
Um dia Senhor!...
Deixarei de ser menino…
Serei homem feito
E lembrarei o horror…
Na melodia do violino,
Criarei um Mundo perfeito.
Um mundo onde haja igualdade,
Não mais haja fome
E tudo que nos consome.
Criarei a palavra moralidade,
Com o significado de amor
E esquecerei o horror,
Deste tormento que nos causa dor.
Um dia Senhor!...
Andarei por todo o Mundo,
Irei ao local mais profundo,
De país em país sem sobressalto
E verei tudo o que vês aí do alto.
Não passarei mais fome,
Não terei mais medo,
Nem guerra que nos consome,
Nem a vida a terminar cedo.
Um dia Senhor!...
Farei da música a minha bandeira.
Aos sons do órgão e do violino,
Sentirei a alegria verdadeira,
E serei novamente um menino.
Não mais serei soldado,
Matar o irmão para não morrer,
O som da metralha será odiado
E em todo o lado poder viver.
Um dia Senhor!...
Ouvirei em toda a África,
O som maravilhoso do violino,
Tocado com harmonia e graça,
Pelas mãos de um menino.
Um dia Senhor!...
Em vez de tiros, guerras e matanças,
Orquestras inteiras em harmonia,
Tocarão para todas as crianças,
A linda valsa da alegria.
Um dia Senhor!...
Deixarei de ser sonhador.


Carlos Cebolo

quinta-feira, 23 de maio de 2013



AMOR

É ter e sentir o momento,
É dar, receber e guardar,
No querer e seu consentimento,
Nas formas do verbo amar.
Amor é lume ardente da paixão,
É fogo, frescura que se sente,
Bem lá no fundo do coração,
Com laivos soltos da mente.
É força sentida na emoção,
Abraço forte de protecção,
Traços do sorriso na face ardente,
Que todo o nosso corpo sente.
Amor é querer e sentir emoção,
Num beijo guardado na recordação,
Do bom calor que o corpo sente,
No momento do encontro presente.
Amor é respeitar e aceitar,
Diferenças existentes no nada,
Que o corpo revela mostrar,
Na esperança da vida inacabada.
É amar a igualdade na desigualdade,
Lutar contra o preconceito,
Reprimir da sua mente a maldade,
Promovendo na vida o respeito.

Carlos Cebolo


quarta-feira, 22 de maio de 2013



ESTAGNAÇÃO

Vida triste, parada do nada,
Invólucro sem sal e pimenta,
Na junção de uma vida perdida,
Lembra a velhice que não tarda;
Na juventude que se ausenta,
Como forma de despedida.
Nasce-se para se envelhecer!...
Vive-se neste triste padecer,
Na triste vida que se sente,
Com o perder da fresca mente.
Estagnação!...
Sentido presente no sentires,
Do corpo pronto a envelhecer,
Nos sinais do tempo dos menires,
Querendo no sossego adormecer.
Estagnação!...
Ideias passadas pela mente,
Com amores desencontrados,
O sofrimento que se sente,
Com os tramas a ele associados.
Estagnação!...
Pensamentos levados pelo tempo,
Por ventos de mudança repentina,
Na metamorfose do contratempo,
Traçado à nascença, pela própria sina.
Há quem pense ser eterno,
Na juventude que passa sem avisar,
Como se vivesse no útero materno,
Sem ver todo o tempo passar.
Estagnação!...
Sentidos trocados em movimento,
Sempre com pesadelos na mente,
De uma agonia que não se sente,
Com a passagem do sentimento.
Vive-se agarrado à terrena vida,
Na esperança do amor materno,
Retardamos a nossa esperada ida,
Para o reino do bom pai eterno.


Carlos Cebolo

segunda-feira, 13 de maio de 2013




SIMPLESMENTE MARIA

Teu nome, Maria!...
Sem palavras nos consolas,
Nos tristes dias de agonia
Daqueles que vivem de esmolas.
Teu nome, Maria!...
Pronunciado mil vezes,
Fora e na cova de Iria,
Neste e em outros meses,
Mostra a fé que ele cria.
Teu nome, Maria!...
Representa a mulher,
Mãe da própria natureza,
Deusa que tudo cria.
Em ti procuramos colher,
O amor da nossa tristeza.
Palavras e mais palavras,
De alento e esperança,
No sofrimento que desagravas,
Fortaleces a aliança.
Oro por ti mãe bendita!...
Pergunto pelo filho teu,
Que o seu nome se bendiga,
Aqui na terra e no céu.
Não tenhais medo!...
Disseste aos pastorinhos,
Revelaste o teu segredo,
Mostraste os bons caminhos.
Maria foi o teu nome escolhido,
A alegria que o Mundo merecia,
Mesmo com o amor esquecido,
Serás Simplesmente Maria.

Carlos Cebolo



quinta-feira, 9 de maio de 2013



SERÁ QUE EXISTES

Oiço falar em Si!...
Em que língua! Não importa.
Mas será que existes?
Sua presença, eu não senti.
Não batestes à minha porta!...
Será que já me vistes?
Tenho sede e muita fome.
Não pedi para nascer!...
Mas cá estou!...
Esta vida que me consome,
Sempre com este sofrer,
Não sei para onde vou.
Senhor!...
Tem piedade de mim!...
Acalma esta minha dor!...
Este sofrimento não tem fim!...
Dá-me um pouco do teu amor.
O que vos fiz para o merecer?
O livro sagrado ensina!...
Diz que tudo vês.
Que todos somos filhos teus!
Mas não pedi para nascer!...
Desce aí de cima!...
Mostra-te por uma só vez!...
Alimenta os sonhos meus!...
Ensina-me a viver.

Carlos Cebolo

segunda-feira, 6 de maio de 2013


LEVA-ME CONTIGO M Ã E

Mãe!...
Quando fores passear,
Leva-me contigo…
Deixa-me sorrir e sonhar!...
Quero ver as ondas e o mar,
O Sol na água a brilhar.
Mostra-me o que o meu espírito anseia!
Fala-me das conchas e da linda sereia.
Ao fim da tarde, quando à casa chegar,
Deixa-me brincar…
Sou uma criança que precisa de amor!
Do teu precioso amor mãe! …
Não deixes de me amar.
Quando a noite chegar!
E depois do leitinho beber,
Põe-me com carinho a nanar.
Aconchega-me a mantinha,
Dá-me um beijinho com amor,
Mantém a minha cama quentinha,
Deixa-me sentir o teu calor.
Mãe!...
Não te zangues comigo!...
Ainda sou pequenina!
Não ligues ao que te digo;
Sou apenas uma menina.
Mãe!...
Quando eu for mais velhinha,
Que já não queira brincar,
E com uma vontade só minha;
Não me deixes de amar.
Mãe!...
Não tenhas pressa que eu cresça!
O tempo não volta atrás!...
Não queiras que também padeça,
Do mal que não te apraz.
À noite sozinha no meu quarto,
Penso que te posso perder!...
Enquanto para os sonhos não parto,
Fico por dentro a tremer.
Mãe!...
Tenho medo que morras um dia!
Amo-te muito querida mãezinha.
Se me faltasses, não sei o que faria,
Na vida adulta que se adivinha!...

(Carlos Cebolo)