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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

sábado, 23 de novembro de 2013


DIREITO DE SER AMADO

Sinto falta de um carinho,
Não tenho calor humano,
Neste Mundo tão insano,
Quem me trace o caminho.

Sinto a falta do teu colo,
Mãe do meu amor sonhado.
Alguém que me dê consolo,
Neste Mundo partilhado.

Oiço falar em direito!...
A criança proteger…
Tenho esta dor no peito,
Não pedi para nascer.

Onde estás que não te vejo,
O colo que nunca tive,
O sabor do teu beijo.

Minha mãe, chamo por ti,
Dentro de ti sobrevive,
O amor que não mereci.

Abandonado à sorte,
Viver sem amor de mãe,
É condenação de morte.

Mágoa que a criança sente,
Sem ter a quem chamar mãe,
Na dor que o Mundo consente.

Carlos Cebolo






quinta-feira, 21 de novembro de 2013


DESGOSTO

Ventos fortes sopram do mar,
Entre molhes da praia deserta,
Na rebentação que fixa o olhar,
Da gaivota que o penacho liberta,
Com o belo, mas triste esvoaçar.

Pirilampos no seu fraco cintilar,
Enchem o lenço na tua fria mão,
Com o licor salgado do teu rosto.
Fissuras do teu imenso e doce mar,
Sentidas na palma da tua fina mão,
Deixam escorrer todo o teu desgosto.

Tuas cortinas corridas sobre os sonhos,
Abertas em pálpebras doridas de dor,
Que se erguem no passar da madrugada.

Carlos Cebolo

carlosacebolo.blogspot.com/

quarta-feira, 20 de novembro de 2013



SIMPLICIDADE DA VIDA

Na simplicidade da vida,
Vivem as crianças no seu todo,
Sem preocupações,
Com amor numa vida sentida,
Vivendo-a do seu modo.
Nas suas ilusões
E fantasia sempre presente,
Vivem o amor que a alma sente.

Coisas simples e belas,
Surgem na origem do nada,
Na mente fértil da criança.
Na simplicidade que é só delas,
Vivem uma vida partilhada,
Na amizade e confiança.
O amor verdadeiro que sente,
Mostra a alegria sempre presente.

Com natural simplicidade,
Arranjam brincadeiras do nada,
Mostram toda a genialidade,
Com a amizade partilhada.

Brincam sem qualquer maldade,
Na simplicidade da vida partilhada,
Em todos apenas vê amizade.

Sentem amor no modo de brincar,
Amor de uma vida simplificada,
No sentir brilhante do seu olhar.

Carlos Cebolo





terça-feira, 19 de novembro de 2013



MATERNO AMOR

Colo preenchido com um tesouro,
Ave-do-paraíso em ninho enfeitado,
Suga incessante o néctar do amor.
Alimentando-se com o puro ouro,
Que dos seios de sua mãe é ofertado,
Com graça e leveza em seu louvor.

Na maternidade de todos os sentidos,
O amor que dá e recolhe com prazer,
Lembra na infância, os papéis invertidos.

Ser mãe, é o benefício da dádiva recebida,
Que só sente quem dá algo de si com prazer,
Em ver o seu fruto crescer na alegria sentida.


Carlos Cebolo

segunda-feira, 18 de novembro de 2013


NOCTÍVAGO/CASANOVA

Faz da noite o seu dia,
Vampiro de amor sedento,
Procura na hora tardia,
A ocasião do momento.
Com olhar brilhante,
Traço de autêntico predador,
Faz-se passar por bom amante
E na incauta vítima, provoca dor.
Noctívago Ser encantador,
Nas palavras, o bom falante,
Com muitas promessas de amor,
No engano se sente radiante.
Vagabundo na sua liberdade,
Sonha com a colecção que faz,
Em números sem qualidade,
No desejo carnal que o satisfaz.
Sente-se seguro à luz da lua,
Diz-se enamorado de quem lhe aparece,
Beijando ardentemente a pele nua,
Das vítimas que de carência padecem.
Sedutor de belo sorriso,
Na penumbra se resguarda,
Escondendo os seus segredos.
Perante a luz se sente indeciso,
Com receio da vítima ser alertada,
Libertando-se dos seus medos.
Ave de bela plumagem,
Vestida a rigor na noite escura,
Ataca em plena viagem,
Quem não se mostra segura.
Fala para tocar o coração,
A quem quer ouvir elogios.
Procura esconder a razão,
Para vencer os desafios.
Nefasto Casanova solitário,
Destruidor dos pobres corações,
Já com sofrimento diário,
Por sentir na vida, ilusões.
Carlos Cebolo






sexta-feira, 15 de novembro de 2013



BABILÓNIA

Torre de Babel,
Insano recanto.

Rainha Isabel,
Abre o seu manto.

Transforma-se em rosa,
O trigo Caseiro,
Canta-se em prosa,
Ao som do marmeleiro.

Escravo passado,
Senhor do Mundo,
Mar navegado,
O abismo profundo.

Crescente fértil,
Morto Mar,
Rei sem perfil,
Magos ao luar.

Estrela cadente,
O astro rei
Cai de repente,
Ao sabor da Grei.

Jardim suspenso,
Local de amor,
Queima-se o incenso,
No sentir da dor.

Gnomos e duendes,
Em asas de fada,
Majestade de crentes,
Na noite adiada.

Sonho de encantar,
Num rio ardente,
Para a fome matar,
Neste Mundo doente.

Babilónia, Babel,
À luz da paixão,
Reino de papel,
Sempre em oração.

Carlos Cebolo


quinta-feira, 14 de novembro de 2013



UM PEDAÇO DE TI

Casulo de seda bordado,
Onde teu corpo se esvazia,
Sedento na sede do amor,
Do doce sentido guardado.
Momentos de eterna magia,
De uma alma cheia de dor.

Este agreste Outono da vida,
Dum Ser primaveril no amor,
Abraça a madrugada perdida,
De uma alma cheia de dor.

Corpo vestido de luz matinal,
Liberta pelo quarto o doce odor,
Entre persianas na luz do luar,
De uma alma cheia de dor.


Carlos Cebolo

quarta-feira, 13 de novembro de 2013




ROSAS SELVAGENS

Nascem rosas selvagens no meu quintal,
Banhadas pelo sol da manhã e a luz do luar.

Nasce o amor onde menos se espera
E tudo o resto me parece normal.

Alma e corpo para além do mar,
Nas ondas revoltas da nova Era,
Em pétalas abertas para amar.

Rosas selvagens de várias cores,
Com perfume suave no seu rosto,
Derramam odores de outros amores
E trazem nas pétalas outro gosto.

Rosas que murcham com o tempo
E renascem viçosas na primavera,
Com amor selvagem no contratempo,
Da triste vida que desespera.

Carlos Cebolo
carlosacebolo.blogspot.com/


  

 O SILÊNCIO DO AMOR

No silêncio das palavras lidas e escritas,
A espera de gestos de amor na ternura,
Que nasce do nada esperado e sentido.

Palavras sentidas no silêncio que se adivinha,
Do amor confessado que nem sempre dura,
Fica o momento em que te tornaste rainha.

Aquele amor no pensamento imaginado,
Sentimento que nasce entre duas almas,
Admitido apenas, depois de muito falado.

Breves palavras num sentimento de verdade,
Que revoltam as águas nas nascentes calmas,
Traduzidas na silenciosa vertente da amizade.

O perfume que escorre no silêncio do teu rosto,
É prenúncio de amor espraiado no teu desgosto.

Carlos Cebolo
carlosacebolo.blogspot.com/




JUVENTUDE

Eterno elo sagrado,
De uma vida em movimento,
Juventude nascida e criada,
Neste Mundo abençoado.
No avançar dos anos o lamento,
De uma felicidade adiada,
Com o cálice da vida parado.
A imagem se modifica,
No olhar paralelo que reconhece,
Sem o espelho que mortifica,
A alma do mal que se padece.
Espírito rejuvenescido,
No entardecer do Ser,
O renascimento da alma,
Em contraste ao envelhecer
E o ganhar da calma,
Dando o facto por merecido.
Na alma existe atitude,
Espraiada na vida vivida,
Com o passar do tempo e juventude,
Na vida tardia, merecida.
O eu interior, bem fundo no espaço,
Talha a juventude da idade passada,
No presente entardecer.
Não se perde nenhum pedaço,
Da alma jovem sempre amada,
Num espírito, sempre a renascer.
Ganha-se experiência e saber,
Com o passar dos anos e saúde,
Aumentando o prazer, pelo prazer,
Desejado na juventude.

Carlos Cebolo






terça-feira, 12 de novembro de 2013


NOITE DE SONHO

Cai o dia ceifado pela noite…

No lusco-fusco do seu fim,
Esconde-se o rei no horizonte,
Com as estrelas, ainda a monte.

Tardia, a lua faz a sua aparição
E espraia-se no silêncio da noite,
Entre os sons noctívagos presentes,
Como se fosse, uma suave oração.

Ouve-se o murmúrio do vento que sopra…

A mãe Natureza nunca dorme
E trabalha incessantemente na penumbra,
Para alimentar os filhos que consome,
Na reciclagem que a todos deslumbra.

Gritos que se perdem no arvoredo,
Em ruídos surdos do dia a dia,
Audíveis numa noite de luar,
Transmitem ao visitante incauto o medo.
Medo sentido na escuridão da hora tardia,
Quando o triste coração, necessita de chorar.

Cai o amor ceifado pela incerteza,
Numa traição sentida com grande dor,
Na ilusão do luar triste da mãe Natureza,
Quando o Sol esconde todo o seu calor.

Noctívago ser que o amor liberta,
Em ruídos constantes de outros tons,
Que segredam o grito da liberdade,
Na noite ouvido na mudança dos sons.

Apaga-se o grito do desassossego,
Quando a noite é ceifada pela luz matinal
E o rei sol aparece a levantar o ego,
Do amante pejado do amor carnal.

Flocos pálidos da brilhante luz solar,
Acordam os seres da dormente Natureza
E ouvem-se os cânticos das aves a saudar,
O amor sentido na realidade da certeza.

Carlos Cebolo

carlosacebolo.blogspot.com/

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

    

  ALMA NUA

Ardente rio por onde navego,
As mágoas da minha paixão,
No sorriso da triste viagem.
Pelo mundo profano e cego,
Do paraíso ausente da visão,
Deslizo a prestar vassalagem.

No mapa da noite, os gemidos
Sentidos no prazer da nudez,
Ouvidos na ausência do mundo.
Fonte dos desejos espremidos,
Dos fortes odores na embriaguez
Que tornam o céu mais profundo.

Sol e fogo no teu corpo lua,
Inunda de doce a tua nascente,
Onde jorra a cor da felicidade.
Sensual desejo da alma nua,
Projecta no ar o odor ardente,
No sentir insano da eternidade.

És a alma que habita em mim,
Na ternura viva do teu pulsar
Onde o sofrimento teve o seu fim.

Tenho memórias do meu sonho,
Entre poemas que não escrevi,
Lançados no suspiro do vento.
O acordar do pesadelo medonho,
No contraste do amor que vivi,
Guardado no meu pensamento.

Partilho no teu coração o calor,
Na tua alma o amor desejado
E nos teus lábios o meu beijo.
Sentimentos trocados com amor,
No sentir de amar e ser amado,
Com a força corporal do desejo.

Leitura da minha alma, na nudez
Do silêncio que desagua do mar,
Entranhado no meu pensamento.
Néctar fonte da tua embriaguez,
Na procura constante do teu amar,
Com entrega sentida no momento.

Carlos Cebolo


segunda-feira, 4 de novembro de 2013


SOU O QUE SOU

Sou o que sou!...

Não sou ninguém.

Alma volátil como o vento,
Que voa com o pensamento.

Sou nada e nada quero ser,
Só não me quero perder,
Na corrupção da vida,
No perder da vida perdida.

Sou o que sou,
Como todo o Mundo o é.
Se ninguém eu sou,
Porque tenho fé?

Alma volátil como o vento,
Mas que tem o seu momento,
Na fragilidade do amor,
Também sente a sua dor.

Sofredor no desassossego,
Canto e escrevo emoções,
Sentidas algures por alguém.
Elevo bem alto o meu ego,
No sentir das confissões,
Que oiço aqui e além.

Lágrimas da alma sentida,
Ao sabor do pensamento,
Num tempo sem tempo.
Palavras em poesia convertida,
Aguardam o seu momento,
Sem qualquer contratempo.
Emoções sentidas na mente,
O peso que a alma sente.

Sou o que sou!...
Ninguém.

Carlos Cebolo






sexta-feira, 1 de novembro de 2013


QUESTÃO DO TEMPO

As horas não interessam!
O importante é o tempo.
Ter tempo para o lazer,
Ter o tempo sem correr,
Ter tempo para o que fazer.

O destino marca o tempo.
O tempo de viver,
De viver para morrer.

O tempo do tempo é estável,
Diferente do tempo clima.
Se um tempo é amável,
O outro tempo desanima.
Desanima na mudança do meridiano,
Do meridiano que o controla.
Varia várias vezes ao ano
E o outro tempo nos controla.

Controla o tempo que vivemos,
Vivemos e morremos com o tempo,
Desde o tempo em que nascemos,
Até que termine o nosso tempo.

Tudo é uma questão de tempo.

O stress com a falta do tempo,
Do tempo que marca a hora,
A hora do encantamento,
Do encantamento do nascer da aurora.

O tempo forma as estações,
Na mudança de humor do planeta,
Do planeta que forma o tempo,
Diferente em várias situações,
Situações a que se sujeita.

Balança o tempo, no seu tempo.
Passado, presente e futuro…
Forma com ele o contratempo,
Do tempo sempre inseguro.
O tempo comanda a vida,
A vida por aqui vivida.

Carlos Cebolo



quinta-feira, 31 de outubro de 2013




MISTICISMO

Noite enluarada!...
O desejo num brilho que puxa,
Pelos amantes em disparada,
Anunciando o dia da Bruxa.
Vassouras voadoras em contraste com a lua,
Bruxa má, fada boa em desfilada,
Numa mistura de gnomo e duende,
Na mágica noite nua.
Anjos e demónios e alma penada,
Num canto onde a alma acende,
O espiritismo na realidade crua.
Morte e ressurreição da alma,
Na irmandade da religião,
Para uns é sentido com calma
E noutros a pura rejeição.
S. Cipriano e o livro mágico,
Com crenças e descrenças na crítica,
Poetas cantam o fim trágico,
Do misticismo que o fabrica.
Medo da morte!
Sentido de vida após vida,
Neste poema dou o mote,
Do grande mistério da partida.
Uns afirmam haver vida no além,
Outros que a morte tudo acaba.
O misticismo do antigo vem,
Com o demónio que se baba,
Pelas almas penadas perdidas.
Na idade média era crime!...
Queimavam-se pessoas possuídas,
Mas todos temiam o bruxedo.
Hoje ainda há quem o recrimine
E quem enriqueça com almas perdidas,
Implantando no misticismo o medo.

Carlos Cebolo







ESTATÍSTICAS

Estatísticas!...
Tudo são estatísticas…
No papel traça-se o destino,
Cortes aqui, cortes ali.
No papel não dói,
Na alma do político também não.
Na alma do político?
Será que o político tem alma?
Não!...
A alma pertence ao ser pensante
E os políticos não são se quer seres.
Copiam ideias de pensadores anteriores.
Se é que eram pensadores!...
Talvez fossem apenas políticos.
Mas o político não pensa.
Copia pensamentos de doutros,
E alteram a seu belo prazer.
O importante não é o povo,
Não é a nação ou a raça.
O importante é a economia,
Que permite o político viver,
Sem nada fazer.
Quanto mais se corta ao povo,
Mais o povo trabalha para viver.
É a lógica das estatísticas.
Fazer o povo pensar que não há empregos,
Só tem um objectivo.
Baixar o salário do trabalhador.
Isto é pensamento político.
Ou talvez não!...
O político não tem pensamento.
É um parasita que suga o suor do povo.
Vivem do engano,
Exploram o medo,
Criam estatísticas.
Ou talvez não!...
Se o político não pensa,
Também não cria.
Apenas copia.
Se o povo passa fome,
Não faz mal.
O povo come qualquer coisa.
Ou simplesmente não come.
O político sim.
E as estatísticas sobre a capacidade política?
Alguém viu?
Não existe nem pode existir.
O político não é ser pensante,
Não produz.
Apenas gasta.
Logo não tem estatística.


Carlos Cebolo

terça-feira, 29 de outubro de 2013


MEUS TESOUROS
(À minha filha mãe pela 1ª Vez)

Existem flores no meu jardim,
Uma bela rosa e um lindo jasmim.
Muitas outras de várias cores,
Cada uma, com os seus odores.
Muitas flores lindas de encantar,
Naquele recanto com luz solar.
Cuido delas com muito amor,
Não vá o Sol queima-las com o calor.

Para ti, colheste a mais linda rosa,
Beijada pela linda fada mariposa.
Da rosa surgiu a mais formosa flor,
Que me ofereceste com o teu amor.

Do meu sangue cresceste viçosa,
Menina, mulher, mãe extremosa.
Do teu ventre, fecundo de amor,
Surgiu agora a mais formosa flor.
Como mãe atingiste a tua meta
E eu feliz, ganhei mais uma neta.

Estabilidade na família formada,
Exemplos de uma família amada.
Colhe-se os frutos em forma de flor,
No seio formado com muito amor.
Exemplos transmitidos e vividos,
No colher dos frutos merecidos.

Na vida lutaste pelo o que querias,
Venceste as dificuldades que sentias,
Com dignidade e cabeça erguida,
Vincaste fundo, os trilhos da tua vida.
Que sejas uma mãe, como foste filha
E a vida se tornará uma maravilha.

Carlos Cebolo








JÁ CÁ TENHO A MARIANA

A felicidade que se sentiu,
Este Sol que não engana,
Como a vida que surgiu,
Já cá tenho a Mariana!...

Esta frágil e linda flor,
Nasceu com a sua gana,
Com ela trás o amor,
Já cá tenho a Mariana!...

Rebento esperado e querido,
Uma personalidade que não engana,
Foi bebé bem concebido,
Já cá tenho a Mariana!...

Tem seu choro e sua dor,
Não deixa a mãe fechar a pestana,
Mas não deixa de ser um amor.
Já cá tenho a Mariana!...

Não escolheu onde nascer,
Os pais escolheram Viana,
Vem com vontade de vencer,
Já cá tenho a Mariana!...


Carlos Cebolo

segunda-feira, 28 de outubro de 2013


CASTELOS DE AREIA

Somos apenas figuras de romance,
Sem vida e sem morte na realidade,
Nesta mecânica da vida e idade,
Como um sonho em pleno transe.

Somos autênticos figurantes,
Na comédia simples da vida,
Neste Mundo de Passagem.
Na certeza da morte, insignificantes
Na magia do tempo na terra sentida,
Onde a passagem deixa de ser miragem.

A angústia da morte, na surpresa da vida,
Sentida por quem nasce para morrer.
A morte sentida na emoção,
De quem fica com a vida vivida,
Sempre começa com o acto de nascer,
Tendo um tempo limite por condição.

Para quem morre, aqui fica morto,
Mesmo estando vivo no além.

Os vivos choram à procura de conforto,
Esquecendo-se de onde a alma vem.

Nesta vida o pavor do desconhecido,
Por falta de conhecimento de quem conhece,
Na falta de saber do conhecido,
Acredita apenas que o corpo arrefece.

Chora-se a morte no seu velar,
Na presença física do caixão,
Que aos poucos se esquece com o falar,
Depois de sossegado o coração.

Apenas é lembrado o nascer e o morrer,
Em aniversários recordados,
Duas vezes no ano para não esquecer,
Os familiares então amados.

Nesta vida tudo passa!...
Nada somos de importante.
Com altivez celebra-se o dia da raça
E o tempo faz de ti insignificante.


Carlos Cebolo

sexta-feira, 25 de outubro de 2013


(A)MANDO (D)O TEMPO

Escuto os sons da Natureza,
Esqueço-me de viver!...
Algo me desperta a atenção!...
O renascer do dia na sua clareza,
Está a amanhecer!...
Sai a noite na sua emoção.
Não tarda, o Sol desponta no horizonte.
Abre-se a névoa e o Rei sol aparece.
O calor do meu sangue no seu apelo,
Fez escorrer um suor gélido pela fonte.
Todo o corpo estremece…
De repente, fecha-se o céu,
Abrem-se as nuvens escuras
E lágrimas grossas e constantes,
Formam no horizonte em véu.
O Sol não brilha entre as nuvens…
É a tristeza da Natureza e seus instantes,
Que faz galopar a imagem imaginação.
Lá do alto da cidade,
Olho o mar com emoção.
Ondas revoltas na irmandade
De uma fúria incontrolável,
Mostram o perigo do belo mar.
A chuva pára por uns instantes!...
Águas barrentas da terra arável
Fertilizam o campo no seu amar,
Confirmando um futuro confiante.
Dias de chuva e cinzentos,
Aguçam-me a imaginação
E a fúria ferve em mim.
Lanço no papel os lamentos
De uma vida em sofridão,
Que é libertada por fim.
A Natureza torna-se mística!...
Ânsias levadas pelo vento
No repentino lavar de mãos,
Levam a mensagem característica,
Como um forte lamento,
Em delírios e sonhos vãos.
Águas soltas feito esteiras,
No nascer do dia em confusão,
Abrem-se em novas clareiras,
No já forte alagado chão.

Carlos Cebolo


quinta-feira, 24 de outubro de 2013


SEDENTO

Fujo da verdade!...
Na paixão que me guia,
Sinto o abandono da saudade,
Na bela magia que se cria.
Sem os sonhos abandonar,
Procuro alcançar a felicidade,
Com alma sofredora no amar,
Que me leve à eternidade.
Sem querer ver!...
Minha alma ama ardentemente,
Mesmo sem o corpo querer,
Mantém o sentimento na mente.
Alma quente e aventureira,
Sina adquirida e vivida,
Na magia que se quer verdadeira,
Na ilusão de uma vida sentida.
Sinto a tua presença na alma,
Desejo do corpo no ter
E no sentir a desejada calma,
Acabando com este sofrer.
Não querendo viver sem ti,
Procuro-te na essência do ser,
Vejo a tua imagem que sorri,
No meio da névoa a desaparecer.
Sem querer ver!...
Desenho sonhos na loucura,
No silêncio de sofrer amando,
Nesta vida já madura,
Onde guardo os meus desmandos.
Sem tempo para ovações,
No sentir dos sentimentos,
Perco-me em muitas orações,
Que escondem os meus lamentos.
Sem querer ver!...
Perdi no teu dorido chorar,
As minhas lágrimas de eterna dor,
Por tanto de querer amar
E não conhecer o teu amor.

Carlos Cebolo


quarta-feira, 23 de outubro de 2013


ENTRE A EMOÇÃO E A RAZÃO


A razão de existir no pensamento,
Alegrias e mágoas na alma sentida,
No ganhar ou perder o momento,
De uma vida que se sente perdida.

Águas soltas de nuvem amargurada,
Inundam a face de quem acredita,
No amor ardente na vida desenhada,
Com traços de uma traição maldita.

Emoções fortes que a dor alimenta,
Na recordação do florir primaveril,
Esquecem a razão que se ausenta,
Fugindo daquele emaranhado ardil.

Razão fraca no querer continuar,
Com o rio que sulca a face sem aviso,
Naquele sempre sofrido caminhar.

Emoções que a razão desconhece,
Com a felicidade pedida no sorriso,
Que a mais forte alma estremece.

Alma rasgada no tempo que corre,
Contra o padecer que o corpo corrói,
De um amor que aos poucos morre,
Abrindo uma ferida que sangra e dói.

A forte razão de uma palavra dada,
No sentir dos sentimentos acabados,
Formam o muro na felicidade adiada,
Dos sentimentos outrora guardados.


Carlos Cebolo

terça-feira, 22 de outubro de 2013

       

     NOVO CICLO

Choram as árvores no seu sofrer,
Perdem a roupagem da primavera,
No sentido agreste da nova estação.
Neste triste envelhecer e renascer,
Da renovação e vida que se espera,
Acaba com a triste e sentida solidão.
À geração vindoura, diz-se presente,
Sentindo na raiz, o vigor da semente.

Lágrimas doces pelo céu choradas,
Levam nos rios as mágoas sentidas,
Da Natureza que se sente entristecer.
Colhe-se o fruto de vidas acabadas,
Na renovação das esperanças idas,
Do amor perdido e todo o padecer,
Do fruto que passou a ser semente,
Sentindo as dores que a alma sente.

Correm soltos os riachos sedentos,
Na ânsia da união de corpo e alma,
Como o rio que as lágrimas aguarda.
Sina do fado na lei dos momentos,
Que se cumpre com a dor que acalma,
As frias e serenas águas da madrugada.
Bailado cruel que a alma consente,
No caminhar das águas na nascente.

Caminha veloz para o mar cruel,
Estas águas calmas do rio feliz,
No Outono que o procura renascer.
Novo ciclo de vida no carrossel
Da vida, no amante agora infeliz,
No descontento do triste esquecer.
Estar presente no querer da mente,
No amor sentido conscientemente.

Este fraco vento que nada me diz,
No calar da desgraça na sua nudez,
Leva toda a roupagem de felicidade.
Com a certeza de trazer a vida feliz,
Sopra ligeiro no grito da sua surdez,
Com lágrimas soltas de fertilidade.
Assim fertiliza a dura e seca semente,
Com húmus que a própria terra sente.

Este Outono da vida sentido e vivido,
No contratempo do engano da loucura,
Que a Natureza percorre com a certeza,
Provoca em nós um sentimento retido.
A dor suprema da perda de aventura,
Que na juventude produz a incerteza,
Turva aquele brilhante olhar sorridente,
De quem agora, procura outro presente.

Carlos Cebolo