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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

segunda-feira, 28 de outubro de 2013


CASTELOS DE AREIA

Somos apenas figuras de romance,
Sem vida e sem morte na realidade,
Nesta mecânica da vida e idade,
Como um sonho em pleno transe.

Somos autênticos figurantes,
Na comédia simples da vida,
Neste Mundo de Passagem.
Na certeza da morte, insignificantes
Na magia do tempo na terra sentida,
Onde a passagem deixa de ser miragem.

A angústia da morte, na surpresa da vida,
Sentida por quem nasce para morrer.
A morte sentida na emoção,
De quem fica com a vida vivida,
Sempre começa com o acto de nascer,
Tendo um tempo limite por condição.

Para quem morre, aqui fica morto,
Mesmo estando vivo no além.

Os vivos choram à procura de conforto,
Esquecendo-se de onde a alma vem.

Nesta vida o pavor do desconhecido,
Por falta de conhecimento de quem conhece,
Na falta de saber do conhecido,
Acredita apenas que o corpo arrefece.

Chora-se a morte no seu velar,
Na presença física do caixão,
Que aos poucos se esquece com o falar,
Depois de sossegado o coração.

Apenas é lembrado o nascer e o morrer,
Em aniversários recordados,
Duas vezes no ano para não esquecer,
Os familiares então amados.

Nesta vida tudo passa!...
Nada somos de importante.
Com altivez celebra-se o dia da raça
E o tempo faz de ti insignificante.


Carlos Cebolo

sexta-feira, 25 de outubro de 2013


(A)MANDO (D)O TEMPO

Escuto os sons da Natureza,
Esqueço-me de viver!...
Algo me desperta a atenção!...
O renascer do dia na sua clareza,
Está a amanhecer!...
Sai a noite na sua emoção.
Não tarda, o Sol desponta no horizonte.
Abre-se a névoa e o Rei sol aparece.
O calor do meu sangue no seu apelo,
Fez escorrer um suor gélido pela fonte.
Todo o corpo estremece…
De repente, fecha-se o céu,
Abrem-se as nuvens escuras
E lágrimas grossas e constantes,
Formam no horizonte em véu.
O Sol não brilha entre as nuvens…
É a tristeza da Natureza e seus instantes,
Que faz galopar a imagem imaginação.
Lá do alto da cidade,
Olho o mar com emoção.
Ondas revoltas na irmandade
De uma fúria incontrolável,
Mostram o perigo do belo mar.
A chuva pára por uns instantes!...
Águas barrentas da terra arável
Fertilizam o campo no seu amar,
Confirmando um futuro confiante.
Dias de chuva e cinzentos,
Aguçam-me a imaginação
E a fúria ferve em mim.
Lanço no papel os lamentos
De uma vida em sofridão,
Que é libertada por fim.
A Natureza torna-se mística!...
Ânsias levadas pelo vento
No repentino lavar de mãos,
Levam a mensagem característica,
Como um forte lamento,
Em delírios e sonhos vãos.
Águas soltas feito esteiras,
No nascer do dia em confusão,
Abrem-se em novas clareiras,
No já forte alagado chão.

Carlos Cebolo


quinta-feira, 24 de outubro de 2013


SEDENTO

Fujo da verdade!...
Na paixão que me guia,
Sinto o abandono da saudade,
Na bela magia que se cria.
Sem os sonhos abandonar,
Procuro alcançar a felicidade,
Com alma sofredora no amar,
Que me leve à eternidade.
Sem querer ver!...
Minha alma ama ardentemente,
Mesmo sem o corpo querer,
Mantém o sentimento na mente.
Alma quente e aventureira,
Sina adquirida e vivida,
Na magia que se quer verdadeira,
Na ilusão de uma vida sentida.
Sinto a tua presença na alma,
Desejo do corpo no ter
E no sentir a desejada calma,
Acabando com este sofrer.
Não querendo viver sem ti,
Procuro-te na essência do ser,
Vejo a tua imagem que sorri,
No meio da névoa a desaparecer.
Sem querer ver!...
Desenho sonhos na loucura,
No silêncio de sofrer amando,
Nesta vida já madura,
Onde guardo os meus desmandos.
Sem tempo para ovações,
No sentir dos sentimentos,
Perco-me em muitas orações,
Que escondem os meus lamentos.
Sem querer ver!...
Perdi no teu dorido chorar,
As minhas lágrimas de eterna dor,
Por tanto de querer amar
E não conhecer o teu amor.

Carlos Cebolo


quarta-feira, 23 de outubro de 2013


ENTRE A EMOÇÃO E A RAZÃO


A razão de existir no pensamento,
Alegrias e mágoas na alma sentida,
No ganhar ou perder o momento,
De uma vida que se sente perdida.

Águas soltas de nuvem amargurada,
Inundam a face de quem acredita,
No amor ardente na vida desenhada,
Com traços de uma traição maldita.

Emoções fortes que a dor alimenta,
Na recordação do florir primaveril,
Esquecem a razão que se ausenta,
Fugindo daquele emaranhado ardil.

Razão fraca no querer continuar,
Com o rio que sulca a face sem aviso,
Naquele sempre sofrido caminhar.

Emoções que a razão desconhece,
Com a felicidade pedida no sorriso,
Que a mais forte alma estremece.

Alma rasgada no tempo que corre,
Contra o padecer que o corpo corrói,
De um amor que aos poucos morre,
Abrindo uma ferida que sangra e dói.

A forte razão de uma palavra dada,
No sentir dos sentimentos acabados,
Formam o muro na felicidade adiada,
Dos sentimentos outrora guardados.


Carlos Cebolo

terça-feira, 22 de outubro de 2013

       

     NOVO CICLO

Choram as árvores no seu sofrer,
Perdem a roupagem da primavera,
No sentido agreste da nova estação.
Neste triste envelhecer e renascer,
Da renovação e vida que se espera,
Acaba com a triste e sentida solidão.
À geração vindoura, diz-se presente,
Sentindo na raiz, o vigor da semente.

Lágrimas doces pelo céu choradas,
Levam nos rios as mágoas sentidas,
Da Natureza que se sente entristecer.
Colhe-se o fruto de vidas acabadas,
Na renovação das esperanças idas,
Do amor perdido e todo o padecer,
Do fruto que passou a ser semente,
Sentindo as dores que a alma sente.

Correm soltos os riachos sedentos,
Na ânsia da união de corpo e alma,
Como o rio que as lágrimas aguarda.
Sina do fado na lei dos momentos,
Que se cumpre com a dor que acalma,
As frias e serenas águas da madrugada.
Bailado cruel que a alma consente,
No caminhar das águas na nascente.

Caminha veloz para o mar cruel,
Estas águas calmas do rio feliz,
No Outono que o procura renascer.
Novo ciclo de vida no carrossel
Da vida, no amante agora infeliz,
No descontento do triste esquecer.
Estar presente no querer da mente,
No amor sentido conscientemente.

Este fraco vento que nada me diz,
No calar da desgraça na sua nudez,
Leva toda a roupagem de felicidade.
Com a certeza de trazer a vida feliz,
Sopra ligeiro no grito da sua surdez,
Com lágrimas soltas de fertilidade.
Assim fertiliza a dura e seca semente,
Com húmus que a própria terra sente.

Este Outono da vida sentido e vivido,
No contratempo do engano da loucura,
Que a Natureza percorre com a certeza,
Provoca em nós um sentimento retido.
A dor suprema da perda de aventura,
Que na juventude produz a incerteza,
Turva aquele brilhante olhar sorridente,
De quem agora, procura outro presente.

Carlos Cebolo


segunda-feira, 21 de outubro de 2013



SINTO-TE NO MEU OLHAR

O mal querer deste contrafeito,
Como Tomé, no ver para crer,
No bem-querer tudo a preceito,
Na ilusão de não crer no poder.
Murmúrios de uma boca cansada,
No querer e não poder esquecer,
O doce beijo sentido na madrugada,
No silêncio do sonho a morrer.
Perfeita nudez de todos os sentidos,
Na saudade do silêncio perfumado,
Das flores com seus cálices invertidos,
Que beijam o estame amaldiçoado.
Da incoerência deste sofrer,
No querer ser tudo e tudo o nada,
Agarra-se o amor que está a morrer,
Na promessa feita e sempre adiada.
Aquele fogo intenso de felicidade,
Do corpo, dentro do corpo sensual,
Anseios de pura e sentida liberdade,
Que faz do ser humano um animal.
Porque te amo tanto assim?
Teu olhar é beijo que sinto no sorriso,
Teu corpo é violino tocado sem fim,
Com som que me faz chorar sem aviso.
Na memória dos meus olhos, o segredo
De beijos e murmúrios agora perdidos,
Na glória da alma ao vencer o medo,
De te perder na melodia dos sentidos.
Sinto-te no meu olhar!...
Em sonhos na intimidade da saudade,
O violino que toca sem saber chorar,
Nas asas cintilantes da eterna liberdade,
Dos poemas que só tu sabes decifrar.
A linguagem entendida no amor,
Em suspiros de loucura e saudade,
Formam sentimentos no corpo da flor.

Carlos Cebolo



sexta-feira, 18 de outubro de 2013

    

       TRANSVERSAL DESVIO
              (swing)

Voa a alma em asas de fogo,
Na magia da noite de luar,
Como cartas soltas do jogo.

Atracção sexual escondida,
Esconde a paixão no amar,
Com a felicidade perdida.

A vida transversal vivida,
Em encontros ocasionais,
Sem amor e sem despedida.

Aquela vontade de partilhar,
Com a vulgar troca de casais,
Na comparação do seu falhar.

Na linha recta do casamento,
O corpo e alma em comunhão,
Tendo o sexo no pensamento.

Traumas criados nos sentidos,
Os toques oblíquos da atracção,
Mostram os sentires invertidos.

Caminhos seguidos sem volta,
À normalidade de casal seguro,
Formam no futuro a vil revolta.

Culpa-se o outro no ter alinhado,
Naquele projecto feito no escuro,
Não ficando ninguém sossegado.

No futuro a dúvida da traição,
Da família constituída na dor,
Nos tristes encontros de ocasião.

Pairará sempre a eterna dúvida,
Naquela família sem ter amor,
No momento de gerar nova vida.

Carlos Cebolo





quinta-feira, 17 de outubro de 2013


MAGIA DA LUA

Sobe a lua no voo da mariposa,
Poisa seu olhar no horizonte,
Inspirado na poesia feito prosa,
Bebendo a água da bela fonte.

Fada madrinha da mãe natureza,
Com sua brisa sussurrante de cor,
Mariposa menina da incerteza,
No sugar dos suspiros da flor.

Em si percorre a vida de aventura,
No esvoaçar das suas asas de fada,
No segredo do fruto da amargura,
Da cor negra da tulipa desgastada.

À luz da lua, poderá seguir viagem,
Na magia da mariposa no seu viver,
Com asas de cera pintada de coragem,
Na penumbra do dia, no seu anoitecer.

Percorre lindos refúgios incessantes,
No esvoaçar de corpo e asas cansadas,
Para afagar as ansiedades constantes
De todas as frias e belas madrugadas.

Seu corpo esbelto de linda borboleta,
Com as cores frescas da primavera,
Torna a cheia lua ainda mais obsoleta,
Na iluminação da noite que a espera.

Sua boca gulosa beija ardente a flor,
Com a alma despida da vil solidão,
Onde mostra todo o seu ardente amor
E projecta na lua a imagem de união.

No calor dos seus seios, o toque astral.
Do seu corpo de fada e fonte de doçura,
Acumula voos de desejos sem igual,
Acabando com toda a triste aventura.

Na magia da lua, água e fogo em união,
Numa poesia nua do seu eterno amor,
Que dentro de si nasce em confissão,
Dos odores florais que cuidam da sua dor.

Sente na sua ansiedade, a triste loucura,
Na incógnita do voo livre da mariposa,
Atraída pela brilhante brisa de doçura,
Que do belo néctar, se faz sedenta gulosa.


Carlos Cebolo

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

              
         FADO

Um soneto de bom silêncio,
Mostra as mágoas dum fado,
Que na guitarra tira o lamento,
Por estar triste e desesperado.

Canta as tristezas dum povo,
Cansado de tanto sofrer,
O povo lamenta de novo,
Todo um velho padecer.

Música triste apaixonada,
Fala de almas perdidas,
De tramas emaranhadas.

Da grande dor da vida perdida,
Poetas cantam a dor da alma,
Com pouca luz na noite calma.
                     **
Trinam guitarras em harmonia,
No lamento e chorar das almas,
Numa triste e sentida melodia.

Sentimentos escondidos na dor,
Aplausos de uma vida sem palmas,
No sentir dos sentidos do amor.

O fado que se quer triste e com dor,
No lamento das cordas da guitarra,
Canta as agruras do sofrido amor,
Com a voz trinada e com muita garra.

A verdadeira poesia de dor cantada,
Por fadistas na perfeita harmonia,
Lembram a dor da vida desgastada,
Nos dedos hábeis de pura magia.

Carlos Cebolo







terça-feira, 15 de outubro de 2013


TRANSCENDENTE

A vida é como um passo de bela dança,
Que na contra-dança da vida se esfuma,
Como a onda do mar desaparece na bruna,
Com a certeza do movimento da mudança,
Que na nossa vida, traçamos à distância.

Infortúnio sentido numa triste despedida,
Com a ilusão sentida e vivida na tristeza,
De quem ama a terrena e aventureira vida,
Tendo da odiada morte, apenas a certeza.

A vida neste Mundo, tem a sua beleza,
Que contrasta com o triste momento
Da morte, na ressurreição da incerteza.

Triste realidade que este Mundo apresenta,
Com a sementeira colhida com o tempo,
No nascer e morrer, na dor que se isenta.

A morte, não é mais do que uma mudança,
Que deixa uma dor espírita que desaparece,
Com o passar do tempo e sentir de confiança,
Na passagem para o abrigo que se merece.

Uma realidade nem sempre compreendida,
Na já fraca mente do humano descuidado,
Que não aceita a mudança como merecida.

Nesta terra apenas fazemos uma passagem,
Curta na grande memória do eterno amado,
Que em parábolas, nos deixou a mensagem.

A fé e a esperança no além vida celestial,
Minimizam o sofrimento de quem parte,
Com a esperança de uma alma imortal,
Vivida na felicidade pura da beleza e arte.

Carlos Cebolo


segunda-feira, 14 de outubro de 2013


CHORAM OS ANJOS DO CÉU

Calem-se as armas e canhões no seu troar,
Enterrem-se as baionetas ensanguentadas,
Da triste e rude luta contra a humanidade.
Que o dinheiro gasto utilizado para matar,
Acabe com a fome das crianças maltratadas
E promova no Mundo a desejada igualdade.
Choram os anjos do céu com a eterna dor,
Criada no homem, pelo homem sem amor.

Crianças famintas num Mundo que é nosso,
Mostram o corpo mutilado pela vil guerra,
Que fazem o céu chorar com tanta tristeza.
Abrem-se feridas criando na vida um fosso,
Que dificilmente se fecha na alma da terra,
Que chora com toda esta criada incerteza.
Riem os donos da guerra com o fétido odor,
Que do podre Mundo é libertado com dor.

Perdida humanidade que só pensa em matar,
Eliminam o ser humano sem dó nem piedade,
Por dinheiro, ganância do poder ou crueldade.
Choram os anjos do céu, com dor no seu olhar,
Com as mãos atadas em toda esta calamidade,
No poder do livre arbítrio dado à humanidade.
Tanto sofrimento em quem quer viver no amor,
Sem ter como fugir daquela terrível e triste dor.

Choram os bondosos anjos no alto firmamento,
Perdendo a luta contra o mal do obscurantismo,
Que na raça humana aprisionou, a fraca mente.
Trevas envolvem a terra num certo movimento,
Abafando parábolas e ensinamentos do altíssimo,
Que da fraternidade e amor plantou a semente.
Ao vencer a morte na sua própria natureza e dor,
Com seu corpo, plantou neste Mundo o amor.

Sinais dos tempos na triste mudança de viver,
Não sentem na negra alma a causa de tanta dor,
Que seus irmãos sentem mesmo à sua volta.
Matam à fome na ganância de um dia vencer,
A ilusão criada com o poder de tanto horror,
Que não sentem no seu seio, nascer a revolta.
Choram os anjos ao sentirem também a dor,
Daquele povo irmão que nasceu sem ter amor.


Carlos Cebolo

sexta-feira, 11 de outubro de 2013



 PARA ALÉM DA LUA
(À minha esposa – hoje fazemos 38 anos de casados)
                      11/10/1975 – 11/10/2013

Para além da lua, vai o meu olhar,
Que navega no teu corpo feito mar.

Serei terra fogo no meu caminhar,
No teu sentir de fresca lua mar.

Vivo na tua presença sem falar,
Por seres Sol, que sinto em mim
E por ser sem tempo o nosso amar.

Guardo recordações de felicidade,
No criar das flores do nosso jardim,
Onde existem os sons da saudade.

Para além da lua, vai o meu sorriso,
No teu olhar fogo, de gesto indeciso.

Serei forte pecado em tons carmim,
No teu corpo feito manto de cetim,
Onde me deito no viver da paixão,
Sentindo o forte calor do teu coração.

Em ti, sinto o mar que em mim desagua,
Na nudez da alma quando em ti leio,
Traços profundos no azul vazio da água,
Que com o teu calmo mar até mim veio.

Para além da lua, choro em silêncio…
E o meu olhar a doçura do suplício.

Assim, como poema sem endereço,
Tenho de ti, mais do que mereço.

Meu lamento perdido na voz do vento,
Como último olhar que espera por ti,
Trago-te presente no meu pensamento,
Como o belo poema que em ti escrevi.

Para além da lua, lanço a minha dor,
Procurando em ti, o meu doce amor.

Carlos Cebolo





quinta-feira, 10 de outubro de 2013

         

        TU E EU

Abro-me em pétalas de sedução,
Com o teu respirar onde me sinto,
Denso mar em ondas de ousadia.
Prendes-me nesse teu corpo vulcão,
Com teus belos braços feitos cinto
E libertas todo o teu amor em magia.

És alma que habita no meu respirar,
Numa maneira sensual que é só tua,
Onde bebo da fonte em ti perdida.
Sinto o silêncio desse teu eterno mar,
No toque suave, da bela pele pura,
Onde brindo a tua carícia repetida.

Tu e eu, no sentimento de alegria,
No frenesim da nossa criada ilusão,
Onde me sustento como poema lido.
Perco-me sem destino na doce magia,
Do amor que arrebata o meu coração,
No teu corpo quente, a mim servido.

Nos teus gestos, o suspiro do grito,
De animal que se encontra saciado,
Que do meu corpo agora se liberta.
Tu e eu no futuro em que acredito,
Ser eterno neste nosso amor iniciado,
Na felicidade que cremos ser certa.

Tu e eu, presos no choro da madrugada,
Em sons de violino no toque da ternura,
Voamos em poemas com asas de veludo.
Sorrio na presença da ilusão desenhada,
Em teus braços na sensação de frescura,
Desse teu corpo que aos poucos desnudo.

Sinto-me doce brisa no teu corpo salgado,
O odor agridoce em lágrimas de ousadia,
Que saboreio, quando bebo do teu cheiro.
Emoções vividas na fome e sede do pecado,
Onde tu e eu sentimos a frescura da magia,
Fazendo-me um audaz e eterno aventureiro.


Carlos Cebolo

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

       

      AMAR

Amar, é querer por inteiro,
Na clareza do próprio dia,
Sentir que tudo é verdadeiro,
Com toda a energia e alegria.

É querer-te solta como o vento,
É poder dar, receber e guardar,
Respeitar todo o consentimento,
Na conjugação do verbo amar.

Amar, é força sentida na emoção,
È um abraço forte na protecção,
É mostrar o futuro no presente,
Traçar um sorriso na face ardente.

Amar, é acompanhar na solidão,
Deixar fluir o belo sentimento,
É dar e sentir com o coração,
É estar presente no mau momento.

Amar, é respeitar a desigualdade,
Lutar e vencer o preconceito,
Reprimir na sua mente a maldade,
Promover a vida e o respeito.

Amar, é dar esperança à vida iniciada,
É acarinhar a vida na triste enfermidade,
Eliminar as diferenças existentes no nada,
É dar a mão ao sentimento da verdade.

Amar, é lutar contra o preconceito da cor,
È acabar com as barreiras na humanidade,
È sorrir e fazer sorrir no combate da dor,
Ajudar o amigo sem pensar em caridade.

Carlos Cebolo


segunda-feira, 7 de outubro de 2013


FLOR DO TEMPO

Lágrimas salgadas do meu mar,
No calar das palavras, o silêncio,
Das saudades retidas no teu olhar.

Sonhos duma felicidade adiada,
No adeus que leva ao hospício,
De toda a triste alma abandonada.

Brisa num Outono da saudade,
Sentida e vivida na triste ilusão,
Da magia do amor na igualdade.

Ondas rebeldes da revolta mente,
Na luta travada contra a solidão,
Provocam o desgaste que sente.

Na escuridão do momento guardado,
O coração voa na perigosa caminhada,
Ao encontro do seu destino traçado.

Aguarda o momento da hora perdida,
Na lembrança da sua felicidade adiada,
Apressando agora, a hora da despedida.

Foi um livro lido, fechado e esquecido,
No bom tempo do romance passado,
Dando por mal empregue, o tempo ido.

Palavras que turvaram o pensamento,
Do amor que se encontra ultrapassado,
É o lamento perdido na voz do tempo.

Neste meu último olhar na escuridão,
Espero a sombra da lua escura passar,
E deixo para trás espectro da solidão.

Na melodia secreta que forma a paixão,
Sou agora fonte fresca pronta para amar
E vejo-te como folha seca deitada ao chão.

Carlos Cebolo
carlosacebolo.blogspot.com/



sexta-feira, 4 de outubro de 2013


REPÚBLICA

Soltam-se as amarras do tempo,
Nas ondas revoltas do mar doente,
Com heróis vencidos na desgraça.
O povo esquecido no contratempo,
Da calmaria das marés da mente,
Navega as memórias que abraça.
Gritos de um povo sem condição,
Na surdez que aperta o coração.

Outrora grandes senhores do mar,
Desbravou o caminho profundo,
Nas rotas do Adamastor medonho.
Hoje apenas vive a glória a sonhar,
Com os feitos de D. João segundo,
Na glória de Portugal e seu sonho.
A república criou com a revolução,
Este povo, a quem Deus deu a mão.

Republicano que sente a liberdade,
O bom povo humilde e trabalhador,
Festeja a queda do regime decadente.
Lembra velhos feitos com saudade,
Dos heróis caídos na desgraça da dor,
Pela pátria que sonhou independente.
Procura agora por uma nova situação,
Que acabe com este governo da Nação.

A República deu novas oportunidades,
Com liberdade para o povo que a criou.
Do sangue real vertido pela vingança,
Nasceu o republicano nas igualdades,
Com a moral do país que sempre amou.
O povo vê agora com esta nova liderança,
Os corruptos que governam esta Nação
E ameaça o poder com nova revolução.

Ventos contrários correm na desgraça,
O povo trabalhador, sente as mãos atadas,
Nas leis intemporais, donas da corrupção.
Pela liberdade que o povo luta e abraça,
Sente na República as vidas desgastadas,
Que lhe aperta com grande dor, o coração.
E pensando em toda esta triste confusão,
Não vê ninguém que lhe possa deitar a mão.

Carlos Cebolo




quinta-feira, 3 de outubro de 2013


TRAIÇÃO

Mulher sofrida
Na noite nua,
A tela da vida,
O brilho da lua.

Tristeza no olhar,
O gesto que grita,
Teus olhos mar,
No que acredita.

Coração dorido,
Pedras atiradas,
Amor sofrido,
Frases guardadas.

Pétala caída
Da triste rosa,
No chão perdida,
Odor em prosa.

Alma Rasgada,
No sopro do amor,
Flor desdenhada,
Sente a sua dor.

Asas quebradas,
No triste sorriso,
De vidas adiadas,
Perdem o juízo.

O fugir da alegria,
Na noite calma,
A Apurada magia,
Do perder da alma,

Vida perdida,
Amor desfeito,
Triste despedida,
Toma outro jeito.

Traição sentida,
Felicidade adiada,
Uma nova partida
Na vida começada.

Carlos Cebolo



AGUACEIRO

Cai solto este aguaceiro!...
Miudinho, leve e sereno,
Que entranha até à alma.
Vem de vagar e sai ligeiro,
Mantendo o tempo ameno,
Nesta triste tarde calma.
Uma só carícia do teu amor,
Pouco a pouco no sentir,
Molha todo o meu ser.
Aguaceiro da minha dor,
Que na tristeza me faz sorrir,
Acaba com o meu padecer.
Mostra-me a memória do tempo,
Na moldura que te esconde
E abraça-me nesta madrugada.
Cai ligeiro, no tempo sem tempo,
Caminha sem saber por onde,
Nesta triste vida agastada.
Procuro-te no céu de estrelas vazio,
Onde encontro a luz do teu olhar,
Na alegria das lágrimas do rosto.
No brilho do pirilampo o desafio,
De um amor que se quer salvar,
Na ausência triste do conforto.
De nada vale amaldiçoar o envelhecer,
Com o seu aguaceiro persistente,
Como o causador de todo o mal.
A chuva que molha, faz a terra humedecer,
Fertilizando a seca semente,
Que na terra provoca o natal.
Assim é o meu amor!...
Cai sereno como o aguaceiro,
Com o sorriso que atravessa a vertente.
Traz na alma o doce odor,
Do sentimento que se quer verdadeiro
E que fica guardado para sempre.

Carlos Cebolo







quarta-feira, 2 de outubro de 2013


CHUVA

Chora o céu em lágrimas soltas,
Apaga o fogo desta quente terra.
Rolam lágrimas em linhas revoltas,
Do rosto cansado pela tua espera.

Chuva que reproduz a bela vida,
Na fértil terra pelo fogo queimada,
Acalma esta alma na vida perdida,
Com a tua doce água abençoada.

Sacia a sede com a tua frescura,
Desta pobre alma sofrida na dor
E renova na terra a vida segura.

Aumenta as águas das nascentes,
Reproduz na natureza o amor,
Fertilizando as secas sementes.

Carlos Cebolo

carlosacebolo.blogspot.com/

terça-feira, 1 de outubro de 2013

    

  PARAR NO TEMPO
 (aos doentes com Alzheimer)

Fixa no tempo um brilhante olhar parado,
Com gestos vagos no seu esquecimento,
Recordações da vida que lhe foge da mente.
Guarda do seu modo, a alegria de um agrado,
No sentir do simples contacto e cumprimento,
A boa recordação do passado agora ausente.
Com o seu sofrer no presente sem recordação,
Passa os dias a proferir frases em repetição.

Corpo envelhecido na beleza da juventude,
Traz no rosto as lágrimas da eterna saudade,
Nas recordações em flashes da sua mente.
A doença que lhe corrói, muda-lhe a atitude,
Outrora enérgica e com responsabilidade,
Tornou-se agora na figura triste e ausente.
Nesta vida imperfeita da sua comunicação,
Não se lembra, mas traz o passado no coração.

No esquecimento da dor maior que o Mundo,
Ama os seus na lembrança do recente passado,
Na presença do físico corpo com alma ausente.
Procura recordações no recanto mais profundo
Da sua mente, na memória do cérebro parado,
Que não forma sentido no seu actual presente.
Criou filhos e netos sempre com a preocupação,
De quem a família sempre amou com o coração.

Vive no seu próprio Mundo criado e fechado,
No desconforto que o corpo e alma se habituou,
Sem sentido na imaginação que sente ausente.
Nos momentos de lucidez, o sentimento guardado,
No refúgio da alegria que o pensamento guardou,
Do longínquo passado com o seu ausente presente.
Esta maldita doença que já muitas vidas ceifou,
Tomou conta do seu corpo e a felicidade acabou.

Agora doente, não esquece quem já esqueceu.
Neste viver triste do amor ausente na presença,
Recorda apenas o que vê e sente no presente.
Triste realidade na doença que agora o venceu,
Traçando na sua doce velhice a vil sentença,
De viver o presente como a sua vida consente.
Na lembrança do amor e da família que criou,
Sente agora falta daqueles que sempre amou.

Carlos Cebolo