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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

 


DOCE QUIMERA

 

Todo o desejo tem seu sabor,

Esse suor do corpo que esfria,

Tentação de beijar a flor,

A vida que se desafia.

 

Sente-se esse delírio abafado,

Volúpia dos ais desse prazer,

O corpo fica arrepiado,

Versejar de intenso viver.

 

Loucura comanda a saudade,

Todo esse tempo é primavera,

Sente o corpo outra mocidade

E o amor será doce quimera.

 

Carlos Cebolo

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quarta-feira, 8 de setembro de 2021

 


OUTRA DIMENSÃO

 

Cabe o mundo inteiro no meu olhar,

São as tristes voltas do meu sentir,

Os meus sonhos, antes do despertar,

Mesmo que o meu corpo esteja a dormir,

Na rotação perfeita do sonhar.

 

No teu rosto vejo a linda nascente,

Nas tuas faces essa mancha rosa,

Sinais dos tempos que a vida consente,

Ouvindo o meu poema em verso ou prosa

Que esse sinal do teu corpo não mente.

 

Longe sinto as ondas do pensamento,

Colho angústias e mágoas do teu Ser

E alimento a esperança desse momento,

Na vontade de um novo renascer,

Cavalgando a onda do sentimento.

 

Carlos Cebolo

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segunda-feira, 6 de setembro de 2021

 


                   O POEMA

      “DO PRINCÍPIO AO FIM”

 

Sem pressa, consciente e devagar,

Na palavra procura-se a rima,

Do princípio até o acabar.

 

Para o centro dele, chama o amor,

De verso em verso, de baixo a cima,

Invoca-se a tristeza e essa dor.

 

O poema devagar vai surgindo!

Junta-se adjetivos e emoções,

Sentimento que se vai fingindo.

 

Para trás, deixa-se a realidade,

O desassossego dos corações,

Invocando a antiga mocidade.

 

Surge o poema que quer acabar

E retira-se as contradições

Mas o poema vai querer continuar.

 

Carlos Cebolo

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sexta-feira, 3 de setembro de 2021

 


VIDA CONTIDA ou CASULO OCO

 

Sinto esse silêncio que dói,

Vida retida de cansaço,

Do que é e o que já foi,

A Mágoa de um triste fracasso.

 

O fracasso de um fim de vida,

Olhos sem vida na tristeza,

Adivinhando essa partida

E os tempos áureos de beleza.

 

Essa imobilidade absorta,

No corpo que o tempo levou,

Deixando essa consciência morta,

Na memória que já o deixou.

 

Da vida, nem só um lamento,

Com sua ausência permanente,

Nada lhe importa o momento,

Nem a dor que o seu corpo sente.

 

Sua vida já está ausente,

Como a brisa que sopra o vento,

Não se vê, mas ainda se sente,

Mas não mostra esse sentimento.

 

Meu sogro foi para mim um pai,

Sempre presente e cooperante,

Noutro tempo que já lá vai.

Hoje, sinto-o tão distante…

 

Tudo isto faz-me doer a alma,

Na impotência de o ter de volta,

Procuro mostrar essa calma,

Para conter minha revolta.

 

Carlos Cebolo

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quarta-feira, 1 de setembro de 2021

 


SAUDADES

 

Olho para o horizonte e ponho-me a pensar,

Na terra distante que se perdeu,

Mesmo ali por detrás do imenso mar.

Muitas vezes colhi o encanto seu

E esse grande amor que tinha para dar.

 

Na fruta vou sentindo o teu sabor,

Vezes sem conta, revejo-te em sonhos.

A batucada amainava essa dor

E todos os meus pesadelos medonhos,

Por não sentir esse tão grande amor.

 

Depois de todo esse tempo passado,

Essa saudade não desfaz o encanto

Nem a dor desse passado deixado

Que aumenta as lágrimas deste meu pranto,

Pelo abandono do bem desejado.

 

Recordo o irmão negro com quem cresci,

Irmão que não compreendeu tal revolta

E esse enorme desgosto que senti,

Com o brilho da tristeza à nossa volta,

Quando à pressa, dele me despedi.

 

Carlos Cebolo

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segunda-feira, 30 de agosto de 2021

 


COLHENDO A FRESCA ARAGEM

 

Entre o querer e o pensamento,

Entre a noite e o seu sossego,

Fica guardado o momento

Daquele nosso aconchego,

Colhendo essa fresca aragem,

Seguindo o querer em viagem.

 

São lembranças da saudade,

Momentos que se viveu,

Desse tempo sem idade

Que no mundo se perdeu,

Sem sentir sua aragem,

Assim seguiu viagem.

 

Entre a vida e o viver,

A paisagem que amou

Sem ter como a defender,

Deixa a terra que o criou

E colhe a sua aragem,

Seguindo a alma em viagem.

 

Carlos Cebolo

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quinta-feira, 26 de agosto de 2021

 


PARTIDA

(Em memória de uma prima) 

Do infortúnio, sente-se a despedida,

Na ilusão do crer, essa incerteza,

Facto comum a quem ama a vida

E da morte, apenas a certeza.

 

Uma vida para sempre ausente,

No sentir da infelicidade,

Sofre-se o que a alma também sente,

Acentuado com o avançar da idade.

 

Tempo existente sem ter retorno,

Da sementeira que foi perdida

E deixa-se a alma com outro dono,

No chorar a triste despedida.

 

Por cá, a beleza emoldura a vida,

No contraste do triste momento,

Ao sentir a perda na partida

E a adrenalina do sentimento.

 

Tão grande dor que o mundo se isenta,

Nesse chorar da triste jornada,

A mágoa que assim nos apresenta,

Da vida que ficou terminada.

 

Causa estranheza a ressurreição,

Não se compreende a vida terrena

E sem se ter a confirmação,

Toda essa vida ainda vale apena.

 

Sentir a vida como passagem,

Guardar na memória a eterna amada,

Sentir parábolas como mensagem,

Fica a fraca mente resguardada.

 

Carlos Cebolo

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segunda-feira, 23 de agosto de 2021

 


SIMPLES OLHAR

 

No pano celeste, a mancha escura,

Cai a noite à beira do mar,

Minha alma sente essa amargura,

Colhido do teu triste olhar.

 

Chega a névoa na madrugada,

Refresca um pouco o ambiente,

Como ela, a vida desgastada,

Tristeza da alma que se sente.

 

Esse amor que o verão traz consigo,

Vem sempre em ritmo de aventura,

Qualquer simples abraço amigo,

É sentido com mais ternura.

 

Sem tirar qualquer conclusão,

Apenas o olhar sobre o mar,

Colhe-se o amor de ocasião,

Cruzando no espaço o teu olhar.

 

Carlos Cebolo

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sexta-feira, 20 de agosto de 2021

 


RECORDAR O PASSADO

 

Do pensamento saltam recordações,

Todos os tempos vividos na mocidade

São bons laços que unem nossos corações,

Aqueles tempos vividos em liberdade.

 

Esse tempo que jamais será esquecido,

Celebrando a vida colhendo ternura,

Roubando um beijo nem sempre merecido,

Mas sempre carregado de uma certa aventura.

 

Olho para o passado, sentindo saudade,

De todo esse tempo que nos viu florescer,

Guardando até hoje toda essa pura amizade,

Lembrando esse tempo que nos fez viver.

 

São fotos guardadas no meu pensamento,

O primeiro namoro e o beijo envergonhado,

Flaches e momentos de um só sentimento,

Promessas e juras de um futuro sonhado.

 

Carlos Cebolo

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quarta-feira, 18 de agosto de 2021

 


PASSAM AS MODAS

 

Passam as modas com o tempo a voar,

As flores murcham com este calor,

É o verão que nos leva até ao mar,

Amizades que nos dão valor

E o tempo que nos põe a pensar.

 

Serão noites de todos os medos,

Os dias que afastam tristes mágoas,

O sentir falta dos aconchegos

Que forma nossas salgadas águas,

Marcando o triste desassossego.

 

Do teu olhar se solta esse rio,

Esse rio que te imunda o rosto

E que te provoca calafrio,

Tingindo a alma com esse desgosto,

Nesse tempo de amar, sempre frio.

 

Passam as modas com o tempo a voar,

Já tarda esse teu belo sorrir,

Essa livre vontade em pensar,

O renascer de novo florir,

O reaparecer de um novo olhar.

 

Carlos Cebolo

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segunda-feira, 16 de agosto de 2021

 


FATALIDADE

 

Oiço música do teu pensar,

Eterno espaço do meu desejo,

Na harmonia do meu acordar,

Quando sonho com o teu doce beijo

E no meu sonho quero ficar.

 

Nesse espaço onde nada mostra haver,

Por onde procuro a mocidade,

Não há vento nem erve a crescer,

Só um sentir da minha ansiedade,

Na procura de outro renascer.

 

Nada existe, mas tudo é real!

É real porque esse meu sonho existe.

Existindo tudo é natural,

Como natural será ser triste,

Quando esse amor se torna fatal.

 

Também fatal será meu destino,

Do sonho não se concretizar,

Segurando nesse meu desatino,

O desejo de te querer amar,

Com o pensamento tão pequenino.

 

Carlos Cebolo

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quinta-feira, 12 de agosto de 2021

 


MELANCOLIA

 

Longas noites, onde as horas não passam,

Escurece o tom da vida presente,

Naquela tristeza que o ambiente sente,

São queixumes que na noite ressacam.

 

Murcha o girassol nesse escurecer,

Falta coragem para mudar as cores

E pintar a beleza com novas flores,

Onde a vida ganhe outro renascer.

 

Toda essa breve tristeza é sentida,

No fixar sem brilho do teu olhar,

Como a vitrina de um secreto altar,

Mantém na penumbra a vida esquecida.

 

O bom perfume também esmorece,

O suave aroma perde o seu poder,

A fragância não volta a renascer

E sem aroma, vai apodrecer.

 

Carlos Cebolo

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segunda-feira, 9 de agosto de 2021

 


DOR DA ALMA

 

Fala-me de ti mulher serena,

Fala-me das mágoas que te assolam,

Das lágrimas que de ti descolam,

De algo que possa valer apena.

 

Um dia de nuvens traz tristeza,

Olha-se o tom da tristeza escura,

Mas essa escuridão não perdura

E o sol transporta sua beleza.

 

Todas as mágoas não são eternas,

O passar do tempo traz certeza

E se os anos transformam a beleza,

Também atenuam suas penas.

 

Fala-me de ti mulher sofrida,

Não alimentes essa ansiedade,

O amor sofrido não é saudade

E as lágrimas não saram essa ferida.

 

Carlos Cebolo

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quinta-feira, 5 de agosto de 2021

 


ALBERGUE DA VIDA

 

Nesta vida só se juntam pedaços,

Um pouco de tudo é sempre nada,

Por entre o ruído ficam os abraços

E lembranças de uma vida passada.

 

Meu coração é um albergue aberto,

Acolhe minha personalidade,

Amar por amar num momento certo,

Transporta-me ao tempo da mocidade.

 

Por trás do mundo, ficam as sensações,

De degrau em degrau, avança a vida,

Alberga esperança, dor e indecisões,

Sem querer preparar sua partida.

 

É um albergue que nunca está cheio,

Pela vida sente uma certa avidez,

Pouco a pouco vai perdendo o receio,

De sozinho ficar nessa altivez.

 

Carlos Cebolo

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quarta-feira, 4 de agosto de 2021

 


FRAGMENTOS DA VIDA

 

Hoje, já me vai faltando a memória,

De muita coisa, somente lembrança,

Imagino outra época, outra história

Que a maresia não trouxe mudança.

 

Nada do que sonhei me foi deixado,

Com tanta beleza também sonhei.

As miragens de um passado lembrado,

São imagens que na mente plantei.

 

O que fui antes, não me deixou dor,

E todos os meus sonhos eram encantados,

Mais velho serei outro pensador.

 

Hoje, esse meu sonhar faz mais sentido,

Dos fragmentos da vida junto os bocados,

Com o tempo, fui ficando mais sofrido.

 

Carlos Cebolo

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terça-feira, 3 de agosto de 2021

 


MEMÓRIAS QUE VIVEM

 

Teço meus poemas no tear da memória,

No tear do Universo sou solitário,

Vou tecendo a imagem no meu sudário,

Letras e palavras que fazem história.

 

Anuncia-se tempos renovados,

Insetos que cantam desafinados,

Ao picarem os frutos perfumados,

Deixam os corações angustiados.

 

Sinto medo de perder tal lembrança,

Outras imagens desse subconsciente,

Se refletem no espelho da confiança,

Perturbando a lembrança que não mente.

 

Carlos Cebolo

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segunda-feira, 2 de agosto de 2021

 


INFORTÚNIO

 

Do infortúnio saem palavras,

Folhas levadas pelo vento,

São asas do meu pensamento,

As águas frias das levadas.

 

São palavras que deixam ecos,

Ouvidas em repetição,

Na loucura da perdição,

Atalhos fúteis e outros becos.

 

O desespero perdeu tudo,

Perdeu tudo que nunca teve

E no momento triste e breve,

Nessa ansiedade ficou mudo.

 

No teu silêncio essa desgraça,

Olhar profundo de agonia,

Não vejo em ti essa alegria,

Nem a vida que por ti passa.

 

Carlos Cebolo

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quinta-feira, 29 de julho de 2021

 


ILUSÃO DO SENTIR

 

Não tenho hoje memoria presente,

Nada do passado me quer surgir,

Sem ter lembrança, não quero mentir,

Tudo é fantasia que o corpo sente.

 

Antes eu escrevia sem ter cuidado,

Nada de mim escrevia sentido,

E hoje escrevo o que me é permitido,

Sempre com o meu sentimento guardado.

 

Porque pesa em mim, esta minha mente?

Colho sensações de todo o prazer

E tudo que a outros só faz sofrer,

Indiferente serei inconsequente.

 

Sem ser o que fui, também não serei

O sofredor que mostro também ser,

Nessa ilusão que procuro escrever,

Liberto essas sensações que eu criei.

 

Carlos Cebolo

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quarta-feira, 28 de julho de 2021

 


LUGARES E RECANTOS

 

Só um lugar, apenas um recanto,

Uma oculta vontade de chorar,

Talvez a tristeza seja esse encanto,

De quem no mundo sofre por amar.

 

O soluço que se deixa fugir,

Num momento triste de solidão,

Tão leve como esse simples sorrir

Que fragmenta o mais forte coração.

 

Os lábios sedentos dessa fresca água,

Flor silvestre num deserto esquecida,

Essa humana febre das tristes mágoas

Sentida nas ilusões da partida.

 

Onde estão os lugares descobertos,

O que foi, já neste mundo não é,

Planícies, selvas e quentes desertos,

Tudo foi levado pela maré.

 

Todo aquele sonho que traduz a vida,

Um mundo novo que foi desbravado,

Esquecido na hora da despedida,

Ficou para sempre na mente guardado.

 

Carlos Cebolo

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segunda-feira, 26 de julho de 2021

 


LEMBRANÇAS QUE SE CONSOMEM

 

O mundo das lembranças tudo consome,

É terminada a primavera da vida

E sem essa vida, a alma morre com fome,

Deixando na solidão a despedida.

 

Colhe-se elogios de quem está presente,

Sentenças guardadas de todos os momentos,

As tristezas e alegrias que se sente,

São fragrâncias suaves dos bons sentimentos.

 

Quando as mãos cegas descobrem a intimidade,

A paixão invade os poros da loucura

E a primavera fica na eternidade;

Com o passar dos anos aumenta a ternura.

 

Não se deixa envelhecer as madrugadas,

Ao silêncio, intensifica-se outra cor,

Dá-se nova vida às esperas enrugadas

E solta-se o desejo vencendo a dor.

 

Carlos Cebolo

sexta-feira, 4 de junho de 2021

 


MURMURIOS DA ALMA

 

Sinto na pele a saudade,

Rios soltos do meu rosto,

Colho no mundo o desgosto,

Dos tempos da mocidade.

 

O passado deixou dor,

Trouxe a tristeza e sonhos,

Alguns desgostos medonhos,

Sem adiar a raiva do amor.

 

Corre o tempo na ilusão,

Já não transporto a pureza,

O rosto perdeu a beleza,

Meu silêncio é desolação.

 

Meu pensamento liberta

Todos os meus sonhos guardados,

E assim junto os meus bocados,

Desta vida que deserta.

 

Como o murmúrio da chuva,

Adormece o coração,

Também deixa compaixão,

O chorar triste da viúva.

 

Ficou viúva essa cidade,

Erguida com tanto amor

Que perdeu seu construtor,

Esse amor da mocidade.

 

Carlos Cebolo

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quarta-feira, 2 de junho de 2021

 


CORTE PROFUNDO

 

Não te iludes mais menina!

És meiga nessa beleza,

Nada é o que se imagina,

Em nada não há certeza.

 

Vês o mar no olhar profundo,

Teu namorado partiu,

Foi parar a outro mundo,

Na terra de onde saiu.

 

Pelo amor foi enamorado,

Levou sua mocidade,

Já não é teu namorado

E em ti deixou a saudade.

 

Não olhes mais para o horizonte

Que ele não volta jamais,

A avó Chica que te conte,

Outras histórias bem reais.

 

Paga-se um preço alto assim,

Não se esconde a realidade,

Ficas a saber por mim,

O que custa a liberdade.

 

Carlos Cebolo

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sexta-feira, 28 de maio de 2021

 


SILÊNCIO QUE MATA

 

Não sei quem sou!...

Não sei quem és!...

Este silêncio…

Aos poucos mata.

Tudo passou,

Não sinto os pés,

É só silêncio

Da vida gasta.

 

Olho este céu,

Noite estrelada

No escurecer,

Sempre vazia.

Já nada é meu.

Uma outra estrada

No amanhecer

Sem ter magia.

 

E quem és tu?

Senhora velha.

Chamas-me pai

No teu sorrir.

Tenho o olhar cru,

Deus me valha!...

Nada me sai

Neste sentir.

 

Carlos Cebolo

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quarta-feira, 26 de maio de 2021

 


ALMA DE UM POVO

 

Lá longe, na sanzala norte,

Ouvindo o batuque no ar,

Som feiticeiro e sedutor,

Muitas vezes chamando a morte,

Quando a vida não quer ficar,

Nesse tempo cheio de dor.

 

Não deixes que te toquem na alma,

Menina negra de encantar,

Que no teu corpo tens a graça.

Toma a esteira na noite calma,

Abre os teus olhos ao luar,

Afugenta a tua desgraça.

 

Em ti, as noites são sensuais,

Por lençol tens folha de palma,

Por esperança tens sonho findo

E esses sonhos são imortais,

Talhados no teu corpo e alma

Que nessa vida vão caindo.

 

A alma negra tem seu sentido,

Tem silêncios na madrugada,

Som do batuque desflorando.

No peito coração partido

E toda a magia quebrada,

Enquanto o corpo vai bailando.

 

Carlos Cebolo

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segunda-feira, 24 de maio de 2021

 


VIVE-SE NO CORPO A SAUDADE

 

Algo nesse teu olhar ainda me ama,

O desejo ardente que por ti chama,

São lágrimas soltas da melodia

Que oiço como sinos na hora tardia.

 

Vai-se vivendo no corpo a saudade,

No esperado grito de liberdade,

Nesse esvoaçar das almas despidas,

Unidas nessas volúpias sentidas.

 

Chama trémula do amor que se desfaz,

Na loucura que já não satisfaz,

Disfarçando a incógnita liberdade,

Sentida nas horas sem piedade.

 

Carlos Cebolo

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sexta-feira, 21 de maio de 2021

 


VOZ DÉBIL

 

A chamar por mim, oiço a tua voz,

Como se pregasse pelo deserto,

Voz débil do teu pensamento incerto,

Que encobre o desejo instalado em nós.

 

Colhe-se esse tempo que por nós passa,

Na busca de suspender a amargura,

Sem projetar luz nessa noite escura,

Carregando com ele toda a desgraça.

 

Suspiros mudos como a tua fala,

Projetam em mim, esses teus gemidos,

Sons tristes que me perfuram os ouvidos,

Com o desespero que a tua alma exala.

 

Passa o teu pensamento sem me ver,

Nas noites em que te atormenta o sono,

Ultrapassa o meu sonhar esse outono,

Encarando todo este teu sofrer.

 

Carlos Cebolo

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quinta-feira, 20 de maio de 2021

 


FEITIÇO DE UMA TRADIÇÃO

 

Lá bem longe, ouve-se o som do quissanje,

O ritmo do batuque que toca a alma,

Fervilha pelos corpos esse sangue

E lágrimas sotas na noite calma.

 

Na voz, o surdo grito que se sente,

Esse sabor a fumo das queimadas

E o próprio dia acaba de repente,

Dando lugar às quentes madrugadas.

 

A mufico deixa de ser menina,

Nesse ritual próprio da puberdade

Que aquela vida africana lhe ensina

Viver assim, a sua mocidade.

 

Não há feitiço, nem céu, nem inferno,

Os costumes não traçam o seu fim,

O som do batuque será eterno

E a saudade ficou dentro de mim.

 

Carlos Cebolo

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