Acerca de mim

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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

segunda-feira, 20 de junho de 2016



QUANDO EU PARTIR

Quando em pó, o meu corpo se formar,
Belas flores continuarão a florir,
Continuará a haver sol, lua e mar,
Outras almas irão também partir.

E por onde passeei a mocidade,
Setembros e outubros do meu pensar,
Outros terão a sua eternidade,
Tristezas e alegrias no chorar.

A roseira terá a sua flor,
As rosas vermelhas que sempre amei,
Outros também lá, sentirão amor,
Naquele belo jardim, por onde andei.

Quando eu partir, poucos se lembrarão,
De quem fui neste eterno caminhar,
Como escrevi e criei emoção,
Na recordação desse meu pensar.

Carlos Cebolo
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sexta-feira, 17 de junho de 2016


SEREI JARDIM!...

Forte cai a chuva neste espaço escuro, apesar da hora,
Inclina-se na sua haste a flor, esperando o sol nascer,
Nessa esperança de acordar antes mesmo desse entristecer.

Tédio da noite que se levanta perante aquela luz,
Nesse abrir de pétala, a cor viva que este Mundo seduz,
Toda a áurea viva daquele ser, onde a felicidade mora.

Serei então jardim florido de eterna nascida beleza,
O murmúrio de água que ouvindo o seu cantar, também chorou
Daquela angústia na revolta sentida por onde andou.

Outrora livre por ter nascido no jardim de pureza,
Essa flor deixa secar a sua pétala já descolorida,
No triste jardim onde permanece dormente e escondida.

Pensando num outro Mundo, onde a vontade faz sua lei,
Naquela liberdade, sem o peso de ter corpo e mente,
Sonha a flor entre o quente raiar do sol e o frio que sente
Que afinal não deixou de ser sempre filho da mesma grei.

Malmequer silvestre tendo o verde prado por seu jardim,
Entre as malvas e espinhos que a acompanham no seu triste fim.

Carlos Cebolo
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quinta-feira, 16 de junho de 2016



SOL DA VIDA

Para quando será brando o seu pensamento,
Como brando será o sol de um triste inverno,
Naquela cor, será o céu assim eterno,
Na brandura de um dia com o seu sofrimento.

Aquele tom azul celeste de um dia radiante,
Quisera ele que assim fosse o seu pensamento,
Abraçando todo aquele alegre momento,
E assim pudesse sonhar e seguir adiante.

Para quando a alegria estampada no rosto,
Daquela pobre alma nessa sua revolta,
A cinzenta nuvem que produz seu desgosto.

Que hora maligna traçou o seu nascimento,
Sempre com a nuvem cinzenta onde o sol não volta,
Traçando a sua triste sina e seu lamento.

Carlos Cebolo
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quarta-feira, 15 de junho de 2016


VENTO

E este vento agreste que não pára,
Corre veloz nesse seu caminhar,
O seu afagar é coisa rara,
Entre as dunas do salgado mar.

Com ele baloiça o verde arvoredo,
Levanta poeira no seu passar,
Nesse assobiar o seu segredo,
Com todo o seu veloz caminhar.

E o meu amor se vem abrigar,
No meu abraçar o seu desejo,
Entre as dunas do salgado mar,
Saborear o seu doce beijo.

Sentida será a ventania,
Deste nosso amor a florescer,
O vento que traga em sintonia,
A nossa canção no anoitecer.

Por aqui sopra este triste vento,
Que vai passando o seu tremor,
Arrastando todo o seu lamento,
Nessa procura do seu amor.

Carlos Cebolo
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terça-feira, 14 de junho de 2016


IMPOSSIBILIDADES

Pouco a pouco, entre frases antigas,
Vejo-a e deixo de pensar…

Pouco a pouco, dentro de mim, a angústia
De a não poder beijar…

Na virtualidade da sua imagem,
Um raio de luar da sua beleza,
Lança-me um convite na incerteza,
De um dia poder fazer tal viagem.

Em sonhos, sinto o seu meigo abraço,
Nos meus lábios, o seu doce beijo,
Com a cabeça posta no seu regaço,
Esse culminar do meu desejo.

Pouco a pouco, sinto a possibilidade,
De a ter nos meus segredos…

Pouco a pouco a vontade de a alcançar
E vencer todos os medos.

Carlos Cebolo
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segunda-feira, 13 de junho de 2016


SANTO ANTÓNIO

No calor da festa, o popular,
António de Lisboa, este santo,
Com lindo sermão deu que falar,
Entre águas surgir seu encanto.

Anda o diabo desassossegado,
Por ter o povo na sua mão
E continuar sem ser desejado,
Por santo António no seu sermão.

Em Portugal é santo primeiro,
Nesse calendário universal,
É santo popular verdadeiro,
Para quem procura ser casal.

Casam nubentes nesta ocasião,
Fazendo do santo casadouro,
E muitos desconhecem o sermão,
Palavras mais brilhantes que o ouro.

Peixes perceberam seu sentido,
Chamando o pecador à razão,
Por deixarem o santo ofendido,
Sem quererem ouvir seu sermão.

Carlos Cebolo

sexta-feira, 10 de junho de 2016


AI PORTUGAL!

Ai Portugal, Portugal!
O teu orgulho onde está?
O teu povo a passar mal
E pouco muda por cá.

Outro tempo, outra função,
Heróis do mar que já foi,
Com o país no coração,
A ferida que ainda dói.

Já não vejo Lusitanos,
Viriato e a sua glória,
Ao povo apenas enganos,
Aos corruptos a vitória.

Ai Portugal, Portugal!
Onde está tua semente,
Valentes sem ter rival,
Saudade daquela gente.

Carlos Cebolo
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quinta-feira, 9 de junho de 2016


JARDIM DE PALAVRAS

Palavras soltas, flores ao vento,
Que nos meus sonhos estiolaram
Todas as dores que não secaram,
A flor triste do sentimento,
Nessa glória que não acharam.

Quem era, quem sou, eu não sei,
Serei rosa, cravo ou jasmim,
A vida que chega ao seu fim,
Entre estas palavras que herdei,
Plantá-las-ei no meu jardim.

Serei apenas sombra certa,
Na eterna luz do pensamento,
Que aguarda o esperado momento,
Do oásis na folha deserta,
No sossego deste tormento.

Jardim de palavra florida,
Esse eterno caixão floral,
Esgrime a vida agradecida,
Entre o moral e o imoral,
Em tela pintada e tecida.

Carlos Cebolo
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quarta-feira, 8 de junho de 2016


MAR

Ó mar eterno presente,
Com teus sonhos encantados,
Lembrando no seu cantar,
Esta dor que o Mundo sente,
Nos poetas enamorados,
Que ao Mundo querem encantar.

Fina flor de espuma branca,
Castelo de alga marinha,
Que o meu corpo vai beijar,
O sal que em ti se alcança,
No sabor que se adivinha,
Seres meu, ó eterno mar.

Toque de pura malícia,
Nesse teu gemer sentido,
Loucura da tua dor.
Sorvo essa pura delícia,
Do tempo incerto sofrido,
Que faz de mim sonhador.

Cheiro-te em tons de canção,
Tua essência de doçura,
O amor que quero alcançar.
Na magia da ilusão,
Sinto em mim tua ternura,
Esse teu encanto, ó mar.

Carlos Cebolo
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O CAMINHAR DA SOLIDÃO

A sombra segue o seu caminho,
Caminhando ao sabor do vento,
Transporta no olhar, o carinho
E na alma guarda seu lamento.

 Seu olhar atinge o infinito,
Caminha sem qualquer direcção,
Fazendo da esperança um mito
Que traça a triste solidão.

Ignorada como o destino
Traçado no seu pensamento,
Vai triste no seu desatino,
Aquela alma no seu tormento.

Carlos Cebolo
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terça-feira, 7 de junho de 2016



O TEMPO NÃO VOLTA

Ouvindo na rádio a música antiga,
Sem querer chorar, sinto que já chorei
E subitamente a música antiga,
Abraça todos os sonhos que sonhei.

O passado, tempo que leva a vida,
Fere e faz-me sangrar o coração,
Mágoa duma vida mal definida,
Gravada na triste recordação.

Aquele tempo que passou já não volta,
Como água corrente, segue destino,
Lembrado na ária antiga que se solta,
Levando-me aquele tempo de menino.

Carlos Cebolo
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segunda-feira, 6 de junho de 2016


MÁSCARAS DO SEU SER

Nesse seu Ser, existe um Ser desconhecido,
Máscaras que escondem uma dor e o sofrimento,
Nessa esperança daquele Ser adormecido,
A dor nem sempre suave do triste lamento.

Na montra deste seu sentir, não o será,
Rotina da dor dum eterno sentimento,
Nessa liberdade que para si traçará,
Com o sacrifício da máscara do momento.

Vida por vida traçando uma realidade,
De um sofrimento vivido na eterna dor,
De um mundo que existe na clandestinidade.

E por não sentir a saudade onde ela mora,
Firmado o medo, sem culpa desse terror,
A denúncia de uma justiça que demora.

Carlos Cebolo
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sexta-feira, 3 de junho de 2016


RECUSA

E grito bem alto que estou aqui,
O amor, minha alegria, meu sofrer
Tormento que me faz estremecer,
Neste meu gritar, tudo o que senti.

Na minha procura, este meu viver,
Nesse desapertar da tua blusa,
O não que magoa, simples recusa,
De um amor que espera renascer.

Sem gritar, oiço alto este sofrer,
Numa tristeza que teima em ficar,
Por muito querer continuar a amar.

Sem querer manter todo este padecer,
Desgaste constante do sentimento,
Refugiado naquele simples lamento.

Carlos Cebolo
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quinta-feira, 2 de junho de 2016


SENSAÇÕES

Sem cantar, canto este meu desencanto,
Amor guardado no meu pensamento
E por ti sentido em qualquer momento.

E canto a incerteza neste meu pranto,
Deste triste cantar eternamente,
Tua imagem presa na minha mente.

No pensar, ninguém me pode roubar,
Este sentir forte do sentimento,
Guardado que está no meu pensamento.

Por querer teus doces lábios beijar
E sentir teu sabor ardentemente,
Trago tua imagem presa na mente.

E assim vivo neste meu desencanto,
Na recordação que tenho guardada,
Sentir-te cada vez mais desejada.

Neste pranto, intensifico meu canto,
Sem beijar os teus lábios docemente
E sem sentir o que tenho na mente.

Carlos Cebolo
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quarta-feira, 1 de junho de 2016


CRIANÇA

Transforma-se em grito mudo esse seu pensamento,
Que na cabeça da criança ainda persiste,
Com sua ausência, aguarda e espera o feliz momento,
De acabar com o sofrimento da criança triste,
Sem se recordar de sentir outro sentimento.

Aquele grito que no pensamento ecoa mudo,
Como mudo ficou o sentimento guardado,
De nada ter, de nada pedir e perder tudo,
Naquele seu chão onde ficou vivo e desgraçado,
Como desgraçado, sempre foi aquele seu mundo.

Na mira de vir a alcançar a felicidade,
Na cabecinha de criança, onde a vida existe,
Sonha naquele seu grito mudo, pela igualdade,
Que não existiu, no sentir do momento triste,
Onde perdida se encontra a sua mocidade.

Carlos Cebolo
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terça-feira, 31 de maio de 2016


CAMINHOS DA VIDA
                        
Pela estrada fora, caminha a solidão,
Entre sonhos vividos, sentimentos sonhados,
Naquele despertar de paixão,
Eternos amores guardados.

Por caminhos traçados de uma doce aventura,
Caminha aquela alma peregrina,
Pelos pensativos caminhos da vida.
Sonhos vividos e sentidos na dor,
Talhados num rasgo de amargura,
Naquele rosto fechado de menina,
Duma infelicidade cedo sentida,
À procura do seu grande amor.

Seus sonhos levados em várias direcções,
Voam com as aves do paraíso,
Entre as asas de um condor, as emoções
Levadas naquele voar impreciso.

Para trás ficou a saudade,
Em caminhos pintados de mil cores,
Daquela terrível mocidade
Que vai passado, sem seus amores.

Pelos caminhos da vida, traça o destino
Naquela cor negra do lamento
Que carrega como desígnio divino,
Não deixando fluir o pensamento.

Num rasgo de pura emoção,
Com novas cores pinta o sentimento,
Libertando aquela dor do coração,
Para viver apenas, o belo momento.

Com novos sonhos, da cor da vida,
Deixa escorrer aquele triste fel,
Que lhe prendia a alma naquela tristeza,
Libertando-se daquela dor sentida.
Com as novas cores em tons pastel,
Pinta nos caminhos da vida, a sua pureza.

Carlos Cebolo
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segunda-feira, 30 de maio de 2016



GOTAS DO MEU PRANTO

Pouco a pouco vou-me esquecendo da vida.
Não desta vida terrena que me deste,
Mas da vida vivida que o vento levou.
Nesta terra frágil, no próprio mundo vencida,
Num mal perfeito, do imperfeito que se veste,
Onde tudo se quebra, também me dou,
Amando neste lugar de imperfeição,
Roubando pouco a pouco todo o encanto,
Daquela doce fúria que arrebata o coração,
Deixando fluir as gotas do meu pranto.

E assim voa o meu impreciso pensamento,
Esperando que o vento volte por ali a passar,
Para poder sentir aquele amor bem distante,
Daquela que me fez viver por nascimento,
Não querer ser mortalha que me há-de encerrar,
No túmulo da vida, duma saudade bastante.
Por ti criei toda aquela imperfeita ilusão,
Duma mocidade moldada na imperfeita flor,
Talhando sentimentos traçados em emoção,
Que hoje, intensificam toda a minha dor.

Carlos Cebolo
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sábado, 28 de maio de 2016

sexta-feira, 27 de maio de 2016

             
     
  RIO SECO

Onde guardei a esperança, não existem flores!...
Emoções traçadas naquele tristonho jardim,
Murcharam como o belo Éden que existiu em mim,
Jardim que amei e por onde chorei minhas dores.

Nem sempre o coração sangra por falta de amor!...
Também sangra na indiferença e passividade
Que se agrava com o tempo e avançar da idade
Que torna a felicidade, numa murcha flor.

No lugar onde vivi razões do meu sonhar,
Onde criei emoções nas sensações vividas,
Apagaram-se as alegrias por lá sentidas.

No desespero deste meu triste confessar,
Por onde depositei amor, o amor secou,
Como seco ficou o rio que o fecundou.

Carlos Cebolo
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quinta-feira, 26 de maio de 2016



FUTURO CESSADO
                                            
Rola a bola pela ladeira,
Cessa todo o seu desatino,
Sonho de criança, a brincadeira
Que desafia seu destino,
Por entre a cruz de uma bandeira.

Oco se mantem o momento,
Naquele seu sombrio de dor,
O arrefecer do pensamento,
Triste mundo sem ter amor,
Aguda todo o seu tormento.

Ó alma minha que traíste
O sentido deste meu crer,
Perfume de inocência triste,
Da criança no seu sofrer,
Com seu destino que persiste.

Cessa a música no ouvido,
De quem perdeu a inocência,
Por esse seu mundo sofrido,
No sentir e não ter clemência,
Com seu futuro decidido.

Carlos Cebolo
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quarta-feira, 25 de maio de 2016


SILÊNCIO
                        
Não grito, não choro e às vezes me envergonho,
E por não gritar, não chorar, nada acontece.
Este silêncio das palavras é medonho,
Quando se espera um gesto num corpo que estremece.

Palavras sentidas no silêncio do olhar,
Apenas deixam um sentimento imaginado,
De como seria o rumo do meu sonhar,
Naquele meu grito surdo que não foi gritado.

As breves palavras daquele silêncio atroz,
Na tremenda escassez que forma a solidão,                                                                                                                    
Deixa ao Mundo, a recordação da tua voz.

Perfume que escorre no silêncio do rosto,
Naquela intolerância da desilusão,                                                                                      
Deixa no ar, o som e o sabor de outro gosto.

Carlos Cebolo
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terça-feira, 24 de maio de 2016


SAUDADES

Saudades, sinto-a no coração,
 Nos tristes dias de solidão,
 Pesa-me este momento que existe,
O momento insone e sempre triste.

Refugio-me neste pensar,
Neste meu modo próprio de estar,
Sedento daquele doce carinho,
Mundo insano por onde caminho.

Vezes sem conta neste cruzar
Com a solidão, formando meu par,
No lamento da minha tristeza,
Sem de nada poder ter certeza.

Da alegria, apenas uma brisa
Muito suave que por mim desliza,
Compondo o meu triste padecer,
Na saudade doutro renascer.

Carlos Cebolo
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segunda-feira, 23 de maio de 2016

             
 
CANSAÇO

Há quem chame cansaço à desilusão!
Há quem chame dor à sua tristeza.
Todo o sonho tem sua natureza,
No cansaço profundo do coração,
Duma triste alma, com sua incerteza.

E por ser o cansaço uma sensação,
Que o corpo sente no seu relaxamento,
Libertando sua alma daquele tormento,
Será a tristeza apenas uma emoção,
No sentir dor, no seu ferido sentimento.

O sentir conforto num sincero abraço,
Todo aquele sentir de angústia no sofrer
Que o próprio corpo sente com o padecer,
Disfarça essa desilusão de cansaço,
Assim sentido, na abstracta alma do Ser.

Carlos Cebolo
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