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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

segunda-feira, 23 de abril de 2018




CHUVA QUE CAI

Ouve esta chuva cair suavemente,
Diz-me o que a chuva te faz sentir,
Cheira a terra molhada que se sente,
O nascer da Primavera a sorrir.

E o Sol ardente queima devagar,
A frágil folhagem que vai nascendo,
Colho essa aragem que quero guardar,
Refrescando o amor que em ti vai crescendo.

A chuva que cai, molha a relva verde,
Contraste dos lábios cor de carmim,
Procuro no teu beijo a minha sede
E a tua frescura sentir assim.

Carlos Cebolo

sexta-feira, 20 de abril de 2018



ESCREVO VERSOS

Na contagem decrescente dos dias vividos,
Escrevo versos.

Na procura de uma madrugada perfeita na união,
Escrevo versos.

Nas noites mais tristes, quando nela penso,
Escrevo versos.

O orvalho da madrugada gira e encanta!...

No seu desejo, o meu desejo cantava
E os versos caíam como a neve branca,
Nessa alegria que a tristeza guardava,
O som da voz que desta alma se arranca.

Na noite estrelada ela não está comigo
E os sons dos versos, não lhe entra no ouvido,
Nem o beijo desejado foi sentido,
Nos doces lábios de um amor já antigo.

Nessa distância onde a imagem se procura,
Sou voz, sou corpo sentido no infinito,
Sou os momentos da tua breve loucura,
Sou aquele desejado amor interdito.

No sentir da dor que todo o amor causa,
 Escrevo versos.

Nessa incessante loucura do desejo,
Escrevo versos.

Para ti, meu amor de uma perdição,
Escrevo versos.

Carlos Cebolo





quarta-feira, 18 de abril de 2018



SOLTA-LHE O PENSAMENTO

Com este seu voar, solta-lhe o pensamento,
Nesta dor amarga que não faz sentido,
Ser ave ferida com olhar distraído,
Sem saber para onde voar, nesse momento.

Se neste acaso sua vida vem turvar,
Impondo no seu espírito pena dura,
Esse seu fixo olhar cheio de ternura,
Embala-lhe nesse beijo que quer dar.

E se o sonho vencer a própria verdade,
A ave ferida deixará sua tormenta,
Deixando cair essa dor que a alimenta,
Voltando a sentir essa doce saudade.

Carlos Cebolo



segunda-feira, 16 de abril de 2018




TRISTEZAS DA VIDA

Aquele poeta errante e triste,
Vivendo num bar indecente,
Tendo a dor que não existe,
Sempre será indiferente,
Aos olhos de quem o vê,
Com poemas que ninguém lê.

Essa mulher fatigada,
Na lida do seu diário,
É feia e mal-arranjada,
Com essa roupa de trabalho,
No olhar de quem ali passa,
Sem brilho e sem sua graça.

Moça que passeia a beleza,
Pelas ruas da amargura,
Da vida não tem certeza,
Nem gosto de tal figura,
Nessa cobiça do olhar,
Sua fome quer matar.

A idosa que afaga o gato,
Nesse banco do jardim,
Limpa o seu velho sapato,
Lembrando o seu triste fim,
Não é vista por ninguém,
Nesse olhar que fica aquém.

Carlos Cebolo




sexta-feira, 13 de abril de 2018



SENTIDO NO SONHO

Neste sono agitado,
Turvo o meu repousar
Meu espírito acordado,
Procura o teu beijar.

E o corpo sonolento,
Com toda a confusão,
 Deixa de ser violento,
Tocando a tua mão.

Nesse viver sonhado,
Sem ser o que serei,
Sonho mesmo acordado,
Com o beijo que não dei.

E nesse fiel sentido,
De te querer amar,
Já me sinto oprimido,
Com todo o meu sonhar.

Carlos Cebolo


quarta-feira, 11 de abril de 2018



TODOS SOMOS UM

Na unidade do ser que nasceu,
Sou eu, és tu e mais alguém,
Sou aquele que padeceu
E no mundo não sou ninguém.
Sou fonte de luz que se produziu,
Água pura no rio corrente,
Sou quem de cá já partiu,
O arrefecer do sol ardente.
Sou quem o luxo esbanja,
Na alegria da vida que passa,
Tudo aquilo que se arranja,
Sem abrigo, na desgraça.
De tudo temos um pouco,
Neste banco do jardim,
Há quem me chame louco
E há quem goste de mim.
Sou a humanidade sem ser,
Um rebanho sem pastor,
Sou quem vai desaparecer,
Como a nuvem de vapor.
Todos somos iguais,
No futuro mais que certo,
Não somos de todo imortais,
Somos areia num deserto.

Carlos Cebolo



segunda-feira, 9 de abril de 2018










DESFOLHADA

Olhos nos olhos com um olhar directo,
Entre a palha procura o seu reinado,
No encantar do milho rei desejado,
O beijar furtivo, sempre discreto.

Canta a rapariga no seu desejo,
Trovas antigas ao seu namorado,
Na avidez do milho rei encontrado,
O sentir de tão desejado beijo.

E assim prossegue a linda desfolhada,
No calor da eira, esse belo legado,
Desse folclore que vem do seu passado,
O desejo ardente da rapaziada.

São cantares deste Minho popular,
Na igualdade de todo o Portugal,
Por onde se promove um feliz final,
Nesse encanto da arte no namorar.

Carlos Cebolo


sexta-feira, 6 de abril de 2018




IGNOTO

Não sei o que desgosta,
A dor que uma alma sente,
Ou falta de resposta,
De um amor sempre ausente.

E mesmo assim pergunto?
Será dor realmente,
Ou algo sem assunto,
Ter um amor sempre ausente.

E no sonho profundo,
Quando esse amor se sente,
É deste ou doutro mundo,
A dor sempre presente.

Carlos Cebolo


quarta-feira, 4 de abril de 2018



ABDICAÇÃO

Nesta ausência forçada do teu amor,
Silêncio constante deste meu delírio,
Murcham flores na realidade de uma dor
E a vontade de te ter, forma o martírio.

Por muito de amar, tudo ficou desfeito,
Por este meu mundo assim irrequieto,
Carregando este meu amor imperfeito,
Dor de um silêncio que se tornou concreto.

E nesta marcha gélida tão triunfal,
Por onde se banha a essência do nosso amor,
Se perdem os sonhos eleitos num pedestal,
Que se julgava ser, isento de dor.

Gelam as mãos cruzadas nos nossos peitos,
Nessa vontade que o tempo fez ruir,
Os botões fechados dos amores-perfeitos,
Que outrora não paravam o belo florir.

Carlos Cebolo





segunda-feira, 2 de abril de 2018




AVIDEZ

Do mar profundo a espuma surge,
Entre as ondas formando montes,
Torrentes vindas dessas fontes,
Ardente amor que em mim urge.

Entre recantos e travessas,
Ecoam teus passos a medo,
Libertando esse teu segredo,
Por entre tímidas promessas.

Vaga é a sombra na densa bruma,
Confusa luz que se mistura,
Teus contornos, tua figura,
Desta minha mente se esfuma.

Do teu olhar langue e faminto,
Esse olhar audaz ou fingido,
Que em mim provocou seu sentido,
Confundiu todo o meu instinto.

Entre os males que a vida esconde,
Existe esse ávido amor frustrado,
De um amor que ninguém responde,
Trago de elixir azedado.

Carlos Cebolo



sexta-feira, 30 de março de 2018




SENTIRES DA VIDA

Nesse ressuscitar de uma vontade antiga,
Terceiro dia da esperança que se espera,
Neste passar de um tempo que lhe desespera,
O acordar da alma num sonho de rapariga,
Aguarda a Páscoa num amor que ainda impera.

Que mulher já feita na sua plenitude,
Não sonha poder ainda vir a viver,
Reconhecendo na vida o seu renascer,
Esses dias felizes da sua juventude,
Pintando um arco-íris no seu entardecer.

Nessa provocação de um corpo a envelhecer,
Na sua alma esconde o sentido de beleza,
Desse querer e poder amar, tendo a certeza,
De viver a vida com todo o seu prazer,
Mandando embora, bem para longe a tristeza.

Nesse limbo da vida de um escurecer,
A vontade de ter esse sonho acordada,
Sente o calor em voltar a ser desejada,
Nessa realidade que o corpo quem viver,
Como um vigor sentido pela madrugada.

Carlos Cebolo


segunda-feira, 26 de março de 2018




O TEMPO QUE PASSA

Algo que alguém me disse, pões-me a pensar
Que talvez a própria vida seja a morte
E que o próprio tempo seja contra o tempo,
Na distância que a vida tem que passar,
Talhando esses caminhos da própria sorte,
Deixando a vida parar no contratempo.

Contra a corrente do próprio pensamento,
Sabemos que caminhamos para a partida
E que de cá, nada se pode levar.
Mesmo assim, descuramos esse momento,
Sempre a correr, não pensamos na corrida,
Nem nos anos que vamos por cá ficar.

Talvez esta vida, seja um pouco assim…
A vida vai passando e não se dá conta,
Até a consciência nos chamar à razão,
De que a juventude já teve o seu fim
E que essa eternidade já não se encontra,
Mesmo com a entrega do nosso coração.

Carlos Cebolo


sexta-feira, 23 de março de 2018



ALEGORIAS DA VIDA

Em cada um de nós, há uma vida real,
Aquela vida que não se mostra ter
E que a todos nos parece natural,
Como a verdade que pensamos viver.

Nessa bruma de uma alvorada normal,
Onde o sol não se mostra no seu brilhar,
Apenas vento no seu gemer final,
Dita as leis entre o sentir e o desejar.

Vida real com mágoas e sem o seu fogo,
Dores, sua tristeza e também alegrias,
São sentidas durante o terrível jogo.

Procuramos a irrealidade para viver,
Outra vida com suas alegorias,
Onde tudo se procura merecer.

Carlos Cebolo

quarta-feira, 21 de março de 2018



DO CÉU CAIU UMA ESTRELA

Ao riscar o céu um traço de luz,
A bela estrela cadente caída,
Do tempo passado que não reluz,
Lembrei-me de uma triste despedida.

Numa outra Era, num tempo de desgosto,
Afoga-me a voz por não querer falar,
Daquele tempo que me queimava o rosto,
As memórias que me fazem chorar.

Passa essa hora, passa o tempo de outrora,
As lembranças da minha juventude,
Sombras que me seguem pela vida fora.

Pérolas soltas que turvam meu olhar,
As emoções que esta minha alma ilude,
Num bailado triste querem ficar.

Carlos Cebolo


sexta-feira, 16 de março de 2018




VIVER ETERNAMENTE

Neste nosso destino ao nascer,
No primeiro dia se começa,
Um pouco de tudo a se perder.
Morre-se um pouco nesse nosso amor,
Criam-se dúvidas nesse viver,
Renovando sempre a nossa dor.

Morre-se e renasce-se na tristeza,
Criam-se dúvidas no desejo,
Na felicidade de um doce beijo.
No querer renascer para esse amor
Que proporciona o nosso sofrer,
Procurando manter a beleza.

Mantém-se esse medo de morrer,
O medo da chegada do inverno
Mas quando tudo se deixar de temer,
Passa-se a viver e a ser eterno.

Carlos Cebolo

quarta-feira, 14 de março de 2018



PARAÍSO

De tanto sonhar se perdeu a alma,
Nesse espaço infinito do amor,
Tanta beleza do sentir e ver,
Sem esquecer a razão de viver,
Aquele instante cheio de cor,
No paraíso celeste que a acalma.

Será sempre aquela mesma história,
Tantas vezes sentida na dor,
Que forma todo esse paraíso.
O sentir da paixão perde o juízo,
Torvando a mente com o novo amor
E nesse momento sente-se a glória.

Verdadeiro paraíso terreno,
O momento vivido com amor,
Nesse mistério de todo o Ser.
Constante sonhar de um renascer,
Do rasgo boreal com tanta cor
Que invade a alma com todo o veneno.

Carlos Cebolo


segunda-feira, 12 de março de 2018





MURMÚRIOS

Os últimos dias do inverno choram,
Sem o desejo do teu amor,
Preso nos murmúrios que descoloram,
Este sentido da minha dor.

Longe de ti e dos teus carinhos,
Perdido nas noites invernosas,
Na sombra, os desejos seguem sozinhos,
Procurando essas mãos carinhosas.

Todo o meu pensamento é um sonho!...
Delírios espalhados pelo espaço,
No futuro que se quer risonho.

Amor que foge por entre os dedos,
Nessa esperança do teu abraço,
São os murmúrios do meu segredo.

Carlos Cebolo


sexta-feira, 9 de março de 2018



DELÍRIO

Na cegueira do silêncio que se fez,
Com esse produzir tocante da vontade,
Onde a esperança pausa o sentir da verdade,
Sonho da vida que aos poucos se desfez.

Gelaram todas as sensações sentidas,
No emergir desse teu sorriso imperfeito,
Que plantou flores já murchas neste meu peito,
Atingido por mágoas incompreendidas.

Tudo se tornou tédio com o meu receio,
Sem norte nem sul de uma intuição divina,
No aroma perfumado do nosso meio.

Na cegueira minha deste meu sonhar,
Manto pérola de uma capa de menina,
Delírio constante do meu caminhar.

Carlos Cebolo



quarta-feira, 7 de março de 2018




PRENDA

Apenas espero um pouco de ti,
Prenda tua que quero recordar,
Esperança que ainda não pedi,
Esse doce sabor do teu beijar.

Minha amante, meu amor, minha amiga,
Na distância do encanto a despedida,
Daquele tempo alegre de rapariga,
Colhe a hora daquela vida perdida.

Por seres mulher neste mundo encantado,
Na sedução da minha perdição,
Procurando em ti, um beijo roubado,
De longe lanço a minha confissão.

E em ti poiso este meu profundo olhar,
Na esperança de poder atingir,
Teu doce lábio que quero beijar,
Com a ânsia carinhosa do teu sorrir.

Carlos Cebolo


segunda-feira, 5 de março de 2018




DISTANTE

Sempre tive este jeito no querer,
Por muito te querer, assim chorei,
Embebido, nos frívolos pensamentos.
Lágrimas soltas desse padecer,
No fosso da saudade que criei,
Para esconder todos os nossos momentos.

Meus companheiros de uma infância amada,
A lembrança do meu triste pensar,
De um sertão longínquo que se desfez,
Na terra virgem outrora conquistada.
Belas imagens que quero guardar,
Bem fundo no cofre da sensatez.

Não me condeneis a esse esquecimento!...
Na minha lembrança percorro atalhos,
Do vermelho sangue do chão imenso,
Que sempre será meu por nascimento.
Longe de ti, componho meus retalhos,
Escrevo memórias que não dispenso.

Por mais longe que essa distância pareça,
Na rebelde maneira da lembrança,
Solto memórias desse meu recanto,
Desanuviando esta minha cabeça.
Na minha mente ficou a esperança,
Das memórias que provocam o meu pranto.

Carlos Cebolo




quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018



DEIXA-ME SONHAR

Deixa-me sonhar!...
Procurar sentir
Esse gesto teu,
Neste meu pensar
E poder sorrir,
Neste mundo meu.

Um pequeno gesto,
Ao longe sentido,
Como despedida,
Colhendo esse resto,
De um amor contido
Nessa recaída.

Deixa-me sonhar,
Viver esse instante,
Nos ares do tempo
E poder ficar,
Um pouco radiante
Neste contratempo.

No meu pensamento,
Sentindo a tristeza,
Sem a querer colher,
Solto esse lamento,
Sorvendo a incerteza
Desse merecer.

Carlos Cebolo






segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018



JOGO E ESPERANÇA

Todas as palavras que não direi,
Sem ser por medo ou cobardia,
Beleza que a própria tarde recria,
Por ser fácil a imagem que criei.

Num olhar de seda e puro néctar,
Vejo-te na lágrima sentida,
Com essa imagem de uma despedida,
No desejo de quereres ficar.

Esse meu termo olhar te ofereço,
Na poesia onde o verso navega,
Desse puro amor que não se nega,
Sem poder pagar tão alto preço.

Serei frágil neste meu orvalho,
Que a sorte jamais esquecerá,
Na esperança que sempre ficará
Nas cartas retidas do baralho.

E se esse jogo assim terminar,
Como negação de não te ter,
Não deixarei este amor morrer,
Sem antes, teu corpo acariciar.

Carlos Cebolo

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018



CICLO IMPERFEITO

Desmancham-se as marés nas calemas,
Das ondas nessa praia distante,
Nas palavras que não seguem adiante,
Ficam adivinhas com os seus poemas.

Entre os ventos de aragem nocturna,
Desses apagados pensamentos,
Apenas ficam os doces momentos,
Dessa vida assim tão taciturna.

Momento que parece sorrir,
Por entre as águas desse teu pranto,
Surge a aventura como um encanto,
De um novo amor que está para surgir.

No valor atroz do pensamento,
Efémero sentimento desfeito,
Nesse ciclo assim imperfeito,
Navega a alma com esse tormento.

Carlos Cebolo


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018




INOCÊNCIA PERDIDA

Voando na vastidão do pensamento,
Ao encontro dos sentidos escondidos,
Navego esses meus desejos afligidos,
Entre cumes afiados do sentimento.

Entre este mim e aquele meu próprio eu,
Existe a aventura da natureza,
Onde o sonho se expõe à correnteza,
De uma realidade que se perdeu.

Ao longe, ouve-se o gemido da própria alma,
Na errância da sua contradição,
Naquele gozo desse irreal que a acalma.

Recolhe-se no infinito uma resposta,
Da felicidade em forma de oração,
Perdendo-se a inocência já exposta.

Carlos Cebolo




segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018



AREIAS DESERTAS

Nessa navegação dos seus desejos,
Sonhos deitados nas ondas do mar,
Deixados sozinhos para naufragar,
Entre esses sabores dos seus doces beijos.

Entre os dedos colhe areias desertas,
Do seu corpo feito profundo mar,
Que deixa escorrer nesse seu sonhar,
Por entre as brumas ainda encobertas.

Sente no olhar a brisa que vem longe,
Cavalgar que na praia vai morrendo,
No contraste do amor que vai crescendo,
Escondido por esse traje monge.

O mistério vem acentuar a crença,
Com esse chorar contido e impreciso,
Por entre as ondas do amor indeciso,
Fará que o seu sonho desapareça.

Carlos Cebolo


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018



AROMAS TRAZIDOS PELO VENTO

Os raios solares aparecem na madrugada,
Rompendo as frias névoas, ultrapassando os montes,
Penetram nos campos verdes, iluminando as fontes,
Vencendo os tormentos de uma noite desgastada.

Gira a cúpula nesse seu eterno movimento,
Com suas dúvidas e pensamento profundo,
Marca as horas alegres e tristes deste mundo,
Colhendo esses aromas trazidos pelo vento.

Sentindo toda essa inércia de um esquecimento,
Onde esse fim do tempo, nele próprio se esboroa,
Deixando entre as pedras soltas, esse seu tormento.

Com esse fechar de olhos de uma intensa saudade,
Meu sonho vagueia no grito surdo que ecoa,
Pelos vales sombrios sem ter identidade.

Carlos Cebolo



quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018




ALVO SEM SETA

E meu cupido há muito já partiu,
Naquele amor que em mim se edificava,
Sonho meu que esta própria vida adiava,
E minha seta do arco não saiu.

Pequeno clarão na noite surgiu,
Na distância que o beijo deslumbrava,
O sentir do calor que me queimava
A esperança no amor que não reluziu.

Toda esta vida foi esquecimento,
Desses sonhos meus cada vez mais vagos,
Brumas esquecidas do sentimento.

O bom cupido entre as nuvens fugiu,
Sorvendo esse amor em pequenos tragos,
E esse amor aos poucos também caiu.

Carlos Cebolo