Acerca de mim

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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

quinta-feira, 20 de julho de 2017




DESEJO DA PROVA

Tulipa negra no seu respirar,
Sol dos sentidos da minha pele nua,
Em delícia desse fruto proibido.
Entre mistérios, silêncios do mar,
Esse brilho refrescante da lua,
Desfolhar da flor nesse ébrio sentido.

Em mim, bebes a doce gota da vida,
Os embriagados gemidos meus,
Nas coxas ardentemente sentida,
Beijo dos meus lábios, nos lábios teus.

Presença do olhar que em ti libertei,
Os desejos sentidos nesse medo,
Perdido no lamento já vazio.
No fado da voz, essa alma que amei,
O cativo liberto do segredo,
Nesse chorar da pele em calafrio.

Carlos Cebolo




quarta-feira, 19 de julho de 2017


TALVEZ UM DIA

Sem querer e sem fingir que seja eu,
Qualquer dia talvez, eu faça meu poema,
O poema que o próprio espírito já leu,
Antes de ter saído da minha pena,
Ou daquele triste espírito que o teceu.

Talvez esse poema tenha o seu sentir,
Que leve a quem o quiser analisar,
Um diferente sentir que o faça sorrir
Ou outra coisa que o faça querer chorar,
Por sentir que algo está a querer emergir.

Mas como querer fazer o poema tamanho,
Sem estar afeito às lides camonianas,
E à própria poesia me sentir estranho,
Nessa vontade de tais forças humanas,
Querer pertencer a tão ilustre rebanho?

Carlos Cebolo



terça-feira, 18 de julho de 2017


AMOR INTENSO

Amo-te como a água ama seu sal,
No mar infinito desse amor,
Onde a tempestade será real,
Na paixão que absorve o teu calor.

Na tua boca, o templo sagrado,
Um sopro do beijo a teu contento,
Gera onda do desejo guardado,
Brisa quente dos meus lábios vento.

Por entre as ondas do meu desejo,
Carícia nocturna perfumada,
Na dança tocada por um beijo,
Banho de espuma doce e salgada.

Carlos Cebolo



segunda-feira, 17 de julho de 2017


NO SILÊNCIO, ESCUTA-ME

Serei sombra nua e crua do teu pensar,
Incolor onde vou e estou,
Segurando meu choro onde sorrio,
Sem destino, sem regras neste caminhar,
Refrescando a flor que ainda não murchou,
Com a gota a gota de um pranto seco e vazio.

No meu silêncio serei asa, viagem, pausa e partida,
Escondido no lamento de um adeus,
Na dorida solidão deste meu querer.
Alma que se renova em cada despedida,
Segredos que guardo por serem somente meus,
No adormecer das estrelas desse sofrer.

Escuta-me nesse colher da flor,
Flor que nasce e renasce na sombra do teu jardim,
Escondendo toda a face da sua ansiedade.
Silêncio que transporta no silvo do vento a dor,
De quem sente aquele pedaço vindo assim,
Na esperança de alcançar a desejada eternidade.

Carlos Cebolo




sexta-feira, 14 de julho de 2017



RASTEJANDO SEGUE O VENTO

Rastejando segue o vento,
No sossego do seu voar,
Transportando a seu lamento,
Nesse anseio para te amar.

Natural como o pensar,
É nunca se estar sozinho,
Nas tristes horas do pesar,
O sofrer devagarinho.

Essa morte prematura,
Que quebra essa flor da vida,
Tira valor de uma aventura,
Da juventude perdida.

E quem dela assim sofrer,
No fluir do sentimento,
Vai continuar a viver,
Lembrando o triste momento.

E aqui deixo a redondilha,
Que nada somos no mundo,
Nessa terra maravilha,
O sentimento profundo.

Carlos Cebolo




quinta-feira, 13 de julho de 2017



VIDA BREVE

Magnólia de cetim aberta na calmaria,
Rosa formada nessa ruína do seu florir,
Rapidamente murcha e cai nesse seu surgir,
Como amor distante que a vida imaginaria.

No seu Ser, a noite vem surgindo devagar,
Em pés de veludo transporta a dor que lhe atormenta,
Sua estranha forma nessa maneira de amar,
Tendo essa entrega total do amor que os alimenta.

Toque de magia desses segredos sensuais,
Desvendados com todo esse percorrer dos dedos,
Na profunda mestria das almas ancestrais.

A magnólia abre-se sabendo da breve vida,
E libertando suas pétalas de todos os medos,
Vive com intensidade essa vida enlouquecida.

Carlos Cebolo



quarta-feira, 12 de julho de 2017



FIXO NO TEU OLHAR

Quedo senti na tua presença,
Convite informar para te abraçar,
Na imagem do teu rodopiar,
O alinhar astral de uma sentença.

Teu sorriso solto de encantar,
Achado tão livre e natural,
Como livre foi o meu beijar
Esse teu rosto alegre e real.

No tocar tua pele, a emoção,
Do dia ter sorrido para mim,
Tão claro como essa sensação,
Da irrealidade ser sempre assim.

Carlos Cebolo


terça-feira, 11 de julho de 2017


MOMENTOS DE UM SONHO

Este sonho que se apresenta
Trazendo com ele tua imagem,
Perfume com que se alimenta,
O sentimento de passagem.

Ao ver-te senti emoção,
Essa emoção na alma sentida,
Que arrebatou meu coração,
O sentimento de uma vida.

Ver esse sorriso encantado,
Toque de pura sedução,
Do beijo que ficou guardado,
Um segredo de confissão.

E com pouco me contentei,
De um prazer que pedia mais,
Na minha timidez guardei,
No sorriso uns pequenos ais.

Sem poder oferecer o certo,
Ou o incerto nesse calor,
Na timidez fiquei quieto,
Absorvendo esse teu valor.

Carlos Cebolo




segunda-feira, 10 de julho de 2017


NINFAS DO MEU PENSAR

Ninfas deste meu pensar,
Que vos imagino belas,
Tão belas como o luar,
Luar que ilumina as velas,
Deste meu barco de amor,
Acalmai o meu fervor.

Plantai a sabedoria,
Neste espírito cativo,
Que já não sente alegria,
Sem esse vosso incentivo,
De um amor que padeceu,
Mas que vive e não morreu.

No sofrer não vejo quem,
Já sofreu mais do que eu,
No Mundo não há ninguém,
Com maior amor que o meu,
Nem com esse pensamento,
De viver só o momento.

Não há mal que assim não venha,
Só por vir sem alegria,
Não há mal que eu não tenha,
Ser triste não merecia
Neste Mundo que é só meu,
Onde o amor sobreviveu.

Não ter sorte nem riqueza,
Ter a vida que queremos,
Da morte temos certeza,
Foi para isso que nascemos,
Com todo o conhecimento,
Cá sofremos o tormento.

Carlos Cebolo






sexta-feira, 30 de junho de 2017


LONGE VÃO OS TEMPOS

De saudade me aflige a mente,
Que quem fui não o sou agora,
Com pensamento tão diferente,
Como diferente foi outrora.

Em sonhos vive-se essa ilusão,
Da passada vida sentida,
Neste presente em confissão,
A gravura agora retida.

Sem ter uma memória na alma,
Das lembranças que se apagam,
Com pouco se mantém a calma,
Na tristeza onde desaguam

E por muito ficar retido,
Aos poucos se perde a vontade,
Em lembrar o que foi vivido,
Durante a sua mocidade.

Longe vão os tempos floridos,
Mais longe ficou o pensamento,
Na vazante dos seus queridos,
Lamentação do tal momento.

Carlos Cebolo




quinta-feira, 29 de junho de 2017



HÁ FÉRIAS E FÉRIAS

Mas nem tudo o que dura pouco e bom,
No trabalho também há alegria
E o ruído pode ser um belo som,
Se for ouvido em boa companhia.

Há férias que se tornam decepções,
Vidas perdidas nesse descansar,
Paraíso das suas ilusões,
Quando o tempo não para de passar.

Tudo é fruto dessa imaginação,
Criada nesse lazer da aventura,
Alimentada no quente verão.

Se de férias o corpo necessita,
A nossa alma procura ter ternura,
Nos breves momentos em que acredita.

Carlos Cebolo



quarta-feira, 28 de junho de 2017



FÉRIAS

De todos os prazeres a vida se veste,
Nos amigos se encontra o imaginário,
De castelos o sonho se reveste,
Lembranças ficam escritas num diário.

Damos férias na ausência desse amor,
Rasgando todas as decepções surgidas
E de férias mandamos essa dor,
No calor sentido nas despedidas.

Sentimos essa sorte da euforia,
No lazer formado pelo sistema,
Que nas férias se produz alegria.

Colhido o sentimento da pureza,
Para trás deixamos todo esse problema
E a vida vive a sua natureza.

Carlos Cebolo



terça-feira, 27 de junho de 2017



CHEGA A NOITE

E a noite vem sem se atrasar na chegada,
Apesar de esperada traz sempre surpresa
E a incógnita se mantém até de madrugada,
Sendo eu desses sonhos, uma fácil presa.

Sem pensar nessa moral, sonho contigo,
Nesses sonho sou teu, como tu és minha,
E é sempre triste esse meu amor mendigo,
Na manhã quando a solidão se adivinha.

Será esse sonho prenúncio da verdade,
Ou o direito desse querer e não poder
Que em mim se vai tornando realidade.

A porta da esperança que se mantém,
Que o sonho julga não ter nada a perder,
Ficou fechada para não entrar ninguém.

Carlos Cebolo
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segunda-feira, 26 de junho de 2017


BAÚ DOS SONHOS

Lento, baixa Apolo os raios do seu fervor,
Pouco a pouco, o negro véu, do espaço é senhora
E o silêncio incerto transmite a sua dor,
Antes que cresça a prata dessa tardia hora.

Nesse baú dos meus sentidos, guardo os sonhos,
Tua imagem segura na imaginação,
Entre o despertar desses momentos risonhos,
O teu nome guardado no meu coração.

Cresce a vinda da lua cheia imaginada,
Destino agravado na sua negação,
Nesse cair de pétalas da flor desgastada.

No baú dos meus sonhos, vejo o que lá existe,
Protegido pela noite, a nossa oração,
Deixa o sonho ténue desse momento triste.

Carlos Cebolo
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sexta-feira, 23 de junho de 2017


SOLDADO DA PAZ

Desfaço as malas nesse desengano,
Em coisa nenhuma serei mártir,
No perder dessa visão imediata.
Ser o soldado da paz lusitano,
Com essa desventura num sorrir,
O som infernal dessa serenata.

São verdadeiros heróis nacionais,
Combatem o flagelo da desgraça,
Vazio de um dever sempre cumprido.
Os louros ficam para os imortais,
Não para quem oferece a vida de graça,
Nesse dever que a poucos faz sentido.

Soldados da paz, vida desgastada,
A quem é negado todo o valor,
Em comemorações não são lembrados.
O constante da guerra declarada,
Com quem procura infringir grande dor,
Sem sentir os seus valores confirmados.

Qualquer político ganha em excesso,
Pouco ou nada fazem pelo país,
Quem perde a vida nesse seu dever,
Tudo fazendo para o seu sucesso,
Ganha pouco, menos que um aprendiz,
Filho de quem se julga com poder.

Carlos Cebolo


quinta-feira, 22 de junho de 2017


LUTA INGLÓRIA

Preocupa-me em conhecer essa dor,
Elemento vazio deste meu Ser,
Num tempo que por cá ainda existe.
Não choro a tristeza de um só amor,
Nem dores de agonia de um padecer,
Tudo a isso o meu espírito resiste.

Choro a dor sentida da terra viva,
Que pouco a pouco se deixa morrer
Na incúria de uma grande malvadez.
Aquela força elementar e activa,
Não será culpada desse sofrer,
Com sua centelha que assim se fez.

A Natureza traça as suas leis,
Que a nossa humanidade não entende,
Contrariando essas leis do Universo.
Fenómenos que devem ser aceitáveis,
Por um deus menor que assim não entende,
Fazendo outras leis sem qualquer sucesso.

E essa dor assim viva se mantém,
Ano após ano assim fortalecida,
Na incúria de quem procura mandar.
No sofrer de quem menos culpa tem,
Com o direito da vida merecida,
Na luta apenas lhes resta rezar.

Carlos Cebolo
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quarta-feira, 21 de junho de 2017


DOR

Depois do verde, o negro cinza se formou,
E as árvores soltam suas lágrimas de dor,
Perante tal força do raio destruidor,
Que a própria Natureza, a ele se conformou.

Sem ter moral, soltam mágoas de tal tristeza,
Procurando com elas ter benesses próprias,
Olhando a políticas pouco solidárias,
Sem nunca se preocuparem com a Natureza.

O planeta vivo derrama sua dor,
Grande Júpiter mostra não estar adormecido,
Nem esse seu real valor desaparecido,
Reclamando do mortal, muito mais amor.

Não basta fazer leis, apenas por fazer,
Não basta chorar, mostrando condolência,
É preciso por em prática toda a ciência,
E fazer cumprir todo o rigor do poder.

Carlos Cebolo
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segunda-feira, 19 de junho de 2017


DEPOIS DE APOLO

Apolo segue o seu curso diário,
A noite que baixa nos pertence.
Tudo tem seu lugar e certa a hora,
O ardor que alimenta o imaginário,
Só mesmo Apolo assim o consente,
Mesmo depois de ter ido embora.

À noite, junto ao rio choramos,
Colhendo flores nesse teu jardim,
Entre as heras que me atormentam.
Meu e teu, são nomes que juntamos,
Como a rosa se junta ao jasmim,
Nesse jardim onde se alimentam.

Esses deuses inventam conjuntura,
Depois de Apolo deixar seu curso
E as flores que nascem assim morrem,
Sem ter a luz nessa noite escura,
Seguem sua dor nesse percurso,
Onde os amores também se consomem.

Carlos Cebolo
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CHAMA QUE CONSOME

Vós, senhora do meu sentir
Que penetrais no pensamento,
Invertendo o valor sentido.
Mostrai esse teu lindo sorrir,
Não oculteis o sentimento,
Mesmo que ele seja sofrido.

No inferno do querer amar,
A chama que alenta, consome
Toda essa energia do querer.
O fogo que se quer atear,
Nesse sonho onde a alma não dorme
E o amor não quer permanecer.

Tristeza inerte sem motivo,
Deste sonho assim delirante,
Não traz com ele, grande emoção.
Sem saber se sou morto ou vivo,
Esse sonho segue constante
E em vós entrego o coração.

Carlos Cebolo
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sexta-feira, 16 de junho de 2017


NADA

Nada. Na descrença, a vida sem suporte,
Como essas velhas tardes já consumidas,
Da vida que agarra a sua própria morte,
Como as dolorosas noites mal dormidas.

Nada. Sempre a mesma dor e inquietação,
Por te querer junto a mim aconchegada,
Ouvindo o descompassado coração,
Na esperança vazia da tua chegada.

Nada. Nada consola o sono tirado,
De uma alma que no sonhar, paga um preço alto,
Na ânsia de por ti voltar a ser amado
E sossegar esta vida em sobressalto.

Nada. Nem mesmo a esperança se mantém activa,
Nem fé nem saber para ancorar bom porto,
Onde possa encarar de frente outra vida,
Nessa solidão de um passado já morto.

Nada. Nada me tira toda a emoção,
Do passado vivido com essa saudade,
Desse amor retido com grande paixão,
Dos tempos idos da minha mocidade.

Carlos Cebolo
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quinta-feira, 15 de junho de 2017


TRANSCENDÊNCIA

Num tempo deste tempo já disperso,
Naquele mistério onde a morte não some,
Nem isso que nós chamamos de vida,
Será alguma vez cantado em verso,
Ou alguém resolve dar-lhe outro nome,
Que não dê essa vida por perdida.

Mas a nossa alma acesa não aceita,
Qualquer dúvida sobre a sua existência,
Por crer com amor, que a própria morte mente,
Fazendo desta vida a sua eleita,
E ter a morte só por penitência,
Transitória a esse Mundo que se sente.

Nesse existência que a vida se oculta,
Onde a luz do dia será eterna,
Sem haver gládio que a possa ferir,
Mesmo que essa morte com fé exulta,
Gestos de magia da vil materna,
Ferindo a alma que procura atingir.

Carlos Cebolo
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quarta-feira, 14 de junho de 2017


FESTA

 

Esse tempo da chita passou,

Balões coloridos, papel cetim,

Entre as festas do eterno verão.

Essa flor que agora desfolhou,

Primavera que existiu em mim,

Apagou seu extinto vulcão.

 

Lua cheia iluminando o céu,

Fogueiras e cantares pela terra,

Entre desfiles desse encantar.

O popular que reapareceu,

Nessa Primavera que se encerra,

Pitoresco no seu festejar.

 

A quadrilha vai marcando o passo,

Vermelho, o cravo seu esplendor,

Lembra esse passado que foi rico.

Todo o santo reclama o seu espaço,

Entre juras e trocas de amor,

Vão cheirar o verde manjerico.

 

Carlos Cebolo

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terça-feira, 13 de junho de 2017


JUVENTUDE

Lembra-te, companheira,
Das noites de verão,
Sozinhos junto ao mar,
Naquele país longínquo,
Olhando para as estrelas,
Falávamos de amor?
Por me encontrar sozinho,
Estava acompanhado
Por ti em pensamento,
Sentindo o teu beijar.
O sabor que deixava,
O sal imaginado
No tempero do amor
Sentido ao luar!...
Hoje, sinto-o ao teu lado,
Eterno namorado,
No Mundo passageiro
Do nosso amor primeiro.

Onde paras agora!...
De ti só lembranças…
A frágil caravela,
Para longe partiu…
Levou sua memória,
Deixando só mudanças
Que a vida assim revela.
Hoje, volto a sonhar,
Com o vento adormecido
De um tempo, sem ter tempo,
Na sombra da tristeza.
Da mudança operada
Que aquele luar deixou
No nosso caminhar.
De mãos dadas, seguimos
Com todo o contratempo
Da nossa natureza,
Agora desenhada
Num perfil que mudou
A maneira de amar
E tudo o que sentimos.

Ingrata companheira,
Pensa no que te dei,
Leva a melancolia,
Eleva a tua voz,
Traz a tua bandeira.
Tudo aquilo que amei,
A força que sentia,
Depende só de nós.
Juventude perdida,
Neste avançar da idade
Só será defendida
Com nova mocidade.

Carlos Cebolo
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