Acerca de mim

A minha foto
Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

quarta-feira, 25 de maio de 2011

VIOLÊNCIA ENTRE JOVENS


O Blogue Querer e Não Pode, vem mais uma vez alertar para o caso de violência entre seres humanos e entre os seres humanos e os animais.
 Neste caso, chegou a vez de falar na violência entre Jovens.
Depois de ver na Televisão as imagens preocupantes de agressão de duas jovens a uma colega com apenas 13 anos de idade e depois de ouvir responsáveis dizerem que este caso não é isolado, fiquei preocupado com o rumo que os nossos jovens traçam, sem responsabilidades, sem respeito pela vida humana e acima de tudo sem qualquer medo ou temor por possíveis punições jurídicas.    
È ponto assente na mentalidade dos jovens que a lei não pune os menores. E aqui é que está a principal causa de tanta violência.
Não podemos culpar as escolas pela falta de educação e orientação cívica dos jovens, quando sabemos que infelizmente há pais que condenam o castigo aplicado pelos professores.
Vamos antes debruçarmos todos sobre este flagelo e esperar que os progenitores saibam realmente serem progenitores.
 O acto de procriação tem que ser um acto responsável e não apenas a vontade de ser mãe ou pai.
Enquanto não for feito um trabalho cívico e jurídico que independentemente da idade, responsabilize criminalmente não só os progenitores, mas também os menores, vamos continuar a assistir a cenas lamentáveis como estas.
Já é altura de se arranjar mecanismos punitivos e eficazes para serem aplicados a jovens que por lei, não podem ser punidos com pena de prisão.
Os reformatórios que estiveram em voga em anos passados, é uma das medidas a serem pensadas, assim como também a responsabilização criminal dos progenitores, por actos puníveis praticados pelos menores.
Já é altura dos progenitores serem chamados à responsabilidade pela orientação, educação e responsabilidade dos seus filhos.
Deixar tudo na mão dos professores, sabendo que estes não têm meios legais para modificarem os comportamentos rebeldes de certos jovens, é o mesmo que fechar os olhos à criminalidade.
A atitude dos progenitores têm que ser urgentemente corrigidos, pois não se pode admitir que ao mais pequeno castigo aplicado por um professor, os progenitores ficam logo do lado do filho sem se preocuparem em saber qual a razão de tal castigo.
Não sou professor, nem gostaria de o ser, nas actuais condições.
Sou apenas um pai que tem dois filhos. Um rapaz e uma menina. Ambos já crescidos e orientados na vida.
 Mas lembro-me bem que quando estudavam e chegavam a casa com queixas dos professores, não encontravam apoio, mas antes, uma repreensão do género: - Se o professor te puxou as orelhas é porque mereceste. Porta-te bem e ele de certeza que não te castigará. E assim cresceram com disciplina e responsabilidades.
 Hoje são pais e sei que os meus netos estão a ser orientados da mesma maneira.
Fico com as crianças sempre que os país, por motivo de trabalho, não podem ficar com elas e sei que nunca se queixaram dos professores.
Um castigo, um puxão de orelhas, no momento certo, é educação e não agressão como infelizmente hoje muitos erradamente consideram.
É destes pequenos exageros que nascem as horríveis cenas que todos assistimos na Internet. È caso para se perguntar: - Para onde caminhas juventude!...

JOANINHA E O REINO DE CRISTAL

               


              JOANINHA E O REINO DE CRISTAL

            Joaninha era uma menina muito traquina. Em casa, a mãe tinha de colocar tudo que fosse de partir, em locais onde a menina não chegasse.
            Quando era convidada para ir à casa de uma amiga, a mãe de Joaninha arranjava sempre uma desculpa para não ir, com medo que Joaninha partisse as coisas das amigas.
            Um dia a fada madrinha da Joaninha, revolveu ajudar e em sonhos apareceu à mãe da menina e disse:
            - Amanhã vai aparecer à porta de tua casa, uma vendedora a vender bonecos de cristal. Fica com o que ela te oferecer e dá à Joaninha para ela brincar. Vais ver que tudo se resolve.
            No dia seguinte ao pequeno-almoço, a mãe disse para o marido:
           - Sabes, tive um sonho muito esquisito.
           - Esquisito como? Perguntou o marido.
           - Sonhei com fadas e bonecos de cristal e no meio estava a nossa filha.
 O marido disse:
           - Não te preocupes! Isso é fruto da tua imaginação pelo facto da nossa filha partir os teus bibelôs.
           - Talvez! disse a mãe e despediu-se do marido que foi para o trabalho.
            A meio da tarde, a fada madrinha disfarçou-se de vendedora e bateu à porta da casa da Menina.
            Quando a mãe abriu a porta a vendedora perguntou:
           - Não quer comprar lindos bonecos de cristal?
            A mãe da Joaninha viu os bonecos e disse:
           - São lindos. Bem gostava de ter uns, mas não posso. A minha filhinha parte tudo o que toca.
            Nesse instante Joaninha apareceu à porta e a fada disse:
            - Que linda menina.
 A fada tirou da caixa um boneco muito lindo que parecia uma menina trazendo em cada pé uma borboleta e numa das mãos uma flor, na outra um coração. Chamou a Joaninha e deu-lhe a boneca.
            De repente a mãe lembrou-se do sonho e quando ia falar, viu que a vendedora já não se encontrava à porta de casa.
            Joaninha continuava a partir os bibelôs da mãe, mas o seu boneco continuava sempre intacto. A menina brincava e dormia com ele sem o partir. Sonhava muitas vezes que estava num reino de cristal e que brincava com muitos bonecos todos de cristal e nunca os partia.
            A mãe desesperada dizia para si mesmo:
            - Se não visse aquele boneco, pensaria que tudo teria sido um sonho. Nada mudou no comportamento da menina.
            Os dias foram passando e um dia, a mãe ouviu um grito e viu a filha sentada no chão do seu quarto, a chorar e perguntou:
            - O que tens? Onde te dói?
           A menina muito triste disse agarrada à mãe:
           - O meu boneco partiu-se.
          A mãe para consolar a filha disse:
         - Não chores que a mãe vai procurar a vendedora e compra outro igual.
Durante a noite, Joaninha sonhou com a fada madrinha. No seu sonho, a fada madrinha era a vendedora, depois transformava-se numa linda borboleta que voava entre lindos bonecos de cristal sem tocar neles. Viu também que num dos voos, a borboleta poisou no seu ouvido e disse com uma voz muito suave:
 - Vês! Tens que ter sempre muito cuidado com as coisas de vidro. Se as partes, nunca mais ficam boas e temos de as deitar fora.
            No dia seguinte, Joaninha acordou bem disposta e a mãe pensou que ela já tinha se esquecido da boneca de cristal.
           A menina brincava por toda a casa. Sempre que se aproximava de coisas de vidro, tinha sempre muito cuidado para não as partir.
            Joaninha nunca mais partiu coisas.
           A mãe sempre que ia dormir agradecia à fada madrinha e assim, viveram felizes para sempre.
FIM
Carlos Cebolo

sábado, 21 de maio de 2011

O PATINHO CICLISTA

           

           

O PATINHO CICLISTA

            No País encantado do faz de conta, havia uma pata chamada Patucha, que era mãe de cinco patinhos pequeninos.
            Patucha todos os dias levava os seus cinco filhos para o lago e ensinava-os a nadar.
            Os cinco patinhos chamavam-se: Patá; Paté; Pati; Pató e Patu.
            Os quatro primeiros, gostavam muito de ir para o lago com a mãe, mas Patu não gostava de estar na água e sempre que iam para o lago, ele ficava muito triste.
            Um dia a fada pirilampo que passeava junto do lago, viu Patu triste à beira da água, enquanto os seus irmãos, acompanhavam com muita alegria a mãe pata que nadava no centro do lago.
            Abeirou-se de Patu e perguntou:
            - Então patinho o que tens? Não vais nadar com os outros?
            Patu muito triste respondeu:
            - Eu não gosto de água; ela é fria e molha as minhas penas todas!
            Pirilampo não gostava de ver ninguém triste e por isso perguntou:
           - Diz-me Patu! Do que é que gostas?
            O patinho olhou para a fada e disse:
           - Eu queria era ser ciclista e andar pelo Mundo, conhecer novas terras e novas gentes, fazer novos amigos!
            A fada que queria ajudar o patinho, perguntou:
            - Então Patu, qual a razão de não seguires o teu sonho?
            Patu muito triste respondeu:
           - Oh! Não tenho bicicleta já tentei fazer uma mas não consigo!...
            Pirilampo que via o patinho cada vez mais triste, disse:
           - Eu sei onde há uma bicicleta boa para ti!
           - E  a fada continuou:
           - Está no fundo do lago, mas como não sabes nadar, não podes lá ir para a buscar!
            Patu muito animado perguntou:
           - É mesmo verdade o que estas a dizer fada? Há uma bicicleta no fundo do lago?
            A fada pirilampo respondeu:
            - Patu! As fadas não mentem. Se te estou a dizer que está lá uma bicicleta e porque está! Aprende a nadar e vai lá busca-la!
            No dia seguinte, Patu foi o primeiro a acordar. Acordou a mãe e os irmãos, para irem para o lago.
A mãe pata muito admirada com a vontade do filho querer ir para o lago perguntou:
 - Então Patu! O que te deu? Nunca queres ir para a água e agora és o primeiro a quereres ir?
O patinho ansioso apenas disse à mãe:
- Quero aprender a nadar e a mergulhar o mais rápido possível!
A mãe pata e os cinco patinhos lá foram para o lago todos contentes.
            Patu aprendeu a nadar e todos os dias mergulhava cada vez mais fundo.
Patucha estava alegre por ver que o seu filho mais novo finalmente sabia nadar e gostava da água. Mal sabia ela que o interesse do filho era outro.
Quando Patu reparou que já conseguia chegar ao fundo do lago, ficou contente, mas continuou a treinar cada vez mais, para poder procurar a sua bicicleta.
Num domingo de manhã, Patu correu para o lago, deixando a sua mãe e irmãos para trás.
Ao chegar à água, mergulhou e nadou rapidamente para o fundo do lago. Quando lá chegou, procurou por todo o lado e junto a um tronco encontrou uma linda bicicleta. Montou nela, pedalou e saiu do lago todo contente.
A mãe e os irmãos quando o viram sair com a bicicleta, ficaram admirados!
Perguntaram ao Patu o que era aquilo!?
 Patu muito feliz disse:
 - È a minha bicicleta, agora já posso ser um ciclista, o meu sonho vai-se realizar.
O pequeno patinho cheio de alegria, começou a pedalar à volta do lago e ao fazer uma curva junto às roseiras, encontrou a fada pirilampo.
Parou a bicicleta, deu um grande abraço à fada e disse:
            - Muito obrigado querida fada. Com esta bicicleta já posso ser um ciclista.
A fada viu que o pequeno patinho estava feliz e disse:
 - Vai Patu, vai correr Mundo, realiza o teu sonho. E deu-lhe um beijinho.
Patu saiu a pedalar. O seu Mundo era apenas o jardim à volta do lago e assim, antes do dia acabar, o patinho ciclista voltava para casa com a sua bicicleta e voltava a partir no dia seguinte para mais uma aventura.
 E assim viveram felizes para sempre.
FIM
Carlos Cebolo




quinta-feira, 19 de maio de 2011

AS SANDÁLIAS COR DE PRATA - CONTO INFANTIL


No país encantado do faz de conta, havia uma aldeia que era conhecida pela Aldeia dos bailes de fins-de-semana.
 A aldeia ficava na floresta do norte, terras que pertenciam ao rei.
Todos os habitantes, velhos e novos, juntavam-se, aos fins-de-semana, no grande salão do clube recreativo da Vila.
Joana era filha do padeiro da Vila, homem honrado e respeitado por todos e era o único que depois do baile não ia para casa, mas sim para a sua padaria fazer pão para que este não faltasse nas mesas dos habitantes da Vila e no palácio real.
Quando se aproximava o fim-de-semana, Joana ficava triste e no salão de baile, sentava-se a um canto escuro e chorava baixinho.
Sempre que um rapaz se aproximava para a convidar para dançar, Joana negava, dizendo que não gostava de música.
Era apenas uma desculpa que Joana dava, pois na verdade ela adorava música, mas não sabia dançar.
No dia em que fez dezoito anos, Joana recebeu muitos presentes dos amigos e familiares e entre os presentes, encontrava-se um par de sandálias cor de prata que Joana adorou mal as viu.
Perguntou quem lhe tinha dado as sandálias, mas ninguém sabia. Era como se elas ali tivessem aparecido por magia.
A pequena festa que os pais lhe tinham dado, chegou ao fim e todos os convidados foram para suas casas, ficando Joana sem saber quem lhe tinha dado as lindas sandálias cor de prata.
Já no seu quarto, Joana calçou as sandálias e viu que elas lhes ficavam muito bem. Eram leves e parecia que andava descalça, pois não sentia as sandálias nos pés e todo o seu corpo se tornou leve.
Depois de muito admirar as sandálias e como já era horas de dormir, Joana tirou-as dos pés e guardou-as no armário do quarto, junto aos seus mais lindos vestidos e foi dormir.
Durante a noite sonhou com as sandálias, com música e com os bailes que aos fins-de-semana havia na Vila e com um príncipe.
Durante o seu sonho, viu uma linda menina vestida com um vestido vermelho e que calçava umas sandálias iguais ás suas que lhe disse:
 - Joana! Eu sou a tua fada madrinha e fui eu quem te deu as sandálias. Elas são mágicas e sempre que as calçares, dançarás muito bem, serás a melhor bailarina do salão onde te encontrares.
No fim-de-semana seguinte, Joana calçou as sandálias e preparou-se para o baile.
 Durante o baile, todos ficaram admirados com Joana. Dançou a noite toda e os rapazes faziam fila para dançarem com ela.
 Joana dançou com todos sem mostrar interesse por nenhum deles, dançava apenas por dançar, acompanhando os passos da música sempre com alegria e harmonia.
A Fama de Joana como dançarina chegou a todo o lado e também ao palácio do rei, que tinha um filho em idade de casar e andava à procura de noiva.
Quando o príncipe fez vinte anos, o rei deu uma grande festa no palácio e convidou todos os habitantes do reino e fez questão que no baile, estivesse o padeiro da aldeia e sua filha dançarina.
Joana ficou encantada com o convite, mas estava preocupada. Não tinha um vestido a altura de tal honra e os seus pais não lhe podiam comprar um, pois eram pobres.
Joana estava triste, sentada na sua cama, quando ouviu uma voz a chamar por si: 
- Joana! Joana! Não fiques triste que a tua fada madrinha tem uma solução.
Joana olhou e viu sentada junto à janela do quarto, a fada que lhe tinha aparecido nos sonhos. 
A fada vestia um lindo vestido vermelho e calçava sandálias cor de prata e disse à Joana: 
- Escolhe o teu melhor vestido e estende-o na tua cama
 Joana assim fez.~
 Escolheu o seu melhor vestido e estendeu-o na cama. Pegou nas sandálias cor de prata e juntou-as ao vestido. Olhou e disse:
 -Vês madrinha? Este vestido é o melhor que tenho, mas não faz um conjunto bonito com as sandálias que me deste. Não sei o que hei-de fazer!
A fada levantou-se da cadeira, deu uma volta pelo quarto e falou: 
- Realmente tens razão. Vamos ver o que se pode fazer.
Pegou na varinha mágica e apontou para o vestido.
 Da varinha saíram umas estrelinhas vermelhas e prateadas e o vestido começou a transformar-se.
Quando as estrelinhas desapareceram, o vestido de Joana transformou-se num lindo vestido vermelho com uma faixa prateada à cintura que terminava num lindo laço da cor das sandálias.
Joana gostou logo do vestido. 
Vestiu-o, calçou as sandálias e ficou linda. 
Virou-se para a fada e agradeceu com lágrimas nos olhos. 
A fada vendo a menina a chorar perguntou: 
-Porque choras? Não gostaste do vestido?
Joana abraçou a fada e disse: 
- Obrigada madrinha. São lágrimas de alegria. O vestido é muito bonito. Obrigada.
No dia do baile, Joana vestiu o seu lindo vestido e calçou as suas sandálias cor de prata e foi com os pais para o palácio. 
Quando entrou no salão, o príncipe ficou encantado com tanta beleza e quando a música começou a tocar, foi buscá-la para dançar.
O príncipe e Joana dançaram por todo o salão. E dançaram de tal maneira, que todos se admiraram com tal leveza. 
Joana parecia uma pena a esvoaçar ao vento, amparada pelos braços do príncipe e todos ficaram felizes por os verem dançar tão bem.
O rei contente e admirado com a beleza da jovem e com o seu belo dote de dançarina, perguntou ao seu ministro:
- Quem é a linda jovem que dança com o príncipe?
O ministro respondeu que era Joana, filha do padeiro da aldeia, cuja fama de dançarina já tinha corrido o país inteiro. Eram gente pobre mas honestos e Joana era uma boa menina.
No fim do baile, o príncipe disse ao rei que queria casar com Joana, mas o rei disse que não podia ser, pois Joana não era de famílias nobres e não ficava bem o príncipe casar com uma menina do povo.
O Príncipe ficou triste e foi para o seu quarto, não saindo mais de lá. Não comia e adoeceu.
O rei preocupado com a saúde do filho, mandou chamar todos os médicos do reino, mas nenhum sabia o que fazer.
Durante a noite, a fada madrinha de Joana apareceu em sonhos ao rei e disse-lhe: 
- Rei faz do pai de Joana Conde, dá-lhe o condado da floresta e assim já o príncipe pode casar com Joana e ser feliz. Só assim o príncipe ficará melhor.
No outro dia, o rei chamou o padeiro da Aldeia, deu-lhe as terras da floresta onde ficava a aldeia e nomeou-o conde da floresta do Norte ao mesmo tempo que pedia a mão de Joana para casar com o príncipe.
Quando o príncipe soube o que o pai tinha feito, ficou muito contente e melhorou.
No dia do casamento, Joana apareceu com um vestido branco bordado a prata que a fada madrinha lhe tinha dado e trazia nos pés as suas lindas sandálias cor de prata, que fizeram dela uma grande bailarina e uma linda princesa.
Casaram e foram felizes para sempre.
FIM
           

sábado, 14 de maio de 2011

A ESPERTEZA DO HAMSTER



E porque hoje é Sábado
A ESPERTEZA DO HAMSTER


O Pedrinho tinha sete anos e vivia com os seus pais, numa linda casa da cidade e era o único filho do casal.
Os vizinhos não tinham filhos pequenos e Pedrinho não tinha com quem brincar.
Os pais viam o menino sempre triste e para o animar, levaram-no a passear pela cidade.
Ao passarem em frente a uma loja de animais, o pai resolveu entrar e mostrar os pequenos animais ao filho.
 Pedrinho viu muitos animais bonitos e entre eles, estava um animalzinho dentro de uma gaiola que brincava com vários objectos, fazendo muitas cambalhotas.
O menino encantou-se com o animalzinho e cheio de esperanças, pediu:
 - Pai, eu quero o ratinho! Compras-me? Ele é tão fofinho!...
O dono da loja aproximou-se e disse:
 - É um hamster e é muito meigo! Queres pegar nele?
Tirou o pequeno animal da gaiola e meteu-o nas mãos do menino.
O hamster subiu pelo braço do Pedrinho e junto á cara do menino, esticou o pescoço e lambeu-lhe a cara. Pedrinho ficou muito contente e chamou a atenção do pai:
 - Olha pai ele está a dar-me beijinhos. Gosta de mim e eu gosto dele!
O pai comprou o hamster e todos contentes, foram para casa.
Desde essa altura, o hamster passou a ser o companheiro inseparável do menino.
Pedrinho dava-lhe comida e brincava com ele o dia todo. À noite metia-o na gaiola onde o animal dormia, mas deixava sempre a porta da gaiola aberta para o seu amigo sair sempre que quisesse.
Durante a noite, o animal passeava pela casa e acabava sempre por adormeceu na almofada do Pedrinho, bem juntinho à sua cabeça.
Certa noite, entraram em casa uns ladrões que amarraram o Pedrinho e os pais do menino e roubaram as coisas que estavam em casa.
Kico, assim se chamava o hamster, quando viu o seu amiguinho amarrado, sem os ladrões verem, meteu-se no bolso do pijama do Pedrinho e escondeu-se.
Os dois ladrões, antes de irem embora disseram um para o outro:
 - É melhor levarmos a criança como garantia de não chamarem a polícia.
 E assim fizeram.
Quando os ladrões chegaram ao seu esconderijo, viram as coisas boas que tinham roubado e disseram:
 - Esta família deve ser rica, por isso vamos pedir um resgate para lhe entregar o filho. Assim ganhamos muito dinheiro.
Pedrinho continuava amarrado e não se conseguia libertar.
Quando os ladrões saíram para irem roubar outra casa, Kico saiu do bolso do pijama do Pedrinho e começou a roer as cordas que prendiam o seu amiguinho. Os dois soltos, fugiram e depois de muito andarem, chegaram à casa do Pedrinho.
Lá dentro, ainda se encontravam os seus pais amarrados. Pedrinho desamarrou-os e contou que o Kico é que o tinha soltado e que sabia onde era a casa dos ladrões.
O pai Chamou a polícia e depois de Pedrinho lhes indicar a casa, os polícias foram lá e prenderam os ladrões que estavam a dormir e ainda não tinham visto que o menino tinha fugido.
Graças à esperteza do Kico, a família de Pedrinho recuperou as suas coisas.
Para agradecer ao hamster, o pai de Pedrinho comprou uma bolsa muito bonita que o Pedrinho usa ao pescoço e sempre que sai para algum lado, mete o Kico lá dentro e leva-o com ele.
Kico vai sempre muito contente, pois gosta muito de passear sempre junto ao seu amigo.
E assim, viveram felizes para sempre.
FIM
Carlos Cebolo

quarta-feira, 11 de maio de 2011

AS AVENTURAS DE KALÓ IV - Kaló no Planeta 56-USX



Kaló é um rapaz aventureiro que numa das suas viagens de aventuras, (Kaló e o gigante), ganhou um manto mágico que o transporta para qualquer sítio que imagina.
Usando o seu manto mágico, o nosso herói vai parar a um planeta muito longe da Terra. Quando lá chegou, viu que aquele lugar, era habitado por seres estranhos.
Os habitantes do planeta tinha o corpo de homem, mas a cabeça era de urso e os seus braços eram longos. Nas mãos tinham apenas três dedos O dedo de meio era fino e comprido e os outros dois eram grossos mas curtos. Kaló pensou para si mesmo: “São homens ursos!”
Havia seres negros, castanhos e brancos. O que mais intrigou o nosso viajante, foi o facto de ouvir vozes e perceber que estavam a falar em invadir outros planetas.
Kaló ainda estava admirado com o que via, quando ouviu nas suas costas alguém perguntar: “Quem és tu? De onde vens?” Kaló virou-se e viu um homem urso preto que estava tão admirado como ele.
 Depois de olharem um para o outro, Kaló respondeu:”Sou um ser humano chamo-me Kaló e venho de um planeta muito distante chamado Terra.”
O homem urso disse: “Já ouvi falar do ser humano e do planeta de onde vens e o que aprendemos nas escolas é que são maus e matam por prazer, não só os da sua espécie, mas também os outros seres de outras espécies. Vou levar-te ao nosso grande líder.”Dito isso, fez Kaló andar à sua frente, indicando-lhe o caminho.
Depois de muito andarem, chegaram a uma cidade. Kaló ficou admirado com o desenvolvimento da cidade e viu que aquele planeta estava muito mais adiantado e desenvolvido que a Terra.
O homem urso preto conduziu Kaló a um grande e lindo palácio e disse: “Agora vais falar com o nosso líder e ele decidirá o que fazer contigo.” Entraram, numa grande sala e o homem urso disse: “Fica aqui e espera.”
Kaló enquanto esperava, olhava para todos os lados e via representado nas paredes da sala, muitos planetas, uns grandes, outros pequenos e entre eles, também estava a Terra que tinha uma grande seta vermelha a apontar para ela.
A parede do fundo da sala abriu-se e surgiu um tapete rolante trazendo um trono e sentado no trono, estava um grande homem urso branco.
Quando o trono chegou perto de Kaló, o homem urso perguntou: “Como vieste até cá? Onde está a tua nave e os teus soldados? Kaló respondeu: “Viajo sozinho, não tenho nave nem soldados, venho em paz.” O homem urso deu uma grande gargalhada e disse: “Queres que eu acredite nisso?” E com uma voz forte disse: “Vamos lá. Diz-me onde está a tua nave e como chegaste sem os nossos radares darem por nada?”
Kaló ficou calado e o homem urso continuou: “Estas a vez naquela parede aqueles planetas todos? Diz-me qual é o teu?” Kaló apontou para a terra e disse: A terra é aquele que está indicado por uma seta vermelha. É de lá que venho.
O homem urso pensou e disse:” Tenho espiões por todo o Universo e eles dizem-me que a Terra ainda está muito atrasada. Só agora começou a mandar naves para o espaço e sei que são maus uns para os outros. Fazem guerra pela riqueza. Por trazer, matam não só os da própria espécie como também e seres das outras espécies.” E continuou:”Por causa disto, foi escolhida para ser invadida e conquistada. Vamos fazer dos humanos nossos escravos.”
Kaló procurando salvar a Terra, interrompeu e disse:” Em parte é verdade o que vossa alteza diz. Mas não sabe toda a verdade e pode ser surpreendido. Nós os humanos, estamos tão avançados que não necessitamos de naves para viajar. Deslocamo-nos com o pensamento. Nas lutas entre nós, utilizamos métodos antigos, pois não queremos destruir o Planeta. E continuou: “ Somos pacíficos e não queremos lutar contra os outros planetas. Mandamos apenas algumas naves já ultrapassadas, para mostrar que existimos e queremos paz.”
O homem urso disse: “Aguarda que eu já volto.” E retirou-se da mesma maneira que apareceu.
Kaló aguardou com o manto mágico colocado nas suas costas.
Passado algum tempo, apareceu o homem urso que o tinha trazido e pediu que Kaló o acompanhasse. Entraram num grande salão com cadeiras em toda a volta e no centro um espaço livre. Numa cabine, no sítio mais alto da sala, estava sentado no seu trono, o grande homem urso branco.
Kaló foi colocado no centro da sala e de repente, viu-se rodeado de raios de luz.
O líder dos homens urso falou: “Agora vamos saber se dizes a verdade ou se me querias enganar.” E perguntou:” Tens como provar o que dizes?” Kaló mentalmente pediu ao manto que o transportasse para a cabine do líder e apareceu atrás deste e disse: “Como vês, posso.” E desapareceu e apareceu em vários sítios da sala e depois novamente no centro onde tinha sido colocado.
Os homens ursos ficaram admirados e perguntaram:”Como fazes isto? Kaló aproveitando o espanto dos homens ursos, disse: “Este poder, todos nós humanos possuímos. Mas só é utilizado para o bem e, se formos invadidos por outro planeta qualquer, utilizaremos o nosso poder para o conquistar e fazer dos seus habitantes, aquilo que eles pretendiam fazer convosco.”Depois acrescentou: Agora vou-me embora e espero que pensem bem antes de invadirem outros planetas, pois podem ser vós os escravizados.” Kaló pediu ao manto e desapareceu.
Os homens urso fizeram uma reunião urgente e resolveram não invadir mais a Terra.
Assim, Kaló salvou a Terra de uma invasão extraterrestre e mais uma vez foi à terra do gigante para o ver e agradecer pelo manto mágico.
FIM

segunda-feira, 9 de maio de 2011

AS AVENTURAS DE KALÓ III- (Kaló e a tribo do deserto)



Kaló é um rapaz aventureiro que numa das suas viagens de aventuras, (Kaló e o gigante), ganhou um manto mágico que o transporta para qualquer sítio que imagina.
Desta vez o nosso amigo resolveu visitar uma tribo que vivia no deserto do Calaári, no sul de África.
Quando lá chegou, encontrou junto a uma árvore de grande porte chamada imbondeiro, um habitante da região e reparou que o homem estava nu e tinha uma cor negra alaranjada. Nas costas, preso com uma corda ao pescoço, trazia um cesto feito com casca de árvore, com flechas e um arco. Na mão do homem viu também uma lança com uma grande lâmina.
O indígena quando viu o homem branco, saudou-o na sua língua que parecia estalinhos dados com a língua e levantou uma mão em sinal de paz. Kaló que graças ao dom dado pelo gigante, sabia todas as línguas, respondeu dizendo com estalos: “Olá irmão. Venho em paz. Tens água para eu beber?” O Bosquimano, assim se chama aquela etnia africana, desconfiado perguntou: “De onde vens? Não és do deserto, a tua pele é branca!?”
Kaló explicou que veio do céu e como o indígena estava a desconfiar, Kaló disse: “Estás a ver aquela montanha? Eu vou até lá agora e venho novamente para o teu lado.” E utilizando o manto, pediu que o transportasse para o alto da montanha. Quando regressou. O Bosquimano estava ajoelhado com a cabeça no chão e saudava-o na sua língua dizendo:”Oh deus, perdoa-me se fiz algum mal, não me leves ainda que eu tenho filhos pequenos para criar.”Kaló explicou que não era deus. Que era homem como ele e pediu que lhe tocasse dizendo que era amigo.
O Bosquimano com medo lá se encheu de coragem e tocou no braço de Kaló e viu que era de carne e osso como ele. Admirado disse: “ Agora sei que és amigo. Mas também és deus. Tens a pele clara, cabelos lisos e voas como os pássaros. És deus e és amigo de Kondo (Kondo era o nome do Bosquimano). Eu fico muito contente.”
Depois já mais calmo, ofereceu água a Kaló e perguntou se ele o queria acompanhar na caçada.
Seguiam umas pegadas que mal se viam e que Kondo ia mostrando a Kaló. Este não via nada mas abanava com a cabeça dizendo que sim.
Avistaram um vulto que a Kaló pareceu ser um boi e como estavam quase a passar por ele, pensando que o seu companheiro o não tinha visto, apontou para o animal. O indígena abanou a cabeça a dizer não. Explicou que aquele animal era grande de mais e a família não necessitava de tanta carne.
Mais adiante, avistaram ao longe umas gazelas e em vez de irem direitos a elas, deram uma grande volta. O Bosquimano vendo que o seu companheiro estava admirado com o percurso, disse:” Temos de ir contra o vento para os animais não darem pela nossa presença. Só assim podemos chegar bastante perto para ferir o animal escolhido.
Quando chegaram perto do animal, escondidos atrás de uma duna, o indígena pegou numa seta, molhou a ponta num líquido que trazia dentro de uma pequena cabaça e utilizando o arco, feriu uma gazela.
Os animais fugiram e Kaló viu o seu companheiro muito contente e perguntou: “Porque estás contente se falhaste? Não mataste o animal!”
Kondo explicou que a seta tinha um veneno e que iriam encontrar o animal quando este morresse. Agora era só seguir o rasto.
Passado algum tempo e depois de muito andarem pelo deserto, encontraram a gazela já sem vida. Pegaram na gazela e foram para a aldeia.
Perlo caminho, Kondo explicou que apenas matavam para comer e que escolhiam sempre um animal que fosse suficiente para alimentar a família. Mesmo assim, sempre que matavam um animal, pediam perdão a deus por ter tirado a vida a um ser vivo.
Na aldeia, o Bosquimano explicou à família, que o branco era um deus e que era seu amigo. A família de Kondo ficou muito contente por ter um deus entre eles e ficaram encantados com a cor e com os cabelos de Kaló.
Kaló julgava que ia encontrar uma aldeia grande, mas quando lá chegou viu que havia apenas quinze pessoas. Perguntou a Kondo, aonde estavam os outros habitantes da aldeia e este disse que as suas aldeias eram compostas apenas pela família e que outras famílias estavam espalhadas pelo deserto e que se visitavam de vez em quando.
Kaló ficou uns dias na aldeia e aprendeu muitas coisas. Aprendeu a fazer setas; a fazer o veneno que tiravam de uma planta; a apanhar uma espécie de batatas que se encontravam enterradas na areia e que depois assavam para comer; a procurar água no deserto; a seguir pistas deixadas pelos animais e acima de tudo, aprendeu a ter respeito por todos os seres vivos.
Quando Kaló se despediu para se ir embora, Kondo apenas pediu que ele olhasse pela sua família lá de cima e que nunca deixasse acabar a caça no deserto.
Na aldeia indígena do deserto, ainda hoje todos vivem felizes por terem conhecido deus e por ele ser amigo de Kondo.
Kaló pôs o manto nas costas e desapareceu indo para outra aventura.
FIM
(Próxima aventura Kaló no Planeta 56-USX)

domingo, 8 de maio de 2011

LUBANGO A MINHA CIDADE NATAL




Chegou a altura do Blogue Querer e não Poder, recordar um pouco a cidade conhecida como a princesa da Chela. Sá-da-Bandeira ou Lubango, como os mais antigos lhe chamavam, era uma linda cidade plantada no planalto da Huíla, em Angola.
Digo aqui era e não é, propositadamente, uma vez que o actual Lubango nada tem a ver com a linda cidade deixada pelos portugueses e verdadeiros Angolanos, após o 25 de Abril.
Cidade outrora cheia de vida organizada, com jardins floridos; com fontes luminosas de encantar e com um dos mais belos parques de lazer então existentes, a Sr.ª do Monte, e protegida pelo imponente monumento em honra de Cristo Redentor, era o ex-líbris do Sul de Angola e o orgulho dos seus habitantes.
Quem fosse de visita ao Lubango, encantava-se com tão magnifica paisagem verdejante que se podia visionar não só do cabeço da serra onde se encontrava o Cristo Rei, de onde era visto toda a cidade e vilas existentes ao seu redor, mas acima de tudo, do que se podia admirar do excelente miradouro da Tunda Vala.
A fenda da Tunda Vala, talvez única no Mundo, pela sua excelente localização e pela beleza que emana, seria com toda a justiça, considerada património Mundial e protegida com tal, se houvesse visão política direccionada para o turismo e conservação da Natureza tal e qual ela se formou.
Lembrando todas essas maravilhas que compunham a linda cidade do Lubango e seus arredores, não poderia deixar de falar das lindíssimas cascatas da Huíla que só quem as conheceu, poderá dar testemunho de tão maravilhosa beleza da Natureza.
A conhecida Coimbra Angolana, também assim chamada no meio estudantil, tinha orgulho em fazer praxes académicas aos caloiros do Liceu Diogo Cão, da Escola Industrial e Comercial Artur de Paiva e da Escola de Regentes agrícolas do Tchivinguiro, que em nada ficava atrás das praxes praticadas em Coimbra naquele tempo.
Durante  todos os dias do ano, O Lubango é banhado por um sol radiante e com uma temperatura amena, com excepção dos meses de Julho e Agosto, altura que os seus dois mil metros de altitude, fazem arrefecer o ar, principalmente durante as madrugadas, provocando a formação de granizo que com o raiar do astro Rei, depressa se transforma em água que infiltra pela terra a dentro, proporcionando assim um excelente terreno privilegiado para a agricultura.
Foi esse clima e esta terra fértil, que os colonos agricultores portugueses encontraram quando se fixaram nos Barracões, local onde começou a nascer a bela cidade do Lubango.
Foi essa conjugação da Natureza que nos anos cinquenta e sessenta fizeram da Huíla, o verdadeiro celeiro de Angola.
Hoje, pelas fotografias e vídeos que me chegam, mandados por amigos, verifico com mágoa que esta tão linda cidade, deixou de ser o local verdejante de outrora. A Fonte Luminosa que durante todas as noites do ano, era um ponto de visita, cheia de luz e de água, está agora seca e às escuras. A enorme piscina da Sr.ª do Monte e o seu magnífico jardim circundante, não passa hoje de um lado cimentado sem água rodeado de um jardim mal cuidado e sem as lindíssimas rosas que lá havia.
Nem tudo está mal! É verdade. O Casino da Sr.ª do Monte encontra-se conservado, mas será que ainda é casino? O Monumento do Cristo rei também está conservado, mas a paisagem já não é a mesma. Em vez de se vislumbrar uma bela cidade ao fundo, a nossa vista choca com as inúmeras barracas construídas sem lei nem roque, enchendo a outrora linda cidade de favelas que proporcionam a delinquência e a insegurança dos cidadãos.
Os governantes que construíram o Cristo Rei, beberam a ideia na cidade maravilhosa (Rio de Janeiro). Numa altura em que as autoridades Brasileiras estão a tentar acabar com as famigeradas favelas no Rio de Janeiro, como a excelente recuperação recente da favela do Alemão, lamenta-se que as autoridades Angolanas não lhes sigam o exemplo.
Angola tem tudo para ser um belo e enorme país e sem sombras para dúvidas, o Lubango tem as estruturas principais montadas directamente pela Natureza e descoberta por gente Lusa desde os tempos coloniais, para continuar a ser no futuro, a bela paisagem verdejante e luxuriante que foi no passado, basta haver sensibilidade e bom gosto associado á vontade política e capacidade de governação.
Muito mais teria a falar sobre esta cidade, mas o objectivo não é esse. Apenas lembrar o que foi e o que é actualmente o Lubango, aos olhos de um Chicoronho naturalizado português.
Quero aqui lembrar que todos os anos os inseparáveis do Lubango reúnem-se nas Caldas da Rainha no segundo fim-de-semana de Julho. Até lá um abraço a todos os Chicoronhos.
FIM

quarta-feira, 4 de maio de 2011

AS AVENTURAS DE KALÓ II (KALÓ E A ILHA PERDIDA)


           
           
AS AVENTURAS DE KALÓ
(KALÓ E A ILHA PERDIDA)

            Kaló é um rapaz aventureiro que numa das suas viagens de aventuras, (Kaló e o gigante), ganhou um manto mágico que o transporta para qualquer sítio que imagina.
            Nesta sua aventura, Kaló vai ter a uma ilha perdida nos mares do Sul, muito abaixo do continente Australiano.
            A ilha tinha muito arvoredo de grande porte; muitas flores bonitas e muitos animais.
Kaló tirou o manto mágico dos ombros e guardo-o numa sacola que levava às costas e preparou-se para explorar a linda ilha.
Desde o início que pressentia ser seguido, mas não via ninguém. Olhava para todos os lados, mas apenas via árvores e mais árvores.
Por precaução, tirou a sua faca de mato, cortou um ramo forte e fez uma lança para se defender de algum animal selvagem.
Continuou a andar e ao entrar numa clareira, ouviu um barulho estranho. Parou para escutar melhor e de repente, viu-se rodeado de mulheres guerreiras.
Kaló não ofereceu resistência e foi levado à presença da rainha que ouvia com muita atenção o que uma mulher guerreira lhe dizia ao ouvido.
Pouco depois, a rainha chamou Kaló e perguntou-lhe:
- É verdade o que diz a minha guerreira? Que és mágico e apareceste do nada?
Kaló respondeu:
- Em parte é verdade. Eu sou mágico e vim das estrelas.
 Vendo o temor das mulheres guerreiras, Kaló procurou logo ganhar vantagem e perguntou:
 Onde estão os homens? Será que nesta ilha só há mulheres?
A rainha com voz trémula respondeu:
Os homens aqui são escravos. Enquanto são jovens, trabalham nas minas de diamantes que temos no fundo da ilha e só saem de lá quando são chamados e escolhidos para serem os pais dos nossos filhos. Os velhos e os doentes são atirados como alimento ao nosso deus lagarto.
Kaló ouviu com atenção e disse:
Pois foi isto mesmo que eu, deus das estrelas, vi lá de cima e não gostei. Por isso vim para vos ensinar a viver de outra maneira.
A feiticeira da tribo que se encontrava junto da rainha pediu a palavra e disse:
            A nossa lenda diz que um dia virá o homem deus das estrelas que nos libertará do deus lagarto.
            E continuou:
            - Se o que dizes é verdade, na próxima lua cheia enfrentarás o nosso deus e se o venceres acreditamos em ti. Se perderes, serás devorado pelo deus lagarto.
Até lá, serás o nosso convidado de honra. Durante o dia podes andar por todo o lado, mas ao cair da noite é proibido sair para além das muralhas da aldeia.
Faltavam dois dias para a lua cheia e kaló procurava uma maneira de libertar os homens da escravatura, sem ofender as mulheres, pois queria que todos vivessem felizes.
Depois de ouvir o que a feiticeira tinha falado, Kaló perguntou:
- E onde está o vosso deus lagarto? Eu gostava de o ver!
A feiticeira conversou com a rainha em segredo e depois respondeu:
- O deus lagarto vive numa gruta da floresta, fora das muralhas da aldeia. Durante o dia dorme e à noite sai para caçar. Quando não encontra o que comer, ataca a aldeia e é nessas alturas que lhe damos os velhos e doentes que já não servem para nada.
Kaló agradeceu à feiticeira pela explicação e retirou-se para a sua tenda.
Quando se encontrava sozinho, tirou o manto mágico da sacola e ao usa-lo pediu que o transportasse para a cova do monstro sem que este o visse.
Na gruta, viu um enorme dragão que dormia num sono profundo. Aproximou-se com cautela e cravou a sua lança no coração do dragão, ao mesmo tempo que pedia ao manto que lhe levasse de volta para a sua tenda.
O dragão deu um grito muito forte. Na aldeia as mulheres guerreiras com medo que o dragão aparecesse, montaram guarda nas muralhas, mas nada aconteceu. Apenas durante toda a noite se ouviu os gemidos do bicho.
A feiticeira que estava junto a uma fogueira, jogou uns pós no fogo e depois do fumo passar disse:
- O nosso deus lagarto já sabe que estás cá. E está muito zangado. Por isso não vamos esperar a lua cheia. Amanhã, ao amanhecer, vais ser jogado na caverna do lagarto.
A rainha ainda tentou reclamar, mas a feiticeira que desde o início tinha medo que o rapaz lhe tirasse o lugar, falou:
- É o que diz a nossa lenda. Por isso assim será feito. Caso contrário, a aldeia será castigada e todos morreremos.
Quando o sol apareceu no horizonte, as mulheres guerreiras levaram Kaló e jogaram-no na gruta do dragão. Kaló era o único que não mostrava medo, pois sabia o que tinha feito.
No fundo da gruta, o rapaz viu que o dragão estava deitado e que havia muito sangue á sua volta. A lança ainda estava cravada no peito do grande lagarto, mas este ainda estava vivo, embora muito faço, sem forças para se mexer.
Kaló com a sua faca de mato deu um golpe no pescoço do dragão. Este deu um grande grito e morreu.
 Na aldeia, as mulheres guerreiras ficaram à espera e na mina dos diamantes, os homens ficaram aterrados sem saber o que se estava a passar.
Pouco depois, Kaló apareceu na aldeia com a sua lança cheia de sangue e com um dente que tinha tirado do dragão e disse:
- O vosso deus está morto. Agora eu sou o vosso deus e aquela que me desobedecer seja castigada com a morte.
Todas se ajoelharam e saudaram o novo deus.
Kaló ordenou que fossem buscar todos os homens da mina. E quando todos estavam já na aldeia falou:
- A partir de hoje não há guerreiras nem escravos. Todos são iguais e todos devem trabalhar para o bem comum. O homem e a mulher mais velhos vão ser os chefes da aldeia e haverá um conselho composto por mulheres e homens que vão fazer as leis iguais para todos.
- E acrescentou:
            - Eu vou-me embora para as estrelas e lembrem-se que lá de cima vejo tudo e se algo não estiver bem, eu volto para castigar os culpados.
Kaló embrulhou-se no manto mágico e desapareceu. Na ilha perdida todos vivem felizes e ainda hoje, aguardam a vinda do deus das estrelas.
FIM
Carlos Cebolo