Acerca de mim

A minha foto
Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

ALMA ERRANTE

      
 
Queria voltar mas não posso
Por ver Angola como está
Sem a alma e sem cheiro nosso
Com outra gente que lá há

Gente que por lá não nasceu
Mas vieram de outras bandas
A alma de quem lá morreu
Não descansa e por lá anda

Sem luz para a orientar
A alma se sente perdida
Sua longa busca incessante
Só termina na despedida
Feita com o povo amante.

FIM

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

AVESTRUZ


        

Avestruz porque corres tu!
Por esse deserto sem fim?
Não és nenhum canguru,
Para corres assim!...
No deserto és rainha,
E vês o tempo passar.
Angola também é minha,
Linda terra sem ter par.
O deserto do Namibe,
É terra p’ra se amar.
O cunene lá se exibe,
Na sua corrida p’ro mar.
Avestruz acompanha a corrida,
Com suas penas ao vento,
Por lá procura a comida,
Com o seu olhar atento.
Procura também o povo,
Que em tempos lá viveu,
Encontrar gente de novo,
Como no tempo que nasceu.
O povo já lá não está,
Para lhe dar de comer,
Do pouco que há por lá.
Procura sobreviver,
Com o que o deserto dá.
Sabe o que tem a tremer,
Se o povo não voltar,
Para o deserto reviver.
Sem mais ninguém p’ra amar,
A avestruz vai morrer!...
FIM


AMOR IMPOSSÍVEL



Gostar gosto, mas não posso
Gostar,
De quem gosta, sem poder
Amar.
São teias que o destino tece,
Nas quais, não podemos
Mandar.
Ter o destino traçado,
Cumprindo todo um passado,
Com mil promessa feitas
Num altar.
O presente é assim desenhado,
Sem esperanças de ser amado,
Num lindo futuro que procuro
Achar.
Que destino cruel me foi legado,
Que mal fiz, para merecer,
O triste caminho agora traçado,
Para amar?
Não posso amar, quem quero,
Mas posso gostar, só por
Gostar.
O amor que sinto será eterno,
Guardado numa vitrina só para
Olhar.
Este triste fado, gostar sem poder
Gostar,
Amar eu amo, sem poder
Amar!...
FIM

sábado, 22 de outubro de 2011

SONHO

       


         

Quando sonho contigo
Amor!
Vejo-te aqui ao meu lado.
Teu corpo esbelto emana
Calor!
E sinto o que me é dado,
Com todo o teu amor.
Peço perdão!
Perdão por não te acariciar,
Perdão por não te beijar;
Perdão por não te amar,
Com sofreguidão.
Teus lábios carnudos e ardentes,
Tocam os meus docemente,
Sem hesitação.
Teus beijos húmidos e doces,
Tocam o coração.
Acordo, sem acordar!...
No meu sonho dourado,
Procuro amar!
Toco o meu corpo no teu.
Meus lábios nos teus seios firmes,
Com paixão!...
…Sim, sinto paixão pelo teu
Desejo.
Como um louco, procuro-te no meu
Leito.
Não te encontro a meu lado!
Desespero!...
Sinto frio, mas estou todo suado.
Olho p’ro céu estrelado,
Procurando o teu olhar
Sincero.
As estrelas nada me dizem.
Não te encontram e nada sabem,
A teu respeito.
Pergunto à lua por ti mas!...
Silêncio.
Também aqui não te encontro.
No meu sonho já não te vejo!
Doe-me o peito.
A minha cama está vazia
E o teu perfume não existe.
Desejo!...
Aflito, procuro o teu contacto.
Tacteio com a mão o teu lugar.
Está vazio!...
Acordo na minha cama sozinho.
Desfeito!...
FIM

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

PARAÍSO



             

O contraste da terra vermelha
Com o céu azul,
Associada a uma flora verdejante,
Fazem de África uma beleza
Sem Par.
É assim a minha Angola.
Vista no Sul.
Três tons fortes da natureza,
Que contrasta com a beleza
Do imenso mar,
Mostram toda a beleza
De um País.
O cheiro doce da terra molhada,
Num dia de chuva com Sol,
Condiz,
Com a beleza de mil cores
Do arco-íris que no céu azul
Desponta.
Tudo foi feito à medida,
Por quem o Mundo criou
Como quis.
Talhou o planeta à sua maneira
E confronta,
Angola com o seu paraíso.
Quem ficou a ganhar?
Sem muito pensar, pensa feliz.
De tudo eu vou gostar, mas Angola!
Angola é para amar.
O homem nasceu em África,
Não foi por acaso.
Foi Deus que assim o quis.
Escolher Angola para paraíso
De Adão e Eva, criou o belo
Caso.
Meteu serpente pelo meio,
Castigo.
Por tentarem destruir o paraíso.
Sua descendência de lá saiu,
E o paraíso foi lá deixado.
Abandonado.
Gente lusa o descobriu então,
Fez da terra o seu legado,
E deixou lá o coração.
FIM


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

BEIJA-FLOR

       

Oh! Beija-flor pequenino,
Que sugas a flor a voar,
Vem cá beijar o menino,
E leva-o para o teu altar.

Oh! Beija-flor de mil cores,
Procura voar baixinho,
Recorda os meus amores,
Faz-me sonhar com carinho.

Oh! Beija-flor esmeralda,
Tua cor verde me anima.
Teu voo na noite calma,
Também a mim me fascina.

Oh! Beija-flor escarlate,
Encontra a minha amada.
Tem a cor de chocolate,
Sem ela eu não serei nada.

FIM

ANGOLA É NOSSA




Angola é nossa gritarei!
Quem não cantou este hino?
No país que tanto amei,
Tracei assim o meu destino.

É corpo é sangue da nossa grei!
Tal e qual o hino nacional!
Por Angola também eu gritei,
Pensando sempre em Portugal.

Ter de lutar p’ra não sofrer,
Defendendo a nossa terra,
Ter de fugir p’ra não morrer.

Mágoa e dor então presente,
Provocados por uma guerra,
Criada pela outra gente.
                 II
Quem não se lembra então,
Como lá era imposto,
O culto de uma nação,
E tudo era composto.

De política não sabia,
A juventude angolana,
E da PIDE medo tinha,
Pois podia ir em cana.

De cana é condição,
De quem não tem liberdade,
Sinónimo de prisão.

Que ao povo era imposto,
Sem qualquer legalidade,
Por política sem gosto.

FIM







quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Minha bola de trapo

   
No meu tempo de miúdo
Brincava,
Com uma bola de trapo velho,
Que fazia com muito carinho.
Num descampado baldio,
Jogava a miúdo,
Com bola de meia, ao meu pai
Roubada.
Na roupa que minha mãe,
Com muito carinho lavava.
Eram tempos felizes vividos,
Com a alegria no olhar.
Quando me magoava não dava
Um ai!
E continuava a jogar.
A ferida sozinha sarava então,
Sem grandes cuidados a ter.
Sem reclamar!...
Não havia qualquer aflição,
E a mãe lá não metia a mão.
Que dor!...
A minha bola de trapos,
Feita pela minha mão,
Era linda!...
Os dedos dos pés sangravam,
E grandes topadas nas pedras
Dava.
Sapatos eram postos ao lado,
Servindo de poste de baliza.
Ninguém jogava calçado,
Sola lisa!...
Depois do jogo então,
Levava-se os sapatos na mão.
Pois o campo era mesmo ali
Ao lado.
FIM

Livro de contos infantis


O país encantado do faz de conta é um livro de contos infantis publicado pela Chiado Editora, cuja autoria é minha. Este livrinho, por questões econômicas foi feito apenas com quatro contos e embora seja um livrinho feito a pensar nas crianças, é também uma lição de vida para os adultos, que na maior parte do seu pouco tempo livre, não encontram tempo para brincar com a criança ou simplesmente dar a atenção de que necessitam. Foi uma experiência que poderá ter ou não continuidade dentro do mesmo estilo, embora a vontade do autor, seja o de poder um dia publicar um livro de poemas lembrando a sua terra natal. Angola.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Praia Amélia (Pôr-do-Sol)

       

O mar azul está sereno,
Águas quentes, em noite calma.
O Sol com os seus tons dourado,
Promove um clima ameno.
Trazendo paz para a minha alma,
Na terra com o meu passado.

A praia Amélia é linda,
Sua beleza não tem par.
A foto que nos é mostrada,
É uma beleza bem vinda,
Mostra a beleza daquele mar,
Com a sua lembrança amada.

Um pôr-do-sol tão belo assim,
Não se encontra em todo o lado.
Só em Angola se consegue!
E a todos lembra o seu fim,
Pela perda do bem amado,
E de tudo o que se segue.

Com a saída que se deu,
Da sua boa e ilustre gente,
E depois da chegada estranha,
Daquele que lá não nasceu,
O pôr-do-sol também recente,
A grande dor de quem o ama.

FIM



Fantasmas



       

Com a noite tudo vem.
Fantasmas do meu passado,
Lembram o país amado.
Pesadelos, quem não tem?!...

Com uma vida incompleta,
Que por mim lá foi deixada,
Deixei a pátria amada,
Sem rumo e vida certa.

Oh! Deus da minha loucura!
Porque me fazer tão mal?
Que mal te fiz nesta amargura?!...

Regressar não é meu plano.
Não te quero qualquer mal.
Fico no meu desengano!...

FIM

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

MINHA TERRA, MINHA MÃE



Minha terra, minha mãe, dorme.
Um sono profundo, faz lembrar
A morte.
No alto da serra olho ao seu redor,
Vejo o que vejo, e o que vejo não gosto
Nada.
Rochas escarpadas, despidas de tudo,
Deixam ver o horizonte pela madrugada.
Minha terra, minha mãe, acorda
Do sono profundo.
Colinas sem fim espelham, o horizonte.
Um tom dourado proclama a sua sede.
A chuva demora e tarda em cair.
Só vejo o rio seco que atravessa o monte.
Aves de agoiro que percutam o céu,
Provocam sombras na triste paisagem.
Choro baixinho.
Minha terra, minha mãe olha p’ra mim.
Seus olhos pedem auxílio, mas não diz nada
Calada.
Como todas as mães, sofre pelos filhos.
Da alegria de outrora, não se sente nada.
Silêncio.
Mãe esquecida, fustigada por fortes ventos,
Procura abrigo na noite calada.
O Sol desponta lá por detrás dos montes.
Sua luz doce e quente, beija a terra
Ressequida.
Minha terra, minha mãe, chora.
Tristeza infinita espalhada no rosto
Deixam rolar lágrimas amargas de desgosto.
Ao longe vislumbro um raiar de esperanças.
Raios de Sol, projectam a intensa luz
Da mudança.
A política dos homens promoveu a matança.
Minha terra, minha mãe, sofre.
Dos filhos idos não tem lembranças.
Ao Sol e á Lua, procura por notícias
Ambos dizem que os filhos estão bem,
Estão longe.
Espalhados pelos quatro cantos da terra
Minha terra, minha mãe, sorri.
Os filhos vivos, depressa voltarão.
Não vão esquecer sua mãe cansada.
Esperançada.
Percuta o horizonte, procura um sinal.
Sua vista é fraca e não enxerga nada.
A escuridão na sua vida é total.
Descansa.
Minha terra, minha mãe, adormece.
Sonha com um futuro brilhante.
A chuva não tarda a chegar. Sonha.
No seu sonho, os filhos regressam
Em massa.
Sua alma vive novamente dias felizes.
O sonho acaba; acorda; não vê nada.
A escuridão tomou conta do seu olhar.
Minha terra, minha mãe, cega.
Acaba.
FIM


.

NASCER DO SOL

      

Que coisa mais linda, eu vi nascer.
Vinha repleta de muitas cores.
O Sol no horizonte aparecer,
Trazendo ao Mundo os seus amores.
Raios de luz de um brilho constante,
Procura beijar a terra adorada.
Paisagem bela daquele instante,
Que na retina ficou gravada.

Recordando um bem que está ausente,
O Sol nasce com todo o esplendor,
Olhando o Mundo, procura a gente,
Que lá viveu todo o seu amor,
Deixando lá a sua semente.
Vivendo sempre com a sua dor,
Não encontra a tão ilustre gente,
Que partiu sem levar o calor.

Com as ninfas da terra reclama,
Ausência da sua gente amada.
De longe ouve a voz que o chama,
Apressa os passos da caminhada,
Levando o seu brilho radiante.
Procura o povo que sempre amou,
Como quem procura o diamante,
Com tristeza de quem não achou.
FIM

domingo, 16 de outubro de 2011

PUDERA EU!...

            

Pudera eu!...
Acabar com as mágoas do Mundo,
Eliminar a tristeza.
Com um toque de mágica, apagar o horror.
Pudera eu!...
Voltar ao passado e traçar outro caminho.
Viver na certeza,
Guardar o sentimento do amor profundo.
Pudera eu!...
Esquecer a tristeza vivida na dor,
Acabar com a pobreza,
Regressar ao presente, trazendo carinho.
Pudera eu!...
Terminar com a doença, intensificar o amor,
Punir a baixeza.
Aumentar o conhecimento profundo.
Pudera eu!...
Ir ao futuro prevenir o mal causado,
Levar a beleza.
Poder ter a certeza de estar no  caminho seguro.
Pudera eu!...
Viver num Mundo, onde não houvesse horror,
Cultivar a pureza.
Ignorar o ódio, semente do mal no Mundo.
Pudera eu!...
Acabar com a vil maldade, com o desprimor,
Ter firmeza.
Criar raízes, promover o amor.
Pudera eu!...
Acabar com as guerras, esse mal inundo.
Reprimir a dureza.
A todas as crianças dar sempre carinho.
Pudera eu!...
Fazer com que o homem viva feliz,
Adoptar a delicadeza.
Terminar com tudo que cause dor.
Pudera eu!...
Ter a certeza.

FIM

Pôr-do-Sol

        

Nunca vi coisa mais linda
Ao longo da minha vida
Os locais com tons dourados
Que lá são fotografados

O pôr-do-sol Angolano,
Coisa linda de se ver,
Beleza não é engano,
P’ra quem a procura ter.

Um pôr-do-sol tão bonito,
Que a bela terra tem,
Faz inveja, acredito,
Ao Adão lá no além.

É um belo paraíso,
No Mundo não há igual.
Faz pois perder o juízo,
Mas sem querer fazer mal.

Um Sol assim tão dourado
Amantes procuram ter
Nos braços do seu amado
Sem ter nada que temer.
FIM

sábado, 15 de outubro de 2011

DESTINO TRAÇADO




Viana, do Castelo assim chamada,
Cidade do meu encanto,
Aqui poisei sem trazer nada
E em Angola ficou lá tanto.

Do Mundo então descoberto,
Com conquistas aos reis infiéis.
Cheguei com o peito aberto,
Salvando dedos e meus anéis.

Em Lisboa poisei de avião,
Vindo d’Àfrica que muito amava.
Recebi tostões como consolação,
Pelos bens que por lá deixava.

Em Albufeira fui colocado,
Num hotel juntinho ao mar;
Sem trabalho e dinheiro contado,
Procurei terra para me fixar.

Procurando trabalho em vão,                                             
O destino era muito incerto.
Todos me respondiam então,
Procura no norte trabalho certo.

Um mapa pedi e estudei,
As cidades do país belo.
Bem a norte então encontrei,
A linda Viana do Castelo.

Aqui fixei minha residência,
Procurando esquecer o passado.
O ensino a minha proveniência
De Angola já estava acabado.

Sem curso superior então,
Era este o meu triste fado,
Mudei pois de profissão,
Fui trabalhar para o Estado.

De professor para polícia,
Foi um passo de burro dado.
Salvou-me pois a perícia
E o muito que fui amado.

Os meus filhos por cá nasceram,
Viana, cidade do meu encanto.
Os meus pais por cá morreram,
E o meu fim será neste canto.


Assim foi o destino traçado,
Do português ultramarino;
Por quem nos tem governado.
E por baixo aqui assino!
Sem ter medo por ser verdade,
E dito sem qualquer maldade.
Por quem a Portugal já muito deu,
E o seu passado nunca esqueceu.

FIM

SER ANGOLANO -(Sangue Negro)



Que culpa tenho eu por ter nascido,
Num lindo país da África negra.
Ser Angolano é pois o meu fado,
Fado triste que parece castigo.
Por não ter a cor que por lá é regra,     
A cor do carvão para ser amado.

A mulher negra ao meu lado chora,
Sua lágrima rola pelo rosto.
Seu filho branco está de partida.
Sua mãe negra também foi embora.
Amargo sabor que trás o seu gosto,
Pela dor que é agora sentida.

Seu sangue analisado será,
Num belo dia de primavera.
P’ra doar ao branco que se magoou,
E que tem o seu sangue igual ao dela.
Com grande dúvida perguntará,
De que cor o sangue do branco era.
É igual ao que agora doou!...

Então qual a diferença afinal?
Pergunta a negra pró doutor então!
Se os sangues são iguais! Qual o mal?
Foi a sua pergunta feita em vão.
Ninguém sabia que resposta dar,
Para a negra que só queria amar.

FIM



sexta-feira, 14 de outubro de 2011

AMOR


             I
Amor é tudo o que sente,
O amante destemido.
É fruto que põe semente,
Na flor do bem-nascido.

Quem ama o bem se alegra,
Da vida que tem levado.
O mal ali não penetra,
Por ser lar bem guardado.

Amor é escudo invisível,
Do casal enamorado.
Escudo e também seu nível,

Que orienta as suas vidas,
No rumo emaranhado,
Da juventude perdida.
               II
O amor também é arte,
É pesada recordação.
Alma daquele que parte,
Deixando o seu perdão.

É fruto amargo ou doce,
Conforme a condição.
Tomara que doce fosse,
Em qualquer ocasião.

Amor é espírito presente,
É cheiro do nosso ar,
É calor que se consente.

É aconchego constante,
Nas lindas noites de luar!
A presença do amante.

FIM



quinta-feira, 13 de outubro de 2011

PASSARINHO

          

Quero cantar como um passarinho,
E ser livre na noite calada.
Para oferecer este belo ninho,
Cantando hino à minha amada

Passarinho, que cantar tão belo!
Que eu oiço pela madrugada.
Vem pois cantar aqui p’ro meu ninho
Traz a música, sê o meu elo
De ligação com a minha amada,
E traz também todo o seu carinho.

Não mates a tua bela musa,
Que poetas outrora mataram.
A minha mente não está confusa,
Por amar o que outros amaram.

FIM

SENTIDOS E SABORES


I
Minha terra tem sentidos,
Árvores de frutos também.
Tem tempos que já são idos,
E fruta que de lá vem.
Tem manga, maracujá,
Terra vermelha contém.
Palmeiras com dendem há,
Com os seus esquilos também.
De tudo o que há por cá,
Boa gente de lá vem.
Procuram com os seus sentidos,
Lembrar Angola também.
Dos tempos que já são idos,
Também se recorda bem,
Dos tempos que lá viveu,
Recorda o cheiro que vem,
Da fruta que lá comeu,
Anona, caju, dendem
A luta que lá viveu
O amigo que morreu.
II
Tem esteiras e missangas,
Mulheres com seios nus.
Mamão, goiaba, mangas,
Embondeiros e cajus.
Noites de luar sereno,
Musseques e as cubatas,
Fazem o perfil moreno.
Tem picadas à maneira,
E chuva com muito Sol.
Terra vermelha e poeira,
Bombom, café, girassol.
Muamba como ninguém,
Prato típico de lá,
Que Angola também tem,
E gindungo também há.
Com sentidos e sabores,
Fruta da mais variada,
E flores de várias cores.
É tudo da terra amada,
Sabores e seus odores.
FIM

MULHER



Mulher linda que estás à janela,
Com o teu lindo lenço de seda.
A sereia canta, foge dela!
Que a fama por bela, é azeda.

Procura num outro cantar,
O teu companheiro seguro.
A beleza que tens p’ra dar
Está no teu amor mais puro.

A mulher tem a alma bela,
Seu encanto é um primor.
Procura fazer uso dela!...

Com teu jeitinho para amar,
Dona da arte do amor!...
És senhora do meu altar.

FIM

REFÚGIO DOS MEUS AVÓS




O cheiro da terra molhada
Levanta os odores fortes
Da terra vermelha amada
E de toda a sua sorte

Sorte não teve o povo
Com a guerra que surgiu
Criar um Mundo novo
P’ra outro lado seguir

Angola terra adorada
Refúgio dos meus avós
Terra p’ra sempre amada

Sua gente de lá saiu
O povo não tinha voz
O mundo todo ruiu.

FIM

O RIO

             

O rio que corre sereno
Águas calmas por cima vão
No fundo galga o terreno
Com as voltas que elas dão

Talvez o rio se acalme
Em terras mais alargadas
Provoca com seu alarme
Corridas inacabadas

As dores que o rio sofreu
Para chegar ao seu destino
Galgou montes e tudo deu
Percorreu o seu caminho

Para chegar ao Mar aberto
Procurou outro caminho
Talhou pedras aqui por perto
Desaguou com todo o carinho

Sua água no mar entrou
Provocou ondas de calor
As areias do mar amou
Vivendo um grande amor

O rio assim morreu
Sem sentir a grande dor
Caiu nos braços do Morfeu
E morreu com o seu amor

FIM