Acerca de mim

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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

sábado, 31 de dezembro de 2011

ESPERANÇA



Vamos todos ter esperança,
O ano par é bom agoiro,
O vento que traga a mudança,
E que o ano seja de oiro.

É nisto que eu quero crer,
A fortuna que o povo cri,
Servir para poder vencer,
A crise que já vai tardia.

Para bem longe de Portugal,
Deixar a Europa da união,
Onde causou imenso mal.

Que a Tróia esteja de saída,
E que nos peça muito perdão,
Por ter perturbado a nossa vida.
FIM
Carlos Cebolo

ENGANOS E DESENGANOS

           
 ENGANOS E DESENGANOS
   (Uns versos para reflexão neste final de ano)

Dia cinzento de chuva, querem impedir a minha ida.
Procuro um outro conforto, no meio que me rodeia
E em tudo o que procuro, aguardo a tua vinda.
A chuva gelada que me molha o rosto, não me impede
De ver ao longe a tua silhueta, esbelta e alegre.
A esperança renascida no meu coração, afaga a minha dor
E relança nele, a lembrança do meu grande amor.

Esperançado, escrevo teu nome na areia,
Procuro na linda praia todo o conforto.
A sereia que no meu sonho ilustra o teu lindo corpo,
Mostra bem, a semente da discórdia que semeia.
E tu? Musa dos meus encantos que adivinhas o pensamento,
Todo este meu sofrer, sem sofrer, por sofrer este momento?
Toda esta triste desventura cobres com o teu belo canto,
Procura com o teu cantar, acalmar este meu pranto.

A sereia que bem conhece a alegre melodia de encantar,
Encanta com o seu maligno cantar, os pobres corações
Dos aventureiros que iludidos, procuram amar.
A bela canção que lhes provoca lindas recordações,
Não deixa de ser mentira informal e ratoeira mortal,
Para quem se deixa embalar numa ilusão então sentida,
Na esperança do seu grande amor, encontrar outro igual,
E na enganadora sereia encontrar a pessoa querida.

FIM
Carlos Cebolo


sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

DESFLORADA



As pétalas da minha flor,
Dei-te com muito agrado,
Arrancaste uma a uma sem dor,
Descobriste o meu pecado.
A flor desflorada ficou,
Sem pétalas perdeu a cor,
Seu bom perfume exalou,
Direito ao lindo beija-flor.
Beija-flor leva o meu néctar,
Entrega-o ao meu amado,
É um bem que ele vai gostar,
Se quiser ser meu namorado.
Voa, voa, belo beija-flor,
Vai àquele país distante,
Procura por lá meu amor,
Faz este meu dia radiante.
O dia ainda está cinzento,
O inverno é um frio cortante,
Aquece este doce momento,
Faz do inverno, verão constante.
FIM
Carlos Cebolo



quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O MEU PULSAR

     

No silencio da noite escura,
Oiço o teu suave caminhar.
Buscas uma vida que é tua,
Neste eterno borbulhar.
Tua imagem vislumbro na noite,
Na praia dos meus encantos,
À espera que a maré volte,
E traga com ela os teus prantos.
Desse Mundo de ilusão,
Pegadas na areia em vão.
Procuro para me orientar,
Para tomar uma decisão,
E poder voltar a amar.
Teus lábios ardentes procuro,
Para acabar com este tormento,
Fazer luz, neste mundo escuro,
E viver o belo momento.
No silêncio da noite calada,
Espero a alvorada chegar,
Não quero pensar em nada,
Que me faça depois chorar.
Aguardo o teu belo olhar,
Como a luz da lua brilhante,
Que molda o teu esbelto corpo,
Dando brilho ao diamante,
Para te servir de conforto.
Guardo o teu belo retrato,
No armário do meu pulsar,
È uma peça de fino trato,
Que me lembra o teu olhar.
O meu pulsar trago no peito,
Como se fosse uma fina-flor,
Que se cuida com muito jeito,
Guardando lá todo o amor.
No pulsar tenho recordações,
De tudo que algo me diz,
Juntamos os dois corações,
E vivemos um momento feliz.
FIM
Carlos Cebolo



terça-feira, 27 de dezembro de 2011

INCUMPRIMENTO

    
                    I
Foi pedir à Senhora da Graça,
Que lhe dê uma protecção.
Para vencer a sua desgraça,
Trazendo paz ao seu coração.

A desgraça que lhe foi dada,
Por não ter cumprido a promessa,
Que fez à sua namorada,
Depois que a deixei à pressa.

Prometeu voltar em breve,
Com promessa de casamento,
Mas da sua promessa fez greve.

Arrependido então ficou,
Por tão rude esquecimento,
Ter deixar quem muito amou.
                    II
Senhora da Graça ouviu a prece,
Que fez com grande devoção.
Concedeu aquilo que merece,
Ao malandro que não tem perdão.

Voltou à capela o infeliz,
Renovando a sua promessa.
Prometeu tudo o que quis,
A Santa não foi na conversa.

Uma promessa de casamento,
Feita num altar sagrado,
É promessa de sentimento.

A namorada confia então,
E aceita com muito agrado,
A promessa de um coração.
FIM
Carlos Cebolo


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

DESGOSTO



Um canto,
Uma flor,
Um perfume,
Doce pranto,
Ciúme!...
Teu cheiro respiro.
Respiração profunda,
Suspiro!...
Desejo teu corpo esbelto.
Força invisível,
Mantém por perto,
O som do teu pranto.
Sensível…
Tua mão tremula aperto,
Vejo o teu encanto.
A flor que trazes no peito,
Visível.
Doce carícia.
Toco teu rosto,
Limpo a lágrima teimosa,
Sentes-te perdida.
Pensamentos profundos,
Assaltam a tua mente
Formosa.
Paixão ardida,
Retoma a chama.
Viajar por outros Mundos,
Uma aventura somente.
Teimosa!...
Alma vencida,
O corpo reclama.
Na imensidão do teu ser,
Uma canção pedida a gosto.
A flor que não queres ter.
Outro desgosto!...
Esperança de uma aventura,
Que te traga ternura.
Respeito!...
Fim
Carlos Cebolo

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

BORBOLETA

          
Por mim passou uma borboleta,
Com o seu ondular colorido,
Poisou na rosa, jasmim, violeta,
No malmequer do jardim florido.
Borboleta porque voas assim,
Sem destino certo pensado?
Não vês que provocas em mim,
Lembranças do meu amado?
Meu amado p’ra guerra foi guerrear,
Deixando-me aqui sozinha,
Sem ter alguém para amar,
Que triste sina a minha.
Traz-me o perfume da rosa,
Do malmequer e do jasmim!...
Óh minha linda mariposa,
Tem um pouco pena de mim.
Leva-me nas tuas asas,
Para junto do meu amado,
Procura em todas as casas,
Notícias do meu passado.
Lembras-me com o movimento
Que fazes com o teu voar,
As ondas do mar no silêncio,
Da noite de belo luar.
Da praia distante que ficou
No mundo que já foi meu,
Do tempo que já passou,
E o momento que não morreu.
Minha terra amada distante,
Não me atormentes assim.
Teu chamamento constante,
Ainda dá cabo de mim.
A guerra que nos separou,
Não foi tão ruim assim,
O meu amado voltou,
E já está junto a mim.
Obrigado borboleta linda,
Por me fazeres feliz assim!...
Mesmo longe da terra querida,
Não te esqueceste de mim.
Fim
Carlos Cebolo



quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

INVERNO


        
                   I
O manto branco cobre a serra,
O inverno chegou por fim.
Trás a beleza que se espera,
E alguém que gosta de mim.

Trás um cachecol vermelho,
No seu pescoço moreno.
Um casaco de pele de coelho,
Cobre o seu corpo sereno.

Procuro no seu rosto um olhar,
Com um convite sedutor,
Que me dê esperanças de amar.

À noite no calor da lareira,
Entrego-lhe o meu amor,
Sonhando a noite inteira.
               II
De manhã ao acordar,
Com ela nos meus braços,
Procuro de novo amar,
Cobrindo-a com os casacos.

A lareira quase apagada,
Diminui o calor do quarto.
O calor dos corpos agrada,
A quem não se sente farto.

A bela neve lá fora cai,
Mantendo tudo branquinho.
O quente sol no alto já vai!...

Procuro o meu amor deitado,
Acordo-a com muito carinho,
Nos lábios um beijo dado.

                FIM
Carlos Cebolo


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

VOAR COM O PENSAMENTO



Queria voar com o pensamento,
Conhecer as mágoas do Mundo.
Viajar ao sabor do suave vento,
Conhecer o lugar mais profundo.
Fazer do universo meu eterno lar,
Procurar nova definição de amar,
Ver se a pobreza é toda igual,
Se em qualquer lado há Natal.

Queria viajar em todos os tempos,
Poder saborear os belos momentos.
Pensar que no Mundo não há fome
E em todo o lado a criança dorme,
Com a barriga cheia de alimento,
Amado com verdadeiro sentimento.

Viajar ao sabor do vento sem destino,
Continentes, mares, países conhecer,
Levando a palavra do Deus menino,
Dar a boa nova a quem dela carecer.
Mostrar que a esperança aqui reside,
No coração de quem, com ela vive.

Nos lugares que no sonho visitei,
Vi em todos, pobreza desigual!
Na China, no Japão tudo amei,
Na Europa, no ocidente há Natal!
Na Índia e em África então chorei,
Pobreza como esta não há igual.

A pobreza em África mata crianças,
Que não pediram para nascer.
Procuram pão com grandes ânsias,
Matar a fome para não morrer.
Queria fazer do Mundo o eterno Natal,
Em todo o lado não haver qualquer mal.
FIM
Carlos Cebolo




segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

LIVRE ARBÍTRIO

       

Nesta data que se quer festiva,
Sinto a minha alma com tristeza.
Aguardo com ansiedade a missiva,
Que faça da minha dúvida certeza.

Se o Criador existe na divindade,
Criada por nós humanos,
Então que fomente a verdade,
Na mentira que nós criamos.

Poder, justiça injusta criada,
Nos meandros da roda-viva,
Igualdade há muito adiada,
Nos seres com a mesma dádiva.


Olha por nós óh Senhor da verdade!
Corrige urgente a vil injustiça,
No Mundo que criaste com igualdade.

O livre arbítrio por Ti criado,
Para praticar a Divina justiça,
É um presente inalcançado.

A mente humana é perversa,
Contra os teus ensinamentos vai,
O livre arbítrio é só conversa.

Para quem procura o poder,
Contra os ensinamentos do Pai,
E ao diabo não quer temer.
FIM
Carlos Cebolo





EMIGRANTE PORTUGUÊS



Querem levar um pouco de nós
Ao Mundo que descobrimos
Lembranças dos nossos avós
Com tudo o que sentimos

Emigrante da minha terra
Obrigados a sair do país
Por cá só encontrar miséria
E governantes de mau cariz

Os homens que te governam
Sem tino e patriotismo
Pena de ti não tiveram
Mas aceitam o teu conformismo

Deixaste a pátria afinal
Para viveres com dignidade
Longe da terra natal
Sentindo grande ansiedade

Deixastes as coisas que tens
Em Trás-os-Montes ou no Minho
Das beiras e Alentejo vens
E do país levas carinho

Para as terras do Mundo foste
Sempre de cabeça erguida
Com trabalho fizeste a sorte
Para voltar à terra querida

Mostrar as novas ao Mundo
Como anteriormente fizeste
Cruzar mares e abismo profundo
Por terras e deserto agreste

Da Austrália ao Canadá
Em África ou não Japão
Emigrantes que por lá há
Trazem Portugal no coração.
FIM
Carlos Cebolo



sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

DEUSA DO AMOR



Meu corpo feito de água,
Não gosta da chuva fininha.
No inverno cheio de mágoa,
Foge da neve que se adivinha,
Pede aconchego dum abraço,
Procurando um fogo que é teu.
E sem qualquer embaraço,
No teu Mundo se aqueceu.
Procuro o amor que senti,
Ao colar meu corpo ao teu,
As sensações que então senti,
Num fogo que não ardeu.
Pedi à deusa mais do que devia,
Afrodite chorou por mim,
Por não me dar o que lhe pedia,
Fazer do teu não um belo sim.
A deusa com pena de mim,
No teu corpo então entrou,
Fez do teu não o desejado sim,
E o meu corpo acariciou.
Despiu a túnica vermelha,
Que trazias sobre o corpo,
Ao meu lado se ajoelha,
Dando-me um belo conforto.
Teu corpo nu me fascina,
Olho teus olhos sem pestanejar,
Toda a minha alma se ilumina,
Com o amor que vejo no teu olhar.
Na noite fria de lua cheia,
Com o fogo da lareira a crepitar,
Sinto o sangue ferver na veia
E o coração pronto para amar.
O inverno torna-se ameno.
Vislumbro em ti o eterno altar,
Formado pelo teu corpo moreno.
À deusa dirijo minhas preces,
Ciente do seu grande valor,
Ela despe as minhas vestes,
E amamo-nos com todo o amor.
Lá fora a chuva parou,
Contemplando o sonho meu,
A lua cheia também chorou,
Fazendo do meu encanto o seu.
A Zeus, cobriu com um véu,
Ocultando-o com toda a perícia,
P’ra Afrodite subir ao céu,
Escondendo a sua malícia.
FIM
Carlos Cebolo

FELIZ NATAL


(Desejo aos meus amigos e amigas um Bom Natal)
    FELIZ NATAL

Um sonho feliz sonhado,
Com carinho e muita paz,
Com um sentido integral.
Com pão e carinho somado,
E tudo o que formos capaz,
Neste eterno Natal.

Que deixe de haver sofrimento,
Das crianças que vivem o momento,
Com grande dor e opressão,
Numa imensa solidão,
Sem qualquer alegria,
Por lhe faltar companhia.

Que o Deus menino nascido,
Nas palhinhas entre animais,
Lhes traga o bem merecido,
Ter pão, amor e muito mais,
Ter esperança e recíproca amizade,
Num Mundo de fraternidade.

Se todos nascemos iguais,
Num Mundo que nos é querido,
Que todos os dias sejam Natais,
Lembrando o menino nascido,
Que nos ensinou o perdão,
Utilizando o coração.
FIM
Carlos Cebolo


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

MEMÓRIAS


      

Quando era miúdo, pensava!
Que tudo se resolvia então.
Bastava arranjar uma desculpa,
Para obter um perdão.
Uma fisga no bolso dos calções,
Pedrinhas redondas no bolso,
No pensamento recordações,
Dum tempo que se vivia solto.
O ponteiro do tempo não parou,
A vida seguiu em frente,
O tempo passado não voltou!
A idade é agora presente.
Na penumbra do meu quarto
Oiço as horas passar,
Corpo presente, alma solta.
Tudo que no pensamento guardo,
Acordado não quero lembrar!
A dormir o passado volta,
Lembrando o meu legado,
No silêncio do meu quarto.
Dedos ágeis tangem as teclas,
Do Kissange que oiço tocado.
Som que recordam mesclas,
Que lembram a terra amante,
Mistura de sangue constante.
Vêm-me à memória montras vagas,
Terra vermelha em caminhos pisados,
Planos ou terminados em fragas.
Rios, vales e montes imaginados.

FIM
CARLOS CEBOLO
Léxico Angolano
Kissange – Instrumento musical



terça-feira, 13 de dezembro de 2011

VAGA LUME

     
 VAGA LUME

Para ti abro o meu coração,
Deixo-te tocar a minha alma.

Ouve o som da minha canção,
Nesta bela noite calma.

Mostra-me a luz da esperança
Nesta triste noite escura,
Com a tua luz, mostra-me a confiança
E a alegria que se procura.

Para ti amor, busco a lua!
Encontro estrelas de encantar!
Canto a linda canção que é tua,
Na esperança de te voltar a amar.

És o vaga-lume que me orienta,
Pelos caminhos que procuro andar.

És a luz, o calor que me esquenta,
Nas noites frias do meu caminhar.

Vaga-lume!
Dá-me a tua luz!...
Afasta de mim este tormento,
Ilumina-me como é teu costume.
Tira de mim, o peso da cruz!...
Faz-me viver outro belo momento.

Carlos Cebolo
 
    


domingo, 11 de dezembro de 2011

É NATAL

      

É Natal.
Repicam os sinos santos.
Cânticos sagrados cantados,
Ouvem-se em todos os cantos.
Prendas e bons votos trocados,
Recordam o Deus menino nascido.
O Deus Sol iluminado,
Em tempos que já são idos,
O menino não foi mimado.
É Natal
Festas, luzes de muitas cores,
Convidam ao consumo desenfreado,
Os brinquedos sãos uns amores.
Enquanto tudo se consome,
Crianças morrem de fome.
É Natal
Um pinheirinho na sala montado,
Com bolinhas de muitas cores,
Procuram esquecer os coitados,
Que sem pão, passam horrores.
É Natal
Jesus escolheu a pobreza,
Para ao Mundo se anunciar.
De uma coisa tinha a certeza,
As crianças são para amar.
Crianças de todo o Mundo,
Sem qualquer distinção,
Procuram bem lá no fundo,
Amar o seu irmão.
Rico, pobre ou desgraçado,
A criança é um bem precioso.
Necessita de ser amado,
Por um processo zeloso.
É Natal
Os jovens chamam a atenção,
De quem tem o poder,
Para olhar pelo seu irmão,
Que com fome está a morrer.
È Natal
Nasceu o Deus menino,
Relembrem os pensamentos,
Que nos deixou com carinho,
Parábolas com sentimentos,
Que nos mostram o caminho.
É Natal!...
FIM




terça-feira, 6 de dezembro de 2011

CIDADE DE ANGOLA




Que mágoa!
Que desilusão!
Que tristeza!...
À força das armas fizeram-me emigrante
Fora da minha terra, sonho com ela.
Mas penso!...
O que penso me anima.
Mais vale viver fora de cabeça erguida
Do que de joelhos na terra querida.
Oiço notícias!...
Leio apoios e criticas!...
O que leio!...
O que vejo!...
Não gosto!
Vejo miséria pelas ruas,
Crianças com fome quase nuas!
Meninas que alugam o corpo, Não por querer!
Mas para terem algo que comer.
Jovens que desde muito novos, sentem o sufoco
De uma vida cedo inacabada.
Senhores com muito dinheiro somado,
Riquezas do povo, pela terra dado.
Pergunto por ti, minha cidade?!...
…Onde estás que não te vejo?
Quitandas espalhadas pelo chão, mostram a miséria
Dum povo que luta nas desigualdades da sua terra.
Peixeiras e quitandeiras sentem a idade passada
Por uma vivência atribulada.
Cansadas!...
Onde paras cidade dos meus encantos?
Olho à tua volta e nada vejo de saudável.
Musseques fervilham ao teu redor
O que outrora foste cidade amável
È hoje um enorme nicho sem pudor.
Nas grandes avenidas oiço prantos!
Crianças que choram sem pão.
Órfãos duma situação por eles não criada
Estendem ansiosos a fria mão,
À espera que lhes caiba alguma dádiva.
Viúvas que nunca casaram
Olham a terra que muito amaram
Onde estás minha cidade?!...
Para onde foste?
Tua presença física vejo despida no ar.
Tua alma deixou de poder sonhar.
FIM



segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

TRAMA


           
Teu rosto sereno me atrai
Troco o meu olhar com o teu
Vejo uma lágrima que cai
No silêncio que perturba o céu

Abraço-te forte sem nada dizer
Afago teus cabelos com a mão
Sinto todo o teu corpo estremecer
Acelerando o sangue do coração

Pancadas fortes no peito sinto
Beijo teus lábios, sinto o teu gosto
Os gestos dizem que não minto
Enquanto limpo a lágrima do rosto

Sentires, sentidos presentes
Todo o teu corpo reclama
A força que em mim sentes
Ao acender a tua velha chama

O amor está no ar à nossa volta
Ambos sentimos imenso desejo
Um profundo suspiro se solta
Nossos lábios, unidos num beijo

A suspeita dúvida acabou por fim
Se dúvidas chegaram a existir
Pormenores do não que quer ser sim
Nos amantes que não sabem mentir.

FIM

AGOSTINHO NETO

   
Quem matou Agostinho Neto?
Lutador, poeta sonhador!
Tinha o país como certo,
Depois da reunião em Alvor.

Tentou virar para o Ocidente,
Uma política de maior valor,
Foi chamado ao apoio Oriente,
Apagado sem sentir grande dor.

Que triste fim teve o poeta,
Pai da rica Nação Angolana,
Da presidência tida por certa,
Morreu por não seguir Havana.

Ainda hoje não se conta a história,
Do grande camarada doutor!
A sua luta tornou-se inglória,
Perdendo todo o seu imenso valor.

Apareceu um tal Eduardo,
Não se sabe saído de onde.
Tomou conta do rico legado,
Ditador que não se esconde.

Rodeou-se de fortes exércitos,
Afastou todos os concorrentes,
Tomou o leme com seus acólitos,
E ao povo meteu correntes.

À família deu a economia,
Ao povo miséria esquecida.
O país que não merecia,
A perda da gente querida.

Do país civilizado e próspero,
Destruiu toda a estrutura.
Governa em proveito próprio,
Deixando o povo na amargura.

FIM



domingo, 4 de dezembro de 2011

TUDO NA MESMA

       
TUDO NA MESMA
           (Ou pior ainda)
(Depois de ver o canal Odisseia-Povo Angolano)
(Dia 04 de Dezembro de 2011 – às 13H45)

A canga feita para usar em animais,
Em tempos foi usada no homem!...
Usado como pretexto e nada mais.
Fracas ideias que então consomem.

Na cor da pele um pecado enorme,
Viam neles animais sem alma.
Não considerando seu conforme,
Tendo mãos com a mesma palma.

Tempos tristes e conturbados,
Homens sem qualquer instrução,
Faziam do negro seus escravos,
Olhando à pele e não à razão.

Povo angolano meu irmão,
Viveu todo este martírio.
Maus tempos que já lá vão!...

Pensava-se a humanidade evoluída,
Depois de séculos de retiro,
Em África minha terra querida.

Apenas o dono mudou a cor!...
E com uma canga apertada,
Ao próprio irmão provoca dor,
Com a riqueza não partilhada.

Minha terra linda de mil riquezas:
Petróleo, ferro, ouro e diamantes,
É apenas para quem tem esperteza,
Deixando o povo, pobre como antes!

Para quando o revolução do povo,
Conquistando a liberdade plena?!...
Não queiram ser escravos de novo,
Viver sem liberdade não vale a pena.

FIM


sábado, 3 de dezembro de 2011

FADO


                

Um soneto de bom silêncio,
Mostra as mágoas dum fado,
Que na guitarra tira o lamento,
Por estar triste e desesperado.

Canta as tristezas dum povo,
Cansado de tanto sofrer,
O povo lamenta de novo,
Todo um velho padecer.

Música triste apaixonada,
Fala de almas perdidas,
De tramas emaranhadas.

Da grande dor da vida perdida,
Poetas cantam a dor da alma,
Com pouca luz na noite calma.

FIM

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

CALEMA DE MARÇO


   

Vejo a onda enorme vinda do mar!
Caravelas brancas cavalgam sobre ela,
Com ânsia da praia poder abraçar
E nela soltar a sua bela alva vela.

É a calema do revolto mês de Março,
Com suas ondas envoltas em espuma.
Procura envolver a praia com seu abraço,
E toda a sua rude fúria se esfuma.

São sonhos lindos então sonhado,
Pela amante sôfrega de emoção,
Cheia de luz com grande fascinação,
Pelo corpo e esplendor do ser amado.

Na espuma da onda vê o seu sorriso,
Nas águas turbulentas o esplendor
Do grande amor, embora sofrido,
Com atitudes que lhe provocam dor.

O seu mar interior está revolto,
Tristeza infinita espelha seu rosto,
Seus lábios mostram desgosto!
Deixando escapar um choro solto.

Escoa-se rapidamente primavera da vida,
A juventude renova-se com a experiência,
Na vivência do seu ser sente-se querida,
O Outono que se aproxima traz consciência.

Sabe que no universo do tempo terreno,
A vida humana apenas vale um segundo.
Tempo ínfimo não pode ser enfermo,
Guardando todas as mágoas do Mundo.

A calema expulsa as mágoas do mar,
Liberta toda a sua maléfica energia.
Acalma as suas águas prontas para amar,
Abraçando a bela praia com alegria.

A amante sossega então todo o seu sofrer,
Nos braços do seu amor procura renascer.
Prolongar uma vida agora mais madura,
O Outono da vida que para sempre perdura.

FIM

terça-feira, 29 de novembro de 2011

ANJO DA GUARDA



Na noite escura do meu tormento,
Procuro o anjo que me guia.
Teu coração ouve o meu chamamento,
Aquecendo o meu na noite fria.

Teu corpo e lábios de candura,
Poisam suavemente nos meus,
Mostrando em mim, toda a tua lisura,
Juntando os meus gemidos aos teus.

Como suportar todo este amor ardente,
Que sinto nas minhas entranhas renascer!
Sempre que vejo a bela estrela cadente?

Sinto a minha alma leve, levitar,
Em direcção  ao incerto infinito,
Navegando nesse teu imenso mar.

Valei-me meu anjo da guarda,
Nesta triste noite sem luar!
Levai-me para a minha amada,
Não me proíbas de poder amar.

Meu amor é como o templo celestial,
Onde as estrelas têm o seu belo lar.
Por lá, a beleza não é imoral
E o belo, a lua convida a amar.

Aos amantes dá todo o seu aval,
E o anjo guarda o mais precioso,
Não vendo no amor qualquer mal.

Nesta noite escura sem luar,
As estrelas intensificam o brilho,
Dando à noite, beleza para amar.

Recebo com agrado a tua candura,
Tua juventude e amor partilho,
Fazendo de ti uma mulher madura.

FIM