Acerca de mim

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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

sexta-feira, 29 de abril de 2016


ESPERANÇA

À soleira da sua alma, abre a persiana da esperança,
Percorre aqueles caminhos espelhados de pura dor,
E o seu olhar se perde na fragrância daquele amor,
Ainda cheio de emoção sentida nessa mudança.

Abre a janela de par em par daquela solidão,
Para deixar entrar essa fresca aragem do sentimento,
Que a esperança transporta consigo naquele triste momento,
Firmando a realidade sentida naquela ocasião.

Ao respirar, sente a alma aquela alegria de viver,
Na procura de olhar aquele horizonte de saudade,
Que a transporta neste voo de uma nova realidade.

Sente no peito aquele calor de um novo sol a nascer,
Que ilumina a soleira da alma aberta na perfeição,
Deixando aquela quente luz, entrar no seu coração.

Carlos Cebolo
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quinta-feira, 28 de abril de 2016


SORRISO

Há!... Esse teu sorriso seguro e encantador,
Enche a alma de um tempo, sem tempo no seu perder,
Sorriso floral, aberto que despreza a dor
Na ternura dos teus lábios, voltar a viver
Aquele sonho que conforta todo o grande amor.

Doce ternura do teu sorriso, branca flor,
Pétalas vivas, soltas da tua fresca boca,
De um perfume de aromas silvestres, sua cor,
Arco-íris floral que a natureza provoca,
Nesse teu doce sorriso que irradia amor.

Encantador sorriso de uma alma selvagem
Que contagia a própria flora da natureza,
Desse teu beijar de bela e fina linhagem
Que do teu corpo, se formou com toda a certeza,
Com esse amor que agora presto vassalagem.

Esse sorriso brilhante de moça madura,
Lábios quentes e doces, de vibrante mulher,
Numa fresca aguarela de incessante ternura,
Sempre predisposta ao amor, quando ele vier
E desfolhar num quente beijo, toda a doçura.

Carlos Cebolo
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FIOS DE SEDA

O invisível querer da alma,
Um grito silencioso,
Sem querer ser precioso,
A mente que se acalma.

Fios imaginados,
Seda pura do Ser,
Prende a alma no viver
E junta os seus bocados.

Sentir a liberdade,
No dormir, o lamento
Ao sabor daquele vento,
Que disfarça a igualdade.

No sonho a sensação,
No sentir solitário,
Guardado nesse armário,
Chamado coração.

Carlos Cebolo
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terça-feira, 26 de abril de 2016


DEIXEM-ME SÓ NESTE LAMENTO

Deixem-me só, neste lamento,
Deixado pelo vendaval,
Neste meu triste roseiral.
Deixem-me só, neste tormento.

Deixem-me só, com esta dor,
Para muitos desconhecida,
Na tristeza da alma escondida.
Deixem-me só, neste pavor.

Deixem-me só, colher espinhos,
Da rosa bela que desliza,
Que acaricia como a brisa,
Neste vendaval sem carinho.

Deixem-me só, com esta pena,
Tristes quimeras que a alma implora,
Seco outono da verde flora,
De uma vida que foi serena.

Deixem-me só, com o sofrimento,
Com esta juventude perdida,
Num tempo sem tempo de vida.
Deixem-me só, no meu lamento.

Carlos Cebolo
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CHEGARÁ A PRIMAVERA?

Neste encantar da mãe Natureza,
Com seu Abril nem sempre florido,
Um mundo encantado de beleza,
O povo que continua ferido,
Sem futuro na sua certeza.

A primavera surge afinal,
Nesta natureza que a criou,
Num Abril com seu ponto final
Na esperança de quem Abril amou,
Sem se libertar do grande mal.

Vingou no poder a incompetência,
Com políticos fortes na fraqueza,
Mentores de fraca consciência,
Mostrando ao povo ter firmeza,
Fazendo da corrupção, ciência.

E por Maio, espera a primavera,
Primeiro cantar da liberdade,
Da liberdade que o povo espera,
Ver surgir a tal fraternidade,
No tempo que passa e desespera.

E esse Abril que passou sem chegar,
Que chegue ao povo seu bom mentor,
Que apenas pretende trabalhar,
Ganhando o justo por seu labor,
 No país que é seu e quer amar.

Carlos Cebolo
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sábado, 23 de abril de 2016


A Joaninha e a Fada Flor

Num lindo dia de primavera, nasceu um pequeno insecto arredondado que não tinha cor; era transparente.
O pequeno insecto andava de flor em flor, mas sempre escondido, pois os outros insectos gozavam com ele, chamando-o de albino.
O pequeno insecto via à sua volta lindas borboletas com várias cores, gafanhotos verdes e alaranjados, grilos de uma cor negra lustrosa e muitos outros insectos lindos, mas só ele é que não tinha cor.
A fada flor, que é a rainha da primavera, vendo que o pequeno insecto andava triste, perguntou o que ele sentia. Qual a razão de andar sempre triste a chorar?
O pequeno insecto com lágrimas nos olhos disse que não gostava da primavera.
Não gostas da primavera! Admirou-se a fada flor. E continuou a falar com o pequeno insecto:
- A primavera é a estação das flores, da alegria e da Natureza com muitas e belas cores.
O pequeno insecto quando ouviu a palavra cor, começou a chorar e chorava de tal forma que a fada se comoveu.
Flor pegou com muito cuidado o pequeno insecto e embalou-o no seu colo, ao mesmo tempo que dizia:
- Diz-me o que sentes amiguinho. Talvez eu te possa ajudar.
O pequenino insecto, ainda a soluçar, disse que gostava de ter uma cor linda e não ser só transparente.
A fada flor que gostava muito de todos os animaizinhos da Natureza, levou o pequeno insecto a um campo cheio de flores e perguntou:
- Qual a flor que mais gostas?
O pequeno insecto voou e foi poisar numa linda papoila e disse:
- Gosto muito desta!...
Então a fada flor pegou numa pequena varinha, fez um gesto e disse:
- Perlim pim pim  ficas da cor de carmim.
O pequeno insecto sentiu que estava diferente e olhando para as suas asas, verificou que estas estavam, da cor da papoila. Ficou contente por já ter uma cor, mas nisto apareceu um grilo negro muito lustroso a cantar junto da papoila.
O pequeno insecto olhou para a fada e disse:
- Gosto muito da cor que me deste, mas também gosto da cor do grilo é tão brilhante!...
A fada flor pegou novamente na varinha e disse:
Que assim seja feito meu amigo. Ficas com o corpo negro e com pintas negras nas tuas asas vermelhas e baptizo-te de Joaninha e serás a marca da primavera. Sempre que aparecer uma Joaninha é porque a primavera chegou ou está para chegar.
A Joaninha muito contente, agradeceu à fada flor e voo de flor em flor, levando nas suas pequenas patinhas o pólen de uma para outra, fazendo com que nascessem mais e mais flores.
E assim, com a sua bela cor vermelha com pintas negras viveu a Joaninha feliz para sempre.
FIM
Carlos Cebolo


sexta-feira, 22 de abril de 2016


PLANTAR ABRIL


Rosa colhida do teu jardim,
É mais forte que um simples retracto,
Com seu odor, chegou até mim,
Deixando-me eternamente grato.

Neste azul céu, canta o rouxinol,
Mágoas palpitantes do teu seio,
Como quem te rouba o quente sol,
Altivo medo do teu receio.

Sem ter por aqui, tão bela flor,
Um cravo, rosa ou lindo jasmim,
Aquele lírio branco encantador,
Colhido no teu lindo jardim.

Não senti, aquele tão grande amor,
Amor do colibri que beijou,
Os teus lábios com todo o fervor,
Doce néctar que de lá jorrou.

E por cada flor, assim colhida,
Trazendo o teu cunho virginal,
Faz-me lembrar a viúva esquecida,
Nas teias firmes do teu beiral.

Viúva negra, tão bela rainha,
Com beijo mortal esquece a vida,
Naquele amor que não se adivinha,
Forçando a hora da despedida.

Na fresca manhã primaveril,
Vem o rouxinol aqui cantar,
Cravos vermelhos daquele Abril,
Que nesse teu jardim, quer plantar.

Carlos Cebolo
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quinta-feira, 21 de abril de 2016


FAZER ABRIL

Cravo vermelho desfolhado,
Pelo vendaval que passou,
Não deixou de ser desejado,
Pelo amor que por lá ficou,
Naquele Abri, tempo passado.

Pérola que no rosto desliza,
Nessa madrugada serena,
É perfume de suave brisa,
Uma lágrima tão pequena,
Que a minha triste dor, suaviza.

Na imensidão da bela aurora,
Essa madrugada que encanta,
A liberdade vem sonora,
Na boca do povo que canta,
Sua agonia de hora em hora.

O país que não agradou,
Ao seu povo trabalhador,
Desse Abril, pouco ou nada herdou
Perdeu todo o seu amor,
Que por algum tempo durou.

Carlos Cebolo
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quarta-feira, 20 de abril de 2016


LIBERDADE

Frenético, grita o povo por moral,
Daquele Abril que se foi, sem ter chegado,
Sem implantar liberdade em Portugal,
Sem ver chegar, seu eterno desejado.

Quando por razão ou sem a querer ter,
Passou esse vento que nada deixou,
Da liberdade que fez por merecer,
Capitães de Abril, onde o sonho morou.

Desliza o povo no sonho frenético,
Entre esse nascer e o morrer da esperança,
Grito surdo que continua céptico.

Aos poucos a liberdade se apagou,
Vive a economia no fiel da balança,
Sem o cravo que o seu sangue derramou.

Carlos Cebolo
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terça-feira, 19 de abril de 2016


ENCANTAMENTO

Com grande esperança canta a cigarra,
Na alegria do verão encantado,
Canta o seu amor assim desejado,
No sempre triste trinar da guitarra.

Canta na alegria do sentimento,
Esquecendo as mágoas que deixou,
Naquele medonho inverno que passou,
Com fome, não cantou o seu tormento.

Naquela fantasia que me mente,
Tendo por amor, mágoa que chorei,
Por cantar apenas quando cantei,
Este triste amor que minha alma sente.

Contentei-me com o pouco que me deste,
Sem carinho, teu amor por medida,
Como a cigarra sempre divertida,
Também não pensei neste tempo agreste.

Carlos Cebolo
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segunda-feira, 18 de abril de 2016


TORMENTA QUE APARECE

Em sonhos, toda a tormenta que aparece
Nestas minhas mágoas, sempre pensarei
Ser fruto do pesadelo que sonhei,
Num fechar de olhos que a alma não adormece.

Os suspiros com o seu sentir inflamados,
Naquele correr sem agarrar a esperança,
Sentida na ventania da mudança,
Será para sempre, engano dos namorados.

O amor é sempre um mal neste padecer,
Entre o sonhar e o pensamento acordado
De um coração tristemente trespassado.

Entre lágrimas da dor e o renascer,
Ditosa será para sempre essa emoção,
Que na alma deixou bela recordação.

Carlos Cebolo
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sexta-feira, 15 de abril de 2016


LEMBRANÇAS DO TEMPO

Recordo todas as verdades de infância,
Razões trazidas neste respirar,
Entre as magoas de um eterno sonhar,
Naquela liberdade da ignorância.

Recordo velhos tempos com saudade,
Aquele futebol com bola de trapo,
O coaxar constante do verde sapo,
Passado que traçou a mocidade.

De trapos, essa boneca colorida,
Que nos encantava com a magia
Na sensação sentida com alegria.

Sempre uma brincadeira divertida,
O belo berlinde e o jogo do pião,
Fisga no bolso do gasto calção.

Carlos Cebolo
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quinta-feira, 14 de abril de 2016



GLOSA _A NOITE TRISTE QUE NUNCA CHORA
NESSA SAUDADE DO PENSAMENTO

Naqueles tristes escombros da hora,
Com seu céu interior ainda mudo,
E com o cair de um nevoeiro miúdo,
A noite triste que nunca chora,
Abraça o nascer de nova aurora.
Canta o grilo no seu esplendor,
Chamando a fêmea no seu calor.
Naquela esperança de acasalar,
Pouco antes do quente sol raiar,
Consagrando assim aquele amor.

Triste hora morta no seu final,
Que esta natureza se aproveita,
Sem a humanidade que se aceita,
Reveladora de uma imoral,
Torna o doce gesto natural.
Será doce todo esse momento,
Como eterno será o sentimento,
Do gesto simples em perfeição,
Que consagra toda a bela união,
Nessa saudade do pensamento.

Carlos Cebolo
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quarta-feira, 13 de abril de 2016

      

     BEIJO


No sentido impudor de um desejo,
Rosas vermelhas no teu regaço,
Dos teus lábios, o sabor do beijo,
Que trocamos neste nosso abraço.

Coração aberto nesse instante,
Do nosso húmido beijo trocado,
Sossega este coração errante,
E esse teu olhar amargurado.

Êxtase que traça minha sorte,
No mel do teu lábio, o meu segredo,
Onde sorvo esse sabor bem forte.

Esse teu beijo, a minha loucura,
Que me prende a este meu degredo,
Com esse teu beijar de ternura.

Carlos Cebolo
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terça-feira, 12 de abril de 2016


Mascaras da vida

De mil caras se veste a vida,
Nesta vida de incerteza,
Sem de nada ter a certeza,
Essa dor nem sempre sentida,
Aberração da natureza.

No sentir de estranha amargura,
Várias mascaras talham o rosto,
Escondendo o triste desgosto,
Leva essa vida não segura,
Sente no toque o triste gosto.

Cai a máscara do seu valor,
Numa culpa que não é sentida,
Nesse sofrer de extrema dor,
Encara a tristeza da vida,
Enfrentando esse seu terror.

Carlos Cebolo
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segunda-feira, 11 de abril de 2016


ESTADO DE ALMA

Segue a alma nesse seu voar,
Nessa tristeza vivida,
O sentir e o desejar,
Deixou de ter sua vida.

O amor não é amor,
O seu crer é divagar,
A alma não sente dor
E a vida é para se levar.

Não se sonha nem se vive,
Sem dores nem alegria,
Procura-se sobreviver,
Mas só em monotonia.

A triste vida sem fim,
Nos seus desejos existe,
Aquele florido jardim,
No seu sonho sempre triste.

Carlos Cebolo
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sábado, 9 de abril de 2016


FADA DO MAR

Num país distante, entre o reino da fantasia e o país do faz de conta, vivia um rapaz aventureiro, que passava os seus dias à beira-mar.
O rapaz olhava para o mar e imaginava um dia fazer uma viajem até ao fundo do mar, para ver toda aquela maravilha que só via na televisão, em programas sobre a Natureza.
 Nessa sua imaginação, falava baixinho, imaginando ser um homem peixe. Não ser metade homem, metade peixe, como as sereias, mas sim um homem com pés e mãos, como qualquer outro homem, mas com o poder de respirar dentro de água.
E continuava a imaginar, naquele seu sonho acordado, onde se via nadar junto com os peixes de vários tamanhos, com os cavalos-marinhos, com as tartarugas, raias e tubarões e até com a grande baleia cinzenta, tão grande e tão bela que só a via em contos.
Dando asas à sua imaginação, perguntava a si próprio.
- Será que existem sereias? Como seria bom se também visse uma.
Pedia-lhe que me ensinasse a língua dos animais marinhos.
Assim já podia compreender e falar com todos eles…
O rapaz, sentado à beira mar, olhava para o horizonte e sonhava um dia poder viajar pelo mar fora e conhecer novas coisas. Nisto, viu uma grande onda a formar-se lá longe e pareceu ver em cima dela uma figura.
Com as mãos a tapar a luz do sol, para ver melhor verificou que a onda se tornava cada vez mais pequena e em cima dela estava uma linda mulher, ou melhor uma linda sereia, com os seus cabelos loiros e brilhantes como o sol.
 A onda aproximou-se da praia e a sereia mergulhou batendo com a sua cauda na água que salpicou o rapaz, obrigando-o a fechar os olhos.
Quando o rapaz abriu novamente os olhos, viu a linda sereia a sair da água e reparou que a sua cauda se tinha transformado em pernas. A linda mulher trazia um vestido feito de algas e conchas com várias cores.
O rapaz, sem conseguir falar e paralisado pela emoção, olhava admirado para a linda mulher que se sentou a seu lado.
Nisto, a mulher quebrou o encantamento e falou:
- Sou a fada do mar e ouvi o teu pensamento e por isso vim até ti para saber se na realidade o que pensas é o que queres, pois eu posso satisfazer o teu desejo.
O rapaz ainda tomado pela emoção respondeu que sim. O seu desejo era poder visitar o fundo do mar e ver todos os seus habitantes. Mas apesar de saber nadar, não conseguia respirar dentro da água e por isso apenas sonhava acordado.
A sereia olhou para ele e disse:
-Não sei se reparaste, mas quando estou dentro de água, as minhas pernas transformam-se numa cauda e nas orelhas aparecem-me guelras. É através delas que eu respiro dentro de água. E quando saio da água, transformo-me numa mulher normal. Se for essa a tua vontade, eu também te posso dar este dom. Mas se ficares fora da água por mais de um dia, ele desaparece e ficas novamente normal.
O rapaz ficou muito feliz e disse que sim. Queria ser como a linda sereia e poder nadar pelos oceanos sem fim.
A linda mulher agarrou a mão do rapaz e os dois foram para o mar. Ao entrar na água, a mulher transformou-se novamente em sereia, mas o rapaz continuava rapaz e começou a ficar com medo.
A sereia sentindo o medo do rapaz disse-lhe:
- Não tenhas medo. Pois enquanto tiveres medo, o poder do mar não te transforma. Eu estarei sempre contigo e nada de mal te acontecerá.
A sereia sentou o rapaz em cima da onda e esta começou a deslocar-se para o mar alto. O rapaz vendo que não se afundava, começou a perder o medo. E quando já estava feliz e sem medo, sentiu as suas pernas transformarem-se numa cauda de peixe.
Nisto a sereia mergulhou e chamou pelo rapaz que fez o mesmo e os dois, a princípio, nadaram à superfície da água, mas depois mergulharam e foram conhecer o fundo do mar.
No fundo do mar, o rapaz viu coisas maravilhosas. Grandes jardins com corais de várias cores, animais que pareciam flores e outros animais de várias formas e cores. Estava maravilhado a olhar para tudo e de repente, assustou-se com uma voz que vinha do meio do coral. Disse o voz:
- Olá Pérola! Vejo que tens companhia!... Pérola era o nome da fada do mar.
- Olá respondeu a fada. Sai daí cavalo-marinho, vem conhecer este novo amigo. Ainda não é um dos nossos, mas se for da sua vontade, um dia o será.
O cavalo-marinho saiu do meio das anémona e disse:
- Olá! Eu chamo-me Rá e sou o chefe desta cidade de cavalos-marinhos, E tu como te chamas?
O rapaz disse que se chamava Joca.
O cavalo-marinho olhou para a seria e a sereia encolheu os ombros. Então o cavalo-marinho disse:
- Joca pode ser um bonito nome lá de onde vens, na terra dos homens, mas aqui é horrível, por isso, enquanto cá estiveres serás chamado de Uris e será por este nome que te anunciarás a todos os habitantes do fundo do mar.
Pérola e Uris andavam por todo o lado, viajando de oceano em oceano e de vez em quando, escolhiam uma praia deserta, para irem até terra. E assim nasceu um grande amor entre eles.
Uris nunca mais quis voltar a ser humano permanente e assim, tornou-se num lindo e forte Tritão. Casou com Pérola e vivem felizes no reino do fundo do mar.

FIM
Carlos Cebolo
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sexta-feira, 8 de abril de 2016


E O TEMPO NO TEMPO FORJOU A SAUDADE

E o tempo, no seu tempo forjou a saudade,
Acreditar sem acreditar nesta vida,
Nesta vida onde me habito sem ter idade,
Aquela saudade da vida divertida.

E senti, sentindo neste meu corpo a dor,
Essa dor que atormenta e não se faz ausente,
Da ausência declarada sem ter seu fervor,
O incessante sentido desta alma presente.

E neste perder daquela doce saudade,
De um amor vivido sem ter a sua cor,
Forjar ilusões trazidas da mocidade.

Neste viver de um tempo, sem tempo presente,
Canta as glórias tristes da sua eterna dor
Daquele amor que a alma quer e o corpo não sente.

Carlos Cebolo
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quinta-feira, 7 de abril de 2016


TUDO PÁRA

Naquele raiar da felicidade sentida,
Canto o belo na certeza da incerteza,
Realçando esse teu amor, tua beleza,
Nessa ousadia que se mantém escondida.

Nesse fechar da porta tudo se transforma,
Entre quatro paredes reaparece o amor,
Tudo pára sorvendo aquele belo sabor,
E apenas o cantar dos anjos nos acalma.

Procura-se um jeito de se poder lembrar,
Os anos dourados da nossa juventude,
Sentido no pensamento que não se ilude.

Retoma-se a confiança na forma de estar,
Entre os lençóis aquecidos por esse amor,
Feito um vulcão no libertar o seu calor.

Carlos Cebolo
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quarta-feira, 6 de abril de 2016



OBSESSÃO

No meu sentir e querer,
A sombra passa no seu esvoaçar,
Nesse seu fingir ser,
Espalha-se no ar,
O medo que sinto em poder perder.
 
Perda de uma emoção,
Sentir a mesma neurose obsessiva,
O medo de ouvir não,
Torna a vida cativa,
De um vento que vai noutra direcção.
E a sombra não revela,
O desejo cada vez mais vibrante,
Sentir o cheiro dela,
Tão próximo e distante,
Trancando o meu coração na sua cela.
Carlos Cebolo
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