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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

sexta-feira, 23 de junho de 2017


SOLDADO DA PAZ

Desfaço as malas nesse desengano,
Em coisa nenhuma serei mártir,
No perder dessa visão imediata.
Ser o soldado da paz lusitano,
Com essa desventura num sorrir,
O som infernal dessa serenata.

São verdadeiros heróis nacionais,
Combatem o flagelo da desgraça,
Vazio de um dever sempre cumprido.
Os louros ficam para os imortais,
Não para quem oferece a vida de graça,
Nesse dever que a poucos faz sentido.

Soldados da paz, vida desgastada,
A quem é negado todo o valor,
Em comemorações não são lembrados.
O constante da guerra declarada,
Com quem procura infringir grande dor,
Sem sentir os seus valores confirmados.

Qualquer político ganha em excesso,
Pouco ou nada fazem pelo país,
Quem perde a vida nesse seu dever,
Tudo fazendo para o seu sucesso,
Ganha pouco, menos que um aprendiz,
Filho de quem se julga com poder.

Carlos Cebolo


quinta-feira, 22 de junho de 2017


LUTA INGLÓRIA

Preocupa-me em conhecer essa dor,
Elemento vazio deste meu Ser,
Num tempo que por cá ainda existe.
Não choro a tristeza de um só amor,
Nem dores de agonia de um padecer,
Tudo a isso o meu espírito resiste.

Choro a dor sentida da terra viva,
Que pouco a pouco se deixa morrer
Na incúria de uma grande malvadez.
Aquela força elementar e activa,
Não será culpada desse sofrer,
Com sua centelha que assim se fez.

A Natureza traça as suas leis,
Que a nossa humanidade não entende,
Contrariando essas leis do Universo.
Fenómenos que devem ser aceitáveis,
Por um deus menor que assim não entende,
Fazendo outras leis sem qualquer sucesso.

E essa dor assim viva se mantém,
Ano após ano assim fortalecida,
Na incúria de quem procura mandar.
No sofrer de quem menos culpa tem,
Com o direito da vida merecida,
Na luta apenas lhes resta rezar.

Carlos Cebolo
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quarta-feira, 21 de junho de 2017


DOR

Depois do verde, o negro cinza se formou,
E as árvores soltam suas lágrimas de dor,
Perante tal força do raio destruidor,
Que a própria Natureza, a ele se conformou.

Sem ter moral, soltam mágoas de tal tristeza,
Procurando com elas ter benesses próprias,
Olhando a políticas pouco solidárias,
Sem nunca se preocuparem com a Natureza.

O planeta vivo derrama sua dor,
Grande Júpiter mostra não estar adormecido,
Nem esse seu real valor desaparecido,
Reclamando do mortal, muito mais amor.

Não basta fazer leis, apenas por fazer,
Não basta chorar, mostrando condolência,
É preciso por em prática toda a ciência,
E fazer cumprir todo o rigor do poder.

Carlos Cebolo
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segunda-feira, 19 de junho de 2017


DEPOIS DE APOLO

Apolo segue o seu curso diário,
A noite que baixa nos pertence.
Tudo tem seu lugar e certa a hora,
O ardor que alimenta o imaginário,
Só mesmo Apolo assim o consente,
Mesmo depois de ter ido embora.

À noite, junto ao rio choramos,
Colhendo flores nesse teu jardim,
Entre as heras que me atormentam.
Meu e teu, são nomes que juntamos,
Como a rosa se junta ao jasmim,
Nesse jardim onde se alimentam.

Esses deuses inventam conjuntura,
Depois de Apolo deixar seu curso
E as flores que nascem assim morrem,
Sem ter a luz nessa noite escura,
Seguem sua dor nesse percurso,
Onde os amores também se consomem.

Carlos Cebolo
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CHAMA QUE CONSOME

Vós, senhora do meu sentir
Que penetrais no pensamento,
Invertendo o valor sentido.
Mostrai esse teu lindo sorrir,
Não oculteis o sentimento,
Mesmo que ele seja sofrido.

No inferno do querer amar,
A chama que alenta, consome
Toda essa energia do querer.
O fogo que se quer atear,
Nesse sonho onde a alma não dorme
E o amor não quer permanecer.

Tristeza inerte sem motivo,
Deste sonho assim delirante,
Não traz com ele, grande emoção.
Sem saber se sou morto ou vivo,
Esse sonho segue constante
E em vós entrego o coração.

Carlos Cebolo
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sexta-feira, 16 de junho de 2017


NADA

Nada. Na descrença, a vida sem suporte,
Como essas velhas tardes já consumidas,
Da vida que agarra a sua própria morte,
Como as dolorosas noites mal dormidas.

Nada. Sempre a mesma dor e inquietação,
Por te querer junto a mim aconchegada,
Ouvindo o descompassado coração,
Na esperança vazia da tua chegada.

Nada. Nada consola o sono tirado,
De uma alma que no sonhar, paga um preço alto,
Na ânsia de por ti voltar a ser amado
E sossegar esta vida em sobressalto.

Nada. Nem mesmo a esperança se mantém activa,
Nem fé nem saber para ancorar bom porto,
Onde possa encarar de frente outra vida,
Nessa solidão de um passado já morto.

Nada. Nada me tira toda a emoção,
Do passado vivido com essa saudade,
Desse amor retido com grande paixão,
Dos tempos idos da minha mocidade.

Carlos Cebolo
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quinta-feira, 15 de junho de 2017


TRANSCENDÊNCIA

Num tempo deste tempo já disperso,
Naquele mistério onde a morte não some,
Nem isso que nós chamamos de vida,
Será alguma vez cantado em verso,
Ou alguém resolve dar-lhe outro nome,
Que não dê essa vida por perdida.

Mas a nossa alma acesa não aceita,
Qualquer dúvida sobre a sua existência,
Por crer com amor, que a própria morte mente,
Fazendo desta vida a sua eleita,
E ter a morte só por penitência,
Transitória a esse Mundo que se sente.

Nesse existência que a vida se oculta,
Onde a luz do dia será eterna,
Sem haver gládio que a possa ferir,
Mesmo que essa morte com fé exulta,
Gestos de magia da vil materna,
Ferindo a alma que procura atingir.

Carlos Cebolo
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quarta-feira, 14 de junho de 2017


FESTA

 

Esse tempo da chita passou,

Balões coloridos, papel cetim,

Entre as festas do eterno verão.

Essa flor que agora desfolhou,

Primavera que existiu em mim,

Apagou seu extinto vulcão.

 

Lua cheia iluminando o céu,

Fogueiras e cantares pela terra,

Entre desfiles desse encantar.

O popular que reapareceu,

Nessa Primavera que se encerra,

Pitoresco no seu festejar.

 

A quadrilha vai marcando o passo,

Vermelho, o cravo seu esplendor,

Lembra esse passado que foi rico.

Todo o santo reclama o seu espaço,

Entre juras e trocas de amor,

Vão cheirar o verde manjerico.

 

Carlos Cebolo

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terça-feira, 13 de junho de 2017


JUVENTUDE

Lembra-te, companheira,
Das noites de verão,
Sozinhos junto ao mar,
Naquele país longínquo,
Olhando para as estrelas,
Falávamos de amor?
Por me encontrar sozinho,
Estava acompanhado
Por ti em pensamento,
Sentindo o teu beijar.
O sabor que deixava,
O sal imaginado
No tempero do amor
Sentido ao luar!...
Hoje, sinto-o ao teu lado,
Eterno namorado,
No Mundo passageiro
Do nosso amor primeiro.

Onde paras agora!...
De ti só lembranças…
A frágil caravela,
Para longe partiu…
Levou sua memória,
Deixando só mudanças
Que a vida assim revela.
Hoje, volto a sonhar,
Com o vento adormecido
De um tempo, sem ter tempo,
Na sombra da tristeza.
Da mudança operada
Que aquele luar deixou
No nosso caminhar.
De mãos dadas, seguimos
Com todo o contratempo
Da nossa natureza,
Agora desenhada
Num perfil que mudou
A maneira de amar
E tudo o que sentimos.

Ingrata companheira,
Pensa no que te dei,
Leva a melancolia,
Eleva a tua voz,
Traz a tua bandeira.
Tudo aquilo que amei,
A força que sentia,
Depende só de nós.
Juventude perdida,
Neste avançar da idade
Só será defendida
Com nova mocidade.

Carlos Cebolo
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segunda-feira, 12 de junho de 2017


PRECE

Tantas foram essas tormentas passadas,
E hoje apenas nos resta a vontade,
Entre terras outrora viajadas,
Senhor!... Não ocultes esta verdade.

Recordar a vida que se levou,
Havendo vida que não foi perdida,
Dai-nos Senhor tudo que em nós criou,
Que esta vontade pode erguer ainda.

Olhemos para o mar, na sua distância,
E com a vontade da graça que foi,
Concedei-nos essa coragem e ânsia,
De acabar com a dor que ainda nos dói.

Carlos Cebolo
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sexta-feira, 9 de junho de 2017


ALVORADA- PECADO DE UM SER

Com clarim, cantou-se alvorada,
Vibra o grito numa ânsia ciente,
De um Portugal sem universo,
Na nostalgia da desgraça,
A saudade que o povo sente,
Desse mundo agora disperso.

Quem nos roubou a alma da glória?
Quem entre heróis, forjou distância?
Qual a magia utilizada,
Para se deixar de cantar vitória,
Sem os olhos de fé ou de ânsia,
Que outrora serviu de alvorada.

O pecado ou crime de um Ser,
Em alvíssaras do coração,
Que dantes fora provocado,
Foram sonhos para se esquecer,
Essa tão vil provocação,
Que em inocentes foi praticado.

Netos e bisnetos sem ter,
Qualquer anterior ligação,
Na escravatura praticada,
Sentiram seu destino a arder,
Dispersos da sua função,
Fora da terra desejada.

Nessa indefinição da culpa,
Traçou-se a miscigenação,
De um povo na união secular,
Com o seu futuro visto à lupa,
Entre sorrisos e emoção,
Sempre aquele eterno sonhar.

Carlos Cebolo
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quinta-feira, 8 de junho de 2017


O QUE FOI

Como a areia por entre as dedos,
Aos poucos foge o meu passado,
Desejos, segredos e medos,
No meu pensamento guardado.

Não faço um esforço para lembrar,
A outra vida que vivi,
Nem procuro assim apagar,
Tempos e o prazer que senti.

Apenas relembro o momento,
De tudo o que por lá se fez,
Frustrações sem o seu lamento,
Terá sido um sonho talvez.

Lembrar, lembro aquela doçura,
Dessa terra que será minha,
Queira ou não queira a desventura,
De outra alma que a terra não tinha.

Nesse inverno que se consome,
Na lentidão do nosso amor,
A lembrança por cá não dorme,
Nem deixa de sentir a dor.

Carlos Cebolo
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terça-feira, 6 de junho de 2017


DIA DE PORTUGAL

Fez-se o regresso do Sebastião,
Numa noite de névoa fria e escura,
O desejo de ser sempre o primeiro,
Seja qual for, a infeliz ocasião,
De uma doença que se procura a cura,
Na importância de se ser verdadeiro.

De outras praias, a ameaça surgiu quente,
Secando o sangue de uma eterna glória,
Da gente lusa que assim se feriu,
Deixando o trono ao seu rival regente,
Naquele desencanto de uma vitória,
Que do Norte de África não surgiu.

Tempos que não apagaram o passado,
A força que nos desvia a atenção,
Num remar constante contra a corrente,
Procura este povo, o seu desejado,
Que levante de novo esta Nação,
Travando a luta que este povo sente.

E no surgir de Henrique o salvador,
De outros tempos e com outra clemência,
Não negue ao povo essa ilustre vitória,
Que em outras lutas, mostrou seu valor,
Na ilusão de uma nova independência,
Procura tomar parte dessa história.

Carlos Cebolo
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TONS DOURADOS

Na paleta da vida pintam-se emoções
E nesse lúdico sentir do pensamento,
Numa troca de amores, se juntam corações,
Quando triste se transforma todo o momento.

Num caminhar sem qualquer traçado destino,
Por entre esse deserto forjado na vida,
Segue o pensamento o seu triste desatino,
Entre as lágrimas de uma vista esmorecida.

Eis que surge na vida essa Aurora florida,
Com o rei sol brilhando em seus lindos tons dourados,
Elevando essa esperança já esmorecida.

Com todo esse esplendor de uma Aurora com flor,
No arco-íris da vida se juntaram bocados
E se afastou a nuvem crua desse amor.

Carlos Cebolo
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domingo, 4 de junho de 2017


RESPONSABILIDADE

É preciso haver um sonho de vida,
Sentir o real da felicidade,
A palavra escrita, ouvida e sentida,
No irreal sonho de uma eternidade.

Nesta Natureza que se reserva,
Por este ignoto mundo onde vivemos,
No emprestado tempo que nos inerva,
Sentimos o sabor do que não temos,

Este clima não nos prega partidas,
Tudo isto é fruto deste nosso querer,
Com a ganância que abre suas feridas,
Traça um futuro com esse sofrer.

É preciso plantar boa semente,
Sentir todo esse sonho realizado,
Olhando para o clima que não nos mente,
Fazer deste Mundo, um lugar desejado.

Carlos Cebolo
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sexta-feira, 2 de junho de 2017


AUSÊNCIA

Quando chego à janela e o inverno vejo,
Sem espírito nesse espaço celeste,
Perco a vontade desse meu desejo
 E essa tristeza na noite se veste.

Nos escuros cantos procuro segredos,
Nascem visões da nova escura lua,
No sorriso agreste desses degredos,
Procurando na noite, ver-te nua.

Ei-la agora tão triste e sem valor,
Essa glória que outrora se vestia,
Que em tudo se via e sentia amor,
O desejo que o teu olhar vertia.

Imperfeita e indecisa surge a lua,
Nesse céu que para a terra tudo fecha,
Sem a chama do amor da lua crua,
Meu amor que nessa noite se queixa.

Essa solidão que o mundo murmura,
Na ausência da aurora e da sua luz,
Espraia pela terra a noite escura,
Mas teu olhar, ainda me seduz.

Carlos Cebolo
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quinta-feira, 1 de junho de 2017


CRIANÇA

Ouve-se esse teu grito mudo,
Procurando protecção,
Ecoa o grito no mundo,
Na espera por compaixão

Não chamam pelo teu nome,
Nome que nunca tiveste,
A fome que te consome,
De cinza e negro se veste.

Não deixas de ser criança,
Na pobreza desta vida,
Procuras pela esperança
De um dia ser merecida.

Escrevem-se os teus direitos,
Esquecem-se os desenganos,
Aumentam-se os preconceitos,
Desses pobres seres humanos.

Não ter côdea para comer,
Do pão não sentir sabor,
Procuram assim viver,
Com aquela água de outra cor.

Ter como presente a vida,
Com a morte sempre por perto,
Com essa maldição sentida,
Sempre com destino certo.

Carlos Cebolo
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