Acerca de mim

A minha foto
Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

terça-feira, 29 de novembro de 2011

ANJO DA GUARDA



Na noite escura do meu tormento,
Procuro o anjo que me guia.
Teu coração ouve o meu chamamento,
Aquecendo o meu na noite fria.

Teu corpo e lábios de candura,
Poisam suavemente nos meus,
Mostrando em mim, toda a tua lisura,
Juntando os meus gemidos aos teus.

Como suportar todo este amor ardente,
Que sinto nas minhas entranhas renascer!
Sempre que vejo a bela estrela cadente?

Sinto a minha alma leve, levitar,
Em direcção  ao incerto infinito,
Navegando nesse teu imenso mar.

Valei-me meu anjo da guarda,
Nesta triste noite sem luar!
Levai-me para a minha amada,
Não me proíbas de poder amar.

Meu amor é como o templo celestial,
Onde as estrelas têm o seu belo lar.
Por lá, a beleza não é imoral
E o belo, a lua convida a amar.

Aos amantes dá todo o seu aval,
E o anjo guarda o mais precioso,
Não vendo no amor qualquer mal.

Nesta noite escura sem luar,
As estrelas intensificam o brilho,
Dando à noite, beleza para amar.

Recebo com agrado a tua candura,
Tua juventude e amor partilho,
Fazendo de ti uma mulher madura.

FIM


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

POBREZA

           

Diz o rico com a sua avareza,
Vai trabalhar vagabundo!...
Ao pobre que não tem a certeza,
De viver no mesmo Mundo.

O Mundo cão se apresenta,
Aos olhos da humanidade,
A uns dá toda a riqueza!
A outros, apenas saudade.

A riqueza do rico provem,
Do trabalho escravo vivido
Por quem não tem vintém,
Apesar do trabalho sofrido.

Ser rico não é ter riqueza,
È ter bondade acrescida.
É amar no Mundo a beleza,
Das crianças então esquecidas.

Olhar para elas com sentimento,
Dando um pouco da sua riqueza,
Para matar a fome com alimento,
Colhidos da mãe natureza.

O pobre não quer dinheiro,
Para viver com dignidade!
Quer ter no seu celeiro,
Algum alimento de verdade.

Para comer e ter a certeza,
De viver num Mundo melhor,
Acabar com a vil tristeza,
Da pobreza ser ainda maior.

O flagelo da fome no Mundo,
Não tem muito que contar!...
É dar condições ao povo,
Para a terra, poder trabalhar.

FIM





domingo, 27 de novembro de 2011

ANSIEDADE

            

Oiço os teus passos ao meu redor,
Puxo o manto escuro da névoa fria,
Para cobrir o intenso brilho da lua.
Espero encontrar em ti todo o amor,
Delírio que há muito não sentia,
Por te ter nos meus braços toda nua.

Ó bela musa da minha loucura!
O que fazes com a minha ansiedade?
Procuro nesta triste noite escura,
Alguma luz que me traga claridade.

Quero sentir todo o teu calor,
Dum verão ardente em Fevereiro
E mergulhar com todo o amor,
No aroma quente do teu cheiro.

Sentir o cheiro da terra molhada!...
Lembrar a terra p’ra sempre amada.

FIM

VELHICE



Os deuses do meu sertão
Oram por mim com carinho
Procuram aquecer meu coração
Para que não fique sozinho

Ficar só é destino triste
Que tento evitar com mestria
O tempo troca as voltas e insiste
Dar aos filhos tal teimosia

Ser velho é um estorvo
Trabalho que ninguém quer
Ninguém fica para sempre novo
Seja homem ou mulher

Para o jovem é sabedoria acrescida
Ouvindo as histórias que conta
Do tempo da juventude querida
E o dedo acusador ao jovem aponta

Não te esqueças do amanhã
Quando estiveres aqui
Lembra-te da juventude sã
Que um dia também vivi.
FIM

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

CRUZEIRO DO SUL



O Cruzeiro do Sul vejo em sonhos,
Nas noites calmas, de verão ardente.
Acordo com pesadelos medonhos,
Por não ver Angola com sua gente.

O país com lendas de encantar,
Com deserto, Serras, vales e mar.

Um tão grande e belo sertão,
Com areia de argila vermelha,
Separa o deserto, da selva africana,
Com mil cores e um quente verão,
Que em nada, e a tudo se assemelha,
À diversa gente que tanto a ama.

Angola de mil cores e contraste,
Arco-íris em África plantado,
È recanto deslumbrante sem igual.
O sonho que sempre sonhaste,
Filhos teus e todo o seu legado,
Também lembrando o imortal.

A língua de união então deixada,
Por gente que te fez encantada.

Este encanto que provoca ansiedade,
Mar e céu azul com terra vermelha,
Não sei se feita de mentira ou de verdade,
Apenas sei que com todos se assemelha.

Cruzeiro do Sul, pesadelos não quero ter!
Não me leves para onde não posso ir!
Para onde apontas, só há recordação,
Do triste pesadelo que me faz tremer.
Mostra-me antes, o que me faz sorrir!
Coisas que alegrem o meu coração.

FIM






terça-feira, 22 de novembro de 2011

SAUDADES!...

             

Saudades! Sim… Tenho saudades!
Não do passado, tempo presente,
Mas do presente, tempo passado.
Das recordações de grande felicidade,
Dum passado para sempre ausente,
Por muito amar e ser amado.
Saudades! Talvez!... Recordação!
Pelo o que trago no coração…
Recordar o passado presente
Na memória do esquecimento
Procurar lembrar, esquecendo.
E com isto ficar contente,
Aceitando um sentimento
Que o passado trás recordando,
A dor que o coração sente.
O que penso, não sei se penso!
Ou outro pensa por mim!
Ao Mundo peço consenso,
À miséria exijo seu fim!...
Crianças que morrem sem pão,
Abraçando uma extrema pobreza,
Ao Mundo estendem a mão,
Apresentando a sua magreza.
Saudades! Sim… Tenho saudades!
Do passado tempo distante,
Dum futuro com felicidade,
Para os povos da Terra amante.
Acabar com as desigualdades
Entre ricos e pobres do presente,
Que no passado foram iguais,
Sem haver outra nacionalidade,
Frutos da mesma semente,
Filhos dos mesmos pais.
       (Adão e Eva)
FIM


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

VER E PENSAR

    

Não penso porque vejo,
O que vejo, conheço bem!
O que penso, não desejo,
Deixar de ver a ninguém.

Não se faz o Mundo a pensar,
Nem a ele fechar os olhos.
Pensar sem ver é matar,
A cor que o Mundo tem,
É ver em pequenos molhos,
A grandeza que de lá vem.

Quem ama, o que ama, sabe bem!
A beleza que a Natureza tem.
Pensar com os olhos a ver,
Não se tem nada a perder.

Ver é sempre compreensão,
Compreender não é ver,
Se vejo, tenho confirmação,
Compreender não é querer.

O que vejo num certo momento,
Guardo como recordação,
O que trago no meu pensamento,
Pode ser uma grande ilusão.

FIM

sábado, 19 de novembro de 2011

HABITANTE DO DESERTO


Um vento quente do sul vem,
E com ele caminha a solidão,
Vazio penhasco que o deserto tem
Que esfria o seu coração.

Gazelas soltas ao vento,
Num constante movimento,
Procuram chamar a atenção,
De quem triste, trás o coração.

Caminha só com seu cajado,
O peregrino da Natureza,
Pisa descalço o chão sagrado,
Levando consigo uma certeza.

Encontrar o seu povo amado,
No deserto que se apresenta,
Um lugar seco e escaldado,
Que também o alimenta.

Homem da cor do Âmbar,
Musculo e pele em osso grudado,
Faz do deserto seu eterno lar
Buscando alimento ali guardado.

O Bosquimano regressa ao lar,
Com saudades da sua gente,
Foi longe conhecer o mar,
E procurar a sua semente.

O sal que da água tirou,
Semente do imenso mar,
Sabor que logo amou,
E aos seus vem agora dar.

A carne tem outro sabor,
Com a semente do mar,
À família mostrou amor,
Com este seu caminhar.
FIM




sexta-feira, 18 de novembro de 2011

OLHAR NO ESPELHO

    

Não sou quem penso ser!...
Olho p´ro espelho e não me reconheço.
O espelho mostra todo um padecer!...
…Figura que não mereço.
Que mal fiz para merecer
Todo este sofrimento?
No espelho, sempre um entardecer
E no meu espírito, um renascimento.
Peço respostas exactas!
Que me mostre a minha figura!
Só vejo imagens inaptas.
Não mostras a minha procura!
Que espelho és tu afinal?
Que não mostras a minha alma?
Este corpo não te fez nenhum mal!
Só a fé no futuro é que me acalma.
Se é realidade que mostras!
Não vês o meu eu profundo.
Se o que vês não gostas!...
…Mostra-me um outro Mundo!?
Não guardes só para ti,
A imagem que está escondida.
Mostra o mais fundo de mim!
Cuida bem desta alma ferida!...
FIM

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

VILA BONECA (Vila Nova de Seles)


Em Angola foi chamada,
De vila boneca sem par.
Seles és a minha amada,
Das terras do Ultramar.

Kuanza Sul e seu planalto,
Com palmeiras de dendem,
Mostra sempre bem alto,
O belo fruto que Angola tem.

Vila Nova de Seles era linda,
Ruas sempre em esquadria.
A visita era sempre bem vinda,
A sua bela água da pedra saia.

Antigos falavam em vulcão,
Extinto naquela paisagem!
O povo não aceitava perdão,
Duma rude vassalagem.

Lutaram pelos seus direitos,
Fazendo valer a razão!
Aos perigos ficaram sujeitos,
A uma nova revolução.

Falava-se no morro da velha,
Pedras que por lá havia.
Figura que se assemelha,
Com o que o povo queria.

Tinham fruto vermelho até.
Algodão alvo e sua semente.
Cultivavam o belo café,
Sempre com rosto sorridente.

Da palmeira tiravam dendem,
Fruto rico, de óleo são.
O subsolo turmalina tem!
Na companhia do rico zircão.

Oh! Seles minha adorada,
Vila dos meus amores,
De ti não sobrou nada,
Na luta e seus horrores.

Destruíram a bela Vila,
Erguida com muito encanto,
De ti só sobrou argila,
A ti dedico meu pranto.

FIM

terça-feira, 15 de novembro de 2011

PESCADOR


Pescador, que pesca tão bela
Trazes no teu batel!
Anda, arruma a vela
Leva o pescado para o hotel

O tempo p’ra pesca acabou
A tormenta forma-se ao largo
O vento não se acalmou
Tens família a teu cargo

Dinheiro precisas p’ra comer
Alimentar os teus também
Pescador não queiras morrer
Pensa em quem te quer bem

Arruma o barco, vem p’ra terra
Acalma o teu desassossego
Tens mulher e família à espera
Procura o seu aconchego

Amanhã será outro dia
De faina em grande estilo
Bem guardado está a fatia
Num mar mais tranquilo

Sossega a tua grande família
Mostrando a pesca tão bela
Com os teus partilha a alegria
Pescador da barca bela.

FIM





domingo, 13 de novembro de 2011

AREIA MOLHADA



Escrevi na areia molhada,
Um belo poema p’ra ti.
Veio a onda, não deixou nada,
E tudo teve o seu fim.

A praia das miragem é bela,
Como bela é a minha amada.
Na areia procuro o rasto dela,
Mas dela, não encontro nada.

A minha juventude perdida,
Foi em Angola deixada.
Melhores anos da minha vida,
Junto com a minha amada.

Meu amor da adolescência,
Vem-me sempre à memória,
São frutos da consciência,
E de uma bela história.

História de amor vivido,
Junto a areia molhada,
Escrevi um poema querido,
Dediquei-o à minha amada.

Veio a onda lavou tudo,
Despedaçou meu coração.
Sem a musa fiquei mudo,
E por isso peço perdão.
FIM




sábado, 12 de novembro de 2011

CASTANHA

         

No S. Martinho prazenteiro
Come-se castanhas assadas
Prova-se o vinho primeiro
P’ra esquecer vidas passadas

Castanha assada na brasa
Quentinhas e cinzentas são
Comidas na rua ou em casa
Aquecem o meu coração

Se apanhar alguma bichada
Não ligue, é castanha boa
A castanha já vem prendada

Bichada é mais saborosa
É fruto d’um insecto que voa
Ovos da borboleta formosa

FIM

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

DESILUSÃO

       

No silêncio da noite bela,
Olho as estrelas no céu.
Procuro o retrato dela,
Para o juntar ao meu.

Guardá-lo no coração,
Lugar mais quente achado,
Com medo da desilusão,
Por ela, não ser amado.

Receio mais que fundado,
Na triste vida vivida,
Em tempos foi acusado,
Por uma ideia atrevida.

Procurar o ser amado,
Numa outra dimensão,
Sonho por ele sonhado,
Sem pensar na ilusão.

Ilusão sempre vivida,
Quando se trata do amor,
Sentimento por medida,
Causando uma grande dor.

Procura amar o incerto,
Mesmo que seja distante.
O não tem-no por certo,
O sim, procura constante.
            FIM



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

AÇÚCAR DE ANGOLA





Que coisa boa eu comi,
Feito de açúcar pilé!
Açúcar da cana que colhi,
Mesmo aqui ao pé.

Angola era rica assim.
Terra quente e doce também,
Dava açúcar para o festim,
Em Catumbela como ninguém.

Cassequel era sua fábrica,
Um das que Angola tinha,
Destruíram a terra rica,
Acabaram também a linha.

Caminho-de-ferro de Benguela,
Transportava a bela cana,
Descarregada em Catumbela,
Na grande fábrica lusitana.

Pungo Andongo reclama ela,
Nestes tempos mais modernos,
A fama que tinha Catumbela,
Nos tempos p’ra sempre eternos.

O açúcar da tentativa no Caxito,
Foi destruído também.
O cubano nunca tinha visto,
Bela cana que cuba não tem.

Com o medo da concorrência,
Destruiu todas as plantações,
Em Angola por conveniência,
Por ordem dos seus patrões.

Cuba não tinha visto no Mundo,
Ameaça tão grande arrasar,
A sua economia de fundo.
E deu ordens para queimar.

               FIM






terça-feira, 8 de novembro de 2011

HOMEM VELHO


             
                  I
Pelo caminho, cabeça baixa,
Vai o homem velho tristonho.
Na cabeça leva uma caixa,
No peito traz o seu sonho.

Com ele caminha a noite,
A escuridão desce com ela.
Procura abrigo que o acoite,
Dos perigos da selva bela.

O homem velho tem fome!
Já não come há muito tempo.
No peito algo que o consome!...

Procura na caixa o que comer,
Tira as coisas com gesto lento,
Sua mão não para de tremer.
                  II
Homem velho caminha só,
Seu destino está traçado.
Por ele ninguém sente dó,
Na juventude foi amado.

Mulher e filhos deixou,
E toda a sabedoria,
No quimbo que armou,
Utilizando a sua mestria.

Faz caminhada para a morte,
Costume antigo do seu povo!
Sabe que tem de ser forte.

O pai ensinou o caminho,
Que conhece desde novo!...
Morrer sozinho é destino.

FIM

(Léxico Anglano)
- Quimbo- Sanzala- Povoado rural

sábado, 5 de novembro de 2011

TIRANIA


         

Noite escura de lua nova,
As estrelas brilham no céu,
Mostrando todo o seu esplendor.
È uma dura prova!...
A Jovem segura o seu véu,
Vai ao encontro do seu amor.
Um relâmpago rasga o céu!
Ouve-se um trovão à distância!
O rapaz caminha com passo apressado!
Preocupado, aperta na cabeça o chapéu.
Andar de chapéu, é hábito que trás de criança.
Isso e o bornal, são coisas do seu passado.
O seu namoro não é bem visto!
É pobre, não tem um tostão!
Mas trás muito amor no coração.
Combinou com o seu amor, a fuga.
Está nervoso, mas confiante.
Pelo futuro sogro não é benquisto.
Vêem na fuga a única saída.
Confiante, segue adiante.
A jovem caminha preocupada,
Por conhecer a tirania do seu pai.
Encontra o seu amado na noite escura!
Entre abraços e beijos, a loucura!...
Ouve-se um estrondo.
O barulho não é de trovão.
A jovem, nos braços do amado, cai.
Atingida por uma bala mortal,
Disparada pelo seu próprio pai.
Numa loucura descomunal,
O jovem procura um destino igual.
Tira a navalha que trás no bornal,
Espeta-a no peito sem dar um ai.
Cai junto ao corpo da sua amada
E juntos prosseguem na caminhada.
FIM

PASSARINHO MADRUGADOR



Passarinho canta de madrugada,
Seu canto ecoa bem alto no ar.
Ele vem anunciar a alvorada,
Na quente noite de grande luar.

O dia lindo já vai nascendo,
Procuro sossegar o coração.
A noite longa está morrendo,
E tu deixaste a recordação.

Recordação do nosso amor,
Quando juntos olhamos a lua,
Procurando sentir o seu calor,
Numa imagem minha e tua.

Pergunto à lua pelo teu amor,
Ela responde-me com o silêncio!
No seu luar reflecte a minha dor,
Do tamanho do céu imenso.

Pergunto às estrelas por ti!
Respondem-me com brilho e cor.
Interrogam-me porque te menti,
Se por ti é grande o meu amor.

Respondo com grande convicção,
Mentir por amar não é pecado,
Procuro ganhar o seu perdão,
E esquecer o meu passado.

O passarinho agora não canta!
Pois o sol já vai nascendo.
O calor do dia encanta
E a flor vai florescendo.

O nosso amor renascido,
Fortalece a minha mente,
Junto do jardim florido,
Transpiro amor ardente.

FIM

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

MINHA SEREIA

        

A onda do mar rebenta serena,
Na praia espraia o seu encanto.
À luz do luar, numa noite amena,
Oiço os corais e o seu belo canto.
Na areia molhada procuro algo!...
Penso encontrar a tua pegada.
Uma silhueta ao longe, um sobressalto!
Esbelta, caminha serena, na noite calada.
A minha alma pula de emoção!...
A esperança em te encontrar é enorme.
No meu peito bate forte o coração,
Enquanto a onda do mar, na praia morre.
Olho fixamente o belo horizonte,
Procuro descobrir quem caminha.
O vento lateral gela-me a fonte,
A sereia da praia não é a minha.
Desiludido retorno a incessante busca,
Na areia molhada, um vulto sentado.
A luz da lua brilhante me ofusca!
Será o vulto que vejo, o meu bem amado?
Fixo o olhar esperançado.
Vejo o vulto com alguém ao seu lado.
Aproximo-me confuso, alarmado!...
Encontro apenas alguém com o namorado.
A noite caminha para o seu fim,
Na areia da praia caminho só.
No meio das dunas oiço por fim,
Um choro triste que mete dó.
Reconheço o choro no meu coração,
È a minha sereia, tenho a certeza!...
Corro p’ra ela a pedir perdão.
Olhos em lágrimas, cabelos soltos,
Que imagem forte com tanta beleza.
Agradeço aos céus com todo o coração,
Aperto-a nos braços e beijo-lhe o rosto.
Levo a minha sereia pela mão,
Afago seus cabelos, enxugo as lágrimas.
Aperto-a forte, junto ao coração,
Esquecendo de vez, todas as mágoas.
FIM




quinta-feira, 3 de novembro de 2011

MÃE NEGRA


        

No arimbo semeia o milho,
Espera a chuva chegar,
Enquanto embala o filho,
Que no seu colo está a mamar.
Amanha a terra com mestria,
Com o filho preso à cacumda,
Mãe negra também partilha,
A tristeza mais profunda.
Aguarda o milho crescer,
E que o tempo lhe traga a chuva.
Arranca a erva doninha,
No meio do milho a nascer,
Sempre com a coluna curva.
A criança com fome chora,
Mãe negra para o acalmar,
Mete-lhe a mama na boca,
Procurando-o alimentar.
O filho nas suas costas fica,
Calado a tentar chuchar,
O leite que a mãe não tem
Nas mamas para lhe dar.
Na cubata não o pode deixar,
O tempo ao arimbo dedica.
Ao filho não deixa de amar,
E junto a si sempre fica.
Nas costas da mãe dorme,
Sem ter onde ficar!...
A criança agarra a bica,
E a mama da mãe consome,
O leite que está a acabar.
O milho cresce por fim,
Farinha a mãe vai ter,
Para fazer o belo festim,
P’ro filho que o vai comer.
Pirão feito na panela,
De barro feito à maneira,
Com frango de cabidela,
À sombra da grande mangueira.
Mãe negra prepara a quinda
Com produtos do seu arimbo,
Na cidade é sempre bem-vinda
Procuram produtos do quimbo.

FIM

       (Léxico Angolano)
-Arimbo – terreno de cultivo
-Cacunda – costas
 -Pirão – pudim feito de farinha de milho
-Quinda – cesto artesanal feito de erva (Capim)
-Quimbo- Sanzala-Povoado

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

ACÁCIAS RUBRAS



Com acácias rubras em flor,
Lindos jardins de várias cores,
Benguela cidade amor,
Também possui outros amores.

Baia farta é seu lar,
Praia moreno o altar,
Um casamento p’ra durar,
Para quem procura o seu par.

É assim a nossa Benguela,
A cidade do Litoral.
É entre todas a mais bela,
Rainha na Terra natal.

Cidade jardim de Angola,
Beleza das acácias rubras,
Benguela e a sua flora,
Paraíso com suas musas.

FIM