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Tudo o que quero e não posso, tudo o que posso mas não devo, tudo o que devo mas receio. Queria mudar o Mundo, acabar com a fome, com a tristeza, com a maldade.Promover o bem, a harmonia, intensificar o AMOR. Tudo o que quero mas não posso. Romper com o passado porque ele existe, acabar com o medo porque ele existe, promover o futuro que é incerto.Dar vivas ao AMOR. A frustração de querer e não poder!...Quando tudo parece mostrar que é possível fazer voar o sonho!...Quando o sonho se torna pesadelo!...O melhor é tapar os olhos e não ver; fechar os ouvidos e não ouvir;impedir o pensamento de fluir. Enfim; ser sensato e cair na realidade da vida, mas ficar com a agradável consciência que o sonho poderia ser maravilhoso!...

terça-feira, 30 de março de 2021

 


DEMÊNCIA

 

Vi minha mãe com pezinhos de vento,

Herança da mulher que a pôs neste mundo,

Doença que lhe turvou o pensamento,

Tristeza do cognitivo profundo.

 

Andava sempre longe com o seu sonhar,

Imaginava coisas que não via,

Estranhamente quieta no pensar,

Nem sequer sabia o que sentia.

 

Colheu nostalgias no seu final,

Passado e presente, sem ter futuro,

Nada no seu mundo ficou igual

E o pensamento ficou imaturo.

 

Com as asas soltas do seu pensamento,

Colhia frutos nesse seu degredo

E seguindo ao sabor desse seu vento,

Ficava liberta do seu segredo.

 

Carlos Cebolo

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segunda-feira, 29 de março de 2021

 


VIDA

 

Ilude-me o passado preso na mente,

Na distância entre destinos sentidos,

O futuro fundiu-se com o presente,

Entre os espaços bruscos consentidos.

 

Instalou-se esse incerto da distância,

Colhendo o olhar único dos amantes,

Nesse alerta de uma outra consciência,

Colorindo esses destinos tão distantes.

 

Constrói-se na ilusão um outro dia,

Imagem uníssona de uma loucura,

Traçando destinos que a vida adia

E afasta o sentido de uma procura.

 

Vários rostos fixos no teu olhar,

Rostos que na mente ficam presentes,

No silêncio triste desse sonhar,

Despindo a solidão que em ti consentes.

 

Carlos Cebolo

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sexta-feira, 26 de março de 2021

 


RETINA DA SAUDADE

 

Na retina da saudade,

Não encontrei os meus passos,

Nem sinais da mocidade,

Ou calor de outros abraços.

 

Não encontrei um amigo,

Amigo do antigamente,

Nem aquele meu doce abrigo,

Fiquei assim descontente.

 

Por mais que abra o meu olhar,

O que vejo só me ilude

E turva o meu caminhar,

Procurando a juventude.

 

Na retina da saudade,

Não recordo esses momentos,

O tempo ganhou idade

E com a idade, outros sentimentos.

 

Até a nossa praia deserta,

Onde trocamos desejos,

Fica agora em parte incerta,

Sem o calor dos nossos beijos.

 

Lágrimas turvam-me o olhar,

De uma época tão distante,

Que perturba o recordar,

De um momento tão marcante.

 

Carlos Cebolo

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quinta-feira, 25 de março de 2021

 


INVENTO-TE

 

Penso-te em rimas de alegria,

No pensamento assim te invento,

Teu olhar de luz e magia,

Corpo esbelto, cabelo ao vento.

 

Cheirinho de amor na memória,

Toque subtil que desfalece

E na vida já fez história,

O impossível que fortalece.

 

Teu íntimo descrito assim:

 - Um pedaço do meu cansaço,

 Esse teu calor que entra em mim,

 O desejo de um forte abraço.

 

Toco-te em ritmo de aventura,

Colho a maçã do teu regaço,

Bebo teu olhar de ternura,

No disfarce do teu espaço.

 

Carlos Cebolo

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quarta-feira, 24 de março de 2021

 


NOITES NO SERTÃO

 

Na imaginação dos sentidos,

A coberto de uma impunidade,

Lembro ternuras de outra idade,

Tom colorido dos teus vestidos.

 

Fosse noite ou já madrugada,

À luz das estrelas ou luar,

Aquele sentir puro de amar,

Vida numa esteira deitada.

 

Ébano puro dessa cor,

O contraste de bronze e prata,

Tons do teu corpo na cubata,

Onde se sentia o calor.

 

Ouve-se a coruja no seu piar,

Sabor a fumo da fogueira

E a fruta doce da mangueira,

Compunha o teu doce cantar.

 

Carlos Cebolo

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terça-feira, 23 de março de 2021

 


AUSÊNCIA DO TEU QUERER

 

Coisas simples que não te digo,

Nesta ausência que faz doer,

Eco de um triste padecer,

O sonhar constante contigo.

 

Por vezes, sinto essa aflição,

Sem saber o que é realidade,

Com toda essa moralidade,

Pensando que será traição.

 

Se o sonho traz tua memória,

Com traços de pura indecência,

Na realidade sinto a ausência,

Mas com vontade de tal glória.

 

Coisa simples que em mim constrói,

Toda essa vontade em te ter,

Vontade que me faz dizer,

Que essa tua ausência me dói.

 

Carlos Cebolo

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segunda-feira, 22 de março de 2021

 


PRIMAVERA

 

Chamam-te mãe,

Teus filhos são flores

E o Sol, o pai divino,

Com filhos de várias cores.

Chamam-te primavera,

O renascer da Natureza,

A vida que em ti se espera,

Transporta tanta beleza.

Chamam-te renovação,

Criadora do renascer,

Ao vento voa o dente de leão,

Das primeiras a aparecer.

Chamam-te início,

Mulher no conteúdo,

E em ti se sente o vício

E o teu toque de veludo.

Chamam-te a primeira,

No mundo das estações,

Haja, pois, quem queira,

Renovar os corações.

 

Carlos Cebolo

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sexta-feira, 19 de março de 2021

 


EM MEMÓRIA DO MEU PAI

 

A melancolia do dia me fez chorar,

Hoje e sempre, na lembrança essa tua saudade,

Recordo os teus ensinamentos na mocidade

E o trilho por ti traçado no meu caminhar.

 

No meu horizonte, a tua imagem projetada,

Presente está o caminho traçado por ti,

Esse exemplo que me deste e o que de ti colhi

E toda essa grande força por ti partilhada.

 

Hoje, ao lembrar o teu sorriso, me fez chorar,

Apertou a saudade e senti a tua falta,

A falta do que me pudesses ainda ensinar.

 

Hoje, colho lágrimas desse teu sofrimento,

Tantas dificuldades sem haver época alta,

Do nodo como venceste todo o mau momento.

 

Carlos Cebolo

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quinta-feira, 18 de março de 2021

 


AUSÊNCIA VIVA

(À Memória do meu sogro)

 

Vejo-te deitado, sem alegria,

Teu olhar fixo num tempo sem fim,

Fechado nessa tua solidão.

Nesse teu inverno sem qualquer magia,

Teu olhar indiferente fixo em mim,

Mente vazia noutra dimensão.

 

Procuro sondar os teus sentimentos,

O passado que em ti, deixou de estar,

E esse futuro que já não existe,

Tomou conta de todos os teus momentos

E o teu mundo é apenas esse lar,

Onde te encontras parado e sempre triste.

 

Na esperança não existe a primavera,

Caminhamos todos para o mesmo fim,

Para o horizonte seco da memória.

Deixa-se a porta aberta nessa espera

E os vivos serão fantasmas assim,

Sem lembranças e sem qualquer história.

 

Carlos Cebolo

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quarta-feira, 17 de março de 2021

 


PRESENÇAS – ANJO DA GUARDA

          (Místico)

 

Andam por todo o lado,

Movem-se pelo ar,

Donos do seu quadrado,

Não param de pensar.

 

Escondem-se nos fatos,

Presenças que nos guardam,

Valquírias que aguardam,

Demónios nos retratos.

 

Anjos na proteção,

Com preces sem demora,

Na tristeza que chora,

Sempre nos dão a mão.

 

Em nós a tal presença,

Sem ter explicação,

Querem a confissão,

De uma irreal sentença.

 

Carlos Cebolo

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terça-feira, 16 de março de 2021

 


SEM JEITO

(Sonhos de um Casanova)

 

Todos os dias procuro o teu perfume,

Esperança que com a noite se atormenta,

Bebendo a paixão com que se alimenta,

Da ânsia envolvida num triste queixume.

 

Sinto essa profunda melancolia,

De nesse mundo, ser um perdedor.

Querer vários amores numa só dor,

Só sentindo em sonhos essa alegria.

 

Baixam e sobem marés nesta vida;

De repente surge o que não se espera,

Toda essa vontade que desespera,

Essa alegria que ficou esquecida.

 

Será bruxedo ou carta do destino,

É coisa que não sei como explicar,

Só sei que em sonhos te quero amar

E assim, comporto-me como um menino.

 

Carlos Cebolo

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segunda-feira, 15 de março de 2021

 


RUMOS TROCADOS

 

No despir do coração, a saudade,

São as marcas e rastos de um desejo,

Lembrando o passado sem qualquer pejo,

Nem medo da ilusão da mocidade.

 

Mais que o desejo, importa esse pudor,

Sentido da responsabilidade

E um querer amar nessa liberdade,

Confundindo atração com puro amor.

 

As duas coisas são bem diferentes,

Se uma traz essa simples aventura,

A outra requer espaço e ternura,

Sem produzir atos inconsequentes.

 

São esses fantasmas da juventude,

Abalados todos de uma só vez

Que com a erosão do tempo se desfez,

Traçando na vida outra latitude.

 

Carlos Cebolo

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sábado, 13 de março de 2021

 


MEMÓRIAS DE UM PIONEIRO

 

Memórias são memórias.

Valem o que valem no momento,

Na distância do pensamento

À roda da fogueira, contando histórias.

Ver na noite escura o céu estrelado,

Sentir o tempo ameno tropical,

E as lindas conversas de quintal,

Desejos que no íntimo ficou guardado.

Recordar pensamentos do homem velho,

Não tarda chega a peste,

Vem tocada a vento leste,

Joga-se na fogueira mais um lenho.

É hora de se preparar a tifa,

O tempo do mosquito está a chegar,

Pode ser a malária a cavalgar

E não sabemos se algo mais vem na rifa.

Vêm-se estrelinhas soltas pelo ar,

Na noite aquele brilho de cristal,

Corrupio constante no quintal,

São pirilampos no ritual a casalar.

E a noite vai aos poucos se alongando,

A lua já lá vai no seu zénite

E o ser humano também no seu limite,

Vai para a cama, sem dormir, vai sonhando.

Aquele sonho de olho arregalado,

Sonha com um futuro incerto,

Com as areias quentes do deserto

E sempre com aquele desejo guardado.

 

Carlos Cebolo

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sexta-feira, 12 de março de 2021

 IMAGEM DO AMANHÃ DISTANTE

 

Fria cama onde adormece o cansaço,

Sem ter riso nem voz na noite escura,

Verso em branco dessa sua loucura,

Onde adormeço sem ter teu abraço.

 

Existe a imagem do amanhã distante,

Um corpo que respira essa saudade,

A sina trazida da mocidade,

Como triste pesadelo inconstante.

 

Chamo-te mulher, pelo teu nome Maria,

O toque de amor que o meu corpo sente,

A tentação de tão bela serpente.

 

Caravela que avança em calmaria,

Riscando a raiva do oceano profundo,

Com lágrimas e ecos de um outro mundo.

 

Carlos Cebolo

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quarta-feira, 10 de março de 2021

 


VENCEDOR

 

Santos Dias do meu inverno,

Dias escuros que me escondem

Por entre o limbo e o frio inferno,

Na alma invisível que se tem.

 

Em toda a triste circunstância,

O meu sofrer, onde não chorei,

Sinto saudades dessa infância

E do mundo por onde andei.

 

Ira e tantas lágrimas soltas,

Horror da triste solidão,

Destemido, enfrentei revoltas

E desaires de ocasião.

 

Não importa por onde andei,

Punições que também sofri,

Toda a dor em mim, já sarei,

Só ficou o que então senti.

 

Carlos Cebolo

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terça-feira, 9 de março de 2021

 


45 ANOS DEPOIS

 

Passam os tempos, fica a saudade,

Toda a vida que se perdeu,

A herança de uma mocidade,

Um passado que já morreu.

 

Ficaram os sonhos de uma vida,

Outros sonhos que renasceram,

Lembra-se a triste despedida,

As lembranças que se perderam.

 

Vazio ficou o pensamento,

Tolhido por tal aventura,

Na história somente o momento,

Os laços fortes de ternura.

 

Muitas famílias separadas,

Outras sem atos de união,

Tantas saudades adiadas

E no povo a recordação.

 

Carlos Cebolo

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sexta-feira, 5 de março de 2021

 


INCONCLUSIVO

 

Do passado derrubo castelos,

Castelos de areia fria e fina,

Fina como os teus longos cabelos,

Névoa solta sem adrenalina.

 

As ameias sem torre de marfim,

Com o tempo a passar sempre a correr,

Pelas pontes secas sem ter fim,

Ampulheta que te faz sofrer.

 

Lágrimas na linha do infinito,

De um amanhã onde se constrói muros,

Nesse escoar de um tempo tão bonito,

Por onde se projetou futuros.

 

Carlos Cebolo

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segunda-feira, 1 de março de 2021

 LINHAS DO TEMPO

 

Ao olhar para o teu rosto, vejo rosetas,

Instantes que trazem serenidade,

E o sentir do fervor da mocidade,

Nessas linhas do tempo tão estreitas.

 

O corar que do teu rosto se ausenta,

Mostrando disposição para o amor,

Luz da juventude que se apresenta,

Vincando contornos de uma outra dor.

 

Devora-nos o tempo refletido

Nesse espelho, onde a imagem se apresenta,

Traçando a fita de um tempo escolhido,

Onde essa luz no futuro se ausenta,

 

Pedaço do céu é o nosso presente,

Onde a névoa não turva essa visão,

E a juventude reclama e consente,

Alegrias sentidas na ocasião.

 

Carlos Cebolo

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sábado, 27 de fevereiro de 2021

 


LEVADO PELO VENTO

 

Com o tempo, aprende-se poesia,

Neste presente o fruto colhido,

De um triste passado revestido,

Lembrando a mangueira do quintal

E o sabor da fruta ao natural,

Em ritmo de bela fantasia.

 

Já não existe a flor do jardim,

Roseira plantada com amor

E o cravo murcho de tanta dor,

À beira da fonte verdejante

Que matava a sede ao viajante,

Na labuta diária sem ter fim.

 

Nomes e lugares são pensamentos,

São vocábulos que a vida nos dá

E um pouco de nós ficou por lá

E por cá, aprende-se a saudade,

Simples lembranças da mocidade

Que talha todos os nossos momentos.

 

Carlos Cebolo

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

 


COLHER NO TEMPO 

 

Colho no tempo, o tempo gasto,

Colho flores no gélido inverno,

De tudo, um pouco sigo o rasto,

Fechando a porta desse inferno.

 

Sonho paisagens não sentidas,

Tudo é natureza já morta,

Espaço de vidas perdidas,

Imagens que o tempo recorta.

 

Bebo a tua luz refletida

No vazio do teu olhar,

Triste com essa despedida,

De todo esse teu caminhar.

 

Do teu corpo sinto a saudade,

Mesmo sem nunca te tocar,

São lembranças da mocidade,

Esta vontade de te amar.

 

Carlos Cebolo

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

 


AUSÊNCIA

 

A ausência é como a noite escura,

O céu sem estrelas, onde a luz do dia se deita,

Encerrando teus olhos com gotas de ternura,

Escondendo a dor que o corpo triste aceita.

 

Linha do horizonte onde os teus ecos já não se ouvem,

De tão frios se encontrarem com todas as ausências,

Num esquecimento onde o amor ficou retido.

 

Estranhas memórias de um tempo que ficou além,

Tolhido na humidade invernosa que turva as consciências

E o halo de um inseto que se manteve escondido.

 

É como a noite se transformasse em triste solidão,

Sem o astro que à escuridão empresta a luz,

Que faz nascer a esperança do desassossegado coração

E como cristal secreto, a própria timidez seduz.

 

Por um instante, deixas de olhar o horizonte que se baixa

Naquele limbo que te atormenta a vida,

Vencendo o peso da dor, onde a própria ausência se encaixa

E segues em frente, liberta pelo grito da despedida.

 

Carlos Cebolo

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sábado, 20 de fevereiro de 2021

 


INCERTEZAS

 

Não te toco com o meu querer,

Das palavras colho o fragor

E o sentido desse meu crer,

Talha esse coração de dor.

 

Nesse embalar, sinto a ternura

Desse corpo martirizado,

Ávido de uma outra aventura,

Amor proibido e desejado.

 

Agita-se a alma na tormenta

E o tempo passa sem ter rumo,

O fogo que arde não esquenta

E a chama se transforma em fumo.

 

Desse fumo se faz a dor,

Da aventura a satisfação

E assim se perde esse fervor,

Com o medo dessa confissão.

 

Carlos Cebolo

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terça-feira, 16 de fevereiro de 2021


 

ESPAÇO DO TEMPO

 

Do tempo, procuro o seu espaço,

Essência de matéria sem cor,

Onde a vida retém esse compasso,

Convertendo a esperança em amor.

 

Tão breve como esse sentimento,

Névoa que retém a luz solar,

Faz brotar as ondas do momento,

Lágrimas soltas do verde mar.

 

Tabuleiro de xadrez vestido,

No inquieto mundo onde me deito,

Formando esse dominó ferido,

Lembranças de um triste preconceito.

 

A mente pronta a ressuscitar

O brilho do teu olhar aflito,

Confuso no momento de amar,

Valoriza tudo em que acredito,

 

Carlos Cebolo

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sábado, 13 de fevereiro de 2021

 


PUDESSE EU FALAR COMO AS FLORES

 

Pudesse eu falar como a beleza das flores,

Coisas simples, ardentes com as lágrimas,

Como a pureza do fogo que consome o ar,

Tão simples e forte como o bom odor

E um querer no sentir de um saudoso amor.

 

Ter a dureza límpida do diamante,

A paixão do mártire sem qualquer razão,

Frescura da água corrente da nascente

Que se forma em rio frio e constante,

Impregnando os caminhos com seu odor,

Levando as tuas mágoas tristes de amor.

 

Pudesse eu contemplar a tua beleza,

Olhando simplesmente para os teus pés

E neles sentir o calor dos teus seios,

Iludindo assim, toda a tua incerteza,

Colhendo o sabor do que realmente és,

Com o meu calor, abafar os teus receios.

 

Carlos Cebolo

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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

 


CANTA O GALO

 

Canta o galo na fria madrugada,

Canta a chamar o Sol e seu calor,

Cai esta chuva em forma de geada,

E o mau tempo, arrefece o meu fervor.

 

Canta o cântaro pela fria nascente,

Cântico de vida com o seu amor,

Sofre este meu corpo que o teu não sente,

Neste inverno triste sem ter calor.

 

E se a cantar, a vida se reclama,

É no silêncio que se esconde a dor,

A dor por se sentir perder a chama

Da paixão que deixou de ser amor.

 

Carlos Cebolo

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

 


ILUDINDO O TEMPO

 

Na desgraça da vida se perde a graça,

Colhe-se a fé sentida e que nos ilude,

Todo esse olhar fúnebre que nos abraça,

Carrega dores deixadas na juventude.

 

O mistério da passagem nos acalma,

Dúvidas surgem em toda essa vertigem,

Para onde se transportará a minha alma

E lá, para onde irei, qual a minha origem?

 

Na ilusão do tempo, sensações sentidas,

Do pó, apareceu o homem nesta terra,

Por cá andamos sempre em despedidas,

Sem desvendar os mistérios que ela encerra.

 

Nesse escombro fúnebre o nosso destino,

Estudamos túmulos antigos sem dó

E nada encontramos que seja divino,

Somente corpos transformados em pó.

 

Carlos Cebolo

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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

 


UM ABRAÇO

 

O mundo mudou

E aos poucos nós estamos a mudar,

A meu ver para pior.

Tenho vontade de um abraço,

Uma vontade de te tocar

De construir um mundo melhor.

Palavras são levadas pelo vento

E na dor, o deixar de chorar,

O riso forçado, também é sentimento.

Na amizade, o aconchego fortalece a vida

E a dor que nos une é disfarçada

Na vontade de se dar um abraço.

No aconchego da noite,

A ilusão preenche os espaços,

Deixando surgir a magia da união

E na eternidade do tempo, pedem-se abraços

Que substituem as palavras levadas pelo vento,

No aconchego do coração.

 

Um abraço afasta toda a angústia,

Revigora o corpo e a alma,

Transmitindo calor a um corpo necessitado,

Despertando lágrimas e alegrias

Que restauram a necessária calma.

Neste tempo tolhido com palavras,

Renasceu a vontade de um abraço,

Um abraço que traga energias

A esse corpo desgastado,

Fazendo voar o sonho da fantasia

Que traga com ele a amizade,

As sensações da aventura

E o sentir leve da liberdade,

Com o seu manto de ternura.

Apenas te peço um abraço.

 

Carlos Cebolo

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

 


INVERNO

 

Raios de luz formam grinaldas amarelas,

No horizonte nascente se descobre o rei,

Entre nuvens que se despem em bagas finas

Espalhando flocos brancos na paisagem.

 

A luz do universo parece brincar às escondidas

E a brisa fria toca as pétalas do velho girassol

Que no jardim vai rodando à procura do sol,

Meio escondido na névoa da própria natureza.

 

Ao longe, uiva o vento na toca do lobo branco,

Lá no cimo do monte, onde a água se esconde,

A vida exausta parece ter chegado ao seu fim,

Deixando um grito surdo, esperando o renascer.

 

No meu olhar, uma sombra estranha se atravessa,

Alma bravia e solitária, traz o teu nome com ela

E neste inverno que a vida nos apresenta,

A brisa suave molda no teu corpo uma carícia.

 

No firmamento sinto Vénus e vejo a deusa do amor,

Coberta de grinaldas amarelas ao seu redor,

Procurando ajudar o seu amado sol a desabrochar,

Vencendo a tristeza do manto branco que o cobre.

 

Carlos Cebolo

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